Submarino remoto filma monte submerso

Especialista de universidade escocesa diz que diversidade da vida marinha na região está ameaçada por mudança do clima.


BBC

Um submarino controlado remotamente investigou um dos ecossistemas menos conhecidos da Grã-Bretanha: uma montanha submarina na costa da Escócia.

O monte, de 1 mil metros de altitude, fica totalmente submerso no Oceano Atlântico, na costa oeste da Escócia.

A equipe coordenada pelo professor J Murray Roberts, da universidade Heriot-Watt, em Edimburgo, registrou 109 espécies nas encostas da montanha.

O resultado do estudo foi publicado na revista científica Scientific Reports.

O professor Roberts liberou as imagens gravadas pelo equipamento para a BBC.

Áreas produtivas

"Essas montanhas são interessantes porque surgem no oceano e têm encostas muito íngremes. Quando as correntes se chocam contra essas colinas e remexem os nutrientes, elas se transformam em áreas muito produtivas", afirmou ele.

A equipe de Roberts montou sua base sobre um navio, enquanto o robô-submarino explorava as profundezas.

Entre as espécies observadas estão "estranhos" organismos unicelulares gigantes chamados xenofióforos.

Eles constroem estruturas grudando grãos de areia. Além disso, foram filmados um polvo e espécies incomuns de corais nas águas frias do Atlântico Norte.

Alguns dos corais serviam de abrigo às ovas de uma espécie ameaçada de tubarão cação.

Um dos principais objetivos dos estudiosos foi monitorar os bancos de corais, que são muito vulneráveis às mudanças climáticas.

Muitos deles vivem há centenas ou até milhares de anos, mas algumas estimativas preveem que eles serão totalmente destruídos até o fim do século.

"A velocidade na qual os oceanos estão mudando é incomparável com qualquer outra fase na história evolucionária dos corais", afirmou Roberts.

"A liberação de dióxido de carbono na atmosfera está mudando a química dos oceanos, e a previsão para o Atlântico é de que os corais serão expostos a águas mais ácidas que vão dissolver os seus esqueletos."

O especialista disse ainda que os sistemas ameaçados pelas mudanças têm "grande valor para a sociedade", lembrando que substâncias extraídas de organismos encontrados apenas nas profundezas do oceano vêm sendo usadas em pesquisas para tratamentos de doenças como câncer e malária.


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