07 agosto 2014

Libéria declara estado de emergência por ebola

Epidemia representa ameaça à segurança do país, diz presidente.
Estado de emergência deve durar 90 dias.


Do G1, em São Paulo

A presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, declarou nesta quarta-feira (6) estado de emergência para combater um surto de ebola, dizendo que a escala da epidemia representa uma ameaça à segurança do país.

“O governo e povo da Libéria requerem medidas extraordinárias para a sobrevivência do nosso Estado e a proteção das vidas da nossa população”, disse em comunicado oficial, informa a agência Reuters.

“Eu aqui declaro efetivo estado de emergência em toda a República da Libéria a partir de 6 de agosto de 214 por um período de 90 dias.”

Pelo menos 932 pessoas morreram vítimas do vírus ebola desde março na África Ocidental, em um total de 1.711 casos registrados, segundo divulgou a OMS. A doença pode ser transmitida pelo contato direto com fluidos de uma pessoa infectada. Os sintomas incluem febre, diarreia, vômitos, ou sangramento.

Libéria, Serra Leoa e Guiné são os três países mais afetados pelo surto na África Ocidental. O alarme global com a propagação da doença aumentou quando o norte-americano Patrick Sawyer morreu na Nigéria no mês passado depois de passar pela Libéria.

Neste país o saldo de mortos cresce mais rápido e o governo está com dificuldades para lidar com o problema. Muitos moradores estão em pânico e, em alguns casos, abandonam os corpos de familiares nas ruas de Monróvia para evitar quarentenas, segundo a Reuters.

Nesta quarta e quinta-feira, o Comitê de Emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS) organiza uma reunião sobre a epidemia de febre hemorrágica do ebola para decidir se o problema representa uma "emergência de saúde pública de alcance mundial".

O comitê anunciará a conclusão na manhã de sexta-feira (8).

A OMS também disse que deverá promover um encontro de especialistas em ética médica na próxima semana, para discutir as implicações de tornar tratamentos com droga experimental acessíveis mais amplamente.

Diferentes veículos da imprensa americana noticiaram nesta segunda que os dois americanos infectados pelo ebola na África Ocidental, -- o médico Kent Brantly e a missionária Nancy Writebol -- teriam recebido uma droga experimental chamada ZMapp, produzida por uma pequena empresa californiana, para combater a doença mortal.

Três dos maiores especialistas mundiais em ebola exortaram a OMS a também oferecer drogas experimentais às pessoas no oeste africano, mas a agência afirmou que “não irá recomendar qualquer droga que não passou pelo processo normal de licenciamento e testes clínicos”.

O presidente doa Estados Unidos, Barack Obama, declarou nesta quarta acreditar que não há informações suficientes para liberar uma droga promissora para tratar o vírus mortal e que a resposta inicial deve se concentrar em medidas de saúde pública para conter o surto.

"Temos que deixar que a ciência nos guie e eu não acho que exista toda a informação sobre se esta droga é útil", disse o presidente em entrevista coletiva. "O vírus ebola, atualmente e no passado, é controlável se você tem uma forte infraestrutura de saúde pública em vigor."


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