13 julho 2014

Sem volume morto, Cantareira já estaria sem água neste sábado

Sistema perdeu os 8,2 pontos percentuais que tinha antes do reforço.
Agora, Sabesp admite usar volume morto também no Alto Tietê.


Márcio Pinho
Do G1 São Paulo

O Sistema Cantareira não teria água para o abastecimento da Grande São Paulo neste sábado (12) se não fosse pela captação do volume morto, inciada em maio. Isso porque, de acordo com boletim divulgado pela Campanhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) às 9h, o nível do sistema chegou a 18,5% de sua capacidade, mesma quantidade adicionada ao sistema pelo volume morto.

Com o início da catpação, o nível do sistema subiu de 8,2% para 26,7% no dia 16 de maio. Desde então, o Cantareira perdeu 8,2 pontos percentuais, o equivalente ao que tinha antes em volume útil.

O Sistema Cantareira abastece cerca de 9 milhões de consumidores na Grande São Paulo. As represas vêm secando nos últimos meses e, desde o final do ano passado, a falta de chuvas leva a capacidade a níveis alarmantes.

Em junho, o nível de chuvas no Sistema Cantareira foi de 15,9 mm, segundo a Sabesp. Número bem abaixo da média história do mês, que é de 56 mm. O mesmo ocorreu nos outros meses do ano.

A queda no nível do sistema ocorreu em 90% dos dias do ano, segundo levantamento feito pelo G1 a partir dos boletins divulgados pela Sabesp nos primeiros seis meses do ano. Fevereiro foi o mês do ano com o maior total de pontos percentuais perdidos de água: 5,5.

A Agência Nacional de Águas (ANA) já divulgou previsão de que a água no Sistema Cantareira dura até novembro. Segundo o governo estadual em São Paulo, o volume morto garante o abastecimento até março. A expectativa é que a estação de chuvas, a partir de outubro principalmente, possa revertar o atual quadro.

Outras medidas

O governo de São Paulo tenta alternativas para minimizar a perda de água no Sistema Cantareira. Desde 1° de abril, o governo do estado oferece um "bônus" para quem economizar água em 31 cidades da Região Metropolitana de São Paulo. Os consumidores que reduzem em 20% o uso da água em relação à média mensal têm desconto de 30% no valor da conta. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse na quarta-feira (9) não ver "necessidade" na aplicação de multa a moradores que consumirem água em excesso, conforme havia anunciado antes.

O governo tenta fazer com que outros sistemas que abastecem a Grande São Paulo possam enviar água também a consumidores hoje abastecidos pelo Sistema Cantareira. Isso influencia na quantidade de água disponível também nos outros sistemas.

O Alto Tietê, por exemplo, também afetado pela falta de chuvas, opera apenas com 23,9% de sua capacidade. E a Sabesp já admite a possibilidade de também captar o volume morto das represas que integram esse sistema.

Segundo Paulo Masato, diretor da Sabesp, a companhia já está executando intervenções de aproveitamento de novos volumes no sistema Cantareira e no Alto Tietê. "Nós temos mais reservas técnicas disponíveis para serem aproveitadas", afirma.

Menos água em julho

No dia 3 de junho, o comitê que acompanha a crise no Cantareira decidiu que a Sabesp devia retirar menos água dos reservatórios do Sistema. A pretensão da empresa era de usar 20,9 metros cúbicos por segundo no mês de julho. Porém, o comitê recomendou à ANA e ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) que estabeleçam como meta o uso de 19,7 metros cúbicos por segundo na primeira quinzena do mês. Depois disso, a situação será reavaliada.

Para dar esse número, o comitê considerou um cenário com entrada de água no Sistema de 50% da mínima histórica mensal. Em junho, por exemplo, entrou apenas 46% da mínima histórica registrada no mês desde 1930.

A quantidade já é muito menor do que o normalmente retirado pela Sabesp antes da crise hídrica. No dia 13 de março, a vazão captada passou de 33 metros cúbicos por segundo para 27,9 metros cúbicos por segundo, por determinação da ANA.

A Sabesp afirma informou, por meio de nota, que as metas estabelecidas pela ANA e pelo DAEE são suficientes para garantir o abastecimento.


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