Represas da bacia do Rio Paraíba do Sul chegam ao nível mais baixo

Nível dos 4 reservatórios da bacia do Rio Paraíba do Sul está em 23%.

Estiagem afeta principalmente a população do Rio de Janeiro.


André Luis Rosa | Jornal Hoje
Taubaté, SP

As represas da bacia do Rio Paraíba do Sul, que abastece 14 milhões de habitantes de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro chega ao nível mais baixo da sua história e segundo os meteorologistas, a situação não deve melhorar tão cedo.

A estiagem no Rio Paraíba do Sul trouxe de volta imagens do passado. No interior de São Paulo, o nível da água está tão baixo que uma ponte ressurgiu, depois de passar 40 anos debaixo d’água. O mais incrível é que estrutura ficou preservada e os moradores voltaram a usar a ponte.

A Represa de Paraibuna baixou tanto que vários morros, antes submersos, se transformaram em ilhas. Duas réguas que medem o volume de água estão totalmente descobertas. É a primeira vez que acontece.

Paraibuna é a maior das quatro represas da bacia do Paraíba do Sul. Normalmente ela fornece mais da metade do volume de água do rio, mas agora o reservatório está com apenas 18% da capacidade.

O nível dos quatro reservatórios que forma a bacia do Rio Paraíba do Sul está em 23%. A quantidade de água é suficiente para garantir o abastecimento agora na estiagem, mas é pouco se a gente considerar que a chuva só deve aumentar a partir de novembro. Até lá, a previsão é que o nível das quatro represas fique abaixo de 10%.

“Se chover dentro da média, entraremos em 2015 com a pior situação de todos os tempos”, explica o geólogo especialista em recursos hídricos, Edílson de Paula Andrade.

Quatorze milhões de habitantes de três estados depende do Rio Paraíba. Mas a estiagem afeta principalmente a população do Rio de Janeiro. Em Barra do Piraí. parte da água do Rio Paraíba é desviada para o Rio Guandu.

Normalmente esse sistema fornece 190 mil litros por segundo para a Baixada Fluminense e a região metropolitana do Rio de Janeiro. Mas hoje o volume desviado caiu para 169 mil litros por segundo.

A Companhia de Águas do Rio de Janeiro afirma que o abastecimento está normal, mas o especialista em recursos hídricos está na hora da população agir. “Tem que tomar medida o ano todo para que se evite chegar ao racionamento”, diz Edílson de Paula Andrade.

Preocupado com a estiagem no Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, o governo paulista propôs ao Governo Federal, um plano para retirar parte da água da bacia do Rio Paraíba. A Agência Nacional de Águas e o Comitê da Bacia do Paraíba do Sul tem prazo até setembro para dar uma resposta.

“Hoje tem uma dificuldade imensa de atender o que São Paulo está pedindo. Com água em abundância na região pode-se pensar em contribuir com o abastecimento”, completa Andrade.


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