Tamar ultrapassa a marca de dois milhões de filhotes de tartarugas protegidas por ano

Às vésperas do Dia Internacional da Tartaruga Marinha, projeto patrocinado pela Petrobras anuncia recorde de nascimentos no Brasil


Portal do Meio Ambiente

Às vésperas do Dia Internacional da Tartaruga Marinha (16/6), o projeto Tamar comemora o recorde de nascimentos de filhotes em toda a história do projeto. Nesta última temporada, de setembro de 2013 a maio de 2014, nasceram cerca de 2,2 milhões de filhotes, 300 mil a mais que na penúltima temporada.

Em 1982, as primeiras pesquisas do projeto apontavam o nascimento de apenas dois mil filhotes. “A maior longevidade permitiu que esses filhotes, que começamos a proteger nos anos 80, ficassem adultos e voltassem a povoar as praias brasileiras. Agora chegamos a um total de 20 milhões de filhotes protegidos”, explica o fundador e coordenador nacional do projeto, Guy Marcovaldi. O Tamar tem o patrocínio da Petrobras desde 1983, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e é coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em cooperação com a Fundação Pró-Tamar.

Essa tendência de aumento na quantidade de fêmeas nas praias tem sido notada, em especial, a partir de 2005. Entre os fatores que contribuíram para o aumento no tempo de vida das espécies oliva, cabeçuda, de dente, de couro e verde, está a maior conscientização da população e dos próprios pescadores e suas famílias. Entre eles estão as 1.300 pessoas que participam diretamente do Tamar. “Os pescadores, que antes usavam a tartaruga como alimento, passaram a protegê-la e usá-la como fonte de renda, trabalhando em nossas bases e centros de informação”, diz Marcovaldi.

O Tamar tem buscado restaurar o ciclo de reprodução das tartarugas, proteger as desovas, e promover a sobrevivência e a recuperação das populações que ocorrem no Brasil, mantendo-as capazes de cumprir suas funções ecológicas. O gerente executivo de Responsabilidade Social da Petrobras, Armando Tripodi, aprova os resultados. “Temos apoiado iniciativas que têm como objetivo promover a proteção e recuperação de espécies e habitats. Essa é justamente a missão do Tamar, que, além disso, desenvolve alternativas econômicas sustentáveis para as comunidades costeiras”, elogia Tripodi.

Temporada de reprodução das tartarugas marinhas 2013-2014

O número de ninhos para todas as espécies de tartarugas marinhas no país tem aumentado. Na última (33ª) temporada reprodutiva monitorada pelo Tamar (2013-14), foram protegidos 2.554 ninhos de tartarugas de Pente (Eretmochelys imbricata), 9.207 de Cabeçuda (Caretta caretta), 8.506 de Oliva (Lepidochelys olivacea), 4.930 de Verdes (Chelonia mydas) e 99 de de Couro (Dermochelys coriacea), num total de 25.296 ninhos.

Ameaça de extinção

As cinco espécies de tartarugas marinhas encontradas no Brasil continuam ameaçadas de extinção, segundo critérios da lista brasileira e mundial de espécies ameaçadas. Das cinco, quatro desovam no litoral - e, por estarem mais expostas, são as mais ameaçadas: cabeçuda, de pente, oliva e de couro. De cada mil filhotes que nascem, só um ou dois conseguem atingir a maturidade. Os obstáculos que enfrentam para sobreviver são diversos. Além dos predadores naturais, as ações do homem estão entre as principais ameaças às tartarugas marinhas. Destacam-se o aquecimento global; a destruição do habitat para desova, devido à ocupação desordenada do litoral; a poluição dos oceanos; e a pesca incidental, com redes de espera, e em alto mar, com anzóis e redes.

Números:

- Anualmente, o Tamar protege e monitora cerca de 18 mil desovas em mais de mil quilômetros do litoral, com 900 mil filhotes liberados ao mar.
- O Tamar ultrapassou a marca de 2 milhões de filhotes protegidos no final de 2014.
- O projeto possui 20 bases de pesquisa e 11 centros de visitantes em nove estados brasileiros.
- O Tamar conta com 1.300 pessoas em suas atividades. Em 1980, no início, eram apenas quatro.



Postar um comentário

Postagens mais visitadas