Baixa no nível do rio Tietê provoca demissões e ameaça parar hidrovia

De 21 que fazem transporte de cargas no local, apenas 7 poderão navegar.
'Se o setor elétrico não colaborar, a hidrovia pode parar', alerta diretor.


Do G1 Rio Preto e Araçatuba

Uma das maiores hidrovias do país, a Tietê-Paraná, está parcialmente interditada por causa da seca. Com a estiagem, dos 21 comboios que navegam por ela, somente sete vão conseguir passar. O nível do rio Tietê baixou quase quatro metros no ponto mais crítico da passagem das embarcações, em Buritama (SP).

Uma equipe monitora 24 horas trechos do local para tentar evitar que embarcações encalhem. Mesmo assim, várias já ficaram presas ao leito do rio. Os comboios de grande porte - com mais de 2.29 metros de calado, que é a parte da embarcação que fica submersa - não tem condições de atravessar os pontos mais críticos onde há pedras e bancos de areia, que é o caso da eclusa da Usina Nova Avanhandava. A determinação passa a valer nesta sexta-feira (9) à meia-noite.

A seca representa mais do que dificuldade para navegar. Com a proibição, a direção da maior empresa que realiza o transporte de cargas pela hidrovia, e é responsável por dois terços das barcaças que fazem esse trabalho, anunciou o aviso prévio de 280 dos 350 funcionários, a partir da próxima semana.

Algumas barcaças já estão encalhadas e quatro milhões de toneladas de grãos e açúcar já precisaram ser transportadas por caminhões. Para desencalhar é preciso fazer uma operação chamada "onda de vazão". Para aumentar o nível da água nos reservatórios, é preciso que a usinas gerem energia. Quando as turbinas funcionam, a água é liberada. Somente com elas é possível seguir viagem. O problema é que os reservatórios estão sendo poupados por causa da estiagem.

A hidrovia agora opera com apenas 30% da capacidade. Com isso, o caminho para exportação da soja que segue do centro oeste para o Porto de Santos é bem mais difícil. A seca também atrasa a viagem das barcaças que tem que aguardar mais para passar pelas hidrelétricas. A viagem que durava sete dias agora só é feita em três semanas.

Para não encalhar, as barcaças têm viajado com apenas dois terços da capacidade. O resto da carga vai de caminhão, o que acaba sobrecarregando as rodovias do estado de São Paulo.

Para que a navegação continue, a hidrovia agora não depende apenas da chuva, mas também das usinas hidrelétricas. “É muito importante que agente tenha uma atenção para a elevação do nível do reservatório, no mínimo a manutenção desse nível para que a hidrovia continue funcionando. Se o setor elétrico não colaborar, a hidrovia pode parar”, alerta Caseiro Tércio Carvalho, diretor do Departamento Hidroviário


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