'Água do volume morto é perfeita', diz Alckmin sobre fundo do Cantareira

Qualidade da água foi questionada pelo MP, que teme metais pesados.
Volume morto começa a ser utilizado nesta quinta-feira (15).


Amanda Previdelli
Do G1 São Paulo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta terça-feira (13) que a água do "volume morto" do Sistema Cantareira é "perfeita". Diante da falta de chuvas dos últimos meses, o governo paulista decidiu antecipar o uso da água que sobrou no fundo do Cantareira para quinta-feira (15). O nível acumulado de água no sistema caiu para 8,6% nesta terça-feira (13).

A qualidade da água foi questionada pelo Ministério Público do estado, que teme que ela possa ter resíduos nocivos à saúde, como metais pesados. O governo nega e diz que já realizou todos os testes necessários.

"O volume não é morto, água é vida. Ele só não era utilizado", disse o governador. Ele preferiu chamar o volume morto de "reserva tecnica" e reiterou que "a reserva técnica é águal igual às outras".

O volume morto é um reservatório que abriga 400 milhões de metros cúbicos de água, quantidade suficiente para elevar o nível do sistema em 18,5%, segundo estimativa dos técnicos da Sabesp. "Dos 400 milhões de metros cúbicos, só vai utilizar 182 milhões. Isso daria para superar, para passar o período do inverno", disse Alckmin.

Desde 17 de março, a Sabesp faz um serviço emergencial para captar a água que fica no nível abaixo das comportas. Segundo a companhia, o volume morto poderá abastecer a Grande São Paulo por quatro meses. A obra está orçada em R$ 80 milhões.

Apesar de bairros da capital paulista e cidades do estado relatarem que passam por rodízio de água, Alckmin voltou a dizer que não há e "não vai ter racionamento". "Esses são casos pontuais que têm que ser verificados", disse.

Nesta manhã, Alckmin voltou a explicar que a economia de água em cidades abastecidas por outros sistemas pode contribuir para atender bairros originalmente cobertos pelo Cantareira. Segundo o governador, os sistemas Alto Tietê e Guarapiranga aliviaram a situação do Cantareira. A partir de setembro, o Riacho Grande também deverá atuar nesse sentido.

Reservatórios interligados

O governador voltou a defender obra que interligará o Sistema Cantareira à Bacia do Rio Paraíba do Sul. Ele explicou que será construído um canal entre as represas de Atibainha, que faz parte do sistema que abastece a Grande São Paulo, e o reservatório Jaguari, um afluente do Paraíba do Sul, que abastece o Rio de Janeiro.

"Ninguém vai mexer no Paraíba. Você interliga essas duas, são apenas 15km", explicou.

"Na hora que você integra as duas, você começa a ter uma capacidade de reservação de R$ 2 bilhões de reais sem prejudicar ninguém e com uma segurança e capacidade de reservação muito maior", disse Alckmin. O governador afirmou que a obra já estava prevista para 2020 , mas foi antecipada pelo governo.

Nível acumulado em queda

Em maio, o reservatório perdeu 1,9 ponto percentual de sua capacidade. Nas primeiras duas semanas do mês, choveu apenas 0,6 milímetro na região. No dia 22 de abril, Alckmin anunciou que os moradores da Grande São Paulo abastecidos pelo Sistema Cantareira teriam um acréscimo na conta de água caso aumentem o consumo.

De acordo com o governador, o usuário que gastar acima da média em maio pagará 30% a mais em junho. Já os consumidores de 31 cidades atendidas pela Sabesp que conseguirem economizar 20% receberão um desconto de 30%.


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