Novo porto é construído e travessia sobre o Rio Abunã é liberada, em RO

Atracadouro foi liberado nesta quarta e fica distante 9,5 quilômetros do antigo.

Liberação restabeleceu única via de acesso terrestre até o Acre.


Ivanete Damasceno
Do G1 RO com informações da TV RO

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) construiu um novo porto onde devem atracar as balsas que fazem a travessia sobre o Rio Abunã, no sentido Porto Velho (RO) – Rio Branco (AC). O novo atracadouro foi liberado nesta quarta-feira (5), restabelecendo a única via de acesso terrestre ao estado do Acre e fica distante 9,5 quilômetros do antigo, informa a Polícia Rodoviária Federal (PRF). O antigo porto está alagado e oferecendo riscos aos motoristas por causa da cheia histórica do Rio Madeira que já atinge 18,83 metros, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA). Já na região de Jacy-Paraná, a BR-364 está cedendo e o Dnit trabalha na recuperação do local.


Na estrada de acesso à balsa, no antigo porto, um caminhão caiu ao lado da pista (Foto: Reprodução/TV Rondônia)Na estrada de acesso à balsa, no antigo porto, um caminhão caiu ao lado da pista (Foto: Reprodução/TV Rondônia)

O tráfego na balsa estava totalmente interrompido desde a segunda-feira (3), por conta dos perigos aos motoristas. Os motoristas parados há dias na região reclamam de prejuízos com cargas e necessidade de manutenção dos veículos. Um deles, chegou a perder o controle do veículo e tombou fora da pista, que já tinha sido elevada por causa da cheia. “Ele já está ali há uns cinco dias. Segundo informações, ele vinha filmando no celular e se esqueceu da estrada e imbicou ali dentro. Mas agora está sendo feito o transbordo da carga e ele vai ser retirado dali”, diz o inspetor João Ribeiro, da PRF.

De acordo com a PRF, o porto foi vistoriado e por conta da subida da água, optou-se por construir em novo local. "A água aumentou muito. Qualquer caminhão que entrar ali vai ter problema. Só vai ser liberado para embarcar pela balsa no porto novo aberto em Abunã", frisa o inspetor.

Já no quilômetro 799 da BR-364, próximo a Jacy-Paraná, a rodovia começou a ceder. Ribeiro diz que a correnteza da água é muito forte, mas que o Dnit tenta recuperar a pista para que não seja interditada totalmente. Se não houver como recuperar, o Acre deverá ficar totalmente isolado. O Dnit trabalha na recuperação, colocando pedras para desviar a correnteza e aterro para fechar buracos, diz a PRF.

Em Abunã, distrito distante cerca de 220 quilômetros de Porto Velho, a água está praticamente na cobertura das casas. Na BR-364, a PRF diz que a lâmina d'água já ultrapassa a marca dos 90 centímetros.

Cenário da cheia

Na segunda-feira (3), a BR-364, única via terrestre de acesso entre Rondônia e Acre, foi interditada pelo Dnit e PRF para análise das condições de passagem dos veículos, por causa da cheia histórica do Rio Madeira. Em Porto Velho, o prefeito decretou estado de calamidade pública.

A cheia histórica está ainda impedindo que caminhões do tipo cegonha cheguem até o Acre, por causa de uma lâmina d'água que cobre a BR-364. Por conta disso, os veículos estão sendo deixados em depósitos em Porto Velho, fazendo com que as transportadoras tenham prejuízos, pois precisam alugar um espaço e depois deverão custear a viagem até a cidade acreana, explica Luís Augusto de Oliveira, dono de depósito.

Também na segunda-feira, 200 famílias do Baixo Madeira foram removidas para Porto Velho, porque tiveram suas casas inundadas pela água do Madeira. Outras foram levadas para a parte alta de Nazaré. Segundo a Defesa Civil Estadual, 500 barracas foram encaminhadas para Rondônia e devem ser levadas, principalmente, para os moradores do Baixo Madeira que foram acomodados em regiões mais altas dos distritos e localidadades.

Por causa da cheia, a produção agropecuária está prejudicada nas cidades atingidas, de acordo com a Associação de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater). A água inundou plantações e criadouros de Porto Velho e distritos como São Carlos, Calama e Nazaré. A estimativa é de que os prejuízos cheguem a R$ 55 milhões.

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