Defesa Civil de Rondônia deve remover mais 2 mil famílias; cheia histórica avança

Nível do rio sobe para 18,43 metros e atinge 12 distritos de Porto Velho.

Corpo de Bombeiros classifica situação como caótica.


Assem Neto
Do G1 RO

A Defesa Civil de Porto Velho identificou outras 2 mil famílias que precisam ser retiradas de suas casas em 12 distritos de Porto Velho. Na região, conhecida como Médio e Baixo Madeira, já há reservados 21 abrigos públicos e a situação é considerada “caótica”, informou o diretor de Comunicação do Corpo de Bombeiros de Rondônia, coronel Gilvander Gregório. A cota do Rio Madeira aferida nesta segunda-feira (24) é de 18,43 metros e não há previsão de estabilidade ou redução, pelo menos nas próximas semanas, segundo o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). O número de famílias retiradas de suas casas passa de 1,8 mil, informou a Defesa Civil.

Ao G1, o coordenador da Defesa Civil de Porto Velho, José Pimentel, afirmou que as famílias desabrigadas somam 502, já as desalojadas que deixaram suas casas e buscaram apoio em casas de parentes ou amigos, são 1.306. Isso representa cerca de 18 mil pessoas atingidas pela maior cheia do Madeira, em Porto Velho e distritos, conforme cálculos das autoridades, que relacionam cinco membros para cada família.

Seis escolas públicas mantidas pelo estado são ocupadas na capital - cada uma com cerca de 500 alunos matriculados, que estão sem estudar. Os prédios começaram a ser cedidos uma semana após o início do ano letivo. O secretário de Educação de Rondônia, Emerson Castro, pôs à disposição da Defesa Civil outras oito instituições de ensino, somente em Porto Velho, que estão de sobreaviso. Já não há mais vagas nas cinco paróquias também cedidas pela Arquidiocese de Porto Velho para acolher desabrigados.

Na rede municipal de ensino, além das escolas Maria Isaura e São Pedro, que já estavam ocupadas por famílias atingidas pela cheia, outras três unidades já devem começar a receber desabrigados nesta segunda-feira e estão sem aulas. Dezessete escolas estão de sobreaviso, caso seja necessário montar novos abrigos.

A força das águas atrapalha a ação dos mais de 200 voluntários e dos 30 bombeiros da Força Nacional, que chegaram na sexta-feira (21), para trabalhar até mesmo durante a madrugada na remoção de homens, mulheres, crianças e idosos. Praticamente 100% das lavouras nos distritos (agricultura utilizada para subsistência das famílias) está perdida. As plantações de mandioca, arroz, milho, banana e hortifrutigrangeiros às margens do Rio Madeira entram no relatório da Sala de Gerenciamento de Crise como alvo de uma 'restruturação pós desastre', quando a água baixar.

José Pimentel afirmou que Porto Velho tem condições de abrigar tanta gente. “Os abrigos públicos subiram de 14 para 25 desde a última sexta-feira [21]. Temos espaço para todos”, disse ele. “A população está comovida e ajuda de todas as formas”, disse o diretor de comunicação do Corpo de Bombeiros. “É importante que concentrem a entrega de donativos num ou dois pontos específicos, para facilitar o trabalho dos voluntários”, disse Gilvander Gregório. Os desabrigados necessitam, sobretudo, de água potável, roupas, cobertores e alimentos.


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