Cheia do Madeira aumenta pontos de alagamento em rodovias federais

Na BR-364, próximo a Jacy-Paraná (RO), lâmina d'água cobre a pista.

Só podem passar 20 caminhões a cada uma hora para nova avaliação.


Ivanete Damasceno
Do G1 RO

O Rio Madeira permanece superando marcas históricas do nível registrado e desabrigando mais famílias. No começo da tarde deste domingo (23), cota já havia aumentado de 18,30 metros para 18,35 metros. Por conta disso, uma equipe do Corpo de Bombeiros está na BR-364, próximo a Jacy-Paraná, distrito de Porto Velho, distante cerca de 100 quilômetros da capital, para sinalizar os novos trechos onde a lâmina d'água já está em cerca de 25 centímetros, segundo a Sala de Gerenciamento de Crise. A cheia recorde do Rio Madeira já tirou mais de 1,6 mil famílias de casa. Nos distritos do Baixo e Médio Madeira, cerca de 530 famílias (a metade da população da região) estão sendo retiradas de casas atingidas pela cheia e levadas para abrigos e até para a capital, Porto Velho.

"A informação que nós temos é que a cada uma hora passam 20 caminhões pela rodovia. Depois a pista é avaliada para permitir a passagem novamente de veículos", informa o bombeiro Marcelo Almeida. Ele diz ainda que a lâmina d'água que cobre a pista não permite que os motoristas passem com segurança, mas alguns veículos de passeio ainda se arriscam. A BR-364 é a única via de acesso terrestre ao estado de Acre, e apresenta outros pontos de alagamento, sendo o maior deles na região de Velha Mutum, impedindo que motoristas cheguem até a balsa para a travessia do rio.

Já a BR-319, via de acesso terrestre ao Sul do Amazonas, também apresenta pontos de alagamento novos, segundo Almeida, que já deixou algumas vilas isoladas. "Não sei precisar quais são essas vilas, mas a Polícia Rodoviária Federal [PRF] nos passou que o fluxo de veículos está complicado", diz o bombeiro. O G1 entrou em contato com a PRF, mas não recebeu retorno.

Em Porto Velho

A maior cheia já registrada pelo Rio Madeira também está interditando ruas e avenidas de Porto Velho. Na região central da cidade, o Igarapé Santa Barbára, diretamente atingido pela cheia do Madeira, aumentou o nível e já interdidou a parte mais baixa das ruas 13 de Setembro, Campos Sales, chegando até a Tenreiro Aranha, na área central da cidade. Mais de 1,6 famílias já foram atingidas pela cheia histórica do Rio Madeira, na capital e em 14 distritos localizados no Baixo e Médio Madeira.

O coronel Gilvander Gregório, do Corpo de Bombeiros, explica que com a elevação do nível do rio, estas ruas mais baixas estão sendo atingidas e os motoristas precisam procurar uma rota alternativa, para não se arriscarem a cruzar as vias alagadas. "São pontos de alagamento que não temos como evitar", diz o coronel.

Combustível

Caminhões que fazem o embarque de combustíveis em Porto Velho não conseguem chegar às bases das distribuidoras, em razão do alagamento que atinge a Estrada do Belmont, Bairro Nacional. Por isso, postos de gasolina afirmam que já falta combustível na cidade. No entanto, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo (Sindpetro), a capital não corre o risco de desabastecimento, pois o combustível está sendo comprado do Mato Grosso, o que encarece o produto.

Gás de cozinha

Em uma distribuidora de gás de cozinhas, centenas de botijões boiam sobre a água em virtude da cheia do Rio Madeira, que invadiu a distribuidora, em Porto Velho, na margem da BR-319. Na terça (18), a distribuidora afirmou que, caso o nível do rio continue subindo, o abastecimento em Rondônia e Acre pode ficar comprometido.

Em Guajará-Mirim, a população vive períodos de desabastecimento na cidade desde quando a principal via de acesso ao município, a BR-425, que também dá acesso para a Bolívia, foi fechada para o tráfego de veículos. Falta combustível, alimento e água, segundo a população. Pontes e estradas estão debaixo d'água.

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