Onda de frio perde força, mas prejuízo dos EUA deve bater em US$ 5 bilhões

A devastadora massa de ar polar que afetou 190 milhões de pessoas nos EUA esta semana começou a ceder ontem


Cláudia Trevisan | O Estado de SP
Correspondente / Washington

A devastadora massa de ar polar que afetou 190 milhões de pessoas nos EUA esta semana começou a ceder ontem. Apesar de curto, o chamado vórtice polar deverá ter um impacto econômico de US$ 5 bilhões em razão do grande número de afetados, segundo a consultoria Planalytic, especializada no efeito de fenômenos naturais na economia. Isso reduziria em 0,2 ponto porcentual o crescimento do PIB no primeiro trimestre.

A previsão para o fim de semana é que a situação se inverta: o frio extremo dará lugar a máximas superiores às médias históricas para essa época do ano.

Anteontem, todos os 50 Estados americanos registraram temperaturas negativas em algum momento do dia, incluindo regiões montanhosas do Havaí. As temperaturas subiram gradualmente ontem, em um movimento que deverá se intensificar nos próximos dias.

Em Washington, os termômetros oscilaram entre -4°C e -2°C, bem acima do intervalo de -14°C e -7°C registrados no dia anterior, quando a mínima ficou 12º C abaixo da média histórica. No sábado, a temperatura ficará entre 9°C e 18°C, segundo as previsões, patamar de pelo menos 11°C acima da média do mês de janeiro.

A mudança radical no movimento dos termômetros começou ontem em algumas regiões. Em Atlanta, no Sul, a mínima chegou a -14°C na terça-feira, um recorde. Normalmente, a cidade registra de 1°C a 11°C nessa época do ano. Ontem, a temperatura variou de -3°C a 7°C e poderá chegar a 17°C no sábado, 6°C acima da média.

Com a elevação das temperaturas, a situação começou a se normalizar nos aeroportos, depois do cancelamento de 11 mil voos entre domingo e terça-feira. Até o fim da tarde de ontem, 770 aviões haviam deixado de decolar.

Na terça-feira, 190 milhões de americanos enfrentaram temperaturas negativas bem mais baixas que o usual, o equivalente a 60% da população.

Além dos cancelamentos de voos, que afetam os resultados das companhias aéreas, o frio extremo reduziu a receita de lojas, restaurantes e companhias de transportes, já que milhões de americanos permaneceram em suas casas.

Mortes. Desde domingo, 21 pessoas morreram em cinco Estados em situações relacionadas ao mau tempo, de acordo com levantamento da Associated Press. As estatísticas incluem vítimas de acidentes de trânsito provocados por baixa visibilidade ou pistas escorregadias.

Abrigos para sem-teto ficaram lotados em todo o país, com pessoas em busca de proteção contra o frio. O Serviço Nacional de Meteorologia alertou que a população deveria permanecer dentro de casa nas regiões mais afetadas, especialmente no centro-norte. A exposição a temperaturas extremamente negativas pode provocar o congelamento da pele e hipotermia em poucos minutos.

Na terça-feira, os termômetros ficaram entre 14°C e 19°C abaixo da média histórica no centro e no leste do país, de acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia. Em Nova York, a mínima chegou a -15°C no Central Park, o que derrubou o recorde de 14°C registrado na mesma data em 1896. Com o impacto do vento, a sensação térmica era -21°C.

No Estado de Illinois, a temperatura chegou ao menor patamar para um dia 7 de janeiro em Chicago, com -27°C a sensação térmica chegou a -34°C, o que paralisou a cidade.

A brutal onda de frio foi provocada por um fenômeno meteorológico chamado de vórtice polar, uma espécie de ciclone que ocorre em elevadas altitudes sobre o Ártico. Quando ele tem baixa intensidade, os ventos frios escapam do redemoinho e se espalham para regiões localizadas ao sul do polo norte. Parece paradoxal, mas alguns cientistas acreditam que o frio intenso é resultado do aquecimento global, que reduz a força do vórtice polar.


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