09 agosto 2013

Resistência da Amazônia ao estresse térmico pode estar debititada

A resistência da floresta amazônica ao estresse térmico, como em situações de seca, poderia estar se debilitando, segundo um estudo da Universidade de Valência, no lesta da Espanha.

Agência Efe


Esta é a principal conclusão do estudo que avaliou os efeitos das secas de 2005 e 2010 nas florestas tropicais do Amazonas e que foi publicado no Journal of Geophysical Research.

Segundo os pesquisadores, as regiões mais afetadas por este aquecimento recente “se encontram na zona sudeste, coincidindo com o chamado arco de desmatamento”, que inclui as regiões de Rondônia, Mato Grosso e Pará, onde as práticas de desmatamento “foram mais agressivas nos últimos anos”.

Um dos fatores mais determinantes da mudança climática sobre a região amazônica são as secas severas, “fenômenos que se produzem por um aumento na temperatura do mar”, em particular na zona leste do Oceano Pacífico, e que são conhecidas popularmente como “El Niño”.

São vários os estudos que analisaram nos últimos anos o efeito das secas sobre a floresta amazônica medido com dados de satélite, “mas são poucos os trabalhos que analisaram o papel das anomalias térmicas”, afirma em uma nota a Universidade de Valência.

A análise dos dados climáticos dos últimos 32 anos e dados de satélites entre 2000 e 2012 mostram um aquecimento estatisticamente significativo na última década, algo que não se observa nas duas anteriores.

Embora os especialistas sempre tenham considerado que as florestas tropicais do Amazonas “possuem uma extraordinária resistência às condições de estresse hídrico”, os resultados mostrados neste estudo sugerem que a resistência da floresta amazônica ao estresse térmico poderia estar se debilitando.

A floresta amazônica representa cerca de 50% das florestas tropicais do mundo e é “um componente chave do ciclo global do carbono”, de modo que as mudanças que ocorream na floresta podem afetar a concentração de CO2 na atmosfera e portanto a própria mudança climática.

O trabalho foi realizado pelos pesquisadores da Universidade de Valência Juan Carlos Jiménez-Muñoz e José Antonio Sobrinho, com a colaboração de Cristian Mattar, da Universidad de Chile e Yadvinder Malhi, da Universidade de Oxford.



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08 agosto 2013

Fóssil de jacaré do período Jurássico é descoberto no Maranhão

REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SP

Nas rochas do interior do Maranhão, pesquisadores da USP de Ribeirão Preto desencavaram fósseis de um dos mais antigos membros do grupo ao qual pertencem os jacarés e crocodilos de hoje.

Com cerca de 160 milhões de anos, o bicho, batizado de Batrachomimus pastosbonensis, também é importante por ser o primeiro vertebrado do país (à exceção de peixes) com restos que datam do período Jurássico, a mais famosa fase da Era dos Dinossauros, contou à Folha o coordenador da pesquisa, o paleontólogo Max Langer.

Fatores climáticos e geológicos fazem com que fósseis jurássicos sejam raros no país. Tanto é assim que, quando toparam com o crânio da criatura em maio do ano passado, Langer e seus ex-alunos Felipe Montefeltro e Marco Aurélio de França acharam que se tratava de um anfíbio dos grandes.

Explica-se: na região também há camadas geológicas de um período mais remoto, o Permiano, que terminou há 250 milhões de anos. Nessa época, anfíbios com estrutura corporal parecida com a dos jacarés atuais patrulhavam os rios maranhenses.

Desfeito o engano, os cientistas homenagearam a confusão ao batizar a espécie -- Batrachomimus quer dizer "imitador de sapo", enquanto pastosbonensis se refere ao município de Pastos Bons, onde o bicho foi encontrado.

Além do crânio, os paleontólogos acharam cacos das patas e da armadura óssea do bicho. Era um animal pequeno -- cerca de 1 m de comprimento -- e de focinho comprido e fino, lembrando os gaviais, bichos modernos nativos da Índia. A dentição deixa clara a predileção da criatura por uma dieta de peixes.

Editoria de Arte/Folhapress

FAMÍLIA COMPLICADA

Isso não parece surpreendente, a não ser pelo fato de que, nessa época, os parentes remotos dos crocodilos eram, em sua maioria, bichos terrestres de pernas relativamente compridas, alguns até comendo plantas ou insetos.

O esqueleto do B. pastosbonensis, por outro lado, indica que ele não era membro dessas linhagens extintas esquisitonas (do ponto de vista moderno), mas sim do grupo dos Neosuchia, aquele ao qual pertencem os jacarés modernos. Dentro desse subgrupo, o fóssil maranhense é um dos mais antigos.

A análise feita pelos cientistas da USP sugere um parentesco com bichos que viveram na China, na Mongólia e no Uzbequistão.

É possível que os ancestrais de todos esses bichos já tivessem se dispersado pelo planeta quando havia um único supercontinente na Terra, seguindo trajetórias evolutivas separadas.

Os paleontólogos propõem outra ideia para explicar a semelhança desses protojacarés com os anfíbios grandalhões. Segundo eles, é possível que a extinção de tais anfíbios tenha deixado aberta a porteira para novos predadores semiaquáticos, o que levou alguns membros do grupo dos crocodilos a adotar a vida dentro d'água.

A descrição do bicho está na revista "Naturwissenschaften". O estudo teve apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do CNPq.



07 agosto 2013

Nova gripe aviária tem episódio de transmissão entre humanos

FOLHA DE SP

Uma mulher que cuidava do pai doente foi a primeira vítima a contrair diretamente de outra pessoa o vírus de gripe aviária H7N9, altamente letal. Segundo autoridades de saúde da China que relataram o caso, a notícia é preocupante, mas o parasita ainda não conseguiria sustentar uma pandemia em humanos.

O pai, de 60 anos, e a filha, de 32, entraram na lista dos 43 mortos infectados com o vírus. Outros 91 pacientes contraíram o patógeno, mas sobreviveram ao contágio.

O caso isolado de transmissão de uma pessoa para outra foi descoberto após uma investigação liderada pelo virologista Xian Qi, do centro epidemiológico de Nanquim.

Para descartar a possibilidade de a mulher ter contraído o H7N9 de alguma ave, os pesquisadores entrevistaram pessoas próximas à família e vasculharam todo o bairro onde as vítimas moravam.

Apenas o pai tivera contato confirmado com aves, pois ia regularmente a um mercado de animais vivos para comprar codornas que cozinhava para a família. Um vizinho criava dois cisnes perto da casa das vítimas, mas os animais não estavam infectados, mostrou um teste.


Além de toda a investigação em campo, os cientistas sequenciaram a informação genética do vírus. A variedade que infectou o pai era tão similar à que infectou a filha que levou os pesquisadores a concluírem que, de fato, houve transmissão entre pessoas.

O episódio de transmissão foi descrito pelos pesquisadores em estudo na revista "British Medical Journal".

Segundo os cientistas, apesar de a transmissão entre humanos ser a explicação mais provável para o caso, não há indício de que o vírus tenha criado capacidade de se disseminar de modo consistente de pessoa para pessoa.

Os médicos entrevistaram 43 pessoas que entraram em contato com as duas vítimas citadas no estudo. Nenhuma delas foi contaminada -- nem mesmo o genro do primeiro paciente, que também cuidara do homem adoecido.

A mulher que contraiu o vírus, além disso, disse ter entrado em contato direto com secreções orais do homem infectado. "Ela teve exposição prolongada, direta e desprotegida a seu pai", escreveram Qi e seus colegas no estudo.

Para especialistas, o fato de o caso de transmissão ter sido isolado não é motivo para relaxar a vigilância sobre o H7N9. "Eventos ocasionais de transmissão são a regra, e não a exceção, para vírus de gripe que esporadicamente cruzam a barreira de espécies e chegam a humanos", escrevem James Rudge e Richard Coker, sanitaristas britânicos que trabalham no Sudeste Asiático e assinam o editorial do "British Medical Journal".

Os dois alertam que os 134 casos da doença registrados até agora são a "ponta do iceberg", pois infecções menos graves nem chegam ao conhecimento dos médicos.

LETALIDADE

"O lado bom disso é que a taxa de fatalidade real do vírus provavelmente é bem menor do que aquela observada entre casos confirmados", dizem Rudge e Coker. O lado ruim, afirmam, é que "a oportunidade para que o H7N9 se adapte a humanos, ou se recombine por meio de infecções de gripes mistas, pode ser muito maior do que aquela para outros vírus de gripe aviária, como o H5N1".

Parte da preocupação dos cientistas saiu de um experimento feito com furões, mostrando que, entre esses mamíferos, o H7N9 já consegue se disseminar.
Esse trabalho, liderado por Yoshihiro Kawaoka, da Universidade de Tóquio, também mostrou que o vírus sobrevive em macacos, mas não passa de um para o outro.

Kawaoka sugere que o H7N9 passou a infectar humanos após um número relativamente pequeno de mutações, mas nenhum experimento de biologia molecular foi feito até agora para confirmar a suspeita.


Japão diz que 300 t de água contaminada vazam de Fukushima por dia

FOLHA DE SP
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O governo do Japão reconheceu pela primeira vez nesta quinta-feira que a usina nuclear de Fukushima joga 300 toneladas diárias de água contaminada no mar. Tóquio também anunciou que apoiará as obras para contenção do material da planta, destruída após o terremoto seguido de tsunami de 2011.

A informação é revelada após uma série de comunicados feitos pela Tokyo Electric Power, operadora da usina, nos últimos meses mostrando preocupação com vazamentos nos reservatórios da água usada para resfriar os reatores, cujas proteções foram destruídas após o acidente.

No entanto, o Executivo advertiu que a maior parte da água contaminada lançada ao mar se limita às regiões próximas da central, cujo porto se encontra isolado do oceano Pacífico por diques. Para tentar conter a fuga, o primeiro-ministro do país, Shinzo Abe, ordenou ao Ministério de Economia que financie a recuperação da área.

A intenção do governo é apoiar um projeto que pretende congelar a terra ao redor da usina nuclear para bloquear a fuga de água contaminada. Para tanto, solicitará ao Parlamento a liberação de recursos para a limpeza, que deverá levar 40 anos e custará US$ 11 bilhões (R$ 25,3 bilhões).

Esta é a primeira vez que o governo japonês liberará dinheiro público para a contenção dos vazamentos na usina nuclear. Antes, o Estado só havia destinado verbas para cobrir os custos do acidente na central e na indenização dos moradores afetados na região, estimadas em US$ 30 bilhões (R$ 69 bilhões).

OPERADORA

Mais cedo, a operadora da usina disse que não tem como prever a quantidade de água que está vazando para o oceano. Para a empresa, a maior preocupação ainda é o resíduo que infiltra dos reservatórios abaixo dos reatores e atinge a terra, inacessíveis em sua maioria devido à alta radiação.

Diante dessa situação, o operador de Fukushima construiu umas barreiras subterrâneas nos porões e, a partir do início desta semana, começou a bombear e armazenar essa água nos mais de mil tanques contêineres levados ao complexo.

No entanto, estes contêineres já se encontram próximo ao limite de suas capacidades e, por isso, o procedimento de criar muros protetores mediante a um processo de congelamento do solo aparece como a medida mais efetiva neste momento, segundo os especialistas.

Após o acidente nuclear de Fukushima em 2011, o pior desde Chernobyl em 1986, cerca de 3.500 operários tentam conter o vazamento. Devido à tragédia, mais de 160 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e uma área com raio de 20 km foi isolada devido à alta radioatividade.



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06 agosto 2013

Madeireiros impõem sua lei

Em emboscadas armadas por jagunços e pistoleiros, comerciantes de madeira demostram ter mais força do que a Polícia Federal e a Força Nacional juntas, relata funcionário da Funai

Míriam Leitão
e Sebastião Salgado - O Globo

A ponte estava queimando e do lado de lá do fogo estavam uns 50 homens contratados pelos madeireiros; vários deles pistoleiros conhecidos da região. Os homens apontaram suas armas para a Polícia Federal, Força Nacional, Ibama e Funai, que vinham, em comboio, trazendo abundantes provas de crime de desmatamento em terra indígena em 17 caminhões apreendidos, motosserras, motocicletas, tratores e 35 presos.

Era madrugada num povoado perdido no Maranhão com o nome de Varig. E aquilo era uma emboscada. Os madeireiros e seus jagunços levaram a melhor no confronto. O Estado brasileiro teve que recuar. O lado da lei era mais fraco do que o exército organizado pelo crime.

O espantoso fato, que hoje faz parte de relatórios, me foi contado por Claudio Henrique Santos de Santana, 49 anos, há 28 anos funcionário da Funai e, naquele momento, motorista do primeiro caminhão. Aconteceu em junho do ano passado e merece ser relatado para se entender com que desenvoltura o crime de desmatamento age impunemente no Maranhão. Os representantes do Estado brasileiro tentaram dialogar. Foi inútil. Em silêncio, com a ponte em chamas, as armas apontadas, o crime foi mais eloquente.

O dia havia começado bem cedo. Na Aldeia Juriti os índios repetiram para os policiais, com a ajuda de Patriolino Garreto - chefe do posto, na tradução da lingua guajá - que estavam ouvindo o barulho dos tratores e das motosserras na floresta.

Ninguém ouvia nada, mas ninguém duvidava. Os Awá têm uma acuidade auditiva muito superior à de qualquer outro ser humano. Eles desenvolveram, ao longo dos séculos de sua história de fuga e movimento na mata, uma capacidade de ouvir além do normal.

Escolheram dois índios mais velhos para servir de guia. Patriolino foi junto. Atrás os seis integrantes da Força Nacional, um funcionário do Ibama e três da Funai. Os três da Polícia Federal e outro funcionário do Ibama ficaram na Aldeia Juriti.

Já havia começado uma operação de prisão de madeireiros na região, na qual tinha tomado parte Hélio Sotero, que hoje está na chefia da operação de retirada dos não-índios da terra Awá. Durante a operação, chegou até ele o alerta dos índios sobre a presença de madeireiros na floresta. Assim se organizou o grupo que foi até a Aldeia Juriti apurar o que eles estavam informando.

- Viemos de Santa Inês, até a casa do seu Raimundo Porca. - contou Santana, referindo-se a um posseiro antigo, vizinho da terra indígena, que tem sido aliado da Funai.

- Mandamos a bagagem por barco e viemos a pé para a aldeia. Na manhã seguinte, saímos. Os índios na frente, e nós, a pé, atrás. Andamos 20 quilômetros pela floresta até avistarmos o acampamento. Ouvimos então o barulho da motosserra cortando as árvores e o trator de esteira fazendo o limpo para pôr as toras - descreve Claudio Santana.

Eles mandaram os índios voltarem à aldeia para não expô-los aos riscos de serem depois reconhecidos pelos madeireiros. Patriolino, com eles.

- Nós ouvimos o barulho de um caminhão se aproximando. Tinha um tronco de árvore caído e nós o colocamos para bloquear o caminho. O caminhão parou no tronco. Nós, que estávamos escondidos no mato, aparecemos e o abordamos. Estavam o motorista e o ajudante dele, o catraqueiro, que usa a catraca para pegar os troncos. Fizemos essa primeira apreensão, tiramos a tora, e fomos no caminhão, escondidos, com o motorista dirigindo para não assustar as pessoas do grupo. Quando o caminhão encostou, as pessoas vieram falar com o motorista e nós aparecemos e prendemos todos - relata Claudio.

Eram cinco pessoas no acampamento, duas motosserras, duas motocicletas cross novinhas e um trator. Os bandidos conseguiram travar o trator, mas sob a ameaça da Força Nacional foram conduzindo todos para os outros acampamentos. Foi assim o dia inteiro. Ao todo, conseguiram chegar em mais sete acampamentos. Pegaram três tratores de esteira, armas, motos, motosserras, 16 caminhões e prenderam 35 pessoas. Quatro caminhões não puderam ser levados porque os motoristas conseguiram travar o motor.

- A gente passou o dia e anoiteceu nessa operação. Ninguém parou para comer, para descansar, eram três e meia da manhã, nós estávamos viajando quando vimos na estrada um carro cheio de toras.

Eram os nossos três companheiros da Polícia Federal e um do Ibama, que havia saído da Aldeia Juruti pelo outro lado e apreendido aquele caminhão. Estavam nos esperando. Aí formamos esse comboio de 17 caminhões. Nossa intenção era soltar no povoado de Varig pessoas que não tinham a ver diretamente com o crime, como a cozinheira. Ou os peões que não nos levariam aos cabeças do crime.

A próxima parada seria Buriticupu, uma famosa cidade madeireira. Depois, uma cidade maior: Santa Inês, onde deixariam os presos e o fruto do crime.

- Eu dirigia o caminhão da frente, quando entrei no povoado e avistei a ponte em chamas. Era a emboscada. Eles queimaram a ponte para nos deter e ficaram de tocaia - disse Cláudio.

O comboio dos 17 caminhões e tratores parou. Não havia por onde escapar. As autoridades tentaram conversar, outros foram verificar se dava para passar pela ponte, mas as tábuas já estavam se desfazendo.

Do lado de lá os bandidos estavam em maior número, com melhor armamento, e maiores chances. Não havia o que fazer.

Do lado de cá eram apenas os funcionários da Funai que não portam armas, dois do Ibama, e os nove integrantes da Força Nacional e Polícia Federal.

Os bandidos exigiram a soltura de todos os presos e abandono dos caminhões e tratores. Era fazer isso ou iniciar o tiroteio.

- Estávamos em menor número e não tínhamos armas suficientes. Deixamos tudo lá e fomos de carro, por outra estrada, pensando em fazer um contorno até Buriticupu para relatar o ocorrido.

A estrada levava ao povoado com o nome de Aeroporto mas não ia até Buriticupu. Eles tiveram que voltar e quando chegaram, encontraram a cidade sob toque de recolher imposto pelos bandidos, a ponte consertada com novas tábuas, os caminhões recolhidos nas serrarias e oficinas da região, e os presos já tinham sumido.

- Ficaram no chão apenas as toras de madeira na estrada jogadas de um dos caminhões.

As forças policiais tinham como prova dessa desmoralizante ação, em que o crime mostrou ser mais forte que o Estado brasileiro, os documentos dos presos, cadernos de anotações, celulares e muitas licenças de transporte de madeira emitidas pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Maranhão.

No caminho da volta, o encontro com o crime

Na estradas que ligam terra Awá, grileiros, serrarias e caminhões agem na certeza da impunidade

ESTRADA DE SÃO JOÃO DO CARÚ A ZÉ DOCA, MARANHÃO - Eram 18h35 quando entramos em uma enorme serraria, em Conquista, no Maranhão. Havia sido um dia difícil e ainda estávamos longe de Santa Inês, onde dormiríamos. A equipe da Funai e eu havíamos saído cedo da Aldeia Juriti, na terra Awá, e viajado por estradas de chão, cruzando com carregamentos clandestinos de madeira. A serraria funcionava quase no escuro, iluminada por várias fogueiras ao fundo, e pelos faróis dos enormes caminhões que entravam e saíam do pátio de manobras. O ambiente era soturno. Um enorme caminhão madeireiro vazio deixava o local, outro estava estacionado com 12 toras. Outro, chegava com nove. No chão, pilhas de madeiras já descarregadas.

Tudo informava a natureza ilegal daquela atividade econômica. Quando desci do carro, vi apenas o vulto de um homem se afastando das serras-fitas e outras máquinas que fazem o primeiro processamento da madeira. Eu o chamei. Ele parou. Chamei mais alto, ele hesitou, mas voltou. 


Comecei a perguntar. De onde vem a madeira? Quem é o responsável? As respostas eram lacônicas. De vários pontos da penumbra surgiram homens. Onze saíram não se sabe de onde. Levantei o gravador para melhor registrar a conversa, por causa do barulho forte dos motores dos caminhões.

- O responsável? Tá lá atrás. Como é mesmo o nome dele? Acho que é Darlan - disse um.

Outro informou que o dono da serraria se chamava Gilvan. Mas não estava.

- De onde está vindo essa madeira?

- Não sei, porque daqui de dentro eu não saio - disse um.

Perguntei se as árvores tinham sido extraídas da terra indígena, que ficava ali perto.

- Rapaz, a gente não sabe porque encontra a madeira no pátio - respondeu um deles.

- Essa é madeira mista, madeira fraca não vem de terra indígena - garantiu outro.

Havia, segundo Hélio Sotero, da Funai, entre os troncos, ipê, maçaranduba, jatobá com diâmetros que só podem ser encontradas no que resta de floresta no Maranhão, ou seja, em terras indígenas.

- Vocês sabem que tudo isso é crime, não sabem? - perguntei.

- Dependendo das consequências que pegue - respondeu um dos homens.

Quiseram saber se eu era do Ibama. Eu me identifiquei dando nome e local de trabalho e pedi que avisassem ao dono que se quisesse me dar alguma explicação poderia me procurar.

Eles trabalhariam a noite inteira naquele processamento da madeira que depois iria, impunemente, para outras partes do país. Um deles contou que o trabalho iria até às cinco e meia da manhã. As madeireiras daquela região funcionam durante a noite e se escondem, camufladas, atrás de altos tapumes de madeira e árvores plantadas na frente. Passando pelas ruas de pouca iluminação nada se vê. Naquela conseguimos entrar porque o portão estava aberto para a entrada e saída dos caminhões.

No rastro dos caminhões madeireiros

Durante o dia, pela estrada que liga São João do Caru a Paragominas, no Pará, ou na que vai para Zé Doca, no Maranhão, encontramos muitos caminhões madeireiros, vazios ou cheios. Na estrada de chão marcas dos pneus deixavam rastros de que a atividade tinha começado mais intensa este ano.

Havia trechos tão precários nos quais é preferível rejeitar a ponte e arriscar ir pela água.

Após uma curva, vimos de longe, num trecho da estrada que corta a terra indígena, um caminhão parado. Mais perto foi possível constatar o que ele fazia: 23 toras na beira da estrada estavam sendo embarcadas. Três homens manejavam o equipamento de pegar as toras. Abordei o motorista que, para falar comigo, subiu em uma das toras.

- Meu nome é Lenilson Pinheiro.

Ele me informa que está levando a madeira para a cidade de Zé Doca e que o dono da extração é um posseiro da região.

- O senhor é madeireiro?

- Não, sou apenas o transportador.

- Estou vendo muito caminhão trafegando por aí; estão em plena temporada?

- É só agora na época da seca.

- O senhor sabe que isso é crime?

- Realmente é.

- O senhor participa de crime?

- Mas minha profissão é essa.

- O senhor não quer me contar de onde tira e para onde leva a madeira, já que é só transportador?

Lenilson abaixa a cabeça e diz: "É difícil".

Os caminhões madeireiros foram o que mais encontramos naquelas estradas. Numa fazenda, em plena terra dos Awá, o dono não está. O nome é Ronaldo Lage, mora no Piauí, e o funcionário que nos atende diz chamar-se Jairo Real.

- A fazenda ocupa aqui uns 800 hectares. Criamos 450 bois, além de um pequeno plantio de arroz.

A madeira que está no pátio da fazenda, empilhada, é "tirada daqui mesmo", diz ele. Avisei ao funcionário quem eu era e como o dono poderia me encontrar, se quisesse explicar por que tem uma fazenda em terra indígena.

Mais adiante, outra fazenda. Andamos perto da cerca olhando as centenas de bois, até que fomos abordados por um rapaz numa moto. Ele avisou que o dono, senhor Maranhão, viria falar comigo.

O verdadeiro nome de "Maranhão" é Hilário da Silva. Tem 800 cabeças de gado e ocupa, segundo informa, 1.100 hectares da terra.

- Nunca vi índio por aqui - diz ele.

De cima do seu cavalo, o fazendeiro fala com segurança:

- Vamos nos defender, eu só saio daqui tocado, não aceito recado não.

O recado no caso é a ordem judicial para que, já esgotados todos os recursos, desocupem a terra.

- Temos deputados, temos advogados. Vamos fazer uma manifestação e vamos pedir a redução da terra indígena, porque não vamos sair, vamos dar trabalho para o governo.

- O que é dar trabalho para o governo?

- É não sair. Se botar nós fora daqui vai ter que vigiar, senão nós volta. Foi o sindicato, na época do Zé Doca, que assentou a gente aqui. Eu comprei particular e fui entrando aqui dentro. Só saio tocado.

- O que o senhor quer dizer com "sair tocado"?

- Só com recado nós não sai. Por que vamos sair? Os índios não dão conta da terra que têm. Os índios não trabalham. Vem muita gente para a manifestação em São Luis, os deputados, inclusive federais. E nós vamos fazer a CPI da Funai. A senhora sabe não é? Ela está desapropriando o povo daqui.

- Mas é a Justiça que está mandando sair.

- Agora nós vamos descobrir se ela está certa, com a CPI nós vamos descobrir. CPI em Brasília em cima da Funai. Já foi aprovada e nós temos advogado que corre atrás de tudo isso aí.

O fazendeiro ficou o tempo todo da conversa em cima do seu cavalo, do lado de lá da cerca.

Vários funcionários tocavam o gado. Disse que é um pequeno produtor. Quando lembro que seus números não são de pequeno, admite ser médio. E diz que há outros como ele por aquele território. Mas muitos posseiros mais pobres.

- Deve ter uns 20% que são como eu.

Difícil é encontrar polícia

Nas estradas de chão que ligam São João do Carú a Paragominas, abertas por um ex-prefeito de São João que é madeireiro, ou pela estrada que leva até Zé Doca - nome que homenageia um grande incentivador da grilagem - é fácil encontrar grileiro, caminhão madeireiro, serraria ilegal, vários sinais do ataque sistemático ao bem público e à floresta. Difícil é encontrar polícia. Não vi nenhum sinal de repressão ao crime. A única presença do Estado viajava comigo no carro. Eram três funcionários da Funai, que depois fizeram relatórios denunciando o que viram. Passei o dia respirando poeira e carregando a perturbadora sensação de estar numa terra sem lei. Ao olhar nos olhos de grileiro, transportador de madeira, trabalhadores de serraria ilegal o que se vê é que eles nada temem. Sentem-se protegidos pela impunidade.

'Sempre ouvi falar que é terra indígena, mas não sei para onde vou', diz posseiro

POVOADO DO CAJU, POVOADO CABEÇA FRIA, TERRA AWÁ - MARANHÃO - "O Maranhão é grande, mas tudinho tem dono", diz José Ribamar de Araújo que mora num dos vários povoados dentro da Terra Indígena, justificando porque morava em área contestada num estado tão grande. Ele admitiu que desde 1983 soube que era terra indígena. Estava na casa de amigos. Casa de reboco onde há quatro anos mora Jardel dos Santos com sua mulher e enteado.

- Eu estou com a idade de 36 anos e nunca fui numa escola. Eu vou lhe falar, estou dependendo do que ganho aqui. Eu trabalho na roça, trabalho para qualquer um. Sempre ouvi falar que é terra indígena, mas não sei para onde vou - disse Jardel.

Ele almoçava em pé, me ofereceu cadeira e quis dividir o almoço. Sua mulher, Edilene Alves, acompanhava a conversa em silêncio, enquanto lavava a louça. Quem domina a conversa é mesmo José Ribamar, 56 anos, inteligente, bem humorado e também analfabeto. Conta uma história que parece realismo fantástico de antigo grileiro, já morto, Gilberto Andrade, que teria pegado muita terra e um dia
morreu debaixo de sua própria carreta. Estava parado num carro, quando sua carreta de madeira bateu no carro.

- Morreu, mas era devedor. Era matador, tirou muita madeira. O homem era cru mesmo. Comeu muito filho alheio - disse ele, querendo dizer com isso que o tal senhor era um assassino.

A conversa flui fácil naqueles povoados.

- Rapaz, se todo mundo sair daqui, eu saio, porque a área falada todo mundo quer ser dono. Eu sei que é terra indígena. Índio caça e nós, quando dá, às vezes mata um bichinho pra comer, mas hoje tem que andar demais para achar caça porque o madeireiro é demais e emocionou a mata - disse José Ribamar de Araújo.

Jardel, o mais jovem, é mais triste.

- Aqui é difícil, não tem luz, a água tem que buscar lá embaixo, sofrimento aqui é grande demais.

Eu não tenho emprego fixo, não tenho letra, tenho que derramar o suor, se todo mundo sair eu saio, mas não é de boa vontade - diz Jardel.

Já Ribamar lamenta a falta de escola em sua vida.

- Eu vejo a senhora, que tem alta mentalidade e muita matemática. Eu queria isso.

Os dois contam que têm estradas ali feitas por madeireiros ou por prefeitos que são madeireiros.

Eu saía da casa, quando ouvi a voz de Edilene.

- Se dessem uma casa pra gente a gente sai, sem ter para onde ir fica ruim.

Mais adiante no povoado Cabeça Fria abordei moradores sentados debaixo de uma grande árvore. Uma mulher de 40 anos que teve derrame no último filho e vive de bolsa família e cujos pais ainda trabalham na roça, das fazendas que ocuparam a terra indígena. Um casal de trabalhadores rurais que trabalha como meeiro participa da conversa. A mulher, Maria Antonia Pinheiro, explica a dificuldade maior do trabalho.

- É muito difícil porque a gente planta arroz e colhe, depois vem o fazendeiro e joga capim braquiária e não dá outra roça de arroz porque o capim cresce. Eles roçam meio mundo de mata e planta capim. O que acaba com o pobre é isso.

Os dois também contaram nunca terem estudado. Perguntei se eles reagiriam caso a Justiça mandasse sair, eles disseram que não.

São essas pessoas que estão sendo chamadas para participar da resistência pelos maiores fazendeiros. Eles foram para lá já sabendo que era área de conservação, mas se dizem sem opções.

Cardozo diz que retirada terá PF, ibama e Exército

Ministro da Justiça programa operação, atrasada pela vinda do Papa, já para este semestre


BRASÍLIA - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que a desintrusão - retirada dos não indígenas da Terra Awá, no Maranhão - será executada neste segundo semestre, e que o governo irá com tudo: "Força Nacional, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Ibama, Funai e apoio logístico das Forças Armadas". Ele admitiu que será difícil. "Sabemos que haverá resistência, mas lá não há ocupantes de boa fé". Cardozo garantiu que "a lei será cumprida" e informou que "o Plano Operacional já foi apresentado ao Judiciário".

Para se concluir que não há ocupantes de "boa fé" - seja grileiros, seja posseiros - foi feito todo um processo de averiguação. Apesar disso, o ministro destacou que haverá dois tipos de tratamento:

- Os posseiros serão incluídos em programas do Incra de reforma agrária. No diálogo com os posseiros atuarão a Funai e a Secretaria Geral da Presidência. Nós sabemos que, como em outros casos, os pobres serão usados pelos grileiros e madeireiros.

Cardozo explicou que essa ação de "desintrusão" vem sendo estudada há algum tempo, mas que era preciso passar a Copa das Confederações e a visita do Papa, que mobilizaram muitos efetivos.

- Agora, as forças estarão concentradas na Operação Awá. Não posso dar detalhes porque eles são sigilosos.

A área da Terra Awá, confirmou o ministro, já foi demarcada e homologada e a ação de desocupação não havia sido realizada antes porque surgiram várias ações na Justiça, e o governo teve que aguardar a decisão.

- Houve a judicialização, mas agora todas as ações foram julgadas e o assunto já transitou em julgado, por isso é a hora da fase da desintrusão. Mas esse é um conjunto complexo de ações que exige a presença da Força Policial.

O ministro disse que o governo aprendeu com a operação de desintrusão da terra Marawatsede no Mato Grosso, onde foram mobilizados 600 homens.

- Foi difícil, porque havia gente armada, preparada para resistir, mas a ação foi bem sucedida.

Nós sabíamos que precisávamos primeiro concluir Marawtsede para em seguida ir para a operação Awá.

A hora, segundo o ministro, é agora, ao longo deste segundo semestre. Nada vai ser fácil. A chegada do Exército lá em junho foi em outra operação, mas deu uma noção da força do crime.

Sebastião Salgado, que acompanhou parte da ação, conta que o Exército encontrou um volume considerável de madeira dentro da floresta:

- Por causa da ação do Ibama, eles usam a própria floresta como local de estocagem da madeira derrubada. Eles calculam que deve ter 40 mil toras de madeira cortadas dentro da mata, o que dá 120 mil m³ de madeira cortada dentro da mata. É praticamente impossível o Exército retirar. Por isso os militares decidiram cortar com motosserra até ficar aqueles toquinhos sem uso comercial.

O fotógrafo acha que só desta forma, com todas as forças do Estado brasileiro, é possível proteger a mata:

- É preciso entender que se fala terra indígena, mas pela lei brasileira a terra é da União.

Portanto, proteger esses índios, expulsar os madeireiros e defender essa mata é do interesse dos brasileiros.

Já a ONG Survival, que trabalha pela preservação do território dos Awá, declarou por e-mail que "a operação chega em um momento crítico". Citou que nos últimos anos "foram fechadas oito madeireiras, mas há ainda um número considerável de serrarias que funcionam na região". Lembrou, por fim, que "até agora a operação não entrou na terra indígena onde ainda ocorre o desmatamento ilegal em um ritmo alucinante".

"O risco ainda é maior para a população de índios isolados que vivem na área e que são extremamente vulneráveis às doenças trazidas pelo contato com os não-índios", completou.


Desmatamento avança sobre unidades de conservação no Pará

Ação é registrada em área próxima a terra indígena; Greenpeace defende mudanças nas regras de demarcação

Cleide Carvalho - O Globo

São Paulo 

O desmatamento avança no Oeste do Pará, no eixo das obras da BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA), e se aproxima de unidades de conservação na região. Levantamento feito pelo Greenpeace, com base em dados dos sistemas de monitoramento e detecção de desmatamento na Amazônia Legal do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indica que 29% de uma área de 317 mil hectares vizinha à terra indígena Baú, às margens do Rio Curuá, foram desmatados. Até 2003, essa área estava inserida nos limites da terra indígena.

- Chamam atenção os pontos de acentuado desmatamento na área próxima à Baú, principalmente neste momento, em que vários projetos tentam barrar a criação e regularização de terras indígenas sob a bandeira de que o país tem "muita terra para pouco índio". O Brasil não precisa desmatar mais para aumentar sua produção agrícola. Existem várias áreas já abertas e não aproveitadas, que podem ser utilizadas - afirma Rômulo Batista, da campanha da Amazônia Greenpeace Brasil.

Segundo a ONG, que registrou imagens de desmatamento e degradação florestal em sobrevoos, o sistema de monitoramento Prodes registrou 10.907 hectares de floresta derrubada até 2012. Pelo sistema, o desmatamento foi de 10.168 hectares entre agosto de 2012 e maio de 2013.

Ibama aplicou R$ 7 milhões em multas

Segundo Batista, o desmatamento no entorno da TI Baú é um ícone do que pode ocorrer se forem alteradas as regras de demarcação e uso das terras indígenas, como querem os ruralistas. A primeira portaria de demarcação da TI foi baixada em 1994, com 1,850 milhão de hectares. Em 2000, o então ministro da Justiça, José Gregori, determinou a imediata demarcação, após um grupo de pescadores ter sido feito refém pelos índios durante uma semana. Porém, os indígenas passaram a ser ameaçados de morte, acirrando o conflito. Após negociação, em outubro de 2003, o ministro Márcio Thomaz Bastos assinou nova portaria, com redução dos limites das terras kayapós. Em 2008, a TI foi homologada pelo presidente Lula, com 1.540.930 hectares.

- O desmatamento começou depois da desafetação da área - explica Batista.

O Ibama já embargou 2,5 mil hectares de áreas desmatadas na região Oeste do Pará na Operação Onda Verde e aplicou R$ 7 milhões em multas. Em muitos casos, porém, os desmatadores não são identificados.

Uma das áreas embargadas pelo instituto, que havia sido desmatada para pecuária, foi flagrada a apenas dois quilômetros da Terra Indígena do Baú, no município de Novo Progresso, justamente na região apontada pelo Greenpeace. Os desmatadores fugiram e deixaram 400 hectares de floresta destruída. No fim de 2012, foram apreendidas 500 cabeças de gado também numa área desmatada no município. O dono dos bois acabou aparecendo para reivindicar a posse dos animais, mas a apreensão foi mantida e o rebanho doado à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais na região. As áreas embargadas por edital não poderão mais ser alvo de programas de legalização fundiária.

Desmatar custa até R$ 10 mil por hectare

Na Amazônia, após o desmatamento e a venda da madeira, o gado é usado para ocupar grandes áreas, cuja posse é posteriormente reivindicada pelos grileiros. Em geral, os ocupantes de terras da União são pessoas de posse, pois desmatar chega a custar até R$ 10 mil por hectare. Com a área cercada e ocupada por animais, os falsos fazendeiros passam a brigar na Justiça pela titulação das terras, enriquecendo às custas de bem público e do desaparecimento da floresta.

O crescimento do desmatamento foi detectado também pelo Instituto Imazon, que identificou aumento de 136% na perda florestal do Pará, entre agosto de 2012 a junho passado, em relação ao período anterior.



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Água potável pode ajudar crianças a crescer, segundo pesquisa

BBC Brasil

Uma pesquisa realizada em dez países sugere que o acesso a água potável e sabão pode contribuir para o crescimento das crianças. A análise de dados coletados encontrou evidências de um pequeno aumento, de cerca de meio centímetro, na altura de crianças com menos de cinco anos de idade que vivem em casas com um bom sistema de saneamento.

Os dados foram coletados em Bangladesh, Etiópia, Nigéria, Chile, Guatemala, Paquistão, Nepal, África do Sul, Quênia e Camboja. As informações reunidos a partir de 14 estudos envolvendo cerca de 10 mil crianças foram publicadas em um relatório conhecido como Análise Cochrane, liderado pela London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM) junto com a organização de caridade internacional especializada em água potável WaterAid.

Alan Dangour, nutricionista especializado em saúde pública da LSHTM, que liderou a elaboração do relatório, destaca que o fornecimento de água potável, saneamento e higiene é uma forma eficaz de reduzir mortes de crianças por problemas como diarreia.

Segundo Dangour, a análise sugeriu pela primeira vez que mais acesso a estes serviços também pode ter um impacto pequeno, porém importante, no crescimento de crianças.

- O que descobrimos ao juntar todas as provas pela primeira vez é que existe uma sugestão de que estas intervenções melhoram o crescimento de crianças, e isso é muito importante – disse o nutricionista à agência britânica de notícias BBC.

Doenças repetidas

Dangour acrescenta que há uma ligação clara entre uma criança bebendo água suja, a ocorrência de diarreia e o crescimento abaixo do normal, pois doenças que ocorrem várias vezes no começo da infância podem prejudicar o crescimento.

- Faz todo o sentido existir uma ligação entre a água contaminada, diarreia e crescimento, mas o interessante é que isso (a ligação) nunca tinha sido mostrado antes – afirmou.

- Meio centímetro não parece ser muito, mas nossa estimativa é de que o aumento no crescimento é equivalente a uma redução de cerca de 15% na baixa estatura, o que é bem importante – acrescentou.

- A análise mostra que uma abordagem múltipla (do problema) é o jeito certo, unindo ações para melhorar a qualidade dos alimentos e a segurança, e também a alimentação e cuidados com as crianças, com outras (medidas) para evitar e tratar infecções e melhorar o ambiente em casa e conseguir tratar o flagelo da desnutrição – afirmou Francesco Branca, diretor de nutrição para saúde e desenvolvimento da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo a OMS, o crescimento abaixo do esperado afeta 165 milhões de crianças no mundo todo, aumentando o risco de morte e reduzindo a produtivídade quando as crianças chegam à idade adulta.

A desnutrição é a causa de 3,1 milhões de mortes por ano, cerca de metade destas mortes atingem crianças com menos de cinco anos.



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05 agosto 2013

Água radioativa vaza da usina de Fukushima e cria situação de emergência

Antoni Slodkowski e Mari Saito - Reuters
Em Tóquio

Água altamente radioativa vazou da usina de Fukushima para o mar, criando uma situação de emergência que a empresa dona da usina tem dificuldades para resolver, disse um funcionário da agência nuclear japonesa nesta segunda-feira (5).

A água contaminada no lençol freático está subindo para a superfície e excedendo os limites legais de descarga radioativa, disse à Reuters Shinji Kinjo, diretor da força-tarefa da Autoridade Reguladora Nuclear do Japão.

As medidas adotadas pela empresa Tokyo Electric Power Co. (Tepco) são apenas uma solução temporária, segundo ele. "Neste momento, temos uma emergência", afirmou.

A Tepco foi muito criticada por não ter se preparado adequadamente para situações como o terremoto seguido de tsunami que destruiu a usina de Fukushima em 2011. A empresa também foi acusada de tentar acobertar suas falhas e de reagir de forma incompetente ao derretimento dos reatores.

Não ficou claro qual é o nível de ameaça representado pela água contaminada no lençol freático. Nas primeiras semanas depois do desastre, o governo japonês autorizou a Tepco a despejar dezenas de milhares de toneladas de água contaminada no Pacífico.

Países vizinhos e pescadores locais criticaram a decisão, e a Tepco prometeu que não jogaria mais água radioativa no mar sem o consentimento de autoridades municipais da região.

"Até sabermos exatamente a densidade e volume da água que está fluindo, honestamente não posso especular sobre o impacto no mar", disse Mitsuo Uematsu, do Instituto Centro para a Colaboração Internacional e Pesquisa Atmosférica e Oceânica, da Universidade de Tóquio.

"Deveríamos verificar também quais são os níveis na água do mar. Se for só dentro do porto e não estiver escoando para o mar, ela pode não se espalhar tanto quanto temem alguns."

A Tepco disse estar adotando várias medidas para que a água contaminada não saia da baía próxima à usina. Em email à Reuters, a empresa disse que a Tepco se desculpou profusamente com moradores da região de Fukushima por causa dos inconvenientes e preocupações causados pelo caso.

A usina bombeia diariamente 400 toneladas de água que escorre pelo lençol freático dos morros próximos à usina. A água é guardada em porões dos prédios destruídos, onde se mistura à agua altamente radioativa que é usada para resfriar os reatores e mantê-los em um estado estável, abaixo de 100ºC.




Europa quer produzir biocombustíveis a partir do esgoto

Audrey Garric - Le Monde

Produzir combustível a partir do nosso esgoto?

Essa ideia aparentemente maluca pode se tornar realidade. No sul da Espanha, está sendo testada uma tecnologia que recorre a microalgas, permitindo fabricar biocombustíveis a partir de águas residuais -- efluentes cujo tratamento custa muito caro aos municípios. É um setor promissor, mas ainda complexo e custoso.

Batizado de All-Gas (pronuncia-se como "algas"), o projeto, lançado em 2011, acaba de realizar suas primeiras colheitas de algas, da unidade-piloto situada na estação de depuração da cidade balneária de Chiclana de la Frontera, perto de Cádis.

A usina, que por enquanto se estende por 200 metros quadrados, tem por objetivo tratar em 2016 o fitoplâncton cultivado sobre dez hectares e abastecer 200 carros e 20 caminhões a biogás. O responsável por esse projeto de 12 milhões de euros, que é 60% financiado pela União Europeia, é um consórcio de seis empresas conduzido pela espanhola Aqualia, número três do mundo em gestão de águas.


Escala industrial

"É a primeira vez no mundo que se transforma água residual em biocombustível em um demonstrador em escala industrial, fora de laboratório", comemora Frank Rogalla, coordenador do programa e diretor de inovação da Aqualia. "Queremos mostrar que essa tecnologia é viável do ponto de vista técnico e econômico."

No centro desse experimento está uma antiga técnica de depuração de águas, atualizada: a lagunagem. Em bacias de 32 metros quadrados de superfície e 30 centímetros de profundidade, microalgas se desenvolvem naturalmente através de fotossíntese, somente revolvidas por rodas ao amanhecer.

Quase todos os ingredientes necessários à eflorescência estão presentes no local: luz, água e nutrientes -- o nitrogênio e o fósforo encontrados nos efluentes residuais pré-tratados. Resta injetar dióxido de carbono (CO2), originado da combustão de resíduos verdes. "As algas transformam o CO2 em oxigênio, o que permite o desenvolvimento de bactérias, as quais decompõem a matéria orgânica," diz Frank Rogalla. "O conjunto desse ecossistema natural purifica a água."

Consumo energético elevado

Uma vez cumprido seu papel depurador, as microalgas, bem como parte da matéria orgânica restante, são aproveitadas energeticamente: recolhidas e depois colocadas em digestores, elas produzem um biogás composto essencialmente de metano.

"Creio que vamos abastecer nossos primeiros carros com biogás no final do ano", espera Frank Rogalla. Por enquanto, com 6 quilos de algas por dia, as colheitas são pequenas. Mas os responsáveis pelo projeto pretendem instalar rapidamente novas bacias. Com o tempo, a produção intencionada de 100 toneladas de algas por hectare e por ano deverá permitir a produção anual de 450 toneladas de metano no local, além de tratar metade das águas residuais da cidade de Chiclana de la Frontera. Essa equação poderia resolver os dois principais pontos fracos dos biocombustíveis oriundos de algas: seu saldo energético e seu custo.

De dois anos para cá as algas têm sido promovidas pela Comissão Europeia para substituir os agrocombustíveis originados da colza, da soja, do milho ou de palmeiras, menosprezados em razão de um saldo de carbono não tão favorável e da concorrência com as terras devolutas aos cultivos de alimentos. De qualquer forma, os combustíveis à base de algas, que ainda não são produzidos em escala industrial, são criticados em razão de seu consumo energético bastante elevado. "Ainda se gasta energia demais para o revolvimento, a colheita e o reuso das algas", alerta Olivier Bernard, especialista em microalgas no Instituto Nacional de Pesquisa em Informática e Automação (Inria).

Técnica viável até 2020

"No projeto All-Gas, o consumo energético é limitado, pois por enquanto só produzimos metano, e não bioetanol ou biodiesel, cuja extração é mais complexa", afirma Frank Rogalla. "Além disso, a associação de algas e bactérias nas lagoas permite um ganho em energia em relação aos procedimentos das estações de depuração." Nestas últimas, o chamado modo de depuração "de lamas ativadas" necessita de uma injeção de oxigênio para permitir o desenvolvimento de bactérias, o que consome energia.

Já a utilização de águas residuais abaixa o custo de produção dos biocombustíveis. "O tratamento das águas dos municípios nos proporciona uma fonte de renda que amortiza as instalações", afirma Frank Rogalla. Graças a isso, ele espera vender metano a preço de mercado, ou seja, 40 centavos de euro o metro cúbico.

Outro obstáculo a ser superado é a produtividade. "As microalgas que se desenvolvem naturalmente nesses ambientes contaminados não são necessariamente aquelas que darão mais biocombustível", conclui Olivier Bernard. "Ainda há barreiras a romper antes de conseguirmos produzir em grande escala combustíveis originados de algas. Mas a técnica, promissora, deverá ser viável até 2020."

Tradutor: UOL


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Vacina brasileira contra a Aids será testada em macacos

Da Agência Fapesp, em São Paulo

Uma vacina brasileira contra o vírus HIV, causador da Aids, começará a ser testada em macacos no segundo semestre deste ano. Com duração prevista de 2 anos, os experimentos têm o objetivo de encontrar o método de imunização mais eficaz para ser usado em humanos. Concluída essa fase, e se houver financiamento suficiente, poderão ter início os primeiros ensaios clínicos (em seres humanos).

Denominado HIVBr18, o imunizante foi desenvolvido e patenteado pelos pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Edecio Cunha Neto, Jorge Kalil e Simone Fonseca.

O HIVBr18, assim como outras vacinas em estudo no mundo, tem o objetivo de reduzir a carga viral de pacientes infectados, e não evitar que uma pessoa saudável seja contaminada pelo HIV.

A pesquisa foi baseada no sistema imunológico de um grupo especial de portadores do vírus que mantêm o HIV sob controle por mais tempo e demoram para adoecer. No sangue dessas pessoas, a quantidade de linfócitos T (tipo de células de defesa) do tipo CD4 – o principal alvo do HIV – permanece mais elevada que o normal.

Os pesquisadores já sabiam que que esses linfócitos, chamados de TCD4, acionam outros tipos de células de defesa, os linfócitos do tipo CD8. Esses, por sua vez, produzem toxinas que eliminam células infectadas pelo vírus. Mas estudos mais recentes mostraram que um tipo específico de linfócito TCD4 também tem ação tóxica sobre as células infectadas.

"Os portadores de HIV que tinham as TCD4 citotóxicas conseguiam manter a quantidade de vírus sob controle na fase crônica da doença", contou Cunha Neto à Agência Fapesp.

Os pesquisadores, então, isolaram pequenos pedaços de proteínas (peptídeos) das áreas mais preservadas do vírus HIV – aquelas que se mantêm estáveis em quase todas as cepas. Com auxílio de um programa de computador, selecionaram os peptídeos que tinham mais chance de ser reconhecidos pelos linfócitos TCD4 da maioria dos pacientes. Os 18 peptídeos escolhidos foram recriados em laboratório.

Rosana Faria de Freitas Mitos colesterol 450 Rosana Faria de Freitas Mitos arritmia 450 Rosana Faria de Freitas Mitos autismo 450 Rosana Faria de Freitas Mitos TPM 450 Rosana Faria de Freitas Mitos Cirurgia 450 Rosana Faria de Freitas Mitos enxaqueca 450 Carlos Minuano Somaterapia 350 Chris Bueno Mitos DSTs 400 Chris Bueno Mitos Animais & Saúde 400 Laís Peterlini Dietoterapia Chinesa 200 Sibele Soglia Escoliose 200 Jussara Soares Quem mora sozinho come mal 400 4.650,00

Testes in vitro feitos com amostras de sangue de 32 portadores de HIV com condições genéticas e imunológicas bastante variadas mostraram que, em mais de 90% dos casos, pelo menos um dos peptídeos foi reconhecido pelas células TCD4. Em 40% dos casos, mais de cinco peptídeos foram identificados. Os resultados foram divulgados em 2006 na revista Aids.

Em outro experimento divulgado em 2010 na PLoSOne, em parceria com a pesquisadora Daniela Rosa, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e Susan Ribeiro, da FMUSP, os peptídeos foram administrados a camundongos geneticamente modificados. Nesse caso, 16 dos 18 peptídeos foram reconhecidos e ativaram tanto os linfócitos TCD4 como os TCD8.

O grupo, então, desenvolveu uma nova versão da vacina com elementos conservados de todos os subtipos do HIV do grupo principal, chamado grupo M, que mostrou-se capaz de induzir respostas imunes contra fragmentos de todos os subtipos testados até o momento. "Os resultados sugerem que uma única vacina poderia, em tese, ser usada em diversas regiões do mundo, onde diferentes subtipos do HIV são prevalentes", afirmou Cunha Neto.

No teste mais recente, feito com camundongos e ainda não publicado, os pesquisadores avaliaram a capacidade dessa nova vacina de reduzir a carga viral no organismo. "O HIV normalmente não infecta camundongos, então nós pegamos um vírus chamado vaccinia – que é aparentado do causador da varíola – e colocamos dentro dele antígenos do HIV", contou Cunha Neto.

50 vezes menor

Nos animais imunizados com a vacina, a quantidade do vírus modificado encontrada foi 50 vezes menor que a do grupo controle. Agora estão sendo realizados experimentos para descobrir se, de fato, a destruição viral aconteceu por causa da ativação das células TCD4 citotóxicas.

Os cientistas estimam que, no estágio atual de desenvolvimento, a vacina não eliminaria totalmente o vírus do organismo, mas poderia manter a carga viral reduzida ao ponto de a pessoa infectada não desenvolver a imunodeficiência e não transmitir o vírus.

Segundo Cunha Neto, a HIVBr18 também poderia ser usada para fortalecer o efeito de outras vacinas contra a Aids, como a desenvolvida pelo grupo do imunologista Michel Nussenzweig, da Rockefeller University, de Nova York, feita com uma proteína do HIV chamada gp140.

Macacos

A última etapa do teste pré-clínico será realizada na colônia de macacos Rhesus do Instituto Butantan. A vantagem de fazer testes em primatas é a semelhança com o sistema imunológico humano e o fato de eles serem suscetíveis ao SIV, vírus que deu origem ao HIV.

O ensaio clínico de fase 1 deverá abranger uma população saudável e com baixo risco de contrair o HIV, que será acompanhada de perto por vários anos. Nesse primeiro momento, além de avaliar a segurança do imunizante, o objetivo é verificar a magnitude da resposta imune que ele é capaz de desencadear e por quanto tempo os anticorpos permanecem no organismo.

Se a HIVBr18 for bem-sucedida nessa primeira etapa da fase clínica, poderá despertar interesse comercial. A esperança dos cientistas é atrair investidores privados, uma vez que o custo estimado para chegar até terceira fase dos testes clínicos é de R$ 250 milhões. Até o momento, somando o financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo e Pesquisa do Estado de São Paulo) e do governo federal, foi investido cerca de R$ 1 milhão no projeto.

De acordo com os pesquisadores, a estimativa é que os testes em macacos e, depois, os primeiros ensaios clínicos levem, ao todo, cerca de 5 anos para ser concluídos.



Inundações provocam dezenas de mortes no Paquistão

Regiões do Sul e Sudeste foram as mais afetadas pelas fortes chuvas que atingem o país desde a semana passada

REDAÇÃO ÉPOCA, COM AGÊNCIA BRASIL E AGÊNCIA EFE


Pelo menos 53 pessoas morreram em decorrência de inundações que atingem várias regiões do Paquistão desde a última sexta-feira (2), informou nesta segunda-feira (5), o porta-voz da Autoridade de Gestão de Desastres paquistanesa (NDMA, sigla em inglês), Kamran Zia.

De acordo com a NDMA, a situação está sob controle e a previsão do tempo é de melhora para os próximos dias. “Em geral, a situação está estabilizada. As áreas de Karachi, ao sul, e Jhal Magsi (no centro da província do Baluchistão, sudoeste do país] são as mais preocupantes”, afirmou Zia. Segundo o porta-voz, não há riscos de inundação nos grandes rios do país.

As fortes chuvas no norte do país destruíram casas e pontes, e os moradores tiveram que abandonar algumas áreas, especialmente na província de Khyber-Pakhtunkhwa, uma das mais afetadas.

Em 2010, o Paquistão conheceu as piores inundações da sua história, na sequência de uma monção - época de chuvas fortes - particularmente intensa que, somada a um degelo também abundante, deu lugar a um volume fluvial que inundou grande parte do país. Cerca de 2 mil pessoas morreram e mais de 20 milhões foram afetadas pelas inundações. Em 2012, algo em torno de 500 pessoas morreram e perto de 5 milhões foram atingidas pelas chuvas torrenciais.


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Estudo aponta que emissão de gases de efeito estufa não tem redução efetiva em 2012

Foram emitidos 71,6 milhões de toneladas de gás carbônico

D24AM


São Paulo – O inventário do Programa Brasileiro GHG Protocol, estudo desenvolvido pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas, mostra que, no ano passado, a emissão direta de gases que provocam o efeito estufa não teve redução efetiva.

Foram emitidos 71,6 milhões de toneladas de gás carbônico. Houve queda de 35% no total de emissões em relação a 2011, mas isso ocorre porque uma grande organização que participava da pesquisa deixou de publicar seu inventário em 2012.

O programa, que completa cinco anos, conta com a participação de 106 organizações. Entre os setores com maior representatividade estão a indústria de transformação (35% das organizações), as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (11%), a eletricidade e o gás (7%) e a construção (7%).

As emissões diretas de gases são as provenientes de fontes controladas pela empresa, como de combustão em caldeiras, fornos, veículos, emissões do processo produtivo, emissões de sistemas de ar condicionado e refrigeração.

O levantamento traz também o volume de emissões indiretas de energia adquirida, provenientes da aquisição de energia elétrica e térmica. Essas emissões ocorrem fisicamente no local onde a energia é produzida, mas são de responsabilidade indireta da organização que a consome. No ano passado, a emissão foi 4,8 milhões de toneladas. Em 2011, a mesma fonte havia somado 3,3 milhões de gás carbônico.

Segundo o estudo, o aumento na emissão ocorre em função de recentes decisões do planejamento energético nacional de aumentar a contribuição de fontes não renováveis de energia na matriz brasileira (como termoelétricas a gás natural e a carvão). Isso gera um aumento nas emissões de gases associadas ao consumo elétrico.

Um terceiro grupo mostrado pela pesquisa foi o de emissões indiretas, que são as atividades não controladas pela organização, mas que ocorrem em consequência de suas atividades. Nele, foram emitidos 282,9 milhões de gás carbônico em 2012.


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