22 março 2013

Seca impulsiona conflitos pelo uso da água no país, afirma CPT

AGUIRRE TALENTO - FOLHA DE SP
EM SÃO PAULO

O agravamento da seca aumentou os conflitos na disputa por água no Brasil, que quase dobraram entre 2011 e 2012, de acordo com dados divulgados pela CPT (Comissão Pastoral da Terra), braço agrário da Igreja Católica no país.

Os números foram divulgados nesta sexta-feira (22) porque hoje é comemorado Dia Mundial da Água.

O órgão contabilizou 115 conflitos em 2012, em 19 Estados e atingindo 184 mil pessoas. Dentre eles está o caso da construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, onde as intervenções no rio Xingu têm provocado protestos de pescadores, ribeirinhos e índios -- um grupo chegou a invadir um dos canteiros de obras na última quinta-feira (21).

Há outros casos, como o que envolve o rio Salitre, na Bahia, que se arrasta desde a década de 1980 e opõe grandes fazendeiros a pequenos agricultores na disputa pela água do rio, segundo a CPT.

Em 2011, foram contabilizados 68 conflitos. A CPT também cita como causas para o aumento dos conflitos os grandes empreendimentos econômicos, como o de setores como exploração mineral, geração de energia e agronegócio.

Peixe encontrado na costa brasileira possui dentes como os humanos

UOL



O Sargo-de-dente ("Archosargus probatocephalus") é um peixe marinho encontrado na costa brasileira, comum na pesca. Ele possui dentes similares aos dos humanos, com incisivos e molares, e atinge 91 cm em 9,6 kg.

19 março 2013

Essencial para a qualidade da água, saneamento no Brasil ainda é insatisfatório


Joseana Paganine | Jornal do Senado

A questão não é só ter água, mas também ter água de qualidade. A ONU estima que 3.900 crianças morram por dia de doenças relacionadas com água suja. Ao todo, 1,8 milhão de pessoas morrem todos os anos de diarreia e outras doenças como a cólera. E cerca de 2,6 milhões de pessoas não têm acesso a saneamento básico.

No Brasil, a situação também deixa a desejar. O Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que 15,1% das crianças brasileiras na faixa de zero a 4 anos vivem em áreas em que o esgoto corre a céu aberto. A Região Norte é a que se encontra em pior situação: 32,2% das casas possuem esgoto no entorno. No Nordeste, são 26,3%.

Das capitais com mais de 1 milhão de habitantes, Belém foi a triste campeã: 44,5% das residências convivem com falta de esgoto. Em seguida, estão São Luís (33,9%) e Manaus (20,2%). Na outra ponta, Goiânia e Belo Horizonte figuram como as cidades que apresentaram melhor ­infraestrutura de saneamento.

E não basta apenas coletar o esgoto. É preciso tratá-lo. De 1995 a 2005, o percentual de esgoto tratado, em relação ao coletado, passou de 8,7% para 61,6%. Mas o número alto pode enganar, segundo o IBGE, pois se refere ao percentual de esgoto tratado em relação ao coletado.

Portanto, o valor elevado pode ser decorrência de uma baixa coleta de esgoto.

Além de não coletar e tratar o esgoto, o Brasil também não fiscaliza a qualidade da água. Dos 5.565 municípios brasileiros, 2.659 (47,8%) não monitoravam a qualidade da água em 2011. Somente 28% (1.569) contavam com uma política municipal de ­saneamento básico. Os dados fazem parte da Pesquisa de Informações Básicas Municipais de 2011, do IBGE. Saneamento básico inclui acesso a sistema de abastecimento de água, acesso a esgotamento sanitário, tratamento do esgoto e coleta e destinação final do lixo.

Iniciativas

A meta é resolver até 2030 os problemas de saneamento básico. Em 2008, foi lançado o Plano Nacional de Saneamento Básico, instituído pela Lei 11.445/07, que estabeleceu as ações necessárias e uma previsão de investimentos para atingir o objetivo. Serão aplicados R$ 420 ­bilhões, sendo 60% do governo federal e 40% de estados, municípios e iniciativa privada. Desse total, R$ 157 bilhões vão para esgotamento sanitário, R$ 105 bilhões para abastecimento de água, R$ 87 bilhões para melhoria da gestão, R$ 55 bilhões para drenagem e R$ 16 bilhões para resíduos sólidos.

Os recursos aplicados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão incluídos nessa conta. No PAC 1, foram repassados R$ 40 bilhões — R$ 36 bilhões do Ministério das Cidades e R$ 4 bilhões da Fundação Nacional de ­Saúde — a municípios e estados para licitação e execução das obras.

Em fevereiro deste ano, o governo federal divulgou balanço das obras do PAC 2, no qual afirmou que 60% das obras de saneamento contratadas já foram executadas. A ­previsão do governo é gastar R$ 24,8 bilhões em 3.400 iniciativas que vão beneficiar quase 8 milhões de famílias.

Petrobras pagará R$ 137,4 milhões ao Governo do Estado de Pernambuco

Valor, divulgado ontem pela CPRH, é para compensar o prejuízo ambiental em Suape

TATIANA NOTARO - FOLHA PE


A Petrobras pagará R$ 137.421.489 ao Governo de Pernambuco correspondente à compensação ambiental da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), empreendimento da estatal em construção no Complexo Industrial Portuário de Suape. De acordo com o secretário estadual de Meio Ambiente, Sérgio Xavier, este é o maior recurso de compensação já pago no Estado, calculado de acordo com o valor investido no empreendimento (no caso, atuais US$ 17,1 bilhões) e os impactos ambientais por ele causados.

“Estive com o governador Eduardo Campos, na última quinta-feira, em Brasília, e assinamos com Graça Foster (presidente da Petrobras) e Marcelino Guedes (presidente da Rnest) um termo de compromisso para o pagamento”, descreveu. A primeira parcela (de duas) deve ser paga em 30 dias a contar da publicação no Diário Oficial, sábado passado.

A este valor será adicionado aos R$ 20 milhões da compensação ambiental da fábrica da Fiat (que está sendo construída em Goiana, Zona da Mata Norte) e, segundo Xavier, o montante, junto com outros empreendimentos, deve chegar a R$ 200 milhões até o ano que vem. Todo o dinheiro, ele garantiu, será voltado para compensações, investindo, por exemplo, em unidades de conservação como a de Bita e Utinga, a maior reserva de Mata Atlântica do Estado (2.420 hectares), na área de Suape.

“Queremos buscar parcerias para multiplicar esse recurso. Vamos investir em atividades sustentáveis que reforcem a geração de emprego e renda no entorno, como apicultura (criação de abelhas), ecoturismo e esportes naturais”, enumerou o secretário de Meio Ambiente. Xavier disse que uma das metas de gestão é zerar os pagamentos das compensações ambientais com os empreendimentos.

Ainda segundo Sérgio Xavier, o valor pago pela Rnest é um “algo mais”, não incluindo eventuais incidentes da operação, como vazamen­tos. O pagamento foi determinado pela Câmara Técnica de Compensação Ambiental da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), que fixou o percentual de 0,5% sobre o valor de referência da refinaria.

INVESTIMENTOS

 
A Petrobras divulgará hoje, em teleconferência com analistas de mercado, os detalhes do plano de investimentos de 2013-2017 da estatal, que prevê recursos de US$ 236,7 bilhões, embora não tenha apresentado nenhum novo projeto. A empresa praticamente manteve o nível programado no plano para 2012-2016, divulgado em 2012 (US$ 236,5 bilhões). A maratona de eventos da Petrobras começa às 10h, com apresentação do plano. Em seguida, às 12h30, haverá declaração à Imprensa na sede da companhia, no Rio, com a participarão da presidente Graça Foster.

Colaboração pode impulsionar pesquisa brasileira em ciências marinhas

Por Fernando Cunha, de Tóquio

Agência FAPESP – Os principais desafios para a pesquisa em biodiversidade marinha e bioprospecção foram temas abordados por Roberto Berlinck, professor do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), no Simpósio Japão-Brasil sobre Colaboração Científica, organizado pela FAPESP e a Sociedade Japonesa para a Promoção da Ciência (JSPS) nos dias 15 e 16 de março, em Tóquio.

No contexto das ciências marinhas, Berlinck avaliou os desafios para o aumento da produção científica do Brasil nas áreas de biologia marinha e biotecnologia marinha a partir de dados divulgados em 2010 pelo SCImago Journal & Country Rank.

O Japão publicou cerca de 2.500 artigos por ano entre 1996 e 2011. A produção brasileira na área cresceu. O país, entretanto, registrava pouco mais de 400 publicações anuais no fim do mesmo período.

Para Berlinck, as necessidades atuais do Brasil são o aumento da quantidade de cientistas envolvidos com as ciências do mar, o aporte adequado de recursos para apoio a pesquisas nessa área e o estímulo à formação de novos grupos de pesquisa.

Na mesma lista, o pesquisador inclui como prioridades a identificação de problemas típicos do Brasil e o compromisso maior com o manejo e gerenciamento sustentável dos recursos e do ambiente marinho.

“A tradição de interesse do Japão pela pesquisa sobre o ambiente marinho pode ser comparada ao maior interesse do Brasil por seus ricos biomas terrestres”, disse Berlinck ao salientar a oportunidade de cooperação entre cientistas dos dois países em projetos sobre a diversidade marinha da costa brasileira, ainda pouco conhecida em seus mais de 8,5 mil quilômetros de extensão.

“A pesquisa em biotecnologia e biodiversidade está crescendo no Brasil desde o fim dos anos 1990, mas hoje precisamos de novas abordagens para investigar questões locais e gerar ciência e tecnologia que também possam ser úteis para o país”, disse.

Coordenador de projetos no âmbito do Programa BIOTA-FAPESP – que há 13 anos apoia em São Paulo pesquisas para caracterização, conservação e uso sustentável de recursos naturais –, Berlinck enfatizou o aporte de R$ 5 milhões (US$ 2,5 milhões) feito pela FAPESP em recente chamada de propostas de pesquisas voltadas para a compreensão de processos, impactos das mudanças climáticas, bioprospecção de organismos marinhos e para a produção e análise de material educativo na área para os níveis fundamental e médio de ensino.

Para Berlinck, outra iniciativa importante de fomento foi o edital divulgado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que aportou R$ 6 milhões (US$ 3 milhões) em 2009 para apoio a projetos sobre o uso sustentável do potencial biotecnológico de ecossistemas marinhos costeiros e áreas marítimas sob jurisdição brasileira.

Segundo Berlinck, o aumento da massa crítica de pesquisadores nas ciências marinhas ainda é uma necessidade no Brasil. “Segundo dados do CNPq, há 645 grupos de pesquisa concentrados em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e na região Nordeste, mas há um forte declínio de especialistas em taxonomia, o que não ajuda”, disse.

“No Brasil, há muito a ser feito, tanto em relação à transcrição e conhecimento do número de espécies, como sobre as relações entre elas. Um bom exemplo são os recifes de corais, onde a manutenção da saúde do ambiente depende da concentração de CO2, atualmente em crescimento em decorrência das mudanças climáticas, o que tem reduzido as populações de peixes”, disse o professor da USP.

Colaboração e produção científica


Apesar dos esforços feitos no Brasil para formação de pesquisadores e apoio a projetos nas ciências marinhas, a biotecnologia marinha e a bioprospecção são muito incipientes no país, segundo Berlinck.

“Há muito conhecimento a ser compartilhado com o Japão. Ambientes muito diferentes, com grande potencial para investigação de organismos com características endêmicas específicas no Sul ou com populações de invertebrados semelhantes às do Caribe, no Nordeste, precisam ser mais bem conhecidos, e o Japão tem grande competência para isso”, afirmou.

Segundo Berlinck, é preciso fomentar as discussões para estabelecer projetos em colaboração entre cientistas brasileiros e japoneses, e elas podem começar pela curiosidade sobre as grandes diferenças entre ambientes do Atlântico Sul e do Pacífico Norte, por exemplo.

18 março 2013

Pesquisadores acham inseto considerado extinto em SP

UOL

Sorocaba - Pesquisadores do Departamento de Produção Vegetal da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu, e do Instituto Agronômico (IAC) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, constataram que duas espécies de mosca branca possivelmente nativas do Estado de São Paulo sobreviveram à infestação da exótica Middle East-Asia Minor 1 (Meam1). A descoberta causou surpresa, pois se acreditava que, depois da introdução no país dessa invasora, as espécies nativas teriam sido substituídas ou extintas.

A Meam1, que chegou ao Brasil na década de 1990 e se espalhou principalmente pelas lavouras de soja, é altamente invasiva. Em várias partes do mundo, segundo os pesquisadores, sua entrada promoveu a extinção das espécies locais. A pesquisa constatou a presença das espécies nativas New World 1 e New World 2 no Estado de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Alagoas. A mosca branca constitui um dos maiores pesadelos para os produtores de hortaliças, plantas ornamentais e outras culturas, pois, ao se alimentar da seiva da planta hospedeira, causa o definhamento. O inseto também deposita uma secreção açucarada sobre as folhas favorecendo a formação de fungos que impedem a fotossíntese. É ainda transmissor de vários tipos de vírus que afetam culturas de hortaliças, frutas e oleaginosas.

A espécie invasora predomina no País e pode ser encontrada tanto em áreas cultivadas quanto em plantas daninhas. Até recentemente, toda pesquisa sobre mosca branca levava em conta somente essa espécie. No trabalho da Unesp e do IAC, foi feito um amplo levantamento em mais de 40 municípios de São Paulo e em 13 do Estado de Alagoas, com o uso de testes sensíveis à identificação das espécies.

A nativa New World 1 foi encontrada em plantações de jiló e corda-de-viola nos municípios de Registro, Iguape e Ilha Comprida, no Vale do Ribeira, sul do Estado. Em Alagoas, a mosca infestava tomateiros. A pesquisadora Renata Krause Sakate, da Unesp, acredita que o inseto não desapareceu em virtude do isolamento geográfico dessas localidades em relação a outras áreas agrícolas do Estado.

A New World 2 foi coletada em plantas de amendoim-bravo em São Paulo e Alagoas. Trata-se do primeiro registro de sua existência no Brasil. Também surpreendeu o fato de as espécies nativas, em alguns nichos, estarem convivendo com as invasoras. Ainda não se sabe se as nativas também transmitem vírus para a planta, o que a continuação da pesquisa deve elucidar. O trabalho, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), teve ainda a colaboração de pesquisadores espanhóis.

Temporal rompe dique em Magé (RJ); 127 famílias estão fora de casa


Julia Affonso
Do UOL, no Rio

O dique do rio Roncador, que passa por Magé, região metropolitana do Rio de Janeiro, se rompeu na tarde desta segunda-feira (18) e alagou o bairro Vila Liberdade, no município. Segundo a prefeitura da cidade, a água invadiu as casas da região deixando 120 famílias estão desalojadas e sete desabrigadas. Até o momento não há vítimas. Chove no Estado desde a tarde de domingo (17).

A Defesa Civil de Magé decretou estado de alerta no município. Nas últimas 24 horas, choveu mais do que o volume esperado para todo o mês de março. Na estação de monitoramento pluviométrico, foi constatado que nas últimas 24 horas o volume de chuva bateu a marca de 160 milímetros – o esperado para todo o mês era o equivalente a 280 milímetros. O rio Roncador, no primeiro distrito, transbordou, e as equipes da Defesa Civil identificaram pontos de deslizamentos, mas os principais problemas detectados na cidade são as inundações.

A prefeitura ainda não sabe a extensão do alagamento, mas informou que o rio triplicou de volume depois do temporal. No momento, continua chovendo forte no município e agentes estão de prontidão acompanhando o monitoramento do volume de água que está caindo.

De acordo com informações da prefeitura, o secretário estadual de Ambiente, Carlos Minc, vai enviar um engenheiro para avaliar uma obra de desvio do rio Roncador que está parada há décadas no bairro Vila Liberdade e que evitaria alagamentos nas casas ribeirinhas.

O rio Inhomirim também está sob monitoramento, em estado de alerta de transbordamento, assim como a área agrícola do município, por conta da inundação. Também está em alerta, no distrito de Santo Aleixo, o Morro do Sertão, por conta de deslizamentos. A Escola Municipal Olga Repani, no Centro, está funcionando como abrigo municipal e recebeu os moradores desabrigados.

Prefeito diz que Petrópolis ainda tem 5.000 moradores em áreas de risco

Hanrrikson de Andrade
Do UOL, em Petrópolis

O prefeito de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, Rubens Bomtempo, afirmou nesta segunda-feira (19) em entrevista coletiva que ainda há cerca de 5.000 famílias morando em áreas de risco na cidade. Mas, por enquanto, a prefeitura só prevê retirar e realocar 164 delas. O trabalho total de remoção só deve ser concluído no prazo de três anos. A chuva que atinge o Estado desde a tarde de domingo (17) deixou 13 mortos em Petrópolis e outras três pessoas desaparecidas.

"São cerca de 700 pessoas que vivem na Estrada da Saudade. Quando serão removidas? Estamos em um processo de licitação. Se der tudo certo, vamos começar o mais rápido possível. Mas é obra para três anos, porque são áreas de difícil acesso e que envolve um processo social. Não é nada fácil", disse.

Entre os mortos pela chuva, estão dois técnicos da Defesa Civil. Há também dois irmãos -- um adolescente e um bebê -- moradores do bairro de Quitandinha entre as vítimas fatais. Eles estavam em casa quando foram soterrados durante um deslizamento de terra.

Mais cedo, em sua viagem ao Vaticano, a presidente brasileira, Dilma Rousseff, disse a que as mortes não são consequência da falta de prevenção e afirmou ser necessária a tomada de medidas um "pouco mais drástica" para a retirada de pessoas de áreas consideradas de risco.

"Não teve qualquer tipo de problema, não", disse a presidente, ao ser questionada sobre a ineficiência do processo de prevenção do governo federal e do governo do Estado do Rio de Janeiro. Segundo ela, as pessoas foram avisadas sobre os riscos. "Acho que vão ter que ser tomadas medidas um pouco mais drásticas para que as pessoas não fiquem nas regiões que não podem ficar. Assim, não tem prevenção que dê conta."

Desabrigados

Segundo o governador do Rio, 650 pessoas ficaram desabrigadas -- 140 famílias -- devido à chuva. Essas pessoas foram encaminhadas para 18 abrigos, dos quais 16 são escolas estaduais e municipais e dois são instituições religiosas. As escolas municipais Papa João Paulo e Marcelo Alencar são as que concentram o maior número de famílias.

Cabral afirmou ainda que o sistema de alerta da prefeitura funcionou com êxito. "Muitas vidas foram poupadas", explicou o governador. Ele disse que todo o grupo de Salvamento do Corpo de Bombeiros Estadual -- 250 pessoas -- está mobilizado em Petrópolis. Além disso, 500 pessoas foram contratadas emergencialmente para atuar no serviço de limpeza urbana.

Para isso, foram liberados R$ 3 milhões por parte do Estado e R$ 200 mil pela prefeitura para ações de assistência social. Segundo o prefeito, Rubens Bomtempo, serão contratadas mais 500 pessoas e a compra de material de higiene, fraldas, leite em pó e itens básicos para quem ficou sem residência será priorizada.

Teresópolis

Segundo a Defesa Civil, a chuva não deixou vítimas em Teresópolis, onde houve duas quedas de barreira -- uma no bairro Santa Cecília e outra em Guarani --, uma queda de muro em Corta Vento, um deslizamento na Coreia e um alagamento em Vargem Grande. Durante a noite, as maiores quantidades de chuva foram de 168mm no Rosário, 100mm no Corta-vento e 89,4mm na Quinta Lebrão. Nesta manhã, a chuva diminuiu e caiu fina.
Magé

O dique do rio Roncador, que passa por Magé, região metropolitana do Rio de Janeiro, se rompeu na tarde desta segunda e alagou o bairro Vila Liberdade, no município. Segundo a prefeitura da cidade, a água invadiu as casas da região deixando 120 famílias estão desalojadas e sete desabrigadas.

A Defesa Civil de Magé decretou estado de alerta no município. Nas últimas 24 horas, choveu mais do que o volume esperado para todo o mês de março. Na estação de monitoramento pluviométrico, foi constatado que nas últimas 24 horas o volume de chuva bateu a marca de 160 milímetros –o esperado para todo o mês era o equivalente a 280 milímetros. O rio Roncador, no primeiro distrito, transbordou, e as equipes da Defesa Civil identificaram pontos de deslizamentos, mas os principais problemas detectados na cidade são as inundações.


Angra dos Reis

Em Angra dos Reis, equipes da Defesa Civil se deslocaram por volta das 21h de domingo para o Parque Mambucaba, a Japuíba e o Pontal, onde houve transbordamento de rios. Em Mambucaba, o rio que passa pelo bairro já teve seu pico de maré. Na Japuíba, outro rio tem pontos de transbordamento na altura das ruas Rio Bonito e Mangaratiba.


Rio de Janeiro

A chuva colocou a capital fluminense em estado de atenção. O Rio de Janeiro entra neste nível quando há previsão de chuva moderada, ocasionalmente forte, nas próximas horas. Neste estágio, os operadores do Sistema Alerta Rio, da prefeitura, ficam em constante comunicação com os órgãos municipais que atuam nas situações de chuva.


Mais chuva

Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a previsão para a região serrana nesta segunda-feira é de tempo nublado a encoberto com pancadas de chuva e trovoadas. A possibilidade de chuva é de 60% a 90% durante a tarde e a noite. A temperatura fica entre 16 °C e 25 °C. Já para terça-feira (19), a previsão é de tempo nublado a encoberto com chuva, com temperatura variando entre 14 °C e 24 °C. O governador Sérgio Cabral afirmou que o município está em alerta máximo: "Estamos ainda em alerta máximo, total alerta máximo. (...) Peço encarecidamente para que as pessoas não saiam de suas casas."