16 março 2013

Arquipélago de Cagarras, no Rio, é mapeado com 3.000 fotos e guias

FABIO BRISOLLA - FOLHA DE SP
DO RIO

Os frequentadores das praias de Ipanema ou Leblon, no Rio, estão habituados a observar à distância as Cagarras, arquipélago formado por seis ilhas, a 4.500 metros da faixa de areia mais próxima.

Já um grupo de 12 pesquisadores se dedicou a conhecer de perto a vida terrestre e marinha do lugar, trabalho registrado no documentário "Ilhas Cagarras - Monumento Carioca", que em abril será lançado em DVD e distribuído em bibliotecas, escolas públicas e museus.

Um livro com 3.000 fotos feitas ao longo do levantamento está sendo editado com o mesmo propósito.

Desde 2011, os pesquisadores analisam o ecossistema da região. Criado pela ONG Instituto Mar Adentro, o projeto Ilhas do Rio catalogou aproximadamente 200 espécies da vegetação local e mais de 200 espécies de peixes.

A equipe produziu ainda dois guias de identificação das espécies da fauna e flora terrestre e marinha no perímetro das ilhas, disponíveis para download no site
maradentro.org.br/ilhasrj.

"O inventário da flora das ilhas é inédito e identificamos também as espécies de aves marinhas", explica Carlos Rangel, coordenador do projeto e responsável por alguns dos mutirões realizados no arquipélago para retirar lixo.

"Por serem ilhas próximas da costa do Rio, o dano é maior. Quanto mais perto da área urbana, maior o impacto. Mas ainda existe muita vida por lá", afirma.

Chama a atenção a população de 5.000 pássaros da espécie Fragata, citada pelo grupo como o segundo maior ninhal da América Latina.

AVENTUREIROS

Alguns aventureiros estão habituados a rondar as ilhas.

Morador de Niterói, o empresário Paulo Junqueira, 50, faz pausas no trabalho quando as condições do mar estão favoráveis para o mergulho.

"Ligo para a marina e peço para pôr minha lancha na água. Saio da praia de Icaraí (Niterói) e em 20 minutos estou nas Cagarras", diz Junqueira, que pratica pesca submarina fora da área de proteção fixada na legislação.

A proibição se estende por dez metros ao redor de cada ilha. Também não é permitido o desembarque, a não ser daqueles que têm autorizações especiais, como os técnicos do projeto Ilhas do Rio.

Aos interessados em conhecer as Cagarras, a opção é alugar embarcações nas agências situadas na Marina da Glória ou recorrer às empresas de mergulho que organizam expedições na região.

Animais recebem microchip contra doenças no interior de SP

PAULA SIEPLIN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SP, EM PRESIDENTE PRUDENTE

A cidade de Presidente Prudente (a 550 km de São Paulo) aposta em um aliado do tamanho de um grão de arroz para controlar a população de cães e gatos, e combater doenças: um microchip.

O aparelho é colocado por baixo da pele, na área do dorso. Nele são armazenadas informações do dono e do pet.

Nessa espécie de "censo" animal, o Centro de Controle de Zoonoses espera identificar 42 mil cachorros e 10 mil gatos. Até o momento, foram inseridos chips em cerca de 60 cães -- os gatos só entram em uma segunda fase.

A cada dois meses, um novo bairro é percorrido para a implantação dos microchips. A previsão é que a aplicação seja finalizada até 2017.

O serviço é gratuito e obrigatório. Os donos de animais ficam sujeitos à intimação e, se em 30 dias não os levarem, pagam multa de R$ 478 -- o valor é reajustado a cada ano.

Segundo o diretor do Centro de Zoonoses, Célio Nereu Soares, as informações do animal com chip são incluídas em um banco de dados no órgão municipal.

Ficam disponíveis ali as características do bicho, nome e endereço do dono e histórico de vacinações.

A intenção é que, depois de feito o implante, técnicos possam identificar quais animais encontrados na rua possuem dono e quais serão colocados para adoção.

Outro foco é prevenir e controlar doenças. No ano passado, houve 26 casos de leishmaniose em cães, sendo 13 autóctones -- contraídos dentro do município -- e 13 importados. Não há registro de casos de raiva na cidade.

O investimento inicial da prefeitura no censo é de R$ 60 mil. Cada chip custa cerca de R$ 15 -- só no início deste ano, 4.000 foram adquiridos.

Divulgação/Prefeitura de Presidente Prudente
Agentes do Centro de Controle de Zoonoses implantam microchip em cachorro em Presidente Prudente; chip armazena dados do animal e do proprietário
Agentes do Centro de Controle de Zoonoses implantam microchip em cachorro; chip armazena dados do animal e do dono

14 março 2013

Relatório da ONU prevê 'catástrofe ambiental' no mundo em 2050

Pobreza extrema deve ser motivada também por degradação do planeta.
Estima-se que mais de 3 bilhões vivam na miséria nos próximos 37 anos.


Do Globo Natureza, em São Paulo

Apesar dos investimentos de vários países em energias renováveis e sustentabilidade, o mundo pode viver uma "catástrofe ambiental" em 2050, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano 2013, apresentado nesta quinta-feira (14) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Ao fim dos próximos 37 anos, são estimadas mais de 3 bilhões de pessoas vivendo em situação de extrema pobreza, das quais pelo menos 155 milhões estariam na América Latina e no Caribe. E essa condição demográfica e social seria motivada também pela degradação do meio ambiente e pela redução dos meios de subsistência, como a agricultura e o acesso à água potável.

De acordo com a previsão de desastre apresentada pelo relatório, cerca de 2,7 bilhões de pessoas a mais viveriam em extrema pobreza em 2050 como consequência do problema ambiental. Desse total, 1,9 bilhão seria composto por indivíduos que entraram na miséria, e os outros 800 milhões seriam aqueles impedidos de sair dessa situação por causa das calamidades do meio ambiente. No cenário mais grave, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) global diminuiria 15% em 2050, chegando a uma redução de 22% no Sul da Ásia (Índia, Paquistão, Sri Lanka, Nepal, Bangladesh, Butão e Maldivas) e de 24% na África Subsaariana (todos os países ao sul do Deserto do Saara)

Mudanças climáticas e pressões

 
As mudanças climáticas e as pressões sobre os recursos naturais e ecossistemas têm aumentado muito, independentemente do estágio de desenvolvimento dos países, segundo o relatório. E o texto também destaca que, a menos que sejam tomadas medidas urgentes, o progresso do desenvolvimento humano no futuro estará ameaçado.

O Pnud aponta, ainda, que os protestos em massa contra a poluição ambiental têm crescido em todo o mundo. Por exemplo, manifestantes em Xangai, na China, lutaram por um duto de águas residuais (provenientes de banhos, cozinhas e uso doméstico em geral) prometido, enquanto na Malásia moradores de um bairro se opuseram à instalação de uma refinaria de metais de terras raras – 17 metais conhecidos como "ouro do século 21", por serem raros, valiosos e de grande utilidade.

O relatório reforça também que as principais vítimas do desmatamento, das mudanças climáticas, dos desastres naturais e da poluição da água e do ar são os países e as comunidades pobres. E, para o Pnud, viver em um ambiente limpo e seguro deve ser um direito, não um privilégio. Além disso, sustentabilidade e igualdade entre os povos estão intimamente ligadas.

Desastres naturais em alta

 
Além disso, de acordo com o texto divulgado nesta quinta-feira, os desastres naturais estão se intensificando em todo o mundo, tanto em frequência quanto em intensidade, causando grandes danos econômicos e perdas humanas.

Apenas em 2011, terremotos seguidos de tsunamis e deslizamentos de terra causaram mais de 20 mil mortes e prejuízos aos EUA, somando US$ 365 bilhões (R$ 730 bilhões) e 1 milhão de pessoas sem casas.

O impacto mais severo foi para os pequenos países insulares em desenvolvimento, alguns dos quais sofreram perdas de até 8% do PIB. Em 1988, Santa Lucía – localizado nas Pequenas Antilhas, no Caribe – perdeu quase quatro vezes seu Produto Interno Bruto (PIB) por causa do furacão Gilbert, enquanto Granada – outro país caribenho – perdeu duas vezes o PIB em decorrência do furacão Iván, em 2004.

Desafios mundiais

 
O relatório do Pnud ressalta, ainda, que os governos precisam estabelecer acordos multilaterais e formular políticas públicas para melhorar o equilíbrio das condições de vida, permitir a livre expressão e participação das pessoas, administrar as mudanças demográficas e fazer frente às pressões ambientais.

Um dos grandes desafios para o mundo, segundo o texto, é reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa. Apesar de os lançamentos de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera parecerem aumentar com o desenvolvimento humano, essa relação é muito fraca, destaca o Pnud. Isso porque, em todos os níveis de IDH, alguns países equivalentes têm uma maior emissão de CO2 que outros.

Além disso, pode haver diferenças grandes entre as províncias ou estados de um mesmo país, como é o caso da China. Esses resultados, de acordo com o relatório, reforçam o argumento de que o progresso humano não demanda um aumento no uso de CO2, e que políticas ambientais melhores poderiam acompanhar esse desenvolvimento.

Segundo o Pnud, alguns países já têm se aproximado desse nível de desenvolvimento, sem exercer uma pressão insustentável sobre os recursos ecológicos do planeta. Mas responder globalmente a esse desafio exige que todas as nações adaptem suas trajetórias.

Os países desenvolvidos, por exemplo, precisam reduzir a chamada "pegada ambiental", ou seja, quanto cada habitante polui o planeta (como se fosse um PIB do meio ambiente). Já as nações em desenvolvimento devem aumentar o IDH, mas sem elevar essa pegada. Na visão do Pnud, tecnologias limpas e inovadoras podem desempenhar um papel importante nesse processo.

Mas, para reduzir a quantidade necessária de emissões de gases de efeito estufa, os países dos hemisférios Norte e Sul têm que chegar a um acordo justo e aceitável para todos, como compartilhar as responsabilidades, informa o relatório.

Acordos e investimentos

 
Na Rio+20, Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro em junho de 2012, foi negociado entre os governos da região da Ásia e do Pacífico um acordo para proteção do maior recife de corais do mundo, o chamado Triângulo de Coral, que se estende desde a Malásia e a Indonésia até as Ilhas Salomão. A área é responsável por fornecer o sustento para mais de 100 milhões de pessoas.

Além disso, alguns países estão trabalhando juntos na bacia do Rio Congo para combater o comércio ilegal de madeira e preservar o segundo maior território florestal do mundo. Bancos regionais de desenvolvimento também apresentaram uma iniciativa que conta com US$ 175 bilhões (R$ 350 bilhões) para promover o transporte público e ciclovias em algumas das principais cidades do mundo.

Outra parceria envolve a China e o Reino Unido, que vão testar tecnologias avançadas de combustão de carvão. Já os EUA e a Índia firmaram um acordo para o desenvolvimento de energia nuclear na Índia.

Alguns países também estão desenvolvendo e compartilhando novas tecnologias verdes. A China, o quarto maior produtor de energia eólica do mundo em 2008, é também a maior fabricante global de painéis solares e turbinas para geração de energia pelo vento. E, na Índia, os investimentos em energia solar aumentaram 62% em 2011, chegando a US$ 12 bilhões (R$ 24 bilhões) – os maiores do planeta. Já o Brasil elevou seus investimentos tecnológicos para energias renováveis em 8%, chegando a US$ 7 milhões (R$ 14 milhões).

Promessas

 
Até 2020, a China também prometeu cortar suas emissões de dióxido de carbono por unidade de PIB em 40% a 45%. E, em 2010, a Índia anunciou reduções voluntárias de 20% a 25%. Além disso, no ano passado, políticos coreanos aprovaram um programa para reduzir as emissões de fábricas e usinas de energia.

Na Rio+20, Moçambique anunciou ainda uma nova rota de economia verde. E o México promulgou recentemente uma lei para reduzir as emissões de CO2 e apostar em energias renováveis.

No Fórum de Bens de Consumo da Rio+20, as empresas Unilever, Coca-Cola e Wal-Mart – classificadas entre as 20 melhores multinacionais do mundo – também prometeram eliminar o desmatamento de suas cadeias de abastecimento.

Além disso, a Microsoft prometeu que em 2012 se tornaria nula em emissões de carbono. E a companhia Femsa, que engarrafa bebidas – como a Coca-Cola – na América Latina, manifestou que obteria 85% de suas necessidades energéticas no México a partir de recursos renováveis.

Mas, apesar de muitas iniciativas promissoras, ainda existe ainda uma grande diferença entre as reduções de emissões necessárias e essas modestas promessas, destaca o Pnud.

Fóssil de baleia azul com quase 2 mil anos pode ajudar a evitar extinção da espécie

Camila Maciel
Da Agência Brasil, em São Paulo

Um fóssil de baleia azul (Balaenoptera musculus) com aproximadamente 1,8 mil anos, encontrado na praia do Leste, no município de Iguape, litoral sul paulista, poderá ajudar a evitar a extinção da espécie. "Nós encontramos ossos da coluna vertebral e pegamos a bula timpânica, que é equivalente ao ouvido. [Isso] vai permitir que eu possa identificar com certeza a espécie", explica o professor Francisco Buchmann, coordenador do Laboratório de Estratigrafia e Paleontologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Parte do crânio do animal foi encontrado por um morador local, em agosto do ano passado. Ewerton Miranda de Souza entrou em contato com a Sociedade Brasileira de Paleontologia que indicou o laboratório da Unesp para remover e avaliar os ossos. Nesta semana, a idade do osso foi atestada após análise de um laboratório americano especializado em datação por meio do carbono 14. Estima-se que a peça tenha entre 1,8 mil e 1,9 mil anos.

Buchmann destaca que, atualmente, existem apenas entre 100 e 200 baleias dessa espécie no mundo. "Normalmente, fala-se que a [população de] baleia azul está crescendo, mas [com essa descoberta] vai ser possível provar com certeza que sim ou que não. [Será possível dizer]: eu não acho que é uma baleia azul, eu tenho certeza que é uma baleia azul", explica.

Na avaliação do professor, a espécie continua bastante ameaçada, pois a pesca é intensa, especialmente em países como a Noruega e o Japão. "A pressão é muito grande. Esses animais levam, às vezes, dez, 20, 30 anos para fazer um filhote. Se eu matar três quartos [da espécie], para ter esses três quartos de novo vou ter que esperar 50 ou 100 anos para recuperar e não dá tempo, porque no ano que vem vão continuar matando", apontou.

Além de contribuir para a conservação da espécie, a descoberta vai permitir estudos sobre a variação do nível do mar. "Inicialmente, eu pensei que o fóssil teria seis mil anos, porque foi quando teve uma grande variação do nível do mar", explica. Depois de constatada a idade dos ossos, Buchmann concluiu que a fossilização ocorreu em virtude de um grande evento natural, como por exemplo uma tempestade.

"[Ocorreu] algo que encalhou esse animal na praia e rapidamente esse mesmo evento soterrou o animal. Ele ficou pelo menos parcialmente soterrado e isso favoreceu a fossilização", explicou. De acordo com o pesquisador, "todo organismo tem grande potencial de se tornar um fóssil, mas se ele cair na rua, por exemplo, ele apodrece. Agora, se um animal for soterrado, ele fica isolado do oxigênio, então ele não apodrece, ele fossiliza. As condições do ambiente favoreceram isso", esclareceu.

A praia onde os ossos foram encontrados tem rápida erosão, segundo o pesquisador, e foi isso que possibilitou a descoberta dos fósseis. "Em 2011, a distância do mar para onde a baleia foi encontrada era 700 metros. Isso quer dizer que, em 11 anos, o mar invadiu 700 metros, caíram várias casas, ruas inteiras desapareceram. Debaixo de uma das casas que caiu, apareceu essa baleia", relatou. Desde que ossos foram descobertos, o mar já avançou mais e agora a área está sob a água.

13 março 2013

Após chuva forte, 12 t de peixes morrem na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio

Carolina Farias
Do UOL, no Rio de Janeiro

A lagoa Rodrigo de Freitas, localizada em área nobre da zona sul do Rio de Janeiro, amanheceu coberta de peixes mortos nesta quarta-feira (13). Ao menos 12 toneladas já foram recolhidas desde terça-feira (12) pela Comlurb (Companhia de Limpeza Urbana) e Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que monitora a operação de retirada dos peixes.

De acordo com a secretaria, a mortandade é causada por um conjunto de fatores: as águas das fortes chuvas que atingiram a cidade nos últimos dias levaram matéria orgânica para a lagoa, e esse material usou todo o oxigênio dissolvido na água para se decompor. O índice de oxigênio chegou a zero na água e causou a mortandade dos peixes.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente continua o monitoramento na lagoa Rodrigo de Freitas e, por volta das 15h, a situação melhorou e o nível de oxigênio dissolvido na água passou de zero para três. O secretário da pasta, Carlos Alberto Muniz, diz que a superpopulação de peixes da lagoa, principalmente da espécie savelha, que teve período de desova no fim de fevereiro, também favoreceu a mortandade.

"A única coisa que poderíamos ser mais proativos era na diminuição da população de peixes. Essa superpopulação colaborou, além das condições adversas, como as duas chuvas fortes nessa semana", afirmou Muniz.

Ele afirmou que, para o próximo ano, entre os meses de janeiro e março, a secretaria vai estimular a pesca na lagoa, em uma ação com a comunidade de pescadores da área, além da Secretaria de Esporte e o Ministério da Pesca.

A secretaria afirma que a lagoa Rodrigo de Freitas é monitorada 24 horas por dia e, a cada hora, uma boia que fica no meio da lagoa emite boletins que são analisados em tempo real. A população tem acesso a essa informação diariamente, no site da secretaria e na própria lagoa, já que bandeiras de cores verde, amarela e vermelha indicam a qualidade. 


Cinturão

Desde 2007, a Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgoto) realiza o programa Lagoa Limpa, com uma série de obras de saneamento na região, totalizando investimentos de R$ 148 milhões para eliminar o lançamento de esgotos na lagoa. Como parte do programa, foi feito um "cinturão sanitário" com 3,9 km de rede coletora de esgoto, uma galeria de cintura ao redor da lagoa (que capta inclusive esgoto clandestino lançado nas galerias de águas pluviais) e a reforma e modernização das oito elevatórias de esgoto que bombeiam toda a carga orgânica para o emissário de Ipanema.

Nesta quarta, a Cedae vistoriou as redes e as elevatórias de esgotos da região e não foi encontrado nenhum vazamento ou problema elétrico ou mecânico em nenhum dos equipamentos.

Três catamarãs com 104 funcionários da Comlurb retiram os peixes, a grande maioria das espécies sevilha, manjubinha e acará, mais sensíveis às mudanças de condições do ambiente aquático, de acordo com a secretaria.

10 março 2013

Terra se aproxima de maiores temperaturas em 11 mil anos

SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SP

Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon e da Universidade Harvard, ambas nos EUA, reconstruiu a temperatura média da Terra nos últimos 11,3 mil anos para compará-la aos níveis atuais.

A boa notícia: a Terra hoje está mais fria do que já esteve em sua época mais quente desse período. A má: se os modelos dos climatologistas estiverem certos, atingiremos um novo recorde de calor até o final do século.

O trabalho, publicado na revista "Science", reuniu dados de 73 localidades ao redor do mundo para estimar a temperatura global (e local) no período geológico conhecido como Holoceno, que começou ao final da última era do gelo, há 11 mil anos.

Depois de consolidar todas as informações, em sua maioria provenientes de amostras de fósseis em sedimentos oceânicos, num único quadro -- além de usar técnicas matemáticas para preencher os "buracos" encontrados nas diversas fontes usadas para estimar a temperatura no passado --, os cientistas puderam recriar uma "pequena história da variação climática da Terra".

Diz-se pequena porque os resultados não permitem enxergar a variação ocorrida em uns poucos anos. É como se cada ponto nos dados representasse a temperatura em um período de 120 anos.

Editoria de arte/Folhapress

A HISTÓRIA

Os dados confirmam uma velha desconfiança dos cientistas: a de que a Terra passou por um período de aquecimento que começou cerca de 11 mil anos atrás. Em 1,5 mil anos, o planeta esquentou cerca de 0,6ºC e assim se estabilizou, durante cerca de 5.000 anos.

Então, 5,5 mil anos atrás, começou um novo processo de esfriamento -- que terminou há 200 anos, com o que ficou conhecido como a "pequena era do gelo". O planeta ficou 0,7ºC mais frio.

Entram em cena a industrialização acelerada e o século 20. O planeta volta a se esquentar. No momento, ele ainda não bateu o recorde de temperatura visto no início do Holoceno, mas já está mais quente que em 75% dos últimos 11 mil anos.

Assim, o estudo confirma que a temperatura da Terra está subindo em tempos recentes e mostra que a subida é muito mais rápida do que se pensava.

"Essa pesquisa mostra que já experimentamos quase a mesma faixa de mudança de temperatura desde o início da Revolução Industrial que foi vista nos 11 mil anos anteriores da história da Terra -- mas essa mudança aconteceu muito mais depressa", comenta Candace Major, diretor da divisão de Ciências Oceanográficas da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, que financiou o estudo.

Por outro lado, a baixa resolução temporal do estudo (é impossível distinguir efeitos de poucos anos) dificulta a comparação com o atual fenômeno de aquecimento.

Para a mudança climática atual se tornar relevante na escala de tempo analisada pelo modelo de reconstrução dos últimos 11 mil anos, ela precisa continuar no próximo século. Segundo os modelos do IPCC (Painel Intergovernamental para Mudança Climática), da ONU, é isso que vai acontecer.

Contudo, ainda há incertezas sobre a magnitude do fenômeno. De toda forma, mesmo pelas estimativas mais otimistas, quando chegarmos a 2100, se nada for feito, provavelmente estaremos vivendo o período mais quente dos últimos 11 mil anos.
 

Geleiras do Ártico canadense podem estar sofrendo derretimento sem volta, diz estudo

REUTERS | FOLHA DE SP

As geleiras canadenses, terceiro maior depósito de gelo depois da Antártida e da Groenlândia, podem estar sofrendo um derretimento sem volta que deve aumentar o nível do mar, afirmaram cientistas nesta quinta (7).

Cerca de 20% das geleiras no norte do Canadá podem desaparecer até o fim do século 21, num derretimento que pode acrescentar 3,5 cm aos nível do mar.

"Acreditamos que a perda de gelo é irreversível no futuro próximo", escrevem os pesquisadores na revista "Geophysical Research Letters"

A tendência parece irreversível, dizem os autores, liderados por Jan Lenaerts, da Universidade de Utrecht, porque o derretimento de geleiras brancas exporia a tundra escura que tende a absorver mais calor e acelerar o derretimento.

O painel do clima da ONU estima um aumento do nível do mar entre 18 cm e 59 cm neste século, ou mais se a cobertura de gelo da Antártida e da Groenlândia começarem a derreter mais rápido.

A projeção de perda de 20% do volume de gelo no Canadá se baseou em um cenário com aumento de temperatura médio de 3ºC neste século e de 8ºC no Ártico canadense, dentro das previsões da ONU.