Cemitério submarino de armas químicas contamina o Báltico

Oleg Nekhai | Voz da Rússia

As armas químicas afundadas no Mar Báltico depois da Segunda Guerra Mundial provocam mutações genéticas nos peixes, afirmam cientistas poloneses. Eles informam que os milhares de bombas e de munições de artilharia que se encontram no fundo do mar contêm cerca de quinze mil toneladas de compostos químicos perigosos. Os especialistas tentam decidir se será melhor recuperar o arsenal afundado ou se é melhor deixá-lo intacto.

Nos locais de afundamento das armas químicas aparecem peixes com desvios genéticos. As primeiras informações apareceram há 15-10 anos depois de uma peritagem feita por cientistas da Alemanha e da Dinamarca. Novas investigações foram agora feitas por poloneses. O resultado foi comentado pelo investigador ambientalista Alexei Yablokov, conselheiro da Academia Russa das Ciências:

"O problema é que as armas químicas eram afundadas de duas formas. Os aliados afundavam barcaças enormes carregadas com munições. Esses locais estão referenciados na parte ocidental do Báltico na zona dos estreitos. A União Soviética afundou cerca de cinquenta mil toneladas de armas químicas capturadas ao inimigo. Estas eram afundadas de uma forma simples: os marinheiros atiravam as munições ao mar com o navio em andamento. Ou seja, há áreas enormes cobertas com munições químicas que estão a enferrujar. Não se sabe o que se lhes pode fazer."

Sobre essa questão ainda não há uma opinião unânime. Já se realizaram várias expedições a Kaliningrado e conferências científicas em São Petersburgo. As bombas espalhadas pelo fundo do mar estão cobertas com uma espessa camada de lodo e içá-las para a superfície pode ser extremamente perigoso, refere o perito:

"Quando estavam a instalar o gasoduto da Rússia para a Alemanha (o North Stream) não se encontraram grandes concentrações de munições químicas. Isto apesar de terem passado perto dos locais investigados pelos poloneses. Eu penso que não se deve fazer nada. É necessário continuar a marcar nos roteiros de navegação que nesses locais não se pode pescar."

Mas nem todos os peritos estão de acordo com os dados publicados pelos cientistas da Polônia. Se põe em causa, nomeadamente, o fato de no fundo do Báltico se encontrarem 15 mil toneladas de produtos químicos. Isso deverá ser o peso das munições e não o das substâncias tóxicas, refere Viktor Murakhovski, membro do Conselho de Peritos da presidência da Comissão Militar Industrial da Duma:

"No entanto essas munições contêm vários milhares de toneladas. Existe perigo e ele se deve a que os corpos metálicos das munições são passíveis de corrosão, especialmente em água do mar. Existe a possibilidade de existirem fugas. Existe o problema tecnológico para a possível reciclagem dessas munições, porque se percebeu que os trabalhos em profundidade com uma quantidade tão gigantesca de projéteis representam um grande perigo e seriam extraordinariamente dispendiosos."

Na opinião do perito, numa série de casos será mais barato e mais seguro usar o método de aterros diretamente no fundo do mar. Se pode cobrir, por exemplo, as munições com concreto ou com compostos químicos do tipo espuma para evitar a contaminação da água do mar com substâncias tóxicas. O problema das armas químicas afundadas deverá ser resolvido em conjunto por todos os países banhados pelo mar Báltico. A Rússia terá um papel fundamental porque só a Rússia dispõe de dados sobre os locais usados pela URSS para fundar as munições.

Na opinião dos peritos, um argumento a favor da Rússia é a formação, ao longo do tempo que demorou a destruição dos arsenais químicos, de toda uma geração de cientistas, operários e engenheiros com experiência em reciclagem de armas químicas. Entretanto, para a análise e preparação das tecnologias para uma possível reciclagem pode também ser atraída a colaboração de especialistas estrangeiros.



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