05 maio 2012

Defensor da teoria do aquecimento global admite que houve exagero

Band

O doutor James Lovelock, um dos principais defensores da teoria do aquecimento global, voltou atrás e admitiu que houve exagero e alarmismo nas previsões catastróficas dos últimos 20 anos.

04 maio 2012

Economia florestal brasileira ainda não atende às expectativas

Correio do Brasil
Redação, com ABr - de Brasília

O país da maior floresta tropical do mundo tem uma economia florestal pequena, disse o presidente do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) e representante do Fórum Brasileiro de ONGs (organizações não governamentais) e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente, Rubens Gomes. Ele defende a criação de uma política nacional para o uso e gestão de florestas.

Sem uma política nacional que seja cumprida à risca, o sistema florestal brasileiro ficou frágil, situação que contribui para que os investidos não realizem investimentos Floresta Amazônica brasileira, acrescentou Rubens Gomes.

A solução, segundo o presidente do GTA, é compensar o vazio legal por meio do fortalecimento do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), criado em 2006. Para Rubens Gomes, cinco anos depois da criação do órgão, o SFB ainda está longe de atender as expectativas depositadas pela sociedade brasileira em seu funcionamento.

Marcus Vinicius Alves, diretor de concessão florestal e monitoramento do SFB, reconheceu que os contratos de concessão vem apresentando “um incremento pequeno”. Disse, porém, que, embora modesto, esse crescimento vem sendo “gradual, constante e responsável”. Acrescentou que, desde as primeiras licitações, de 2008 até 2012, já foram concedidos 150 mil hectares em duas florestas públicas (Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia, e Floresta Saraca-Taquera, no Pará).

- Há 20 dias lançamos mais dois editais de licitação para área remanescente de Saraca-Taquera e outro para Floresta Jacundá (Rondônia) e ainda vamos concluir outros três editais até julho. Se todos os contratos se concretizarem vamos ter, no final do ano, 1,3 milhão hectares de florestas contratadas – explicou Marcus Vinicius.

Outra questão considerada crítica por Marcus Vinicius é a falta de instrumentos econômicos, como subsídios e incentivos financeiros para a atividade florestal. “Precisamos de uma série de incentivos que, junto com repressão à ilegalidade, produziriam um salto quantitativo e qualitativo nas concessões”, disse.

02 maio 2012

Ruralista quer veto integral ao Código Florestal

Um dos maiores exportadores de suco de laranja do país, o deputado Nelson Marquezelli faz coro com os ambientalistas ao defender que Dilma derrube na integralidade o projeto aprovado pelo Congresso

por Mario Coelho - Congresso em Foco

A bancada ambientalista ganhou um inesperado aliado na pressão para fazer a presidenta Dilma Rousseff vetar o Código Florestal, aprovado na última quarta-feira (25) pelo Congresso. O texto foi aprovado com amplo apoio dos integrantes da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA) e provocou protestos de petistas, parlamentares ambientalistas e organizações não governamentais ligadas à preservação do meio ambiente. O aliado inesperado é o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP). Um dos maiores exportadores de suco de laranja do país, integrante da bancada ruralista na Câmara, o petebista disse ao Congresso em Foco que se estivesse no lugar da presidenta Dilma Rousseff “vetava o texto inteiro”.

Qual a avaliação do senhor quanto ao texto do Código Florestal aprovado na última quarta-feira?

 
Nelson Marquezelli – Eu acho que o Código Florestal não ficou a contento. É lógico que é melhor que as portarias do Conama e do Ibama. Mas o Código só seria perfeito se ele tivesse área consolidada. Área consolidada é bom dos dois lados. É bom para quem já desmatou e está usando esta área para o país, laranja, milho, soja, arroz. Se ele desmatou dentro da lei da época, está tudo bem. Nós não queremos anistia para ninguém. Se ele desmatou com leis contrárias, ele que responda. Há 40 anos, o governo incentivava o desmate porque queria aumentar a área produtiva. Para quem não desmatou, também é bom, porque ela preserva o que não foi desmatada.

Uma questão com a qual a bancada ruralista não concordou foi a necessidade da recomposição nas margens de rios de até dez metros. Por quê?

 
Isso é uma grande besteira. Fiz agronomia e nunca ouvi dizer que cinco, dez metros na beira do rio vai resolver o problema. Se eu tiver 50 metros na margem de um rio, e nessa mesma propriedade, se eu tiver 100 metros quadrados de cana plantada, a cana dá muito mais carbono os 50 metros de floresta. Só na cabeça de quem não entende é que uma árvore plantada é melhor que uma plantação. Qualquer planta acima de cinco centímetros produz carbono para a sua região numa intensidade maior do que uma floresta. Água não é nada. Você tem que proteger as nascentes. O governo deveria fazer a desapropriação de nascentes. Nascente é um veio de água que vem do subsolo e que aflora na superfície. Você tem que proteger rio com curva de nível. Se nós fizermos um código para proteger curva de nível, não deixar cair no canal do rio adubo, defensivos, assoreamento do rio, aí eu tiro o chapéu. Aí eu digo que esses caras entendem. Esses caras não conhecem rio, você vai pegar margem do rio com pedra, com mata, com brejo. Aí a gente fez uma lei para o promotor sentar na frente do Google, consultar o mapa e convocar o produtor da área pelo jornal. ‘Você vai reflorestar, assina aqui o TAC senão eu te ponho na cadeia’.

O senhor já citou dois problemas no texto aprovado pelos deputados. O senhor vê outros problemas?

 
Tem. Os promotores, esses caras não conhecem o Brasil, e são assim com juízes de Direito. O promotor vai propor a desapropriação da terra e prisão do produtor por não cumprir a lei. Ele não quer saber se produtor está produzindo ou não mil litros de leite por dia ou dez litros. A lei é morta. Estou cansado de ouvir do juiz que está aplicando o que os deputados aprovaram.

Este texto então não dá segurança jurídica?

 
Nenhuma.

Durante a votação, parlamentares disseram que o substitutivo do deputado Paulo Piau (PMDB-MG) trazia segurança jurídica para o produtor.

 
Eles comparam isso com as portarias do Conama e do Ibama. É lógico que o texto é melhor do que as portarias. Mas eu prefiro ficar com as portarias do que com a lei aprovada. Por quê? Por causa da consequência. O promotor não pode pegar uma portaria do Conama e cumprir. Mas ele pode pegar uma lei aprovada pelo Congresso e sancionada pela presidente da República e cumprir.

O senhor também tinha feito críticas ao projeto aprovado anteriormente pelo Senado, em especial a parte dos grandes produtores. Esse trecho específico ficou resolvido ou o problema continua?

 
Melhorou. Eles tiraram alguns jabutis que ficaram no meio. O artigo primeiro, por exemplo, era puramente uma desapropriação sem indenização de todas as APPs e todas as reservas legais, passando para o domínio público federal. Lógico que depois isso viria uma medida provisória para uma ONG tomar conta, para alguém do meio ambiente tomar conta. Você ia pegar 20% da sua propriedade, mais APP, e passar para o Ministério Público. E ainda com a responsabilidade de plantar. Com isso foi melhor. A comissão conseguiu tirar muita coisa que veio enxertada do Senado que eram de xiitas ambientalistas.

Durante a discussão, o relator Paulo Piau foi alvo pelas doações que recebeu de campanha, aproximadamente R$ 900 mil de empresas ligadas ao agronegócio.
Isso é uma bobagem. Você está falando com um deputado que está aqui há seis mandatos. Quando você chega na campanha, não vê de onde veio o dinheiro. Não dá tempo para ver, se veio do capeta, se veio do Cachoeira, se veio do rio, se veio da mina, não tem como. Por quê? Porque não é o deputado que faz isso. O único que fez isso fui eu, que rejeitei dinheiro do Santander porque defendo os ex-funcionários do Banespa.

Tem uma movimentação da bancada do PT junto com ambientalistas para pressionar a presidenta Dilma Rousseff para vetar o Código Florestal. O que o senhor achar isso?

 
Fatalmente, se a presidente tiver uma pequena assessoria agrícola, ela vai vetar várias coisas do texto do código. O primeiro é a questão das margens dos rios. Isso vai acabar com todo o hortigranjeiro do interior de São Paulo. Se ela não vetar isso, vai levar um pau dos produtores. Se ela entender bem, ela vai vetar o código inteiro. E vai chegar carregada na Rio + 20. E aí em agosto ela envia uma medida provisória. Chama uns caras como eu que conhece, da Embrapa, com quatro artigos, cinco artigos. Toda propriedade agrícola tem o prazo de dois anos para fazer um projeto sócio-econômico e ambiental, assinado por diversos técnicos. O Brasil é fantástico.

O senhor é um dos maiores exportadores de suco de laranja do país. Como empresário, o senhor se sente prejudicado com este texto?

 
Agora vem outra análise. Por que eu não me sinto prejudicado? Nós temos hoje uma superprodução de laranja para as indústrias. O preço está baixo. Se eu tirar 1,8 milhão de pés de laranja [pela necessidade de reflorestamento prevista no Código], vai faltar laranja e subir o preço. Então eu não posso falar que estou sendo prejudicado. Eu estou sendo favorecido. Quem está sendo prejudicado é o país porque vai ter uma quantidade menor de suco para exportar. O produtor vai ganhar mais.

O raciocínio do senhor então é o mesmo usado pelo restante da bancada ruralista de que esse texto acaba prejudicando mais o pequeno produtor?

 
Não tenha dúvida. Por dois motivos: primeiro, pelo tamanho da área. Depois, pela pobreza. O pequeno o ganha pão é aquela área. Se ele diminuir a área dele, o rendimento dele diminui. O código foi um código contra o pequeno proprietário no país. Quando entrou ideologia no meio, virou isso. É um discursando de um jeito, o outro do outro… depois que colocou a TV Câmara aqui, o cara quer aparecer.

De ambos os lados, ambientalistas e ruralistas?

 
Sim, de ambos os lados. O cara está fazendo discurso dizendo que é bom do jeito que está. Não é possível, é coisa de maluco. Isso é um código feito por maluco. Se eu fosse a presidente Dilma, vetava o código inteiro. Eu baixava uma portaria pegando um cara da Embrapa, das universidades de agronomia, do Ministério do Meio Ambiente, e faria um novo código. Depois mandaria uma medida provisória ou publicaria uma portaria feita pela área científica do país. Vai errar menos. As terras férteis do mundo estão ao lado dos rios.

01 maio 2012

Reforma de banheiro é ‘paga’ com duas mil embalagens de leite

Moradores são beneficiados por projeto do Instituto Vital Brazil. 

Materiais de qualidade são utilizados nas obras através de parceria com loja de materiais de construção

O Fluminense


O pedreiro aposentado Carlos Roberto Brunes, 62 anos, participou da construção da ponte Rio-Niterói e da rodovia BR-101, mas a obra que mais sente orgulho de ter feito foi a recém-concluída reforma na suíte de casa. O banheiro de 4 metros quadrados, que até pouco tempo não tinha nem água corrente, ganhou teto rebaixado, basculante, pia com armário, box, azulejos e um moderno chuveiro elétrico.


Apesar de só usar materiais de qualidade, a obra teve custo baixo. Tudo foi pago com duas mil embalagens de leite Longa Vida. Isso só foi possível porque o aposentado participa da Feira de Trocas Solidárias, parte do projeto Arquiteto de Família, do Instituto Vital Brazil - em parceria com a Ong Soluções Urbanas e uma loja de departamentos especializada em venda de material de construção.

O programa presta assistência técnica habitacional a 100 moradores da comunidade Vital Brazil, também em Niterói. Os beneficiados podem trocar embalagens Longa Vida pela moeda social Trocado Vital. Cada quatro litros em caixas de leite, geleia e leite condensado, equivalem a 1 Trocado Vital. Com esse dinheiro, eles compram materiais de construção, acabamento e decoração para suas casas. Para comprar um espelho de tomada, por exemplo, que equivale a TR$ 5, é preciso juntar 20 embalagens de 1 litro. O valor é estipulado segundo a importância do item para a obra. A maior procura é por tubo, cano, tinta, piso de cerâmica e torneira. Desde sua criação em 2011, já foram arrecadadas 22 mil caixas.

“Sem o projeto não poderia sonhar em ter o banheiro que tenho hoje. Se eu fosse pagar, gastaria mais de R$ 5 mil só com material”, calcula Brunes.

Sua esposa, a manicure Ilzelina da Conceição Borges, de 54 anos, é a responsável por conseguir as caixas. Ela até já criou uma promoção entre as clientes para conseguir mais embalagens. Só no mês de fevereiro a manicure juntou 540 caixas e tem planos para outras melhorias na sua casa, como a construção de um terceiro quarto e a ampliação da cozinha.

“O melhor é que nada é dado de graça. Preciso correr atrás para conseguir as embalagens e fazer as melhorias aqui em casa. Isso só valoriza o nosso esforço”, afirma Ilzelina.

Supervisão – A evolução das obras é acompanhada por arquitetos e engenheiros, que sugerem modificações quando necessário. Os projetos priorizam a eliminação de situações que comprometam a saúde e a segurança dos moradores. Práticas comuns na comunidade, como a construção de banheiro próximo ou dentro da cozinha, podem levar a doenças devido à proliferação de bactérias. Por conta da umidade, a ausência de revestimentos também pode levar a problemas respiratórios. A ação dos arquitetos procura corrigir esses erros.

Amazonas: 37 cidades estão em emergência

Band

Trinta e sete cidades no Amazonas já decretaram emergência por causa das cheias dos rios. Em Manacapuru, parte da cidade foi inundada e comunidades ficaram ilhadas.