09 março 2012

'Não aceito desfigurar o Código Florestal aprovado no Senado',

Izabella rechaça mudanças na exigência de recuperação de áreas desmatadas, como quer relator da Câmara

MARTA SALOMON / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O governo não aceita negociar uma regra mais flexível para a recuperação da vegetação nativa às margens de rios e outras áreas de preservação permanente (APPs), afirma a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente), antes da nova rodada de negociação sobre o Código Florestal.

Anteontem, o relator do Código na Câmara, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), apresentou a continuidade da exploração econômica nas APPs como alternativa para um acordo na Casa. "Não tem sentido flexibilizar essa norma", insistiu Izabella. "Ao plantar área de preservação permanente, o produtor não está perdendo, está assegurando a produtividade para a propriedade, a oferta de água, etc", reiterou.

O plano do governo é não mexer em nenhum ponto da proposta do Código Florestal aprovada pelo Senado em dezembro, como a proteção integral dos manguezais e o corte de crédito aos produtores rurais que não regularizarem suas propriedades em cinco anos. A única negociação possível na última etapa de votação da reforma do Código Florestal, segundo Izabella, é "convencer".

Há votos suficientes na Câmara para manter o acordo selado no Senado?

Estamos trabalhando para isso. Gostaria de observar que o texto do Senado não é só do Senado, é um texto de consenso, construído com interlocução com a Câmara, com a sociedade e com o governo. Foi montada uma comissão na Câmara, inclusive com a presença do relator Paulo Piau, para essa interlocução. O que o governo quer é que se cumpra o acordo construído no Senado. Nós vamos buscar os votos porque há um acordo firmado. É importante que as pessoas entendam que nem sempre as teses dos dois lados, ambientalistas e ruralistas, vingam. Isso é do processo democrático.

Para o governo, o texto do Senado é o ideal?

O texto aprovado no Senado representa a convergência. Não é o texto dos sonhos dos ambientalistas nem é o texto dos sonhos dos ruralistas. Algumas teses de ambos os lados estão colocadas e tiveram apoio suprapartidário. É um texto com avanços expressivos em relação ao que foi votado na Câmara em maio. É um texto que busca segurança jurídica, que requer pouca regulamentação. Isso é importante porque um dos grandes problemas do Código Florestal hoje é justamente a falta de eficácia legal.

Eu tenho um caso pessoal: uma pessoa muito amiga minha, com dinheiro, com vontade de fazer, contratou um bom profissional, que levou três anos para averbar a reserva legal da fazenda dela, no Rio de Janeiro. Então o texto do Senado vem com uma regra clara.

Mas há um claro enguiço na Câmara. O relator Paulo Piau (PMDB-MG) apontou como melhor alternativa o governo garantir, por acordo, que a recuperação da vegetação nativa não será imposta aos produtores.

Isso o governo não aceita.

Mas essa proposta foi, de certa forma, defendida pelo ministro Mendes Ribeiro, seu colega da Agricultura. O governo não está unido?

Naturalmente, o ministro Mendes Ribeiro está vocalizando o que tem ouvido de parte da base dele, é um homem ligado à agricultura. Mas a posição do governo é clara, como a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) reiterou, é defender o texto do Senado. E o texto do Senado determina que a gente recupere as áreas de preservação permanente.

Alguma flexibilização nessa norma é possível?

Não tem sentido flexibilizar essa norma. O texto do Senado vai por um caminho que recepciona teses de regularização ambiental, como vai ser feito o controle pelo Cadastro Ambiental Rural e também um programa de conversão de multas.

Eu prefiro converter multa plantando árvore a converter multa em móveis e carros para o Ibama, como foi feito no passado.

O relator é contra o corte do crédito dos proprietários rurais que não regularizarem os imóveis em cinco anos.

Por isso não concordamos com nenhuma mudança no texto do Senado. Porque esse texto amarra os compromissos ambientais, os compromissos com a agricultura. Mesmo naquilo que são teses sensíveis para a área ambiental, como os apicuns. A Câmara não aceitou considerar os manguezais como áreas de preservação permanente. Na última fase do debate no Senado, apenas parte dos manguezais ficou de fora, para admitir atividades consolidadas e cultivo de camarão. Foi construído com a bancada da Região Nordeste, eu fui voto vencido. Eu queria 100% de proteção. Mas, mesmo assim, posso defender porque tem critérios a serem controlados pelos órgãos ambientais.

O que é melhor: mexer no atual texto da reforma do Código ou não ter Código Florestal até a Rio+20?

Eu não aceito desfigurar o Código Florestal. E não estou discutindo a Rio+20. Estamos discutindo o Código. Não é questão de achar melhor. A minha posição é a seguinte: houve uma decisão democrática de buscar um novo Código Florestal. O relatório de Aldo Rebelo foi votado, e nós perdemos: a área ambiental e o governo perderam.

Não foi uma derrota pequena. No Senado, construímos uma posição de convergência. O desafio do País é aumentar a cobertura florestal dos biomas desmatados. E não é só pela proteção das florestas, é pelo serviços ecossistêmicos que essas florestas fornecem. Eu não quero apostar no caos, ninguém ganha.

Há uma demanda de regularização, do agricultor que planta há 50 anos e está ameaçado de não produzir mais.

Tem gente em área de risco. Há áreas desmatadas que estão levando ao assoreamento de rios, à queda de produção.

O relator Paulo Piau alega que não há dados sobre quanto os proprietários de terras perderiam em áreas produtivas.

Nós temos 100 milhões de hectares de áreas degradadas neste País. Esse discurso induz a situações falsas. O que é perder? Ao plantar área de preservação permanente, você não está perdendo, está assegurando a produtividade para a propriedade, a oferta de água, etc.

A senhora acha que a disputa política está contaminando a discussão do Código? Fui informada de que outros assuntos passam pela discussão do Código.

Mas esse é um assunto suprapartidário. É um tema que mexe, é que nem futebol, mexe com todo mundo, mesmo com quem não entende. Eu conversei com Deus e o mundo. No que depender de mim, vamos continuar no trabalho de convencimento para aprovar o texto do Senado.

Se ele não for aprovado, será uma catástrofe?

Eu não trabalho com a hipótese de o governo ser derrotado.

Mesmo que precise adiar indefinidamente a votação?

A minha opção é dialogar para convencer. As negociações seguem semana que vem. Temos de evitar retrocessos. Não tem motosserra, não tem anistia, não tem aumento do desmatamento. Temos de assegurar a produção de alimentos nesse País, temos de assegurar agricultura com competitividade nos mercados internacionais. Não tem jogo jogado.

Na terça-feira, entidades da sociedade civil fizeram um manifesto contra retrocessos na gestão ambiental do governo Dilma Rousseff, entre outros motivos, porque foram criadas menos unidades de conservação (UCs). Por que isso aconteceu?

Uma coisa é criar unidades de conservação; a outra é implantar, efetivar as áreas de uso sustentável e garantir o acesso ao conhecimento.

Atualmente existem 21 unidades de conservação em estudo. Não adianta criá-las e acumular R$ 20 bilhões de indenizações a serem pagas. Chega, tem parque há 30, 40 anos sem indenizar as pessoas. Isso não é aceitável. E como pode ter retrocesso na política do clima com a menor taxa de desmatamento da história?

08 março 2012

Relator faz 28 mudanças no Código Florestal

Tendência é de novo adiamento da votação

Sérgio Marques – O Globo

BRASÍLIA. O relator do novo Código Florestal na Câmara, Paulo Piau (PMDB-MG), propôs ontem 28 modificações no texto aprovado pelo Senado. Piau evitou mexer nos dois pontos nos quais ainda não há acordo: o uso das áreas agrícolas consolidadas que estão localizadas em áreas de preservação permanente e os dispositivos que tratam de questões relacionadas à zona urbana. Diante do impasse entre o governo, que quer a manutenção do texto do Senado, e ruralistas, que preferem o texto da Câmara, não está descartada a possibilidade de um novo adiamento da votação da proposta, prevista para a próxima terça-feira. Até ser levado a plenário, o projeto pode sofrer novas alterações.

O impasse persiste até mesmo dentro do partido do relator, o PMDB, que vem demonstrando insatisfação com sua participação no governo, e pode prejudicar os planos do Planalto. De manhã, houve reunião da bancada para discutir o assunto, mas o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), afirmou que não seria possível fechar ainda ontem uma posição sobre o texto.

- Unanimidade, pelo que eu senti, vai ser pouco provável - disse Alves.

Também ontem, houve reunião dos líderes da base aliada com os ministros Mendes Ribeiro (Agricultura) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais). Após a reunião, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que o texto será votado provavelmente na próxima terça, mas sinalizou com um novo adiamento.

Contrários ao projeto da Câmara e ao texto alterado pelo Senado, um grupo de mil manifestantes, segundo cálculos da Polícia Militar, protestou em frente ao Congresso contra o projeto do novo Código Florestal. Os manifestantes consideram a proposta um retrocesso e pediram que a presidente Dilma Rousseff vete todo o texto caso ele seja aprovado pelo Congresso.

07 março 2012

Terra enfrenta maior tempestade solar em cinco anos

AE - Agência Estado

Explosões na superfície do Sol nos últimos dias estão provocando as maiores tempestades geomagnéticas e de radiação solar enviadas em direção à Terra em cinco anos, disseram nesta quarta-feira especialistas em meteorologia espacial.

O auge da tempestade deve atingir a Terra no início da madrugada desta quinta-feira e durar até sexta-feira, com potencial para afetar redes de energia e sistemas de navegação por satélite e forçar aeronaves a alterar suas rotas em torno das regiões polares.

"O tempo no espaço ficou bastante interessante nas últimas 24 horas", disse Joseph Kunches, um cientista espacial da Agência de Pesquisa Oceânica e Atmosférica (Nooa, na sigla em inglês). O fenômeno começou no fim de domingo em uma ativa região do Sol conhecida como 1429, com uma grande explosão solar simultânea a uma rajada solar e plasma, chamada pelos cientistas como massa de ejeção coronal, que se deslocou em direção à Terra.

Satélites, redes de energia e até astronautas na Estação Espacial Internacional podem ser afetados pela tempestade de radiação solar, o que pode fazer com que eles tenham de procurar abrigo em partes mais protegidas do laboratório orbital, como fizeram no passado. "Falamos com companhias aéreas comerciais e sabemos que algumas já tomaram ações para mudar suas rotas, afastando-se dos polos", disse Kunches, acrescentando que mais tempestades podem ocorrer nos próximos dias porque a região 1429 deve permanecer ativa. 


As informações são da Dow Jones.

Câmara adia votação do Código Florestal

Band

A Câmara dos Deputados adiou para a semana que vem a votação Código Florestal com as mudanças feitas pelo Senado. Produtores rurais estão preocupados com a redução da área de plantio

06 março 2012

País deve dar incentivo a quem preserva a Amazônia, diz estudo

O Estado de SP 

Levantamento realizado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) aponta melhorias no combate ao desmatamento na Amazônia, mas afirma que ainda serão necessários avanços para que o País alcance a meta de 3,8 mil quilômetros quadrados de desmate por ano até 2020. 

Atualmente, a taxa é de 7 mil quilômetros quadrados por ano.

A meta de 3,8 mil quilômetros quadrados foi definida como parte da política para mitigar o aquecimento global.

O documento do Imazon reconhece a redução de 77,5% no desmatamento desde 2004, "resultado da postura do governo e da sociedade que endureceram o jogo contra os desmatadores".

Mas alerta que a meta só será cumprida se medidas adicionais forem tomadas. O texto afirma que é preciso criar incentivos para pequenos produtores reduzirem o desmatamento em suas propriedades. Para os autores, a inexistência dos incentivos para o desenvolvimento sustentável favorecem reações contra as leis, como a proposta de reformulação do Código Florestal. O Brasil precisaria barrar essa e outras propostas de enfraquecimento das leis ambientais.

'Falta cultura florestal ao produtor', diz especialista

KARINA NINNI, MARTA SALOMON / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo 

A celeuma em torno do Código Florestal está longe de acabar. Com a iminência da votação do projeto na Câmara dos Deputados, questões como a Anistia aos desmatadores, a diminuição das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a manutenção das Reservas Legais voltaram à tona.

"Não consideramos o perdão das multas como Anistia, pois quem desmatou o que não devia terá de recuperar as áreas que degradou", afirma Cesario Ramalho da Silva, presidente da Sociedade Rural Brasileira. Ele crê que o desmatador será monitorado por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

"Quem infringiu a lei vai se comprometer a recompor a floresta. O produtor não é um bandido", defende Silva.

Mercado. A necessidade de recomposição dos 18 milhões de hectares desmatados ilegalmente deve aquecer o mercado de mudas e sementes, diz o agrônomo Eduardo Ciriello, diretor da Tropical Flora Reflorestadora. "Nos últimos cinco anos, com a atuação mais firme dos órgãos fiscalizadores, a quantidade de viveiros de mudas já dobrou no País. Se todo mundo que tiver de recompor áreas realmente o fizer, vai faltar muda e semente."

Para ele, um entrave a uma negociação racional em torno do Código é a falta de cultura florestal do produtor rural brasileiro.

"Ele não está acostumado a ver, na reserva legal, um espaço que também pode ser produtivo.

Ele pode consorciar espécies nativas que não produzem com nativas produtivas de madeira de lei, por exemplo", afirma. "A RL virou uma coisa mítica, um espaço em que ninguém mexe. Isso deveria ser mais discutido."

Câmara chega ao dia da votação do Código Florestal sem texto de

Deputado Paulo Piau adiou a apresentação do relatório, que ocorreria nesta segunda-feira

Marta Salomon - O Estado de S.Paulo 

BRASÍLIA - A falta de um acordo para a votação da reforma das regras de preservação do meio ambiente nas propriedades privadas deverá impor o adiamento da última etapa de votação da reforma do Código Florestal, nesta terça-feira, na Câmara dos Deputados. A votação em regime de urgência de um relatório desconhecido até a noite desta segunda será discutida em reunião de líderes marcada para a tarde. Ambientalistas convocaram manifestação na Esplanada.

Nesta segunda-feira, o deputado Paulo Piau (PMDB-MG) resolveu adiar a apresentação de seu relatório. Conforme antecipou o Estado na semana passada, o relator do Código Florestal trabalhava para mudar a proposta apresentada pelo Senado, sobretudo para reduzir a recuperação de vegetação nativa em Áreas de Preservação Permanentes (APPs), como os manguezais. Piau é produtor rural e integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária.

No Palácio do Planalto, a orientação era para adiar a votação em pelo menos uma semana, tempo em que o governo tentaria buscar a maioria de votos para manter o acordo selado no Senado em dezembro do ano passado, considerado pela presidente Dilma Rousseff como uma espécie de meiotermo entre o que defendem ruralistas e o que desejam ambientalistas.

Sem maioria, o governo teme ver a reprise da maior derrota política sofrida pela presidente em seu primeiro ano de mandato, em maio de 2011. Na ocasião, a Câmara liberou os produtores rurais de recuperarem áreas de vegetação nativa desmatadas ilegalmente.

Não está em questão a Anistia da cobrança de multas concedida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2009, por meio de decreto, a desmatadores que regularizassem suas propriedades.

Essa Anistia foi renovada por decretos de Dilma Rousseff e incorporada pelo Código Florestal. 

Críticas. A proposta aprovada pelo Senado, que o relator quer modificar novamente na Câmara dos Deputados, foi duramente criticada pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) José Eli da Veiga. 

Em entrevista ao Estado no domingo, o professor acusou a redução das APPs no País e atacou a projeção do Ministério do Meio Ambiente de que o projeto permitiria a recuperação de 18 milhões de hectares de APPs ou 180 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa.

Autor da contabilidade, João de Deus Medeiros, ex-diretor do departamento de florestas do Ministério do Meio Ambiente e assessor da ministra Izabella Teixeira na negociação com o Congresso, reiterou ontem que o projeto aprovado no Senado prevê a recuperação de 300 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa, contando a recuperação de áreas de Reserva Legal em médias e grandes propriedades.

O projeto aprovado pelo Senado exige a recuperação de pelo menos 15 metros a cada margem dos rios mais estreitos, até 10 metros de largura. Já as propriedades com rios mais largos terão de recuperar entre 30 e 100 metros de vegetação nativa a cada margem.

"Ninguém está dizendo que a recuperação será fácil, há um risco real na implementação do Código, mas nosso esforço é evitar um retrocesso", disse Medeiros, que atualmente dá aulas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ele foi citado na entrevista de José Eli da Veiga como um "suposto bom técnico".

Izabella, chamada por Veiga de "ministra fraca", não se manifestou sobre a entrevista, mas reiterou o apoio ao projeto do Senado, porque a proposta teria alcançado uma posição equilibrada entre os pontos de vista de ambientalistas e ruralistas.

Revolta na base ameaça governo

Votação do Código Florestal deve ser adiada devido a rebelião no PMDB e ofensiva ruralista

André de Souza, Cristiane Jungblut, Gerson Camarotti e Isabel Braga – O Globo 

A rebelião na base aliada - com o PMDB de porta-voz - deverá dificultar ainda mais a votação do Código Florestal, prometida para esta semana. As insatisfações se unem à resistência da bancada ruralista ao teto do projeto aprovado no Senado. O Palácio do Planalto não quer alterações, mas já foi avisado que isso será impossível. Diante desse quadro, o governo deve tentar adiar a votação, dando mais tempo para negociação. O relator do projeto, Paulo Piau (PMDB-MG), já adiou a apresentação de seu parecer, que estava prevista para ontem.

A maior divergência continua em torno das áreas consolidadas, ou seja, áreas produtivas situadas em locais que deveriam ser de preservação ambiental. Muitos deputados querem a volta do texto baseado na Emenda 164, que daria uma espécie de anistia a desmatadores, ao reconhecer a legalidade de áreas agrícolas consolidadas até 22 de julho de 2008. Além disso, as negociações caminham para "desidratar" o texto, retirando pontos que tratam de questões urbanas e deixando o código com feitio mais rural.

No Palácio do Planalto, há forte preocupação com a possibilidade de o PMDB usar a votação do Código Florestal para dar uma demonstração de força e, com isso, derrotar o governo. O núcleo palaciano foi alertado que há intenção do PMDB de mudar o texto aprovado no Senado. O grande temor é que o código seja descaracterizado e, assim, passe a dar uma sinalização negativa para a conferência Rio + 20, reunião que acontece em junho.

Tanto, que, ontem à noite, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvati, reuniu-se com a cúpula do PMDB e PT para dar o recado da presidente Dilma Rousseff de que é preciso ter responsabilidade na votação do Código Florestal. O recado foi repassado para os líderes peemedebistas.

O adiamento da votação foi pedido pelo próprio ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, que também é do PMDB. Ele vem conversando sobre o assunto desde a semana passada com o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Hoje, Mendes Ribeiro deve se reunir com Piau e a bancada ruralista. Além disso, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), que em dezembro marcara a votação para hoje e amanhã, analisará a questão com os líderes partidários.

- No caso do Código Florestal, são preocupações de parlamentares do PMDB, PR e PP. O ministro Mendes pediu mais uma semana. Temos que construir o entendimento, não pode haver vencedores e vencidos - disse o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves.  

Decreto vence
Governo quer votar código até abril 

Ontem, Piau tinha programado para a noite uma reunião com deputados da bancada ruralista. 

Ele afastou a hipótese de o impasse impedir a aprovação do código até 11 de abril, quando vence o decreto que impede a aplicação de multas e sanções a desmatadores e a produtores que não aderirem a programas de regularização ambiental. Indagado se o clima de insatisfação na base afetaria a votação, ele foi evasivo. Também ontem, alguns deputados ruralistas usaram a tribuna da Câmara para defender a votação ainda hoje do projeto que altera o Código Florestal, resgatando pontos aprovados pela Câmara, mas modificados pelo Senado. Segundo um dos principais líderes dos ruralistas, o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), um estudo feito pela bancada mostra que 94% das alterações do Senado serão mantidas, resgatando 6% do texto da Câmara. Mas esse resgate mexe no essencial do projeto.

- Temos que resgatar a (emenda) 164, voltar o texto da Câmara, ou vamos tirar 33 milhões de hectares do processo produtivo? São 15% da produção brasileira - afirmou Colatto. 

Ano passado, derrota de Dilma 

Fruto de eterno embate entre ruralistas e ambientalistas, a votação do projeto que altera o Código Florestal, em maio do ano passado, foi um dos momentos de maior tensão da base dos partidos aliados com o Palácio do Planalto. O PMDB, em especial, bancou a chamada Emenda 164 - que, na prática, garantia uma espécie de anistia para desmatadores. O governo saiu derrotado, provocando a ira da presidente Dilma Rousseff.

O gesto do PMDB teve reflexos na própria distribuição de cargos no Congresso e no Ministério.

Um dos defensores da posição do partido, o então deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS) ficou na "geladeira" e, mais tarde, foi perdoado por Dilma, sendo nomeado, inicialmente, para o cargo de líder do governo no Congresso e, depois, para o comando do ministério da Agricultura. Líderes governistas acreditam que aquele foi o momento de maior estresse entre o governo e base aliada.

O PMDB tem os principais expoentes da bancada ruralista, começando pelo deputado Valdir Colatto (PMDB-SC). No Senado, o governo conseguiu mudar a proposta aprovada na Câmara. O novo texto foi negociado também com ruralistas. No lugar da anistia pura e simples, foi incluído no texto dispositivo que vincula o perdão de multa à adesão a programa de recuperação de áreas degradadas.

Agora, os peemedebistas avisaram que retomar o texto da Câmara é questão de honra. Eles querem que haja a anistia das multas lavradas até julho de 2008, sem qualquer pré-requisito. O Palácio do Planalto, porém, não quer qualquer alteração no texto do Senado. Essa posição é que está emperrando a nova votação na Câmara.

04 março 2012

BP fecha acordo por vazamento de US$ 7,8 bi

Empresa vai pagar os prejudicados pelo vazamento de sua plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, em 2010 
  Denise Chrispim Marin, da 
Logotipo da BP
O Departamento de Justiça dos EUA processou a BP e outras empresas envolvidas no vazamento por danos econômicos e ambientais

Washington - A petroleira BP concordou em pagar US$ 7,8 bilhões em indenizações às pessoas e empresas prejudicadas pelo vazamento de sua plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, em abril de 2010. O acordo fechado na noite de sexta-feira, entretanto, não cobre todos os processos ainda em curso na Justiça dos Estados Unidos e terá de ser submetido, amanhã, à aprovação da Corte Distrital de Nova Orleans.

O vazamento de 4,9 milhões de barris de petróleo, ao longo de 86 dias, atingiu pelo menos cinco Estados americanos e foi o maior acidente ambiental da história dos EUA. Oito parques nacionais e cerca de 16 mil espécies de aves e animais marinhos foram afetados. A causa foi uma explosão na plataforma, que causou a morte de 11 pessoas. Na época, o governo suspendeu toda a exploração de petróleo no Golfo do México, mas a retomou depois de seis meses.

O Departamento de Justiça dos EUA processou a BP e outras empresas envolvidas no vazamento por danos econômicos e ambientais e abriu uma investigação criminal, ainda sem conclusão. Na sexta-feira, depois de anunciado o acordo, deixou claro haver ainda haver um longo caminho a ser seguido para a total compensação da petroleira as vítimas do acidente.

"Os EUA vão continuar a trabalhar de perto com os cinco Estados do Golfo para assegurar que toda resolução para a aplicação de lei federal e a compensação por danos causados por esse desastre ambiental sem precedentes seja justa, correta e capaz de restaurar o Golfo", afirmou o Departamento de Justiça, por meio de comunicado. Segundo a BP, sediada em Londres, o acordo poderia "resolver a parte substancial das perdas econômicas legítimas e das reclamações relativas à saúde" causadas pelo acidente. "Acho que todo mundo deve ficar feliz com o acordo, sem dúvida", disse um dos advogados da petroleira, Mike Papantino.

EUA: Sobe para 36 número de mortos por tornado

Band

Dez estados foram atingidos pelostornados, mas os locais onde o impacto foi mas marcante são Alabama, Indiana, Kentucky e Ohio.