14 janeiro 2012

MG: Sobe para 166 cidades em situação de emergência

Agência Estado

São Paulo - Subiu para 166 o número de cidades que decretaram situação de emergência em Minas Gerais. Na manhã de ontem, eram 153 cidades na lista dos municípios gravemente afetados pelas chuvas que atingem o estado desde outubro do ano passado.

Ao todo, 228 cidades de Minas Gerais foram prejudicadas pelos eventos climáticos desde o início da temporada de chuvas. Quinze pessoas morreram e três estão desaparecidas. Mais de 3 milhões de pessoas foram afetadas, 52.723 mil estão desalojadas, mais de 4 mil estão desabrigadas. Cerca de 16 mil casas foram danificadas.

Para este sábado, a previsão é de chuva no fim da tarde em boa parte do estado, de acordo com a Defesa Civil. A chuva deve atingir com mais intensidade somente o sul de Minas e o Triângulo Mineiro.

Crédito

O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) está operando uma linha de crédito especial para atender as empresas que sofreram prejuízos com as chuvas. Os pedidos de financiamento devem ser encaminhados ao BDMG até o dia 31 de maio de 2012 e a documentação solicitada até 30 de junho.

O Programa Emergencial de Socorro a Empresas e Cooperativas com Empreendimentos Afetados por Chuvas Intensas (Fundese Solidário) dará apoio financeiro às micro e pequenas empresas e cooperativas para a reparação de danos causados por chuvas e inundações. Essa é uma das medidas anunciadas pelo governador Antonio Anastasia (PSDB) em apoio às cidades afetadas pelas enchentes. O decreto que cria essa linha de crédito especial foi publicado na edição de quarta-feira do Jornal Minas Gerais.

Para solicitar o financiamento, é preciso preencher um formulário que estará disponível no site do BDMG em breve. Outra opção é procurar um dos parceiros do banco - Cecremge, Crediminas, Fiemg, FCDL, Fecomércio, Federação dos Contabilistas, Federaminas e Sebrae-MG - na cidade ou região em que está localizada a empresa. Este ano, o BDMG conta também com os correspondentes bancários. São 36 cooperativas já credenciadas que poderão auxiliar as empresas que necessitarem do crédito a fazer o pedido de financiamento.

Os recursos poderão ser usados em investimentos fixos para substituição e reparos de ativos danificados e também para recomposição de capital de giro, para cobrir gastos com a folha de pagamento, fornecedores, impostos, taxas, aquisição de insumos, mercadorias para revenda e material de consumo.

13 janeiro 2012

Toneladas de arenques mortos surgem em praia da Noruega

DA EFE

Uma fotografia divulgada nesta segunda-feira (2) mostra as toneladas de arenques mortos que apareceram em uma praia ao norte da Noruega no dia 31 de dezembro de 2011.

Os peixes tomaram praticamente todo a areia da praia de Kvennes, na Nordreisa. A causa ainda não foi esclarecida.

Milhares de pássaros mortos caem do céu no primeiro dia do ano

FOLHA DE SP

Cerca de 5.000 pássaros mortos assustaram os moradores da cidade de Beebe, no Arkansas, no primeiro dia do ano. As aves caíram sobre estradas, telhados e quintais de várias casas.

A causa ainda não está esclarecida, mas resultados preliminares indicam que os pássaros morreram por alguma razão física, indicando que a morte não estava relacionada a alguma doença.

O caso não é inédito. Em janeiro de 2010, cerca de 3.000 aves morreram em condições misteriosas na mesma cidade.

As próximas análises se concentrarão em indícios químicos. Órgãos de proteção de animais acreditam que a morte dos pássaros podem ter sido provocadas por fogos de artifício usados nas comemorações da virada do ano.

As autoridades científicas locais acrescentaram que a morte das aves não tem ligação com os mais de 85 mil peixes mortos por uma doença que atingiu a espécie e que surgiram perto de Ozark, no mesmo Estado.

Corte de metano e fuligem 'esfriaria' Terra

RAFAEL GARCIA - FOLHA DE SP
DE WASHINGTON

Uma ação abrangente para combater a emissão do gás metano e a poluição por fuligem reduziria o aquecimento global de 2,2ºC para 1,7ºC em 2050, indica um novo estudo liderado pela Nasa (agência espacial americana).

Quase todas as medidas necessárias para isso, dizem os cientistas, teriam seus custos compensados ao evitar gastos em saúde pública e na agricultura.

Segundo o trabalho, publicado na revista "Science", se o planeta adotar 14 medidas contra essas substâncias (leia mais abaixo), combateria a mudança climática, evitaria mortes por doenças respiratórias e aumentaria a produtividade agrícola.

O documento inclui propostas que vão desde a substituição de fornos a carvão -- grande fonte de poluição em países pobres -- até o controle do vazamento de metano em poços de petróleo.

Combater a emissão desse gás, que também é subproduto da agropecuária, ajudaria os próprios produtores rurais, porque o metano estimula o surgimento de ozônio em baixas altitudes, prejudicando a respiração das plantas.

A produção mundial de alimentos teria um incremento de 30 milhões a 130 milhões de toneladas se o ozônio derivado da poluição fosse reduzido indiretamente por meio do combate ao metano.

"As colheitas seriam o fator do qual países como o Brasil mais se beneficiariam", disse à Folha Drew Shindell, do Instituto Goddard, da Nasa, que liderou o trabalho.

"Em países como China e Índia, o principal benefício seria na saúde pública, porque o problema de poluição por fuligem é muito maior lá."

DIPLOMACIA

Segundo Shindell, como a maior parte dos países que tendem a se beneficiar são também grandes emissores de fuligem e metano, uma política eficaz não iria requerer um acordo internacional como aquele que o planeta está buscando contra o CO2 (dióxido de carbono), principal vilão do aquecimento global.

"No caso do combate a essas outras substâncias, temos mais chance de progresso se ele for implementado por ações locais", diz o cientista.

"Iniciativas globais, porém, podem estimular ações locais, como o financiamento de bancos de desenvolvimento para alguns projetos."

Mesmo não tendo potencial de aquecimento no longo prazo, a fuligem contribui para a mudança climática, sobretudo quando se acumula sobre a neve e o gelo em regiões frias. De cor escura, ela atrapalha a capacidade da água congelada de refletir radiação para fora da Terra.

Já o metano é o gás-estufa mais forte, apesar de não ser o mais abundante.

O combate a esses dois poluentes, porém, não serviria como compensação para o atraso do planeta em reduzir as emissões de carbono.

"Se adiarmos mais o acordo do clima, mesmo acabando com todo o metano e a fuligem, veríamos um enorme aumento no aquecimento, causado só pelo CO2, na segunda metade do século."

CONTRA O METANO

1. Estender técnicas que evitam o vazamento de gás em minas de carvão
2. Eliminar as perdas e queimar o gás que hoje escapa de poços de petróleo
3. Reduzir vazamentos em gasodutos
4. Separar o lixo biodegradável para reciclagem, compostagem e uso da biomassa
5. Aprimorar o tratamento de esgoto para capturar o metano que escapa das estações
6. Controlar emissões da pecuária usando um tratamento especial para o esterco
7. Arejar as plantações de arroz para reduzir as emissões em plataformas alagadas

CONTRA A FULIGEM

1. Substituir a frota de veículos muito antigos que emitem poluição demais
2. Instalar filtros especiais nos veículos a diesel
3. Banir a queima de resíduos de agricultura ao ar livre
4. Substituir fornos a lenha por fornos a gás ou combustíveis de queima limpa
5. Levar aos países pobres a tecnologia de fornos por queima de biogás
6. Substituir tijolos de barro por vigas verticais ou por tijolos de fornos mais eficientes
7. Substituir fornos a queima de coque (subproduto do carvão) por fornos mais eficientes

Legado das chuvas: Teresópolis (RJ) tem bairros-fantasmas e "vale de pedras"

Janaina Garcia
Do UOL, em Teresópolis (RJ)

Quem chega ao bairro da Posse, em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, ouve logo de início o aviso dos moradores e dos raríssimos comerciantes do local: depois das 19h ou 20h não é bom ficar de bobeira na rua. O lugar, eles garantem, virou “um fantasma” após as fortes chuvas que deixaram quase 400 mortos na cidade, há um ano.

Já perto dali nem é preciso ser avisado: é fácil perceber que pouco sobrou do bairro de Campo Grande, mais da metade dizimado com o deslizamento de pedras cujo tamanho e quantidade, a olhos vistos, ainda impressiona.


Às margens do vale de pedras em que se transformou Campo Grande, os poucos moradores que sobreviveram estão em casas próximas a um riacho formado após a tragédia e na direção de morros de onde as pedras deslizaram em janeiro de 2011.


Eles contaram à reportagem do UOL que não recebem aluguel social e que só não deixam as construções -- algumas, em risco evidente não apenas pela localização, como pelas rachaduras expostas -- porque não têm garantias de área segura e definitiva para onde ir.


"É fechar os olhos e lembrar dos gritos"

“Eu não tenho amor a uma casa, mas à minha vida. Se tivesse para onde ir, já tinha me mudado daqui. Estou desesperada para me mudar. A qualquer hora que fechar os olhos a gente vai lembrar das pessoas pedindo socorro, gritando”, diz a empregada doméstica Lourdes Rocha da Silva, 51.

Moradora do que restou de Campo Grande, ela perdeu cinco familiares nos deslizamentos e agora abriga na casa pequena, de dois quartos, outros seis parentes -- entre os quais, o pai, de 87 anos, e família do filho mais velho. Antes, eles ficaram seis meses morando em abrigo até que a residência que sobrou, a da matriarca, fosse liberada.

Segundo dona Lourdes, o local se transforma mais radicalmente, em relação ao que já foi antes das fortes chuvas, na parte da noite. “Antes eu gostava daqui, agora tenho medo de andar na rua, ainda mais à noite. Virou um bairro fantasma”, constata.


Olhando para o vale onde a lama e as pedras gigantes mataram amigos, conhecidos e parentes, ela finaliza a conversa: “Isso aí vai ser lembrado por toda a vida. E o pior é saber que aqui não tem ninguém fazendo nada por ninguém e ainda tem um monte de pedra para rolar.”


Pelo bairro, poucas obras em barrancos são vistas ao lado de maquinário parado -- em plena tarde de uma sexta-feira.


Corpo foi achado há poucos dias

Na estrada da Posse, a caminho de Campo Grande, o comerciante Sebastião José da Rocha, 65, mostra as duas paredes que ficaram de pé ao lado do bar que ele comanda. “Aqui era um hotel do meu irmão. Ele e uma camareira se salvaram”, conta, para indicar, na mesma rua, também os restos de uma casa tomada pelo barro seco. É lá onde, há menos de dez dias, foi encontrado o corpo de uma vítima. “Era de uma mulher. E ficou praticamente o dia todo aqui até ser retirado -- e justo aqui, que virou um bairro fantasma”.

Para o comerciante, o aspecto do bairro após a tragédia, a contar pelo ritmo das obras, deve demorar a ser recuperado. “As obras aqui são lentas demais. As crianças crescem com essas imagens na mente, sabe? Esses dias mesmo o prefeito [Arlei Rosa] veio até aqui perto ver como estava, mas nem parou. Aí é essa poeira quando não chove, e lama, com chuva. Não dá”.


Ao lado do bar de Rocha, faixas pedem “socorro” ao prefeito com a seguinte mensagem: “A poeira está vitimando crianças e idosos. Não aguentamos mais esse cenário. Lembre-se: somos eleitores”. Não há assinatura de um ou outro morador específico -- só da “Associação de Moradores Sofredores”.

Na enxurrada, Dalva disse à filha: "agora somos nós"

Também na Posse, a cozinheira Dalva de Abreu, 53, lembra que por pouco não desceu enxurrada abaixo -- se salvou, conta, porque ficou agarrada às grades do portão de casa. A cachorra de estimação, presa aos galhos de uma árvore, também se safou.

“Vi pessoas que desceram gritando em meio aos escombros. Na hora, ainda falei à minha filha: ‘Acho que agora somos nós’. Ficamos, mas hoje virou esse lugar sombrio onde a gente tem medo de chegar à porta de casa, quando escurece, de tão vazio. Eu arrumei minha casa, e quem sabe se os órgãos públicos tivessem arrumado ao menos a rua, isso aqui não seria diferente?”, indaga. Se ela se mudaria de lá? A pergunta é interrompida com um convicto “ontem”.


Do outro lado, silêncio e imbróglio político

A reportagem tentou ouvir o prefeito Arlei de Oliveira Rosa sobre as obras que não foram ou que são feitas em ritmo lento, mas, nas três tentativas feitas por telefone -- duas delas, em Teresópolis --, ele não retornou o pedido de entrevista.

Desde que foram feitas as primeiras constatações do MPF (Ministério Público Federal) e da CGU (Corregedoria Geral da União) sobre desvios de recursos públicos para reconstrução dos estragos, o município já enfrentou a cassação do prefeito eleito, Jorge Mario Sedlacek, em dezembro, e a morte do vice-prefeito, Roberto Pinto, que sofreu um infarto dois dias depois da posse.


Então presidente da Câmara Municipal, Rosa acabou empossado até que a Justiça Eleitoral dê a palavra final sobre a realização ou não de eleições.

11 janeiro 2012

Estiagem dura seis meses em Sergipe


Bom Dia Brasil

O gado nem consegue ficar de pé sem o pasto para matar a fome. Nos quintais das casas, há cisternas vazias e falta água até para o uso diário. O pouco que sobra nos reservatórios não serve nem para os animais.


Seca causa prejuízos nos campos do Sul do país


Bom Dia Brasil

Mais de 230 municípios já decretaram situação de emergência na região. A falta de chuvas regulares há três meses provoca a perda de lavouras inteiras. Os rios começam a secar. Em Santa Catarina, já são R$ 500 milhões em prejuízos.


Sul do ES enfrenta prejuízos com as chuvas



Bom Dia ES

 

Além das famílias desabrigadas e desalojadas, produtores rurais também tiveram prejuízos.


Ruas continuam encharcadas na região serrana do Rio de Janeiro



Em Nova Friburgo, na Região Serrana, não choveu durante toda a terça-feira (03). Mas ruas encharcadas e encostas não deixam esquecer o pesadelo de um ano atrás. Em Itaperuna, já são 800 desalojados. Para chegar em alguns locais, só de barco.

Mais de 620 mil já foram afetados pela estiagem no RS

Agência Estado

São Paulo - Mais de 620 mil pessoas foram afetadas pela estiagem que atinge o Rio Grande do Sul desde o fim do ano passado, segundo dados da Defesa Civil estadual. Por conta da seca, 142 municípios já decretaram situação de emergência. Ao todo, 627.172 pessoas foram afetadas.

A estiagem já provocou um prejuízo nas lavouras de milho, soja e feijão de cerca de R$ 2 bilhões, segundo estimativa do secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Ivar Pavan. O número não inclui os prejuízos no leite e hortifrutigranjeiros

Bahia tem 123 municípios em estado de emergência por causa da seca

Da Agência Brasil, em Brasília

A Defesa Civil da Bahia informou que 123 municípios decretaram estado de emergência. Desse total, 121 estão no semiárido baiano. O governo estadual vai liberar recursos para o transporte de água em carros pipas para 59 cidades.

O coordenador da Defesa Civil do Estado, Salvador Brito, estima que as perdas na agricultura familiar são de pelo menos 70% nas regiões atingidas pela seca. As culturas mais prejudicadas são de feijão, milho e mandioca. Segundo ele, o governo estadual ofereceu R$ 1,3 milhão para medidas emergenciais.


"Nesse primeiro momento, o governo vai priorizar o abastecimento de água potável para consumo humano, a construção de cisternas emergenciais [feitas com lonas para armazenar água transportada pelos caminhões pipa], e a ampliação e limpeza dos reservatórios de água", disse Brito.


Representantes do governo da Bahia pediram a União a liberação emergencial de R$ 30 milhões para o Estado.

Banco de areia artificial é usado como proteção na Holanda

AFP - UOL

Com mais de um quarto do território abaixo do nível do mar, a Holanda dá importância para a proteção do litoral. No mais recente exemplo das proezas da hidro-engenharia no país, um grupo criou um vasto banco de areia artificial próximo a Haia, que se destina a proteger a costa local das forças da natureza


10 janeiro 2012

Região de Sapucaia (RJ) tem risco de novos deslizamentos; buscam continuam

Da Agência Brasil, no Rio de Janeiro

A localidade de Jamapará, distrito de Sapucaia, região centro-sul fluminense, está em área de risco de novos deslizamentos de terra, segundo informou hoje (10) o secretário municipal de Defesa Civil, Marco Antonio Teixeira. As equipes de resgate retiraram 13 corpos dos escombros, sendo cinco deles na manhã de hoje (10). As vítimas são três mulheres e dois homens. Devido ao risco de novos deslizamentos, várias famílias podem deixar suas casas.

“O trabalho de buscas continua, não vai parar. A gente está buscando com o maior esforço todas essas pessoas que permanecem desaparecidas. O resgate está sendo feito ininterruptamente com algumas paralisações por necessidade, pois às vezes chove forte. Nós estamos trabalhando com máquinas e com cães farejadores”, disse Teixeira.

De acordo com o secretário, a prefeitura está dando suporte aos desalojados da região. Segundo ele, além da escola municipal, um Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) do estado foi colocado à disposição dos moradores, que por medida de segurança estão impedidas de retornar às suas casas.


“A Defesa Civil vai aos locais para a gente explicar as pessoas que não podem ficar na região. Quando elas não têm para onde ir, nós temos a disposição o Ciep e a escola municipal de Jamapará”.


O secretário de Defesa Civil informou ainda que os 13 corpos retirados dos escombros foram identificados e dez foram enterrados no cemitério da cidade. Nove pessoas permanecem desaparecidas na localidade, entre elas, uma família que teria se refugiado em um veículo para não ser atingida pelos deslizamentos de terra na madrugada de segunda-feira (9).

Chuvas no Espírito Santo tiram mais de 7.000 de casa; 29 cidades são atingidas

Do UOL, em São Paulo

O Espírito Santo contabiliza 29 cidades atingidas pelas chuvas desde o começo desse ano. Oito decretaram situação de emergência até esta terça-feira (10): Cariacica, Domingos Martins, Governador Lindenberg, Ibatiba, Itarana, Laranja da Terra, Pancas e Rio Bananal. De acordo com a Defesa Civil Estadual, há 7.170 pessoas desalojadas (na casa de parentes e amigos), 623 desabrigadas e 101 pessoas feridas. Ao todo, 7.512 edificações já foram danificadas ou destruídas pelas enchentes.

Prefeitos e representantes dos 29 municípios capixabas prejudicados pelas chuvas vão se reunir nesta quarta-feira (11), em Vitória, com equipes da Secretaria de Estado da Agricultura e da Defesa Civil. Durante a reunião, o secretário estadual da Agricultura, Enio Bergoli, e o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Edmilton Ribeiro, vão tirar dúvidas e prestar informações sobre procedimentos para decretar situação de emergência, solicitar serviços e recursos para reconstrução de pontes.

As cidades afetadas são: Água Doce do Norte, Águia Branca, Apiacá, Aracruz, Bom Jesus do Norte, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Colatina, Domingos Martins, Governador Lindenberg, Ibatiba, Itaguaçú, Itarana, João Neiva, Laranja da Terra, Linhares, Marechal Floriano, Nova Venécia, Pancas, Piúma, Rio Bananal, Santa Leopoldina, Santa Teresa, São Mateus, Serra, Santa Maria de Jetibá, Viana, Vila Velha e Vitória.


Segundo nota do governo, o Estado vai pedir cerca de R$ 20 milhões ao governo federal para assistência às vítimas e reconstrução das cidades. Os ministros da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, e dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, estiveram reunidos ontem com o governador Renato Casagrande, que pediu apoio a um pacote de projetos que incluem obras de desassoreamento e limpeza de rios.

Com áreas alagadas, moradores de Juatuba (MG) temem novos temporais; Estado soma 116 cidades em emergência

Rayder Bragon
Do UOL, em Juatuba (MG)

Ainda com áreas alagadas por conta de três enchentes recentes, moradores da cidade de Juatuba, localizada na região metropolitana de Belo Horizonte e a 42 km da capital mineira, temem que mais temporais resultem na cheia do ribeirão Serra Azul, que passa pelo município.

As inundações provocadas pelo transbordamento do ribeirão, no dia 17 de dezembro, na passagem do Ano Novo e na última sexta-feira (6), deixaram 290 pessoas desalojadas e desabrigadas na cidade. O município decretou situação de emergência desde a primeira inundação.


De acordo com o coordenador da Defesa Civil Municipal de Juatuba, José Iraldo Androciolli, 30 famílias estão alojadas em casas cujos aluguéis estão sendo pagos pela prefeitura. Outras preferiram ficar em moradias de parentes, vizinhos e amigos. Ainda conforme ele, apenas duas famílias estão em uma escola da cidade.

O coordenador informou que os bairros Francelino, Satélite, Nova Esperança e Varginha foram os mais atingidos pelas enchentes. Segundo ele, a preocupação da Defesa Civil é com áreas onde a inundação já produziu muitos estragos. “Estamos com esse receio porque tem áreas no município e na zona rural que foram bem castigadas pelas chuvas e as enchentes”, afirmou.


Para o aposentado Luiz Gonzaga da Costa, 65, morador do bairro Cidade Nova 1, a preocupação é também com novas tempestades. “A coisa aqui esteve feia. Se eles [temporais] voltarem, a situação poderá ficar pior, porque já tem muito barranco caído, ou prestes a cair. Há locais que já foram bastante prejudicados pela chuva”, disse.


De acordo com o Centro de Meteorologia da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), a partir desta terça-feira (10) o tempo deverá melhorar em grande parte do Estado. A frente fria que atuava em Minas Gerais está perdendo força, o que ocasionará uma pequena estiagem até o próximo sábado.


A Cemig informou que, por conta da elevação da temperatura, pancadas de chuvas isoladas poderão ocorrer em algumas regiões.


No próximo domingo, uma nova frente fria chega ao Estado, o que deverá ocasionar chuvas fortes em Minas Gerais, conforme o centro de meteorologia.

Famílias resistem a sair de área de risco

O servente Walace Ramos de Miranda, 20, avalia como preocupante a situação de várias famílias que invadiram há nove anos um terreno às margens da BR-262, logo na entrada da cidade. Conforme ele, o local está bastante degradado por conta das chuvas das últimas semanas.

“Se chover mais lá, não sei o que será de nós. Eu queria ir para uma casa. Não quero ficar em uma escola, é muito sofrimento. Nesses locais, a gente não tem privacidade e tenho medo de ser roubado”, disse o servente, que afirmou ter procurado a prefeitura em busca de uma casa que seja alugada pela administração local.


Segundo o coordenador, alguns moradores do local resistem a irem para os abrigos públicos. “Nós oferecemos a eles vagas nas escolas. Fomos até ao local com o Corpo de Bombeiros, para que eles tentassem convencer as pessoas a sair de lá, mas algumas não querem se mudar do local”, afirmou.


Situação no Estado


O número de cidades em situação de emergência em Minas Gerais passou nesta segunda-feira (9) de 104 para 116, e o número de mortes causadas pelo período chuvoso subiu para 15, de acordo com a Defesa Civil Estadual.

Dos 15 mortos, 13 morreram somente nesta primeira semana de 2012. Ao todo, três pessoas estão desaparecidas e 36 se feriram.


Três óbitos foram confirmados ontem na cidade de Além Paraíba, localizada na zona da mata de Minas Gerais e distante 380 km de Belo Horizonte. Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, um homem de 50 anos, ainda não identificado, morreu soterrado por um deslizamento de terra que atingiu sua casa. Uma criança de 3 anos e a mãe foram arrastadas pela enxurrada. Uma mulher ainda está sendo procurada pelos bombeiros.


Os bombeiros informaram que a energia elétrica e a telefonia da cidade foram afetadas pelos estragos causados pela chuva. Os moradores em área de risco foram socorridos durante o dia pelos bombeiros, com a ajuda de barcos e de um helicóptero. Homens do setor administrativo do 4º Batalhão, situado em Juiz de Fora (MG), também foram acionados.


Duas pessoas morreram em Governador Valadares após o deslizamento de uma encosta na última sexta-feira (6): Nilson Jânio Andrade, 43, e Marlene Pinheiros da Silva estavam em casa quando foram soterrados. Já Flávio Adão Silva, 24, foi arrastado pela correnteza de um rio em União de Minas. Em Guaraciaba, Edmar João Vila, 23, foi levado pela enxurrada ao tentar atravessar uma rua.


Durante a semana passada, morreram em um deslizamento de terra na rodoviária de Ouro Preto os taxistas Juliano Alves, 28, e Denílson Maciel de Araújo, 26. Janilson Aparecido de Moraes, 40, morreu no desabamento de prédio em Belo Horizonte. Maria de Lourdes Estevão Rocha, 78, também foi atingida por deslizamento, mas na cidade de Visconde do Rio Branco.


Em Guidoval foram dois mortos: João Paulo Coelho, 81, foi surpreendido por uma inundação dentro de casa e morreu afogado, e Genésio Cândido Martins Silva, 42, foi levado pela correnteza durante um temporal na cidade.


No final de 2011, morreram o motociclista Admardo Pereira, 43, atingido por um tronco de árvore durante temporal em Reduto, e Poliane Alves de Oliveira, 27, levada pelas águas de um ribeirão em Governador Valadares.


Rita Vieira de Souza, moradora de Santo Antônio do Rio Baixo, e Vanis Silencio Ferreira, de União de Minas, estão desaparecidas.


As últimas cidades a decretarem a situação de emergência foram: Resplendor, Galiléia, Presidente Bernardes, Santana de Pirapama, São Francisco, Governador Valadares, Cachoeira da Prata, Eugenópolis, Piranga, Coração de Jesus, Santos Dumont e Barroso. No total, 167 municípios enfrentam problemas causa dos pelas chuvas.


Segundo a Defesa Civil estadual, 12.875 pessoas estão desalojadas e 1.240, desabrigadas. Ao todo, 2.251.574 pessoas foram afetadas.