19 novembro 2011

Grandes empresas anunciam adesão à energia de fonte eólica

DA FRANCE PRESSE

O Deutsche Bank e a Bloomberg se comprometeram nesta sexta-feira a obter 25% de sua energia dos ventos. Todas passarão a exibir um selo para destacar a adesão à energia eólica.

A ideia do selo, que será denominado "WindMade" (feito de vento), foi anunciada pela primeira vez no Fórum Econômico Mundial de Davos, em 2010.

"Acreditamos em dar o exemplo. Aumentamos o uso de energia limpa de 7% para 65% nos últimos quatro anos", afirmou Sabine Miltner, do Deutsche Bank.

"O [selo] WindMade é um passo importante rumo à transparência dos mercados e estamos contentes por nos unirmos a esta nova associação", acrescentou.

As empresas podem usar o selo se pelo menos um quarto de sua energia for eólica. Ele também estabelecerá a proporção de energia eólica na empresa, especificando se sua participação é global, regional ou em m único estabelecimento.

"O governo fez a sua parte e agora depende da comunidade empresarial demonstrar liderança e compromisso com o desenvolvimento de energia limpa. O selo WindMade nos dá um mapa para alcançarmos isto", afirmou Curtis Ravenel, da Bloomberg.

As companhias Method, Better Place, Widex, Droga5, G24 Innovation, Engraw, RenewAire, TTTech, Vestas Wind Systems e PwC DK também fazem parte da iniciativa.

17 novembro 2011

Chuva faz Jaú decretar situação de emergência

Band

A cidade de Jaú, no interior de São Paulo, decretou estado de emergência depois da pior chuva dos últimos 30 anos. Pelo menos seis casas desabaram e quase 300 famílias estão desabrigadas.

Especialistas alertam para risco de escassez de água

Por Eduardo Belo | Para o Valor, de São Paulo

Engana-se quem acredita que o novo texto do Código Florestal trará benefícios aos grandes produtores agrícolas em detrimento do meio ambiente e do restante da sociedade. O prejuízo será geral e irrestrito, caso o texto em tramitação nas comissões do Senado mantenha alguns vícios que adquiriu desde o relatório original, votado na Câmara. Essa é a opinião de cientistas. O conjunto das opiniões mostra que, se aparentemente, o setor rural ganha, a curto prazo, com o aumento da área disponível e do desmatamento, sofrerá, no futuro, como toda a sociedade, os efeitos da ação predatória.

A primeira consequência será a escassez de água. A redução da vegetação nas margens dos rios e a falta de proteção às nascentes irão provocar a redução da oferta do produto. Nascentes vão secar, rios menores sofrerão rápido processo de erosão e os maiores, que recebem água dos pequenos, ficarão assoreados. "Vai faltar água para a própria agricultura", afirma José Galizia Tundisi, presidente do Instituto Internacional de Ecologia (IIE). Segundo ele, a agricultura responde por 70% da água consumida no Brasil.

Tundisi diz que o texto do novo Código erra ao fixar medidas para as florestas ripárias - contíguas aos cursos d"água. "Isso varia conforme o rio, a região, o bioma. Essa questão tem de ser decidida em função do tamanho do rio e da área de inundação. É antilógico e anticientífico fixar uma barreira de cinco ou dez metros." Segundo ele, o custo é também econômico. A degradação da área de mananciais não só reduz a possibilidade de captação, mas também aumenta o custo do tratamento de água.

Como o texto ainda pode ser alterado, os cientistas não projetaram ainda quais serão os impactos, mas preveem várias consequências, tidas como inevitáveis. Ocorrerão mais desmatamentos, assoreamentos de rios, inundações de cidades, mais emissão de CO2, deslizamentos de encostas, redução de produtividade depois de alguns anos de uso da terra, entre outros, destaca José Antônio Aleixo da Silva, secretário da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e coordenador do grupo de trabalho da entidade na análise do Código Florestal.

O texto estimula o plantio em áreas alagadas, "o que é um erro muito grave", diz Tundisi. O país tem 600 mil quilômetros quadrados dessas áreas, com papel importantíssimo no controle de enchentes, nos ciclos hídricos, na reciclagem de nutrientes e na manutenção da biodiversidade aquática e terrestre. 

Estimula o plantio em várzeas, um erro muito grave. Da forma como o novo Código está sendo concebido, parece que a vegetação não tem papel ativo no ciclo hidrológico e, por isso, pode-se desmatar. Mas a vegetação é fundamental. Ela evapotranspira e 30% da água da atmosfera vêm da vegetação.

Para o biólogo Jean Paul Metzger, pesquisador da Universidade de São Paulo, a comunidade científica entende que o Código pode prever algumas exceções, sobretudo no caso de alguns produtos e da agricultura familiar. "Arroz em várzea, pecuária no Pantanal, café, maracujá, maçã, uva que precisam de encostas ou áreas de topo de morro, tudo isso precisa de um tratamento especial", defende.

"Muitos desses produtos são de baixo impacto, por serem perenes, ou explorados de forma extensiva como a pecuária no Pantanal. Mas isso representa uma porcentagem muito baixa da agropecuária brasileira, menos de 10%". O que ele não concorda é anistiar o desmatamento de áreas de proteção, principalmente para culturas de exportação.

Metzger demonstra especial preocupação com o fim da proteção às áreas de várzea e o impacto que isso pode ter no controle de enchentes. Para ele, liberar o desmatamento de áreas alagadas ou em encostas apenas para justificar exceções é um equívoco grave. "Não tem cabimento a gente pegar a exceção para justificar uma mudança completa. Além disso, estimula a ocupação de áreas de risco", explica. O biólogo lembra que nas inundações que destruíram a região serrana do Rio de Janeiro no começo deste ano, 80% dos prejuízos materiais ocorreram numa faixa de 30 metros ao longo dos rios, faixa que, em muitos casos, estava irregularmente ocupada.

As principais mudanças defendidas pela comunidade científica no texto da lei incluem acabar com a divisão entre áreas de preservação permanentes e transitórias. O transitório é o passivo ambiental, a área degradada, que, se não for considerada permanente e não estiver sujeita a recuperação, pode representar uma perda definitiva da cobertura vegetal. Outro aspecto importante é a defesa dos manguezais, excluídos das áreas de preservação permanente (APPs).

Essas e outras advertências da comunidade científica foram oferecidas aos congressistas pela SBPC no livro "O Código Florestal e a ciência. Contribuições para o diálogo". O livro, elaborado durante um ano, aponta os pontos que precisariam ser modificados e os argumentos científicos para embasar a questão. Segundo Aleixo, a obra causou "grande impacto" entre congressistas, mas nas votações tem prevalecido a força da bancada ruralista, principal interessada na manutenção do texto como está.

Os documentos mostram que o argumento de que vai faltar área para alimentação não tem validade, diz Metzger. Segundo ele, a área ocupada pela produção de alimentos destinados ao mercado interno está estável nos últimos anos. O que cresce é a produção de commodities exportáveis. "Então o Código, do jeito que está, vai favorecer um grupo reduzido de agricultores, que não precisam necessariamente desse tipo de estímulo".

O texto enviado pela SBPC procura argumentar que não existe o dilema entre conservar/preservar o ambiente e produzir alimentos. Argumentam que, com um aumento marginal da produtividade da pecuária brasileira, muitas áreas de pasto poderiam ser liberadas para plantios agrícolas, dispensado a derrubada de florestas para esse fim. A entidade também defende o fim da anistia para os desmatamentos ocorridos nas APPs até 2008, a restauração de toda área desmatada à beira dos cursos d"água, a manutenção dos manguezais, salgados e apicuns como áreas de preservação permanente e a compensação da Reserva Legal o mais próximo possível da área desmatada, entre outros aspectos.

O senador Jorge Viana (PT-AC) reforça papel de conselhos estaduais no Código Florestal

Por Raquel Ulhôa | Valor 
De Brasília

O senador Jorge Viana (PT-AC) apresenta hoje seu relatório sobre o projeto de reforma do Código Florestal na Comissão do Meio Ambiente (CMA), a última a analisar o mérito da proposta antes da votação no plenário da Casa.

Uma novidade é que ele pretende dar atribuição aos conselhos estaduais do meio ambiente para que estabeleçam, de acordo com as peculiaridades de cada Estado, que atividades de baixo impacto podem ficar na margem dos rios.

Também haverá um capítulo sobre agricultura familiar e outro sobre áreas urbanas. Viana também incluirá no texto os "princípios que devem nortear a lei", para que esclareçam eventuais dúvidas em sua interpretação.

Viana passou os últimos dias em intensa negociação com os setores envolvidos e com a Câmara dos Deputados, em busca de acordo, na tentativa de evitar resistências às mudanças que estão sendo feitas no Senado, quando a proposta for novamente submetida aos deputados.

"Estamos trabalhando na estruturação do relatório, para que fique bem claro que, se forem aplicados os mecanismos que eu e o senador Luiz Henrique (PMDB-SC) - que foi relator em três outras comissões e com quem Viana trabalha em conjunto- estamos criando, não teremos anistia a desmatadores nem daremos espaço para novos desmatamentos", disse.

Viana mantém a divisão feita por Luiz Henrique do texto em uma parte permanente, com o objetivo de evitar novos desmatamentos, e outra com disposições transitórias, que busca regulamentar as áreas com atividade econômica consolidada em Áreas de Proteção Permanente (APP).

"Está sendo construído um mecanismo que garante que essa regularização não signifique estímulo a novos desmatamentos nem uma anistia, mas sim um programa de recomposição ambiental, onde vamos também ter a participação de instâncias colegiadas dos Estados, como o conselho estadual do meio ambiente, na definição de critérios para definir que atividades ficam nas áreas de margem de rio, sem prejuízo ao cumprimento da lei de recomposição dos 15 metros nas margens de rio de até 10 metros de largura."

Viana incluiu uma seção sobre agricultura familiar, outra sobre as ocupação da margem dos rios urbanos e os princípios que regem a lei. "Na dúvida de um artigo ou outro, é só ler os princípios que orientam a lei", disse.

Com relação à questão urbana, o petista afirmou que não se pode permitir mais as atividades ilegais na margem dos rios nas cidades. "Não podemos ficar sem levar em conta as áreas de risco urbanas. O Brasil hoje é um país urbano, com 84% da população vivendo nas cidades."

Segundo Viana, o código precisa estabelecer "novo regramento para as áreas para ocupação urbana, levando em conta as áreas de risco. Onde for área de risco, tem que ser reafirmado o compromisso de, em defesa da população, o poder público fazer a intervenção, tirar as pessoas. Os desastres naturais se multiplicam nas cidades, e boa parcela por conta dos desmoronamentos, de ocupação indevida de áreas de preservação permanente nas cidades". 

Advogados identificam "retrocesso" no projeto que tramita no Senado 

O Brasil é conhecido por formular boas leis que não "pegam". Uma delas é o Código Florestal de 1965, considerado pelos especialistas como "adequado" às necessidades do país, embora tenha sido descumprido em muitos aspectos, principalmente na questão do desmatamento. Agora, o Congresso Nacional prepara-se para inverter a lógica e piorar a lei, com um novo Código que, na opinião dos advogados e defensores do meio ambiente, é claramente um retrocesso em relação à lei em vigor.

A proposta está transformando o Código Florestal em um código agrícola, ataca André Lima, advogado ligado ao Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). Antes, a lei protegia as áreas florestais. Com as alterações promovidas, passará a "legalizar" desmatamentos irregulares, sem a perspectiva de recuperaras as áreas devastadas.

Retrocesso, aliás, é a palavra mais ouvida entre os advogados e estudiosos do tema. O aspecto mais criticado é a anistia a quem promoveu desmatamento irregular de 1998 até 2008 - data da lei de crimes ambientais. A palavra anistia não aparece no texto, o que serve de argumento para quem nega que ela vá ocorrer. Na prática, é o que o projeto propõe ao considerar consolidadas como áreas agrícolas os desmatamentos irregulares e omitir a necessidade de recuperação ou compensação delas, aspecto previsto no Código em vigor.

Depois de aprovado pela Câmara dos Deputados, o projeto de lei recebeu modificações introduzidas pelo senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), relator da matérias nas comissões de Agricultura, Constituição e Justiça do Senado. "O relator fez algumas modificações positivas, porém acessórias", comenta o advogado Raul Telles do Vale, do Instituto Socioambiental (ISA). "O mais danoso é a ideia, impregnada no texto, de que todo desmatamento feito até 2008, ilegal ou legal, mas sobretudo ilegal, será perdoado, ou seja, não será recuperado." Mais do que isso, como está a lei não prevê o que vai ocorrer com os novos desmatamentos e nem sanções para quem já desmatou e não recuperou, adverte Lima.

A anistia aos desmatadores pode ser um problema sério, mas não é o único a preocupar, segundo Telles do Vale. "Existem outros dispositivos que aumentam o desmatamento, geralmente em áreas protegidas". Na regra atual, existe a possibilidade de desmatar em beira de rio em casos especiais. 

São exceções, previstas em situações de utilidade pública, mas é preciso provar a necessidade de a obra ser feita ali. "Agora, não está claro quem vai autorizar, não é preciso comprovar a necessidade de desmatar a área nem se exige compensação."

A redação foi baseada numa resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Na conversão do texto, palavras foram substituídas e omitidas, alterando o espírito da resolução. Um exemplo: o Código atual prevê replantio de espécies nativas produtoras de semente para recuperar a vegetação das margens de rio. Eliminada a palavra nativa, o novo texto permite o plantio de qualquer espécie produtora de sementes, como soja. "Em uma análise simplificada, o texto geral é bom e o das disposições transitórias é muito ruim, precisaria de uma série de adequações", comenta Gustavo Trindade, sócio do escritório Trindade Lavrati Direito Ambiental.

Mesmo os avanços são vistos com ressalva. "O relatório de Luis Henrique permite usar áreas de preservação permanente para atividades de utilidade pública, e lista algumas atividades de interesse social". O novo texto se esquece de considerar essas intervenções em áreas de preservação como exceções, o que abre a possibilidade de novos desmatamentos. Trindade ainda pede que a lei contenha dispositivos para a recuperação florestal urbana, tema praticamente ignorado no novo texto.

As esperanças de o texto ser "consertado" recaem sobre a Comissão de Meio Ambiente do Senado, última etapa antes da votação no plenário. A relatoria do texto coube a Jorge Vianna (PT-AC), tarefa para qual o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) promete colaborar. Ambos se comprometeram a retirar do projeto "os dispositivos que favorecem apenas os grandes produtores rurais".

Caso o texto seja aprovado com os aspectos considerados negativos pelos ambientalistas, só restará o veto presidencial para impedir a piora do Código. A presidente Dilma Rousseff se comprometeu, por escrito, durante a campanha eleitoral, a não aceitar anistia nem aumento do desmatamento.

"Acreditamos que vamos conseguir, na Comissão de Meio Ambiente, colocar o projeto no caminho da razoabilidade", diz Silva Telles. Para ele, o Código não precisa ser inflexível. "Não tem necessariamente de recuperar 100% do que foi desmatado. Pode haver exceções. Mas são necessárias propostas razoáveis para resolver boa parte dos problemas." Para o advogado do ISA, se os senadores não conseguirem isso, "a presidente será constrangida a vetar o projeto". E, no caso de veto, provavelmente precisará ser integral porque os parciais podem deixar o Código omisso em relação a vários pontos cobertos pela lei atual.

Água é desafio na Amazônia internacional

Região formada por nove países guarda a maior reserva do planeta, mas não oferece água de qualidade

MARTA SALOMON, ENVIADA ESPECIAL A BELÉM - O Estado de S.Paulo 

Com mais de 40% dos seus 7,8 milhões de quilômetros quadrados já protegidos na forma de unidades de conservação ou territórios indígenas, a Amazônia guarda a maior reserva de água doce do planeta, mas não oferece água de qualidade para parte de seus 34 milhões de habitantes.

O quadro paradoxal da sustentabilidade ambiental da floresta é traçado por estudo com informações dos nove países que abrigam a Amazônia. As razões para pensar a Amazônia além das fronteiras dos países são várias: do impacto de investimentos crescentes em energia e infraestrutura ao avanço da exploração de commodities e a conservação das nascentes dos principais rios, que ficam fora do Brasil.

Entre as metas dos Objetivos do Milênio estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) para 2015, a queda do desmatamento aparece entre as que podem ser alcançadas nos próximos quatro anos. Dono de mais da metade (64,3%) do território da Amazônia, o Brasil contribui com 71,8% do desmate da floresta. E puxa a contabilidade total para baixo, com a redução das taxas oficiais obtidas nos dois últimos anos, ainda que as pressões não tenham sido superadas.

Mas o estudo coordenado pelo Fórum Amazônia Sustentável e pela Articulação Regional da Amazônia aponta um conjunto maior de metas que dificilmente serão alcançadas, a começar pelo objetivo número um da ONU, que cuida de reduzir a pobreza extrema pela metade.

O estudo, divulgado ontem no Congresso sobre Cenários e Perspectivas para a Pan-Amazônia, em Belém, indica que 42% da população da Amazônia brasileira vive abaixo da linha da pobreza. Para isso, considerou renda superior aos programas de erradicação da pobreza extrema e Bolsa-Família, que tratam como indigente a família com renda abaixo de R$ 70 mensais por pessoa.

A situação, baseada em dados oficiais disponíveis, é bem melhor que a da Bolívia, país com o pior desempenho no combate à pobreza no grupo. Considerada uma renda mínima de US$ 0,75 por dia, a Amazônia boliviana teria 60% de seus habitantes abaixo da linha da pobreza. Apenas a Venezuela conseguiu cumprir o compromisso de reduzir à metade o porcentual da população sob pobreza extrema.

Todos os países da região com dados sobre educação disponíveis têm deficiências. O acesso à escola aumentou, assim como o tempo de estudo, mas ainda é alta a taxa de analfabetismo na população com 15 anos ou mais. No Brasil, o porcentual de analfabetos nessa faixa de idade é de 11%; na Bolívia, alcança 17%.

Na saúde, cresceu o índice de mortalidade materna, deixando a realidade mais distante dos objetivos do milênio com os quais os países se comprometeram.

O estudo aponta a criação de áreas protegidas e territórios indígenas como a ação mais eficiente para conter o desmate na Amazônia, ainda que essas áreas não estejam imunes às motosserras. De acordo com a contabilidade apresentada, 41,56% da Amazônia estaria sob diferentes graus de proteção - de estações ecológicas a parques nacionais e reservas extrativistas. O porcentual inclui as reservas indígenas.

Ao todo, seriam 3,2 milhões de km2 de floresta nessa condição. Embora o País tenha, sozinho, quase 2 milhões de km2 protegidos, o porcentual é menor que o de países como Venezuela, Colômbia e Bolívia. Como no Brasil, a expansão da fronteira do agronegócio é apontada como a principal causa de desmate.

As condições de abastecimento de água e saneamento básico - prioridades da ONU – são consideradas "precárias". Na Amazônia brasileira, o abastecimento de água é adequado para 66% da população. O saneamento alcançaria pouco mais da metade (51%) da população. A situação é um pouco melhor que a média da região, onde menos de 10% têm acesso a rede de esgoto.

PF abre inquérito contra Chevron

Delegado afirma que empresa mente e omite informações sobre vazamento de petróleo

Liana Melo e Ramona Ordoñez – O Globo 

Uma semana depois do início do vazamento de petróleo provocado pela gigante americana Chevron no litoral fluminense, a Polícia Federal anunciou ontem que vai instaurar um inquérito para apurar o acidente no campo de Frade, na Bacia de Campos. A decisão foi tomada pelo chefe da delegacia de Meio Ambiente da PF, Fábio Scliar, após vistoria feita por sua equipe, na última terça-feira, dia 15.

Scliar constatou, com base nos dados levantados pela delegacia, que a Chevron estaria "omitindo informações" e que "o acidente parece ser mais grave" do que vem sendo divulgado oficialmente pela empresa. Ontem, a Chevron informou que o volume vazado desde o início do acidente é de 400 a 650 barris. A estimativa da Agência Nacional de Petróleo (ANP) é bem maior: mil barris. A agência informou estar estudando as "medidas cabíveis" para o caso, mas não deu detalhes.

- Há muitas inconsistências e mentiras que vêm sendo ditas pela Chevron. O dano ambiental deste acidente é de proporções incalculáveis - denunciou Scliar, comentando que, durante a inspeção à plataforma, os funcionários da própria Chevron teriam informado não haver previsão para conter o vazamento. - A rachadura no solo de onde está vazando óleo, no fundo do mar, tem uma extensão de 280 metros a 300 metros.

Segundo informações do delegado, a Chevron, que opera o Campo de Frade em parceria com a Petrobras, teria perfurado o poço 500 metros além do que havia sido programado. 

Informações desencontradas 

É um acidente rodeado de informações desencontradas. A Chevron informou, no domingo, que o fechamento do poço começou naquele dia. Ontem, em nota oficial, nova informação da ANP: o fechamento do poço começou às 12h30m de ontem, e a cimentação deverá ser concluída num prazo de 20 horas. A incoerência de dados não para por aí:

- Nossa equipe viu só um barco dando apoio à operação e não uma frota de 17 navios, como anunciado pela Chevron - afirmou o delegado.

Oficialmente, a operação de contenção, segundo a Chevron, estaria sendo feita por 17 embarcações, "oito trabalhando na mancha, com seis embarcações trabalhando em duplas para conter e recuperar o óleo perto da cabeceira da mancha e dois barcos trabalhando na sua cauda para dispersão mecânica". E as "embarcações de apoio transportam equipamento de resposta a emergências, tais como barreiras de contenção e skimmers".

Se for comprovado crime ambiental, Scliar antecipou que os responsáveis podem cumprir pena de um ano a quatro anos de cadeia. Podem ser indiciados o chefe da perfuração do poço, os demais responsáveis da operação, assim com a própria empresa.

Ao ser questionada sobre o inquérito da PF, a Chevron, por email, respondeu que "respeita as leis dos países onde opera e está mantendo diálogo constante com as agências competentes do governo brasileiro".

O secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc, vai sobrevoar a área afetada amanhã. O sobrevoo será feito a bordo de um helicóptero da Marinha, na companhia da presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos.

- Já temos a informação que, neste período do ano, a área atingida está na rota de migração de várias espécies, como as baleias jubarte, mink-anã e a baleia-de-brybe, além dos golfinhos-nariz-de garrafa e pintado-do-atlântico - disse Minc, acrescentando que há temor com um fenômeno natural conhecido como Rotor, que pode espalhar a mancha de óleo para a costa brasileira, nas praias de Rio das Ostras, Campos e Macaé. - Ainda não estamos correndo este risco, mas se os ventos mudarem...

O acidente da Chevron está, na avaliação de ambientalistas, rodeado de muitas perguntas sem respostas. Para a coordenadora da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace, Leandra Gonçalves, o acidente deveria estar servindo de alerta para o governo repensar as licitações para exploração de petróleo.

- O Campo de Frade é um dos maiores em produção de petróleo no Brasil desde 2009 e, se o vazamento se deu por uma falha geológica, essa falha deveria ter sido prevista no estudo de impacto ambiental. O governo está investindo muito dinheiro na exploração em alto-mar de petróleo com pouco ou quase nenhum plano de segurança. Essas operações são de altíssimo risco - denuncia.

A causa provável do acidente, segundo a Chevron, seria uma falha geológica localizada a cerca de 150 metros de um poço injetor que estava sendo perfurado. O Ibama ainda não confirmou ou rechaçou a versão apresentada pela empresa dos Estados Unidos. A empresa informou que a mancha segue em direção sudeste, afastando-se da costa.

Leandra chama atenção para o fato de que, apesar de a presidente Dilma Rousseff ter pedido, na última sexta-feira, "atenção redobrada e uma rigorosa investigação das causas do acidente". O Ibama informou que está acompanham o cumprimento do plano de emergência da petroleira e, na noite de ontem, divulgou um comunicado, assinado pelo presidente do órgão, Curt Trennepohl, em que esclarece que a "empresa será autuada assim que o vazamento for estancado, pois o valor da multa é proporcional ao dano ambiental causado".

- Nunca tivemos uma política ambiental transparente em nenhuma das esferas do governo, mas a situação piorou. Exploração de petróleo tem riscos sérios, e eles estão sendo tratados sem transparência - acrescentou o cientista político Sérgio Abranches, especialista na área ambiental.

A plataforma usada pela Chevron, a Sedco706, é da empresa Transocean, que esteve no centro do acidente da BP, no Golfo do México, em 2010.

Acúmulo de lixo em piscinões da Grande SP eleva risco de enchentes

EDUARDO GERAQUE
DIEGO PADGURSCHI
 
 
FOLHA DE SP
DE SÃO PAULO

A temporada de chuvas começou e o acúmulo de lixo e terra nos piscinões de cidades da região metropolitana de São Paulo aumenta o risco de cheias também na capital paulista.

Em vez de solução, a Folha ouviu de prefeituras e do governo do Estado a mesma resposta: não são responsáveis pela limpeza dos piscinões. 

O jogo de empurra deve terminar na cidade de São Paulo. Como todos os rios e córregos da região metropolitana chegam ao rio Tietê, se a água que deveria ficar represada pelos piscinões seguir rio abaixo, fatalmente chegará ao município e afetará a vida de milhões de paulistanos. 

Foi o que aconteceu em janeiro deste ano, causando inundação em plena marginal Tietê.  

Diego Padgurschi/Folhapress

Menino atravessa córrego Oratório no meio do mato alto e entulho que há em um dos piscinões de Mauá

TERRA, MATO E LIXO  

Em Diadema e Mauá, que têm sete reservatórios para atenuar as enchentes de verão, a capacidade de armazenamento de água está menor por causa do quantidade de terra, mato e lixo. 

Em Mauá, o piscinão Sonia Maria é um retrato da falta de limpeza dos reservatórios de água da chuva. Muita terra e mato alto são visíveis e mostram que faz tempo que nenhuma máquina passa por ali para fazer a limpeza. 

Em Diadema, no piscinão Imigrantes, garrafas plásticas e muito lixo podiam ser vistos, nas vésperas das primeiras chuvas fortes da temporada, que ocorreram no início do feriado prolongado.  

Em São Bernardo do Campo, três piscinões -- Vila São José, Ford Fábrica e Bombeiros -- estão sujos. 

Editoria de Arte/Folhapress


LICITAÇÃO FUTURA  

O DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), órgão estadual responsável pela construção dos piscinões na região metropolitana de São Paulo, afirmou que a responsabilidade pela limpeza dos piscinões estaduais é das próprias prefeituras. 

O órgão assegura que só assumirá a limpeza dos 25 piscinões da região metropolitana depois que uma lici- tação que está em curso terminar -- o que não deve ocorrer antes de 2012. 

De acordo com o DAEE, 245 mil metros cúbicos de sedimento e lixo serão retirados do fundo dos reservatórios em um investimento que totaliza R$ 40 milhões.  

FAXINA  

As administrações municipais dizem que a faxina nos piscinões é uma responsabilidade do próprio governo do Estado, por meio do DAEEE.

A Prefeitura de Diadema, afirma que apenas doou parte dos terrenos onde estão os três piscinões do município. "A retirada de resíduos é de responsabilidade do DAEE", disse a administração, por meio de nota. 

"O trabalho de roçada e capinação dos locais, de responsabilidade da prefeitura, está sendo feito", afirmou o governo municipal.  

Em São Bernardo do Campo, de acordo com a prefeitura, a previsão é que "tudo esteja limpo até dezembro".  

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Mauá não se pronunciou. 

Colaborou ALENCAR IZIDORO

16 novembro 2011

França detecta no ar rastros de iodo 131 de resíduos radioativos

Em Paris

O Instituto de Radioproteção e de Segurança Nuclear (IRSN) da França informou nesta terça-feira que foram encontrados rastros de iodo 131 no ar do país, que são atribuídos aos resíduos radioativos de outra região ainda não identificada.

O órgão antecipou que os primeiros resultados apontam níveis de concentração "próximos aos limites de detecção das ferramentas de medição". Embora sua presença "não seja habitual nessa escala", o IRSN explica que não há "nenhum risco para a saúde da população".

A origem e a data em que esses resíduos foram lançados ainda não foram descobertas, segundo o IRSN. Porém, "diversas considerações" permitem descartar que o resíduo tenha vindo de Fukushima, já que "o iodo 131 espalhado após o acidente nuclear de março praticamente desapareceu, incluindo nos reatores".

O instituto acrescentou que "embora as concentrações registradas na França sejam 100 vezes menores do que as observadas após o acidente, teria sido necessária uma emissão maior no Japão para alcançar tal nível, o que teria possibilitado detecções mais precoces".

Em nota divulgada, o instituto afirma que está tentando localizar a procedência dessa massa de ar que trouxe o iodo até à França, além de manter uma vigilância "específica e ativa".

As primeiras análises captadas pelo IRSN ocorreram depois que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou, na última sexta-feira, da aparição de um rastro de resíduos de iodo 131 em diversos países do centro da Europa.

Sobe para 564 o número de mortos pelas inundações na Tailândia

DA EFE, EM BANCOC

As autoridades da Tailândia afirmaram nesta quarta-feira que já são 564 os mortos pelas inundações que atingem 22 províncias do país há três meses e ameaçam o centro comercial de Bancoc. 

A água ainda afeta mais de cinco milhões de pessoas, informou o Departamento de Prevenção e Mitigação de Desastres. 

Embora o nível de água comece a diminuir nas províncias do planalto central e na capital, as autoridades estão atentas para drenar os milhões de metros cúbicos contidos por barreiras de cimento e sacos de areia. 

Com uma capacidade de drenagem de 400 milhões de metros cúbicos por dia, o Departamento de Irrigação do governo acredita que poderá levar para o mar a água que cerca Bancoc. 

As autoridades locais da capital não creem que a situação melhore nas próximas semanas e alguns moradores se revoltaram e tentaram romper os diques para despejar a água que inunda alguns bairros periféricos. 

As inundações, que obrigaram a centenas de milhares a viver em centros de evacuação, começaram no último mês de julho com o transbordamento de rios e pântanos do norte e da região central por conta das chuvas da monção e de três tempestades tropicais consecutivas.

AIEA afirma que há radiação acima do normal na Europa

DA EFE, EM VIENA
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) comunicou nesta sexta-feira em Viena que recebeu das autoridades da República Tcheca informações sobre "níveis muito baixos" de iodo-131 medidos na atmosfera sobre o país. A quantidade apresentada, porém, veio acima do normal. 

Conforme a agência nuclear da ONU, o mesmo foi registrado em outros países da Europa central. 

"A AIEA acredita que os níveis atuais do iodo-131 não constituem nenhum risco à saúde pública e garante que os mesmos não são consequência do acidente nuclear de Fukushima Daiichi no Japão", afirma o comunicado emitido em Viena.

O iodo-131 é um isótopo radioativo de curta vida com desintegração radioativa de oito dias. 

A AIEA afirma que está "trabalhando para identificar a causa e a origem da presença do iodo-131" e adianta que manterá informado ao público por meio de seu site.

Estudo revela índices de césio a 500 quilômetros de Fukushima

Em Tóquio

Um estudo realizado por pesquisadores internacionais revela indícios de césio radioativo, em níveis inferiores aos limites de segurança, em áreas situadas a mais de 500 quilômetros da usina nuclear de Fukushima, informou nesta sexta-feira o canal de televisão pública "NHK".

O estudo, do qual participaram três pesquisadores japoneses, simula a propagação do material radioativo e o compara com amostras tomadas no solo e nas plantas durante um mês a partir do dia 20 de março, nove dias depois do início da crise nuclear na central de Fukushima Daiichi.

Os resultados sugerem que restos de césio-137, um material radioativo com uma vida média de 30 anos, teriam chegado a um nível de 250 becquereles por quilo em algumas zonas da ilha de Hokkaido e uns 25 becquereles por quilo nas áreas montanhosas das regiões de Chugoku e Shikoku, segundo a "NHK".

O estudo, publicado na revista americana "Proceedings of the National Academy of Sciences", detalha que o césio poderia ter se acumulado ali por causa da chuva e assinala que os níveis detectados não requerem descontaminação.

No entanto, advertem que seria necessário descontaminar áreas da província de Fukushima próximas à central, onde os limites de césio estariam acima dos considerados seguros para o cultivo.

O estudo coincidiu com o anúncio de um grupo de cientistas e veterinários japoneses que analisarão a radiação no gado da zona de exclusão decretada pelo Governo em um raio de 20 quilômetros da usina de Daiichi.

Segundo os pesquisadores, 3.500 cabeças de gado pastam selvagens em Minamisoma depois que os criadores evacuaram a zona depois do pior acidente nuclear dos últimos 25 anos.

O grupo capturou 70 vacas para analisar seus índices de contaminação radioativa e obter dados que permitam calcular o impacto da radiação nos alimentos e o grau de exposição nos seres humanos.

15 novembro 2011

Chevron diz que conseguiu reduzir vazamento de poço de petróleo

FOLHA DE SP
DE SÃO PAULO

A Chevron informou que conseguiu reduzir o fluxo de petróleo do poço explorado pela multinacional, que desde a semana passada apresenta vazamento.

A empresa afirma que as operações de controle do poço -- aprovadas pela ANP (Agência Nacional de Petróleo) no último domingo -- "foram bem sucedidas e não há indícios de qualquer fluxo de fluido no poço".


A mancha de óleo está localizada a 120 km da costa de Campos, deslocando-se na direção sudeste, afastando-se do litoral. Segundo a ANP, a área da mancha seria de 163 quilômetros quadrados, de acordo com dados fornecidos pela Chevron. A estimativa de óleo em superfície no dia 13 era entre 521 e 882 barris (83 e 140 metros cúbicos).

A Chevron está realizando o selamento e o abandono do local.

De acordo com a ANP, o abandono aprovado prevê o uso de lama pesada para "matar" o poço e testar a eficácia dessa medida na parada do vazamento. Depois será utilizada cimentação para "matar" o poço de forma definitiva. "Segundo o cronograma previsto, o vazamento do poço deverá estar controlado nos próximos dias", informou a agência.

Divulgação/Chevron
Navios trabalham na limpeza de mancha de óleo na Bacia de Campos
Navios trabalham na limpeza de mancha de óleo na Bacia de Campos

A Chevron informou, em nota, que o monitoramento indica uma significativa redução na quantidade de óleo proveniente do poço. "Nos próximos dias, a empresa seguirá monitorando a situação durante o processo de selamento e abandono do poço, o que terminará na cimentação do mesmo."

A ANP informou que a causa do vazamento ainda é desconhecida. "A principal hipótese, levantada pela concessionária, é de que uma fratura provocada por procedimento de estabilização do poço tenha liberado fluido que vazou por uma falha geológica, formando a mancha identificada no dia 8", informou.

Dezoito navios estão na área parra tentar conter o vazamento: 8 da própria Chevron e outros 10 cedidos pela Petrobras, Statoil, BP, Repsol e Shell.

Vulcão no Congo vira atração turística

Band

O vulcão mais ativo da África entrou em erupção e se tornou a principal atração de um parque nacional na República Democrática do Congo.

13 novembro 2011

Petrolífera suspende perfuração na Bacia de Campos, no Rio

DA AGÊNCIA BRASIL

A empresa Chevron Brasil informou neste sábado (12), por meio de nota, que interrompeu as atividades de perfuração no Campo de Frade, na Bacia de Campos (RJ).


A companhia disse que o poço que estava sendo perfurado na região, onde ocorreu um vazamento de óleo, está fechado e que o volume vazado deve estar entre 404 a 650 barris.

A empresa acrescentou ainda que está coordenando uma frota de navios de apoio para dar suporte à operação, controlar a mancha e minimizar qualquer impacto ambiental.

A presidenta Dilma Rousseff determinou na sexta-feira (11) atenção redobrada e uma rigorosa apuração das causas do vazamento de óleo.