15 setembro 2011

Angra dos Reis discute despejo de esgoto na Lagoa

Tiago Rogero - O Estado de S.Paulo
 
Vereadores de Angra dos Reis fizeram sessão especial ontem para debater a poluição causada no trecho conhecido como Lagoa Azul, um dos pontos mais visitados por turistas na Ilha Grande. No mês passado, o Ministério Público do Rio recebeu denúncia sobre o despejo de esgoto e outros poluentes, resultado de reparos em navios e o excesso de transatlânticos na região.

 
Por mês, chegam cerca de 80 navios à cidade. Teste feito em março constatou alto índice de coliformes fecais na praia. Em Búzios, determinação da Secretaria do Estado do Ambiente, Marinha e prefeitura limitou os pontos de fundeio de transatlânticos no mar da cidade. Até abril, apenas dois navios poderão fundear ao mesmo tempo.

 
No Brasil, há mais de 40 portos para escalas de cruzeiros. Apesar da média de crescimento anual de 22% nos últimos cinco anos, o mercado de cruzeiros marítimos terá aumento na oferta de leitos de apenas 1,6% na próxima temporada (2011/2012), que começa em outubro. O número é recorde, mas, para a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos   (Abremar), representa um "sinal amarelo".

 
"O setor pisou no freio, não deu para avançar mais. Não há mais como crescer no Brasil", afirmou o vice-presidente da Abremar, André Pousada.

 
Na última temporada, 20 navios vieram ao País para cabotagem (navegação em portos do Brasil ou América do Sul por seis meses, em média). Foi a maior quantidade já recebida no Brasil, o que, segundo Pousada, deixou evidente a carência de infraestrutura. Nos próximos meses, virão 17 navios - 15% a menos.

Biólogos criam primeiros cromossomos sintéticos

Feito foi realizado com levedura usada há milênios para produzir pão e vinho

Micróbio reforça perspectiva de criação de organismos sob medida para indústria, como a de etanol


REINALDO JOSÉ LOPES

EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE - FOLHA DE SP

A era dos seres vivos sob medida ficou um pouco mais próxima hoje, com o anúncio de que cientistas nos EUA criaram os primeiros cromossomos ("novelos" microscópicos que abrigam o DNA) parcialmente sintéticos.

 
O feito dá mais peso aos planos de usar micro-organismos especialmente projetados para produzir biocombustível abundante e barato, fabricar plástico sem usar o petróleo como matéria-prima ou criar micróbios devoradores de poluição, entre outras possibilidades que ainda soam como ficção científica.

 
A viabilidade dessas ideias mirabolantes cresce graças à nova pesquisa porque o micróbio sintético é o fungo Saccharomyces cerevisiae, um velho conhecido da humanidade, usado como fermento biológico para pães ou para produzir vinho e cerveja. Leveduras parecidas com ele também são cruciais para a indústria do etanol, fermentando o caldo da cana. Mas mesmo os fungos mais adaptados ao uso industrial ainda deixam a desejar.

 
São "selvagens engarrafados", afirma Gonçalo Guimarães Pereira, que estuda organismos sintéticos na Unicamp. Segundo ele, é comum que, em plena safra de cana, as leveduras parem de realizar sua função quando estão sob estresse ou contaminadas. Com isso, a produtividade da usina acaba caindo.

 
Fabricar cromossomos inteiros desses organismos, a gosto do freguês, acabaria com essa "greve" das leveduras, aumentando muito a produtividade das usinas de etanol. E isso é só o começo.

 
Outros micróbios são capazes de produzir substâncias similares ao plástico ou de fabricar moléculas com potencial farmacêutico. Mas fazem isso em pequenas quantidades, porque seu organismo tem outras necessidades, ditadas pelo ambiente.

 
Um cromossomo artificial com os genes responsáveis por essas características vantajosas, inserido numa levedura industrial, poderia revolucionar a produção de matérias-primas. 

 
Essa é a meta dos criadores dos cromossomos sintéticos, cuja existência foi revelada na edição eletrônica da revista científica "Nature".

 
Jef Boeke e seus colegas da Universidade Johns Hopkins querem criar uma levedura 2.0, com genoma totalmente sintético. Ainda estão longe de fazer isso: criaram artificialmente apenas pedaços de dois dos 16 cromossomos que o micro-organismo possui.

 
Eles também embutiram nos micróbios um sistema controlado de mutações, capaz de gerar novas variedades das criaturas apenas quando os cientistas fornecem um hormônio a elas.

13 setembro 2011

AIEA aprova plano de ação para reforçar segurança nuclear

Agência AFP
 
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou por consenso nesta terça-feira um plano de ação que pretende reforçar a segurança das centrais nucleares no mundo, seis meses depois do acidente de Fukushima.

 
O plano, apoiado pelo conselho de ministros da AIEA, foi elaborado pelo diretor geral da agência, Yukiya Amano, e ainda precisa ser aprovado na próxima semana na conferência geral da instituição, que reúne 151 Estados membros.

 
O documento pede em especial aos países que recebam de maneira voluntária equipes internacionais para supervisionar as centrais, como complemento dos controles nacionais. Também recomenda a criação de equipes de intervenção rápida no caso de acidente em qualquer parte do mundo e um reforço do poder das autoridades de regulamentação.

 
Alguns países, especialmente a Alemanha, não esconderam que preferiam um plano mais ambicioso. A ideia do diretor da AIEA de fazer testes em 40 locais do mundo designados pela agência durante os próximos três anos não agradou alguns países, incluindo os Estados Unidos, segundo fontes diplomáticas. O conselho de ministros da AIEA, integrado por 35 países, prosseguirá com as reuniões até sexta-feira na sede da instituição em Viena.

Em estado crítico

Antonio Temóteo e Manoela Alcântara - Correio Braziliense
 
Imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o risco de fogo no DF está crítico. Somente nas áreas urbanas e no Lago Paranoá não existe a possibilidade de pequenos focos se alastrarem rapidamente. "Quando fazemos esses índices, consideramos a temperatura, a seca e o tempo sem chover. Brasília já está há 95 dias sem receber água. Um pequeno foco pode se alastrar rapidamente por uma grande área florestal", alertou o pesquisador do grupo de queimadas do Inpe, Fabiano Morelli.

 
Historicamente, este é o mês mais complicado na região. No ano passado, foram registrados 80 focos de incêndio em setembro. Apenas nos últimos três dias, 96 casos entraram na conta do Corpo de Bombeiros. Segundo a corporação, 250 militares especializados na prevenção e no combate a incêndios têm trabalhado em regime de escala para apagar as chamas espalhadas pelo DF. Além desse efetivo, outros 600 servidores são treinados para desempenhar a mesma atividade. Cada bombeiro atua por 24 horas seguidas no combate ao fogo e tem uma folga de 72 horas.

 
O major Mauro Sérgio de Oliveira, comandante do Centro de Comunicação Social do Corpo de Bombeiros, explica os cuidados necessários para que os oficiais se recuperem do trabalho exaustivo.

 
"Os bombeiros têm uma dieta especial durante as operações. Eles comem pouco para não passarem mal e depois do trabalho consomem alimentos e bebidas para repor as energias. Apesar do treinamento, são comuns alguns problemas respiratórios, distensões musculares e torções. Mas todos trabalham com muito empenho", explicou.

 
O major também detalhou que a dificuldade de acesso às áreas em chamas e a velocidade de propagação do fogo, aliados às altas temperaturas, à baixa umidade e aos ventos fortes são os principais obstáculos enfrentados pelos bombeiros. Também compõem a Força tarefa de combate aos focos de incêndio brigadistas, agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e aviões como o Hércules, da Força Aérea Brasileira.

74 parques da cidade queimados

Somente nos últimos seis dias, o fogo consumiu 21,9 mil hectares de vegetação. Em todo o ano, foram 31,9 mil. Ontem, os focos caíram quase pela metade e as chamas estavam controladas. A eliminação do perigo, no entanto, depende das chuvas
 
Manoela Alcântara, Thalita Lins, Antonio Temóteo e Lucas Tolentino - Correio Braziliense


O fogo que atinge as reservas florestais de Brasília já devastou uma área equivalente à de 74 parques da cidade em 2011. Desde o começo do ano, foram 31,9 mil hectares, sendo 21,9 mil só nos últimos seis dias. Os focos de incêndio caíram de 40, no domingo, para 21, ontem, e estavam controlados até o início da tarde. Somente a Floresta Nacional (Flona) continuava em situação preocupante nas áreas 1 e 4, localizadas em Taguatinga e Brazlândia, respectivamente. Por volta das 15h, as chamas também atingiram a Estação Ecológica Águas Emendadas. Até então, os ambientalistas comemoravam a imunidade do local. 


Com o trabalho de 85 bombeiros, 20 brigadistas e o apoio do avião Hércules C-130, da Força Aérea Brasileira (FAB), as labaredas já estavam controladas três horas após o início do incêndio. Esta é a sexta área de preservação atingida deste o último dia 7.

Juristas buscam falhas no Código Florestal

Correio Braziliense

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado marcou para hoje uma audiência com um grupo renomado de juristas para evitar que o debate sobre o Código Florestal acabe sendo questionado no Supremo Tribunal Federal (STF).


Pressionado pelos ambientalistas, que reclamavam do pouco debate da matéria na Casa, o relator Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) convidou o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, o ministro do STF José Antonio Dias Toffoli, o ministro do STJ Antonio Herman de Vasconcellos e dois representantes do Ministério Público. "O relator introduziu algumas novidades no texto, é bom que os juristas analisem as mudanças", explicou o presidente da CCJ, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE).
 
Jobim, por exemplo, serviu de inspiração a Luiz Henrique a fim de diminuir o poder da União para definir legislações ambientais. O senador peemedebista remeteu a um raciocínio feito por Jobim quando era Constituinte para definir que, em algumas questões, estados e municípios têm autonomia para definir regras à revelia do desejo do governo federal.

 
Luiz Henrique também manteve a proposta de que não se deve punir quem desmatou antes de 2008, data em que o primeiro decreto sobre código florestal foi editado. Segundo apurou o Correio, o senador considera injusto que fazendeiros que desbravaram o Norte e o Nordeste nas décadas de 1970 e 1980 sejam punidos por ações que foram incentivadas pelos governos da época, inclusive com benefícios fiscais. Ele terá uma audiência com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, no fim da tarde de hoje, para discutir o assunto.

Relator do Código Florestal na Comissão de Meio Ambiente, o senador Jorge Viana (PT-AC) ainda não crê que haja motivos para preocupação do governo, já que essa primeira rodada de votações analisará apenas a legalidade da matéria — o mérito do código só será discutido posteriormente.

 
Segundo ele, na próxima etapa, é fundamental mais clareza nos conceitos de agricultura familiar, produção e pequena propriedade, para que não pairem dúvidas sobre os limites de cada uma. "Além disso, temos que dar segurança jurídica para aqueles estavam em situação irregular normalizarem suas propriedades", completou. Para Eunício, não adianta anistiar multas antriores, pois isso desestimularia quem sempre trabalhou dentro da lei. "Mas também não podemos achar que colocando os desmatadores na cadeia o problema será resolvido ", ponderou.

 
A previsão é que a CCJ vote o texto ainda neste mês, antes de seguir para a CMA. Só depois a matéria vai a plenário.

MT é ''campeão'' de incêndios no País

Estado teve 8,3 mil focos dos 59,7 mil registrados neste ano no País; Minas Gerais, Bahia e Maranhão aparecem em seguida no ranking

Fátima Lessa - O Estado de S.Paulo

ESPECIAL PARA O ESTADO / CUIABÁ

 
Depois de despontar como campeão do desmatamento no ano, Mato Grosso retoma um antigo título: o de líder no ranking dos Estados com mais queimadas. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), dos 59.757 focos registrados de 1.º de janeiro a 12 de setembro no País, 8.348 estavam em Mato Grosso.

 
Entre domingo e ontem, o Inpe observou 1.837 focos de incêndio espalhados pelo Brasil.

 
Desses, 468 estavam em Minas Gerais - o Estado com o maior número neste período. Em seguida aparecem a Bahia (410), Maranhão (236) e Piauí (230).

 
Apesar da liderança de Mato Grosso em 2011, dados oficiais apontam uma redução de 64% nos focos registrados de 1.º de janeiro a 12 de setembro, se comparado o mesmo período com 2010 - ano considerado atípico, que registrou, de janeiro a 12 de setembro, 22.928 focos.

 
Os municípios campeões em queimadas são Gaúcha do Norte, Marcelândia, Nova Ubiratã, Campinápolis e Cáceres.

 
Segundo o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ramiro Martins Costa, ao contrário do que se imaginava, o fogo no Estado não tem ligação com as áreas desmatadas. Costa observa que os municípios campeões estão na região do Araguaia e no Pantanal.

Minas Gerais. Depois de Mato Grosso, aparecem no ranking anual dos Estados com mais queimadas Minas Gerais (7.073 focos), Bahia (5.652), Maranhão (5.360) e Tocantins (5.201).


Em Minas, um dos piores incêndios destrói, há 11 dias, o Santuário Nacional do Caraça, um dos principais cartões-postais do Estado, na região do município de Catas Altas, a 120 quilômetros de Belo Horizonte.
 
O capitão do Corpo de Bombeiros Frederico Paschoal informou que o fogo, enfim, está sendo controlado. "Estamos trabalhando agora nos rescaldos. Está sendo uma missão muito difícil para os próprios bombeiros, que estão no limite da exaustão."

 
O levantamento dos impactos será feito após o controle total das chamas, mas a direção do parque estima que 500 hectares de Mata Atlântica tenham sido destruídos. Além de vegetação, grutas e cachoeiras, a Serra do Caraça abriga animais ameaçados de extinção, como o lobo-guará.

 
Acre. O Acre registrou em 2011 833 focos. A situação, segundo o secretário do Meio Ambiente, Edegard de Deus, preocupa. Segundo ele, as mudanças climáticas extremas e o tradicional período de estiagem está se alongando além do previsto, com a umidade relativa do ar de 37% - o normal é, em média, 80%.

 
Em Planaltina (DF), o incêndio que atingiu a Estação Ecológica Águas Emendadas foi controlado ontem, após quatro horas de trabalho. Um avião da Força Aérea Brasileira despejou 12 mil litros de água no local.

 
COLABOROU ALINE RESKALLA

Parques nacionais têm incêndios criminosos

Afra Balazina - O Estado de S.Paulo
 
Com a falta de chuvas, os brigadistas estão de prontidão no Parque Nacional do Itatiaia (RJ), a mais antiga unidade de conservação do País. Um incêndio criminoso começou no dia 4 deste mês no planalto do parque, na região conhecida como Alto dos Brejos. Dois dias depois, houve outros focos de incêndio numa área de mata chamada de Morro Cavado.

 
Segundo o chefe do parque, Walter Behr, aproximadamente 2 quilômetros quadrados de mata foram destruídos. No momento, o fogo está controlado. Ele diz ter sido fundamental o apoio de brigadas de diversas unidades de conservação, da Academia Militar das Agulhas Negras e do apoio aéreo da Aeronáutica.

 
De acordo com Christian Berlinck, coordenador de Emergências Ambientais do ICMBio, na semana passada pessoas tentaram atear fogo numa área de vegetação nos fundos da sede do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (Mato Grosso). Mas os brigadistas da unidade agiram rapidamente e conseguiram apagar as chamas.

 
Anteontem, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, visitou o Parque Nacional das Emas (Goiás), que em 2010 teve 90% da sua área queimada. O parque se recuperou e a ministra inaugurou duas novas atrações no local: um portal com réplicas gigantes de animais e um carro-safári (caminhão adaptado para passeios turísticos).