21 maio 2011

Cientistas se preparam para encalhe em massa de baleias

DA BBC BRASIL

Especialistas em animais marinhos estão se preparando para o encalhe de até cem baleias-piloto nas ilhas Ocidentais, localizadas no norte da Escócia.


O grupo de baleias foi visto na tarde de quinta-feira na região de Loch Carnan. Cerca de 20 delas já apresentariam ferimentos nas cabeças, que teriam sido causados pelas tentativas das baleias de irem para a faixa litorânea da região, que é rochosa.

Baleias doentes ou feridas geralmente vão para as praias, onde morrem. No entanto, em alguns casos, baleias saudáveis seguem as que estão agonizando.

As equipes de resgate afirmaram que plataformas flutuantes infláveis já estão a caminho da região, para ajudar a colocar as baleias de volta ao caminho certo.

No entanto, as equipes informaram que as baleias estão fazendo muito barulho, o que pode ser um sinal de perturbação dos animais.
 

BBC
Baleias que se aproximam do litoral da Escócia começaram a ser avistadas desde a tarde de quinta-feira
Baleias que se aproximam do litoral da Escócia começaram a ser avistadas desde a tarde de quinta-feira

ÁGUAS PROFUNDAS

Integrantes do grupo BDMLR (sigla em inglês de Mergulhadores Britânicos de Resgate de Vida Marinha) estão cuidando do caso e temem que as baleias, uma espécie de águas profundas, morram em um grande encalhe. Esse seria o maior já registrado na Escócia.

Alasdair Jack, organizador das equipes de mergulhadores na Escócia, afirmou que evitar o encalhe dos mamíferos poderá fazer com que os animais passem por um sofrimento desnecessário e acabem encalhando em outro lugar.

"Em vez de tentar evitar cheguem à praia, vamos deixar que as baleias venham, e então tentaremos lidar com a situação", afirmou. "Temos vários flutuadores, que é nosso equipamento para lidar com as baleias, e mais destes equipamentos estão a caminho."

"Vamos deixar que as baleias façam o que quiserem e então esperar para ver o que acontece", disse.

O inspetor da SPCA (Sociedade para Prevenção da Crueldade contra Animais, da Escócia), Calum Watt, disse que as baleias têm laços sociais fortes, o que significa que um mamífero pode seguir outro que esteja doente ou ferido até a praia.

"Neste momento, temos esperança que elas não encalhem, mas nossa preocupação é que as baleias feridas venham para a praia e sejam seguidas", disse.

"Tentar levar tantas baleias de volta poderá ser uma tarefa enorme e, se elas encalharem, vamos ter que decidir sobre a melhor forma de agir."

Segundo Watt, o maior número de baleias encalhadas que foram levadas de volta ao mar foi sete, em 1993. "Infelizmente, todas voltaram à praia e morreram", disse.

OUTRO GRUPO

Baleias-piloto podem chegar a mais de seis metros de comprimento e estão entre os animais marinhos mais comuns.

O operador de ecoturismo Stefe Duffield, que fotografou o grupo de animais, afirmou que não é comum ver baleias-piloto tão próximas da costa.

"Esta é uma espécie de águas profundas (...) raramente vista em lagos costeiros", afirmou.

Em outubro de 2010, outro coletivo de baleias-piloto foi visto na mesma região. Dias depois, 33 baleias, que pertenceriam ao grupo, foram descobertas mortas em uma praia da região.

"É incrível que um segundo grupo, desta vez provavelmente com mais do dobro de tamanho, tenha chegado à mesma área", disse Calum Watt. "Não há razão conhecida para que elas venham para o mesmo lugar."

Projeto coloca GPS em ursos que invadem zona urbana

DA BBC BRASIL

Conservacionistas da Eslováquia iniciaram um projeto para colocar coleiras com tecnologia GPS e estudar o comportamento do urso pardo europeu.


O país conseguiu conservar a espécie -- cerca de mil vivem na Eslováquia --, mas os animais perderam o medo dos humanos e agora invadem cidades em busca de comida.


Graham Bishop, que trabalha no Projeto Urso com os ambientalistas do Parque Nacional do Alto Tatras, conta que o grupo colocou a coleira em uma ursa de cerca de 130 quilos, que tem rondado os vilarejos. 



BBC
Ursa anestesiada que recebeu uma coleira com GPS; animais perderam o medo dos humanos e entram em cidades
Ursa anestesiada que recebeu uma coleira com GPS; animais perderam o medo dos humanos e entram em cidades

Os cientistas deram um sedativo para a ursa, que caiu na armadilha, usando um dardo de tranquilizante e, segundo Graham, ainda foram necessários 20 minutos para o animal dormir.

Depois de ter certeza de que a ursa estava anestesiada, os cientistas a retiraram da armadilha, tiraram suas medidas e instalaram a coleira com o GPS. A operação precisa ser rápida, pois, se o animal acordar antes do previsto, ele pode atacar.

Algum tempo depois, o efeito do tranquilizante passou e a ursa capturada e equipada com a coleira, que a equipe apelidou de Galina, acordou lentamente e voltou para a floresta.

QUATRO ANOS

A coleira com GPS tem uma bateria que dura quatro anos e, com o equipamento, os cientistas poderão saber onde os ursos estão a cada hora do dia e saber exatamente o que eles fazem durante o dia e a noite.

"Durante a noite, todos sabem que os ursos estão em busca de alimentos nas latas de lixo, mas o que queremos saber é se, durante o dia, os ursos voltam para a montanha ou se ficam na área urbana", afirma Bishop.

Quando os cientistas descobrirem o que os ursos fazem, pelo que eles são atraídos e o que os espanta, eles poderão usar os dados para tirar os ursos das áreas habitadas, longe dos humanos.

Bishop afirma que os chamados "ursos problema", os que chegam perto demais da população humana, vão aumentar, pois a população na área está aumentando, o turismo está crescendo e a população de ursos também está ficando maior.

Mas, se os cientistas conseguirem resolver o problema dos ursos invasores agora, a expectativa é de que o futuro seja melhor, para ursos e humanos.

19 maio 2011

Flagrantes mostram áreas de floresta sendo derrubadas em Mato Grosso

Globo Rural

Em Mato Grosso, flagrantes mostram várias áreas de floresta sendo derrubadas. O governo do Estado prometeu ampliar a fiscalização. Os ficais do Ibama já identificaram 20 novas áreas devastadas nos últimos 30 dias.

Desmate na Amazônia volta a crescer e governo cria "gabinete de crise"

Mauro Zanatta - Valor | De Brasília

O desmatamento da Amazônia Legal voltou a crescer nos últimos nove meses encerrados em abril de 2011. Uma área do tamanho do município do Rio de Janeiro foi derrubada. Foram exatos 1.849 quilômetros quadrados de vegetação devastada entre agosto de 2010 e abril, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O resultado é 26% superior aos 1.454 km2 registrados no período anterior.


Depois de alguns meses longe do foco principal dos desmatamentos, Mato Grosso voltou a ser apontado como vilão. O Estado respondeu por 40% da devastação registrada pelo sistema de detecção do Inpe. 


As derrubadas no maior produtor de grãos e fibras do país cresceram 43% na comparação entre os períodos - de 505 km2 para 730 km. Os campeões da derrubada foram os municípios de Alto Boa Vista, Nova Ubiratã, Bom Jesus do Araguaia, Cláudia, Santa Carmem, Porto dos Gaúchos e Peixoto de Azevedo e Marcelândia. 

A corrida pelo aumento da produção de soja e milho, cujas altas cotações internacionais têm estimulado os produtores, e a expectativa de alterações nas regras do novo Código Florestal são parte da explicação. 

"A expectativa de impunidade e a demora na votação do Código Florestal foram ruins para nós", admite o secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso, Alexander Maia. Ele diz que alguns resolveram "botar abaixo" a floresta antes da aprovação de uma eventual lei de "desmatamento zero" no Congresso. "A gente tinha medo disso."

O secretário, um oficial da Polícia Militar que comandou a Casa Civil na gestão Blairo Maggi (PR), afirma que tem combatido a devastação com 275 homens há mais de 30 dias. "Quem fez isso está sendo sancionado. Tenho 16 pessoas identificadas, com licenciamentos suspensos e sem benefícios. Vão para o Ministério Público. Nós agimos para evitar um mal maior. Não queremos que a detecção se concretize em aumento real do desmatamento no fim do ano", disse. Alexander Maia deu como exemplo um produtor de Nova Ubiratã, cuja residência oficial é no Paraná: "Ele derrubou 1.500 hectares de uma vez. Fomos lá e paramos tudo."

O sistema do Inpe detectou uma forte aceleração do desmatamento entre março e abril. O total passou de 103,5 km2 em 2010 para 593 km2 em 2011.

Diante disso, o governo federal anunciou ontem a criação de um "gabinete de crise" para ampliar as operações de combate ao desmatamento na região. Os ministros Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Aloízio Mercadante (Ciência e Tecnologia) anunciaram o reforço do monitoramento com três novos satélites até 2014. "Quem tiver apostando no desmatamento para abrir novos pastos, vai ter o boi apreendido e doado para o Programa Fome Zero", afirmou Izabella.

O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) informou que o desmatamento na Amazônia Legal será "sufocado" com o embargo de todas as áreas desflorestadas. As áreas embargadas terão ampla divulgação, o que impedirá a comercialização de gado ou grãos ali produzidos. Os compradores desses produtos também serão responsabilizados por crime ambiental.

Principais interessados na conservação da floresta, os produtores rurais defendem medidas fortes do governo. "Se for desmatamento ilegal, tem que ir para cadeia", diz o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja), Glauber Silveira. "Precisamos de um Estado forte, de fiscalização e lei para obrigar a cumprir, punir e multar". 


Silveira afirma que a "sensação de impunidade" acaba por estimular o crime ambiental. "No campo e nas cidades", ressalva. A Aprosoja, segundo ele, tem trabalhado "intensamente" para levar a mensagem de preservação das florestas a todos os produtores do país. "O interesse de uma minoria que desmata não pode atrapalhar aqueles que querem fazer a coisa certa. Tem que aprovar o Código Florestal no Congresso e ninguém mais vai poder dizer que não sabia das regras."

17 maio 2011

Caetité não quer o urânio da Marinha

Moradores de cidade baiana barram a entrada de material radioativo que seria enviado à Europa para ser enriquecido

Vinicius Sassine - Correio Braziliense

 

Pela primeira vez na história do programa nuclear brasileiro, uma carga com 92t de urânio percorreu por terra um percurso de 1,5 mil quilômetros entre Iperó (SP) e Caetité (BA). O material radioativo, transportado em nove carretas, foi emprestado pelo Centro Experimental de Aramar, da Marinha, para as Indústrias Nucleares do Brasil (INB), estatal responsável pela extração do urânio e pela fabricação do combustível usado nas usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, em Angra dos Reis (RJ). A carga, no entanto, chegou sem qualquer aviso à cidade baiana na noite de domingo, o que gerou um protesto dos moradores. Cerca de 3 mil pessoas formaram um cordão humano e impediram a entrada do material radioativo na cidade.
 
Diante do bloqueio, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Militar conduziram o comboio de carretas para o Batalhão da PM em Guanambi, a 40 quilômetros de Caetité. A carga de urânio está parada no local e, até o início da noite de ontem, não se sabia o que fazer com o minério. “A cidade está em pânico. Aqui não se produz urânio e não queremos isso”, afirma o prefeito de Guanambi, Charles Fernandes.

 
O empréstimo foi a saída improvisada pelo governo para contornar a necessidade de importação de 220t de urânio em razão de licenças travadas na Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), como o Correio revelou em março. A INB decidiu transportar o urânio até Caetité para colocá-lo em tambores e, então, encaminhá-lo à Europa, onde seria convertido, enriquecido e retornaria ao Brasil.

 
O urânio é usualmente extraído da mina em Caetité e levado diretamente para o porto em Salvador, de onde segue para a Europa. A necessidade de o Brasil importar urânio, a um custo de R$ 25 milhões, chegou à mesa da presidente Dilma Rousseff logo no início de seu mandato. O atraso do licenciamento levou à necessidade de importação, o que gerou uma crise no programa nuclear brasileiro.

 
Comboio acompanhado
 

Para evitar a compra de todo o urânio, a Marinha e a INB assinaram um contrato de empréstimo.
 
As 92 toneladas devem retornar ao Centro de Aramar entre 2011 e 2016. O objetivo do programa nuclear em Aramar é construir um reator nuclear para propulsão de submarinos. “Não há recursos financeiros envolvidos nesse acordo”, informa o diretor do Centro de Comunicação Social da Marinha, o contraalmirante Paulo Mauricio Farias Alves. O presidente da INB, Alfredo Tranjan Filho, afirma que o transporte do urânio foi licenciado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Cnen. “O que houve foi um mal-entendido em Caetité. A população achou que era lixo atômico.”

 
O Ibama não confirmou a emissão da licença à INB. Já a Cnen diz, por meio de nota, que a transferência do urânio foi “devidamente aprovada”. “A Cnen aprovou o plano de proteção física da operação de transporte e também emitiu a autorização para transferência de material nuclear.” Ainda segundo o órgão, a PRF e “equipes de proteção radiológica” acompanharam o comboio de caminhões.

16 maio 2011

O futuro da energia nuclear

*José Goldemberg - O Estado de SP

Existem tecnologias que resolvem problemas importantes e vieram para ficar. Outras atravessam um "período de ouro", perdem importância ou até desaparecem.

 
Automóveis, por exemplo, desenvolvidos no início do século 20, mudaram a face da civilização como a conhecemos. E mesmo que as reservas mundiais de petróleo se esgotem, soluções técnicas vão ser encontradas para mantê-los circulando.

 
Outras tecnologias promissoras enfrentaram problemas e foram abandonadas. Um bom exemplo é o dos zepelins, enormes balões cheios de hidrogênio que abriram caminho para viagens aéreas intercontinentais na década de 1930, época em que a aviação comercial ainda engatinhava. Mas bastou o acidente com o Hindenburg, zepelim alemão que se incendiou em Nova Jersey (EUA), em 1937, para selar o destino dessa tecnologia.

 
A energia nuclear parece atravessar um desses períodos críticos: ela teve uma "época de ouro" entre 1970 e 1980, quando entraram em funcionamento cerca de 30 novos reatores nucleares por ano.

 
Após o acidente nuclear de Three Mile Island, nos Estados Unidos, em 1979, e em Chernobyl, na Ucrânia, então parte da União Soviética, em 1986, o entusiasmo por essa tecnologia diminuiu muito e desde então apenas dois ou três reatores entraram em funcionamento por ano. Houve uma estagnação da expansão do uso dessa energia.

 
As causas dessa estagnação são complexas: por um lado, a resistência do público, preocupado com os riscos da energia nuclear; e, por outro, razões mais pragmáticas, como o seu custo elevado.

 
Apesar desses problemas, a produção de energia nuclear não resulta em emissões de gases responsáveis pelo aquecimento da Terra, que é o caso quando se produz energia elétrica com combustíveis fósseis, como carvão ou gás natural. As preocupações com o efeito estufa levaram vários ambientalistas a apoiar uma "renascença nuclear".

 
Mas eis que acontece o desastre de Fukushima, com gravidade comparável à de Chernobyl, afetando diretamente centenas de milhares de pessoas e espalhando inquietações sobre o efeito da radiação nuclear numa vasta área do Japão e de países vizinhos.

 
O setor nuclear tem tentado minimizar a gravidade do acidente no Japão, atribuindo-o a eventos raríssimos, como um terremoto de alta intensidade seguido por tsunami, que dificilmente ocorreriam em outros locais. Essa é uma estratégia equivocada, que pode satisfazer engenheiros nucleares, mas não os setores mais esclarecidos da população e governos de muitos países.

 
Reatores nucleares contêm dentro deles uma enorme quantidade de radioatividade e o problema é sempre o de evitar que ela se espalhe, como se verificou em Chernobyl. Sucede que não é preciso um terremoto e um tsunami para que isso aconteça. Bastam falhas mecânicas e erros humanos, como ocorreu em Three Mile Island. Segurança total não existe.

 
É possível melhorar o desempenho dos reatores e torná-los mais seguros, mas isso acarretará custos mais elevados, o que tornará a energia nuclear ainda menos competitiva do que já é em relação a outras formas de geração de eletricidade. Além disso, a grande maioria dos reatores nucleares atualmente em uso começou a funcionar 30 ou 40 anos atrás e forçosamente eles terão de ser "aposentados" em breve - os de Fukushima funcionam há mais de 40 anos. A redução da vida útil dos reatores diminuirá, certamente, sua competitividade econômica.

 
Mais ainda, será preciso resolver de vez o problema do armazenamento permanente dos resíduos nucleares, que se arrasta há décadas. Até hoje os elementos combustíveis usados, que são altamente radiativos, são depositados em piscinas situadas ao lado dos reatores - e um dos problemas em Fukushima foi a radioatividade liberada quando o nível da água da piscina baixou. Só nos Estados Unidos existem essas piscinas ao lado dos 104 reatores lá existentes. Em Angra dos Reis a situação é a mesma.

 
Finalmente, há o problema de quem pagará pelas compensações para a população atingida pelos acidentes nucleares. Os limites fixados pelos governos para cobrir esses danos são atualmente muito baixos e deverão aumentar muito.

 
Como resultado dessas inquietações e incertezas, está em curso uma reavaliação, em grande número de países, sobre o futuro da "renascença nuclear" e da sobrevivência da própria opção do uso de reatores nucleares para a geração de eletricidade. Alguns países já adotaram o que se chama de "estratégia de saída", pela qual novos reatores não serão construídos.

 
A Bélgica e a Suíça já adotaram essa política, bem como o Chile e a Alemanha. A China suspendeu a autorização para a construção de mais usinas até que seja feito um reestudo completo das suas condições de segurança. Nos Estados Unidos, acaba de ser abandonado o projeto de construção de dois reatores no Estado do Texas, os primeiros a serem iniciados após mais de 30 nos de moratória nuclear.

Outros países, provavelmente, seguirão o mesmo caminho, sobretudo os que dispõem de outras opções mais econômicas e menos perigosas para a geração de energia elétrica. Esse é, claramente, o caso do Brasil, onde existe um amplo potencial hidrelétrico a explorar, bem como a cogeração de eletricidade nas usinas de açúcar e álcool, e também a energia eólica. A Agência Internacional de Energia Atômica reduziu sua projeção de novos reatores nucleares no mundo para 2035 em 50%.

 
Alguns países, como a França, onde quase 75% da eletricidade tem origem nuclear, e até mesmo o Japão, que não tem muitos recursos naturais, aumentarão o uso do gás, o que, consequentemente, aumentará as emissões de carbono. Haverá, nesse caso, escolhas difíceis. Mas o aquecimento global ocorrerá num horizonte de tempo longo e prevenir novos acidentes nucleares é uma tarefa urgente.

 
*PROFESSOR DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP)

Percevejo e formiga indicam origem de drogas que entram no país

RODRIGO VARGAS - FOLHA DE SP
DE CUIABÁ

Insetos encontrados dentro de pacotes de maconha poderão se tornar "informantes" policiais, indicando locais de plantio e possíveis rotas de distribuição da droga até os centros consumidores.


A possibilidade foi testada por um pesquisador da UnB (Universidade de Brasília), que analisou 52 fragmentos de insetos contidos em 7,5 kg da droga prensada -- oriundos de duas apreensões realizadas no Distrito Federal.

Em sua pesquisa de mestrado, o biólogo Marcos Patrício Macedo conseguiu identificar uma espécie de formiga (Cephalotes pusillus) e duas de percevejo (Euschistus heros e Thyanta perditor) nos pacotes da droga.

Ao cruzar os registros de ocorrência dos insetos com o mapa das principais áreas de cultivo de maconha na América do Sul (inclui regiões da Colômbia, da Bolívia, do Paraguai e do Nordeste do Brasil), ele afirma ter descoberto a origem provável da droga até o DF: o Paraguai.

No estudo, o pesquisador, que trabalha como perito da Polícia Civil, diz que as duas espécies de percevejo são pragas de monoculturas (soja, principalmente), mas uma delas não tem registros no Nordeste do Brasil ""o que excluiria o chamado Polígono da Maconha, em Pernambuco, da lista de "suspeitos". 



Editoria de Arte/Folhapress


A espécie de formiga, por sua vez, não tem registro de ocorrência na Colômbia.

"Apontar-se-ia a região do Paraguai como origem do material", diz um trecho da pesquisa, que também cogita a possibilidade de a droga ter vindo de Mato Grosso do Sul.

A pesquisa, iniciada em 2008, dependeu do aval da Justiça e, por motivos de segurança, foi realizada dentro do laboratório da Cord (Coordenação de Repressão às Drogas) da Polícia Civil do DF.

"Levei oito meses até conseguir a autorização para pesquisar a droga", disse Macedo em entrevista à UnB.

Ele reconhece que a amostragem utilizada na pesquisa não teria valor como prova única em uma eventual investigação criminal.

"A ausência de registros não implica em não existência da espécie na região. Significa somente a falta de publicações indicando tal ocorrência", afirmou.

Para o pesquisador, é necessário que haja mais pesquisas sobre o tema, em busca de espécies que sirvam como "marcadores de origem geográfica" da droga.

O único trabalho anterior do uso da entomologia (estudo dos insetos) para a investigação do tráfico de drogas, segundo o pesquisador da UnB, foi conduzido em 1986, na Nova Zelândia. Na ocasião, fragmentos de insetos indicaram que uma carga de maconha era proveniente do Sudeste Asiático.

Dengue faz mosquita ficar hiperativa, mostra estudo da Fiocruz

GIULIANA MIRANDA - FOLHA DE SP
DE SÃO PAULO

Enquanto nos seres humanos o vírus da dengue provoca dores e cansaço, nos mosquitos ele age da forma oposta. Os insetos ficam mais ativos e se locomovem até 50% a mais do que o normal.


A descoberta é de pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro, que analisaram em laboratório o comportamento de fêmeas do Aedes aegypti com o tipo 2 da dengue, um dos mais comuns no Brasil.

"Ficamos surpresas com o resultado. Um aumento de 50% na locomoção normal é algo muito significativo e que nós não esperávamos", disse à Folha Tamara Lima-Camara, doutoranda do IOC (Instituto Oswaldo Cruz) e uma das autoras do trabalho, publicado na revista "PLoS One".

Além de se mexer mais, elas também faziam isso em horários incomuns. Embora a espécie tenha hábitos diurnos, as contaminadas estenderam sua locomoção também durante parte da noite.

LANCHINHO

Esse aumento de locomoção e atividade poderia afetar outros aspectos biológicos, como a postura de ovos e o período em que as fêmeas da espécie se alimentam. Ou seja: quando saem em busca de sangue humano.

Embora a influência do vírus do tipo 2 tenha sido significativa, os autores dizem que é cedo para saber se isso se repete com os outros sorotipos ou mesmo com o vírus da febre amarela, que também pode ser transmitido pelo A. aegypti em área urbana.

Para os cientistas, conhecer bem as atividades do mosquito pode ajudar nas estratégias de controle da disseminação do inseto e da própria dengue, ajudando a escolher o período mais propício para começar a liberar inseticidas, por exemplo.

"Mas, nesse caso é preciso cautela. Usar veneno indiscriminadamente pode deixar os mosquitos mais resistentes, o que só criaria um outro problema", completa Raquel Bruno, que também participou do trabalho.

No caso do A. aegypti, estudos anteriores já tinham mostrado que ele tinha seu comportamento alterado quando era contaminado com outros parasitas. O trabalho com a dengue, porém, é muito mais significativo para o Brasil e outros países em que a doença causa muitas mortes, sobretudo no verão.

INFLUENCIADO

Ainda não se sabe exatamente como o vírus age para que isso aconteça, mas um de seus maiores alvos é o sistema nervoso do inseto. Para o experimento, os pesquisadores inocularam o vírus em algumas fêmeas, enquanto mantinham um grupo controle "saudável".

Depois disso, os mosquitos foram colocados em tubinhos de vidro. Nele, os pesquisadores mediram, com luz infravermelha, a locomoção das fêmeas individualmente por quase uma semana.

Para averiguar a "hora" de atividade, os cientistas simularam períodos de claro e escuro de 12 horas cada. As infectadas andaram de 10% a 50% mais do que as não contaminadas.

"Embora na natureza os mosquitos voem muito mais do que andem, existem estudos que mostram uma ligação entre o aumento da locomoção e o da atividade de voo", disse Lima-Camara.

15 maio 2011

Descoberta de fóssil desvenda travessia de formigas gigantes pré-históricas

Richard Black
Especialista de meio ambiente da BBC News

Cientistas encontraram, nos Estados Unidos, restos fossilizados de uma das maiores espécies de formiga que já habitaram a Terra e descobriram que elas devem ter atravessado o Ártico durante picos de calor, há cerca de 50 milhões de anos.


A espécie Titanomyma lubei, com mais de cinco centímetros de comprimento, teria conseguido viajar entre a Europa e a América do Norte quando os continentes estavam mais próximos.

Os fósseis dos animais foram encontrados em sedimentos de um antigo lago no Estado americano do Wyoming.

Em texto publicado no periódico especializado Proceedings B, o grupo de cientistas americanos e canadenses mostram que as formigas gigantes quase sempre viveram em climas quentes.

A espécie recém-descoberta parece similar a fósseis do mesmo período geológico encontrados na Alemanha e no sul da Inglaterra.

“Não temos (fósseis) de formigas operárias desta nova espécie, apenas a rainha”, disse o cientista Bruce Archibald, da Universidade Simon Fraser, na Colúmbia Britânica, Canadá.

Altas temperaturas

Ele acredita que as formigas gigantes tenham dimensões semelhantes às de seus pares encontrados na Alemanha. Isso significa que seu tamanho pode ser parecido ao de um pequeno pássaro, como um beija-flor, disse Archibald à BBC.

Até agora, pouco se sabe sobre os hábitos da nova espécie, mas os fósseis tinham asas. Todos eles foram encontrados próximos a plantas que vivem em temperaturas acima dos 20 graus centígrados.

Na época em que a espécie viveu, entre 56 e 34 milhões de anos atrás, houve períodos de "eventos hipertermais", em que as temperaturas na Terra subiam para níveis mais altos que os atuais, provavelmente por causa da liberação de gases como o metano na atmosfera.

Travessia

Os pesquisadores acreditam que as formigas gigantes devam ter feito sua jornada da Europa à América do Norte – ou vice-versa – durante um desses picos de calor.

“Havia muita vida cruzando os continentes, como mamíferos e plantas”, disse Archibald.

"E há muitos insetos parecidos no Canadá e na Dinamarca, mas eles viviam em um clima mais frio e poderiam ter feito a travessia a qualquer momento."

"Este é o primeiro exemplo de uma espécie que precisaria de mais calor para fazer a travessia", explica o cientista.

As "pontes" pelo Ártico tinham normalmente clima temperado, a não ser durante os eventos hipertermais.

Ao longo de sua pesquisa, o grupo de cientistas mapeou as localizações de todas as espécies de formigas, extintas ou contemporâneas, que crescem mais de 3 centímetros.

Eles descobriram que praticamente todas estão associadas a temperaturas tropicais, por algum motivo ainda desconhecido.

Operação para resfriar reator no Japão tem novo revés

A operadora da usina nuclear japonesa Fukushima Daiichi, atingida pelo terremoto e pelo tsunami de 11 de março, abandonou neste domingo seu mais recente plano para esfriar um dos reatores danificados.

BBCBrasil

A Tepco (Tokyo Electric Power Company) tinha a intenção de esfriar o reator 1 com o preenchimento de uma câmara de contenção com água.

Mas a Tepco disse que o derretimento de barras de combustível criou um buraco na câmara, permitindo que 3.000 toneladas de água contaminada vazassem para o subterrâneo do edifício do reator.

Os sistemas de resfriamento dos reatores da usina foram desligados com os danos provocados pelo terremoto e pelo tsunami, levando ao superaquecimento das barras de combustível, e as tentativas de reduzir a pressão sobre as câmaras provocaram explosões nos edifícios onde estão os reatores.

O governo e a Tepco afirmaram que pode levar até janeiro até que se consiga um resfriamento total dos reatores.

O porta-voz do Governo Goshi Hosono disse que o abandono do último plano não deve afetar o prazo previsto.

"Queremos preservar o calendário, mas ao mesmo tempo, vamos ter que mudar a nossa atitude", disse ele.

Novo plano

A Tepco diz que vai elaborar um novo plano para estabilizar o reator até a terça-feira.

A TV japonesa NHK disse que a Tepco estuda agora um plano para circular a água do subsolo através de um filtro de descontaminação e de volta para o reator.

Segundo os últimos dados divulgados pelas autoridades japonesas, 15.019 mortes pela tragédia do dia 11 já foram confirmadas, e ainda há 9.506 pessoas desaparecidas.

O tsunami destruiu edifícios em vilas de pescadores e cidades portuárias, e arrastou embarcações por quilômetros em terra.

Na semana passada, o governo aprovou um grande pacote de compensação para ajudar os afetados pela catástrofe.

Analistas dizem que o custo total para as compensações pode chegar a US$ 100 bilhões (cerca de R$ 163 bilhões).

Terremoto de 6 graus é registrado a 878 km de Fernando de Noronha

Não risco de tsunami por causa das características da área onde ocorreu o abalo e da magnitude do terremoto 
 
Redação ÉPOCA, com Agência Brasil

Um tremor de terra de 6 graus na Escala Richter foi registrado a 878 quilômetros do Arquipélago de Fernando de Noronha. De acordo com o Centro Nacional de Informações sobre Terremotos, nos Estados Unidos, o abalo ocorreu às 10h08 (horário de Brasília) a 415 quilômetros do arquipélago de São Pedro e São Paulo e a 1.276 quilômetros de Natal (RN).

O tremor teve epicentro em uma profundidade de 10 quilômetros. Apesar de a profundidade da água ser de 4 mil metros na região, o professor George Sand França, do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), descarta o risco de tsunami por causa das características da área onde ocorreu o abalo e da magnitude do terremoto.


Segundo ele, um tsunami só pode ser provocado por abalos acima de 7 graus na Escala Richter e em falhas geológicas, quando duas placas tectônicas se encontram e uma é empurrada para baixo da outra. “No meio do Oceano Atlântico ocorre exatamente o contrário. As placas do continente americano e da África estão se separando. Então, as chances de tsunami são remotas”, explicou.


De acordo com França, a região do abalo é marcada por dois tipos de movimentos sismológicos: a separação dos continentes e o deslocamento paralelo das placas. “O terremoto de hoje foi provocado por esse movimento paralelo. É como se uma placa tivesse raspado na outra, sem consequências mais sérias”.

Terremoto de magnitude 6 é registrado na costa do Brasil

O centro de pesquisa norte-americano informou que o terremoto aconteceu a uma profundidade de nove quilômetros, mas não há indicações imediatas de tsunami. 

D24am

Um terremoto de magnitude 6 foi registrado neste domingo no Oceano Atlântico na costa do Brasil, informou o centro de pesquisa geológica dos Estados Unidos. 
 
O tremor aconteceu às 10h08 no horário de Brasília e foi localizado 1.277 quilômetros a leste-nordeste de Natal. O centro de pesquisa norte-americano informou que o terremoto aconteceu a uma profundidade de nove quilômetros, mas não há indicações imediatas de tsunami.

Procurado pela Agência Estado, o Centro de Gerenciamento de Emergência e Defesa Civil do Rio Grande do Norte (Ceged) informou que até o momento não tem informações sobre o assunto.

Empresa que matou e poluiu no Golfo do México agora é modelo no pré-sal

Wladmir Coelho - Política Econômica do Petróleo

Os danos decorrentes do derramamento de 4 milhões de barris de petróleo no Golfo do México após a explosão de uma plataforma da British Petroleum (BP) ainda não podem ser devidamente analisados. A tragédia, ocorrida em abril de 2010, ainda matou 11 trabalhadores.


Para os olhos o derramamento de petróleo foi superado em função da limpeza superficial das águas e areias, todavia os efeitos ao meio ambiente e economia ainda não podem ser medidos com exatidão. Um exemplo alarmante foi revelado através dos estudos do biólogo Willian Patterson da Universidade de West Florida. 

 
O professor Patterson revela o aparecimento, neste ano de 2011, na região próxima ao acidente, de elevada quantidade de peixes com lesões na pele, apodrecimento das barbatanas, manchas, coágulos de sangue no fígado. O alarme soa mais alto ao acrescentar-se informações relativas ao aumento na quantidade de petróleo encontrado nos peixes constatado por diferentes grupos de pesquisas marinhas.

 
No campo econômico a BP também aprontou das suas excluindo das indenizações os comerciantes, proprietários de barcos, trabalhadores e turistas contaminados ou atingidos de forma indireta. Um exemplo dramático aplica-se aos proprietários de barcos de pesca e turismo contratados para o esforço de limpeza e contenção do derramamento.

 
A maior parte destas embarcações foram seriamente avariadas e seus tripulantes apresentam problemas de saúde decorrentes dos produtos químicos utilizados no processo de limpeza. O mesmo ocorre com turistas e moradores atingidos por estes produtos mesmo morando em áreas sem a presença de óleo derramado após a explosão.

 
A suspensão das atividades de exploração petrolífera em decorrência do acidente no Golfo do México provocou ainda um número gigantesco de demissões, atrasos nos pagamentos dos salários, fechamento de empresas dedicadas ao apoio das atividades nas plataformas. Estes trabalhadores não mereceram a mínima atenção da BP estando a empresa protegida através da Oil Pollution Act que limita as indenizações aos danos provocados por cobertura de óleo. O lobby do petróleo venceu mais uma vez.

 
Nos Estados Unidos as ações judiciais contra a BP foram consolidadas em 350 processos movidos por governos estaduais (queda na arrecadação), empresas privadas, sindicatos e pessoas físicas.
 

Do Golfo do México para o pré-sal

Um mês antes da explosão no Golfo do México a BP iniciava o processo para assumir o controle da Devon Energy aspecto que possibilitaria a presença da empresa britânica no cobiçado pré-sal brasileiro. O acidente nos Estados Unidos atrasou este negócio e acabou revelando a irresponsabilidade da BP traduzidos nas palavras de Bob Grahan da comissão estatal encarregada de investigar as causas da explosão: “A ruptura era evitável (...) o compromisso destas empresas deveria ser a segurança”.


As empresas acusadas por Grahan eram, além da BP, a Halliburton e Transocean que preferiram usar material de quinta para aumentar, ainda mais, os lucros. O resultado desta política de eficiência foi a prova cabal da “competência” da iniciativa privada somada a política de desregulamentação econômica.

 
Passados pouco mais de um ano o negócio entre BP e Devon Energy foi concretizado no Brasil ficando a empresa que não preocupa-se em evitar rupturas, quem afirma não sou eu e sim Bob Grahan, autorizada a perfurar o pré-sal brasileiro. 

 
No Brasil a presença da empresa inglesa foi saudada por Haroldo Lima, presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP) da seguinte forma: “A BP tem provado ser uma das melhores empresas em segurança operacional em águas profundas”. Este autor não estava no local em que tal pronunciamento foi realizado e não sei da reação dos presentes. No mínimo foram profundas gargalhadas ou espanto e silêncio total. Quem souber pode enviar um email informando.

 
A BP reclamou nas últimas semanas da elevação dos impostos ingleses no setor de exploração do petróleo e ameaça diminuir os investimentos no Mar do Norte. No Brasil deve ser o contrário, pois a mesma empresa aprova tudo inclusive a legislação tributária. 

 
No campo energético, além do petróleo, a BP controla a antiga Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool responsável pela produção – para exportação – do combustível “verde e amarelo” ou etanol. Assim caminha a indústria petrolífera.