01 abril 2011

Censo nas ilhas Canárias resulta na descoberta de 20 espécies

FOLHA DE SP
DE SÃO PAULO

Um censo para catalogar a biodiversidade nas ilhas Canárias, na Espanha, levou à descoberta de 20 novas espécies, anunciou em Madri nesta sexta-feira a organização internacional Oceana, que se dedica à proteção e conservação dos oceanos.


Além das formas de vida inéditas -- esponjas do mar, corais, ostras gigantes, peixes exóticos e arraias dadas como extintas, entre outras --, 500 espécies foram identificadas durante a expedição com duração de dois meses, realizada em 2009. 



Carlos Minguell/Oceana
Peixes "Thalassoma pavo"; censo da biodiversidade das ilhas Canárias catalogou 500 espécies; veja fotos
Peixes "Thalassoma pavo"; censo da biodiversidade das ilhas Canárias catalogou 500 espécies; veja fotos

Para proteger essa rica variedade, a Oceana também apresentou em Madri um documento com 42 medidas de proteção aos 74.000 quilômetros quadrados que formam as reservas marinhas existentes nas ilhas Canárias.

Hoje, apenas 0,15% do bioma marinho está protegido, mas pelo estudo proposto pela organização de preservação, esse número poderia subir para 15%.

Um programa de proteção, a Red Natura 2000, está em vigor na região, mas a Comissão Europeia já indicou que ele é insuficiente para assegurar a existência das espécies, visto que a exploração pesqueira, a aquicultura e a infraestrutura costeira as colocam em risco.

Onze cidades gaúchas decretam emergência; cerca de 60 mil pessoas foram afetadas pela chuva

Lucas Azevedo
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre

Onze cidades gaúchas decretaram situação de emergência por causa das chuvas da última semana. Trinta e um municípios comunicaram a Defesa Civil sobre estragos feitos por enxurrada, vendaval e granizo desde o dia 24 de março. Ao todo, foram afetadas diretamente 58.358 pessoas.


O último registro foi feito pelo município de São José do Ouro (a 406 quilômetros de Porto Alegre). Duas mil e quatrocentos moradores foram atingidos pela enxurrada.


Decretaram situação de emergência por causa de enxurradas e vendavais também as cidades de Panambi, Veranópolis, Ibirubá, Lagoa dos Três Cantos, Vila Lângaro, Maximiliano de Almeida, Colorado, Coqueiros do Sul, Barracão e Gentil.

Durante esta sexta-feira (1), uma frente fria avança pelo Estado, ocasionando chuvas isoladas alternando com momentos de céu claro. Com a predominância do sol faz calor e aumenta a sensação de abafamento.

No final de semana, a chuva deve deixar o Rio Grande do Sul, avançando sobre Santa Catarina e Paraná. No entanto, com a entrada da próxima semana, chega uma nova frente fria ao território gaúcho, trazendo mais chuva.

Veja quantas pessoas foram afetadas pelos temporais

Estado do Rio Grande do Sul: 58.450

Água Santa: 2.700

Ajuricaba: 5.804

Alegrete: 65

Aratiba: 2.350

Barracão: 2.200

Boa Vista do Incra: 2.000

Bom Jesus: 70

Colorado: 1.300

Condor: 2.329

Coqueiros do Sul: 2.257

Cristal do Sul: 2.100

Cruzaltense: 1.120

Fagundes Varela: 280

Gentil: 1.550

Getulio Vargas: 404

Ibirubá: 6.000

Lagoa dos Três Cantos: não informado

Marcelino Ramos: 2.350

Maximiliano de Almeida: 4.898

Não-Me-Toque: 3.750

Nova Alvorada: 2.326

Paim Filho: 2.455

Panambi: 3.600

Santa Cecília do Sul: não informado

São José do Ouro: 2.400

Severiano de Almeida: 450

Soledade: 250

Tapejara: 1.050

Veranópolis: 150

Vila Lângaro: 750

Vista Alegre do Prata: 1.500

Fiscalização apreende 2 toneladas de presas de elefante na Tailândia

No total, 247 presas de marfim foram encontradas em porto do país.
'Tiveram de matar os animais', disse autoridade da Alfândega na Tailândia.

Do Globo Natureza, com informações da AP


Autoridades de meio ambiente na Tailândia apresentaram duas toneladas de presas de marfim de elefantes africanos nesta sexta-feira (1º). Avaliada em milhões de dólares, a carga foi encontrada num porto de Bangcoc. Segundo autoridades, essa foi a maior apreensão de marfim feita no país.


No total, foram encontradas 247 presas, algumas com até 2 metros de comprimento. O material foi apreendido na quarta-feira (30) durante a checam de um contâiner por meio de raio-X. De acordo com autoridades do país, as presas valem cerca de US$ 3,3 milhões (cerca de R$ 5,3 milhões).

 
presas (Foto: Sakchai Lalit/ AP)Autoridades enfileiraram presas durante apresentação para imprensa na Tailândia. (Foto: Sakchai Lalit/ AP)

"Pelo comprimento e aparência das presas, não podem ter simplesmente cortado o marfim, tiveram de matar os animais", disse à agência de notícias Associated Press o diretor geral da Alfândega no porto em que o material foi apreendido, Prasong Poontaneat.

A caça de elefantes nas regiões central e leste da África cresceu nos últimos anos e a maior parte do marfim é exportada para a Ásia. Segundo autoridades, o marfim que entra na Tailândia geralmente acaba nas mãos de escultores que o usam em estátuas budistas, braceletes e jóias vendidas a turistas. O país também serve de local de passagem do produto para a China.

O carregamento interceptado vinha do Quênia e iria para o subúrbio de Bangcoc. Em fevereiro deste ano, ocorreu uma apreensão de 239 presas de elefantes africanos no aeropoto de Bangcoc.
 

31 março 2011

Radioatividade é detectada em lençol de água

Mostra de água retirada sob o reator 1 da central nuclear de Fukushima revelou um nível '10.000 vezes superior' à norma legal, segundo um porta-voz da Tepco

Veja 

Iodo radioativo foi descoberto num lençol d'água situado a 15 metros sob a central nuclear acidentada de Fukushima, declarou na noite desta quinta-feira o operador da usina, a Tokyo Electric Power (Tepco). Uma mostra de água retirada na quarta-feira às 11h10 (23h10 de Brasília) sob o reator 1 da central revelou uma taxa de 430 becqueréis por centímetro cúbico, nível "10.000 vezes superior" à norma legal, precisou um porta-voz da empresa. Becquerel é a unidade que mede o quanto de radioatividade ainda resta nos materiais através do tempo.

"Não há nenhuma dúvida que se trata de uma cifra elevada", destacou porta-voz. Ele não descarta, no entanto, a possibilidade de que essa taxa seja revista na sexta-feira. O iodo 131 também foi descoberto em grande quantidade na água do mar, perto da central Fukushima Daiichi, onde a Tepco mediu nesta quinta-feira uma concentração de iodo radioativo 4.385 vezes superior à norma legal.


Trata-se do nível mais importante desde o começo do acidente na central de Fukushima, desencadeado por um terremoto de magnitude 9 seguido de tsunami que provocaram uma pane nos sistemas de resfriamento dos reatores.

Para manter o combustível a uma temperatura inferior ao
ponto de de derretimento das varetas de combustível, centenas de operários, bombeiros e soldados derramam dia e noite milhares de toneladas de água nos reatores. A consequência disto é que enormes quantidades de água contaminada se infiltram nas galerias subterrâneas e escorrem para o Oceano Pacífico.

(Com agência France-Presse)

Petróleo está com dias contados

Vai durar 50 anos, com níveis atuais de consumo

Planeta Sustentável


O mundo pode ter não mais que 50 anos de petróleo, nos níveis atuais de consumo, e o crescimento da demanda de países em desenvolvimento poderá criar "aumentos de preços muito significativos", antes que substitutos como biocombustíveis possam servir como alternativas viáveis, adverte o banco HSBC em novo relatório, segundo o New York Times.


O banco, segundo maior do mundo em ativos, diz ainda que tendências de crescimento em países em desenvolvimento, como a China, poderão colocar mais um bilhão de carros nas ruas até meados do século. "Esta é uma pressão tremenda sobre o estoque de petróleo", diz Karen Ward, economista sênior do HSBC.

Substitutos como biocombustíveis e petróleo sintético de carvão podem preencher uma lacuna, caso o fornecimento de combustíveis comerciais não atender a demanda, mas apenas se o preço do médio do barril de petróleo ultrapassar U$ 150, nota o relatório. O fornecimento global, com gargalos crescentes, pode causar choques de preços "persistentes de dolorosos".

Alguns observadores da indústria de petróleo são mais otimistas quanto ao futuro, argumentando que a exploração de areia betuminosa no Canadá, descobertas offshore no Ártico e um esperado aumento na produçando Iraque manterão o bom fornecimento dos mercados por décadas. A perfuração de xisto também conseguiu aumentar a produção doméstica de petróleo nos Estados Unidos após anos de declínio. (Estes analistas e seu otimismo parecem não estar levando em consideração as catástrofes naturais que poderão ocorrer em áreas especialmente frágeis, como o Ártico, onde um desastre como o do Golfo do México seria extremamente mais difícil de controlar.)

Mas a vulnerabilidade dos mercados mundiais de petróleo, mesmo com distúrbios menores, como a guerra na Líbia, ficou patente. O conflito tirou 1% do petróleo de circulação, mas o preço do barril fechou em U$ 115 anteontem, e era de U$ 74 há menos de um ano.

O HSBC diz ainda que mesmo sem uma escassez de fornecimento de petróleo, a distribuição desigual dos recursos remanescentes de energia vão provavelmente alterar o equilíbrio de poder econômico no mundo nas próximas décadas. E o maior perdedor deverá ser a Europa, onde a escassez de energia poderá prejudicar significativamente o crescimento econômico até meados do século.

Estudo indica que número de cetáceos mortos pela maré negra é subestimado

AFP
Em Washington

O número de cetáceos, como golfinhos e baleias, mortos pela maré negra da BP no Golfo do México em 2010 pode ter sido subestimado e seria superior a cinco mil, segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira.


Se nos ativermos ao número de carcaças na zona afetada, que foram 101, há poucos cetáceos vítimas do petróleo que vazou durante 106 dias de um poço da plataforma Deepwater Horizon.

Mas na realidade, os esqueletos representam uma pequena parte dos animais que morreram na maior maré negra da história americana, afirmam os autores deste comunicado divulgado nas Conservation Letters, uma revista da Society for Conservation Biology.

Segundo eles, esse número pode inclusive ser multiplicado por 50, estabelecendo um novo registro muito além das cinco mil vítimas.

"A maré negra da Deepwater, a maior de que se tem conhecimento nos Estados Unidos, tem, aparentemente, apenas um impacto modesto sobre a fauna, levando a crer que os estragos causados ao meio ambiente foram mínimos", considera Rob Williams, professor da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e principal autor deste estudo.

"Essa impressão é explicada pelo fato de os estudos terem feito uma correspondência entre o número de vítimas e o número de esqueletos encontrados na costa", explica.

Normalmente, encontramos apenas 2% das carcaças, de acordo com estimativas históricas das populações de cetáceos e sua taxa natural de mortalidade nesta região combinada com a contagem anual de carcaças.

O pequeno número de carcaças encontradas pode também ser explicado pelo fato de esses animais morrerem longe da costa. A maré negra da BP foi registrada a 60 km ao longo da Louisiana.

Europeus fornecem a mais exata imagem da gravidade na Terra

FOLHA DE SP
DE SÃO PAULO

Dados enviados por satélite à ESA (Agência Espacial Europeia), durante dois anos, possibilitaram o estudo preciso da gravidade do planeta Terra de uma forma inédita.

Os cientistas agora detêm um dos mais exatos modelos geoide (forma mais aproximada do nosso planeta, visto que ele não é totalmente redondo) do lugar onde vivemos. 



ESA/HPF/DLR
Modelo da gravidade na Terra fornecerá dados oceanográficos e da estrutura interna do planeta
Modelo da gravidade na Terra fornecerá dados oceanográficos e da estrutura interna do planeta

A imagem foi divulgada nesta quarta-feira durante uma conferência em Munique (Alemanha) -- para ver uma versão animada, acesse aqui.

O geoide é uma superfície projetada da Terra e nesta apresentada pela ESA se considerou sua gravidade sem a ação de marés e correntes oceânicas.

O modelo serve como referência para medir a movimentação dos oceanos, a mudança do nível do mar e a dinâmica do gelo, o que pode abrir precedente para entender com maior profundidade as mudanças climáticas.

Além desses dados oceanográficos, também servirá para o estudo da estrutura interna do planeta -- como os processos que levam à formação de terremotos de grande magnitude e que podem provocar danos devastadores, como aconteceu com o Japão no sismo de 11 de março.

Do espaço, é praticamente impossível para os satélites observarem a dinâmica dos tremores, visto que o movimento das placas tectônicas ocorrem abaixo do nível dos oceanos.

Contudo, explica a ESA em seu site, os tremores costumam deixar um "rastro" na gravidade do planeta, o que pode ajudar a entender o mecanismo de um terremoto e, quem sabe, antecipar sua ocorrência.

30 março 2011

G20 investe mais em energias renováveis

Sérgio Abranches - EcoPolítica

Quando a crise financeira atingiu os investimentos, ela afetou muito menos o setor de energia limpa. Na Ásia e na Europa, eles apenas cresceram menos em 2009. Caíram nas Américas, mas muito menos do que os outros investimentos. E no EUA, foram o foco do programa de estímulo econômico.

Em 2010, esses investimentos cresceram fortemente em todas as regiões do mundo. É o que mostra a pesquisa do PEW Center sobre os investimentos em energia limpa nos países do G-20.

Eles cresceram 30% em 2010, em relação a 2009, atingindo US$ 243 bilhões. O G20 respondeu por mais de 90% do total global. Perto de 20% do total investido foi destinado a P&D, isto, desenvolvimento de novas tecnologias, o que indica a entrada de novas alternativas tecnológicas para geração de energia limpa no mercado em breve.

As duas tecnologias preferidas pelos investidores foram eólica e solar, que concentraram 72% do total investido em instalação de nova capacidade. Os investimentos em novos parques eólicos cresceram 34%, chegando a US$ 95 bilhões. Está havendo uma clara aceleração no lançamento de projetos eólicos: um terço dos novos investimentos foi registrado no último trimestre de 2010. As inversões em energia solar cresceram mais fortemente ainda, aumentando 53% e atingindo US$ 79 bilhões.

A maior parcela desse esforço de investimento ocorreu na Europa, com 39% do total, batendo em US$ 94.4 bilhões. Perto de 44% dos investimentos foram na Alemanha, totalizando US$41.4 bilhões. A Itália também se destacou, investindo US$ 13.9 bilhões, 15% do total. Houve forte incremento em aplicações residenciais – particularmente instalação de painéis de geração solar fotovoltaica – e pequenos projetos, um indicativo de maior descentralização das soluções energéticas.

Na Ásia houve crescimento de 33%, alcançando US$ 82.8 bilhões, 35% do total investido. A China, claro, aparece com destaque, com crescimento superior à média da região, de 39%, e um volume de US$ 54.4 bilhões, em 2010, 22% do total global e 66% do movimento na Ásia.

Nas Américas, o volume de investimento em energias limpas chegou a US$ 65.8 bilhões, representando 27% do total. O EUA apresentou uma taxa de crescimento fortíssima, de 51%, bem maior que da China, embora tenha sido superado por ela em volume, chegando a US34 bilhões. Esse volume é 14% do total global e 52% do investimento nas Américas. Nesta região, os maiores crescimentos foram na Argentina (568%) e no México (273%). No Brasil, houve ligeiro declínio do investimento em energias limpas de – 1,3%, fechando o ano com US$ 7.6 bilhões, 11,5% do total da região e meros 3% do total global.

A política de investimentos no Brasil chama atenção, também, por ter um perfil diferente da tendência global. Ele se concentra hidreletricidade, biomassa e biocombustíveis, com participação crescente, mas modesta de eólica. No resto do mundo, o investimento em biocombustíveis foi o mais baixo desde 2005, segundo o PEW Center refletindo o fato de que a capacidade de produção de biocombustíveis de primeira geração excede a demanda em vários mercados-chave e os biocombustíveis de segunda geração, mais promissores, ainda não tiveram progresso suficiente para chegar à escala comercial de porte.


Solar e eólica, como se viu, são os setores líderes. Um dos fatores por trás dessa retomada forte dos investimentos em energia limpa foi a alocação pelos governos de vários países dos recursos destinados à retomada da economia a setores da “economia verde”, com prioridade para as energias limpas novas, como eólica e solar. Esse foi, por exemplo, o caso do EUA, em que essas inversões buscando uma retomada “verde” da economia estão dando frutos importantes e gerando muito emprego.

Cientistas espanhóis produzem petróleo a partir de alga

Pesquisadores tentam simular condições de milhões de anos atrás, quando o fitoplâncton transformou-se em petróleo

AFP


Uma grande quantidade de tubos de oito metros de altura, perto de Alicante, no leste da Espanha, macera o que pode ser o combustível do amanhã: biopetróleo produzido com as microalgas que se alimentam do anídrido carbônico lançado por uma fábrica vizinha.


Cerca de 400 tubos de cor verde escura nos quais crescem milhões de microalgas estão localizados em uma planície dessa região do leste da Espanha, perto de um cemitério, que expele CO2, um gás que é capturado e levado por meio de tubulações até a pequena fábrica de biopetróleo.

Pesquisadores franceses e espanhóis da pequena empresa Bio Fuel Systems (BFS) desenvolvem há cinco anos este projeto, ainda experimental.

Em um momento em que os industriais buscam soluções criativas como alternativas para o petróleo, a ideia é reproduzir e acelerar um processo que durou milhões de anos e permitiu a produção de petróleo fóssil.

"Tentamos simular as condições que havia há milhões de anos, quando o fitoplâncton transformou-se em petróleo. Dessa forma, obtivemos um petróleo equivalente ao petróleo atual", explica o engenheiro Eloy Chapuli.


As microalgas, procedentes de uma dezena de cepas mantidas em segredo, foram recolhidas do mar Mediterrâneo e do Oceano Atlântico.

Nos tubos, reproduzem-se em grande velocidade, desdobrando-se diariamente por fotossíntese e graças ao CO2 emitido pelo cemitério.

Todos os dias, uma parte desse líquido muito concentrado é extraída e filtrada, permitindo a obtenção de uma biomassa que produzirá petróleo. A água restante volta a ser introduzida nos tubos.

Para seus inventores, a outra grande vantagem desse sistema é que ajuda a acabar com a contaminação: absorve CO2 que, de outra forma acabaria na atmosfera.

"É um petróleo ecológico", assegura o presidente e fundador da BFS, o engenheiro francês Bernard Stroïazzo-Mougin, que trabalhou em campos petrolíferos no Oriente Médio antes de se instalar na Espanha.

A fábrica de Alicante ainda tem mais de laboratório do que de fábrica. "Ainda precisaremos de cinco a 10 anos mais para passar a uma produção industrial", assegura Stroïazzo-Mougin, que espera poder desenvolver no curto prazo um primeiro projeto em grande escala no sul da Espanha e outro na ilha portuguesa de Madeira.

"Uma unidade de cerca de 50 km por 50 km, o que não é algo muito grande nas zonas desérticas do sul da Espanha, poderia produzir em torno de 1,25 milhões de barris diários", ou seja, quase tanto como as exportações cotidianas de petróleo iraquiano, afirma o engenheiro.

A BFS, uma empresa de capital privado, busca agora negociar com "vários países para que patrocinem a instalação de campos petrolíferos artificiais", explica seu presidente.

A empresa assegura que poderá vender seus barris a um preço competitivo, apoiando-se na venda de produtos derivados, como ácidos graxos do tipo Omega 3 obtidos a partir da biomassa.

Outros projetos semelhantes estão sendo estudados em outras regiões do mundo.

Na Alemanha, o grupo estatal sueco de energia Vattenfall lançou em 2010 um projeto de absorção por meio de algas do dióxido de carbono emitido pelas centrais que funcionam com carvão.

O gigante americano do petróleo ExxonMobil previu um investimento de até 600 milhões de dólares em pesquisas destinadas a produzir petróleo a partir de algas.

Os industriais, particularmente no âmbito aeronáutico, estão interessados nessas pesquisas, nas quais esperam encontrar soluções para substituir o petróleo clássico, cada vez mais escasso e cujos preços são variáveis.
 

Cidades são a principal causa da poluição no mundo, diz ONU-Habitat

Relatório avalia contribuição das regiões urbanas para o aquecimento global e vulnerabilidade de seus habitantes às mudanças climáticas.

Marina Estarque, da Rádio ONU em Nova York.


O Centro das Nações Unidas para Assentamentos Humanos, ONU-Habitat, lançou um estudo sobre a poluição nas cidades.


Segundo o "Relatório Global sobre Assentamentos Humanos 2011: Cidades e Mudanças Climáticas", lançado nesta terça-feira, as cidades são responsáveis pela maior parte das emissões de gases que causam o efeito estufa.

Efeitos

O ONU-Habitat afirma que com cada vez mais pessoas morando em regiões urbanas, as cidades se tornam mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. Segundo o relatório, as cidades geram 70% dos gases que causam o aquecimento global.

O diretor-executivo da agência, Joan Clos, disse ser importante entender a forma e o conteúdo da urbanização em andamento para que se possa planejar cidades mais resistentes e sustentáveis no futuro. Caso isto seja ignorado, alertou Clos, centenas de milhares de pessoas serão colocadas em risco pelas mudanças climáticas. Até 2030, cerca de seis em cada 10 habitantes do mundo, estarão vivendo nos grandes centros urbanos.

Oportunidades

Por outro lado, o diretor-executivo também ressaltou que as cidades são os locais com o maior número de perspectivas.

De acordo com ele, um bom planejamento urbano, transporte público eficiente e estratégias sólidas podem diminuir o impacto no meio ambiente e promover oportunidades sócio-econômicas.

29 março 2011

China e Alemanha lideram investimentos em energia limpa

No último levantamento, EUA ocupava a 2ª posição na aposta em fontes renováveis
 

AFP
 

Washington - A Alemanha ultrapassou os Estados Unidos como segundo país do mundo que mais investe em energia limpa, ao mesmo tempo em que a China mantém o posto de maior potência a aplicar em fontes alternativas de energia, diz um estudo publicado nesta terça-feira.

A pesquisa, realizada pelo Pew Charitable Trusts, constatou uma alta na demanda mundial por energias renováveis como a solar e a eólica. A úncia exceção é o Reino Unido, cujo interesse por fontes renováveis diminuiu após a posse do novo governo.

O investimento britânico no setor despencou 70% e tirou o país dos 10 primeiros lugares da lista. Esta mudança brusca deve-se, em grande parte, ao rígido plano de austeridade do primeiro-ministro David Cameron.

"Para ser franco, acreditamos que, no fim das contas, tudo é uma questão de política", disse Phyllis Cuttino, diretora do programa de energias limpas do Pew.

"Alemanha e China possuem padrões ambiciosos de energias renováveis - e certamente no caso da Alemanha, há uma tarifa retroativa que os ajuda muito", indicou, referindo-se aos incentivos fiscais do governo para a produção de energia limpa.

A China, que um ano antes havia deixado para trás os Estados Unidos como líder mundial em investimentos deste tipo, não parou de expandir seus domínios sobre as energias renováveis: o investimento total no setor alcançou 54,4 bilhões de dólares em 2010, um aumento de 39% em relação ao ano anterior, segundo o relatório.

O estudo calcula que a China produza atualmente quase metade de todos os módulos usados para a exploração da energia solar e eólica.

Na Alemanha, os investimentos em energia limpa dobraram, chegando a 41,2 bilhões de dólares. O país também se concentrou no desenvolvimento das energias solar e eólica.

E, apesar de terem caído para o terceiro lugar mundial, os Estados Unidos tiveram um desempenho notável no desenvolvimento de novas fontes de energia: o país registrou um aumento de 51% dos investimentos no setor.

A pesquisa também aponta um aumento de 100% dos investimentos em energia limpa na Itália e Austrália, que aparecem, respectivamente, em quarto e décimo-segundo lugar na lista de países que mais apostam nas fontes renováveis.

Assim como o Reino Unido, Indonésia e Coreia do Sul também registraram uma queda no investimento em energias limpas, mas os especialistas estimam que seja um movimento pontual.

No Japão, onde a principal fonte de energia limpa é a solar, os investimentos aumentaram apenas 10%, mas os analistas do Pew acreditam que este nível deve crescer ao longo da próxima década, em consequência do acidente nuclear na usina de Fukushima.

Empresa instala turbinas eólicas em sua sede, em Santa Catarina

Aerogeradores, com 2,4kW de potência, devem reduzir emissões de CO2 em 4 toneladas ao ano

Da redação - Jornal da Energia


A Mormaii, empresa de produtos de surf e esportes aquáticos, concluiu a instalação de duas turbinas para a geração de energia eólica em sua sede, em Garopaba, Santa Catarina. As máquinas foram implantadas pela Energia Pura, que já fez projetos semelhantes em prédios residenciais no País. 

A máquina utilizada no empreendimento produz 500kWh por mês. O rotor do aerogerador possui diâmetro de 3,7 metros e é capaz de gerar energia com ventos a partir de 3,5 metros por segundo. Segundo a Energia Pura, os equipamentos, além de proporcionar a redução do consumo de energia, vão reduzir as emissões de CO2 da empresa.

Eletronuclear não recorrerá à Justiça para liberar licença de Angra 2

Agência Brasil

RIO - A Eletronuclear desmentiu hoje a informação de que poderia entrar na Justiça para obter a licença de operações definitiva da Usina Nuclear Angra 2. A licença está dependendo da aprovação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A estatal enviou nesta terça-feira cartas aos presidentes dos dois órgãos, às quais foi anexado despacho da Procuradoria da República no município de Angra dos Reis (RJ), datado de 16 de dezembro do ano passado, relativo ao processo administrativo instaurado para acompanhar o licenciamento ambiental e nuclear da Usina Angra 2. Cópias das cartas foram encaminhadas ao procurador da República no município do sul fluminense, Ricardo Martins Baptista.

De acordo com o despacho, o Ibama e a Cnen não estarão isentos de cumprir as obrigações constantes no termo de ajustamento de conduta (TAC) referente à usina, mas a falta de manifestação do Ministério Público “não será mais impeditivo à emissão da licença” pelos dois órgãos federais.

O assistente da presidência da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, disse que as cartas são “autoexplicativas”. Enfatizou que o parecer do ex-procurador da República em Angra Fernando Lavieri assegura que as condições exigidas no TAC foram atendidas.

“E que ele não entraria com nenhuma ação pública, caso fossem concedidas essas licenças”. Foi o próprio Guimarães quem informou, ontem, que a estatal iria recorrer à Justiça para obter a licença definitiva da Usina Termonuclear Angra 2. Angra 1 já tem a licença.

As cartas enviadas aos presidentes do Ibama, Curt Trennepohl, e da Cnem, Odair Dias Gonçalves, solicitam que eles considerem a possibilidade de emitir a licença definitiva de operação de Angra 2.