18 março 2011

Energia nuclear: Senado discute medidas de segurança

Comissões terão três audiências públicas para esclarecer a população sobre riscos das usinas no país; governo federal também debaterá o tema
 

Adriana Caitano - Veja

Após o acidente nuclear na usina de Fukushima, que ocorreu depois do terremoto e do tsunami que devastaram o Japão há uma semana, os riscos da energia nuclear têm sido rediscutidos em todo o mundo. Alguns países da União Europeia, por exemplo, já testam novos modelos de segurança. No Brasil, o governo negou que esteja reavaliando a construção de quatro novas usinas nucleares, mas disse estar de olho nos desdobramentos do caso japonês. Na próxima semana, o tema será levado ao Senado, em audiências públicas com a presença de especialistas e gestores da área.

Os debates foram marcados pelas comissões de Ciência e Tecnologia (CCT), Infraestrutura (CI) e de Meio Ambiente (CMA) e pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República. Na manhã de quarta-feira, participarão das discussões Othon Luiz Pinheiro Silva, presidente da Eletronuclear, responsável pelas usinas termonucleares do país, e um representante da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

Governo - À tarde, o debate acadêmico ficará por conta dos especialistas em energia nuclear da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luiz Pinguelli Rosa e Aquilino Senra Martinez, da Coppe. O ex-ministro da Ciência e Tecnologia José Goldemberg também participará. Na quinta, discutem o tema os ministros do GSI, José Elito de Carvalho, e da Ciência e Tecnologia, Aloísio Mercadante. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, também foi convidado, mas sua presença não está confirmada.

Os efeitos da perda de biodiversidade

Ela desorganiza os serviços da natureza

Planeta Sustentável

 

Uma equipe internacional de cientistas publicou uma nova e abrangente análise, mostrando que a perda de biodiversidade de plantas desorganiza os serviços fundamentais que os ecossistemas fornecem à humanidade.

A equipe de pesquisadores, com nove membros, liderados pelo professor Brad Cardinale, da Universidade de Michigan, analisou resultados de 574 estudos de campo e de laboratórios em cinco continentes, feitos durante as duas últimas décadas - que mediram as mudanças de produtividade resultantes da perda de algumas espécies vegetais. Este tipo de meta-análise permite que pesquisadores enxerguem além de seus trabalhos coletivos ou individuais, para conseguir um quadro global muito mais confiável. O estudo foi publicado na edição de março do American Journal of Botany.

“A idéia de que o declínio da diversidade compromete o funcionado de ecossistemas foi controvertida por muitos anos", diz Emmett Duffy, ecologista do Instituto de Ciência Marinha da Virgínia. “Este relatório deve ser o prego final no caixão desta controvérsia. É a análise mais abrangente e rigorosa já feita, e ela mostra com clareza que a extinção das espécies de plantas compromete a produtividade dos ecossistemas de apoio à vida no planeta."

A análise da equipe mostra que comunidades de plantas com muitas espécies diferentes são 1.5 vezes mais produtivas que aquelas com apenas uma espécie (como por exemplo em monoculturas de soja, ou de milho). As comunidades diversas têm também mais eficiência na captação de nutrientes, luz e outros recursos. O trabalho também sugere, baseado em estudos feitos em laboratórios com algas, que comunidades com plantas diversas geram oxigênio e absorvem dióxido de carbono duas vezes mais rápido que plantas de monoculturas, informa o Sticky Tongue.

Reconhecendo que as suas descobertas são baseadas em grande parte em análises de experimentos de curto praazo (geralmente de poucos dias, semanas ou meses), em áreas relativamente pequenas, os pesquisadores tentaram determinar como os efeitos da diversidades se dão em escalas de tempo maiores, em áreas maiores, ou ambos. Os autores notam que estas são as escalas do mundo real, "na qual a extinção das espécies realmente importa e na qual ocorrem os esforcos de conservação e manejo". A equipe sugere pequenos estudos de laboratório e de campo subestimam os efeitos da perda de biodiversidade.

Aves marinhas são mortas por tsunami perto do Havaí

DA BBC BRASIL

Milhares de albatrozes e outras espécies ameaçadas de uma reserva de vida selvagem no noroeste do Havaí foram mortos pelo tsunami que devastou o Japão na sexta-feira passada.


Segundo as autoridades americanas, milhares de peixes e outras aves, como a procelária, também foram mortas pelas ondas que atingiram o atol de Midway, santuário para mais de 2 milhões de aves marinhas.

Um dos sobreviventes foi Wisdom, uma albatroz de cerca de 60 anos, que é a ave mais velha conhecida nos Estados Unidos.

A albatroz ficou famosa recentemente quando foi vista com um filhote em fevereiro, surpreendendo cientistas pelo fato de que ainda podia criar filhotes aos 60 anos.

Midway é um dos atóis mais remotos do planeta e se transformou em santuário ambiental depois que uma instalação militar americana que ocupava o local foi fechada em 1993.

O atol foi usado como base militar pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, além das guerras da Coreia e do Vietnã e durante a Guerra Fria.

Mesmo em um local remoto, a região foi atingida pelo tsunami que se seguiu ao terremoto de magnitude 9,0 que atingiu o Japão na tarde de sexta-feira.

RESGATE

O Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos informou que mil albatrozes-de-laysan, adultos e adolescentes, morreram quando o tsunami atingiu o atol. Dezenas de milhares de filhotes também morreram.

As ondas chegaram a 1,5 metro de altura no local, atingindo o atol com força por volta da meia-noite (horário local) do dia 10 de março e continuaram durante algumas horas.

Estas ondas atingiram mais de 60% da ilha do Leste, uma pequena ilha de cerca de 150 hectares dentro da área de preservação.

Os moradores do atol receberam um aviso quatro horas antes da chegada das ondas, por isso tiveram tempo de se prevenir.

Um filhote dentro de um ninho foi encontrado ileso a cerca de 35 metros do local onde deveria estar, depois de ter sido levado pelas ondas. Outras aves marinhas tiveram menos sorte e milhares delas foram enterradas vivas.

Milhares de peixes mortos foram encontrados no interior da ilha do Leste, e o impacto entre os patos e focas ainda não foi avaliado, segundo o serviço americano. No entanto, duas tartarugas verdes foram resgatadas vivas.

Fabricante de bebida diz ter criado garrafa 100% reciclável

DA FRANCE PRESS

A fabricante americana de alimentos e bebidas PepsiCo anunciou ter criado a primeira garrafa plástica inteiramente feita a partir de materiais vegetais renováveis e 100% recicláveis.


A garrafa é composta de "materiais brutos biológicos", informa a PepsiCo em um comunicado, citando a Panicum virgatum, uma gramínea encontrada principalmente em grandes planícies, cascas de coníferas e folhas de milho.

"Futuramente, o grupo quer (...) incluir cascas de laranja, maça, batata, aveia e outros produtos agrícolas derivados de atividades agroalimentares", acrescenta o comunicado divulgado na terça-feira.

A garrafa, contudo, só chegará às mãos dos consumidores a partir de 2012, ano em que a empresa começa a realizar testes de produção.

Não é a primeira vez que a PepsiCo está envolvida na pesquisa de embalagens recicláveis. Ela já fabricou uma para batatas fritas, que teve de ser retirada do mercado americano porque os compradores do produto consideraram os pacotes muito barulhentos.

Para o projeto das garrafas, a PepsiCo garante que ela será igual à versão plástica clássica.

Na França, o grupo Danone anunciou neste mês que seu produto Actimel seria vendido naquele país em uma garrafa plástica composta por 95% de cana de açúcar, após ter introduzido plástico vegetal na elaboração de garrafas de água da marca Volvic.

Trio acha novo roedor na mata atlântica

Com 30 cm da ponta do focinho à extremidade da cauda, ele vive no alto das árvores; há registros em SP e SC

Mistério evolutivo cerca a espécie, já que seu parente mais próximo habita um vale árido nos Andes peruanos


REINALDO JOSÉ LOPES

EDITOR DE CIÊNCIA - FOLHA DE SP

A mata mais estudada (e mais devastada) do Brasil ainda abriga várias espécies desconhecidas, mas é provável que poucas sejam tão enigmáticas quanto um certo roedor de pelagem densa.
 
Não é exagero chamar o Drymoreomys albimaculatus, recém-descoberto habitante da mata atlântica, de náufrago evolutivo. Segundo biólogos, a espécie mais aparentada ao bicho vive... num vale árido dos Andes peruanos, sabe-se lá o porquê.

 
O estudo descrevendo a nova espécie saiu recentemente na revista científica "Zoological Journal of the Linnean Society". É uma amostra de que as surpresas da floresta que um dia dominou a costa brasileira ainda estão longe de terminar.

 
"Esse resultado realmente foi muito estranho", confessa Alexandre Reis Percequillo, do Departamento de Ciências Biológicas da USP de Piracicaba. "Talvez o fato de que ambos os bichos pertençam a grupos montanos [típicos de áreas montanhosas] ajude a explicar esse padrão, mas é cedo para dizer."

 
Percequillo é um dos autores da certidão de nascimento científica do bicho, ao lado de Marcelo Weksler, do Museu Americano de História Natural, e Leonora Costa, da Universidade Federal do Espírito Santo. Paradoxalmente, ele nunca viu o bicho vivo.

 
"Participei de uma das coletas, na qual um só exemplar foi capturado, mas quando cheguei ele já estava morto", conta Percequillo.

 
O método mais usado para a captura envolve um balde enterrado no chão da floresta, dentro do qual o bicho acaba caindo. Alguns animais são marcados para acompanhamento futuro, enquanto outros são sacrificados com uma overdose de anestésico e vão para as coleções zoológicas dos museus.

 
Foram essas coleções, com exemplares coletados nas últimas duas décadas, junto com análises de DNA, que permitiram comprovar o pedigree único do bichinho.

 
Tanto é assim que os biólogos precisaram criar não só um nome de espécie, mas também um de gênero novo para batizá-lo. (O gênero é o "primeiro nome" de um animal, formando um grupo mais abrangente que o de espécie. Leões e onças, por exemplo, são ambos do gênero Panthera.)

 
Sabe-se pouco sobre o bicho, apesar de algumas pistas vindas de sua anatomia.

 
A palma das patinhas e o espaço entre os dedos, por exemplo, possuem "almofadas" que ajudam o animal a manipular com mais sensibilidade os galhos nos quais fica dependurado.

 
Já o pênis dos machos carrega glândulas que produziriam uma secreção viscosa, formando o chamado plugue copulatório. É um cinto de castidade, feito para impedir que a fêmea acabe cruzando com machos rivais.

 
Por enquanto, há registros da espécie na Serra do Mar, em São Paulo e Santa Catarina. Não dá para dizer se ela corre perigo de extinção.

16 março 2011

Mais de 134 mil estão desabrigados ou desalojados pelas chuvas em 11 Estados

Do UOL Notícias
Em São Paulo*

Pelo menos 217 municípios brasileiros estão em situação de emergência ou em estado de calamidade pública, em 11 Estados brasileiros, em decorrência das fortes chuvas registradas este ano, apurou levantamento feito junto às Defesas Civis estaduais pelo UOL Notícias. Neles, mais de 134 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas.


Minas Gerais lidera o ranking entre os Estados em que mais cidades foram afetadas -- ao todo, são 132 em situação de emergência e 34.723 desabrigados e desalojados, além de 7.695 casas danificadas. Também hoje, a Defesa Civil do Estado confirmou a 18ª morte em consequência das chuvas -- um adolescente de 12 anos que foi arrastado pelas águas da enxurrada, no último dia 11, em Governador Valadares. Testemunhas contaram que o menino brincava com amigos no bairro Santo Antônio, na periferia, quando acabou sendo levado pelas águas para dentro de uma galeria da rede pluvial que estava destampada.


Em São Paulo, segundo Estado mais atingido pelas chuvas desde o final de 2010, a Defesa Civil estadual contabiliza hoje 19 cidades em estado de emergência, além de 28 mortos, 30 feridos e 14.785 desabrigados e desalojados.

No Rio de Janeiro, a situação ainda é considerada delicada no norte do Estado, onde cinco cidades foram mais castigadas pelas chuvas dos últimos dias. Nelas, são pelo menos 800 pessoas desabrigadas ou desalojadas. Enchentes provocaram a interdição de várias estradas. Em Campos, por exemplo, são 112 famílias ilhadas nas localidades de Imbé e Pernambuca, segundo a Defesa Civil. Havia previsão de um ciclone hoje no litoral do município, mas ele não causou estragos.

Também no Rio, além das cidades ao norte, há ainda sete municípios em estado de calamidade pública na região serrana desde janeiro, quando os deslizamentos mataram mais de 900 pessoas. Outras 32.801 estão desabrigadas ou desalojadas na região, informou a Sesdec (Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil).

No Espírito Santo, onde o número de pessoas que perderam total ou parcialmente suas residências passa de 3.400, já são 25 municípios afetados, dos quais 14 -- principalmente Viana, Cariacica, Guaçui e Alegre -- decretaram situação de emergência. O número de desabrigados e desalojados chega a 1.819 pessoas, segundo o balanço de hoje da Defesa Civil estadual. O órgão informou, no entanto, que a situação geral já começa a se normalizar, ainda que em cidades como Guaçuí e Fundão aconteça ainda deslizamento de encostas e, em Cachoeiro de Itapemirim, o aumento do nível de água dos córregos tenha gerado pontos de alagamento e deslizamentos. Lá, uma menina de três anos chegou a ser soterrada, mas foi retirada com vida do local.

Região Sul


No Sul do país, o maior número de desabrigados e desalojados está no Estado do Paraná, com 16.862 pessoas nessas condições. O Estado, que tem quatro mortes em consequência das chuvas, teve decretada calamidade pública para as cidades de Antonina e Morretes, no litoral. Guaratuba, Honório Serpa e Paranaguá decretaram situação de emergência.

Santa Catarina, segundo Estado do Sul com maior número de desabrigados e desalojados -- 14.361, ao todo --, tem 26 cidades atingidas por alagamentos, enxurradas ou deslizamentos, conforme a Defesa Civil estadual. Dessas, 14 cidades estão em situação de emergência.

No Rio Grande do Sul, onde foi decretada situação de emergência para quatro de oito cidades atingidas pelas chuvas, são 1.589 desabrigados e desalojados nas cidades de Rio Grande, Turussu, Arroio do Padre, São Francisco de Paula e São Lourenço do Sul, em estado de calamidade pública -- as sete mortes da chuva foram todas lá. 

 
Norte, Centro-Oeste e Nordeste

Além dos Estados de Sul e Sudeste, as chuvas ainda deixaram desabrigados no Maranhão, Mato Grosso do Sul e Pará e causaram duas mortes na Bahia, onde os municípios de Guaratinga e Itabuna foram os afetados.

De acordo com a Defesa Civil do Mato Grosso do Sul, são cerca de 2.800 desabrigados e desalojados em nove cidades afetadas pelas chuvas; cinco delas em situação de emergência. O governador de MS, André Puccinelli (PMDB), estimou semana passada em R$ 110 milhões os investimentos necessários para recuperação das localidades afetadas. A Defesa informou, no entanto, que o número de desabrigados está em declínio, com a trégua das chuvas mais fortes.

No Maranhão, são seis cidades em situação de emergência, nas quais 13.854 pessoas estão desabrigadas ou desalojadas. O grande volume de águas no Estado provocou a cheia dos rios Mearin, Itapecuru, Tocantins e Parnaíba, que cortam a região. O caso mais grave é do município de Trizidela do Vale, no interior, onde são 6.327 moradores desalojados ou desabrigados.

Já no Pará as chuvas deixaram em situação de emergência as cidades de Marabá e Tucuruí, mas, até o fechamento da reportagem, a Defesa Civil no Estado não tinha os números de desabrigados e desalojados.
 

Estradas

Os transtornos a estradas e rodovias em decorrência de chuvas e deslizamentos foram sentido principalmente no Sul do país. No RS, segundo o DAER (Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem), não há nenhuma estrada interditada. Entretanto, 25 pontes dentro dos limites do município caíram e, em São Lourenço do Sul, 900 km dos 2.700 km da malha viária do município estão interrompidos.

No PR, apesar da liberação parcial da BR-376, na divisa entre Paraná e Santa Catarina, os motoristas continuam enfrentando problemas com o tráfego intenso de veículos. A fila alcançou 10 km de extensão na manhã desta quarta-feira (16). Sequência da BR-101 no Paraná, a via apresenta restrições ao tráfego em um trecho de 21 km, entre os municípios de Tijucas do Sul e Guaratuba.

Em SC, para evitar o congestionamento na rodovia, uma alternativa seria a BR-280, mas há uma parte dela interrompida entre São Bento do Sul e Corupá, no norte do Estado. A pista cedeu no km 94 por causa das chuvas, e ainda não há previsão de quando o problema será resolvido. A opção mais utilizada é a SC-301, que corta a serra Dona Francisca. Porém, durante os três dias em que a BR-376 ficou totalmente interditada, a rodovia estadual sofreu com longas filas. O percurso, bastante sinuoso e com faixa simples nos dois sentidos, estava sendo realizado ontem em tempo até seis vezes superior ao normal.

A PRF de Santa Catarina indica outros caminhos para quem quiser evitar a BR-376. Quem reside no Vale do Itajaí, por exemplo, pode acessar a BR-470 para chegar a BR-116, que leva até São José dos Pinhais (PR). De Florianópolis, a opção é seguir pela BR-282, em direção à serra catarinense, para acessar a BR-116 no município de Lages, o que aumenta a viagem em cerca de 260 km. As viagens de ônibus saindo da capital catarinense registraram atrasos de sete horas até Curitiba, e de doze horas para chegar em São Paulo.


* Com informações de Janaina Garcia e Fábio Luís de Paula, em São Paulo, Léo Pereira, em Florianópolis (SC), e Lucas Azevedo, em Porto Alegre (RS)

Secretaria de Saúde do RJ registra 4 cidades com epidemia de dengue

Bom Jesus de Itabapoana é o município com maior taxa de incidência.
De acordo com a Secretaria, 14 pessoas morreram desde 2 de janeiro.

Do G1 RJ


Quatro municípios do estado do Rio de Janeiro já apresentam casos localizados de epidemia de dengue, de acordo com informações confirmadas pela Secretaria estadual de Saúde nesta quarta-feira (16).


O município com maior taxa de incidência é Bom Jesus de Itabapoana,no Noroeste Fluminense, com 2.447,4 casos por 100 mil habitantes. Outros municípios em alerta são: Cantagalo (1.321,5 casos/100 mil habitantes), no Norte Fluminense, Santo Antonio de Pádua (1.158,5 casos/100 mil habitantes), no Noroeste do estado, e Magé (599,6 casos/100 mil habitantes), na Baixada Fluminense.

A Subsecretaria de Vigilância em Saúde informou que já são 20.150 casos suspeitos de dengue em todo o estado, desde o dia 2 de janeiro até o dia 12 de março.

Ainda de acordo com a subsecretaria, a taxa de incidência estadual é de 126 casos por 100 mil habitantes, e que, por isso, não há uma epidemia da doença no estado.

O setor ressalta que, para avaliar um quadro de epidemia, é levado em consideração o número de casos notificados, a série histórica de casos notificados no município, e se a curva de incidência se sustenta ao longo do tempo.

Número de óbitos dobrou

 
Sete pessoas morreram por conta da dengue, do dia 26 de fevereiro até o dia 12 de março, no estado do Rio. O estado já contabiliza, nos três meses de 2011, 14 óbitos, conforme informações da Secretaria estadual de Saúde.

Os municípios que registraram os casos de morte foram: Nova Iguaçu (1), Magé (1), Cabo Frio (1), São Gonçalo (2), Maricá (1), Rio de Janeiro (5), São João do Meriti (2) e São José do Vale do Rio Preto (1).

Nos dois primeiros meses de 2011, a subsecretaria havia informado que sete pessoas já haviam morrido por causa da dengue. De acordo com os novos números divulgados, o número de óbitos dobrou em apenas 15 dias.

Painel de Acompanhamento da Dengue

 
Nesta quarta-feira (16), a Subsecretaria de Vigilância em Saúde apresentou o Painel de Acompanhamento da Dengue, nova ferramenta para agilizar a tomada de decisões para minimizar os riscos de epidemia de dengue no estado. Segundo a Secretaria estadual de Saúde e Defesa Civil (Sesdec), o painel oferece informações como o número de casos notificados, taxa de incidência da doença, óbitos confirmados, circulação vetorial e o tipo viral em cada município.

Os dados são colhidos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e também dos registros de atendimentos realizados pelas UPAs 24h em todo estado. Segundo a Secretaria, a partir desta semana, o painel ficará exposto 24 horas por dia em um telão no Departamento Geral de Defesa Civil (DGDEC), local que reúne todos os gestores da Sesdec envolvidos em tomada de decisões relacionadas à dengue.
 

Um novo furacão no Brasil

Inmet, Marinha e Inpe divergem sobre tempestade Arani, que atinge litoral
 

Fábio Fabrini e Renato Grandelle - O Globo
 
Um fenômeno climático que tem provocado chuva intensa do Norte Fluminense ao sul da Bahia divide os principais órgãos meteorológicos do país. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) chama o Arani, como foi batizado, de furacão. Em um alerta especial, ressaltou a ocorrência de ventos de até 120 km/h sobre o Oceano Atlântico. O diagnóstico, porém, não é compartilhado pela Marinha do Brasil, que define o mesmo fenômeno como tempestade subtropical - uma escala de gravidade abaixo -, nem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que afirma tratar-se de uma depressão tropical - outro degrau abaixo no nível de periculosidade.

 
Fenômeno se afasta da costa brasileira
 

O Arani ("tempo furioso", em tupi) se formou pela conjunção de água e ar quentes em uma área de forte instabilidade próxima à costa do Espírito Santo. Esse sistema provocou uma circulação ciclônica de ventos, além de grandes volumes de chuva naquele estado. O perigo não foi maior porque a formação está sobre alto-mar e, nos próximos dois dias, deve se dirigir para sudeste, afastando-se ainda mais do litoral brasileiro.
 
De acordo com o Inmet, o Arani ganhou mais força quando se afastou do litoral, adquirindo as características de um furacão híbrido. Trata-se de uma formação diferente das que costumam devastar o Caribe e o Atlântico Norte, pois, em vez de um sistema independente, que se alimenta do aquecimento das águas do mar, está associado a um ciclone, originado de uma frente fria.

 
O furacão está a 110 quilômetros da costa brasileira e só representa ameaça a embarcações e aviões que sobrevoem a região do Cabo de São Tomé, litoral do Rio, que está em sua rota para o oceano. Nos próximos dias, o Arani deve atingir águas internacionais, e o monitoramento caberá à África do Sul.

O Inmet classificou o fenômeno com a ajuda de órgãos americanos de monitoramento de furacões. De acordo com a meteorologista Morgana Almeida, da equipe do instituto, não há risco de o movimento atual do fenômeno se inverter, trazendo prejuízos ao continente. O instituto alertou autoridades da Marinha, que tomaram providências para evitar o tráfego na área atingida pelos fortes ventos.

 
Mas o próprio Serviço Meteorológico da Marinha classifica o Arani de outra forma. O órgão identificou rajadas de, no máximo, 80 km/h. Há grande precipitação em alto-mar, mas as ondas provocadas por elas, de 3 a 4 metros, têm o mesmo tamanho daquelas formadas por uma frente fria.

 
- Formações como essa não são comuns, mas podem ocorrer no verão - ressalta a meteorologista Caroline Vidal Ferreira da Guia, do Inpe. - O Arani tem força para provocar transtornos à população, mas, segundo nossas medições, não chega a ser um furacão.

Marinha dá sinal verde para transformar arquipélago de Alcatrazes em parque nacional

Atualmente, local não permite visitação pública e circulação de embarcações

Agência Estado


Depois de quase três décadas, deverá sair do papel a proposta de transformar em parque nacional marinho o arquipélago dos Alcatrazes, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo.


A Marinha do Brasil, que realiza exercícios de tiro no local, segmentos da sociedade civil e o Ministério do Meio Ambiente, por meio do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), chegaram a um consenso que permitirá mudar o status do arquipélago, hoje vetado à visitação pública e até mesmo à circulação de embarcações.

Para que a mudança seja concretizada, um termo de compromisso terá de ser assinado entre os Ministérios do Meio Ambiente e da Defesa, de forma a conciliar os interesses de segurança nacional com a proteção do ecossistema local.

A Marinha admite mudar o local de treinamento de tiro para a Ponta do Farol, situado num local distante do arquipélago principal, o que poria fim a uma disputa que se arrasta na Justiça desde a década de 90 - ambientalistas exigem a suspensão das manobras militares no arquipélago, a Marinha, por sua vez, alega que não há nenhum outro local no País para os exercícios.

Uma proposta elaborada pelo ICMBio foi apresentada oficialmente à Marinha segundo Kelen Luciana Leite, chefe da Estação Ecológica Tupinambás, que abriga o ICMBio em São Sebastião.

- Fizemos diversos estudos, observando a capacidade de suporte do ecossistema, as limitações de acesso e distâncias, entre outros itens.

No início da noite da terça-feira (15), o ICMBio realizou a apresentação do projeto a empresários do litoral paulista que serão impactados pela alteração. A maior parte dos empresários é ligada a agências de turismo náutico.

Município de Carauari no Amazonas, sai na frente em plano de resíduos sólidos

Município é o único do AM que já cumpriu o prazo de apresentação do PMGIRS, que vai até agosto de 2012

MONICA PRESTES - A Crítica


Na corrida contra o tempo para cumprir a lei federal que obriga as cidades brasileiras a apresentar o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS) até agosto de 2012 e construir aterros sanitários até agosto de 2014, Carauari é o único município do Amazonas já legalizado. Por isso, está livre das punições previstas aos que não cumprirem os prazos, que vão da suspensão do repasse de verbas da União às prefeituras até a prisão de gestores municipais.

Dos 62 municípios amazonenses, Carauari é o único a possuir um aterro sanitário construído em conformidade com a legislação e com todas as licenças ambientais exigidas. Das outras 61 prefeituras, 57 ainda utilizam lixões a céu aberto no interior e pelo menos duas têm aterros controlados: Tefé e Manaus.

As constatações são do presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Ademir Stroski. E ele justifica que nem mesmo Manaus está em acordo com a lei porque o aterro municipal, localizado na AM-010, é um aterro controlado, e não sanitário, e ainda não possui todas as licenças ambientais necessárias.

“A lei exige que todos os municípios construam aterros sanitários, e não controlados, até 2014. A legislação brasileira prevê que um aterro sanitário não pode ser construído no mesmo local onde já existiu um lixão a céu aberto, como é o caso de Manaus, na AM-010. Aquele aterro sempre vai ser um aterro controlado, nunca sanitário. Um aterro sanitário demanda outro local”, explicou.

A titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), Nádia Ferreira, afirmou estar preocupada com a situação do Estado frente à “nova” legislação, principalmente com relação aos municípios do interior do Amazonas, onde 57 dos 61 ainda não possuem aterros.

Um risco à saúde da população que pode se transformar em um risco, também, à saúde econômica das prefeituras, com a suspensão do repasse de recursos federais a partir de agosto do ano que vem. “A situação do Amazonas é muito grave, pois 92% dos municípios do interior ainda utilizam lixões a céu aberto.”

De acordo com ela, uma das situações mais preocupantes é a de Parintins, onde a lixeira municipal é a céu aberto, fica em um terreno da Universidade do Estado do Amazonas e já provocou o fechamento do aeroporto. “Lá, vamos buscar soluções com a Seinf e prefeitura para não prejudicar o festival folclórico.”

Parceria vai garantir R$ 1 mi a prefeituras

 
As prefeituras do interior do Amazonas vão receber R$ 1 milhão, proveniente de uma parceria entre a SDS e a Associação Amazonense de Municípios (AAM), para custear a execução dos PMGIRS até agosto de 2012.

O anúncio deve ser feito hoje pela secretária da SDS, Nádia Ferreira, no primeiro dia do Seminário sobre Gestão Integrada de Resíduos Sólidos no Amazonas, que acontece até amanhã no auditório Belarmino Lins, na Assembleia Legislativa (ALE).

“Secretários de meio ambiente e prefeitos do interior serão orientados sobre a documentação e elaboração dos projetos. Esse é um problema que os gestores municipais devem ver como prioridade máxima. Nossa meta é ajudar os municípios a zerar os lixões até 2014, que já está batendo à nossa porta.”

De acordo com Ferreira, esse projeto de lei federal ficou tramitando no Congresso brasileiro por 20 anos antes de ser aprovada e o tema não pode mais ser adiado, nem para evitar punições às prefeituras. “Não queremos a prorrogação do projeto. Isso só causaria mais prejuízos aos moradores, que são os mais afetados por esse problema. Encaramos como uma corrida contra o tempo para acabar com os lixões”.

Acidente no Japão põe programas nucleares em xeque em todo o mundo

No Brasil, ministro Lobão garante continuidade da expansão da fonte; na Europa, países suspendem investimentos

Por Wagner Freire - Jornal da Energia


O forte abalo sísmico que atingiu o Japão na última sexta-feira (11/03), com magnitude 9 na escala Richter, provocou uma série de explosões na usina nuclear Fukushima Daiichi, causando risco de contaminação radioativa no país. Agora, o acidente movimenta a comunidade mundial em torno da segurança de centrais nucleares e seu respectivo futuro.


No Brasil, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, afirmou que a expansão nuclear do País será mantida. Segundo Lobão, as usinas nucleares previstas para serem construídas nos próximos anos possuem blindagens inexistentes nas usinas japonesas. Para ele, não há motivos para o País abandonar seu programa nuclear.

Mas há quem discorde. Para o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o mundo deve reavaliar o uso da energia nuclear como matriz energética. "Se elas já sofreram no passado algumas restrições, acredito que agora, com esse problema do Japão, vamos ter que parar um pouco para pensar", avalia Sarney.

Entretanto, especialistas da PUC/RJ e do Instituto de Astronomia e Geofísica da USP (IAG/USP) citados pela Eletrobras Eletronuclear, responsável pelas usinas nucleares brasileiras, estimam que a probabilidade de ocorrência de um abalo das mesmas proporções de Fukushima na Central Nuclear de Angra, no Rio de Janeiro, é de uma a cada 50 mil anos.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) também posiciona-se e afirma que “acidentes relevantes com usinas nucleares são raros", citando o caso de Chernobyl, há 25 anos. Segundo a CNEN, a tecnologia empregada evoluiu bastante, o que tornaria ainda mais improvável a repetição de algo semelhante.

"As condições extremas causadas pelos abalos sísmicos no Japão não fazem parte da realidade brasileira. Porém, mesmo aqui, as usinas nucleares estão preparadas para problemas que possam eventualmente ocorrer, mesmo com probabilidade muito baixa", argumenta a comissão.

Em comunicado oficial, a CNEN também afirma que os planos brasileiros para a fonte "não devem sofrer alterações" e destaca que "qualquer possível evolução nas condições de segurança resultante da experiência japonesa, caso se mostre necessário, será adequadamente incorporada à realidade nacional após as conclusões técnicas que forem tiradas".

O Jornal da Energia ainda conversou com o ex-presidente da Eletronuclear e pesquisador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel-UFRJ), Zieli Thomé Dutra, que ressaltou que ainda não é possível afirmar quais serão as mudanças nas normas e exigências para centrais nucleares. Para o especialista, após acidentes como o japonês, a experiência adquirida se transforma em conhecimento tecnológico e pode ser utilizada nas plantas.

Segundo Dutra, essas determinações de segurança variam de nível conforme a localização de cada usina. “As mudanças certamente acontecerão, mas isso demanda tempo e não quer dizer que vá afetar o Brasil. Isso dependerá da visão dos técnicos, que são pessoas extremamente competentes”, explicou.

Repercussão no mundo

 
Na Europa, o presidente da França, Nicolas Sarkizy, informou que deseja convocar uma reunião extraordinária com os ministros da Economia e Energia que integram o G20 - bloco que reúne as 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia - para discutir a questão da segurança nuclear no mundo.

Segundo o ministro do Meio Ambiente alemão, Nobert Rottgen, franceses e alemães pretendem lançar uma iniciativa comum sobre a segurança nuclear. A reunião ainda não tem data marcada. Ainda na Alemanha, a chanceler Angela Merkel adiou, provisoriamente, a intenção de prolongar a vida útil de 17 centrais nucleares alemãs. Merkel afirma que a medida é para que haja tempo para analisar o que ocorreu no país nipônico.

Já a Turquia anunciou que pretende avançar em seus projetos, que incluem a construção de duas centrais nucleares: uma em Porto de Mersin e outra em Porto de Sinop, no Mar Negro.

Águas Subterrâneas, artigo de Roberto Naime

EcoDebate

As águas subterrâneas são aquelas armazenadas no interior dos maciços rochosos. Podem passar pelo estágio de acumulações freáticas nos solos (provenientes da chuva) ou serem diretamente dirigidas para o acúmulo no interior das rochas (aqüíferos).
 
As rochas que armazenam as águas subterrâneas são conhecidas como aqüíferos, e as rochas que deixam fugir as águas subterrâneas denominam-se aquifugos.

Existem 2 tipo de aqüíferos principais entre as rochas: os aqüíferos denominados primários ou por poros e os secundários ou por fraturas e diáclases das rochas.

A melhor expressão dos aqüíferos primários são as rochas sedimentares psamíticas, ou seja os arenitos e conglomerados. Para os leigos, arenitos também são conhecidos como “lage de grês”. Estas rochas chegam a exibir até 40% de porosidade e armazenam grande quantidade de água, que percola livremente na rocha, produzindo poços tubulares profundos, com grande capacidade de vazão.

São estas rochas que armazenam petróleo, dependendo da localização geológica.

Aqüíferos secundários ou por fraturas ocorrem em todo o tipo de rochas, tem menor capacidade de armazenamento de fluidos e conseqüentemente geram poços tubulares profundos com menor produção de água.

As águas subterrâneas, por definição, são aquelas que estão armazenadas em rochas, e originalmente são geradas pelas fontes pluviométricas, mas freqüentemente sofrem a influência de outras águas:

Águas conatas: são as águas que ficam armazenadas com os sedimentos desde a superfície após os processos diagênicos que transformam sedimentos em rochas sedimentares. Exibem freqüente contaminação com sais ou outros elementos químicos e podem não ser potáveis. Muito conhecidas como águas salobas;

Águas juvenis: representam os fluidos aquoso que resultam e sobram das cristalizações de magmas (fusões de rocha), seja em condições plutônicas (profundas) ou vulcânicas (superficiais). Por isso são ricas em metais e outros elementos químicos da tabela periódica que não conseguem entrar nos minerais que se formaram, tanto pelo tamanho de raio iônico, como por eletronegatividade ou outra característica química que impede as substituições diadóxicas (um elemento químico substituído por outro de mesmo tamanho de raio iônico ou mesma eletronegatividade).

As águas subterrâneas que sofrem contaminação com águas conatas, freqüentemente são salobas e apresentam dureza (quantidade de sais e carbonatos) elevada, apresentando problema para utilização em caldeiras (entope as caldeiras e pode produzir explosões).

As águas subterrâneas contaminadas por águas juvenis origiinam as denominadas águas minerais, de diversas naturezas, como fluoretadas, bicarbonatadas, etc.

Para muitas pessoas, com o decorrer do tempo, se reduz a capacidade de filtração do sangue pelos rins e podem ser desenvolvidos cálculos ou pedras renais.

Se for de composição cálcica, a recomendação médica é diminuir o consumo de leite e derivados. Se for silicosa, a sugestão é evitar o consumo de águas minerais.

Por isto, atualmente, é muito incentivado o consumo de águas minerais ditas “leves” ou com baixo teor de constituintes mineralizantes, que podem ser maléficos em quantidade inapropriada para consumo humano ou para certos tipos de organismos ou condições devidas à idade cronológica.

Roberto Naime, colunista do Portal EcoDebate, é Professor no Programa de pós-graduação em Qualidade Ambiental, Universidade FEEVALE, Novo Hamburgo – RS.

15 março 2011

Japão define futuro de usinas no Brasil

Plano de abastecimento do país até 2030 inclui quatro centrais nucleares

Marta Sfredo - Zero Hora
Até meados do ano, a Eletronuclear deverá apresentar ao governo federal um atlas avaliando os locais mais convenientes para instalação de usinas atômicas no país. No plano de abastecimento do país até 2030, estão previstas quatro centrais, cada uma com capacidade de 1 mil megawatts (MW), além da construção de Angra 3.

Diante do risco de desastre no Japão, onde ocorreram três explosões na central de Fukushima 1, a comunidade de energia nuclear brasileira está alerta, por saber que o futuro do programa nacional depende do sucesso da tentativa de evitar acidente semelhante ao de Chernobyl.

– Qualquer decisão vai depender de como a engenharia nuclear vai responder a essa situação de um evento extremo – avalia Francisco Rondinelli, vice-presidente da Associação Brasileira de Engenharia Nuclear.

Conforme informações da Eletronuclear, a primeira etapa de estudos havia apontado as margens do Rio São Francisco como a melhor localização, mas o governo determinou a ampliação da análise de quatro Estados – Alagoas, Sergipe, Bahia e Pernambuco – para todo o país. Caso o cronograma seja cumprido, a primeira das usinas poderá operar até meados de 2020.
 
– Do ponto de vista de segurança nuclear, não há razão para se rever a implantação das usinas.

No Japão, houve uma circunstância única, e se vê que muitas usinas em áreas abaladas resistiram e continuam operando – diz Laércio Vinhas, diretor de radioproteção e segurança nuclear da Comissão Nacional de Energia Nuclear.

Se o Japão tem poucas opções de geração, não é o caso do Brasil. Por que, então, implantar mais usinas nucleares no país? Há dois motivos básicos, para os especialistas: aumentar a segurança energética com uma fonte térmica com alta capacidade, sem emissão de gases de efeito estufa, e usar a reserva nacional de urânio, sexta maior do mundo, em menos de um terço do território prospectado.

Dependência hidrelétrica expõe risco de racionamento
 
Rondinelli argumenta que o risco da alta dependência brasileira de energia hidrelétrica é a repetição do racionamento de 2001 – provocado por anos de chuva escassa e falta de planejamento.

Responsável pelas negociações que autorizaram o Brasil a enriquecer urânio a menos de 20%, Vinhas afirma que as tratativas foram semelhantes às da venda de um carro:

– As agências querem ter acesso maior, e queremos limitá-lo para preservar nossos segredos tecnológicos.

''Maré de corpos'' chega à costa

Cerca de 2 mil cadáveres são encontrados no litoral da Província de Miyagi; número final de mortos na tragédia japonesa deve ultrapassar 10 mil

Cláudia Trevisan - O Estado de S.Paulo

 

Dois mil corpos foram encontrados ontem em praias da Província de Miyagi, uma das mais afetadas pelo devastador terremoto seguido de tsunami, que atingiu a costa nordeste do Japão na sextafeira.
 
O número oficial de mortos e desaparecidos se aproxima de 5 mil, mas deverá ultrapassar os 10 mil, à medida que as equipes de resgate cheguem aos locais mais isolados.

 
Em Miyagi, após a chegada de uma maré de corpos, todos os crematórios ficaram lotados e faltaram sacos para guardar os restos mortais das vítimas. Eles foram localizados em dois trechos do litoral: mil mortos apareceram na costa de Minami-Sanrikucho, enquanto outros mil foram descobertos na Península de Ojika, em Ishinomaki.

 
No momento em que os cadáveres foram encontrados, o número oficial de mortos era de quase 2 mil. O chefe de polícia de Miyagi, Naoto Takeuchi, teme que mais de 10 mil tenham morrido na região.

 
"A situação é fora do comum. É muito provável que os crematórios estejam operando além de sua capacidade", afirmou Yukio Okuda, do Ministério da Saúde japonês, antes de anunciar a suspensão da regra que exige autorizações para cremações e enterros. "É uma medida de emergência. Queremos ajudar as vítimas como pudermos."

 
Alerta. Hachinohe, na Província de Aomori, está no extremo norte do litoral do Japão. Na cidade, o alerta de tsunami chegou a tempo de a população que vive nas proximidades do mar se abrigar em terreno mais alto e assistir à chegada das gigantescas ondas criadas pelo terremoto.

 
A comerciante Fukue Kakuchi trabalhava com a família no pequeno restaurante que possui no porto de Hachinohe quando carros da polícia com alto-falantes passaram na rua com o alerta de tsunami.

 
Em menos de dez minutos, todos estavam em uma pequena colina, com outros moradores da área portuária.

 
De lá, eles assistiram aterrorizados à chegada das ondas que arrastaram barcos, casas e inundaram plantações. Munidos de pás, Fukue, o marido e outros parentes retiravam ontem do pequeno restaurante a lama arrastada pelas ondas.

 
A água ocupou todo o primeiro andar do sobrado, mas a família Kakuchi não foi tão castigada. 


Outras casas de madeira foram arrastadas pela água e pararam no meio de ruas ou no mar.
 
Na prefeitura de Hachinohe, foi montado um centro de operações de resgate, no qual militares e funcionários civis monitoram a situação na região.


Milhões de japoneses passaram a enfrentar ontem cortes temporários de eletricidade, como parte do esforço do governo de racionar energia e evitar um apagão generalizado.

 
Os 55 reatores nucleares do Japão respondem por pouco mais de um terço da energia gerada no país. Com as panes provocadas pelo desastre duplo, de terremoto seguido de tsunami, 11 deles apresentaram problemas, o que comprometeu 20% da oferta de energia nuclear.

 
Rodízio. O racionamento ficará em vigor até 8 de abril e deverá atingir 45 milhões de japoneses.
 

A medida também será aplicada a empresas e a alguns serviços, como trens. O país foi dividido em diferentes áreas, cada uma das quais ficará sem energia por um período de 3 a 6 horas diárias, em um esquema de rodízio.

COM AGÊNCIAS

Japão já não descarta risco de derretimento total de três reatores

O Globo

TÓQUIO

 
Uma explosão de hidrogênio no reator número 2 de Fukushima I (Daiichi) na manhã de hoje - a terceira e mais grave registrada no complexo desde sábado - aumentou o alerta nuclear no país. Depois de uma série de falhas, engenheiros passaram a noite tentando resfriar a estrutura, cujo superaquecimento, estimado em cerca de 1.900 graus Celsius, já havia provocado o derretimento parcial de parte das varetas metálicas que conduzem o combustível (urânio enriquecido).

 
Ao contrário dos incidentes anteriores, o porta-voz do governo do Japão, Yukio Edano, deixou de lado o tom contido e confirmou que a explosão afetou a piscina de condensação - um tanque de contenção, na área de resfriamento - destinado a impedir a fuga de radiação em caso de acidente. A Tokyo Electric Power Company (Tepco) evacuou os funcionários que trabalhavam no local. Edano disse que a possibilidade de total derretimento dos reatores 1, 2 e 3 não podia ser descartada.

 
- Não se pode dizer que a situação seja estável - afirmou o porta-voz.

 
Pouco depois da nova explosão, os sites dos jornais "Asahi Shimbun" e "Yomiuri Shimbun", que estão entre os principais do país, informavam - sem confirmação oficial - que o nível de alerta em Fukushima passara do nível quatro para o nível seis, sendo sete o nível mais alto da escala internacional, como o desastre de Chernobyl, em 1986.

 
De acordo com a Agência de Segurança Industrial e Nuclear do Japão, o impacto da explosão deixou expostos metade das varetas de combustível do reator. O maior temor é que as paredes de contenção do reator tenham sido danificadas - o que tornaria Fukushima uma versão contemporânea da usina de Chernobyl, que não tinha essa proteção contra o escape de material radioativo. Uma espessa nuvem de fumaça encobria a região e, segundo a Tepco, uma primeira amostragem indicava que os níveis de radiação haviam quadruplicado em 40 minutos e atingido 8,217 microsieverts, quantidade oito vezes maior que a permitida.

 
Governo pede socorro aos Estados Unidos
 

Mais cedo, embora a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tenha considerado "improvável" uma catástrofe comparada à de Chernobyl, o governo do Japão pediu ajuda à entidade e aos EUA - além de anunciar a distribuição de 230 mil tabletes de iodo, usados em casos de exposição à radiação, aos moradores de um raio de 20 quilômetros do complexo nuclear. A dificuldade japonesa de controlar as falhas também levou a França a afirmar que o acidente é mais grave do que admitem as autoridades do país.
 
- É uma crise que pode durar semanas. O nível quatro (de gravidade, estabelecido pelos japoneses) é grave, mas acredito que estejamos pelo menos no nível cinco (acidentes com consequências de grande alcance) ou mesmo seis (acidente importante). - alertou André-Claude Lacoste, da Agência de Segurança Nuclear Francesa (ASN).

 
A Comissão Reguladora Nuclear americana (NRC) enviou dois peritos em reatores nucleares com água, como parte de uma delegação da Agência dos EUA para Desenvolvimento Internacional (USAid) - enquanto avalia novas formas de colaborar com os especialistas japoneses.

Por uma ironia da História, o pedido de socorro veio do único país atacado, há 66 anos, por uma bomba atômica, ao agressor de então. E preocupou especialistas americanos. Executivos da indústria nuclear, em contato com colegas japoneses, relataram a inquietação nipônica.

 
- Eles estão em pânico total. Totalmente desordenados, sem saber o que fazer - contou um, em condição de anonimato, ao "New York Times".

 
Em Viena, o chefe da AIEA, Yukiya Amano, tentou acalmar a onda de especulações e reafirmou que, até agora, toda a radiação que vazou dos reatores nucleares ainda está abaixo dos níveis considerados perigosos:


- Apesar das explosões de hidrogênio, os recipientes que abrigam os reatores, feitos para impedir grandes vazamentos de radioatividade, continuam intactos. Por isso, o vazamento é limitado.

 
No complexo de Fukushima I (Daiichi), técnicos levavam adiante o plano de injetar água do mar e ácido bórico - capaz de absorver partículas atômicas - nos reatores 1, 2 e 3 para forçar a queda das altas temperaturas devido ao colapso do sistema de resfriamento. Mas, horas depois do início da operação, outra falha levou a bomba que injetava água no reator número 2 ficar sem combustível. O nível de água abaixou rapidamente, deixando as varetas que armazenam o combustível nuclear completamente expostas por mais de duas horas, o que significa, na prática, que o combustível poderia começar a derreter. Nesse cenário, sem água, as pastilhas de combustível - urânio altamente enriquecido - podem queimar através do fundo da estrutura de contenção, levando ao escape de altos níveis de material radioativo.

 
Segundo a rede NHK, os engenheiros da Tepco tiveram dificuldade em injetar água do mar no reator porque as dez válvulas de escape - necessárias para aliviar a pressão, permitindo que o vapor radioativo saia - pararam de funcionar. E uma segunda tentativa de esfriar a estrutura voltou a falhar, deixando as varetas expostas. A alternativa encontrada pelos peritos foi abrir um novo canal de ventilação para reduzir a pressão, e o processo de resfriamento da instalação já foi retomado.

 
Embora o governo japonês - e a própria AIEA - insistam em minimizar os riscos de radiação, pelo menos 190 pessoas foram contaminadas, sendo que 22 estão hospitalizadas, em tratamento.

 
O medo de contaminação radioativa chegou à Marinha dos EUA - envolvida nos trabalhos de resgate às vítimas das tsunamis. Testes de laboratório confirmaram que 17 militares apresentaram resultados positivos para "baixos níveis" de radioatividade, capaz de ser eliminada com água e sabão. 


Mas, por precaução, o porta-aviões USS Ronald Reagan, foi deslocado para uma distância de 160 quilômetros da região de Fukushima.
 
Apesar do risco de novos terremotos, uma boa notícia injetou um pouco de ânimo nos japoneses.

 
Segundo a agência meteorológica do país, a massa de ar sobre a região tende a seguir ao leste, rumo ao Pacífico - o que ajudaria a levar para longe do continente qualquer vestígio de radiação nuclear.

14 março 2011

Desmontar carros e reciclar tudo

Washington Novaes - O Estado de S.Paulo

O governo de São Paulo pretende, em dois anos, implantar as primeiras "desmontadoras de veículos" - informou este jornal (21/2) -, na tentativa de enfrentar o problema da "mobilidade zero" na capital, diagnosticado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Guilherme Afif Domingos. E começará pelos carros e motos reprovados na inspeção veicular e que tenham dívidas fiscais - cerca de 30% a 35% da frota total. Só nos pátios estão mais de 100 mil veículos apreendidos por irregularidades e dívidas.

Os números já não chegam a espantar. Na capital, são 7 milhões de veículos registrados. No País, 35,3 milhões, aos quais em cinco anos se deverão acrescentar 25 milhões. Em 2010 foram 3,5 milhões de carros novos vendidos (inclusive com isenção de impostos), compondo o quarto maior mercado mundial. Só a Polícia Militar aplicou, em 2010, quase 750 mil multas de trânsito na capital (ao todo foram mais de 6 milhões de infrações). Espera-se que este ano sejam 20% mais (Estado, 21/2) e que a receita com elas chegue a R$ 638,9 milhões. No ano passado, de mais de R$ 500 milhões de receita com multas, R$ 170 milhões foram concedidos em subsídios a empresas de ônibus, para "renovação da frota e compensações tarifárias".

Num panorama como este, com 45% das pessoas na capital se deslocando em automóveis (Estado, 10/9/2010), só se poderia mesmo chegar à saturação - e, afinal, à proposta de "desmontar veículos". Mas ela terá de ir além dos pátios repletos de veículos irregulares. E um bom exemplo pode ser encontrado pelas autoridades na Suécia, onde o ônus do "desmonte" e da reciclagem cabe aos proprietários dos veículos, e não ao Estado (e à sociedade toda). Nesse país, ao comprar um carro novo, o proprietário já paga por um certificado de reciclagem, que passará de mão em mão se o veículo for vendido. O proprietário que entender haver chegado a hora da reciclagem, leva o carro a uma empresa autorizada e recebe o valor desse certificado. A empresa começa por retirar todos os fluidos e óleos para reciclagens especiais; depois, tudo o que ainda pode ser utilizado (pneus, vidros, peças etc.) é vendido a terceiros, com garantia de prazo; em seguida, a carcaça é amassada e enviada a outra empresa, que a pica e destina os resíduos a fornos de siderúrgicas, base para asfalto de rodovias e outras aplicações. O país já faz isso com mais de 90% dos veículos que chegam ao fim da vida útil, e espera chegar em breve a 100%.

É um bom exemplo, que deveria ser levado, aqui, também a outras áreas de resíduos. Porque, apesar de acertos da nova Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), os avanços serão difíceis se não se implantar o princípio de que o ônus da solução deve caber a quem gera os resíduos - domiciliares, comerciais, industriais, da construção etc. E isso não está na lei. Ela dá prazo para que Estados e municípios façam seus planos diretores para a área e definam programas de coleta seletiva. Mas como se fará isso, se quase 60% dos municípios brasileiros (3.369, segundo o IBGE) nem sequer têm aterros e depositam resíduos em lixões, alegando falta de recursos? No Estado do Rio são 72 dos 92 municípios. Em São Paulo, 156 dos 645 municípios - e isso em dois dos Estados com mais recursos.

Há algum tempo calculou-se que implantar um aterro para 2 mil toneladas diárias custa R$ 350 milhões. Como o Brasil produz mais de 200 mil toneladas diárias de resíduos domiciliares e comerciais, isso significaria, a grosso modo, que precisamos de áreas equivalentes a mais de 100 desses aterros. Que custariam mais de R$ 35 bilhões. Como o PAC deste ano prevê um total de R$ 1,5 bilhão para a área de resíduos (se não houver contingenciamento), seriam mais de 20 anos só para implantar aterros. Sem falar nos investimentos necessários para a reciclagem em todos os municípios (prevista na PNRS para dentro de quatro anos). E para a implantação de logística reversa nos vários setores (pilhas e baterias; lixo eletroeletrônico; pneus; agrotóxicos; lâmpadas fluorescentes; vidros etc.).

É preciso repetir e insistir: só haverá solução se o gerador de resíduos pagar pela coleta e destinação - como se faz nos países que mais avançaram nessa área, principalmente na Europa. São Paulo chegou a criar uma taxa para os resíduos domiciliares e comerciais na administração Marta Suplicy, mas recuou (e a ex-prefeita chegou a dizer aos jornais que a criação da taxa foi seu "maior erro político").

Da mesma forma, a acertada decisão de dar preferência na política nacional a cooperativas de catadores (eles já seriam 1 milhão hoje) corre riscos, se não se avançar para a implantação de sistemas financiados em que elas disponham de equipamentos para a coleta (caminhões com espaços separados para lixo seco e lixo orgânico) e recebam das prefeituras por tonelagem coletada os mesmos valores hoje atribuídos a empresas que fazem esse trabalho.

É preciso, também, financiar para as cooperativas usinas onde o lixo orgânico seja compostado e transformado em fertilizante (utilizável em jardins, contenção de encostas etc.). O lixo seco, depois de separado na usina, pode ser transformado em telhas (a partir de massa de papel e papelão decompostos, revestida de betume); o PVC, em mangueiras pretas; o vidro pode ser moído e vendido a recicladoras, assim como o alumínio de latas.

Onde se fez isso, gerou-se muito trabalho e renda para uma corporação a quem o País já deve muito, pois, trabalhando de sol a sol, sem nenhuma proteção, ela encaminha a empresas quase tudo o que se recicla de papel, papelão, vidro, pet, alumínio e outros materiais. Em alguns lugares onde isso foi feito, o lixo encaminhado, no final, a aterros, foi reduzido a 20% do total - o que é enorme economia de recursos e de dinheiro para o poder público (e para a sociedade, que paga os impostos).

Se não for assim, corre-se o risco de o novo plano não avançar.

13 março 2011

Desastre no Japão paralisa montadoras

Jornal da Tarde

As três maiores montadoras japonesas (Toyota, Honda e Nissan) vão parar amanhã quase toda sua produção doméstica por conta do terremoto ocorrido na sexta-feira, segundo agências internacionais. O objetivo das suspensões – que podem durar vários dias – é analisar os impactos do tremor nas fábricas e os problemas no fornecimento de peças para as linhas de montagem.

Campeã mundial de vendas desde 2009, a Toyota vai paralisar suas 12 unidades fabris no Japão, o que significa cinco unidades da marca e sete de subsidiárias. Muitas fabricantes de autopeças afiliadas à empresa também vão suspender os trabalhos. De acordo com a montadora, as paralisações também servirão para dar tempo à companhia de verificar se seus empregados e familiares estão bem.

A Honda afirmou que apenas uma de suas cinco fábricas em território japonês continuará em operação a partir de amanhã. Ainda não há uma definição se elas voltarão a produzir antes desta quinta-feira. A única unidade que seguirá na ativa é a de motocicletas, no oeste do Japão. As que vão parar ficam nas cidades de Tochigi, Sayama, Hamamatsu e Suzuka.

Por sua vez, a Nissan disse que vai suspender amanhã a produção de suas seis fábricas japonesas. A montadora divulgou que as paralisações são necessárias para “checar os danos materiais bem como discutir a entrega de peças com os fornecedores”. Duas unidades foram danificadas pelo terremoto mas ainda não se sabe em que nível nem quando elas voltarão a operar.

Que tal morar em um apartamento verde?

Vanessa Barbosa - Exame.com

A água da chuva é recolhida em calhas para ser reaproveitada na irrigação do jardim. O óleo que fritou o bife no almoço, em vez de jogado pia abaixo, vai para um duto de coleta próprio, de onde segue para reciclagem. Medidores de água são individuais e a energia que aquece o banho e a piscina vem de fontes renováveis, como painéis solares.

Seguindo padrões de construção sustentável, os prédios residenciais verdes se tornam, aos poucos, realidade nas principais capitais do país. E os atrativos vão além dos simples cuidados com meio ambiente, eles refletem positivamente no bolso do consumidor. Apesar de custarem mais caro no começo (entre 5% e 7%), os edifícios sustentáveis garantem economias consideráveis na conta de luz e no condomínio de até 40%.

Quinto país no ranking global de prédios verdes, o Brasil conta atualmente com 26 empreendimentos residenciais em processo de certificação junto as duas únicas instituições no país que concedem o título de "construção verde". Dezessete pleiteiam o Leed, concedido pelo Green Building Council, e os outros 9 buscam a certificação Aqua, da Fundação Vanzolini. Já é possível encontrá-los nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Porto Alegre.

"Os consumidores finais estão cada vez mais exigentes e buscam prédios com o selo", afirma Luiz Henrique Ferreira, engenheiro civil e diretor da Inovatech, consultoria responsável pelo condomínio True Chacará Klabin, primeiro residencial de São Paulo a receber a certificação Aqua para a fase programa. "A certificação enxerga aquilo que não conseguimos ver no estande de venda. Dá segurança ao comprador e credibilidade ao empreendimento", diz ele.

Até agora, o filão do mercado de prédios verdes tem sido os empreendimentos comerciais. Pelo menos 50 edifícios deste segmento já foram certificados e mais de duas centenas deles aguardam o selo. O interesse empresarial se justifica. "Esse público leva em conta o custo com condomínio e conta de luz dos escritórios, além de agregar valor à marca", diz Marcos Casado, gerente técnico do GBC Brasil, braço nacional da instituição americana. "Já o consumidor comum ainda cultiva a ideia de que prédio verde custa muito caro".

Mesmo sem uma demanda alta por parte do público consumidor, as construtoras apostam neste segmento, com os olhos no futuro. Em Porto Alegre, a Joal Teielbaum é responsável pelo primeiro residencial do Brasil a receber a certificação Leed, que deve sair nos próximos meses.

O condomínio Príncipe de Greenfield, em Mont'Serra, bairro nobre da região, possui aquecimento d´água por painéis solares, telhado ecológico, coletores de água da chuva, iluminação eficiente, paisagismo com árvores nativas, coleta seletiva e uma séria de outras características que o tornam digno do título de verde.

Todos os 53 apartamentos já foram vendidos, cada um custou em média R$ 350 mil, na planta. Hoje, segundo Cládio Teitelbaum, diretor de Qualidade e Relacionamento com o Cliente da empresa, há quem receba proposta de R$ 800 mil e se recuse a vender. "Para além do valor ambiental, sustentabilidade se traduz em ganhos econômicos", ressalta.

A grande maioria dos clientes é de jovens solteiros ou recém-casados, na faixa de 30 e 40 anos. Para muitos trata-se do primeiro apartamento. Foi a combinação entre consciência ambiental e redução de custos com o condomínio que atraiu o advogado Sebastião Ventura Pereira da Paixão Júnior, de 31 anos. "Eu procurava um lugar que me garantisse conforto, economia e contato com a natureza. E apesar de todos os diferenciais do prédio, ele tinha preço muito similar ao de outros condomínios convencionais", diz. Nada mal para um primeiro apê.