14 janeiro 2011

Consumo de açaí contaminado causa surto no interior do Amazonas

Portal Amazônia, com informações da Susam

MANAUS – A Secretaria de Estado da Saúde (Susam) confirmou, nesta sexta-feira (14), um surto de Doença de Chagas no município de Carauari. A cidade registrou 12 pessoas com diagnóstico confirmado por exames laboratoriais. De acordo com o secretário Wilson Alecrim os pacientes tiveram quadro agudo da doença. O problema é causado pelo parasita Trypanosoma Cruzi, presente nas fezes do barbeiro ou de besouros de palmeiras.

Todas as pessoas afetadas moram em assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), localizado na Estrada do Riozinho, na zona rural de Carauari. Investigação epidemiológica, realizada pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), apontou o consumo de açaí contaminado, preparado artesanalmente, como a causa provável da transmissão da doença. O grupo teria consumido a bebida em um evento familiar.

A equipe da FVS apurou que o açaí consumido pelas famílias foi produzido na casa de uma delas, de forma artesanal e sem cuidados de higiene. A família relatou que os caroços de açaí não foram previamente lavados, foram machucados direto com as mãos e a água utilizada para sua diluição foi coletada direto da chuva. “A manipulação inadequada dos frutos do açaí e de outros alimentos pode levar à transmissão do protozoário para as pessoas, por via oral”, explicou Alecrim.

Relatório apontou que os pacientes pertencem a duas famílias e entre eles quatro são menores de 14 anos e oito são adultos. O consumo do açaí contaminado ocorreu no dia 17 de dezembro e 11 dias depois surgiram os primeiros casos suspeitos. Doze das 14 pessoas que consumiram a bebida, apresentaram sintomas de febre, dor de cabeça e muscular, tontura, fraqueza e falta de ar e foram atendidas no Hospital Regional de Carauari. Os pacientes tiveram quadro agudo da doença, receberam assistência médica e estão em tratamento no próprio município.

A manipulação inadequada do açaí já provocou surtos em outros municípios do estado. No ano de 2007, foi registrado um surto no município de Coari, onde 27 pessoas contraíram a doença e em 2010 em Santa Isabel do Rio Negro, com 17 doentes.

Cuidados

Para solucionar o problema de transmissão da doença através do consumo do açaí, a FVS desenvolve um trabalho educativo, de conscientização das populações rurais, com a distribuição de cartilha informativa sobre os perigos que a manipulação incorreta do fruto podem acarretar para a saúde das pessoas. “A cartilha ensina como proceder para evitar a contaminação, com todo o passo-a-passo da manipulação e com ilustrações para que as pessoas possam compreender melhor e aplicá-las”, explica o diretor-presidente da FVS, Bernardino Albuquerque. (IP)

Tempestade na região serrana do Rio provoca destruição e 550 mortes

Tempestade no Rio: A pior tragédia climática da história do Brasil

Bagé é a 12ª cidade do Rio Grande do Sul a decretar emergência causa da seca

Terra

Porto Alegre - A prefeitura de Bagé, no Rio Grande do Sul, assinou decreto que coloca a cidade em situação de emergência devido à estiagem que assola a região. Com isso, chega a 12 o número de municípios gaúchos em emergência por conta

Foram recebidos os decretos de Candiota, Pedras Altas, Herval, Hulha Negra, Santana do Livramento, Lavras do Sul Pedro Osório e Cerrito. Piratini, Pinheiro Machado, Aceguá e, agora, Bagé aguardam a homologação de sua Notificação Preliminar de Desastre (Nopred).


O anúncio de que Bagé entraria com a notificação foi feito pelo prefeito, Dudu Colombo, após reunião com representantes da
Defesa Civil, Departamento de Água e Esgotos de Bagé (Daeb), dos segmentos de produção, e do governo.

"Com isto, vamos buscar, junto aos governos federal e estadual, recursos que possibilitem
auxiliar o município com as necessidades, além de utilizar verbas municipais para este fim", disse Colombo.

De acordo com diagnóstico feito sobre os prejuícos da falta de chuvas, as perdas na pecuária da cidade atingiram a marca de R$ 24,3 milhões, seguido por R$ 8,6 milhões na
agricultura.

Desastre Amazônico

Avaaz

O Presidente do IBAMA se demitiu ontem devido à pressão para autorizar a licença ambiental de um projeto que especialistas consideram um completo desastre ecológico: o Complexo Hidrelétrico de Belo Monte.

A mega usina de Belo Monte iria cavar um buraco maior que o Canal do Panamá no coração da Amazônia, alagando uma área imensa de floresta e expulsando milhares de indígenas da região. As empresas que irão lucrar com a barragem estão tentando atropelar as leis ambientais para começar as obras em poucas semanas.

A mudança de Presidência do IBAMA poderá abrir caminho para a concessão da licença – ou, se nós nos manifestarmos urgentemente, poderá marcar uma virada nesta história. Vamos aproveitar a oportunidade para dar uma escolha para a Presidente Dilma no seu pouco tempo de Presidência: chegou a hora de colocar as pessoas e o planeta em primeiro lugar. Assine a petição de emergência para Dilma parar Belo Monte – ela será entregue em Brasília, quando conseguirmos 150.000 assinaturas:

https://secure.avaaz.org/po/pare_belo_monte/?vl


Abelardo Bayama Azevedo, que renunciou à Presidência do IBAMA, não é a primeira renúncia causada pela pressão para construir Belo Monte. Seu antecessor, Roberto Messias, também renunciou pelo mesmo motivo ano passado, e a própria Marina Silva também renunciou ao Ministério do Meio Ambiente por desafiar Belo Monte.

A Eletronorte, empresa que mais irá lucrar com Belo Monte, está demandando que o IBAMA libere a licença ambiental para começar as obras mesmo com o projeto apresentando graves irregularidades. Porém, em uma democracia, os interesses financeiros não podem passar por cima das proteções ambientais legais – ao menos não sem comprarem uma briga.

A hidrelétrica iria inundar 100.000 hectares da floresta, impactar centenas de quilômetros do Rio Xingu e expulsar mais de 40.000 pessoas, incluindo comunidades indígenas de várias etnias que dependem do Xingu para sua sobrevivência. O projeto de R$30 bilhões é tão economicamente arriscado que o governo precisou usar fundos de pensão e financiamento público para pagar a maior parte do investimento. Apesar de ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, ela seria a menos produtiva, gerando apenas 10% da sua capacidade no período da seca, de julho a outubro.

Os defensores da barragem justificam o projeto dizendo que ele irá suprir as demandas de energia do Brasil. Porém, uma fonte de energia muito maior, mais ecológica e barata está disponível: a eficiência energética. Um estudo do WWF demonstra que somente a eficiência poderia economizar o equivalente a 14 Belo Montes até 2020. Todos se beneficiariam de um planejamento genuinamente verde, ao invés de poucas empresas e empreiteiras. Porém, são as empreiteiras que contratam lobistas e tem força política – a não ser claro, que um número suficiente de nós da sociedade, nos dispormos a erguer nossas vozes e nos mobilizar.

A construção de Belo Monte pode começar ainda em fevereiro.O Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, diz que a próxima licença será aprovada em breve, portanto temos pouco tempo para parar Belo Monte antes que as escavadeiras comecem a trabalhar. Vamos desafiar a Dilma no seu primeiro mês na presidência, com um chamado ensurdecedor para ela fazer a coisa certa: parar Belo Monte, assine agora:

https://secure.avaaz.org/po/pare_belo_monte/?vl


Acreditamos em um Brasil do futuro, que trará progresso nas negociações climáticas e que irá unir países do norte e do sul, se tornando um mediador de bom senso e esperança na política global. Agora, esta esperança será depositada na Presidente Dilma. Vamos desafiá-la a rejeitar Belo Monte e buscar um caminho melhor. Nós a convidamos a honrar esta oportunidade, criando um futuro para todos nos, desde as tribos do Xingu às crianças dos centros urbanos, o qual todos nós podemos ter orgulho.

Com esperança

Ben, Graziela, Alice, Ricken, Rewan e toda a equipe da Avaaz

Fontes:

Belo Monte derruba presidente do Ibama:
http://colunas.epoca.globo.com/politico/2011/01/12/belo-monte-derruba-presidente-do-ibama/


Belo Monte será hidrelétrica menos produtiva e mais cara, dizem técnicos:
http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/04/belo-monte-sera-hidreletrica-menos-produtiva-e-mais-cara-dizem-tecnicos.html


Vídeo sobre impacto de Belo Monte:
http://www.youtube.com/watch?v=4k0X1bHjf3E


Uma discussão para nos iluminar:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101224/not_imp657702,0.php


Questão de tempo:
http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2011/01/13/questao-de-tempo-356318.asp


Dilma: desenvolvimento com preservação do meio ambiente é "missão sagrada":
http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20110101161250&assunto=27&onde=Politica


Em nota, 56 entidades chamam concessão de Belo Monte de 'sentença de morte do Xingu':
http://oglobo.globo.com/economia/mat/2010/08/26/em-nota-56-entidades-chamam-concessao-de-belo-monte-de-sentenca-de-morte-do-xingu-917481377.asp


Marina Silva considera 'graves' as pressões sobre o Ibama:
http://www.estadao.com.br/noticias/economia,marina-silva-considera-graves-as-pressoes-sobre-o-ibama,475782,0.htm


Segurança energética, alternativas e visão do WWF-Brasil:
http://assets.wwfbr.panda.org/downloads/posicao_barragens_wwf_brasil.pdf

12 janeiro 2011

Chuva em São Paulo e em Nova Friburgo ultrapassa média histórica, diz Inpe

Mais de 250 pessoas morreram por causa da chuva no Sudeste, neste ano.
Em Nova Friburgo, nas últimas 24 horas, choveu 166 milímetros.

Luciana Rossetto 
Do G1, em São Paulo

Na Região Metropolitana de São Paulo e em Nova Friburgo (RJ) já choveu em 12 dias o equivalente à média histórica de todo o mês de janeiro. Neste ano, as chuvas que atingiram o Sudeste deixaram mais de 250 mortos no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

O meteorologista Giovanni Dolif, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe), explicou ao G1 que a média histórica é feita com base na chuva registrada em janeiro entre 1961 e 1990.

Em Nova Friburgo, a média para o mês de janeiro é 232 milímetros. Nas últimas 24 horas, caíram 166 e, no acumulado do mês de janeiro, foram 350 milímetros. “Somente entre 2h e 3h da madrugada [desta quarta-feira], choveu 63 milímetros em Nova Friburgo. Isso é muita água”, afirmou Dolif.

Em Teresópolis, foram registrados 82 milímetros de chuva nas últimas 24 horas. Na Região Serrana do Rio, a média histórica é 250 a 300 milímetros. Somente até terça-feira (11), foram registrados 200 milímetros de chuva.

Na cidade do Rio de Janeiro, choveu entre 100 e 150 milímetros. A média histórica para a capital é entre 200 e 250 milímetros.

Segundo o meteorologista, não ocorreu nenhum fenômeno anormal do ponto de vista atmosférico para justificar a chuva em Nova Friburgo. “Não é uma particularidade deste ano. Nós vemos chover 166 milímetros em outros pontos do país, mas quando isso acontece no Amazonas, não há problemas. Mas quando acontece em uma área vulnerável, como a região serrana, ela vai causar modificações na natureza e quem morar na área vai sofrer com isso”, disse.

Na Região Metropolitana de São Paulo, a média histórica fica entre 200 e 250 milímetros, número já ultrapassado. “Neste ano, estamos entre 250 e 300 milímetros na Região Metropolitana de São Paulo. Já ultrapassou 50 milímetros. Em poucos dias, choveu mais do que o previsto para o mês todo”, afirmou.

Dolif ressalta que o excesso de chuva não é uma particularidade deste ano e que, no ano passado, a cidade de São Paulo ultrapassou a média histórica. A capital tem média histórica de 237,4 milímetros e, em 2010, foram registrados 480 milímetros.

Minas Gerais
 
No Sul de Minas, já choveu nestes 12 dias entre 250 e 300 milímetros, o que equivale à média histórica para o mês. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a média histórica é igual e já choveu entre 150 e 200 milímetro. 

“Até agora não atingiu a média do mês, mas se continuar chovendo bastante poderá passar”, disse.

Espírito Santo
 
Apesar das fortes chuvas que atingiram o estado no final de dezembro, a Região Metropolitana de Vitória registrou entre 25 e 50 milímetros neste ano. O normal para o mês de janeiro é entre 100 e 150 milímetros. Segundo o Inpe, os mesmos índices foram registrados no Sul do estado, que também tem a mesma média histórica.

Causa das chuvas
 
O sistema meteorológico que causa as chuvas é a Zona de Convergência de Umidade. Segundo Dolif, esse sistema é como um rio na atmosfera, que parte com vapor de água da Amazônia e segue afunilando até a Região Sudeste. “É como uma toalha molhada, que não está pingando, mas pinga quando é torcida. A Zona de Convergência causa esse feito na atmosfera quando afunila, de torcer a toalha molhada”, afirmou.

Segundo Dolif, a previsão é de mais chuvas fortes no Sudeste até o fim de semana, principalmente nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Morador fala sobre o caos em Itaipava

RJ TV

Milton Pesseroli afirma que várias comunidades próximas aos rios da região foram completamente destruídas e pessoas estão desaparecidas por causa da enxurrada.

Prefeito de Teresópolis confirma 48 mortes por causa da chuva no município

RJ TV

O prefeito do município estima que cerca de mil pessoas estão desabrigadas na região até o momento. Elas devem ser encaminhadas para um ginásio e um galpão de Teresópolis.

Moradores de Mauá se recusam a deixar casas interditadas por causa da chuva

154 casas foram interditadas em Mauá, na região metropolitana de São Paulo, depois da morte de cinco pessoas em desmoronamentos causados pelas chuvas. Grande parte dos moradores desses locais, entretanto, se recusa a deixar as residências.

A Crítica

Pelo menos 154 casas foram interditadas em Mauá, na região metropolitana de São Paulo, depois da morte de cinco pessoas em desmoronamentos causados pelas chuvas. Grande parte dos moradores desses locais, entretanto, se recusa a deixar as residências mesmo sabendo que, a qualquer nova chuva forte, eles podem se tornar mais uma vítima das tempestades.

Das cinco mortes em Mauá, três ocorreram no mesmo bairro, o Zaira. Duas, em um desmoronamento na semana passada e mais duas na queda de um barranco a poucos metros do primeiro desmoronamento, durante a chuva da madrugada de segunda para terça-feira.

O Zaira é um aglomerado de casas construídas na encosta de alguns morros. Nele, moram milhares de pessoas que, embora vivam sob o risco de acidentes há anos, recusam-se a deixar suas moradias por falta de um outro lugar para morar.

“Não vou assinar coisa nenhuma”, respondeu hoje (12) Daniel de Caldas da Silva à agente da Defesa Civil de Mauá, ao ser informado que sua casa acabara de ser interditada. “Você não me oferecem nenhum lugar para que eu possa ir. Como eu vou sair daqui?”

Daniel mora no Zaira há 13 anos. Construiu com vizinhos e família a sua própria casa, onde ele vive com mais sete pessoas. Entre elas, sua mãe, de 67 anos.

A casa de alvenaria está com sua frente intacta. Porta e janelas novas e o reboco camuflam o perigo. Atrás, porém, acumulam-se quilos de lama que desceram do barranco que desmoronou há dois dias. “Sei que tenho que sair. Já tirei algumas coisas. Mas não tenho onde colocar tudo.”

A situação de Daniel é a mesma de Cícera de Souza Cruz. A casa dela também fica à beira do morro que desmoronou na segunda-feira e foi interditada pela Defesa Civil. Assim como Daniel, ela não cogita deixar o local. “A gente vive com medo, mas não tem saída.”

Na casa interditada moram Cícera e o marido e a irmã dela e o cunhado. O casal teve a casa invadida pela lama. Sabendo do risco de passar a noite ali, Cícera dormiu na casa de vizinhos na noite de ontem. Porém, um furto a fez mudar de ideia.

“Passei um noite fora e invadiram minha casa. Roubaram meu botijão de gás”, disse. “Todas as minhas coisas e da minha irmã estão aqui. Não posso abandonar tudo.”

A prefeitura de Mauá informou que recomenda que todos os moradores de áreas interditadas deixem esses locais imediatamente. Segundo a prefeitura, as famílias desalojadas podem ir para abrigos provisórios montados em escolas ou então para um novo abrigo que será inaugurado amanhã.

A prefeitura também informou que desabrigados poderão ficar no abrigo pelo tempo que quiserem. Ainda de acordo com a prefeitura, as famílias terão direito a auxílio aluguel para que possam arrumar outro local para morar. O valor da ajuda e o tempo que ele será pago, contudo, não foram divulgados.

Chuva no fim da noite causa transtornos no Rio de Janeiro

Globo News

Choveu forte em vários pontos da cidade. A Zona Sul foi a mais atingida. Durante a madrugada, a chuva foi perdendo força, mas o centro de operações do Rio monitora a cidade para detectar alagamentos.

Grande cidade australiana sofre com fortes tempestades

Globo News

A terceira maior cidade do país, Brisbane, está em alerta máximo por causa das enchentes. O rio que corta a cidade deve subir dois metros nesta quarta-feira (12).

SP: Franco da Rocha continua debaixo d'água

Globo News

Casas e ruas estão completamente alagadas. Os bombeiros ainda trabalham no resgate de pessoas ilhadas. Só é possível circular pela cidade em botes.

Chuvas causam mortes e destruição em Nova Friburgo (RJ)

Seis bombeiros são soterrados em deslizamento em Nova Friburgo (RJ)

Globo News

Três mortes foram confirmadas, mas o número pode ser ainda maior. A cidade de Nova Friburgo decretou situação de calamidade pública por causa dos deslizamentos e inundações. 

11 janeiro 2011

Navio eólico aporta no Pecém hoje

Poder Naval


O cargueiro E-Ship 1, da fabricante de turbinas eólicas Enercon GmbH, chega ao Brasil pela primeira vez ao aportar no Pecém hoje. O navio mede 130,4 metros de comprimento e pesa 12.800 toneladas. Trata-se da única embarcação do mundo movida por fonte híbrida: a força dos ventos (captada por meio de quatro potentes torres de 27 metros de altura por 4 de diâmetro) e propulsão diesel-elétrica.
 
O E-Ship 1 iniciou sua viagem partindo do Porto de Emden, na Alemanha. Nesta primeira vinda ao Brasil, traz componentes para turbinas eólicas que são produzidas pela sua subsidiaria Wobben Windpower, com unidades instaladas em Sorocaba (SP) e Pecém. No retorno exportará os produtos de fabricação da Wobben como pás para aerogeradores.

O navio faz uso do chamado “Efeito Magnus” para propulsão. Quatro rotores cilíndricos combinados com motores elétricos que giram, associados ao efeito do vento e criam uma força que impulsiona o navio.

FONTE: Diário do Nordeste  FOTO: Jems Smit (shipspotting.com)

10 janeiro 2011

Espécie de gengibre da Amazônia cura o câncer

Estudos realizados pelo  Inpa, em Manaus, comprovam eficácia da planta

CHICO ARAÚJO - Agência Amazônia de Notícias

 
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BRASÍLIA – Originário de países asiáticos, mas encontrado fartamente na Amazônia, o gengibre amargo é a mais nova arma contra o câncer. É o que aponta um estudo em andamento do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), sediado em Manaus, capital do Amazonas. As pesquisas, iniciadas há 15 anos, comprovaram que o composto Zerumbona, extraído de um novo tipo de gengibre (Zingiber zerumbet) é bem mais do que os remédios alopáticos atualmente utilizados no tratamento do câncer.



A descoberta coloca o Inpa na frente de países europeus e asiáticos. Isso porque, trabalhos semelhantes também são desenvolvidos em outras partes do mundo. A mesma planta é utilizada na China no tratamento de diversos tipos de tumores. A medicina tradicional da Indonésia e do Japão também utiliza as raízes da planta no tratamento de dores, aumento do apetite, antiespasmódico e na alimentação. Por exemplo, os japoneses conseguiram desenvolver a partir de Zingiber a Zerumbona sintética, para fins de uso cosmético.

A planta pesquisada é encontrada na área rural de Manaus, mais especificamente nas localidades de Taruamã-Mirim e Puraquequara, explica o pesquisador Carlos Cleomir de Souza Pinheiro, do Inpa. Nessas comunidades, segundo ele, as pessoas utilizam a planta para ornamentação.  A espécie produz flores muito bonitas, "e as pessoas não sabiam que por traz de toda a beleza existe um grande potencial farmacológico".


O tipo encontrado nos arredores de Manaus pertence à família Zingiberaceae, composta por mais de 100 gêneros e 1,2 mil espécies. Algumas dessas espécies são cultivadas no Brasil e conhecidas popularmente como gengibre. Na Amazônia, elas se parecem com a mangarataia, bastante utilizada contra inflamações na garganta. Em algumas áreas rurais de Manaus, a espécie Zingiber zerumbet é utilizada como: antiespasmódico, antiinflamatório, contra cólicas e no tratamento de doenças estomacais.

Estudos recentes em poder do governo indicam que há, no Brasil, mais de 10 mil espécies de plantas da Amazônia são portadoras de princípios ativos para uso medicinal, cosmético e controle biológico de pragas. A região concentra também outras 300 espécies de frutas comestíveis e uma rica fauna silvestre. Ao todo, a Amazônia guarda em suas florestas,  várzeas, cerrados e rios, um total de 33 mil espécies de plantas superiores.

Composto com 97% de pureza
 
Há três anos, os pesquisadores do Inpa obtiveram 97% de pureza de uma substância encontrada no Zingiber zerumbet e usada no combate à células neoplásicas (tumores malignos constituídos de células do fígado, cólon ou de pele). Antes, o grau de pureza alcançado fora somente de 337%, considerado baixíssimo para a fabricação de medicamentos. A substância foi obtida por da extração de óleos essenciais das raízes do gengibre amargo, o Zingiber zerumbet.

Para extrair a substância dos óleos essenciais, o pesquisador Carlos Cleomir Pinheiro criou uma técnica própria: o arraste-hidrovapor.  O sistema se utiliza de vapores de água e é totalmente natural.  Pinheiro pesquisa a espécie há mais de uma década. Seu interesse pelo gengibre amargo aumento depois de fazer intensas pesquisas na literatura mundial acerca do uso terapêutico da planta.

"Os estudos científicos revelam efeitos citotóxicos de Zerumbona contra células cancerígenas (tumores malignos). Ou seja, a substância atua inibindo a proliferação das células doentes", observou Pinheiro.

Substância combate a Aids


Nas pesquisas sobre a substância, Cleomir Pinheiro também se deparou com outros estudos animadores. Disse que, entre eles, há estudos recentes que apontam o uso do composto Zeburona até mesmo contra a Aids.  "A eficácia da planta se deve a sua estrutura simples. Ela é formada por uma cadeia longa, com 15 carbonos, ligados a uma estrutura carbonila cetônica (oxidação de álcoois secundários que tem um radical de CO). A estrutura é chamada cientificamente de sesquiterpeno", explicou.

A comercialização do composto extraído do gengibre está prevista para, no máximo, dois anos. Já existem várias empresas interessadas para colocar o produto no mercado. De acordo com o pesquisador, será um produto de baixo custo, pois ele vem de uma planta que se reproduz facilmente. "Esse remédio será de grande importância para a sociedade, pois além de se um forte aliado ao tratamento do câncer, ele também pode ser usado para tratar a leucemia e até a Aids", conta.

Já existem várias patentes semelhantes desse tipo de composto, mas após a descoberta dele no Amazonas foi encontrada uma nova fórmula de extração do produto, por meio de óleos essenciais, o que determinou um grau de pureza de 97,95%. Esse processo já foi patenteado pelo Inpa. "Encontramos outras atividades farmacológicas que ainda não foram estudadas, o que favorece ainda mais nossa pesquisa", afirma.
 
Esse estudo rendeu bons frutos ao pesquisador, pois é a base da sua tese de doutorado em biotecnologia, que em breve será apresentada. A pesquisa também deu prêmios ao Inpa, um deles é o de Inovação tecnológica do Norte - Finep. Para o pesquisador, essas são algumas das várias conquistas que essa pesquisa vai gerar, principalmente, para a sociedade.

(*) Com informações do Inpa e do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).