04 janeiro 2011

Estranha chuva de pássaros mortos volta a cair nos EUA

AFP

WASHINGTON, 4 Jan 2011 (AFP) -Uma outra inexplicável morte em massa de pássaros ocorreu nesta semana no sul dos Estados Unidos, desta vez no Estado de Luisiana, anunciaram funcionários nesta terça-feira.

O último incidente afetou cerca de 500 pássaros que foram encontrados mortos no distrito de Pointe Coupee, disse Olivia Watkins, do Departamento de Vida Silvestre de Luisiana.


Watkins disse que há uma investigação em curso sobre a causa destas mortes, que ocorrem poucos dias após milhares de pássaros morrerem no estado vizinho de Arkansas.


"Enviamos amostras para um laboratório em Missouri (centro) e estamos esperando os resultados", disse.


No Arkansas também são esperados os resultados para descobrir a causa das mortes de 5 mil melros que caíram sobre o pequeno povoado de Beebe pouco depois da meia-noite do Ano Novo, assim como das mortes de cerca de 80 mil a 100 mil peixes que apareceram flutuando no rio Arkansas a 160 km.


"Não acreditamos que (as mortes dos peixes e dos pássaros) estejam relacionadas", disse Nancy Ledbetter, da Comissão de Caça e pesca do Arkansas. Funcionários destacaram que algum tipo de distúrbio - possivelmente os fogos de artifício do Ano Novo - pode ter levado os pássaros a voar durante a noite. Os melros têm pouca visão noturna e provavelmente morreram ao se chocarem contra casas ou árvores por causa do medo.


Os testes preliminares não mostram sinais de doenças nos pássaros e que suas mortes foram por "trauma físico agudo", segundo os funcionários do Arkansas.

Mais de 150 cidades paulistas "exportam" lixo para aterros em outros municípios

FÁBIO AMATO
DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - FOLHA DE SP

O número de cidades que "exportam" o lixo que produzem para aterros em outros municípios mais que dobrou no Estado de São Paulo. 

Subiu de 62 em 2002 para 156, aponta o mais recente levantamento feito pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), com números de 2009. O Estado tem 645 municípios. 

Em pelo menos 22 casos, a distância entre a cidade que produz e a que recebe o material supera os cem quilômetros -- como ocorre com os municípios do litoral norte, onde a situação fica ainda pior nesta época do ano. 

No verão, as quatro cidades do litoral norte "exportam" todos os dias em média 540 toneladas de lixo produzido por moradores e turistas --quase o dobro da quantidade gerada fora da temporada (cerca de 300 toneladas/dia).

São Sebastião, Ilhabela, Ubatuba e Caraguatatuba não têm aterro sanitário. Precisam encaminhar os resíduos para depósitos que ficam em outras cidades. Para transportar o lixo, 37 carretas cruzam diariamente a rodovia dos Tamoios, principal ligação entre a capital paulista e o litoral norte de São Paulo. 

Ubatuba gasta R$ 11 milhões por ano com coleta e transbordo do lixo, segundo o secretário de Obras e Serviços Públicos, José Roberto Monteiro Júnior.

MOTIVO
 
A situação vivida por essas 156 cidades é consequência direta da política adotada nos últimos anos pelo governo de São Paulo e que levou praticamente ao fim dos lixões -- áreas onde os materiais desprezados pela população são depositados de maneira inadequada. 

As prefeituras foram obrigadas a procurar um local adequado para destinar o lixo, e parte delas decidiu por exportar o material, principalmente para aterros particulares. 

Para algumas cidades, essa é a solução mais barata. Para outras, como as do litoral, é a única opção. 

TRANSPORTE
 
"As regiões litorâneas e as metropolitanas do Estado estão cada vez mais ocupadas. Além disso, existem as restrições ambientais em áreas de mangue, serra, parques, que limitam a disponibilidade de áreas para aterro", disse o gerente do setor de Apoio a Programas Especiais da Cetesb, Arontho Savastano Neto. 

Ele admite que há problemas em relação ao transporte do lixo por meio de caminhões em longas distâncias, mas disse que a solução ainda é melhor do que a disposição inadequada do material. 

O governo estuda instalar usinas de incineração de lixo nas regiões onde não há espaço para novos aterros. 

A consultora na área de gestão de resíduos Gina Rizpah Besen avalia que a política que levou ao fim dos lixões e criação de aterros regionais é positiva, mas destaca pontos negativos do transbordo. 

Os caminhões, diz ela, provocam poluição e desgaste nas vias públicas. 

Para ela, as prefeituras deveriam investir mais em campanhas para diminuir o desperdício e a produção de lixo, além de políticas de reciclagem que reduzam a necessidade de transbordo.