14 agosto 2010

Incêndios em vários estados brasileiros preocupam as autoridades

Globo News

Bombeiros combatem incêndio em parque no Tocantins. O fogo em Marcelândio, no Mato Grosso, ameaça casas e moradores. No Pará, três grandes focos de incêndio também causam preocupação.

12 agosto 2010

Plataforma P-35 da Petrobrás sofre princípio de incêndio

Unidade consta da lista de embarcações com condições críticas de manutenção elaborada pelo Sindipetro


Nicola Pamplona / RIO - O Estado de S.Paulo

A Capitania dos Portos informou ontem que foi comunicada pela Petrobrás de um princípio de incêndio na plataforma de produção de petróleo P-35, instalada no Campo de Marlim, na Bacia de Campos.

A unidade constava, ao lado da P-31 e da P-33, da lista de embarcações com condições críticas de manutenção elaborada pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF). A P-33 foi vistoriada ontem pela Marinha e pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Segundo comunicado da Capitania dos Portos, não houve vítimas nem danos ambientais no incidente da P-35. O incêndio teria começado por causa do "gotejamento de condensado de vapores de água e hidrocarbonetos sobre o revestimento térmico da Torre Regeneradora de Glicol (equipamento que faz parte do tratamento de gás na unidade)". O fogo foi controlado pelos próprios operários da plataforma.

A perícia da Marinha será realizada hoje, às 9h. Ontem, técnicos da Marinha e da ANP estiveram na P-33, também em Marlim, que é alvo de denúncias sobre as condições de segurança. Os resultados da vistoria só serão divulgados pela ANP após análise das informações coletadas na plataforma. A unidade chegou a ser interditada na semana passada a pedido da Delegacia Regional do Trabalho, mas a Petrobrás retomou as atividades após obter liminar no sábado.

Em nota divulgada ontem, a Petrobrás voltou a negar problemas de manutenção e disse que a plataforma está "com os reparos devidamente programados". "No próximo mês de outubro a P-33 realizará sua parada programada para manutenção geral."

As paradas para manutenção são realizadas regularmente em todas as plataformas marítimas de petróleo, às vezes resultando em queda na média mensal de produção de petróleo. A P-33, porém, tem produção pequena, em torno de 20 mil barris por dia.

Segundo a estatal, a última certificação da Marinha na embarcação foi emitida em dezembro de 2009 e continua válida. Na nota, a Petrobrás diz que não há riscos à segurança e informou que parte dos problemas apontados é comum a instalações em "atmosfera extremamente corrosiva, típica de ambientes marinhos".

O Sindipetro-NF, porém, diz que há sérios problemas de segurança na P-33, que tem 11 anos de operação no campo de Marlim. Segundo o sindicato, as denúncias de problemas de conservação foram feitas pelos próprios trabalhadores embarcados.

Petrobras: plataforma que sofreu explosão vai parar

P-33 teve 9 acidentes de trabalho este ano. Petrobras vai parar operações. Na P-35, início de incêndio


Cássia Almeida e Ramona Ordoñez - O Globo

Diante das denúncias publicadas no GLOBO da falta de condições de segurança na plataforma P-33, na Bacia de Campos, a Petrobras informou ontem que vai parar a plataforma, para reparos, em outubro. Essa parada já estava prometida para julho, mas não foi realizada segundo o auditor fiscal do trabalho José Roberto Aragão. Ontem, um princípio de incêndio ocorreu em uma das válvulas de vapor da plataforma P-35, uma das citadas pelo Sindicato do Petroleiros do Norte Fluminense como estando em pior estado de conservação, juntamente com a P-33 e a P-31, esta última apelidada pelos trabalhadores de sucatão.

Há um clima de medo entre os trabalhadores da P-33. Eles temem que acidentes graves ocorram provocados pelos vazamentos nas tubulações de óleo, gás e água:

- Há muitas tubulações com vazamentos. Grades de proteção mal conservadas, deterioradas. Sem grade de proteção e sem bote de resgate, se alguém cair no mar, só há o barco de apoio, a uma milha de distância para socorrer o operador - conta um petroleiro ao desembarcar da P-33.

Outro afirma que as tubulações estão cheias de reparos provisórios feitos com epox.

- As linhas estão há muito tempo sem manutenção.

Na Bacia de Campos, 539 acidentes

Desde o início do ano, já foram notificados 539 acidentes de trabalho nas 45 plataformas da Petrobras na Bacia de Campos, envolvendo funcionários próprios e terceirizados. Nove desses acidentes foram na P-33. Em todo 2009, foram registrados oficialmente 771 acidentes.

- Esse número deve ser três vezes maior. Há muita subnotificação - afirmou o coordenador do sindicato, José Maria Rangel.

Desde março, o sindicato vem denunciando a Petrobras ao Ministério Público do Trabalho (MPT), por descumprimento do termo de ajuste de conduta que a companhia assinou em 2006, comprometendo-se a registrar os acidentes e informá-los ao Sindicato.

Na P-33 - que teve três filtros de óleo lubrificante interditados por fiscais do trabalho e depois liberados por liminar da Justiça de Macaé - trabalhadores temem até caminhar pelos pisos da plataforma:

- Só andando pode acontecer um acidente naquela plataforma, os guarda-corpos estão apodrecendo. E se cair no mar, não tem bote para resgatar.

A companhia explicou que as fotos publicadas na edição de ontem do GLOBO de equipamentos deteriorados na plataforma se referem "a instalações que estão temporariamente desativadas, ou que não apresentam nenhum risco para as operações, e estão com os reparos devidamente programados".

Fiscais da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da Marinha estiveram ontem na P-33. Segundo a agência, os fiscais recolheram informações e avaliaram os equipamentos da plataforma. A ANP afirma que divulgará a avaliação dos fiscais assim que os estudos sejam concluídos.

Para justificar a corrosão em alguns equipamentos mostrados pelas fotos publicadas com exclusividade pelo GLOBO, a Petrobras disse que as plataformas em alto-mar são submetidas a uma atmosfera muito corrosiva.

A Petrobras explicou ainda que, caso se verifique uma corrosão prematura, uma inspeção verifica a urgência para a realização dos reparos. A companhia esclareceu que costuma realizar paradas programadas de plataformas a cada dois anos, e muitos reparos que não são urgentes ficam na lista para serem realizados nessas paralisações.

Para Petrobras, incêndio foi incidente

A companhia afirmou que um bote de resgate da P-33 que sofreu serviços de manutenção recente apresentou um defeito ao chegar a bordo. Para substituí-lo em caso de necessidade, a Petrobras solicitou autorização da marinha para manter nas proximidades dois rebocadores 24 horas por dia.

A empresa disse ainda lamentar "informações veiculadas sem qualquer embasamento técnico".

Inspetores da Marinha vão realizar uma perícia hoje na P-35, para preparar um laudo sobre o princípio de incêndio. A Petrobras afirmou que o foco de incêndio foi logo controlado e que foi considerado apenas um incidente.

11 agosto 2010

Cacique faz nova ameaça por causa de Belo Monte

Em evento em Altamira, líder dos Caiapós reitera que 'muita gente vai morrer' se governo levar adiante construção da usina hidrelétrica no Rio Xingu


Fátima Lessa ESPECIAL PARA O ESTADO / CUIABÁ - O Estado de S.Paulo

O cacique Raoni Metuktire, líder dos Caiapós em Mato Grosso, apelou, ontem, em Altamira, no Pará, às jovens lideranças indígenas para assumirem a luta contra a Usina de Belo Monte como estratégia de defesa da sobrevivência das nações indígenas do Brasil .

"Se mirem em mim. Enquanto eu estiver vivo direi não, não à destruição dos povos indígenas. Contem comigo meu parentes. Não desistam e não tenham medo porque as polícias Militar, Civil e Federal não vão nos matar", disse

Num discurso bastante inflamado Raoni pediu aos mais jovens que não se rendam às grandes ofertas do governo que visam destruir a nação indígena brasileira: "Não entreguem nossa água, nosso peixe, nossas terras." Questionou a necessidade de o governo investir na construção de hidrelétrica como modelo de desenvolvimento: "Por que o governo tem de fazer hidrelétrica ? Por que tem que matar, acabar com os índios para entregar nossas terras para outras pessoas?"

Raoni participa em Altamira do evento Acampamento Terra Livre Regional, na orla do cais do porto da cidade, próximo à sede da Eletronorte, cujo foco é a construção da Belo Monte, principal obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) O cacique Arara, Josinei Arara, disse que se o governo insistir na construção da Belo Monte sem consultar as populações indígenas vai ter uma "grande surpresa". ''Muita gente vai morrer, nem que não sobre nenhum Arara", disse.

Até o fim de ontem, cerca de 350 lideranças indígenas participavam do manifestação. A expectativa é que o número de participantes aumente nesta quarta-feira. Por telefone, o coordenador da Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), Marcos Acurinã, disse que, ao contrário do que o governo divulga, os povos indígenas das aldeias que serão mais atingidas, Juruna e Arara, são contra a construção: "O que se percebe é que de todos eles - ai incluindo as lideranças já cooptadas pelo governo através da Eletronorte, apenas 10% são favoráveis, entre 30 a 40% são contra e, o restante estão em dúvida porque ainda não entenderam o que vai acontecer com eles.

Apoio. O Acampamento Terra Livre também será utilizado para debater as consequências dos grandes empreendimentos na Amazônia: hidrelétrica do Rio Madeira e a Rodovia 163. Aberta nos anos 1970 como uma das grandes obras de infraestrutura projetadas pela ditadura militar tinha como meta tentar integrar a Amazônia à economia nacional. A rodovia deve ligar Cuiabá (MT) a Santarém (PA).

O evento conta com o apoio das organizações Amazon Watch, International Rivers, Amigos da Terra, Fundação Nacional do Índio e Ministério da Saúde. Será encerrado na amanhã com a apresentação de um documento com as reivindicações e propostas dos índios e ribeirinhos atingidos por barragens e deverá ser entregues aos candidatos à presidente até o fim de agosto depois do Acampamento Terra Livre Nacional que acontece de 16 a 20 em Campo Grande (MS).

Inundação gigante

A usina hidrelétrica de Belo Monte será construída no Rio Xingu (PA) e vai inundar uma área de 516 quilômetros quadrados.

A capacidade de geração é de 11.233 megawatts

Lixo nuclear pode acabar em alguma área do Nordeste

Antes do início das obras de um depósito de longa duração, a usina nuclear de Angra 3 não poderá entrar em operação


Marta Salomon/BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo


Uma área longe dos centros urbanos, isolada, no Nordeste. Esse é o provável destino do lixo de alta atividade radioativa produzido no País, o rejeito do combustível usado nas usinas nucleares, prevê o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende.

Atualmente, os rejeitos das usinas são guardados em piscinões instalados nas próprias usinas.

Mas a construção de um depósito de longo prazo para os rejeitos de alta radioatividade deverá começar até 2014, data prevista para a entrada em operação da usina nuclear de Angra 3, no Estado do Rio de Janeiro.

A construção desse depósito é uma das exigências da licença ambiental concedida para a retomada das obras de Angra 3. Sem o início das obras, a usina não poderá entrar em operação.

Segundo Sérgio Rezende, a localização do depósito será objeto de um leilão. O município que abrigar o futuro depósito receberá dinheiro em formato de royalties da União.

"Não vejo dificuldade, acho que haverá vários municípios disponíveis, provavelmente no Nordeste", disse o ministro.

A localização do depósito é uma das indefinições do Programa Nuclear Brasileiro. Também segue sem definição do governo a localização das duas próximas usinas nucleares, cuja entrada em operação é prevista para ocorrer até 2022. Estudos da Eletronuclear apontam 22 locais no Nordeste, inclusive às margens do Rio São Francisco.

As indefinições do programa vêm se arrastando desde dezembro de 2008, quando ocorreu a última reunião sobre o tema em comitê de ministros.

Em maio de 2009, o Ministério de Ciência e Tecnologia fechou proposta de criar a Agência Reguladora Nuclear, encarregada de fiscalizar a área, tarefa atualmente à cargo da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). No entanto, o texto ainda não foi enviado ao Congresso Nacional.

Também circula no governo minuta de decreto presidencial que nomeia o secretário de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, coordenador do comitê de ministros responsável pelo programa nuclear.

Medida doméstica

Atualmente, os rejeitos radioativos das usinas nucleares são guardados em piscinões instalados nas próprias usinas. Um depósito de longo prazo deve começar a ser construído em 2014.

Usinas de urânio receberão R$ 348 mi

Brasil é um dos poucos países que tem reserva de urânio e sabem enriquecê-lo


Marta Salomon/BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo


Para o País poder exportar urânio enriquecido até o fim da década e superar o atraso no plano de dominar o ciclo do combustível nuclear em escala industrial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a inclusão no Orçamento do ano que vem, o primeiro de seu sucessor, de um investimento de R$ 127 milhões, informou o ministro Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia).

O programa nuclear brasileiro foi assunto de reunião reservada de Lula com um grupo de ministros há duas semanas. A autossuficiência no ciclo do combustível nuclear, planejada inicialmente para 2013, foi descartada na reunião. A meta agora é atingir esse objetivo no ano seguinte, mas isso depende de investimentos no primeiro ano de governo do sucessor de Lula, contou o ministro.

Os R$ 127 milhões da conta apresentada por Rezende no encontro com Lula são a primeira parcela do dinheiro necessário para ampliar a escala de conversão do concentrado de urânio em gás, numa etapa intermediária do enriquecimento do urânio ainda feita totalmente no exterior, e também para aumentar a fabricação de ultracentrífugas. O custo total das novas fábricas é de R$ 348 milhões em três anos.

"O valor necessário durante o primeiro ano é pequeno, e o presidente determinou que seja colocado no Orçamento para que o programa nuclear não atrase mais", relatou Sergio Rezende ao Estado.

As necessidades de consumo de urânio enriquecido foram estabelecidas com base na expansão no número de usinas nucleares no País. Além de retomar as obras de Angra 3, cuja construção ficou interrompida desde 1986, o governo estuda a construção de pelo menos mais quatro usinas, de 1.000 MW (megawatts) cada, até 2034. As duas primeiras são projetadas para o Nordeste, provavelmente às margens do rio São Francisco.

Embora polêmico, o enriquecimento de urânio é positivo porque agrega valor ao minério. O Brasil é um poucos países que detêm grandes reservas e também sabe enriquecê-lo.

Nove usinas. Projeções levadas a Lula mostram que o País precisa enriquecer urânio para abastecer nove usinas nucleares até 2034. Mas as mesmas projeções indicam a produção de excedentes de concentrado de urânio, gás hexafluoreto e urânio enriquecido, respectivamente, a partir de 2012, 2014 e 2018.

"A exportação de excedentes é uma possibilidade", diz o ministro de Ciência e Tecnologia.

Dados levados a Lula defendem o enriquecimento do urânio no País: "A tecnologia da ultracentrifugação é dominada por um pequeno número de países e não está disponível para a compra, agrega substancial valor ao urânio pois representa 35% do custo de produção do combustível para as usinas nucleares", argumenta o documento.

No mês que vem, deverá ser inaugurada no interior de São Paulo a primeira fábrica piloto de conversão de concentrado de urânio em gás hexafluoreto. A unidade construída na área da Marinha, em Aramar, tem capacidade de produção de 40 toneladas por ano. Mas a meta é multiplicar a produção para 1.500 toneladas por ano.

A nova fábrica de ultracentrífugas também ficará na área da Marinha. As ultracentrífugas serão montadas em Resende (RJ), onde já operam três cascatas de enriquecimento de urânio a 3,5%, porcentual usado no combustível nuclear. Cerca de 90% do enriquecimento do urânio consumido nas usinas de Angra dos Reis ainda é feito na Europa.


PONTOS-CHAVE


Prazo

A autossuficiência no ciclo de combustível nuclear, planejada inicialmente para 2013, deve ser atingida no ano seguinte. Mas isso depende dos investimentos do próximo governo.

Demanda

As necessidades de consumo de urânio enriquecido foram estabelecidas com base na expansão no número de usinas nucleares no País. A projeção é de nove usinas até 2034.

Fábrica piloto

No mês que vem, deverá ser inaugurada no interior de São Paulo, a primeira fábrica piloto de conversão de concentrado de urânio em gás hexafluoreto.

Capacidade

40 toneladas por ano é a previsão da capacidade de produção da fábrica piloto que será construída na área da Marinha, em Aramar,

Dependência

As novas ultracentrífugas serão montadas em Resende, onde operam três cascatas de enriquecimento. Cerca de 90% do urânio consumido nas usinas de Angra é feito na Europa.

OMS declara o fim da pandemia

Jornal do Brasil


A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou o fim da pandemia da gripe suína, mais de um ano depois do pânico causado quando a doença começou a se espalhar pelo mundo, deixando um número considerável de mortos.

– Estamos entrando na fase pós-pandemia – declarou Margaret Chan, diretora geral da OMS. – O novo vírus H1N1 já chegou ao fim do ciclo.

A etapa mais alta da escala de alerta da OMS, que tem seis níveis, corresponde a uma pandemia – ou quando uma doença se espalha de maneira global.

O anúncio segue a recomendação expressa por um comitê da organização, formado por 15 cientistas liderados pelo especialista australiano John Mackenzie.

O balanço mensal de vítimas da pandemia manteve-se abaixo de 200 nos últimos três meses.

– Manter a vigilância é extremamente importante – advertiu Chan, estimando que a sorte também colaborou para conter a pandemia de H1N1.

A gripe H1N1 matou mais de 18 mil pessoas, afetou 214 países e territórios desde que foi detectada no México e nos Estados Unidos, em abril de 2009.

O novo vírus se espalhou rapidamente, apesar das medidas de contenção dos governos. Em 11 de junho, a OMS declarou alerta de pandemia. Milhões de dólares foram gastos para desenvolver vacinas de prevenção, mas as preocupações, reduzidas no fim do ano passado, foram substituídas por críticas ao volume dos custos gerados pelas medidas de prevenção e combate à pandemia.

MPF quer punir os culpados por mancha

Jornal do Brasil


O Ministério Público Federal (MPF) instaurou, ontem, procedimento administrativo para descobrir as causas do vazamento de óleo que atingiu cinco praias em Cabo Frio e Arraial do Cabo, na Região dos Lagos.

Ainda ontem, o procurador Thiago Simão Miller cobrou esclarecimentos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), da Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo (Resexmar/AC), da Companhia Municipal de Administração Portuária (Comap), da Capitania dos Portos e do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira.

A maior preocupação, segundo Simão, é descobrir de onde vêm as pelotas de óleo que mancharam a água e a areia das praias da região.

– A origem do vazamento é a nossa maior preocupação, até mesmo para termos certeza de seu estancamento – informou o procurador.

De acordo com o Inea, o vazamento pode ter sido causado por uma limpeza mal feita nos tanques de navios que descarregaram no Rio.

10 agosto 2010

Desmatamento cai, mas 'puxadinho' preocupa

Governo adverte que redução de 49% no desmate em11 meses não inclui abate em áreas pequenas, que não é detectado por satélite e vem crescendo


Marta Salomon/BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Com um novo padrão de desmatamento, concentrado em áreas menores e batizado de "puxadinho", o abate de árvores na floresta amazônica deverá somar este ano cerca de 5 mil km², segundo estimativa do governo. A área, superior a três vezes o tamanho da cidade de São Paulo, representará o menor desmatamento em 23 anos, desde que o corte de árvores passou a ser monitorado pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Faltando apenas um mês do período de apuração da taxa anual de desmatamento da Amazônia, dados do sistema Deter mostram uma queda de 49% no ritmo das motosserras entre agosto de 2009 e junho de 2010, comparado ao mesmo período do ano anterior. Esse sistema é mais rápido e menos preciso que o Prodes, responsável pela taxa oficial de desmatamento, divulgada ao final de cada ano.

"O desmatamento "puxadinho" tem crescido", observou ontem a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente), sobre o corte da vegetação em área inferior a 25 hectares, o equivalente a 25 campos de futebol. É uma área pequena demais para os satélites do Deter enxergarem, diferentemente das grandes frentes de corte. No ano passado, o desmatamento "puxadinho" representou 60% do total. O porcentual triplicou em sete anos.

Meta. "O desmatamento do ano deverá ficar em torno dos 5 mil km²", calculou o ministro Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia). O número é menor que os 7.464 km² registrados no ano anterior, cumprindo com folga a expectativa para 2010, destacou o presidente do Inpe, Gilberto Câmara. A meta oficial é reduzir em 80% o desmatamento da floresta em relação ao previsto para 2020.

O sistema de detecção do desmatamento em tempo real, criado para orientar a ação dos fiscais, captou o corte de 1.808 km² de floresta em 11 meses, contra 3.537 km² registrados entre agosto de 2008 e junho de 2009. Em junho, os satélites captaram o corte de 244 km², 58% a menos que o mesmo mês do ano passado. A redução é mais significativa porque não havia muitas nuvens para atrapalhar a visão dos satélites.

O Pará se mantém na liderança do desmatamento. "Não podemos afirmar se a causa é pecuária, abertura de estradas ou assentamentos. Temos de investigar", ponderou Izabella Teixeira. O governo analisa a hipótese de o desmatamento ser resultado de planos de manejo de floresta falsos no Estado.

O Estado do Amazonas foi o único que registrou aumento do desmatamento no período de 11 meses e também será objeto de análise mais aprofundada na divulgação da taxa oficial de 2010, no mês que vem.

A partir de 2012, o governo federal espera dispor de novos satélites, mais precisos, para monitorar o abate da floresta.

Destruição discreta

Desmate ocorre em área menor:

60% é quanto o "puxadinho" representou do total de desmatamento da floresta amazônica. Há sete anos, esse porcentual era de 20%.

1.808 km² de floresta foram derrubados entre agosto de 2009 e junho


Obra do PAC na Amazônia não consegue licença

Uma das mais polêmicas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Amazônia, o asfaltamento de 400 quilômetros da BR-319, que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM), não deverá ter a licença ambiental concedida até o final do governo Lula. "Não é um licenciamento usual. Depende de informações complementares do Ministério dos Transportes que ainda não foram encaminhadas", relatou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

O licenciamento da pavimentação da rodovia foi objeto de disputa entre os ex-ministros Carlos Minc (Meio Ambiente) e Alfredo Nascimento (Transportes) desde 2008. Há pouco mais de um ano, a licença prévia foi negada por parecer do Ibama. O documento considerou o empreendimento "inviável ambientalmente", além de apontar falhas graves e cobrar medidas extras de proteção da floresta.

A obra do PAC, criticada por ambientalistas, atingirá uma área bastante preservada da floresta e poderá representar uma nova frente de desmatamento na região. Tradicionalmente, as estradas atraem a ocupação irregular e aceleram o desmatamento.

Honda reduz produção após fim de incentivos a carros ecológicos

DA EFE, EM TÓQUIO

A Honda Motor, segundo fabricante japonês de automóveis, indicou nesta terça-feira (10) que a partir de outubro reduzirá sua produção no Japão pela diminuição da demanda devido ao fim das ajudas para compra de veículos ecológicos, que expiram em 30 de setembro.

Segundo informou uma porta-voz da companhia à agência Efe, o fim dos subsídios governamentais à compra de carros novos com baixas emissões representará para a Honda o primeiro corte de produção desde o período entre fevereiro e março de 2009, em sua grande fábrica de Saitama, ao leste de Tóquio.

Essa fábrica prevê diminuir sua produção diária em 150 unidades em outubro até os 1.800 veículos, contra 1.950 do período julho-setembro.

Esse corte, que não acontecia desde que o impacto da crise financeira obrigou a reduzir o ritmo de fabricação, será equivalente a uma redução de 4% em toda a produção da Honda no Japão.

Para os meses seguintes, o fabricante ainda não decidiu o impacto do fim das ajudas do Governo.

O programa de ajudas fiscais e subsídios que começou em abril de 2009 foi prorrogado pelo governo até setembro, já que contribuiu de maneira determinante para recuperar as baixas vendas de automóveis na primeira metade de 2009.

A Honda espera que, após o fim das ajudas governamentais a carros de baixas emissões, as vendas mensais de veículos caiam no Japão entre 30% e 40%.