06 julho 2010

Discussões mantêm a polêmica

Ana Paula Siqueira BRASÍLIA - Jornal do Brasil

A votação do parecer que altera o Código Florestal Brasileiro, que tramita desde 1999 na Câmara dos Deputados, deverá acontecer hoje. Cheio de pontos polêmicos, o relator, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), já fez diversas alterações no texto final e foi acusado por ambientalistas de legislar em favor dos produtores rurais.

Ontem, até o final do dia, muitos ainda defendiam adiar a votação para depois das eleições.

Cerca de 300 agricultores foram à Câmara pressionar os parlamentares pela aprovação da proposta.

No dia da última discussão antes do relatório ser votado pela comissão especial, ainda havia incertezas sobre as polêmicas da proposta.

Um dos pontos de conflito era com relação à possível atribuição aos estados da redução de 50% das matas ciliares nas Áreas de Proteção Permanente (APPS).

Anteriormente, o relator havia proposto a redução de 50%. Mas os estados poderiam diminuir pela metade essas áreas, que ficam às margens de cursos d'água que tenham de cinco a 10 metros.

– Tira dos estados o poder de alterar de 30 metros para 15 metros e resolve em parte a questão.

As pequenas propriedades ainda ficam um pouco prejudicadas – afirma o relator.

Reserva legal

Entre as muitas críticas feitas ao parecer, estão a não exigência de reserva legal nas propriedades com menos de quatro módulos rurais, mantida por Rebelo.

Os módulos são definidos a partir de diversos critérios estabelecidos em Lei, como por exemplo, a quantidade de terra necessária para a subsistência de um trabalhador e sua família. O tamanho varia, entre outros fatores, com a região.

Outra questão polêmica que permaneceu no parecer se refere a moratória de cinco anos para o desmatamento. Durante o referido período, não será permitido a abertura de novas áreas de desmatamento para agricultura e pecuária.

Voto em separado

O deputado petista, Assis do Couto (PR), discordou de vários pontos do parecer de Rebelo. Hoje, substitutivo apresentado por ele deverá ser analisado. Entre as principais divergências, está o tratamento à pequena propriedade. Para o petista, o ideal é que a dispensa de reserva fosse concedida apenas a propriedades de até um módulo, num limite de três módulos por produtor.

– O mais grave é que ele (Rebelo) não usa o conceito de agricultura familiar em nenhum momento – critica Couto.

O relator rebate e afirma que ele apenas não prevê a exclusividade desse tipo de produção em seu parecer.

05 julho 2010

Capital registra 3,1 mil casos de dengue

WILLAME SOUSA - Folha de Boa Vista

Desde o começo do ano até a semana passada foram notificados 3.150 casos de dengue em Boa Vista. Deste número, cerca de 600 tiveram a confirmação da doença. A união entre governo do estado, município e Exército Brasileiro no combate à proliferação do mosquito evitou que este quantitativo fosse maior. Entretanto, a capital continua em situação de médio risco de transmissão. O ideal seria estar em baixo risco.

Porém, apesar de o estado ainda ser preocupante quanto ao aumento de casos da enfermidade, segundo o superintendente de Vigilância em Saúde do município, Ipojucan Carneiro, Boa Vista não esteve este ano em situação de alto risco. "Há a possibilidade de aumentar o risco de transmissão, se a gente se descuidar", acrescentou.

O superintendente informou que a população precisa ficar atenta e participar mais do combate à doença para que não tenhamos uma epidemia de dengue na cidade. Grande parte dos recipientes que podem acumular água e servir de criadouro para o Aedes aegypti está nas residências.

"A gente chama a atenção da população para que se envolva mais e tome para si o controle da proliferação do mosquito. Se a população tivesse mais interesse em conter o avanço da dengue, teríamos menos casos da doença hoje", disse.

Para tentar sensibilizar os boa-vistenses do problema, agentes de endemias, desde que a união entre Federação, estado e município começou, no início do ano, visitaram todos os bairros da capital.

Hoje, os trabalhos estão em fase de intensificação nos núcleos populacionais onde a incidência de casos confirmados e notificados é maior.

As visitas estão ocorrendo novamente nos bairros Alvorada, Equatorial, Buritis, Senador Hélio Campos, Nova Cidade, dentre outros. "O número de transmissão da doença ainda está alto, pois temos condições ambientais muito mais favoráveis ao mosquito, que são o alto índice de chuvas e o forte calor.

A tendência é que no próximo mês isto comece a baixar", afirmou.

Por outro lado, a população também cobra ações mais intensas da administração pública para conter o avanço da doença. A utilização de forma regular de produtos químicos para matar os insetos é uma delas. Moradores dos arredores do parque Germano Sampaio, no bairro Pintolândia, reclamam que a lagoa daquele espaço de lazer contribui para a proliferação do mosquito.

Uma moradora da rua N-8, que não quis ser identificada, explicou que já foi feito abaixo-assinado pedindo a retirada da lagoa, há quatro anos, algo não atendido, em virtude da legislação ambiental. "O incômodo é muito grande por causa do mosquito. A gente não consegue ficar sossegada em casa por causa dos mosquitos. Sentar nos bancos do parque também não dá", afirmou, cobrando que haja uma ação continuada na região para matar os mosquitos.

SINTOMAS DA DENGUE

Conforme o site do Ministério da Saúde, existem duas formas de dengue: a clássica e a hemorrágica. A dengue clássica apresenta-se geralmente com febre, dor de cabeça, no corpo, nas articulações e por trás dos olhos, podendo afetar crianças e adultos, mas raramente mata. A dengue hemorrágica é a forma mais severa da doença, pois, além dos sintomas citados, é possível ocorrer sangramento, ocasionalmente choque e consequências como a morte. (W.S.)

Medidas para eliminar locais de reprodução do mosquito

Tampar os grandes depósitos de água: A boa vedação de tampas em recipientes como caixas d'água, tanques, tinas, poços e fossas impedirão que os mosquitos depositem seus ovos. Esses locais, se não forem bem vedados, permitirão a fácil entrada e saída de mosquitos.

Remover o lixo: O acúmulo de lixo e de detritos em volta das casas pode servir como excelente meio de coleta de água de chuva. Portanto, as pessoas devem evitar tal ocorrência e solicitar sua remoção pelo serviço de limpeza pública ou enterrá-los no chão ou queimá-los, onde isto for permitido.

Fazer controle químico: Existem larvicidas seguros e fáceis de usar, que podem ser colocados nos recipientes de água para matar as larvas em desenvolvimento - este método para controle doméstico da dengue em cidades grandes tem sido usado com sucesso por várias secretarias municipais de Saúde e é realizado pelos agentes de controle da dengue.

Limpar os recipientes de água: Não basta apenas trocar a água do vaso de planta ou usar um produto para esterilizar a água, como a água sanitária. É preciso lavar as laterais e as bordas do recipiente com bucha, pois nesses locais os ovos eclodem e se transformam em larvas.

Primeiro semestre registra 2,3 mil casos de dengue em Roraima

Folha de Boa Vista

Dados preliminares apontam para a confirmação de 2.371 casos de dengue nos 15 municípios de Roraima, de um total de 5.143 notificados no primeiro semestre deste ano. O município com maior incidência continua sendo Boa Vista, com 605 ocorrências e depois vem Rorainópolis, com 599 confirmações. No mesmo período do ano passado foram confirmados 2.442 casos e notificados 4.206.

De acordo com os dados, o mês de pico, com maior número de casos confirmados, foi abril, com 731 em todos os municípios. Nesse mês, Rorainópolis apresentou 250 casos confirmados; Boa Vista, 194 e São Luiz do Anauá, 127. Os demais somam, 167 confirmações. Outro mês com maior incidência foi março, com 660 casos.

Segundo o gerente do Núcleo de Febre Amarela e Dengue, da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), Joel Lima, está se vivendo uma situação diferente a do ano passado, quando os casos passaram a ser confirmados entre os meses de maio e junho. Este ano existem casos de dengue confirmados desde janeiro, sendo que o mês de junho (ainda sendo tabulado) registrou, até agora, 38 confirmações.

Na análise técnica de Lima, a dengue é uma doença sazonal, cuja manifestação varia de ano para ano. Ele acredita que ao finalizar os dados do mês de junho, o fechamento do semestre poderá ultrapassar os números registrados no ano passado.

O município com menor incidência de dengue continua sendo Normandia, com apenas um caso confirmado, seguido de Uiramutã, com dois casos e Amajari, com cinco casos. Depois vem Iracema, com 10; Alto Alegre com 13; Cantá com 20; Mucajaí com 26; Pacaraima com 38; Bonfim com 55 e São João da Baliza com 81. Os demais municípios apresentam incidência superior a 100 casos.

As ações de combate a dengue são de inteira responsabilidade dos municípios. O Estado apenas dá sugestões e realiza o acompanhamento. Porém, em Boa Vista, cuja incidência tem preocupado as autoridades sanitárias, foi firmada uma parceria entre estado, Prefeitura de Boa Vista, Exército Brasileiro e Conselho Regional de Medicina (CRM).

A Operação, lançada há um mês, continua percorrendo os 51 bairros da capital eliminando criadouros do mosquito da dengue e oferecendo orientações aos moradores. A Sesau disponibilizou quatro carros com motoristas e combustível para realizar os trabalhos de campo nos bairros de Boa Vista a fim de facilitar o deslocamento dos agentes de endemias.

Além disso, a Sesau está realizando cursos de capacitação para os agentes de endemias dos municípios do interior.