29 junho 2010

Supercomputador deve melhorar a previsão do tempo

Ana Bizzotto - O Estado de S.Paulo


Um novo sistema de supercomputação adquirido pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) permitirá prever temporais como os de Alagoas e Pernambuco com mais precisão. O novo sistema amplia em 50 vezes a capacidade de processamento. Com custo de R$ 50 milhões, o supercomputador da empresa americana Cray ocupa 100 metros e chegará ao Brasil na segunda quinzena de julho.

Ele permitirá ainda a ampliação do número de previsões paralelas, que contribuem para aumentar a confiabilidade da análise. "Será um dos cinco maiores sistemas para aplicações meteorológicas do mundo. É cerca de 25 vezes mais rápido que o atual", afirma o meteorologista Marcelo Seluchi. "Evitar enchentes não é possível, mas podemos avisar as pessoas a tempo e poupar vidas."

28 junho 2010

Uma semana depois, Nordeste já sofre com epidemias causadas pela chuva

Bruno Paes Manso - O Estado de S.Paulo


Um surto de diarreia em Maraial, na Zona da Mata Sul, a 133 quilômetros do Recife, acendeu o alerta entre autoridades de saúde que monitoram municípios afetados pelas enchentes que já mataram 52 pessoas e deixaram 157,5 mil sem casa em Pernambuco e Alagoas. Elas temem uma onda de epidemias, como leptospirose e cólera, cujos sintomas levam ao menos uma semana para aparecer.

A informação do surto foi dada anteontem pelo prefeito de Maraial, Marcos Maraial, às autoridades regionais de saúde. Em Palmares, cerca de 80 pessoas da cidade e de municípios vizinhos já procuraram atendimento no Hospital Menino Jesus por causa de vômitos. O equipamento privado passou a ser a referência local depois que o Hospital Regional de Palmares, que atende 22 municípios da região, foi totalmente destruído ao ficar dois dias embaixo d"água.

"Por enquanto, só nos resta tomar medidas para evitar a desidratação que pode ser causada pela diarreia. Vamos fazer exames para monitorar esses casos", diz o médico Evandro Arraes de Alencar Noronha, gerente da 3.ª Regional de Saúde e responsável pelos atendimentos na área.

Cólera. O temor e a supervisão redobrada das autoridades em relação à manifestação de sintomas de doenças epidêmicas ainda é motivado pelo fato de a cólera ser endêmica na região da Zona da Mata Sul. O bacilo foi controlado somente nos anos 1980 em Cortês, município vizinho a Palmares.

Mas, como é resistente, pode voltar a se proliferar em condições ambientais e sanitárias propícias para o contágio, que ocorre principalmente quando há carência de rede de esgoto e de água potável.

"Com lama e falta d"água, o rio fica contaminado e as doenças podem se propagar rapidamente. Os casos de vômitos mostram o tamanho do problema da sujeira", alerta Noronha.

Para piorar, a rede hospitalar de toda a região da Zona da Mata Sul foi amplamente danificada com as cheias. Além do Hospital Regional, que atende 22 municípios, foram totalmente destruídos Hospitais de Pequeno Porte (HPP) em Jaqueira, Água Preta e Cortês. Em Palmares, a equipe do hospital arrasado está espalhada pelos prédios de dois hospitais privados.

Preocupação. Para investigar os sintomas das doenças que começam a se manifestar, a 3.ª Regional de Saúde já começou a administrar um hemocentro e um laboratório de análises para identificar sinais de doenças contagiosas e tentar conter a proliferação. Os doentes estão sendo atendidos graças à colaboração de equipes médicas da Aeronáutica, instaladas em Barreiros, e núcleos do Exército trabalhando em Água Preta e Cortês.