18 junho 2010

Vazamento de petróleo ignorado

Adam Nossiter
The New York Times


Enquanto americanos consideraram o vazamento de petróleo provocado pela British Petroleum, no Golfo do México, como assunto de máxima relevância, um volume gigantesco do produto é derramado há 50 anos, na Nigéria, na África Ocidental, sem o conhecimento do mundo.

O petróleo que escorre, principalmente na região do Delta Nigeriano, polui rios, provoca a matança de peixes, afeta a agricultura e prejudica ainda mais a miserável população local. O vazamento equivale ao volume despejado pela Esso, em 1989 no Alasca, a cada por ano.

A estimativa é de que 546 milhões de galões tenham sido lançados no mar em cinco décadas.

Especialistas dizem que o cano responsável pelo último vazamento, pertence à Royal Dutch Shell, mas que esse tipo de acidente é muito comum no país.

Há anos, os oleodutos da região – uma das mais ricas em petróleo do mundo – são alvo fácil de saqueadores. As tubulações antigas, que não passam por manutenção regular, atraem os vândalos, que vendem o produto no mercado negro.

Moradores garantem que nenhum outro lugar do mundo sofre tanto com derramamentos de petróleo e contam que nada pode se mover num mar “preto e marrom”, que já foi repleto de camarão e caranguejo.

– Não há o que se possamos pegar aqui desesperase, Pio Doron, pescador da região.

Crianças nadam em riachos poluídos e pescadores retiram suas redes cobertas de óleo negro.

Descaso

A população denuncia a falta de preocupação das autoridades mundiais para com a região.

– O presidente (americano) Obama tem todas as atenções para o desastre do Golfo, mas ninguém tem olhos para este aqui – criticou o oficial, Claytus kannyie. – A vida aquática está morrendo completamente – denunciou.

A porta-voz da Shell na capital nigeriana, Lagos, Caroline Wittgen, afirma que o vazamento seja causado por sabotagem.

– Em apenas 2% dos casos, há falhas humanas ou de equipamentos – denunciou.

Autoridades locais divergem, alegando que as empresas preferem atribuir culpam aos criminosos para diminuir sua responsabilidade.

Ricardo Steiner, consultor de derramamentos de óleo, concluiu em um relatório de 2008 que, historicamente, “a taxa de falhas dos oleodutos na Nigéria é encontrada em outras partes do mundo”, e ele observou que mesmo a Shell reconheceu que quase todos os anos pode haver um acidente ligado a um oleoduto corroído.