24 maio 2010

Laser mapeará a Amazônia

FLÁVIA MARCONDES - A Crítica

A floresta amazônica brasileira contará, a partir deste mês, com mapeamento em três dimensões. A tecnologia, ainda não aplicada em alta resolução em florestas tropicais, permite obter imagens e medir impactos não identificáveis antes.

Imagens convencionais de satélite, por exemplo, não eram capazes de identificar coisas como o corte de uma única árvore ou flagrar a presença de um rio sob a vegetação. O sistema de 'lidar' (pronuncia-se 'laidar'; sigla inglesa da expressão "detecção e medição de alcance de luz"), consiste em um laser transportado por avião, cujos pulsos são capazes de atravessar o topo das árvores e alcançar o chão, gerando informações sobre a altura, largura e profundidade do que encontrar no caminho. Além de auxiliar no chamado manejo florestal (produção sustentável dentro de matas nativas), o sistema permite medir estoques de carbono e biomassa, identificar áreas desmatadas e racionalizar os recursos para o planejamento da agricultura e da pecuária.

O teste será realizado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) em uma área de mil hectares da Floresta Estadual de Antimary, em Sena Madureira (AC). O foco da iniciativa é o manejo para a produção de madeira, borracha, castanhas e outros produtos nativos da mata. As conclusões devem ser publicadas em dezembro. Apesar das várias aplicações da tecnologia, o pesquisador Marcus d'Oliveira, líder do projeto na Embrapa, diz que o principal cliente do lidar será a indústria madeireira, que precisa dos dados para planejar estradas e trilhas, além da distribuição de árvores.

Hoje, as pesquisas florestais no Brasil são realizadas em campo com auxílio de GPS (Sistema de Posicionamento Global) e de imagens digitais de satélite. Nessas condições, segundo Oliveira, há imprecisão nas medições, devido ao erro humano, e dificuldade de deslocar equipes. Esses problemas, diz, serão superados com o lidar. O pesquisador afirma, porém, que a tecnologia não substituirá as imagens de satélite – mais fáceis de serem produzidas e atualizadas. Ele diz que o lidar será usado somente para pesquisa de uma área específica, que necessite de informações precisas e detalhadas.