16 abril 2010

Terremoto na China deixa 617 mortos

Cláudia Trevisan, correspondente em Pequim - O Estado de S.Paulo

Equipes de resgate lutavam ontem contra a altitude, a dificuldade de acesso e o frio para tentar salvar vítimas soterradas pelo terremoto de 7,1 graus na escala Richter que atingiu a Província de Qinghai, no noroeste da China, e deixou pelo menos 617 mortos e 10 mil feridos.

O epicentro do tremor localizou-se na cidade de Yushu, próxima da fronteira com o Tibete, que fica a 4.000 metros de altitude e a 800 quilômetros da capital da província, Xining. Quase todos os habitantes do local são tibetanos, que vivem em casas típicas de barro e madeira. As construções são frágeis e cederam facilmente ao terremoto, o que explica o alto número de feridos.

Segundo a agência oficial de notícias Nova China, 85% das casas e 70% das escolas de Yushu foram destruídas pelo tremor, que ocorreu às 7h49 locais de ontem (noite de terça-feira em Brasília). Em uma das escolas havia entre 30 e 40 pessoas soterradas, que equipes de resgate tentavam com dificuldade retirar dos escombros.

"Nós temos de usar principalmente nossas mãos para tirar os escombros, já que não temos grandes máquinas escavadeiras", disse um policial da equipe de resgate chamado Shi Huajie. O terremoto também derrubou templos, provocou deslizamentos de terra, interrompeu estradas e afetou o fornecimento de energia. A operação de resgate foi comprometida por 18 tremores secundários que ocorreram ao longo do dia, o mais forte dos quais atingiu 6,3 graus na escala Richter.

O número de mortos pode subir em razão do grande número de pessoas ainda soterradas sob os escombros de casas, escolas, lojas e templos. Até a noite de ontem, 40 corpos haviam sido retirados de locais que desabaram.

"Vejo pessoas feridas em todos os lugares. O maior problema agora é que nós temos falta de tendas, equipamento médico, remédios e médicos", afirmou um funcionário da prefeitura de Yushu. "As ruas estão tomadas por pessoas em pânico e feridas, muitas das quais sangrando na cabeça", acrescentou.

Os hospitais da região eram incapazes de atender à demanda de milhares de feridos que precisavam de socorro. Na noite de ontem, 3.600 feridos estavam recebendo tratamento, de acordo com as autoridades locais. A organização Médicos Sem Fronteiras anunciou o envio de três médicos para avaliar a situação em Yushu, mas eles só conseguirão chegar ao local no sábado.

Dificuldades.

Os que sobreviveram enfrentaram o drama de passar a noite desabrigados, com temperaturas abaixo de zero e vento intenso. O governo despachou para o local 10 mil tendas e 100 mil cobertores e casacos, quantidade insuficiente para atender todos os que perderam suas casas.

Durante o dia de ontem, 700 soldados participavam das operações de resgate, enquanto outros 4.600 estavam a caminho da região. Além de buscar sobreviventes, eles tinham de reparar a estrada que serve o aeroporto local e abrir caminho para a chegada de socorro. O vice-primeiro-ministro Hui Liangyu chegou a Yushu na noite de ontem para coordenar os trabalhos.

A Província de Qinghai é vizinha à de Sichuan, onde há quase dois anos um terremoto de 8 graus provocou a morte de 87 mil pessoas, das quais pelo menos 5.300 eram alunos que estavam nas escolas no momento do tremor. "Nossa prioridade é salvar os estudantes. Escolas sempre são lugares onde há muitas pessoas", afirmou Kang Zifu, militar que participa das operações de resgate.

Etanol brasileiro para propulsão de foguetes

Jornal do Brasil
 
O Brasil vem desenvolvendo um programa de pesquisa em propulsão líquida para foguetes, que tem como base o etanol nacional. O desafio do projeto, liderado pelo
Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), é movimentar futuros foguetes com um combustível líquido que seja mais seguro do que o propelente à base de hidrazina empregado atualmente. Esse último, cuja utilização é dominada pelo país, é corrosivo e tóxico.

A meta é possibilitar o aprimoramento de uma indústria brasileira para a produção de motores de foguetes. A propulsão sólida já garantiu o início da era espacial no Brasil, graças aos trabalhos realizados há mais de 40 anos, tornando o IAE capaz de produzir e lançar foguetes para fins científicos, como os veículos lançadores e foguetes de sondagem.

O desafio da busca por um combustível verde e nacional também conta com o apoio de um grupo particular de pesquisadores, formado em parte por engenheiros que cursam ou cursaram o mestrado profissional em engenharia aeroespacial do IAE realizado em parceria com o Instituto Tecnológico da Aeronáutica e com o Instituto de Aviação de Moscou.

O IAE planeja lançar o primeiro foguete entre 2013 e 2015, o que representará o domínio do ciclo completo dessa tecnologia para projetar, fabricar, testar e operar motores a propulsão líquida.

Terremoto mata centenas na China

Sismo de 6,9 graus atingiu província remota de Qinghai, matando pelo menos 589 pessoas
 
Jornal do Brasil

Um forte terremoto de 6,9 graus na escala Richter deixou pelo menos 589 mortos e 10 mil feridos ontem na província isolada de Qinghai, no noroeste da China, próximo à região autônoma do Tibete. O epicentro do sismo foi localizado no condado de Yushu, uma região de pastagens com cerca de 100 mil habitantes, localizada a 800 quilômetros de distância da capital da província, Xining.

De acordo com as autoridades, o terremoto ocorreu às 7h49 locais (20h49 de terçafeira em Brasília), e foi seguido de 18 réplicas, algumas chegando a 6,3 graus na escala Richter. Mais de 900 pessoas foram resgatadas com vida dos escombros.

A área atingida, habitada por camponeses e nômades das etnias mongol e tibetana, é sujeita a terremotos.

Dentre os sobreviventes, 635 foram transportados para cidades próximas, e reclamavam das dificuldades para se manterem aquecidos numa altitude que chega a 3 mil metros e onde temperaturas podem ficar abaixo de zero numa inóspita região do Himalaia.

O fornecimento de energia elétrica e água foram cortados, e a estrada para o aeroporto local foi bloqueada por deslizamentos de terra, segundo a agência Xinhua Funcionários do aeroporto de Yushu improvisaram geradores de emergência para restaurar as operações do local. O primeiro de seis voos com equipes e material de resgate aterrisou no final da tarde de ontem. No entanto, a estrada para a cidade continuava bloqueada por um desmoronamento, dificultando o início da operação, enquanto as temperaturas caíam. Dezenas de milhares de habitantes da cidade ficaram sem abrigo, segundo a Xinhua.

– A situação aqui é difícil disse Pu Wu, diretor do Projeto Jinba, que fornece treinamento em cuidados de saúde para comunidades tibetanas.

– Estamos assustados, com pessoas acampadas ao relento esperando pela chegada de mais barracas.

Os hospitais também enfrentam sérias dificuldades pela falta de médicos. Os poucos que se encontram nos centros de atendimento não dispõem de injeções e de medicamentos básicos, disseram testemunhas.

Durante a primeira noite após o terremoto, apenas 3.600 dos 10 mil feridos estavam recebendo tratamento, de acordo com as autoridades locais.

Prioridade

Duas escolas em Yushu desabaram e pelo menos 56 estudantes morreram. O prédio da Escola Vocacional de Yushu foi o que sofreu danos mais graves.

Segundo a agência, 22 alunos da instituição estão mortos.

– Nossa prioridade é salvar os estudantes. As escolas são sempre locais em que há muitas pessoas – disse um comandante militar que participou das operações de resgate .

Sob escombros Na cidade de Gyegu, no condado de Yushu, mais de 85% das construções desabaram, as estradas estão obstruídas por deslizamentos de terra e as comunicações foram dificultadas.

As autoridades locais avaliam que várias pessoas ficaram presas sob os escombros.

O forte sismo e os tremores que se seguiram derrubaram casas, templos, postos de gasolina e postes elétricos.

O porta-voz do governo local, Zhuo Huaxia, disse à Xinhua que as ruas em Jiegu ficaram abarrotadas de pessoas feridas, em pânico, muitos sangrando com ferimentos diversos.

Huaxia informou que o maior problema a ser enfrentado na cidade é a falta de barracas, equipamentos médicos e funcionários de saúde.

O mais violento tremor de terra registrado na China nos últimos anos alcançou a magnitude de 8 graus, em maio de 2008, deixando pelo menos 87 mil mortos ou desaparecidos na província vizinha de Sichuan, não muito distante da área atingida ontem.

12 abril 2010

Exército começa a atuar em São Gonçalo

Dois hospitais de campanha entram em operação hoje. Número total de mortes no estado sobe para 229

Patricia de Paula e Érika dos Anjos - O Globo

O Rio de Janeiro já tem um total de 229 mortos devido às chuvas da semana passada. Somente em Niterói, são 146 - 36 no Morro do Bumba - e, no Rio, 63. Em São Gonçalo, um dos municípios mais castigados pelo temporal, o Exército começou a montar hospitais de campanha que vão funcionar a partir das 10h de hoje em dois lugares: no Jardim Catarina e na Estrada das Palmeiras.

- Nós vamos fazer um serviço de pronto-atendimento em clínica geral e pediatria. Os casos mais graves serão encaminhados para hospitais de referência - explica o tenente-coronel Harold, que está comandando a ação.

Segundo o militar, cerca de 20 homens se revezarão no atendimento 24 horas por dia, ainda sem data para terminar.

Mulher reconhece corpos de filha, neta e ex-marido

Ontem, no Morro do Bumba, no Cubango, foram encontrados mais cinco corpos, totalizando 36.

Acredita-se que haja, pelo menos, mais 150 pessoas sob os escombros.

Segundo o subcomandante do Grupamento de Busca e Salvamento dos Bombeiros, Rodrigo Bastos, só haverá descanso quando a última pessoa for resgatada:

- Ficaremos aqui até quando for necessário, pois sempre há esperança - disse Bastos.

Ontem, no Bumba, Ângela dos Santos reconheceu os corpos da filha Lucilene dos Santos, de 31 anos; da neta Taiane dos Santos, de 13; e do ex-marido, Bartolomeu dos Santos, de 60. Ela ainda espera encontrar a irmã, Jorzânia de Oliveira, de 54, que também estava na casa no momento da tragédia.

O subcomandante geral da PM, coronel José Paulo Miranda de Queiroz, faz um apelo às pessoas que estão área de risco:

- Peço que a população não se iluda com o tempo firme. Se perceber trinca ou rachadura que não havia antes em sua casa, saia imediatamente, procure um abrigo e chame a Defesa Civil.