09 abril 2010

Pista do aeroporto Santos Dumont é invadida pela água do mar

Em Cima da Hora

A pista acumula a água da chuva e do mar. O departamento de segurança faz uma avaliação do local para saber se há condições de pousos e decolagens.

08 abril 2010

Avião movido a energia solar dará a volta ao mundo

Jornal do Brasil
 
O Solar Impulse, maior avião solar do mundo, do pioneiro suíço Bertrand Piccard, realizou seu primeiro voo ontem. Com os primeiros raios de sol do dia, a aeronave sobrevoou campos suíços, impulsionada por 12 mil painéis solares, durante 87 minutos e a uma altitude de 4 mil pés (cerca de 1.200 metros), pilotado por Markus Scherdel. O objetivo é que em 2013, o avião dê a volta ao mundo. Nesta aventura, o Solar Impulse deve subir durante o dia. Durante a noite, ele deverá tentar manter o máximo de altura ao planar.

As asas do HB-SAI, nome pelo qual é identificado, têm 63 metros, três metros a mais que as asas de um Boeing 787.

Mas ele é bastante leve, com apenas 1.600 quilos.

– A maior aventura do século 21 é nos tornarmos independentes das energias fósseis – disse Piccard.

Com o projeto Solar Impulse, iniciado em 2003, ele quer provar que essa independência é possível.

– Se provarmos isso, ninguém mais poderá dizer que o mesmo é impossível com carros, computadores e sistemas de calefação – disse Piccard.

O objetivo do voo-teste foi verificar se o avião se comportava no ar conforme os cálculos feitos no simulador. Ele é muito sensível ao vento e a turbulências, disse Piccard.

Não é o primeiro avião solar do mundo. Em 1980, primeiros voos tripulados foram bem-sucedidos nos EUA. Em 1981, o Canal da Mancha foi sobrevoado com avião movido a energia solar. Em 2005, ocorreu o primeiro vôo noturno – não tripulado.

O avião de Piccard unifica essas experiências.

Com agências

05 abril 2010

Reator de submarino quer abastecer casas

Aplicação levanta preocupações com a segurança

Por ANDREW E. KRAMER - Folha de SP

MOSCOU - Quando a União Soviética lançou os submarinos da classe Alfa - na época os mais velozes do mundo -, eles eram a maldição dos marinheiros americanos. Agora, os reatores que alimentavam esses submarinos estão sendo apresentados como a próxima inovação em termos de energia limpa.

Ambientalistas dizem que a tecnologia é ultrapassada e potencialmente perigosa, e que vendê-la como energia limpa é abusar da reputação de limpeza da energia nuclear.

Os russos não estão sozinhos na ideia de que a próxima geração de reatores nucleares deveria ter mais em comum com os pequenos geradores dos submarinos do que com as enormes usinas atômicas de hoje em dia. Mas o reator marítimo que os russos promovem também cria um subproduto - o combustível usado- com o qual ninguém quer lidar. Atualmente, esse material fica em armazéns navais no Ártico russo.

Na maioria das instalações nucleares, o combustível usado, altamente radiativo, é retirado do reator e armazenado em uma piscina com água. Mas, no submarino da classe Alfa, o combustível usado é congelado junto com o reator e guardado em outro lugar. Nenhuma solução de engenharia foi concebida por enquanto para descontaminar o combustível.

Na verdade, a tecnologia causou vários acidentes mecânicos quando foi usada nos submarinos soviéticos, entre as décadas de 1970 e 1990.

Kirill Danilenko, diretor da empresa russa Akme Engineering, responsável pelo projeto, disse que a tecnologia pode chegar a ser tão segura quanto a das usinas nucleares maiores.

A promessa de reatores em miniatura alimentando casas, escritórios e escolas ainda está a anos de ser realizada. O primeiro projeto russo, um reator montado sobre uma balsa para ser levado a portos de países em desenvolvimento carentes de energia, já está em construção. Mas a maioria dos envolvidos prevê que pequenos reatores só sejam ligados no final desta década.

Os planos prosseguem na Rússia e em outros lugares, a despeito das críticas de que uma infraestrutura nuclear difusa - com pequenos reatores alimentando muitas cidades de médio porte, por exemplo - seria inerentemente arriscada.

Mas, quando a ciência for aperfeiçoada, a construção de tais reatores será potencialmente bem mais barata, em termos de custo por quilowatt, do que as usinas nucleares tradicionais. Isso não é pouca coisa, já que o dispêndio de capital é o maior custo da energia nuclear, alterando sua competitividade em relação ao carvão.

Defensores lembram que os reguladores nucleares russos e o Departamento de Energia dos Estados Unidos já deram aval aos pequenos reatores.

Nos EUA, empresas com projetos incluem a Westinghouse, fabricante de reatores tradicionais; a Babcock & Wilcox, fabricante de reatores de submarinos para a Marinha americana; e a NuScale, empresa surgida de um projeto de pesquisa da Universidade Estadual do Oregon.

Akme, o nome da empresa russa, é a sigla para "complexo atômico para pequena e média energia". Às vezes o nome é transliterado como Acme.

A meta da Akme é produzir o protótipo de um pequeno reator de 100 megawatts até 2019. Um minirreator deve custar cerca de US$ 100 bilhões.

Mas o produto dificilmente pode ser considerado "verde", disse em entrevista telefônica Igor Kudrik, pesquisador da Fundação Bellona.

O setor nuclear russo, em sua avidez por aproveitar a explosiva demanda global por energia nuclear, inclusive em novas aplicações como os pequenos reatores, desengavetou projetos inseguros, disse Kudrik. "Eles não apareceram com nada novo", afirmou.