19 março 2010

Óleo vegetal pode ser usado como combustível

Aprovado em decisão terminativa, projeto de Gilberto Goellner também autoriza indústrias refinadoras a venderem diretamente ao consumidor
 
Jornal do Senado

Proposta que permite a comercialização e o uso de óleo vegetal refinado como combustível para veículos e máquinas agrícolas e para veículos de transporte público urbano foi aprovada ontem pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), em decisão terminativa.

A permissão engloba máquinas e equipamentos agrícolas, geradores de energia, veículos de transporte de pessoas e de mercadorias, utilizados em atividades agropecuárias e florestais.
 
O óleo vegetal refinado também poderá ser usado no transporte rodoviário, hidroviário e ferroviário de produtos e insumos agropecuários e florestais, bem como aos veículos de transporte público e coletivo urbano.

O projeto de lei (PLS 81/08), do senador Gilberto Goellner (DEM-MT), também autoriza as indústrias refinadoras a produzir o óleo vegetal refinado para uso como combustível e a comercializá-lo diretamente ao consumidor.

– Isso para evitar o "passeio" desse combustível; ou seja, que ele seja transportado para outros centros de distribuição, onde, inevitavelmente, terá seu preço majorado devido aos custos desse deslocamento e mais outras despesas operacionais – explicou o autor.V A matéria já foi aprovada pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) e pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA).

Segundo o autor do projeto, a utilização do óleo vegetal como combustível ajudará na redução dos custos da produção do setor agropecuário, além de viabilizar ainda um novo mercado para esses produtos. Goellner também citou, como vantagem do uso do óleo vegetal como combustível, a redução da emissão de gases poluentes na atmosfera, o aumento de empregos na área e a dinamização dos setores econômicos ligados à produção de insumos, máquinas e equipamentos agrícolas e de transporte em geral.

Vantagens

Favorável ao projeto, o relator Eliseu Resende (DEM-MG) explicou que diversos trabalhos científicos têm atestado as vantagens da utilização de óleo vegetal como combustível, principalmente em relação ao óleo diesel e aos veículos movidos a gasolina e a álcool.

– A era do petróleo vai terminar antes do petróleo. As fontes renováveis de energia vão modificar profundamente as matrizes energéticas para que possamos ter uma configuração no setor energético mais adequada à preservação do meio ambiente no planeta para a sua manutenção – defendeu o relator do projeto, elogiado por todos senadores que participaram da reunião.

18 março 2010

Tremor de terra no Recôncavo Baiano

Agência A Tarde

MUTUÍPE (BA) – Um terremoto assustou moradores de Mutuípe, cidade de 20 mil habitantes a 254 km de Salvador, na tarde de anteontem. O tremor, que as estações sismográficas do Observatório Sismológico (Obsis) da Universidade de Brasília (UnB) e do Laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) não captaram, foi estimado entre 2 e 2,5 graus de magnitude por pesquisadores das instituições.

Relatos dão conta de que móveis e telhas sacudiram e objetos caíram de estantes. "Primeiro, foi um barulho como um tiro surdo. Todo mundo na cidade sentiu. Depois, filtros de combustível caíram da prateleira da loja. Foi muito rápido", contou o comerciante Ivaldo Andrade. Não houve vítimas nem maiores danos materiais. "Ouvimos um grande estrondo, e as pessoas começaram a ligar para a rádio, assustadas e preocupadas", disse o locutor Fabrício Lopes.

"Com base nas informações repassadas, estimamos a magnitude, um nível baixo que não causou maiores danos", ressaltou Joaquim Ferreira, da UFRN. Segundo ele, o sismo que também atingiu outras cidades do Recôncavo Baiano não tem relação com os terremotos do Chile e Haiti: "Foi genuinamente baiano". Entre outubro e dezembro de 2005, o fenômeno foi registrado três vezes em Mutuípe. O chefe do Obsis, George Sand, destacou que o tremor também não teve ligação com os abalos registrados recentemente em Alagoinha, Agreste de Pernambuco. "São falhas geológicas diferentes", analisou.

Guerra contra o mosquito

Começa o treinamento dos 200 militares que já estarão em campo hoje com a missão de combater o Aedes aegypti

Mariana Moreira - Correio Braziliense

Começou ontem o treinamento dos 200 militares cedidos pelas Forças Armadas para ajudar no combate à dengue, doença que já alcançou 1.956 registros confirmados no Distrito Federal e cuja epidemia é a pior da história, segundo as autoridades locais de saúde. Pela manhã, 100 soldados selecionados pelo Exército receberam capacitação do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde do DF. À tarde, foi a vez de 50 representantes da Marinha e 50 da Aeronáutica. No primeiro encontro, o treinamento foi teórico, mas hoje e amanhã, a partir de 9h, eles serão integrados à força-tarefa organizada em Ceilândia para combater a dengue.

Os militares poderão ficar em campo por até 45 dias. O treinamento foi aberto pelo secretário de Saúde, Joaquim Barros. "O Brasil enfrenta um inimigo perigoso, invisível e capaz de se adaptar fantasticamente aos ambientes. Hoje, assumimos que não podemos acabar com ele, mas temos que colocá-lo em xeque", declarou Barros, referindo-se ao mosquito Aedes aegypti. Ele destaca que a secretaria estuda uma medida legal que permita a entrada de agentes em domicílios, mesmo sem o consentimento dos moradores. O secretário espera encaminhar até a próxima semana documento à Procuradoria-Geral do DF pedindo apoio nesse sentido.

Todos os oficiais selecionados para a ação são efetivos, ou seja, já cumpriram o serviço militar obrigatório. Quando forem a campo fazer as visitas, eles se dividirão em grupos de cinco a 10 integrantes e estarão sempre acompanhados dos agentes. A Secretaria de Saúde, que irá definir as áreas de atuação dos militares nos próximos dias, providencia uma identificação especial para o grupo.

Material

Durante a capacitação, eles receberam uma pasta com o material necessário para o trabalho: prancheta, formulários de visitas, protetor solar, cola, lápis, borracha, apontador e um recipiente com larvicida. As Forças Armadas fornecerão o transporte e a alimentação ficará a cargo do GDF. De acordo com o major Marcelo Barreto, do Comando Militar do Planalto, o treinamento é importante para que o grupo, além de contribuir com a sociedade em um momento delicado, possa levar as informações às áreas aonde vivem. "Esses militares temporários poderão, no futuro, até trabalhar na área de Saúde", acredita ele.

A palestra abordou a situação da dengue no país, sintomas da doença, tipos de criadouro, como tratá-los e a conduta dos agentes. Um vídeo sobre as fases de evolução do mosquito foi exibido. Um dos espectadores era o cabo Edgar Cruz, 24 anos, lotado no Batalhão de Polícia do Exército. Morador de Ceilândia, estava feliz por poder ajudar a própria comunidade e por ampliar seus conhecimentos sobre a doença. "Não sabia que só a fêmea do mosquito pica", afirma. Capitão do Batalhão da Guarda Presidencial, Tarso de Souza, 29, conhece melhor a doença. Afinal, ele já contraiu a dengue, há cerca de 10 anos. "Sentia muita dor no corpo, nas articulações, e a febre ia e vinha", relata. Segundo ele, a atuação no combate à dengue é uma oportunidade para os militares mostrarem que são participativos nas questões comunitárias.

"O Brasil enfrenta um inimigo perigoso, invisível e capaz de se adaptar fantasticamente aos ambientes. Hoje, assumimos que não podemos acabar com ele, mas temos que colocá-lo em xeque"

Joaquim Barros, secretário de Saúde do DF

17 março 2010

Marinha do Chile alerta para explosivos no mar

Dispositivos pirotécnicos das bases navais foram arrastados para o mar após série de tsunamis no país
 
Diário do Nordeste

Santiago. A Marinha chilena informou, ontem, que alguns explosivos pertencentes a bases navais foram arrastados ao mar pela série de tsunamis que atingiu a costa do país no mês passado, após o terremoto de magnitude 8,8 do último dia 27 de fevereiro, que deixou pelo menos 497 mortos identificados.

O almirante Roberto Macchiavello explicou que, entre os cerca de 600 itens arrastados das bases pelas ondas gigantes, há dispositivos pirotécnicos utilizados como sinalizador.

Os oficiais pediram à população que frequenta locais próximos ao mar, principalmente a baía de Talcahuano, localizada a 500 quilômetros ao sul da capital do país, Santiago, que mantenha-se atenta e não toque em nada desconhecido. A baía de Talcahuano fica Província de Concepción, na região de Bío Bío, uma das mais afetadas.

"Temos dúvidas em relação ao lugar em que os dispositivos se encontram. Estamos fazendo um grande esforço para encontrá-los com equipes de patrulhas e buscas, que tentam resgatar os materiais", afirmou Macchiavello, em declarações à rádio Bío Bío.

O procurador nacional Sabas Chahuán afirmou que investigará os erros cometidos durante o terremoto pelos serviços de alerta de emergências e catástrofes, que falharam ao alertar à população das tsunamis.

A Marinha do Chile chegou a destituir o diretor do Serviço Hidrográfico e Oceanográfico, comandante Mariano Rojas, por não ter entregue informação clara e precisa sobre o perigo iminente de tsunami após o terremoto.

O tremor de magnitude 8,8 foi registrado na madrugada do último dia 27 no centro-sul do Chile, deixando ao menos 802 mortos somados pelo governo - 497 deles já identificados - e destruindo grande parte das edificações.

Além das ondas gigantes, o abalo sísmico foi seguido por mais de 100 réplicas, uma das mais fortes delas registradas na última semana, durante a cerimônia de posse do presidente Sebastián Piñera.
 
Na última segunda-feira, uma réplica de magnitude 6,7 sacudiu a costa do Chile.
 
Segundo o ministro de Obras Públicas, Hernán de Solminihac, os danos causados pelo terremoto já somam US$ 1,46 bilhão (R$ 2,58 bilhões).

O ministro declarou que este não é um número definitivo e acrescentou que o ministério prepara uma base de dados para realizar um estudo minucioso das obras a serem realizadas para reparar os danos provocados pelo terremoto de magnitude 8,8, o quinto pior desde 1900. "Esta semana, devemos ter toda a informação a respeito dos danos, custos finais e prazos das obras", disse Solminihac. Ele adiantou que a reconstrução das pontes deve demandar até um ano e meio de trabalho. Um estudo preliminar sobre os danos no setor, realizado uma semana depois do terremoto pelo governo de Michelle Bachelet, calculou os prejuízos em US$ 1,2 bilhão (R$ 2,12 bilhões).

A respeito da normalização do fornecimento de água potável, o ministro chileno lembrou que os problemas persistem nas zonas rurais, onde cada área tem uma fonte de abastecimento diferente.

No domingo passado, um blecaute causado por uma falha em um transformador na região de Bío Bío atingiu quase 2.500 quilômetros do território chileno.

As autoridades disseram que o fornecimento ficou instável devido aos problemas ocasionados pelo terremoto no Sistema Interconectado Central (SIC).

No entanto, Patricia Chotzen, titular da Superintendência de Eletricidade e Combustíveis (SEC), descartou a possibilidade de um racionamento de luz no país. "Apesar da fragilidade dos sistemas, existe uma suficiência do ponto de vista de geração", afirmou Chotzen.

DANOS

1,46 BILHÃO DE DÓLARES é o valor dos danos causados pelo terremoto no Chile calculado até agora. Reconstrução de pontes pode levar até um ano e meio de trabalho, segundo ministro