27 dezembro 2010

Desmatamento na Amazônia leva à descoberta e extinção de espécies

AFP

LIMA (AFP) - Na Amazônia peruana, uma espécie de ave é descoberta por ano, e uma de mamífero a cada quatro, mas, paradoxalmente, cada nova descoberta faz parte de uma tragédia, pois ocorre devido ao desmatamento realizado por empresas de petróleo, mineradoras e madeireiras.

Por isso, em muitos casos, a descoberta de uma nova espécie caminha lado a lado com o começo de sua extinção.

"As descobertas de aves, mamíferos e outras espécies na maioria ocorrem devido não a uma pesquisa científica, que custa muito dinheiro, mas pela presença de empresas petroleiras, mineradoras e de corte de árvores", disse à AFP Michael Valqui, da ONG conservacionista Fundo Mundial para a Natureza (WWF-Peru).

"Este tipo de descoberta põe em risco a espécie que se descobre, já que pode entrar em risco de extinção porque este lugar é seu único hábitat, devido ao clima ou bacia", acrescentou.

Entre as novas espécies descobertas nos últimos cinco anos estão a rã 'Ranitomeya amazonica', com coloração de fogo na cabeça e patas azuis, o papagaio-de-testa-branca e o beija-flor-de-colar-púrpura.

O Peru é o quarto país do mundo em extensão florestal, com 700.000 km2 de florestas tropicais amazônicas, que contribuem para reduzir o aquecimento global e abrigam grande biodiversidade.

Em outubro, mais de 1.200 novas espécies foram apresentadas em uma cúpula das Nações Unidas sobre biodiversidade. Delas, cerca de 200 foram descobertas na Amazônia peruana.

A região tem 25.000 espécies de plantas - 10% do total mundial - e é o segundo lugar do mundo com mais diversidade de aves, abrigando 1.800 espécies. Também ocupa o quinto lugar do mundo no que diz respeito à diversidade de mamíferos (515 espécies) e répteis (418 espécies).

Para Ernesto Ráez, diretor do Centro para a Sustentabilidade Ambiental da Universidade Cayetano Heredia, de Lima, "o número de espécies que desaparece para sempre no mundo todos os dias é muito superior ao número de espécies que descobrimos todos os dias".

"Há espécies, em outras palavras, que desapareceram antes que as tenhamos conhecido", disse.

A Amazônia peruana deve fazer frente a um agressivo programa estatal de exploração petroleira e mineradora, que tem confrontado o governo e as comunidades indígenas do local.

"Uma empresa mineradora ou de hidrocarbonetos não é, em si mesma, destrutiva; a chave é se é limpa ou não", explicou Gérard Hérail, do Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento de Lima (IRD, na sigla em francês).

Segundo os cientistas, a lagartixa de Lima, um animal de hábitos noturnos encontrado apenas em 'huacas' (santuários arqueológicos) da capital peruana, está prestes a se extinguir, enquanto outras espécies já desapareceram, como o rato endêmico da 'lomas' ou encostas ('Calomys sp', um ratinho orelhudo).

"Os arqueólogos, ao limpar as 'huacas' para sua restauração, destroem o hábitat da lagartixa de apenas dois a três centímetros, com cor avermelhada, que vive nos recantos e locais escuros do local", disse Valqui, do WWF-Perú.

Em 2009, o governo propôs, perante um organismo internacional sobre mudanças climáticas a preservação de 540.000 km2 de florestas e reverter processos de corte e queima para reduzir o desmatamento.
Atualmente, há no Peru 70 áreas naturais protegidas, que ocupam 200.000 km2, 15% do território nacional.

No entanto, "faltam sinais claros para dizer até onde o país vai na defesa de sua biodiversidade", disse à AFP Iván Lanegra, defensor adjunto para o Meio Ambiente da Defensoria do Povo.

Para Nicolás Quinte, biólogo guia do Parque Nacional do Manu, no Amazonas, deve-se promover "as atividades que não sejam claramente extrativistas, mas também produtivas e que sejam sustentáveis com o passar do tempo. Uma delas pode ser o turismo que usa a floresta sem destruí-la".

26 dezembro 2010

Tremores de pelo menos 5 graus continuam sacudindo Vanuatu

EFE

Sydney (Austrália), 26 dez (EFE).- Um total de 18 terremotos de 5 ou mais graus de magnitude na escala de Richter sacudiu a região de Vanuatu desde o terremoto de 7,3 graus que levou um alerta de tsunami ao país do Pacífico Sul.

As autoridades de Vanuatu não informaram se houve vítimas ou danos materiais.


O último movimento foi de 6,3 graus e seu epicentro está a 100 quilômetros ao oeste de Isangel e a 8,5 quilômetros de profundidade, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, que vigia a atividade sísmica no mundo todo.


Isangel é a capital administrativa da ilha de Tanna, um dos destinos turísticos principais de Vanuatu.


Em Christchurch, capital da ilha do Sul da Nova Zelândia e onde um terremoto de 7 graus em setembro causou grandes danos, as autoridades cortaram a luz e isolaram áreas após um forte tremor.


As medidas preventivas se mantém hoje por causa das réplicas, e porque em alguns casos houve danos a edifícios e a evacuação de pessoas.


A réplica mais forte registrada neste domingo (26) atingiu os 4,9 graus e foi a 12 quilômetros de profundidade, dentro de um raio de cinco quilômetros de Christchurch.


Vanuatu fica perto do chamado Anel de Fogo do Pacífico e dos vulcões submarinos da Cuenca de Lau, por isso que sofre habitualmente a atividade sísmica.


A República de Vanuatu é formada por um arquipélago de origem vulcânica e acolhe uma população próxima a 250 mil habitantes.

23 dezembro 2010

Estudo sobre abelhas feito por crianças é publicado em revista

Alunos de uma escola primária britânica descobriram que abelhas podem ser treinadas para reconhecerem cores.

BBC Brasil

A pesquisa sobre abelhas feita por um grupo de crianças de uma escola primária em Devon, na Inglaterra, se tornou a primeira do tipo a ser publicada por uma revista acadêmica.

Os alunos da Escola Primária Blackawton, que têm entre 8 e 10 anos, descobriram que as abelhas podem ser treinadas para reconhecer cores em busca de alimento.

Eles tiveram a consultoria do neurocientista Beau Lotto, da University College London, que garantiu que o trabalho foi 'inteiramente concebido e escrito' pelas crianças.

O estudo foi publicado na revista especializada Biology Letters, da Royal Society, uma das associações científicas mais tradicionais do mundo.

`Legal e divertido'
 
Os alunos testaram abelhas para descobrir se elas poderiam aprender a usar padrões de cores para encontrar o caminho até as flores mais doces e nutritivas.

Eles descreveram a conclusão das experiências no trabalho: 'Descobrimos que as abelhas podem usar as combinações de cores para orientar-se no espaço ao decidir qual é a cor da flor para onde irão'.

'Também descobrimos que ciência é legal e divertido, porque você pode fazer coisas que ninguém fez antes', disseram.

A Royal Society disse que faltava compreensão sobre o objeto de estudo das crianças, e que as descobertas eram um 'verdadeiro avanço' no campo.

O editor da revista Biology Letters, Brian Charlesworth, disse que o estudo é o primeiro caso do tipo no mundo.

'Espero que isso inspire outros grupos a perceber que a ciência não é um clube fechado, mas algo que está disponível para todos.'

Cientistas
 
O projeto nasceu de uma palestra do neurocientista Beau Lotto na escola Blackawton, onde seu filho estuda, sobre o ensino de ciência.

A partir daí, Lotto e o diretor Dave Strudwick ajudaram as crianças a desenvolver as experiências.

Segundo o neurocientista, a pesquisa começou com 'um dia de abelha', em que os alunos tentavam se comportar como os animais.

'O verdadeiro trabalho científico é cheio de incertezas - e é por isso que é tão excitante - mas acho que é isso o que falta na educação, onde os assuntos são apresentados como uma série de certezas chatas', disse Lotto.

O trabalho editado pelo cientista, que manteve os textos das crianças sobre o tema. As tabelas foram pintadas com lápis de cor.

Para ser publicado, ele teve que ser comentado por dois pesquisadores especialistas no tema, já que o texto não tinha referências bibliográficas.

Laurence Mahoney, da Universidade de Nova York e Natalie Hempel de Ibarra, da Universidade de Exeter, disseram que as experiências foram 'modestas, mas inteligentemente e corretamente organizadas, além de conduzidas de maneira controlada'.

19 dezembro 2010

A ilha de lixo

O mar está cada vez mais poluído. Mas um projeto quer transformar sujeira em moradia

por Lorena Verli - SuperInteressante
No meio do oceano Pacífico, fica o maior lixão do mundo - são 4 milhões de toneladas de garrafas e embalagens, que foram empurradas para lá pelas correntes marítimas e formam um amontoado de 700 mil km2 (duas vezes o estado de São Paulo). Um desastre - mas que pode virar uma coisa boa. Uma empresa da Holanda quer coletar todo esse plástico e reciclá-lo para fazer uma ilha artificial, de aproximadamente 10 mil km2 (equivalente a uma cidade como Manaus) e capacidade para 500 mil habitantes. Ela teria casas, lojas, praias, áreas de lazer e plantações - tudo apoiado numa base de plástico flutuante. Seus criadores acreditam que a ilha possa se tornar autossuficiente, produzindo a própria comida e energia. 

"Queremos levar o mínimo de coisas para a ilha. A principio, tudo será feito com o lixo que encontrarmos na área", diz o arquiteto Ramon Knoester. A cidade flutuante seria cortada por canais, para que as correntes oceânicas pudessem passar livremente (sem ameaçar a estabilidade da ilha).

O projeto já recebeu o apoio do governo holandês, mas não tem data para começar - ninguém sabe quanto a obra custaria, nem se é viável. "A
ilha não é economicamente rentável. Nós a vemos apenas como uma maneira de limpar a poluição causada pelo ser humano", diz Knoester. Enquanto isso não acontece, toda a matéria-prima que seria usada nesse em-preendimento continua boiando. 

Lixão flutuante
 
Como é e onde fica a supermancha de lixo.
 
Onde : Oceano Pacífico.
O que tem
: 4 milhões de toneladas de plástico
Origem
: 80% vêm dos continentes; 20% são jogados por navios.

MPF diz que condicionantes em Belo Monte não estão sendo cumpridas

Tribuna do Norte

Brasília - Dez meses depois da concessão da licença prévia para a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), algumas das condicionantes previstas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) não estão sendo cumpridas. A denúncia é do Ministério Público Federal (MPF) no Pará, que na semana passada esteve em dois municípios da região que está no entorno da usina.

Concedida em fevereiro pelo Ibama, a licença prevê 40 condicionantes para tentar garantir viabilidade social e ambiental de Belo Monte.

Técnicos e procuradores do MPF estiveram na comunidade de Belo Monte, entre os municípios de Vitória do Xingu e Anapu para vistoriar a implantação de projetos de água e esgoto listados entre as exigências da licença.

Em Vitória do Xingu, o MPF diz ter encontrado apenas um poço perfurando e ainda sem produzir água suficiente. Em Anapu, outro poço foi aberto em uma área próxima às casas e pode estar contaminado.

Segundo o MPF, a rede de águas ainda está em fase de escavação. As obras preparatórias também deveriam incluir uma escola e dois postos de saúde, mas até agora apenas um dos postos começou a ser construído.

As condicionantes socioeconômicas são exigidas para tentar conter ou pelo menos amenizar os impactos da migração de trabalhadores atraídos pela oferta de emprego em grandes obras de infraestrutura. Segundo o MPF, desde o anúncio da construção de Belo Monte, já chegaram cerca de oito mil pessoas ao município de Altamira, o maior da região do Xingu.

A licença prévia é a primeira das três licenças que fazem parte do processo de licenciamento ambiental. Se cumpridas as condicionantes, a próxima etapa é a licença de instalação, que autoriza o início das obras. O consórcio responsável pela construção de Belo Monte apresentou ao Ibama um pedido de licença parcial, para instalar o canteiro de obras, mas o MPF já adiantou que deve questionar a autorização na Justiça, caso seja concedida pelo órgão ambiental.

18 dezembro 2010

TAM completa primeiro voo com biocombustível

AeroMagazine

A TAM completou o primeiro voo experimental da América Latina com biocombustível de aviação. O combustível é produzido a partir do óleo de pinhão manso (jatropha curcas L), uma biomassa vegetal brasileira. A aeronave utilizada fou um Airbus A320, com capacidade para trasnportar até 174 passageiros, que está em operação regular na malha doméstica da companhia. O voo, tripulado por dois comandantes da TAM, decolou do aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro, sobrevoou o espaço aéreo brasileiro sobre o oceano Atlântico por 45 minutos e retornou ao ponte de partida. Participaram do voo, além dos tripulantes, outras 18 pessoas, entre técnicos eexecutivos da TAM e da Airbus.

Também no mês de novembro, a companhia chilena Sky Airline assinou um acordo com a empresa de energia norte-americana PetroAlgae para a compra de biomassa.

Fortes nevascas trazem caos aos transportes na Europa

BBC Brasil

A neve e o tempo frio causam transtornos em partes do norte da Europa neste sábado.

O tráfego foi interrompido em estradas, aeroportos e linhas ferroviárias, e as autoridades estão pedindo aos passageiros que reconfirmem seus trajetos antes de viajar.

O aeroporto mais movimentado da Europa, Heathrow, em Londres, disse que está "fazendo um esforço" para manter o cronograma de pousos e decolagens, mas a British Airways, a maior companhia a operar no aeroporto, cancelou todos os seus voos até o fim da tarde.

"Estamos trabalhando para degelar as nossas duas pistas e todas as áreas de táxi. Por ora, tudo está funcionando no aeroporto, mas não saia de casa se for voar pela British Airways", disse o porta-voz do aeroporto, Andrew Teacher.

A BA também cancelou seus voos domésticos e entre os países europeus no aeroporto de Gatwick. O aeroporto fechou sua pista até o meio da tarde.

Na Alemanha, cerca de 170 voos foram cancelados no aeroporto de Frankfurt, o maior do país. Os cancelamentos se somam aos cerca de 500 - de um total de 1,4 mil voos previstos - na sexta-feira, impedindo 2,5 mil passageiros de viajar.

Diversas estradas alemãs ficaram lotadas de caminhões presos na neve. Os congestionamentos também estão sendo verificados no norte da Inglaerra, em cidades como Manchester.

Na Holanda, uma centena de voos foram cancelados no aeroporto de Schipol, em Amsterdã, e os atrasos chegam a 4 horas. Situação semelhante está sendo registrada na Suíça.

A França emitiu um alerta meteorológicos para grande parte do oeste do país e pediu aos viajantes que evitem viagens que não sejam indispensáveis.

Na Irlanda do Norte, as autoridades registraram a maior queda de neve em décadas.

A previsão para o fim de semana é de mais neve no continente.

17 dezembro 2010

Bioplástico não é assim tão verde

Mas ainda é mais ecoamigável que petróleo

Planeta Sustentável

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos EUA, revela que bioplásticos não são necessariamente mais verdes do que aqueles produzidos com petróleo, se forem levados em consideração pesticidas e fertilizantes sintéticos envolvidos em sua produção. Quando se considera a extensão de terra nececessária para produzir colheitas que resultarão em bioplásticos, o plástico de petróleo aparece na frente. Mas os bioplásticos batem o petróleo quando se levam em conta fatores como biodegradabilidade, baixa toxicidade e o uso de fontes renováveis.  

O estudo examinou doze plásticos, sete baseados em petróleo, quatro biopolímeros e um híbrido. Foi feita uma avaliação do ciclo de vida de produção de cada um deles. Segundo o blog Eco Geeks, já que o estudo é baseado em métodos de produção correntes, "melhores práticas de produção podem melhorar o ranking relativo dos bioplásticos". O blog enfatiza que os resultados do estudo "não devem ser usados para criticar os bioplásticos e dar argumentos aos negacionistas que dizem que o petróleo deve continuar a ser usado". O Eco Geek sugere que produtores de plásticos baseados em petróleo e bioplásticos devem olhar o estudo "para poderem identificar quais os aspectos mais daninhos de seus métodos e reduzirem seus impactos ambientais".

Mas pesquisadores já estudam o desenvolvimento de bioplásticos mais verdes que os atuais, informa o Triple Pundit. A empresa japonesa de eletrônica NEC anunciou em agosto último ter desenvolvido bioplástico de plantas não comestíveis. Os principais ingredientes do bioplástico são celulose, principal componente dos troncos das plantas, e cardanol, um material oleoso de cascas de noz, e um subproduto de seu processamento. Ou seja, ele é feito de resíduos agrícolas. A NEC vai continuar desenvolvendo o produto para usá-lo em aparelhos eletrônicos a partir de 2013.

03 dezembro 2010

Cidades são as maiores causadoras do efeito estufa, diz Banco Mundial

Lilian Ferreira
Do UOL Ciência e Saúde
Em Cancún (México)
 
Cidades são responsáveis por 80% da emissão global dos gases do efeito estufa e também sofrem grande impacto das mudanças climáticas, segundo estudo do Banco Mundial, divulgado nesta sexta-feira (3), na COP-16, Conferência do Clima, em Cancun, no México.

Mais de 50% da população do mundo vive em áreas urbanas. Juntas, as 50 maiores cidades emitem 2,6 bilhões de gases do efeito estufa (o terceiro maior, após EUA e China).

De acordo com o relatório, até 80% dos U$ 100 bilhões (destinados para a adaptação às mudanças) serão aplicados em áreas urbanas. E a aplicação deste dinheiro deve ser agora para construir infraestruturas e prédios que lancem menos gases e que estejam menos vulneráveis a fortes chuvas, enchentes, ondas de calor e aumento do nível do mar.

“Muitas cidades como Nova York, Cidade do México ou São Paulo não estão esperando um acordo global, elas já estão agindo”, disse Andrew Steer, enviado especial do Banco Mundial para Mudanças Climáticas. São Paulo e Rio, por exemplo, têm uma emissão de CO2 per capita menor do que 2,1 toneladas.

Para ele, estas cidades já estão mostrando como lidar com a redução das emissões e como se adaptar às mudanças com o fornecimento de serviços urbanos básicos que ajudam a combater a pobreza com boas ideias e iniciativas locais.

Entretanto, o órgão destaca que as cidades precisam de apoio nacional e internacional para desenvolver comunidades mais sustentáveis e que as cidades devem se juntar em organizações para obter ajuda. O Banco Mundial afirma que, em parceria com a ONU, desenvolveu um plano para dar melhor assistência às cidades e mais rapidamente.

Alternativa

Uma alternativa para diminuir os efeitos do aquecimento global nas cidades, proposto pelo ambientalista dinamarquês Bjorn Lomborg, é pintar prédios e estradas de branco. A cor clara reflete mais os raios solares e com isso ajudaria a diminuir o efeito das ilhas de calor geradas pelas cidades.

02 dezembro 2010

Mortes por causas climáticas dobram em 2010

Livia Aguiar - SuperInteressante

No ano passado, 10 mil vidas foram perdidas em desastres climáticos. Nos primeiros nove meses de 2010, este número mais que dobrou: 21 mil mortes, segundo relatório da Oxfam, organização humanitária internacional.

O documento, intitulado “Agora, mais que nunca: negociações sobre o clima que funcionem para quem mais precisa delas”, foi lançado ontem, 29, primeiro dia da COP16 – Conferência da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, da qual participam representantes de 194 partes (193 países + União Europeia).

“Cancún (onde ocorre a COP16) não vai ver os governos cruzarem a linha de chegada (que é desaceleração das mudanças climáticas), mas eles podem dar passos vitais para trazer essa linha de volta à vista”, diz o relatório, com esperança.

Infelizmente, o resto do documento é bastante desalentador:

- 2010 já viu o menor nível de água do Rio Negro, na bacia do Amazonas;
- as temperaturas mais altas já alcançadas na Ásia (53,7ºC), na Rússia;
- inundações que mataram mais de 2 mil pessoas no Paquistão;
- o terceiro nível de gelo mais baixo do oceano Ártico
- inundações na China que afetaram 140 milhões de pessoas (com secas igualmente severas, que atingiram 51 milhões de chineses).

Se barrar o aquecimento global por completo é impossível, subir apenas dois graus na temperatura (que é a meta firmada na COP15, no ano passado em Copenhague) parece igualmente utópico. Mas o relatório da Oxfam acredita que há como reverter essas mudanças climáticas e apresenta três frentes de atuação que considera mais importantes: 

1. Estabelecimento de um fundo global para o clima, destinado às pessoas pobres, especialmente mulheres, como carro-chefe do progresso sobre o financiamento do clima; 

2. O fim de compromissos de mitigação dos países desenvolvidos e aceitação de que eles não serão suficientes para mandar o aquecimento global abaixo de 1,5ºC – e fazer algo a respeito; 

3. Chegar a um consenso para um acordo abrangente que seja compreensivo, justo, ambicioso e que comprometa a todos, tanto para o Protocolo de Kyoto e Ação de Cooperação de Longo Prazo (AWG-LCA).

Um único dólar investido em adaptação economiza 60 dólares em contenção de danos, informa o documento. “Os países devem identificar novas formas de arrecadar bilhões de dólares necessários, como impondo tarifas sobre as emissões não-reguladas da aviação e da navegação internacionais, e aceitando uma Taxa de Transações Financeiras sobre os bancos”, sugere Tim Gore, autor do relatório, em nota no site da Oxfam.

Reduzir a temperatura da Terra é praticamente impossível (e muito, muito caro). Por isso, é preciso deixar os egos de lado e atuar em conjunto para que isso não aconteça. Parece fácil?

Relatório afirma que obras de hidrelétricas violam direitos humanos

Governo rebate críticas do documento e afirma que não há dados técnicos para comprovar acusações

Jornal da Energia
Da redação, com informações da Agência Brasil

O Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), ligado à Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, considera que 16 direitos humanos das populações atingidas por barragens foram “sistematicamente” violados na construção de hidrelétricas. Entre eles estão os direitos à informação e à participação, à plena reparação de perda, de ir e vir, de grupos vulneráveis à proteção especial, além dos direitos à educação, saúde, ao ambiente saudável e à moradia adequada.

A violação de direitos foi descrita em relatório feito por comissão especial do CDDPH, aprovado na última reunião do conselho, realizada em Campo Grande (MS) na semana passada. De acordo com o documento, “o padrão vigente de implantação de barragens tem propiciado de maneira recorrente graves violações de direitos humanos, cujas consequências acabam por acentuar as graves desigualdades sociais, traduzindo-se em situações de miséria e desestruturação social, familiar e individual”.

O documento faz mais de 100 recomendações aos governos federal e estaduais (responsáveis pelos licenciamentos ambientais) e aos construtores de hidrelétricas e considera que “a estrutura legal e normativa brasileira contém vários dispositivos de proteção aos direitos humanos das populações e dos indivíduos atingidos pela implantação de barragens" e aponta diversas "limitações, omissões ou insuficiências no sistema normativo existente”.

A CDDPH criou a comissão especial após ser provocado pelo Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) em março de 2006, quando foram apresentadas 74 denúncias de supostas violações de direitos humanos. A comissão selecionou sete barragens para fazer o trabalho de campo e entrevistas com atingidos e empreendedores: Tucuruí (PA), Fumaça (MG), Foz do Chapecó (SC/RS), Emboque (MG), Cana Brava (GO), Aimorés (MG/ES) e o Açude Acauã (PB).

A aprovação do relatório foi recebida com restrições pelos ministérios de Minas e Energia (MME) e do Meio Ambiente (MMA). O documento traz anexadas as ressalvas do MME, que reclama da generalização do texto e afirma que não houve nenhuma apuração antes de as denúncias virem a público. “Considera-se que nenhuma das denúncias recebidas foi tecnicamente apurada”, aponta o ministério, que também assinala que “não houve qualquer verificação sobre desdobramentos judiciais das denúncias, muitas delas consideradas improcedentes”. Segundo o MME, “as denúncias apresentadas correspondem, em grande parte, a descontentamentos e frustrações diante dos processos de negociação. Poucas denúncias se atêm a fatos de violação de direitos”.

Conforme o anexo do relatório, a construção de barragem segue as condicionantes do licenciamento ambiental feito pelo Ibama ou por órgãos estaduais do setor. De acordo com o MME, pelo menos 33 condições costumam ser impostas aos licenciamentos, como a prestação de serviço médico e assistência agrônoma, a ampliação de escolas e a criação de programas de geração de renda.

O ministério lembra que as populações atingidas pela construção de barragens são beneficiadas por programas sociais, como a educação de jovens e adultos para 3,5 mil agricultores, o crédito de mais de R$ 323 milhões para a agricultura familiar, além da distribuição de cestas básicas, entre outros projetos.

O MME participou da comissão especial designada pelo CDDPH para apurar as denúncias do MAB, mas reclama que prevaleceu na comissão responsável pela apuração das denúncias “invariavelmente a posição de integrantes externos ao governo”.

Além do MME, estavam representadas na comissão o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério Público Federal, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro e o MAB.

Para o MMA, que também faz ressalvas ao relatório, “algumas afirmações peremptórias requereriam um cuidado maior em sua enunciação. Em particular, as afirmações referentes à coação e ao constrangimento de pessoas, bem como à sonegação, omissão e ao falseamento de informações, que não podem ser feitas sem o devido processo legal”.

O Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) divulgou carta elogiando o relatório do CDDPH e a publicação do Decreto 7.342, da Presidência da República, que determina a criação do cadastro socioeconômico para identificação da população afetada pelas hidrelétricas.

BNDES libera R$ 33 mi para transformar lixo urbano em energia em SP

Mônica Bergamo - Folha de SP

O BNDES aprovou financiamento inédito de R$ 33 milhões para transformar lixo urbano em energia. A empresa beneficiada coletará até mil toneladas de resíduos por dia, nas regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas. Reciclado, o combustível será usado em fornos de usinas de cimento e álcool.

01 dezembro 2010

Brasil economizaria até R$ 1 trilhão se adotasse fontes renováveis de energia, diz Greenpeace

Lilian Ferreira
Do UOL Ciência e Saúde

Em Cancun, no México

“O Brasil pode crescer e gerar mais empregos se apostar em energia renovável no futuro”, diz Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energia do Greenpeace. A ONG ambientalista lançou durante a COP-16, Conferência do Clima, que ocorre até 10 de dezembro, em Cancún, no México, a 2ª edição do relatório “Revolução Energética”.

Segundo a ONG, até 2050, mesmo com a economia crescente, 93% da eletricidade do país pode vir de fontes renováveis de energia, como a solar, eólica e biomassa. Assim, seria possível economizar de R$ 100 bilhões a R$ 1 trilhão neste período.

Em emissões de gases o negócio seria ainda melhor: de 147 milhões de toneladas de CO2 (se os planos de investir em combustíveis fósseis continuarem) para 23 milhões, em 2050 --menos do que é hoje.

Baitelo explica que mesmo com a descoberta de reservas de petróleo no país, esta não seria uma fonte rentável para produção de energia interna, já que custaria mais caro do que a eólica, por exemplo. “A energia nuclear também não é uma saída porque seu impacto ambiental final não compensa e, como as hidrelétricas vão atingir seu teto de fornecimento de energia, precisamos investir para baratear fontes renováveis para não ficarmos dependentes de algo que pode acabar”.

Hoje, o MW por hora da energia eólica é competitivo e chega a R$ 130 ou R$ 140, bem próximo do valor das hidrelétricas que fica de R$ 100 a R$ 120. O grande susto é a energia solar que custa de R$ 500 a R$ 1.000 o MW/h. Por isso, investir em tecnologias nacionais é importante para diminuir este custo e permitir sua disseminação.

Para o ambientalista, a diversificação da matriz energética é um ponto chave: “Se faltar chuva para as hidrelétricas, o governo vai apelar para combustíveis fósseis se não tivermos alternativas”, destaca.

Além disso, 3 milhões de empregos seriam criados para o desenvolvimento e produção de materiais e tecnologia para estas novas matrizes.

“O desenvolvimento de tecnologia eólica no Brasil, por exemplo, é essencial para termos uma maior eficiência neste tipo de gerador. Assim, conseguiria-se mais energia com a mesma quantidade de vento, adaptando o gerador para nossos padrões. E ainda poderíamos exportar esse conhecimento para países que possuem características semelhantes, como a África”, explica Baitelo.

Na projeção do Greenpeace, o Brasil chegaria em 2050 com 45,6% da energia sendo fornecida por hidrelétricas, principalmente pequenas centrais, para reduzir o impacto ambiental. A energia eólica pode atingir 20,38%, a biomassa, 16,6%, a energia solar, 9,26%, e o gás natural (necessário por um período de transição), 7,3%.

Este cenário considera apenas 10% do potencial eólico do país e 1% do solar, mas está distante do modelo atual do governo. Seguindo o ritmo de hoje, em 2050, teríamos 56,31% da energia gerada pela água, 22% de combustíveis fósseis (gás, óleo combustível e carvão), 6,32% de eólica e irrisórios 0,8% de energia solar, de acordo com o relatório.

30 novembro 2010

Brasil pode ter 93% de energia renovável até 2050, calcula ONG

Portal ORM

A organização não governamental Greenpeace lançou nesta terça-feira (30) na Conferência do Clima da ONU (COP 16), em Cancún, um estudo em que aponta ser economicamente viável que o Brasil tenha 93% da sua matriz energética baseada em fontes renováveis até 2050. Os 7% restantes seriam de gás natural, uma fonte de transição até que a matriz brasileira seja convertida em 100% renovável, ainda no século 21. O estudo foi feito em parceria com o Conselho Europeu de Energia Renovável (Erec).

As modalidades incluídas pelo Greenpeace nessa projeção são a hidrelétrica, eólica, de biomassa, solar e oceânica (geração a partir da força das marés). Segundo o coordenador da campanha de energias renováveis do Greenpeace no Brasil, Ricardo Baitelo, a decisão por aderir ou não a essa 'revolução energética' é política.

O relatório da organização projeta que, principalmente a partir da década de 2040, os custos das energias não renováveis e renováveis vão se descolar, sendo que o segundo tipo vai cair por causa do barateamento das tecnologias, enquanto que os combustíveis fósseis terão preço progressivamente maior na medida em que as fontes planetárias se esgotam.

A projeção do Greenpeace conclui que o custo do Megawatt-hora num cenário de 'revolução energética' no Brasil deve se estabilizar em R$ 120 até 2050, enquanto que, se mantido o cenário de referência atualmente usado pelo governo, que inclui mais de 20% de termelétricas a gás e óleo, o preço deve estar em R$ 176. Para fazer o cálculo, partiu-se da premissa de que, com a adoção de valores para as emissões de carbono, o custo do uso de combustíveis fósseis deve aumentar.

Fonte: G1

Temperaturas fogem do controle

Já é impossível aquecimento de 2ºC

Planeta Sustentável

Uma equipe de cientistas acaba de pintar um retrato infernal de um aquecimento global de 4C na próxima geração. Eles dizem que o progresso agonizantemente lento das conversas sobre a mudança do clima, que recomeçaram ontem em Cancún, tornam impossível manter o limite seguro de aquecimento na taxa dos 2C. Um aquecimento de 4C causaria, entre outras coisas, secas severas pelo mundo e a migração de milhões de pessoas que teriam seus suprimentos de alimentos ameaçados.

"Há pouca ou nenhuma chance de manter o aumento as temperaturas globais de superfície abaixo dos dois graus, apesar de repetidas declarações de alto nível dizendo o contrário", afirmou Kevin Anderson, da Universidade de Manchester, Inglaterra, que junto com sua colega Alice Bows colaborou com pesquisas, para uma coleção especial de relatórios da Royal Society que serão divulgados hoje, informa o Guardian.

A modelagem dos cientistas leva em consideração a tonelagem das emissões, e não reduções percentuais, e separa as emissões previstas de países ricos e de economias em desenvolvimento de crescimento acelerado, como a China.

"2010 significa um ponto de virada político", diz Anderson, que acrescenta no documento: "Este estudo não pretende ser uma mensagem fútil, e sim uma avaliação crua e brutal de para onde nossas idéias róseas e nossa abordagem bem intencionada nos levaram. Esperança e oportunidade, se forem surgir, virão de uma avaliação nua e desapaixonada da escala do desafio para a comunidade global".

Rachel Warren, da University de East Anglia, Inglaterra, descreveu o mundo de mais 4C em seu relatório de pesquisa: "Seca e desertificação serão disseminadas. Haverá necessidade de deslocamento da agricultura para outras áreas, prejudicando ecossistemas selvagens. Sistemas humanos e naturais estarão expostos a um nível crescente de pestes agrícolas e doenças, e a um aumento da ocorrência de eventos extremos do clima. Os limites para a adaptação humana serão superados em muitas partes do mundo".

A velocidade, assim como o tamanho do aquecimento global, será também crucial, advertiram cientistas da Universidade de Oxford. "Mudanças de clima perigosas dependem de quão rápido o planeta se aquece, e não apenas de o quanto se aquece", afirma Myles Allen, do departamento de física da Universidade.

23 novembro 2010

China admite ser o maior emissor de CO2 do mundo

Agostinho Vieira - O Globo

A China admitiu hoje que é o maior emissor global de gases do efeito estufa, confirmando o que cientistas já diziam há anos, mas defendeu o seu direito de continuar aumentando suas emissões. Xie Zhenhua, principal negociador climático chinês, fez esse comentário ao explicar qual será a posição do seu país na próxima conferência da ONU sobre o tema, que começa na próxima segunda-feira em Cancún, no México.

Cientistas e entidades internacionais dizem desde 2006 que a China superou os EUA como maior emissor mundial de dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa. Até agora a China se esquivava, dizendo que era preciso mais avaliações, e que seria mais justo levar em conta as emissões per capita. Mas, na entrevista coletiva em Pequim, Xie admitiu: "Agora estamos como número 1 do mundo em termos de volumes de emissões."

Ele argumentou, no entanto, que ao longo do tempo os países ricos emitiram mais gases de efeito estufa, e que por isso deveriam fazer cortes mais profundos, permitindo aos países pobres que continuassem tendo margem para novas emissões, e para mais crescimento econômico.

- A China está dando passos na esperança de que possamos chegar ao auge (das emissões) assim que possível -  afirmou.

Os comentários de Xie não apareceram na transcrição da entrevista coletiva no site do governo (www.gov.cn) nem nos relatos da agência oficial de notícias Xinhua. A China, que não tem divulgado estatísticas recentes sobre suas emissões, se comprometeu a reduzir não o volume total de emissões, e sim a "intensidade de carbono" - ou seja, as emissões de gases por cada dólar gerado na economia.

Segundo a empresa BP, as emissões chinesas de dióxido de carbono atingiram 7,5 bilhões de toneladas em 2009, um aumento de 9 por cento em relação ao ano anterior. O volume representa 24 por cento das emissões mundiais no ano passado. Divergências entre países ricos e pobres são o principal entrave à adoção de um novo tratado climático global.

 A China e outros grandes países emergentes rejeitam limites obrigatórios às suas emissões. No mês passado, o negociador climático dos EUA, Todd Stern, defendeu um "novo paradigma" nas discussões, argumentando que os países desenvolvidos atualmente respondem por apenas 45 por cento do total global de emissões. (Fonte: Reuters)

Amazonas recebe R$ 54 milhões para combate ao desmatamento

Portal Amazônia 
com informações da assessoria.

MANAUS - O governador Omar Aziz assinou na manhã desta terça-feira, 23, na sede do Governo dois convênios que somam cerca de R$ 54 milhões para investimentos em gestão ambiental e combate ao desmatamento no Estado. Os recursos serão aplicados em dois projetos que vão abranger 12 municípios, um deles desenvolvido em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de R$ 20 milhões, com recursos do Fundo da Amazônia.

O outro é o Contrato de Contribuição Financeira firmado com o Banco Alemão KFW, no valor de R$ 24,2 milhões para o Projeto de Conservação das Florestas Tropicais do Amazonas (Profloram), com contrapartida de R$ 9,7 milhões do Governo Estadual.

Os convênios terão abrangência sobre os municípios que recebem a maior pressão de desmatamento por fazerem fronteira com Pará e Rondônia e que juntos representam 50% do desflorestamento no Estado.

O contrato com o BNDES tem por objetivo fortalecer a gestão ambiental priorizando políticas de reflorestamento em áreas sob intensa pressão de desmatamento nos municípios de Boca do Acre, Lábrea, Apuí e Novo Aripuanã.

Já o contrato com a KFW visa aumentar a efetividade de gestão ambiental e territorial no Sul e Sudeste do Estado e na região do Baixo Amazonas, beneficiando, além dos quatro municípios já citados, Manicoré,  Canutama, Maués, Humaitá, Boa Vista do Ramos, Parintins, Nhamunda e Barreirinha.

Segundo Omar, o grande desafio na Amazônia é garantir recursos e tecnologia que facilitem a vida do homem que depende da floresta para que possa ter lucro sem prejudicá-la. “Criando condições para o homem e a mulher que vivem no interior é possível fazer a prevenção do desmatamento. Tivemos redução de desmatamento nessas áreas, mas não podemos nunca deixar de ficarmos atentos”.

De acordo com a secretária estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Nádia Ferreira, no convênio com o BNDES o Estado dará uma contrapartida financeira de R$ 9.783 milhões, parcelados nos próximos quatro anos, para serem aplicados em adequação de infraestrutura, introdução de ferramentas de planejamento, gestão e monitoramento, implantação de planos integrados, aprimoramento de políticas públicas e regularização fundiária.

Desmatamento reduziu
Durante o evento foram ressaltados os avanços alcançados pela política estadual de meio ambiente, que entre 2003 e 2009 conseguiu reduzir em 73,9% o desmatamento no Amazonas. Segundo a secretária Nádia Ferreira, 2010 foi o ano em que se registraram os menores índices dos focos de calor no Estado. 

22 novembro 2010

Água do rio São Francisco será a mais cara do país

SOFIA FERNANDES
DE BRASÍLIA - Folha de SP

Da torneira do nordestino atendido pela transposição do rio São Francisco vai pingar a água mais cara do país. 

O Conselho Gestor do Projeto de Integração do São Francisco avalia cobrar dos Estados atendidos pela obra R$ 0,13 por mil litros de água.

O dinheiro será recolhido pela Agnes, estatal em gestação na Casa Civil. A empresa vai gerenciar as operações da transposição do rio e a distribuição da água para as previstas 12 milhões de pessoas beneficiadas. 

O preço médio cobrado em outras bacias hidrográficas pelo uso da água é de R$ 0,01 a R$ 0,02 por mil litros. A Sabesp, por exemplo, paga R$ 0,015 ao comitê gestor da bacia do rio Piracicaba, fonte de metade da água consumida na cidade de São Paulo.
 
COMPLEXIDADE
 
O valor mais elevado, afirma o governo, se deve à complexidade do projeto de transposição e ainda porque a Agnes será a responsável pela captação e pelo bombeamento da água. 

No entanto, os quatro Estados envolvidos (Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará) terão de investir em obras internas para dar capilaridade à rede de água e ainda precisarão pagar uma taxa fixa à Agnes, provavelmente mensal. 

Em construção, os canais para a transposição do rio São Francisco têm 25 metros de largura, 5 metros de profundidade e 622 quilômetros de extensão, somando os dois eixos. 

O porte das obras e os obstáculos naturais, como a Serra da Borborema, que vai de Alagoas ao Rio Grande do Norte, explicaria o alto custo de transportar a água no semiárido nordestino. Para isso, serão necessários potentes mecanismos de bombeamento. 

O governo não diz se haverá mecanismo para amortizar o custo do consumidor final nos quatros Estados. 

Em teoria, as obras do São Francisco têm um foco prioritário, que são os pequenos agricultores das terras secas do sertão e do agreste nordestinos. 

O Ministério da Integração, responsável pelo empreendimento, afirma que o assunto está em fase de análise e de debates com os Estados receptores. 

Para que o projeto seja viável, é possível que os Estados promovam subsídios cruzados, aumentando as tarifas de grandes centros urbanos que não receberão as águas da transposição do Velho Chico, como Recife. 

A Agnes terá de apresentar um relatório de custos, explicando os motivos para o elevado preço da água. 

Essa tarifa deverá cobrir os gastos do sistema de transposição em funcionamento, nem mais nem menos. 

"Temos de avaliar a planilha de custos da agência para saber se o preço está certo. A tarifa deve cobrir os custos de manutenção e operação do sistema", diz Patrick Thomás, gerente de cobrança pelo uso da água da Ana (Agência Nacional de Águas). 

Um dos maiores críticos do projeto, o pesquisador João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco, acha difícil que o agricultor das áreas atendidas pela transposição consiga pagar essa conta. 

"Os colonos do Vale do São Francisco hoje já estão com dificuldades para pagar por uma água a R$ 0,02. Imagine com esse preço", afirma o Suassuna. 

Mas o pesquisador vê outro problema. O porte das obras e o volume de água deixam patente que o propósito da transposição não é matar a sede e a fome de quem vive na seca. 

A mira, afirma, está no agronegócio para exportação, a criação de camarão e o abastecimento de indústrias.

21 novembro 2010

Lixo plástico vira mobília urbana em São Paulo

Marina Franco – Edição: Mônica Nunes - Planeta Sustentável

O GP do Brasil de Fórmula 1 foi realizado no dia 7 de novembro, mas as movimentações no Autódromo de Interlagos começaram dois dias antes, com os treinos livres das equipes. E, como em todo evento de grande porte, a quantidade de lixo descartado durante esses três dias bateu recordes, devendo passar das cerca de 33 toneladas de recicláveis da temporada anterior. Para garantir que isso não seja mais um problema para a cidade e, principalmente, para o meio ambiente, a empresa de plásticos Braskem encontrou uma solução interessante: montou uma pequena usina de reciclagem de plástico no próprio Autódromo, para transformar os resíduos no chamado “plástico madeira”. O resultado será matéria-prima para a fabricação de móveis urbanos como bancos, mesas, vasos, floreiras e deques.

Na mini-usina da Braskem, montada no Autódromo de Interlagos e que reproduz a usina que a Braskem mantém no sul do país, chegou todo tipo de plástico: garrafinhas, sacolas, embalagens, credenciais etc. Os resíduos sólidos passam por uma máquina de moagem, enquanto os flexíveis pela de aglomeração. Dos dois processos saem pequenos grãos que, em seguida, entram no aparelho de intrusão. Com alguns aditivos, como o pigmento que dá o tom característico da madeira, os plásticos granulados são transformados em ripas do plástico madeira.

Além de aproveitar resíduos, o produto tem a vantagem de durar mais do que a própria madeira e ser capaz de absorver resíduos industriais e impurezas que acabariam indo para o lixo. A tecnologia usada é da empresa Plásticos Suzuki, parceira da Braskem nesta campanha, intitulada GP de Reciclagem.

E a iniciativa não é restrita ao evento da Fórmula 1. A Braskem fechou acordo com cinco cooperativas de reciclagem de São Paulo, que vão recolher, até o dia 28 de novembro, o lixo plástico de 12 pontos de coleta, instalados nos seguintes parques da cidade: Ibirapuera, Luz, Carmo, Trote e Alfredo Volpi.

No aniversário de São Paulo, dia 25 de janeiro, esses parques receberão 500 móveis feitos com o plástico de madeira. A iniciativa mostra que, se jogado de forma correta, o lixo pode retribuir benefícios para a própria cidade. “Com esta campanha, a Braskem quer envolver o cidadão para participar do descarte seletivo e mostrar que o problema não é o plástico em si, mas o uso que se faz dele. Como uma empresa de plásticos, nos importamos com todo o ciclo de vida do produto. Estamos lidando com o pós-consumo”, explica o coordenador de Desenvolvimento Sustentável da empresa, André Leal.

A campanha GP da Reciclagem Braskem tem como embaixador o ex-piloto Emerson Fittipaldi, que será homenageado pelo GP Brasil 2010 pelos 40 anos da primeira vitória do Brasil na Fórmula 1.

'RecycleBank' paga a consumidores que reciclam seu lixo

Vanessa Barbosa - EXAME.com

Uma "cutucada extra de incentivo verde". É assim que a executiva Melody Serafino define o RecycleBank, programa que recompensa consumidores que descartam corretamente seu lixo. O apelo econômico gera resultados surpreendentes. Segundo a porta-voz da empresa, em poucos meses, é possível triplicar as taxas de reciclagem nas regiões que aderem ao sistema. 

Em frente às residências dos moradores inscritos no programa, é colocada uma caçamba de lixo high-tech que possui uma câmera para gravar cada descarte realizado. No dia determinado da coleta, caminhões adaptados com uma tecnologia de medição especial pesam as caçambas de lixo, e o volume de material reciclado é convertido em pontos que são automaticamente registrados na conta do morador. 

Esses pontos são resgatados na forma de cupons vale-compra, que podem ser trocados em estabelecimentos conveniados. São mais de 20 categorias, de comércio à serviço, como lojas de roupas, produtos esportivos e eletrônicos, restaurantes, concessionárias de carro, centros de estética e saúde. 

Criado há seis anos, o RecycleBank está presente em mais de 500 comunidades, em 26 estados nos Estados Unidos e no Reino Unido. "Já conseguimos recolher mais de 284 mil toneladas de material reciclável, evitando a emissão de 870 mil toneladas de CO2, o equivalente a 10 milhões de árvores", diz Melody. 

As famílias participantes do programa conseguem receber até 200 dólares por ano. Se preferirem, podem doar seus pontos acumulados para o programa "Escolas Verde do RecycleBank". Eles são convertidos em dinheiro para projetos ambientais em unidades de ensino. 

19 novembro 2010

Gálago anão de rondo e golfinho do Ganges estão ameaçados

DA FRANCE PRESSE 

O golfinho do Ganges e o gálago anão de rondo, um minúsculo primata de orelhas grandes, foram incluídos na lista Edge (Evolutionnary Distinct and Globally Endangered) pela Sociedade Zoológica de Londres. A lista reúne espécies com características únicas em risco de extinção. 

O gálago anão de rondo, um pequeno primata de 60 gramas com orelhas de morcego, vive em dois pequenos bolsões florestais na Tanzânia. Ele está na relação de 25 espécies de primatas mais ameaçadas do mundo.

O golfinho do Ganges, o sagrado rio indiano, é um dos últimos descendentes do grupo mais antigo de golfinhos do planeta, que viveu há milhões de anos.

A lista recebeu ainda o tapir da Malásia (Tapirus indicus), uma espécie de anta negra com faixas brancas nas costas e nas laterais, e a ponta das orelhas também brancas. 

"Os mamíferos da lista Edge representam a verdadeira diversidade da vida na Terra. Se deixarmos que desapareçam, suas extraordinárias características e seus comportamentos únicos vão se perder para sempre", explicou Carly Waterman, encarregado do programa. 

A lista inclui ainda a equidna de bico longo (Zaglossus bruijni), um dos mamíferos mais primitivos do planeta que é encontrado apenas nas florestas de Papua-Nova Guiné. 

O primeiro animal na lista Edge é o golfinho do Yangtze (Lipotes Vexillifer), que provavelmente já desapareceu das águas do rio chinês, segundo a Sociedade Zoológica de Londres.

18 novembro 2010

Tráfico de animais reduz expectativa de vida de papagaios em até dez vezes

Estudo mostra que nove em cada dez aves resgatadas sobrevivem por apenas cinco anos

Marco Túlio Pires - Veja

O tráfico de animais é o responsável pela redução drástica na expectativa de vida dos papagaios trazidos a um zoológico no interior de São Paulo. De cada dez animais, nove morrem até cinco anos depois de terem chegado ao local. A conclusão é do veterinário brasileiro Ralph Vanstreels, que publicou um artigo no periódico britânico Zoo Biology. De acordo com o pesquisador, os animais trazidos pela polícia ambiental ao Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba, interior de São Paulo, morrem por doenças e maus tratos do tráfico. A mesma queda na expectativa de vida deve se repetir em outros zoológicos e com outros animais vítimas do tráfico. "Isto provavelmente se estende para outras espécies de aves e mesmo para outros animais que são resgatados, como os mico-leões dourados", diz.

Vanstreels analisou os dados do zoológico de Sorocaba entre 1986 e 2007. No total, 374 papagaios foram recebidos nesse período, a maioria da espécie conhecida como papagaio-verdadeiro, proveniente das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste do Brasil. É preciso permissão do Ibama para cuidar do animal. De acordo com a pesquisa, 91,7% dessas aves vieram do comércio ilegal. Infratores capturam os bichos ainda no ninho para depois vendê-los em feiras ilegais. Resgatados pela polícia, esses animais chegam em condições graves ao zoológico e a expectativa de vida, que no habitat natural é de 20 a 25 anos, cai para não mais que cinco anos. Em ambiente doméstico e com bons tratos, os animais poderiam viver até 50 anos.


Morte prematura
- O veterinário explica que a expectativa de vida dos papagaios é menor por causa das doenças e deficiências que as aves trazem do período em que estiveram nas mãos do tráfico. Além disso, os cuidados inadequados que recebem de proprietários irregulares — por descaso ou por desconhecimento — também diminuem o tempo de vida dos bichos.

Muitos dos papagaios trazidos ao zoológico apresentam deformidades, lesões traumáticas, deficiências nutricionais graves e distúrbios comportamentais. “Alguns deles arrancam as próprias penas por causa do stress causado pelos maus tratos”, disse Vanstreels. É por isso que mesmo recebendo cuidados adequados por parte dos biólogos e veterinários, os animais morrem em um "período relativamente curto".


Conscientização
- O papagaio-verdadeiro não é considerada uma espécie em extinção. Mas ela não é a única a ser trazida ao zoológico. Dentre outras, aparecem o papagaio-chuá, o papagaio-da-cara-roxa e o papagaio-charão. Segundo Vanstreels, a falta de conhecimento dos compradores é um dos principais motores do tráfico de animais. “O tráfico de animais só terminará quando as pessoas pararem de comprar a ave ilegalmente”, diz .

17 novembro 2010

Alta cozinha salva lobo-marinho da extinção

Rita Loiola - Veja

Sem nome, em extinção e esfomeado, o lobo-marinho peruano tinha tudo para desaparecer. Mas, com a improvável ajuda de uma bióloga brasileira e de um famoso chef de cozinha peruano, ele está dando a volta por cima. A espécie foi descoberta há dois anos pela bióloga Larissa Rosa de Oliveira, e sua precária situação mostrou que algo estava errado na costa do Peru.

Morrendo de inanição porque seu prato favorito, um peixe chamado anchoveta, escasseava, o animal acabou guiando uma campanha nacional a favor de sua comida. "A anchoveta é uma das bases do ecossistema local e, para preservá-la, decidimos transformá-la em alimento interessante também para os homens", diz Larissa, professora da universidade Unisinos, no Rio Grande do Sul, e uma das pesquisadoras envolvidas com a nova espécie. A ideia era fazer a população gostar do peixe, antes desprezado e usado apenas como ração. 

Um dos entusiastas do pescado foi Gastón Acurio, o mais importante chef peruano (e proprietário da franquia de restaurantes La Mar, em São Paulo), que abraçou o projeto e criou receitas de alta gastronomia com ele. A inusitada iniciativa transformou a anchoveta em iguaria, ganhou apoio do governo peruano e fez com que o peixinho pudesse se reproduzir em paz. “O peixe caiu nas graças do povo, que agora fará de tudo para que ele não acabe”, afirma a bióloga. Como resultado, o lobo-marinho passou a se alimentar melhor. E os peruanos também. Larissa contou essa história no TEDx Amazônia e, em entrevista ao site de VEJA, explicou como homens que gostam de matar peixe para fazer uma fritura podem salvar o meio ambiente. 

Você descobriu o lobo-marinho peruano. Como é encontrar uma espécie nova? 

 
A primeira vez que vi que podia estar diante de um bicho desconhecido foi em 1997, em um estágio. Fui estudar os efeitos do El Niño (aquecimento das águas do oceano Pacífico) na reprodução dos lobos-marinhos e decidi recolher os crânios de alguns que haviam morrido na costa do Peru. Desconfiei que eles poderiam ser diferentes dos da costa Atlântica e decidi analisar o tamanho dos ossos. Mas só cheguei à conclusão de que era uma nova espécie em 2008, depois de fazer uma análise genética mais profunda. 

Ele já estava em extinção? 

 
O lobo-marinho peruano ainda nem foi batizado cientificamente e já está ameaçado. Percebemos que um dos maiores problemas é que o alimento dele, uma espécie de sardinha chamada anchoveta, estava desaparecendo pelos efeitos do El Niño e da pesca comercial predatória. Muito usado em rações para piscicultura, esse peixe estava no fim e ia levando junto todo o ecossistema que depende dele. Foi aí que a bióloga Patrícia Majluf teve a sacada de fazer a anchoveta se transformar em comida para os peruanos. Achávamos que esse era um bom jeito de fazer as pessoas conhecerem o peixe, gostar dele e preservá-lo. 

Ou seja, vocês queriam fisgar os peruanos pelo estômago e chamar a atenção para o problema?  


Exatamente. Fazendo da anchoveta um prato nacional, queríamos construir um movimento político e social para conservar a espécie, que é essencial para salvar não só o lobo-marinho, mas todo o complexo natural ao seu redor. Em 2007, o chef mais importante do país, Gastón Acurio, entrou nessa história criando receitas com o peixe e divulgando o seu valor gastronômico e nutricional. Elas foram publicadas mensalmente nos maiores jornais e revistas do país e, no fim do ano, vários restaurantes criaram pratos com o ingrediente na Semana Nacional da Anchoveta. De repente, aquele peixe que só servia para ração ficou gostoso. O consumo aumentou quase 50%. 

Isso significou também diminuição da pesca predatória? 

 
Finalmente as cotas de pesca da anchoveta estão sendo discutidas pelos órgãos competentes. A proposta é regular essas quantidades para que a pesca seja sustentável. Mas agora a população já sabe que o peixe existe e não deixará que ele acabe. 

E o lobo-marinho sobreviveu? 

 
Por enquanto sim. E em pouco tempo deve receber o nome científico. Todos saíram ganhando nessa história: nós, que descobrimos um peixe barato e saboroso, o lobo-marinho, que voltou a ter seu alimento, e o meio ambiente, que pôde se reestabelecer. 
 

Arquipélago de SC preserva únicos 40 preás de espécie rara no mundo

Adulto, o preá de Moleques do Sul chega a 30 centímetros e pesa pouco mais de 0,5 kg. A espécie só foi reconhecida recentemente pela ciência.

Bom Dia Brasil

Já ouviu falar no Arquipélago de Moleques (SC)? Nessas pequenas ilhas do litoral catarinense, vive um pequeno roedor, um dos animais mais raros do mundo. Quem explica que bicho é este e como ele está conseguindo sobreviver é o repórter Ricardo Von Dorff.

O Arquipélago de Moleques do Sul fica a 14 quilômetros de Florianópolis. As três pequenas ilhas castigadas pelo vento são um santuário para fragatas, atobás e gaivotas. A ilha maior é também o pequeno reino de um dos mais raros mamíferos do mundo: uma espécie de preá que não é encontrada em nenhuma outra parte do planeta.

“O preá de Moleques do Sul está distribuído em uma área muito restrita em termos planetários. São apenas dez hectares. Então, em termos de distribuição geográfica é muito restrita. Então, é muito rara”, declara o biólogo Carlos Salvador, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O biólogo fez a contagem. São cerca de 40 preás. O espaço apertado e o pouco alimento impedem o aumento da população. Adulto, o preá chega a 30 centímetros e pesa pouco mais de 0,5 kg. A espécie, parente do porquinho da índia, só foi reconhecida recentemente pela ciência.

Mas, afinal, como foi parar no arquipélago? A hipótese mais provável é de que, oito mil anos atrás, com o fim da era do gelo, o nível do oceano subiu muito e o arquipélago, que era o topo de uma montanha ligada ao continente, acabou cercado por água e virou uma ilha. Alguns preás que estavam no local ficaram isolados.

A ausência de predadores naturais na ilha permitiu a sobrevivência dos raríssimos preás de Moleque do Sul. A área é protegida pela polícia ambiental e só pesquisadores são autorizados a desembarcar. “Uma fagulha, uma guimba de cigarro deixada, um animal doméstico como cachorro ou gato solto, podem dizimar com a espécie que levou oito mil anos para ser criada. Por isso, todo o controle”, afirma o chefe do parque estadual da Serra do Tabuleiro, Alair de Souza.

Carro elétrico percorre 26.000 km entre o Alasca e a Argentina

SRZero é equipado com dois motores elétricos de 400 cavalos de potência.
Objetivo da expedição é mudar a imagem sobre os veículos elétricos.

Do G1, com informações da AP

Um carro esportivo elétrico encerrou na terça-feira (16) uma viagem de 26 mil quilômetros entre o Círculo Polar Ártico, no Alasca, e Ushuaia, na Argentina, sem emitir uma única particula de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

Desenvolvido por engenheiros do Imperial College de Londres, nos Estados Unidos, o veículo chamado é equipado com dois motores elétricos de 400 cavalos de potência que são alimentados por baterias de lítio de fosfato.

A expedição começou no dia 3 de julho e passou por 14 países durante os 70 dias de estrada. "O SRZero foi carregado com energia e com absolutamente zero de emissões de CO2", disse Alex Schey, um engenheiro mecânico que organizou a viagem. “Encontrar lugares para recarregar o carro ao longo do caminho foi grande desafio da equipe", conta.

Para aumentar a autonomia, o veículo converte a energia das frenagens em energia cinética, o que permitiu que o SRZero rodasse até seis horas ou 400 quilômetros a cada carga.

De acordo com Andy Hadland, porta-voz da equipe, a esperança é que a viagem mude a imagem dos carros elétricos e inspire jovens a se tornarem engenheiros e desenvolver seus próprios projetos.

Apesar de econômico, o carro vai de 0 a 100 km/h em apenas sete segundos e alcança até 200 km/h, de acordo com a equipe.

Emirados Árabes, Austrália e EUA lideram lista de emissões de CO2

Reuters

OSLO - Emirados Árabes Unidos, Austrália e Estados Unidos têm os piores registros totais de emissão de gases de efeito estufa, de acordo com um índice divulgado nesta quarta-feira que combina medições atuais e históricas.

Os primeiros lugares na lista de 183 nações, organizada pela consultora britânica Maplecroft, foram dominados pelos países ricos e por membros da Opep. 

Segundo seus criadores, o índice busca alertar aos investidores sobre que países são vulneráveis se as negociações sobre a mudança climática das Nações Unidas concordarem em fixar multas às emissões de dióxido de carbono. 

O ranking de emissões de dióxido de carbono produzidas pelo uso de energia coloca em primeiro lugar os Emirados Árabes Unidos, principalmente por um alto incremento de suas emissões ligadas às unidas de dessalinização, em uma economia que depende quase completamente dos combustíveis fósseis.

A Austrália, dependente do carvão, ficou em segundo lugar seguido pelos Estados Unidos. Tanto os australianos como os americanos têm altas emissões per capita. 

Nos dez primeiros lugares do ranking estão Canadá, Holanda, Arábia Saudita, Cingapura, Rússia, Bélgica e Cazaquistão. 

O índice deu uma ponderação de 50% para as atuais emissões per capita de gases de efeito estufa, 25% para as emissões totais nacionais e os 25% restantes para as emissões históricas cumulativas. 

A China ficou em 26º lugar do ranking. Suas emissões per capita, com uma população de 1,3 bilhões de habitantes, são uma fração das de países industrializados como Estados Unidos ou Austrália.

Governo antecipa licença ambiental do TAV

O Vale
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

A menos de duas semanas do prazo para a entrega das propostas dos potenciais investidores do TAV (Trem de Alta Velocidade), o governo articula para apressar o processo de licenciamento ambiental prévio do megaempreendimento.


A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) tem feitos contatos com o Ministério do Meio Ambiente para que a licença prévia ambiental seja concedida o mais breve possível para o vencedor do leilão de concessão do pro jeto.


As articulações são com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade para a elaboração de um bom Estudo de Impacto Ambiental pelo vencedor.


A expectativa do diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo, é que essa etapa seja cumprida até o final do próximo ano, para que o vencedor possa dar início às obras do TAV, que rligará Rio, São Paulo e Campinas.


Parte dos estudos ambientais resulta de uma parceria firmada pela ANTT com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para observar os impactos ambientais do TAV.


Desapropriação
 
Outra frente de trabalho da ANTT é com relação às desapropriações necessárias para a construção do traçado.

O governo prepara para o próximo o ano o decreto de utilidade pública das áreas que serão afetadas. As medidas serão tomadas após o leilão de 16 de dezembro.

Flutuador volta às águas da Represa Billings depois de temporal

Bom Dia São Paulo

Na terça-feira (16), a chuva atrapalhou, mas a expedição conseguiu seguir o planejamento. Foram mais 12 quilômetros percorridos e uma agradável surpresa: a qualidade da água.

Flutuador dá início a segundo dia de expedição

No lançamento do equipamento nesta manhã, qualidade da água era boa.
Flutuador deve percorrer mais de 10 km nesta quarta.

Do G1 SP

No início do segundo dia de expedição, a quantidade de oxigênio na água da Represa Billings, em São Paulo, medida pelo flutuador foi de 6,8 mg/l por volta das 7h desta quarta-feira (17), índice considerado bom. O equipamento foi desenvolvido pela TV Globo e pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e irá percorrer os quatro principais reservatórios da Grande São Paulo - Billings, Paiva Castro (Cantareira), Taiaçubepa (Alto Tietê) e Guarapiranga.

Nesta quarta, a previsão é que o flutuador percorra aproximadamente 10,6 km. Ele foi lançado às margens da Rodovia Índio Tibiriçá, no limite entre São Bernardo do Campo e Santo André, no ABC, e deverá ser recolhido na Marina Thaiti.

O primeiro dia da expedição do equipamento trouxe números animadores. Na primeira medição, na prainha da Billings, o nível de oxigênio era de 5,3 mg/l. Depois de passar pela barragem, às 10h, chegou a 7,5 mg/l. À tarde, chegou ao nível mais alto: 8,1 mg/l.

Toda a expedição do flutuador deve durar dois meses e meio. Serão mais de 400 km percorridos.