14 dezembro 2009

A semana decisiva para o futuro da Terra

Marcelo Gigliotti - Jornal do Brasil

Esta semana, os líderes de 192 nações estarão decidindo o rumo que a civilização contemporânea vai seguir. O que está em jogo não é só a luta contra o aquecimento global e suas consequências sobre a natureza e a humanidade, mas um novo modelo de sustentabilidade. Para a comunidade científica, o planeta não suportará um aumento de mais de 2 graus na temperatura média.

Por isso, será preciso fechar um acordo, no qual as nações assumam o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, como o CO2. Serão necessários ainda recursos em grande escala, cerca de US$ 1 trilhão por ano: tanto para colocar os países nos trilhos de uma economia “verde”, movida a energias limpas; como para ajudar a combater os efeitos das mudanças climáticas, que já se manifestam.

A semana passada, a primeira das duas que compõem o calendário da Conferência do Clima de Copenhague (COP 15), começou mostrando a divisão entre países industrializados e emergentes ou em desenvolvimento.

EUA e China, os dois maiores emissores de carbono, trocaram farpas, simbolizando este racha entre dois mundos. Na sexta-feira, porém, o esboço de um acordo parece ter unificado aspirações e evidenciado que todos habitam um só planeta.

Pelo esboço, as nações mais ricas terão que cumprir metas mais ousadas de corte nas emissões de carbono, que poderão chegar a 95% até o ano 2050. Já os países emergentes e em desenvolvimento deverão buscar um corte de 50% até a metade do século 21. Os mais ricos se comprometem a transferir tecnologia de geração de energia limpa, como a eólica ou a solar, para os mais pobres. E ainda se dispõem – principalmente a União Europeia – a financiar boa parte do esforço para que se chegue a um mundo de baixa emissão de carbono.

Mas a decisão final caberá a líderes, como Barack Obama, dos EUA, ou Hu Jintao, presidente chinês. O Brasil, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem a preservação da Amazônia como maior trunfo, também exercerá influência na tomada de decisão. Os olhos do mundo estarão atentos. Prontos para cobrar a escolha pelo rumo certo.