05 novembro 2009

A importância da biomassa da cana-de-açúcar

Osório de Brito - Correio Braziliense
Engenheiro, é diretor do Instituto Nacional de Eficiência Energética (Inee)

A notícia de que o Brasil firmou, com os EUA, dois acordos com países caribenhos, ocupou, recentemente, espaços nos principais periódicos que circulam no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os acordos abrangeram El Salvador e República Dominicana e, proximamente, estender-se-ão ao Haiti e à Ilha de Saint Kitts, cabendo ao Brasil exportar a tecnologia para a produção de etanol, e aos EUA, o financiamento dos empreendimentos resultantes.

Nesses países, a motivação para a introdução da cultura da cana-de-açúcar visou, basicamente, solucionar problemas de oferta de energia ao lado da substituição de combustíveis fósseis. Torna-se claro que, enquanto lá, a biomassa da cana está representando relevante combustível, no Brasil, detentor da tecnologia, a ponto de exportá-la, foi por anos ignorada, e somente agora é que começa a ser integrada à matriz energética.

Diante das dificuldades hoje existentes para desenvolver outros projetos hídricos de porte, agora só presentes na Região Amazônica, a questão básica, doravante, deveria ser priorizar medidas que venham a suprir a eventual futura constituição da matriz energética brasileira sem sujá-la. Infelizmente, o que se tem visto não se pauta nessa diretriz.

O mundo reúne-se, em Copenhague, em busca de soluções redutoras das emissões de CO2. Nessa direção, governos de países do Hemisfério Norte avançam em pesquisas e, concomitantemente, também na produção de veículos elétricos, a fim de substituir os atuais grandes vilões ambientais, os veículos a motor a explosão. A tendência planetária, liderada pelos países do Hemisfério Norte, pauta-se, hoje, claramente, no binômio "redução das emissões x crescimento da eficiência no uso da energia".

E nós? Até bem recentemente, a base hídrica da matriz brasileira de geração elétrica predominava, situando o país entre os mais "limpos" produtores de energia elétrica. Lamentavelmente, essa predominância vem se exaurindo, pouco a pouco, com a expansão do parque gerador à base de termelétricas a óleo combustível, carvão e gás natural ao mesmo tempo, em que: 1. ainda há inibições para a queima da biomassa da cana; 2. não se considera seriamente a eficiência energética no emprego da energia, como a adoção da cogeracão, alternativa altamente eficiente para a queima do gás natural; e 3. há problemas regulatórios para a expansão da geração distribuída e, em consequência, para a exportação de excedentes por ela gerados.

Resulta desse estado de coisas a implementação de 10 mil MW de energia térmica à base de carvão, de óleo combustível e de gás natural. Assim, de 2013 a 2017, o Brasil será um dos poucos países que elevará o nível de emissões. Segundo estudo realizado por encomenda do Banco Mundial e da Comissão de Integração Energética Regional (Cier), o Brasil mostra um crescimento da geração de CO2 de 61t emitidas por GWh consumidos no país para 79t/GWh; ou seja, um crescimento de 29,5%, em oposição à maioria dos países sul e centro-americanos, os quais se mantêm estáveis ou redutores dessas emissões.

O não aproveitamento do significativo potencial presente no segmento sucro-alcooleiro, enquanto o Brasil soluciona problemas de falta de energia em outros países exatamente a partir desse segmento, é realmente paradoxal.

Gripe suína mata sete ianomâmis na Venezuela

Jornal do Brasil
 
A gripe suína atingiu uma tribo de indíos ianomâmis, que vive na Floresta Amazônica, mas em território venezuelano, bem perto da fronteira com o Brasil. Pelo menos sete índios morreram nas duas últimas semanas, disse ontem a ONG Survival International. Cerca de outros mil ianomâmis que vivem na Venezuela teriam sido contaminados pela gripe, de acordo com o grupo de proteção aos direitos dos povos indígenas.

Aproximadamente, 32 mil ianomâmis vivem na região de fronteira do Brasil com a Venezuela, formando a maior tribo relativamente isolada da Amazônia. Há uma preocupação de que a gripe possa se espalhar pela região e causar mais mortes entre os índios, que têm pouca resistência a vírus introduzidos em suas comunidades.

O diretor da Survival, Stephen Corry, disse que a situação é crítica e que os governos de Venezuela e Brasil devem agir imediatamente para deter a epidemia e melhorar as condições de saúde dos índios.

– Se eles não agirem, podemos ver centenas de ianomâmis morrendo.

Isso seria devastador para essa tribo isolada, cuja população se recuperou apenas recentemente das epidemias que dizimaram seu povo 20 anos atrás.

Cerca de 20% dos ianomâmis morreram de gripe, malária e outras doenças disseminadas nos anos 1980 e 1990 quando garimpeiros invadiram seu território, de acordo com a ONG. Na ocasião, o governo da Venezuela fechou a fronteira e enviou equipes médicas à região.

O vírus H1N1, da gripe suína, espalhou-se pelo mundo e matou mais de 5 mil pessoas desde seu surgimento este ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).