17 julho 2009

País já tem transmissão sustentada da gripe suína

Governo havia se precavido para a situação, diz ministro

Jornal do Brasil

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, informou ontem que já há transmissão sustentada da gripe suína no Brasil – que se dá quando o paciente não tem nenhum vínculo com vírus contraído no exterior e indica que o influenza A já circula pelo país:

– Depois de uma análise exaustiva, concluiu-se que um paciente que morreu no último dia 30 em São Paulo não teve contato com pessoas que estiveram no exterior.

Com isso, o Brasil passa a ser o oitavo país com transmissão sustentada, ao lado de Estados Unidos, México, Canadá, Argentina, Chile, Austrália e Reino Unido.

Temporão disse que não há motivo para alarde, apesar de constatada a circulação do vírus influenza A H1N1 em território brasileiro:

– O momento é de tranquilidade, toda a nossa estratégia está em andamento. O governo está mobilizado para dar conta da situação, para atender adequadamente as pessoas.

Pelo menos por enquanto, o governo federal não mudará sua estratégia de prevenção e combate à doença. A estratégia é reforçar as campanhas de esclarecimento à população, informando sobre os sintomas, como febre alta, tosse, dor de garganta, dificuldade respiratória e dor muscular ou articular, que requerem acompanhamento médico.

– Não fique em casa tomando chazinho. Procure um médico ou um posto de saúde – alertou o ministro.

Ele lembrou que somente os médicos devem determinar se há a necessidade de tratamento com antivirais e, se for o caso, indicarão as demais medidas terapêuticas adequadas.

Segundo Temporão, o governo federal já adotou, há três semanas, as medidas necessárias para o momento em que fosse constatada a circulação independente do vírus. Desde 26 de junho, os 68 hospitais de referência do país (com cerca de mil leitos com isolamento adequado) passaram a ser reservados para doentes com complicações. Os exames laboratoriais passaram ser feitos apenas para comprovar a existência do vírus em casos graves, para confirmar surtos da doença ou para confirmar infecções em novas áreas:

– Todas as estratégias que tínhamos que tomar para este momento já foram tomadas. Até o agora, há a comprovação de circulação independente do vírus no estado de São Paulo e indícios de que o mesmo esteja acontecendo no Rio Grande do Sul, onde ocorreram sete das 11 mortes registradas no país.

O ministro assegura que o Brasil tem estoque suficiente para tratamento de todos os casos indicados e matéria-prima para produzir 9 milhões de tratamentos. Na próxima semana, chegarão ao país 50 mil doses dos 800 mil tratamentos que o Brasil adquiriu do antiviral Oseltamivir. O restante será entregue em setembro.

A primeira morte no Rio

Estado registra óbito por causa da gripe suína, que em todo o país já matou 11 pessoas

Carla Rocha, Célia Costa, Carolina Brígido e Carlos Souza – O Globo

O Rio de Janeiro teve ontem confirmada a sua primeira morte por gripe suína, a de uma mulher de 37 anos, moradora de Del Castilho. O óbito da dona de casa foi um dos sete revelados ontem pelo Ministério da Saúde, que admitiu pela primeira vez que o vírus H1N1 já circula em território nacional livremente e que a transmissão não se dá mais apenas pelo contato com pessoas que estiveram em áreas de risco no exterior. No total, o Brasil tem agora 11 mortes causadas pela doença. O Rio Grande do Sul tem o maior número de vítimas: sete, sendo que cinco tiveram os resultados dos exames divulgados ontem. Em São Paulo, que já tinha dois casos, foi registrada a terceira morte: foram duas em Osasco e uma em Botucatu.

A mulher que morreu no Rio vivia numa comunidade conhecida como Pedrosa, às margens da Linha Amarela. O local tem cerca de 200 casas e mais de mil moradores. Vizinhos disseram ontem que ela não trabalhava fora e que adoeceu subitamente. Segundo eles, a dona de casa passava por muitas dificuldades. Evangélica, ela não tinha filhos e se dividia entre os trabalhos de casa e os cuidados com o marido, deficiente físico, que se locomove em cadeira de rodas.

- Ela estava boazinha, de repente, ficou doente. Em pouco tempo, morreu - disse uma vizinha.

No dia em que foi internada, a mulher esteve em busca de balas de hortelã no armazém de José Roberto Rocha, próximo à casa dela, para tentar aliviar a dor de garganta.

- Ela tossiu e pôs a mão nas costas em sinal de dor. Eu a aconselhei a procurar um hospital - disse José.

O secretário municipal de Saúde, Hans Dohmann, informou que a mulher teve os primeiros sintomas no dia 3 passado. Ela procurou um posto de saúde e foi medicada. Dois dias depois, seu quadro de saúde se agravou para uma pneumonia e ela foi internada num hospital particular, morrendo na última segunda-feira. De acordo com a secretaria, a mulher não viajou para o exterior, nem teve contato com alguém que tenha viajado. Também não faria parte dos grupos de risco.

Ministro: vírus já circula pelo país

A moradora do Rio pode ter sido um caso de transmissão sustentada, mas não seria o primeiro.

Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, ficou comprovado que o vírus já circula livremente pelo país - o oitavo a ter esse tipo de transmissão - a partir da análise de um caso de São Paulo. Lá, uma menina de 11 anos morreu em Osasco, no dia 30 de junho, sem ter viajado ou tido contato com quem havia estado no exterior.

- Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), existem sete países em que a transmissão do vírus é considerada sustentada. Agora, o oitavo país é o Brasil - afirmou o ministro, acrescentando que os outros sete são Estados Unidos, México, Canadá, Chile, Argentina, Austrália e Reino Unido.

A transmissão sustentada também estaria ocorrendo no Rio Grande do Sul, que teve ontem confirmadas cinco novas mortes: a de um caminhoneiro em Uruguaiana; a de um comerciante de 42 anos e a de um garçom de 30, em Passo Fundo, ambos com histórico de hipertensão; a de um homem de 36, diabético e hipertenso; e a de um vigilante, de 26, que não tinha problemas de saúde.

Segundo o secretário de Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra, o estado "é a porta de entrada" do vírus devido à vizinhança com a Argentina e o Uruguai, que registram grande número de casos, e também por ser corredor de passagem de chilenos. Além disso, ressaltou o secretário, outro fator que predispõe a população gaúcha é o frio, que neste inverno está rigoroso.

- Mas não há motivo para pânico. A taxa de mortalidade desta gripe não é diferente da causada pela gripe sazonal. Estamos tendo o mesmo número de internações e apenas um número maior de consultas nas emergências - disse o secretário. - As mortes por pneumonia no estado giram em torno de 2.500 por ano, mais concentradas no inverno.

Segundo Temporão, a concentração de casos no estado gaúcho já era esperada, pela proximidade com a Argentina, terceiro país a ter mais mortes. Ele declarou que o estado terá tratamento prioritário e que uma equipe do Ministério da Saúde já trabalha no local para reforçar as informações sobre precaução e tratamento da doença.

- Não há nenhum motivo para pânico, nem recomendação para que se mude radicalmente o comportamento das pessoas. O momento é de tranquilidade - disse. - No Brasil, a grande maioria dos casos notificados já está curada ou em processo de recuperação.

Preocupado com as duas mortes em seu município, o prefeito de Osasco, Emidio de Souza, decidiu montar tendas em hospitais da cidade para a triagem de casos suspeitos da nova gripe. Para a tarefa, o governo municipal pediu a ajuda do Exército. As tendas devem começar a ser montadas na próxima semana, nos estacionamentos de três hospitais. Os pacientes com sintomas da gripe suína passarão por um pré-atendimento.

- Assim, evitaremos uma aglomeração desnecessária dentro das unidades - afirmou o prefeito.

A Organização Mundial da Saúde anunciou ontem que não divulgará mais uma contagem do número de casos de gripe suína por país. A agência da ONU estava informando quantos infectados havia em cada nação e o número de mortos. Segundo o site da OMS, a velocidade com que a doença se espalhou está fazendo com que seja extremamente difícil para os países confirmarem os casos por testes laboratoriais. "Além disso, a contagem de casos individuais não é mais essencial para alguns países monitorarem tanto o nível e a natureza do risco da pandemia, quanto a implementação de medidas apropriadas", afirmou a OMS em nota.

16 julho 2009

Medo ronda o aeroporto

Funcionários de lojas em Confins reclamam que patrões não permitem uso de máscaras no atendimento a estrangeiros, porque temem espantar clientes

Luciane Evans – Estado de Minas

Funcionárias de cooperativa de táxi no terminal aéreo tiveram autorização para usar as máscaras de proteção, ao contrário das atendentes de outras empresas.

Abrir todas as janelas do carro, prender a respiração, lavar as mãos sempre que puder e contar com a sorte. Essas são as medidas tomadas por funcionários de empresas instaladas no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Grande BH, para não serem contaminados pelo influenza A (H1N1), que já matou mais de 430 pessoas no mundo. O grande fluxo de pessoas de países com índices de contaminação elevados, que desembarca diariamente no aeroporto, causa temor a esses trabalhadores, que, por decisão das empresas, não podem usar máscaras, o que pode deixá-los expostos ao vírus.

Ontem, dia em que centenas de torcedores do Estudiantes de La Plata vieram assistir ao jogo final da Copa Libertadores, contra o Cruzeiro, quem temeu mais a presença dos argentinos do que os próprios cruzeirenses foi o taxista Fabrício Gomes. Sem máscara, ele levou ao Mineirão quatro torcedores da Argentina – país em que o número de mortes causadas pela doença já ultrapassou o México, chegando a 137. Mesmo os quatro homens assegurando que não estavam com sintoma da gripe, ele não se sentiu seguro: “Vou deixar as janelas abertas. O ideal seria o uso de máscara, mas, infelizmente, não podemos”, lamentou.

Grávida, uma funcionária de uma das lojas do aeroporto diz que pediu autorização para usar máscara, mas não foi atendida, sob a alegação de que isso assustaria os clientes. “É muito perigoso. Se sou contaminada pela gripe meu bebê correrá risco. O certo seria se todos os funcionários se protegessem. Só nos resta contar com a sorte.”

Uma cooperativa de táxi é a única que permite a seus funcionários usar a proteção no aeroporto.

As atendentes contam que se sentem mais seguras e protegidas. “Se alguém for contaminado, todos os outros serão. Todas as empresas deveriam ter essa consciência”, sugere Tatiana Oliveira Rocha. “Antes de usar máscaras, prendia a respiração ao atender pessoas que chegavam do exterior. Além de constatarmos que não há fiscalização rígida no desembarque, muitos empresários parecem não estar tão preocupados com a saúde de seus funcionários”, acrescenta.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa/MG) informou que não pode obrigar ninguém a usar máscaras e que a proteção de trabalhadores é responsabilidade das empresas. A falta de prevenção é um contrassenso diante dos número cada vez mais alto em Minas, que, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, já tem 141 pessoas contaminadas. Sete pacientes estão em isolamento hospitalar, sendo quatro no Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e três no Hospital Eduardo de Menezes. O caso mais grave ainda é o do homem de 27 anos internado desde o dia 29 com diagnóstico confirmado para influenza A. Ele está no HC e respira com a ajuda de aparelhos, assim como um bebê, de 6 meses, isolado na ala de pediatria, mas em situação estável.

LIMINAR

A Defensoria Pública da União obteve, ontem à noite, na Justiça do Trabalho, liminar que obriga bares e restaurantes permitir que seus funcionários usem equipamentos de proteção contra a gripe suína. Na ação civil pública, a defensora pública federal Giêdra Cristina Pinto Moreira argumentou que a presença em BH de um grande número de argentinos exigia a adoção da medida.

Risco no quartel

O Dia

Um militar da 25ª Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército, em Deodoro, está em isolamento domiciliar por suspeita de gripe suína. O Comando Militar do Leste informa que o quartel funciona normalmente.

Secretaria confirma mais uma morte por gripe suína no RS; é a quinta no Brasil

da Folha Online

A Secretaria Municipal da Saúde de Uruguaiana (RS) confirmou na manhã desta quinta-feira a terceira morte por gripe suína no Estado --a quinta no país. A vítima é o caminhoneiro Dirlei Pereira, 35.

Segundo o secretário da Saúde da cidade, Luiz Augusto Schneider, o caminhoneiro esteve na Argentina e ingressou na cidade de Porto Xavier (RS) no dia 29 de junho. Como já apresentava sintomas de gripe, foi retido pelo órgão de vigilância sanitária.

Ele foi internado dia 1º na cidade de Santa Rosa, mas recebeu alta no dia 4. Com isso, seguiu para sua cidade natal, Itaqui, onde novamente procurou o serviço de saúde e foi encaminhado para a Santa Casa de Uruguaiana, referência para o tratamento da doença.

O exame que atestou a gripe suína foi divulgado no último dia 8 pela Fiocruz, do Rio. O caminhoneiro morreu por volta das 3h desta quinta. De acordo com o secretário, o paciente era hipertenso.

Schneider afirma que a Uruguaiana tem um caso confirmado da doença --uma comerciante que esteve em Buenos Aires (Argentina) e já recebeu alta. Outros 21 casos são considerados suspeitos e aguardam resultados de exames. Nenhum dos pacientes está internado em estado grave.

Outras quatro mortes ocorridas nos últimos dias no Estado --três em Passo Fundo e uma em Santa Maria-- são investigadas. Todas as vítimas contraíram pneumonia. Autoridades de saúde, no entanto, aguardam o resultado dos exames que devem apontar se elas foram vítimas da doença --a gripe A (H1N1).

Balanço

O Ministério da Saúde confirmou na quarta-feira (15) mais 148 novos casos de gripe suína no Brasil, elevando para 1.175 o número de pessoas infectadas pelo vírus no país desde 8 de maio. Até a semana passada, quando foi divulgado o último balanço da gripe, o país tinha 1.027 pessoas contaminadas.

O Estado de São Paulo concentra a maioria dos casos (512), seguido do Rio Grande do Sul (135) e Rio de Janeiro (128).

O governo informou ainda que acompanha 3.926 casos suspeitos no país. As amostras com secreções respiratórias dos pacientes estão em análise laboratorial. Outros 1.837 casos foram descartados.

Mortes

O país tem outras quatro mortes confirmadas em consequência da gripe suína --duas em São Paulo e duas no Rio Grande do Sul.

No Rio Grande do Sul, a primeira morte confirmada foi do caminhoneiro Vanderlei Vial. A outra vítima é um menino de nove anos, morador de Sapucaia do Sul (RS), que morreu no último dia 5. O caso foi informado pela Secretaria da Saúde do Estado na última segunda-feira (13).

Em São Paulo, uma menina de 11 anos, moradora de Osasco (região metropolitana), morreu no último dia 30 de junho. Os pais, o irmão, a avó e três primos da garota também contraíram a doença.

A outra morte confirmada no Estado é de um homem de 28 anos, que morreu no último dia 10 no Hospital de Clínicas de Botucatu (238 km de São Paulo). Ele começou a apresentar os sintomas --febre, dor de cabeça, náusea, vômito, tosse e congestão nasal-- no dia 1 de julho.

Sintomas

A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.

Para diagnosticar a infecção, uma amostra respiratória precisa ser coletada nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, quando a pessoa infectada espalha vírus, e examinadas em laboratório.

Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes contra o vírus H1N1, segundo testes laboratoriais, e parecem ter dado resultado prático, de acordo com o CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos).

 

15 julho 2009

Argentina já tem 137 óbitos confirmados

Ministro de Saúde brasileiro falta a encontro

O Globo

O governo da Argentina confirmou ontem que 137 pessoas já morreram vítimas do vírus H1N1 no país, que passou a ocupar o segundo lugar no ranking mundial de óbitos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, com 211 casos. O México, onde teve origem a gripe suína, passou para o terceiro lugar, com 124 vítimas da pandemia.

Hoje, o ministro da Saúde argentino, Juan Manzur, será o anfitrião de um encontro de ministros da saúde da América do Sul para discutir como combater uma possível epidemia. O ministro brasileiro, José Gomes Temporão, vai faltar à reunião e mandar um representante, o diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage. Segundo a assessoria de Temporão, ele não participará do debate porque já estaria comprometido com uma agenda com o presidente Lula e com prefeitos que foram a Brasília para a Marcha dos Prefeitos.

O aumento dos casos da nova gripe na Argentina afastou aproximadamente 30% dos brasileiros que haviam comprado pacotes de viagem para visitar em julho a cidade de Bariloche, destino mais procurado nesta época do ano. A estimativa, segundo o site G1, é das duas maiores entidades do setor, a Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav) e Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa).

Gripe suína provoca a quarta morte no país

Vítima morava em cidade paulista e teve contato com argentinos e chilenos; Rio tem caso suspeito grave

Célia Costa e Wagner Gomes – O Globo

Rio e São Paulo. O Brasil teve confirmada ontem a quarta morte por gripe suína do país, a segunda ocorrida no estado de São Paulo. A vítima é um homem de 28 anos, morador de Botucatu. Ele estava internado no Hospital das Clínicas de sua cidade e tivera contato com argentinos e chilenos.

Ontem, à noite, o Ministério da Saúde informou que o paciente apresentou os primeiros sintomas em 1ode julho e foi internado três dias depois. Ele morreu no último dia 10, mas o resultado dos exames só foi divulgado ontem.

O Estado do Rio registrou um caso grave de suspeita da doença. Um aluno do turno da manhã do Instituto Abel, em Niterói, está internado na UTI de um hospital particular do município.

Ontem, o secretário de Saúde de Niterói, Alkamir Issa, visitou o garoto. Segundo ele, o quadro do paciente é estável, porém grave. Ainda não foi confirmado se ele está ou não com gripe suína. Colegas de classe com sintomas da doença também estão sendo monitorados.

Anteontem, o Instituto Abel antecipou as férias de julho em uma semana.

O secretário de Saúde de Niterói disse que, ao enviar amostras colhidas no menino, para exame na Fiocruz, pediu prioridade devido ao seu estado de saúde. O resultado deve sair nas próximas horas.

Alkamir Issa disse que o estudante começou a ter sintomas de uma gripe comum, que evoluiu para uma pneumonia. Seu quadro se agravou e ele precisou ir para a UTI. No Rio, são 111 casos confirmados até sexta-feira passada.

Em Belo Horizonte, o clima é de apreensão. Três mil argentinos devem chegar hoje à capital de Minas Gerais para o jogo entre Cruzeiro e Estudiantes. Atletas do time argentino chegaram ontem, sem máscaras. A Secretaria estadual de Saúde vai oferecer 1.300 conjuntos de luvas e máscaras para policiais que vão trabalhar no jogo, no Estádio do Mineirão. Os PMs que estiverem no portão de entrada da torcida argentina usarão obrigatoriamente os equipamentos, como medida preventiva. Os demais, que trabalharão no entorno do estádio, só colocarão máscaras e luvas se abordarem pessoas com sintomas da doença.

Os ônibus que levarão torcedores argentinos para o estádio serão conduzidos, antes, para o Batalhão de Polícia de Eventos, onde serão vistoriados pela PM mineira. Lá, haverá uma equipe de médicos e enfermeiros, que avaliará se algum dos argentinos apresenta sintomas da gripe suína.

14 julho 2009

Governo subestima propagação da doença

Para estudiosos, foi precipitado restringir exames a casos graves

Diego Moraes – Correio Braziliense

A morte de uma menina de 11 anos em Osasco (SP) que contraiu influenza A, conhecida como gripe suína, levantou dúvidas sobre a circulação do vírus H1N1 no país. O governo nega que haja transmissão sustentada em território brasileiro, quando a doença é contraída no país. Mas especialistas ouvidos pelo Correio avaliam que não é possível assegurar isso com tanta certeza. E dizem que o Ministério da Saúde se precipitou ao determinar que os exames em laboratório para confirmar a infecção sejam feitos apenas em pacientes com sintomas graves ou por amostragem.

A garota, que morreu em 30 de junho por complicações da nova gripe, não viajou para o exterior.

A família diz que ela não conhecia ninguém que havia contraído a doença. Os pais e um irmão da garota também foram infectados pelo novo vírus.

A infectologista e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Nancy Bellei afirma que a situação precisa ser vista com cautela. “Concordo que não é o suficiente para dizer que temos transmissão sustentada. Mas não concordo que é possível garantir que não temos. Para assegurar isso, teríamos que ter dados laboratoriais mais consistentes. Precisaríamos estar coletando muito mais amostras, o que não estamos fazendo neste momento. Esse episódio pode sim ser a ponta de um iceberg”, avalia.

Integrante do comitê de acompanhamento da Influenza A da Sociedade Brasileira de Infectologia, Nancy diz que o Ministério da Saúde adotou cedo demais a estratégia de restringir os exames laboratoriais para confirmar a doença. No início do alerta para a epidemia, o teste era feito em todos os casos suspeitos. “É uma medida que iria acontecer num dado momento. Mas deveria ter passado por uma etapa intermediária: fazer em alguns casos leves para ter um quadro epidemiológico mais detalhado.”

O infectologista Stefan Cunha Ujvari vai além e afirma que o procedimento do ministério pode comprometer a constatação sobre a circulação sustentada do vírus ou não. “É preciso primeiro ter essa certeza para, aí sim, não fazer mais exames. Tudo leva a crer que o vírus começou a circular, como ocorre com qualquer outro vírus”, afirma.

O secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Gerson Penna, rebate as afirmações. Doutor em medicina tropical, ele diz que o órgão levou em conta critérios técnicos e recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). “O mais importante é fazer os exames nos casos graves, em que pode haver mutação do vírus”, argumenta.

Em risco

Médicos afirmam que pessoas com obesidade mórbida podem ter complicações caso sejam contaminadas pelo vírus. De acordo com o infectologista Artur Timerman, o tratamento desses pacientes exige cuidados redobrados.

“Eles têm maior dificuldade do movimento respiratório. Qualquer processo que impeça o fluxo natural de ar e a eliminação de secreções certamente causa uma complicação maior”, afirma. A OMS está atenta a isso e analisando dados estatísticos na América do Norte e na Europa para avaliar se a obesidade pode ser um fator de risco para a gripe A.

Quem deve ficar atento

Pessoas com obesidade mórbida costumam ter menor capacidade de expansão pulmonar e podem ficar com a respiração ainda mais comprometida em caso de infecção pelo vírus A H1N1. O mesmo pode ocorrer com quem tem doenças respiratórias como asma, bronquite e enfisema pulmonar.

Quem está acima do peso e sofre de diabetes também deve estar no chamado grupo de risco para influenza, segundo os especialistas. A doença compromete o funcionamento do sistema imunológico — o que pode ser um complicador para infectados pela gripe A.

Doenças renais, distúrbios na tireoide, e tratamentos para o combate ao câncer comprometem as defesas do corpo e podem ser um fator de risco. O mesmo ocorre com portadores do vírus HIV, de problemas cardíacos ou de doenças hematológicas, como anemia crônica.

Idosos, gestantes e crianças menores de dois anos também estão mais suscetíveis à gripe, devido à condição de fragilidade no sistema imunológico.

Piora estado de saúde de paciente

O pai da menina de 11 anos que morreu em junho vítima da gripe suína está internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas para tratamento da doença. O quadro do paciente, que é hipertenso, evoluiu da gripe provocada pelo vírus para pneumonia. Também deram positivo para o influenza H1N1 os testes laboratoriais feitos na mãe e no irmão da menina. O garoto já está curado da gripe e a mãe faz tratamento em casa.

A menina morreu depois de apresentar sintomas como febre, vômito e dor abdominal. No entanto, o diagnóstico só foi confirmado depois da morte, quando pessoas da família começaram a apresentar os sintomas da gripe suína.

Em Belo Horizonte, os dois pacientes internados no Hospital das Clínicas (HC), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), continuam em estado grave. Eles não tiveram nenhuma melhora em seu quadro de saúde. Com o resultado positivo para a influenza A, o jovem de 27 anos, monitorado há 15 dias, respira com a ajuda de aparelhos, uma vez que seu quadro respiratório é considerado gravíssimo. Também respira com a ajuda de aparelhos, por causa de uma insuficiência respiratória, uma menina de seis meses.

Ontem, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, afirmou que não vai suspender as aulas das escolas municipais, mesmo diante do registro do primeiro caso de influenza A (H1N1) entre alunos da rede. “As autoridades de saúde, por enquanto, nos determinam e aconselham a seguir a vida normal”, disse Paes.

Menino de nove anos é a terceira vítima

No Estado, morador de Sapucaia do Sul é o segundo a perder a vida em função da doença

Zero Hora

O governo do Estado confirmou ontem a morte de um menino de nove anos de Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana, em decorrência da gripe A. É o segundo óbito no Estado e o terceiro no país.

O menino apresentou os primeiros sintomas em 1º de julho, foi internado no dia seguinte no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e morreu no dia 5. Foi sepultado na segunda-feira da semana passada. Ontem, a Secretaria Estadual da Saúde recebeu os exames comprovando que ele tinha o vírus. Conforme o secretário Osmar Terra, desde o nascimento, o menino sofria de uma doença neurológica crônica que pode ter contribuído para o desfecho fatal do caso.

A secretaria acredita que o vírus possa ter chegado ao menino a partir de um professor do irmão da criança que foi a Córdoba, na Argentina, país em que a situação é de epidemia. O professor e seus parentes teriam contraído o vírus no país vizinho – o filho dele teve o caso confirmado. O professor trabalha na escola onde o irmão adolescente do menino morto estuda. O adolescente também apresentou quadro gripal na ocasião.

A evolução do doença foi muito rápida. No dia 1º, ao apresentar febre, o garoto de nove anos foi levado a uma consulta com seu clínico, que começou a tratá-lo como se estivesse com uma gripe comum. No dia seguinte, o agravamento do estado já motivou a internação no Hospital de Clínicas, onde o paciente foi para a UTI, com uma pneumonia grave. Morreu três dias depois.

– É uma fatalidade que faz parte do risco da gripe, principalmente em pacientes mais vulneráveis. A Organização Mundial de Saúde alertou que os casos com maior risco têm sido de crianças e obesos – afirmou Terra.

A morte anterior no Estado, a primeira do país, foi a de um caminhoneiro de Erechim. Vanderlei Vial, 29 anos, que morreu em 28 de junho, em Passo Fundo, onde estava internado. O óbito ocorreu 13 dias depois de os primeiros sintomas se manifestarem, quando o caminhoneiro ainda estava na Argentina. Na ocasião, o Rio Grande do Sul tinha 76 casos confirmados de gripe A. Ontem, chegou a 129.

Secretaria quer tranquilizar população

Segundo Terra, os milhares de caminhões que chegam ao Estado vindos da Argentina, do Chile e do Uruguai, países com epidemia, tornam uma questão de tempo a multiplicação dos casos aqui.

– Em breve, seremos o Estado com maior número de casos. Mas é preciso lembrar que, em 99% dos casos de gripe A, não é necessária nem mesmo a internação – disse.

A secretaria considera que, apesar da epidemia iminente, não há motivo para pânico. Terra observa que as mortes por gripe comum são mais numerosas do que as da nova enfermidade e que apenas uma parcela pequena dos casos de gripe A apresentou complicação.

– Temos de tratar a nova gripe como uma gripe comum, andando agasalhados e se alimentando bem – explicou.

No dia em que divulgou mais uma morte, a Secretaria Estadual de Saúde também deu uma notícia animadora: a menina de São Gabriel com o vírus, internada em Santa Maria, já saiu da UTI, respira sem a ajuda de aparelhos e seu quadro evolui bem.

Gripe A está fora de controle, diz OMS

Todos os países precisarão de acesso a vacinas contra a gripe A H1N1, pois a pandemia é “incontrolável”, disse ontem uma graduada funcionária da Organização Mundial da Saúde (OMS). Um grupo de especialistas em vacinas concluiu, depois de uma reunião recente, que “a pandemia de A H1N1é incontrolável e, portanto, todos os países precisam ter acesso às vacinas”, disse Marie-Paule Kieny, diretora de pesquisas de vacinas da OMS.

Mas a organização alerta: não haverá vacinas para todos e 1,8 bilhão de doses já foram adquiridas de forma antecipada por países ricos. No Brasil, o Instituto Butantã terá de doar 10% de sua produção de vacinas contra o vírus H1N1 à OMS.

Ontem, a entidade anunciou recomendações para a produção de vacinas e quem deve ser os primeiros a ser vacinados. A vacina só ficará pronta em outubro, mas chegará ao mercado apenas em dezembro, depois de testes clínicos. Dentro da OMS, o temor é de que chegue tarde, já que a segunda onda da gripe no hemisfério norte possa começar com a chegada do inverno. Por isso, países com recursos já estão negociando com empresas.

Ontem, o governo da Argentina informou que convidará os ministros da Saúde de Brasil, do Chile, do Uruguai, do Paraguai e da Bolívia para uma reunião para unificar estratégias contra a gripe A.

O governo de Cristina Kirchner procura concretizar o encontro para “compartilhar informação, definir posições e unificar critérios de olho na futura vacina, além de analisar os possíveis cenários da pandemia”.

A Argentina já confirmou oficialmente 94 mortes. No Uruguai, uma mulher de 22 anos, que na semana passada foi submetida a cesárea, é a 10ª vítima fatal da gripe no país.

Suspeita coloca alunos do Colégio Militar em quarentena por suspeita

Grupo de 140 alunos, professores e equipe de apoio do Colégio passou por bateria de exames

Zero Hora

Ao retornarem nesta segunda de Campo Grande (MS), depois de participarem da quarta edição dos Jogos da Amizade, que reúne as escolas militares de todo o país, 140 alunos, professores e equipe de apoio do Colégio Militar de Porto Alegre terão de ficar em quarentena, em razão de suspeita de gripe A. Só poderão voltar às aulas após o fim das férias de inverno, em agosto.

De acordo com o oficial de comunicação social da instituição, Leonardo Araújo, 49 pessoas apresentaram algum sintoma de gripe. O grupo passou uma semana na capital do Mato Grosso do Sul, onde a temperatura ultrapassava os 30°C. No retorno, a delegação visitou Foz do Iguaçu, onde os termômetros marcavam mínimas abaixo de 10°C.

Com auxílio do Comando Militar do Sul e do Hospital Geral do Exército, a equipe passou por uma bateria de exames nesta segunda-feira. Quatro alunos, com sintomas mais acentuados, foram encaminhados para o Hospital Conceição, onde tiveram material para exames de gripe A coletados. Eles ficarão em monitoramento domiciliar. Os laudos deverão ser emitidos até a próxima semana.

Parentes dos alunos, que trabalham e estudam no colégio, também ficarão em quarentena. Em razão dessa intervenção, a direção da instituição resolveu adiar os eventos programados para essa semana, inclusive a festa junina.

Colapso climático da civilização

Três bilhões sem água em 2025, diz relatório da Unesco, do Exército dos EUA e do Bird

Jonathan Owen - Do Independent

Um esforço similar àquele empregado na missão Apollo que levou o homem à Lua é necessário se a Humanidade quiser ter uma chance real de lutar contra o aquecimento global e sobreviver à devastação das mudanças climáticas. O esforço precisa ser dessa monta porque, sem crescimento sustentável, “bilhões de pessoas serão condenadas à pobreza e muito da civilização entrará em colapso”.

Esta é a principal mensagem de alerta do maior relatório individual já feito sobre o futuro do planeta.

Apoiado por uma vasta gama de instituições como a Unesco, o Banco Mundial (Bird), o Exército dos Estados Unidos a Fundação Rockefeller, o “State of the future 2009” é um relatório de 6.700 páginas que contou com a contribuição de 2.700 especialistas em todo o planeta. Suas descobertas foram descritas pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, “como valiosas visões do futuro para as Nações Unidas, seus membros e a sociedade civil”.

O impacto da recessão global é um tema chave do documento.

Os pesquisadores alertam para o fato de que a busca global por energias limpas, a disponibilidade de alimentos, a pobreza e o crescimento da democracia ao redor do globo estão em risco “por causa da recessão”. E o relatório vai além: “Decisões excessivamente ambiciosas e desonestas levaram o mundo à recessão e demonstra ram a interdependência internacional de economia e ética.”

Metade da população mundial deverá enfrentar violência e instabilidade social devido ao aumento do desemprego combinado à escassez de água, comida e energia, além dos efeitos cumulativos das mudanças climáticas.

O documento lista questões emergentes de segurança ambiental.

“O escopo e a escala dos efeitos futuros das mudanças climáticas — de alterações nos padrões climáticos à perda de rebanhos e ao desaparecimento de estados — têm implicações sem precedentes para a estabilidade social e política.” Mas os autores sugerem que as ameaças podem também oferecer potencial para um futuro positivo para todos. “A boa notícia é que a crise financeira global e as mudanças climáticas podem ajudar a Humanidade a sair de sua tradicional posição adolescente — egoísta e autocentrada — para uma adulta — mais responsável. Muitos vêem o atual desastre econômico como uma oportunidade para investir em novas gerações de tecnologias verdes, repensar a economia e nossas premissas sobre o desenvolvimento e colocar o mundo num caminho para um futuro melhor.” Os problemas mais imediatos a serem enfrentados são a elevação dos preços de alimentos e energia, a escassez de água e o aumento das migrações “ em razão das condições econômicas , ambientais e políticas”, que podem levar parte da população mundialà instabilidade social e violência.

O crime organizado tende a aumentar.

E os efeitos as mu danças climáticas vão piorar. Por volta de 2025, três bilhões de pessoas não teriam acesso à água. A urbanização maciça, a redução dos habitats animais e a concentração de rebanhos pode levar ao surgimento de novas pandemias.

O documento pede aos governos um esforço concentrado ao longo dos próximos dez anos para combater às crescentes ameaças à sobrevivência do homem.

“Não é importante apenas para o meio ambiente; é uma estratégia para ampliar as chances de paz internacional.

Sem algum acordo, será difícil alcançar o tipo de coerência global necessária para enfrentar as mudanças climáticas de forma corajosa”.

Embora os efeitos das mudanças climáticas não tenham precedentes, as causas sejam bastante conhecidas e as consequências amplamente previsíveis, “a coordenação requerida para uma ação eficaz e adequada ainda é incipiente, e os problemas ambientais pioram mais rápido do que respostas e políticas preventivas são adotadas”.

Jerome Glenn, diretor do Projeto Milênio e um dos autores do documento, afirmou: — Existem respostas aos nossos desafios globais, mas as decisões ainda não estão sendo tomadas na escala necessária para combatê-los.

Três grandes transições precisam ser feitas: o uso de água salobra na agricultura, a produção de carne de forma mais saudável, e o aumento do uso de carros elétricos em relação aos movidos a gasolina.