01 maio 2009

Ministro descarta pânico, mas diz que chegada da gripe suína ao Brasil é inevitável


CIRILO JUNIOR
no Rio

O ministro José Gomes Temporão (Saúde) afirmou nesta sexta-feira que não há motivo para "pânico ou inquietação" em relação à gripe suína -- cujo nome oficial é "Influenza A (H1N1)". Em entrevista concedida no Rio, o ministro admitiu, no entanto, que a chegada do vírus é "inevitável", mas voltou dizer que o Brasil está preparado para enfrentar a doença, caso seja confirmada alguma contaminação no país.

"A chegada do vírus é inevitável. Ele já está em pelo menos 13 países. [....] Na América do Sul chegou a ser anunciado um caso [no Peru], mas foi descartado", afirmou Temporão.

No final da tarde de hoje, o Ministério da Saúde informou que subiu para sete o número de casos suspeitos da gripe suína no registrados no Brasil. O órgão informou que três dos pacientes estão internados em Minas Gerais, dois em São Paulo, um no Espírito Santo e outro no Rio de Janeiro.

Ainda não há confirmação de contaminação da doença no país. Os pacientes cujos casos são considerados suspeitos passam por tratamento médico.

Segundo o ministro, não há motivo para pânico, já que o Brasil tem matéria-prima para produzir medicamentos para o tratamento de até 9 milhões de pacientes contaminados com o vírus da gripe suína.

Temporão alertou ainda que ainda não há necessidade para comprar máscaras ou remédios, e disse que as pessoas não devem ter medo de comer carne de porco.

"Não é momento de pânico ou inquietação. Não tem sentido comprar máscaras ou remédios. As pessoas podem comer carne suína", disse. O ministro admitiu ainda que houve problemas no monitoramento de voos vindos dos países atingidos pela doença no início, mas afirmou que a deficiência foi sanada.

Monitorados

Outras 41 pessoas são monitoradas, conforme o ministério. Nota divulgada no final da tarde de hoje acrescenta que 17 casos monitorados foram excluídos de ontem para hoje -- dois no Amazonas, um no Mato Grosso do Sul, um em Minas Gerais, um no Pará, quatro no Paraná, sete no Rio de Janeiro e um em Santa Catarina.

Os 13 Estados onde há pacientes sendo monitorados -- mas cujos casos não são considerados suspeitos pelos critérios do ministério -- são: Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo.

No caso de suspeita da doença, o paciente tem de apresentar febre acima de 38ºC de maneira repentina e tosse acompanhada por alguns dos sintomas: dor de cabeça, dor nas articulações, dor de garganta. O doente também tem de ter apresentado os sintomas dez dias após ter deixado a área infectada ou ter tido contato com uma pessoa contaminada.

Sintomas

Os pacientes cujos casos são considerados suspeitos estão internados em áreas isoladas de hospitais de referência, onde passam por tratamento contra a doença. No entanto, ainda não há a confirmação de contaminação no país.

No caso de suspeita da doença, o paciente tem de apresentar febre acima de 38ºC de maneira repentina e tosse acompanhada por alguns dos sintomas: dor de cabeça, dor nas articulações, dor de garganta. O doente também tem de ter apresentado os sintomas dez dias após ter deixado a área infectada ou ter tido contato com uma pessoa contaminada.

Mundo

O número de casos confirmados de gripe suína no mundo chegou a 365 em 13 países, de acordo com o balanço da OMS (Organização Mundial de Saúde) divulgado nesta sexta-feira. O número inclui dez mortes -- nove no México e uma, de um bebê mexicano, nos Estados Unidos.

Colaborou Marina Novaes, da Folha Online

29 abril 2009

Número de casos da gripe suína monitorados no Brasil sobe para 20



Subiu para 20 o número de casos de brasileiros que estão sendo monitorados pelo Ministério da Saúde (MS) diante da possibilidade de gripe suína. Segundo a assessoria do MS, o total de casos chegou a 22, mas dois deles, identificados no estado de São Paulo, foram descartados. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também informou que todos os aviões oriundos do México, dos Estados Unidos e do Canadá estão sendo desinfectados ao pousarem nos aeroportos brasileiros.

Até o momento, oito estados têm registro de casos em observação - três pessoas no Amazonas, duas na Bahia, três em Minas Gerais, uma no Pará, quatro no Paraná, duas no Rio de Janeiro, duas no Rio Grande do Norte e três em Santa Catarina. O ministério reforçou que, dentre os sintomas da gripe suína, a febre deve ser de pelo menos 38 graus e acompanhada de tosse, dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, além de desconforto respiratório. O estado do Espírito Santo também apresentou um caso suspeito, mas não foi confirmado.

Cinco pessoas que vieram do México e chegaram a Porto Alegre ontem foram encaminhadas ao Hospital Conceição. Uma delas apresentava leves sintomas de gripe e foi isolada. Ainda na tarde de ontem, foi descartada a possibilidade de ela estar contaminada com a doença e, em razão disso, foi liberada. Entretanto, as cinco permanecerão em observação. "Já temos uma área no Conceição destinada para atender aos casos suspeitos. Essa já não é uma gripe suína. Ela é uma gripe humana, pois está sendo transmitida de humanos para humanos", afirma o secretário estadual da Saúde, Osmar Terra.

Outro fator determinante para o reconhecimento da doença é que o paciente que apresenta os sintomas tenha visitado algum dos locais afetados pelo vírus nos últimos dez dias ou que tenha tido contato com pessoas que estiveram nessas áreas. O governo brasileiro tem informações oficiais sobre casos confirmados de gripe suína nos EUA, no Canadá, no México, no Reino Unido, na Espanha e na Nova Zelândia.

O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais divulgou boletim médico ontem informando que o casal internado na segunda-feira com suspeita de gripe suína apresenta "quadro clínico normal". Conforme o HC, o terceiro paciente internado ontem passou a noite bem.

A Organização Mundial de Saúde informou que alguns estudantes de Nova Iorque infectados com a gripe suína não tinham viajado ao México. Aparentemente, esses jovens contraíram a doença após o retorno dos colegas. O fato foi apontado como significativo, pois sugere que o vírus é forte o suficiente para ser transmitido por pessoas. Com isso, cresce a chance de uma possível epidemia.

Porto Alegre já está na área de risco da febre amarela



por Juliano Tatsch

O secretário estadual da Saúde, Osmar Terra, anunciou, em entrevista coletiva realizada na tarde de ontem, que o município de Porto Alegre passou a fazer parte da área de risco para contaminação com a febre amarela. Com isso, a área já abrange uma população de cinco milhões de pessoas em todo o Estado.

Hoje, 19 postos estão vacinando na cidade e, a partir de segunda-feira, todos os 150 postos de saúde da Capital estarão imunizando contra a doença. A inclusão de Porto Alegre na zona de risco se dá em razão da morte de dois bugios, comprovadamente em razão da doença, no município de Guaíba, que é vizinho à Capital. "Isso significa um aumento de dois milhões de pessoas que vivem na área de risco. Nós vamos concentrar a vacinação, pelo menos no momento, nas áreas rurais e onde existe a presença de mata na Capital, como, por exemplo, o extremo Sul, as Ilhas, a região da Agronomia, entre outros pontos", afirma Terra.

Além de Porto Alegre, os municípios de Alvorada, Arroio dos Ratos, Barão do Triunfo, Barra do Ribeiro, Cachoeirinha, Canoas, Charqueadas, Eldorado do Sul, Gravataí, Mariana Pimentel, Guaíba, São Jerônimo, Sertão Santana, Viamão, Rosário do Sul, Dom Pedrito e Piratini também passam a fazer parte da área de risco. "Essa ampliação é uma ação de prevenção, pois é importante as pessoas estarem protegidas caso o vírus passe a circular nessas cidades", ressalta Terra. Com a ampliação, o número de cidades pertencentes à área de risco chega a 290.

Segundo Terra, a intenção é de que todas as pessoas que vivem ou frequentam essas regiões serão vacinadas em até 60 dias. "Esperamos que com o frio o problema se amenize, pois o número de mosquitos diminui e isso nos dará fôlego para continuar trabalhando. Estamos sempre um passo à frente da doença, garantindo a vacinação para quem está na área de risco, mesmo que não exista a presença do vírus na cidade", diz.

Conforme o secretário municipal de saúde, Eliseu Santos, Porto Alegre estará preparada caso o vírus apareça. "Nossas equipes já estão trabalhando nas áreas de mata. Teremos 300 profissionais, entre agentes da vigilância sanitária do Programa de Saúde da Família trabalhando ativamente nessas regiões. As pessoas não precisam se desesperar para poder se vacinar. Vamos atuar primeiramente nas áreas com mais risco. É um trabalho sem desespero, com tranquilidade", enfatiza. Segundo ele, 300 mil doses da vacina já estão disponíveis para a Capital e, até segunda-feira, mais dois milhões chegarão à cidade.

Terra descartou, pelo menos no momento, uma vacinação em massa da população gaúcha. "Reiteramos que quem não mora nas regiões de risco e não irá viajar para elas não deve se vacinar, pois sempre existe o risco da vacina ocasionar reações adversas. Quem mora na área urbana de Porto Alegre e não frequenta regiões de matas não precisa se vacinar".

Até o momento, o Rio Grande do Sul já tem sete mortes confirmadas em razão da febre amarela. Onze pessoas que contraíram a doença foram curadas. De outubro até agora, mais de 1,6 mil bugios já foram encontrados mortos no Estado, a maioria em razão da doença.