19 fevereiro 2009

Boa Vista registra 765 casos de dengue


SHIRLEIDE VASCONCELOS

A Capital roraimense já registra 765 casos de dengue este ano. Deste total, 555 foram casos somente em janeiro, número três vezes maior que no mesmo período do ano passado, quando foram notificados 177 casos.

O bairro com maior registro de casos é o Cauamé (67), seguido pelo Caranã (51), Buritis (36) e Aparecida (32), além do Centro, também com 32 casos.

O supervisor de Vigilância e Saúde da Prefeitura, Hipojucan Carneiro, informou que uma das ações para reduzir estes casos é a mobilização dos bairros, envolvendo 80 homens do Exército, sendo 30 da Aeronáutica e os demais da 1ª Brigada de Infantaria de Selva. Também há 14 homens da Defesa Civil municipal, 34 agentes da Gestão Participativa, 15 técnicos da Gestão Ambiental e 34 agentes comunitários.

As equipes visitam as casas para orientar sobre a prevenção contra o mosquito transmissor da dengue e atuam em parceria com entidades (associações de moradores) e igrejas da comunidade para que continuem orientando os moradores sobre a doença.

Carneiro afirmou que não há como estipular metas de redução para a dengue no município, mas afirmou que a ideia é não ter epidemia. Ressaltou que, apesar do número elevado de casos, a epidemia ainda não é caracterizada, mas a situação aponta sinais da necessidade de uma medida de impacto.

Por conta disso, a mobilização realizada pela Prefeitura e órgãos parceiros este mês prevê visita a todos os bairros da cidade em 60 dias, mobilizando a população para evitar a proliferação do mosquito transmissor da dengue.

A mobilização é apenas uma etapa das ações. A outra é a limpeza urbana, que está ocorrendo paralelamente e inclui ainda a fiscalização nos bairros em que a Prefeitura retirou entulhos, para evitar que após a limpeza os moradores continuem colocando galhadas e lixo nas calçadas, sem que antes seja definido um calendário para o bairro.

Conforme Hipojucan Carneiro, os entulhos são perigosos para a proliferação do mosquito transmissor da dengue porque, além das galhadas, os moradores da rua aproveitam para jogar lixo doméstico.

ONU pede acordo ecológico


A ONU aproveitou a abertura do fórum do Conselho de Administração do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em Nairóbi (Quênia), para propor um “New Deal ecológico mundial” contra a crise financeira, energética e alimentar. O plano seria financiado pelos membros do G-20 — bloco das nações em desenvolvimento — com pelo menos 1% do Produto Interno Bruto (PIB) de cada país nos próximos dois anos. “O G-20 deveria considerar essas propostas em seu próximo encontro em Londres, em abril, e ajudar a garantir um acordo global contra a mudança climática em dezembro, em Copenhague”, afirmou o Pnuma, em comunicado. O organismo defendeu a participação de países emergentes do G-20, citando Brasil, China, Índia e África do Sul.

18 fevereiro 2009

Um ataque à fiscalização ambiental

Três meses depois de tirar poder da polícia ambiental, governador exonera comandante


Luciana Abade

BRASÍLIA

Dez dias depois da realização da operação Manejo Pirata, que apreendeu 11 mil metros cúbicos de toras de madeira ilegal em 27 de janeiro, em Cujubim, município localizado a 160 km de Porto Velho, o governador de Rondônia, Ivo Cassol (sem partido), exonerou o comandante do Batalhão Militar Ambiental (BMA), Josenildo Nascimento. Essa foi apenas mais uma medida de Cassol para tentar enfraquecer a ação da polícia ambiental. Em outubro do ano passado, por meio do decreto 13.881, o governador proibiu a polícia ambiental de lavrar autos de infração, repassando a competência ao Corpo Técnico de Fiscalização da Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam).

Com o decreto, além da Sedam, apenas o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) pode aplicar multas. Para tentar reverter essa situação, dois procuradores do Ministério Público de Rondônia preparam um parecer sobre os prejuízos trazidos pelo decreto. O documento será encaminhado logo depois do feriado de Carnaval para o procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, pedindo que o mesmo entre com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o decreto.

Para o superintendente do Ibama-RO, César Luiz Guimarães, o decreto prejudica as operações de fiscalização ambiental no estado porque o BMA sempre foi um "braço muito atuante" nessa área.

Apesar de achar que ainda é cedo para analisar os impactos da troca de comando, Guimarães ressalta que o comandante exonerado sempre foi "um grande parceiro" do Ibama no estado.

As organizações não-governamentais de proteção do meio ambiente atuantes no estado, no entanto, não apenas consideram a exoneração um retrocesso na luta contra o desmatamento como acreditam que se trata de uma retaliação de Cassol à prisão de seu cunhado, em setembro de 2008, durante uma operação que o batalhão ambiental realizou a pedido do Ministério Público de Rondônia. A acusação contra o cunhado do governador é de extração de minério sem licença ambiental na RO-010, no km 1, no município de Rolim de Moura.

– Uma característica pessoal do governador Cassol é trabalhar o público como se fosse o privado – afirma o presidente da ONG Rio Terra, Alexis Bastos. – O coronel Josenildo serviu apenas de bode expiatório.

A coordenadora da ONG Canindé, Neidinha, concorda:

–Aqui é o caos ambiental. Mas com todas as dificuldades o comandante Josenildo estava conseguindo atuar. Já tem muito tempo que estão tentando acabar com o batalhão ambiental. Só não conseguiram por pressão da sociedade civil.

Operação espalhafatosa

Ao contrário dos colegas, Alexis Bastos não acredita que o governo estadual queira acabar com o batalhão ambiental porque mantê-lo "é essencial para garantir a doação de recursos de ONGs internacionais". Para Alexis, a estratégia de Cassol é tornar o BMA "um órgão de fachada, sem poder".

Dias antes da exoneração, o governador afirmou que trocaria o comando do batalhão porque os militares que participaram da operação Manejo Pirata haviam sido omissos por permitir a retirada de madeira de reservas e áreas com restrição. Mas ontem, por meio de nota, disse que a troca de comando não tinha nada a ver com operação e sim porque o tenente-coronel Josenildo havia ficado "muito acima do tempo normal de comando de uma unidade da Polícia Militar do estado".

Disse, ainda, que o decreto que proibiu a emissão de autos de infração não enfraquece o combate ao crime ambiental no estado, "pelo contrário. Faz com que os policiais militares cumpram sua função primordial que é cuidar dos parques estaduais e suas riquezas".

Cassol, no entanto, criticou a maneira como o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, conduziu a operação: "O ministro veio ao estado sem nenhum comunicado oficial, o que não é praxe, indo diretamente ao local posar para filmagens e fotografias junto à madeira apreendida". E afirmou que jamais retaliou qualquer prisão no estado, nem mesmo a do cunhado.

Arquiteto constrói casa carbono zero com técnica medieval


Arquitetos da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, apresentaram nesta quarta-feira uma casa de carbono zero que pode vir a ser produzida em série no país em um futuro próximo.

A casa de quatro quartos, localizada nas proximidades da cidade de Staplehurst, utiliza uma técnica aplicada na construção de casas da época medieval e vista como mais eficiente na contenção de emissões de gases causadores do efeito estufas.

"O design é econômico, já que a casa é relativamente fácil de ser construída e, a partir do momento em que você sabe o que está fazendo, é rápido", afirmou o desenhista Michael Ramage, do Departamento de Arquitetura da Universidade de Cambridge.

Mais de um quarto (27%) das emissões de gases causadores do efeito estufa da Grã-Bretanha é gerado por residências, o que contribui de forma significativa para o aquecimento global.

Poucas casas são movidas unicamente por energia solar e muitos designs são muito caros, inviabilizando a produção em massa. O governo britânico quer que todas casas novas sejam livres de emissões de gases causadores do efeito estufa em 2016.

A construção em forma de arco é basicamente uma câmara de 20 metros coberta com terra e plantas, que servem de camuflagem e ajudam a construção a se mesclar com o ambiente rural.

O projeto é uma adaptação de uma técnica medieval que utiliza tijolos finos para criar construções leves e duráveis. Assim, a casa adquire resistência estrutural e, ao mesmo tempo, evita a utilização de materiais que consomem muita energia na sua produção, como concreto armado.

A estrutura também fornece uma grande quantidade de massa térmica, permitindo a casa a reter calor, absorver flutuações de temperatura e reduzir a necessidade de sistemas de aquecimento ou resfriamento.

Qualquer aquecimento adicional é provido pela combinação de sistemas fotovoltaico e térmico de aquecimento, que capta energia solar.

Além disso, um aquecedor de 11kW de biomassa foi instalado na casa para fornecer energia quando o sol tiver aparecido por alguns dias. O isolamento térmico é feito com papel de jornal reciclado.

"A construção mostra como o design contemporâneo pode promover materiais locais e integrar novas tecnologias para produzir um prédio altamente auto-sustentável", afirmou o arquiteto responsável pelo projeto, Richard Hawkes, que será o primeiro ocupante da casa.

Desmatamento na Amazônia extingue 26 espécies e ameaça 644, diz ONU


O desmatamento da Amazônia provocou a extinção de 26 espécies de animais e plantas até 2006, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira (18) pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente).

No mesmo período, outras 644 espécies entraram na lista de animais e plantas ameaçados de extinção. Das 26 espécies extintas, dez estão na parte brasileira da floresta amazônica. Entre as espécies ameaçadas estão o macaco-aranha (Ateles belzebuth), o urso-de-óculos (Tremarctos ornatus) e a lontra.

O relatório GEO Amazonia, que está sendo divulgado em um encontro do Pnuma em Nairóbi, no Quênia, destaca que o desmatamento da Amazônia continua acontecendo em ritmo acelerado. Até 2005, a Floresta Amazônica sofreu desmatamento equivalente a 94% do território total da Venezuela.

O relatório do Pnuma afirma que até 2005 a Amazônia acumulou uma perda de 17% da sua vegetação total nos nove países que possuem trechos da floresta tropical. A área total desmatada foi de 857.666 quilômetros quadrados.

Cenários pessimistas

O relatório afirma que três fatores vão influenciar na forma como a Amazônia vai se desenvolver no futuro: as políticas públicas, o funcionamento do mercado e o desenvolvimento de novas tecnologias.

Baseado nesses três fatores, o relatório traça quatro cenários diferentes para o futuro da Amazônia no longo prazo, e nenhuma das hipóteses apresenta uma situação ideal.

"Isso significa que os protagonistas amazônicos não conseguiram imaginar um futuro no qual as políticas públicas, o mercado, a ciência e a tecnologia se desenvolvam, simultaneamente, de uma maneira suficientemente positiva de forma a promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia", diz o documento.

Os quatro cenários traçados pelo Pnuma são:

· Amazônia emergente: um cenário em que o governo e as forças do mercado geram benefícios à região, mas a ciência e a tecnologia não avançam o suficiente para melhorar o aproveitamento de recursos naturais.

· À beira do precipício: o governo agiria para combater o desmatamento, mas a demanda do mercado por recursos e a falta de tecnologia apropriada seriam mais fortes do que o esforço público.

· Luz e sombra: ação pública e investimentos em tecnologias colaborariam contra o desmatamento, mas as forças do mercado exigiriam cada vez mais recursos naturais.

· Inferno ex-verde: um cenário em que a floresta ficaria submetida às demandas do mercado, sem ação governamental ou avanço tecnológico favorável ao desenvolvimento sustentável.

Savanização

Segundo o relatório, fatores internos e externos em cada um dos países estão provocando o desmatamento.

Entre os fatores internos está o crescimento da urbanização da região e a exploração de recursos naturais. O Pnuma destaca que em quatro dos países da região, mais de 50% da população amazônica é urbana.

Externamente, o aquecimento global continua afetando o ciclo de chuvas e afetando o equilíbrio do ecossistema. O relatório cita previsões feitas em outros estudos de que 60% da Amazônia pode se tornar em savana ainda neste século, devido ao aumento da temperatura média global - uma afirmação questionada por um novo estudo publicado na Grã-Bretanha na semana passada.

O relatório também afirma que a articulação de grupos e instituições que atuam na Amazônia ainda está apenas no começo.

"Na maioria dos países da região, a Amazônia ainda não faz parte do 'espaço ativo' nacional, no entanto eles estão lentamente começando a articular a Amazônia no sistema político-administrativo, na sociedade e na economia nacional", diz o relatório do programa da ONU.

"O Brasil é o país que mais mostrou progresso nesta área. Por outro lado, o processo contínuo de descentralização, com diferentes níveis de progresso, visa a melhorar a governança ambiental por governos regionais e locais", afirma o documento.