27 novembro 2008

Casas ficam soterradas em São Francisco de Itabapoana

Numa pequena comunidade de pescadores, a água invadiu casas e outras foram soterradas pela terra de encostas que desabaram.



Do alto um cenário assustador. De longe seu Miguel observa sua casa. “Aquela casinha lá fora, eu moro na beirinha do rio e a água tomou conta de tudo, casas, curral , fazenda, a água alagou tudo”, fala.

A chuva dos últimos dias trouxe problemas e deixou prejuízos em São Francisco de Itabapoana, no norte do estado. Parte do gado foi salvo de barco. Alguns não resistiram. Cerca de 80% de uma colônia de pescadores foi atingida pelas inundações e desmoronamentos. Por todos os lados o que se vê é destruição.

Em Lagoa Feia, cinco casas foram destruídas e 15 pessoas estão desalojadas. O Rio Itabapoana transbordou e alagou uma imensa área, mas de acordo com a Defesa Civil, o maior risco são as encostas das comunidades que correm o risco de desmoronar.

Em algumas áreas elas já cederam. Dona Eliane não tem para onde ir e provisoriamente está instalada numa escola municipal. A casa dela foi uma das destruídas. “O barraco desabou e eu peguei e desliguei o relógio entrei dentro de casa e peguei eles e se eu não voltasse tinha acontecido o pior”, conta.

Também por pouco dona Silvana Bueno escapou com a família. “Só um estalo e pronto a terra desabou, caiu em cima da cama de casal e do guarda-roupa, foi tudo de repente”, diz.

“Monitoramos durante 24 horas porque se começar a chover temos que retirar imediatamente essa comunidade de suas casas”, revela Sila Rocha, da Defesa Civil.

Chuva deixa cinco municípios do estado em situação de emergência

As enxurradas já mataram três pessoas e deixaram 15 feridas. Os moradores de Rio Bonito enfrentam a pior situação.



Os municípios em estado mais grave são Rio Bonito e Silva Jardim, na Baixada Litorânea, Carapebus, no Norte Fluminense, Barra do Piraí, no sul do estado, e Paracambi, na Baixada Fluminense.

Os moradores de Rio Bonito enfrentam a pior situação. Segundo a Defesa Civil, o número de desabrigados e desalojados dobrou com relação a ontem: já são 950 pessoas que tiveram as casas invadidas pela água.

Uma encosta desmoronou soterrando cinco casas. Duas pessoas morreram e hoje a chuva continua no município.

Em Carapebus, a lagoa que fica no Parque Nacional da Reserva de Jurubatiba transbordou. Pontes foram interditadas. Ruas e casas ficaram alagadas. O Ibama autorizou a abertura do canal que liga a lagoa ao mar. O nível da água já começou a baixar, mas só deve voltar ao normal em três dias.

Risco de pancadas de chuva ainda é grande no estado

O RJTV conversou com o meteorologista Luiz Carlos Austin.

RJTV - Como fica o tempo nos próximos dias?

Luiz Carlos Austin - Já alertamos as autoridades, principalmente hoje e amanhã, sobre o risco de chuvas fortes no estado. A situação é tão complexa que não dá para você sintonizar as áreas com maior probabilidade de ocorrência, em função desse sistema que está praticamente passeando ao longo do nosso litoral. Ele é conhecido como Zona de Convergência do Atlântico Sul. Você tem a frente fria no litoral e uma grande massa de ar quente e úmido descendo da Bacia Amazônica, passando pelo interior do país todo e fazendo esse casamento. Por isso, às vezes o tempo está meio abafado e é isso que realimenta todas as áreas de instabilidade que estão agora predominando no estado do Rio de Janeiro.

Qual é a orientação para quem vive nas regiões de encosta?

Alertamos às pessoas que moram nessas áreas de encostas, principalmente na Região Serrana, se perceberem a descida de uma água um pouco barrenta, e junto com ela algumas touceiras de capim, que fiquem atentas. Com a batida dessa chuva, muito repetitiva, com muita força, procure imediatamente a Defesa Civil, para que ela oriente quem está nessas áreas. A situação é de atenção nesse momento.

O sol deve surgir quando?

Estamos prevendo uma melhoria de tempo para o final da semana, mas infelizmente com essa melhoria de tempo, se ela vier acompanhada de muito calor, poderemos ter novamente ocorrência de chuvas fortes, em forma de pancadas no estado.

26 novembro 2008

SC: especialistas explicam a tragédia

Meteorologista e geólogo explicam o porquê de tanta chuva no último fim de semana no estado e de deslizamentos até em zonas que não eram de risco.



O vento, o volume impressionante de chuva e o solo encharcado são algumas das explicações para a tragédia em Santa Catarina. Quem conta é a repórter Kiria Meurer.

Em poucos segundos, tudo no chão. Foram centenas de deslizamentos de terra em 80 municípios de Santa Catarina. O barro que desceu de um morro atingiu casas que não estavam em áreas consideradas de risco.

“A nossa casa era uma casa bem arrumada com cerca, com portão eletrônico, com tudo que a gente tinha, para olhar agora e não ver mais nada, não ver mais nada de bom”, lamentou a aposentada Olinda de Oliveira.

Quem tinha casas construídas em áreas de risco recebeu um alerta da Defesa Civil na semana passada. “Nós pedimos que pessoas percebessem locais de rachadura no solo, movimento de terra, saíssem destes locais porque eram áreas possíveis de ter deslizamentos”, disse o major Márcio Alves, da Defesa Civil (SC).

Mas o que aconteceu no estado nos últimos dias foi inesperado. “Áreas que não eram nem consideradas pelos geólogos de risco desmancharam pela quantidade de chuva”.

Choveu quase todos os dias durante dois meses em Santa Catarina, mas no último fim de semana a quantidade de água que caiu no Vale do Itajaí foi recorde: em apenas três dias, choveu tudo o que costuma chover em quatro meses. A terra nos morros e das encostas, que já estava encharcada, não suportou um volume tão grande de água.

“Com o peso da água praticamente dobrando o peso da camada do solo faz com que o solo tenda a descer por gravidade, levando tudo que encontra pela frente: prédios, árvores”, explicou o geólogo João Carlos Rocha.

Tanta chuva foi resultado de uma combinação: o vento leste trouxe muita umidade, um fenômeno conhecido como lestada. E ao mesmo tempo um vórtice ciclônico no litoral funcionava como um aspirador de pó sobre o oceano puxando mais umidade e carregando a atmosfera.

“Se fosse só a ação dos ventos que sopram de leste provavelmente não teríamos tanta chuva, o problema foi a ação conjunta dos dois fenômenos juntos, que trouxe chuvas excessivas”, disse o meteorologista Leandro Puchalski.

Na região do Vale do Itajaí, a geografia favorece as cheias. Na cidade de Itajaí, uma das mais afetadas no litoral do estado, há outro agravante. “Já são terrenos baixos, planos, horizontalizados e há uma retenção das águas fluviais por uma questão de maré”, completou o geólogo.

O governador de Santa Catarina pediu ajuda ao Governo Federal, que já respondeu que vai liberar recursos para a recuperação do estado.

Chuvas continuam castigando Santa Catarina. Número de mortos chega a 84



Da redação

Um estado em colapso, que chora seus mortos enquanto tenta resgatar sobreviventes. Na luta contra os estragos provocados pelos temporais, Santa Catarina mais parece um cenário de guerra. Falta água para a população beber, remédios, o preço do pão chega a R$ 3, supermercados e farmácias estão sendo saqueados. Milhares de pessoas continuam sem energia elétrica. O número de vítimas de deslizamentos de terra subiu para 84, 21 a mais que do que apontava o balanço da Defesa Civil catarinense na segunda-feira. Há estimativa de que cerca de 30 pessoas estejam desaparecidas, o que pode fazer com que o número de mortos seja maior que 100. Blumenau, terceira cidade mais populosa do estado e importante pólo industrial, levará pelo menos um ano para ser reconstruída, na previsão do prefeito do município, João Paulo Kleinubing (DEM).

No prédio do Serviço Social da Indústria (Sesi) da cidade, um misto de esperança e desespero move as pessoas. Famílias aguardavam ansiosas o pouso de helicópteros do Exército na manhã de ontem. Entre os abrigados no local, estava Irene Rinco. A cada chegada da aeronave, crescia a expectativa de reencontrar o irmão, Oswin Denner. “Não falo com ele desde o domingo à tarde. Não sei o que pode ter acontecido”, temia.

A salvação também chegou para centenas de turistas que estavam isolados há três dias num parque em meio à Mata Atlântica, na região do Vale do Itajaí. Eles foram localizados e resgatados por bombeiros, policiais militares e soldados do Exército, numa ação dramática. A equipe teve de improvisar uma ponte pênsil sobre gigantescas rachaduras abertas no morro, que impediam a saída dos turistas. Os visitantes, mais de 600, são estudantes e professores de diversas cidades catarinenses, paranaenses e paulistas. Eles tinham escolhido o Parque Aquático Cascanéia, no município de Gaspar, para comemorar a formatura no terceiro ano do ensino médio.

Entretanto, o passeio se transformou em pesadelo, quando o temporal desabou sobre Gaspar no último fim de semana. A única estrada de saída do parque ficou obstruída. Os estudantes ficaram no topo de um morro, abrigados num salão de festas. “As piscinas foram soterradas por lama, faltou luz e a saída era jogar cartas”, resumiu Michel de Souza, 17 anos, aluno do terceiro ano do ensino médio.

Sede e fome

Oito cidades permanecem isoladas. Além dos mais de 54 mil desabrigados e desalojados. A Defesa Civil divulgou uma linha telefônica e endereços de delegacias para registro de ocorrências.

Diante do caos da falta de água, a Secretaria de Saúde estadual divulgou um comunicado orientando as pessoas com acesso a piscinas tratadas com cloro para utilizar a água para beber e preparar alimentos, desde que fervida por 10 minutos. Um apelo para que pessoas e empresas doem água potável nas sedes da Defesa Civil de todo estado. Já foram repassados à população, de acordo com o órgão, 55 mil litros.

A combinação de fome e desespero proporcionou ontem à tarde, em Itajaí, a cena mais transparente da calamidade em que se encontra a cidade portuária, por causa da enchente. Mais de um mil flagelados arrombaram o portão e romperam o cordão de isolamento formado por 20 policiais militares para entrar em um megaatacado de 8 mil metros quadrados, no Bairro São Vicente. Levaram tudo o que podiam. Foi o terceiro estabelecimento saqueado em menos de 24h. Outros dois supermercados que também estavam fechados foram invadidos na cidade.

No meio dos produtos angariados, a carne descongelada, por causa da falta de energia elétrica no bairro, lembrava pelo cheiro o quanto é perecível. Para chegar aos portões, moradores atraídos pela notícia de comida grátis beiravam o descontrole, chegando em barcos, botes infláveis e a nado, sobre pedaços de madeira. Da porta para dentro, nem a escuridão no atacado fazia errar o caminho até as prateleiras. Os mais solidários as escalavam, como se fossem prédios, e lançavam para baixo as caixas fechadas. “Pega leite para mim?”, gritava uma mulher.

Em Ilhota, umas das cidades com maior número de vítimas — até ontem eram 18 —, cada pouso de helicóptero no campo de futebol municipal levava uma multidão ansiosa até a cerca. Sujos de lama, com o rosto de espanto e sofrimento, desciam os sobreviventes de um deslizamento na localidade do Morro do Baú, a 20km do centro da cidade. O acesso ao local só pode ser feito por aeronave. A Defesa Civil estimava ontem que 160 pessoas esperavam ajuda no lugar.

Dificuldades

As chuvas incessantes dificultam não só o trabalho de resgate como também os trabalhos de desobstrução das pistas, a volta do fornecimento de energia e água e a manutenção de serviços básicos, como a entrega de correspondência. Os Correios suspenderam ontem os serviços de Sedex 10 e Sedex no estado.

Um deslizamento de terra no começo da manhã atrapalhou os trabalhos de reparo na rede elétrica em Blumenau, onde cerca de 137 mil residências permaneciam sem luz. Em todo o estado, a energia elétrica ainda não foi recuperada em 106 mil casas. A obstrução de rodovias é outro fator agravante da situação. Ontem, restavam 12 rodovias com bloqueio total, sendo oito estaduais e quatro federais.

Os municípios de Gaspar, Rio dos Cedros, Nova Trento e Camboriú, em Santa Catarina, declararam estado de calamidade pública. Outros oito estão em emergência: Balneário de Piçarras, Canelinha, Indaial, Nova Trento, Penha, Paulo Lopes, Presidente Getúlio e Rancho Queimado.

Continuam isolados os municípios de São Bonifácio, Luiz Alves, São João Batista, Rio dos Cedros, Garuva, Pomerode, Itapoá e Benedito Novo.

Defesa Civil estima mais de 100 mortos em SC devido às chuvas; Lula deve liberar R$ 700 milhões



Em São Paulo

A Defesa Civil de Santa Catarina estima em mais de cem os mortos em decorrência das chuvas no Estado. Até as 23h de terça-feira, foram contabilizadas 84 mortes e 36 pessoas estavam desaparecidas. Vinte das vítimas fatais são de Blumenau. Pelo balanço oficial, há 54.039 desalojados e desabrigados, sendo 22.952 desabrigados e 31.087 desalojados. No início da tarde, foi registrada a primeira morte na capital Florianópolis. O corpo foi encontrado na SC-401, dentro de um carro atingido pelos escombros da queda de uma barreira.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar nesta quarta-feira uma medida provisória liberando recursos para ajudar Estados afetados por enchentes decorrentes de chuvas. Segundo fontes do Palácio do Planalto, a estimativa é de que, no total, sejam liberados R$ 700 milhões. A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmou nesta terça que o governo federal vai realizar "todos os esforços" para reduzir as conseqüências das enchentes.

Segundo balanço mais recente divulgado pela Celesc, 106.123 mil pontos estão sem energia elétrica.

Nos oito municípios isolados, seis cidades decretaram estado de calamidade pública e sete estão em estado de emergência. Embora não conste da lista da Defesa Civil, o prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinübing (DEM), afirmou que decretou estado de calamidade pública no município. O mesmo ocorreu em Itajaí, onde o número de desabrigados e desalojados é de cerca de 15 mil. Jaraguá do Sul também decretou estado de emergência.

Estragos

Blumenau é uma das cidades mais atingidas. O prefeito afirmou que irá levar comida e mantimentos de helicóptero para as vítimas das enchentes. Itajaí amanheceu nesta terça-feira (25) com 90% de sua extensão inundada. Em apenas um dos bairros - o Fazenda - a água não invadiu as casas. Pelo menos duas pessoas morreram - uma por afogamento e outra eletrocutada. Cerca de mil estão desabrigados e dois mil estão desalojados.

Cerca de 400 turistas que estavam ilhados em um parque aquático no município de Gaspar, uma das cidades mais atingidas, se recusaram a entrar em dois helicópteros do Corpo de Bombeiros e seguiram, na tarde desta terça-feira, para o centro da cidade à pé, por uma trilha na mata aberta, escoltados por bombeiros.

O governo federal anunciou que vai liberar cerca de R$ 40 milhões para a recuperação das rodovias federais danificadas. No Paraná, um novo deslizamento impede a liberação da BR-376.

Nesta madrugada, segundo a Defesa Civil de Santa Catarina, as chuvas foram menos intensas. Choveu principalmente no litoral, mas os índices pluviométricos não passavam de 1 milímetro por hora, o que é uma chuva considerada de intensidade pequena. Os índices mais preocupantes são aqueles que passam dos 10 milímetros por hora, segundo a Defesa Civil.

O Exército deslocou 500 militares para prestar socorro às vítimas das enchentes em Blumenau e trabalha com o auxílio de quatro aeronaves, 17 caminhões e 12 barcos para recolher grupos isolados em vários pontos da cidade. Um deslizamento de terra no começo da manhã de hoje atrapalhou os trabalhos de reparo na rede elétrica. A recomendação do Exército é de que as pessoas evitem sair às ruas. Uma pessoa também morreu em Guaratuba, cidade do Paraná.

Em Itajaí, deslizamentos, alagamentos e malha viária danificada deixam 1.200 desabrigados e 2.000 desalojados. A cidade contabiliza duas mortes nesta terça. O secretário da Infra-Estrutura de Santa Catarina, Romualdo Theophanes França, informou que as chuvas irão atrasar obras do PAC no Estado.

Diversos trechos de rodovias estaduais e federais estão interditados por causa de deslizamentos e queda de barreiras. Ainda há risco de acidentes, por isso, a Defesa Civil orienta a população a usar seus veículos apenas em casos de emergência.

Prejuízos econômicos

Além das mortes e das milhares de pessoas desabrigadas, as chuvas também trouxeram prejuízos econômicos ao Estado. O setor de turismo e transporte já foram afetados. O porto de Itajaí, o maior do Estado, está fechado desde a última quinta-feira (20).

Com as interdições o acesso a Balneário Camboriú, um dos principais destinos turísticos do Estado, já ficou prejudicando, gerando prejuízo principalmente na rede hoteleira.

Moradores começaram a saquear supermercados e residências e a polícia teve que reforçar a segurança nas cidades mais afetadas pela chuva. Segundo o secretário de Segurança, Ronaldo Benedet, os furtos não se referem somente a objetos de necessidade, como alimentos e roupas, mas a produtos sem utilidade para a situação, como eletrodomésticos.

Ajuda de outros Estados e doações

Diversos Estados enviaram reforços e ajuda para Santa Catarina. Os governos de São Paulo e Minas Gerais encaminharam na tarde de segunda (24) quatro unidades para auxiliar nos trabalhos de resgate. Na tarde desta terça, São Paulo enviou mais um helicóptero para auxiliar nas buscas por vítimas. O governo federal enviou ministros, como José Gomes Temporão (Saúde), ao Estado. O Ministério encaminhou ao governo catarinense 100 kits de assistência farmacêutica que serão distribuídos aos 50 municípios mais atingidos pela chuva.

Cestas básicas, colchões, cobertores e kits de higiene estão sendo entregues às famílias atingidas pela chuva. A Defesa Civil distribui alimentos, água potável e medicamentos. Em Florianópolis, doações podem ser feitas no Portal do Turismo, Assembléia Legislativa e Procon. No interior do Estado, os produtos devem ser encaminhados aos abrigos, Defesa Civil e prefeituras. O governo pede prioridade à doação de água potável para as cidades atingidas, como Itajaí, onde a falta de água é crítica.

A recomendação é de que produtos de limpeza não sejam misturados com alimentos e roupa. Os alimentos devem estar dentro da validade, de preferência não perecíveis e com a embalagem em boas condições.

Para quem deseja ajudar as vítimas com doações em dinheiro, a Defesa Civil disponibilizou três contas correntes: no Banco do Brasil, a agência é 3582-3, conta corrente 80.000-7; no Besc, agência 068-0, conta corrente 80.000-0; e no Bradesco S/A - 237, agência 0348-4, conta corrente 160.000-1. O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ - 04.426.883/0001-57.

Chuvas em Santa Catarina danificam gasoduto Brasil-Bolívia

O abastecimento de gás entre o município de Guaramirim, em Santa Catarina, até o Rio Grande do Sul, foi interrompido na noite de ontem por causa das chuvas, segundo nota divulgada pela Transportadora Brasileira Gasoduto Brasil-Bolívia.

De acordo com a nota da TBG, a interrupção se deu por conta de um acidente no duto, seguido de fogo e ruído elevado, no trecho do gasoduto Brasil-Bolívia, na localidade de Belchior, em Blumenau, em Santa Catarina.
Não há registro de vítimas ou danos a edificações, de acordo com a empresa, e o vazamento e o fogo foram debelados após o fechamento das válvulas de segurança do gasoduto próximas ao local do vazamento.

No sábado (22), outro duto foi rompido em Santa Catarina. De acordo com a SC Gás, a queda de uma parte do leito da pista da rodovia BR 470, na altura do km 41,5, pressionou a tubulação do duto, o que ocasionou o vazamento do gás, bloqueio imediato das válvulas e incêndio no local. Por causa do acidente, as cidades de Blumenau, Gaspar, Pomerode, Timbó e Indaial estão sem abastecimento de gás.

Segundo a Defesa Civil, o fornecimento de gás à região deve ser normalizado em cerca de 21 dias.

Os acidentes ocorreram por conta das fortes chuvas e inundações ocorridas na região de Santa Catarina. Tanto a TBG quanto a SC Gás acionaram imediatamente seus planos de contingência, com a mobilização de equipamentos, materiais e recursos humanos para efetuar o reparo dos gasodutos.

* Com informações da Folha Online e das agências Estado e Brasil

25 novembro 2008

Milhares de peixes aparecem mortos em Itaocara

Depois da Região Sul agora três municípios do Norte e do Noroeste do estado suspenderam a captação de água do Rio Paraíba do Sul.



Depois da Região Sul agora três municípios do Norte e do Noroeste do estado suspenderam a captação de água do Rio Paraíba do Sul.

Um veneno que vazou de uma indústria no Sul Fluminense já percorreu 360 km rio abaixo, deixando um rastro de prejuízos. Ontem, milhares de peixes apareceram mortos em Itaocara, às margens do Rio Paraíba do Sul. Espécies como o dourado, tainha, robalo, estão no período de reposição, não resistiram e morreram na água contaminada. Alguns ainda agonizavam.

Cerca de 127 pescadores de Itaocara, Noroeste Fluminense, estão desesperados sem poder pescar, não há como sustentar a família.

“Não sei o que eu vou fazer agora vou ter que trabalhar em roça, capinar em cana ou catar papelão na rua”, fala Edson Dias, pescador.

A contaminação aconteceu na terça feira da semana passada quando pelo menos 1.500 litros do pesticida Endolsufan, vazaram de uma indústria de produtos químicos em Resende , sul do Estado do Rio de Janeiro e contaminaram o Rio Pinapetinga, afluente do Paraíba do Sul.

A empresa responsável pelo vazamento poderá ser multada em R$ 10 milhões. Por causa da poluição a captação de água está suspensa no município por tempo indeterminado. 16 mil moradores estão sem abastecimento. A orientação é para que a população economize e evite consumir água do rio.

“A água tratada já foi distribuída pela Cedae e a população pode ficar tranqüila que essa água tem qualidade. Com relação as pessoas que utilizam a água sem tratamento essas sim devem ficar em alerta porque essa água está absolutamente imprópria para o consumo humano, conta Geovane Cardoso, gerente regional da Cedae.

ONG anuncia venda de área de 275 mil hectares no AM



MANAUS - A ONG Instituto de Desenvolvimento e Educação Social da Amazônia (Idesa) está anunciando a venda de uma área de 275 mil hectares, o equivalente a 175% da área da Cidade de São Paulo. Não é divulgado o valor no site e nem o nome do proprietário. De acordo com o site, a área fica "de frente para o Rio Madeira", no Município de Canutama, a 555 quilômetros de Manaus.

"Terreno adquirido junto ao governo estadual em 1905, com cadeia dominial, título definitivo e escritura pública registrada no Cartório de Registro de Imóveis. Mata virgem com vários rios e igarapés, grande variedade de madeira, ideal para corte com manejo e certificação florestal, para projetos de seqüestro de carbono, além de muitas outras riquezas", informa o texto. De acordo com o advogado do suposto dono do terreno, Jari Maciel, que atende em Belém, o nome do proprietário e o valor do terreno só são informados aos virtuais compradores, pessoalmente.

Segundo ele, a área tem seis potenciais compradores interessados, todos do Estado de São Paulo. "O terreno está na família desde 1905 e está devidamente registrada no cartório de Canutama", disse. Segundo o superintendente do Instituto de Terras do Amazonas (Iteam), Sebastião Nunes, na área descrita no site há 39 terrenos com títulos definitivos. "Mas os 39 não chegam a 53.309 hectares, nem a metade do que o misterioso dono da área anuncia como sua propriedade na internet", diz. Maciel defende que o terreno de 275 mil hectares é da família que ele representa.

"Talvez por comodismo nem o proprietário tenha procurado o Iteam para informar sobre seu terreno, e vice-versa". Nunes afirmou que, à exceção dos 53,3 mil hectares particulares, o restante nos 275 mil hectares anunciados são terras da União. O superintendente informou que as áreas são extensas: são três Projetos de Assentamento Agroextrativistas (PAE) - o Lago do Acará, o Boto e o Expansão do Boto - e outras três glebas de assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) - Acarazinho, Urupiara e Baetés.

Chuvas já mataram 64 em Santa Catarina

Número de mortos e desabrigados não pára de crescer e tempo só deve melhorar amanhã



FLORIANÓPOLIS - Subiu para 64 o número de mortos pelas chuvas em Santa Catarina – a maioria por soterramento - e mais de 44 mil desabrigados; desses, mais de 14 mil estão em abrigos mantidos pelo Estado, principalmente nas cidade de Blumenau e Itajaí. O prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinübing, decretou estado de calamidade pública na cidade.

O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, decretou situação de emergência em todo o Estado e destacou que esta é a pior tragédia climática da história catarinense. Em 1983, as chuvas no Estado deixaram 49 mortos. Em relato ao secretário nacional de Defesa Civil, Roberto Costa Guimarães, Silveira informou que a enchente atinge um universo de mais de 1,5 milhão de pessoas, entre desabrigados, ilhados e vítimas de falta de água ou de gás.

O governo federal colocou à disposição todos os suprimentos necessários - o mesmo ocorreu com o Exército e com governadores do Sul e do Sudeste. O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acertar uma medida provisória que vai destinar recursos para o socorro das vítimas. As principais estradas que fazem a ligação com o Rio Grande do Sul estão bloqueadas por barreiras e oito cidades estão isoladas.

Falta água em Florianópolis e a chuva danificou o gasoduto Brasil-Bolívia, afetando o abastecimento no Estado e no Rio Grande do Sul. A Defesa Civil de Blumenau alertou para a possibilidade de novos deslizamentos e desmoronamentos no município.

Recorde

As chuvas dos últimos dias quebraram todos os recordes nas estações climáticas catarinenses - foi o maior volume registrado para o mês de novembro desde que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) começou a fazer medições em Florianópolis, em 1961. Técnicos do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Ciram) de Santa Catarina se mostraram surpresos.

"Superou nossos piores prognósticos. Esperávamos chuvas de 100, 150 mm por dia nesta semana, mas em grande parte das cidades do vale do rio Itajaí-Açu e do litoral norte catarinense choveu entre 200 e 250 mm", afirma o meteorologista Marcelo Martins. Em Blumenau, uma das cidades mais atingidas, choveu neste mês o equivalente a quase oito vezes a média histórica na cidade - até o fim da tarde de ontem, havia chovido 866 mm, ante 110,4 mm de média histórica. Em Joinville, no norte do Estado, o volume de chuva chegou a 869,6 mm, enquanto a média histórica é 214,5 mm de precipitação.

Trégua

A chuva em Santa Catarina deve continuar durante todo o dia de hoje, perdendo força somente amanhã. "O mau tempo é resultado de uma frente estacionária na Bahia e no Espírito Santo, brecada por uma massa de ar quente do Nordeste que não deixa o sistema de alta pressão evoluir para o oceano, mantendo as chuvas em Santa Catarina", diz o meteorologista Marcelo Martins, do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Ciram).

As pancadas de chuva estão previstas para todo o litoral norte, alto Vale do Itajaí e Florianópolis - justamente os locais mais prejudicados até o momento. Mesmo que a chuva dê trégua, a partir de amanhã, o meteorologista diz que a situação continuará de perigo no Estado. "Deve haver ressaca no litoral, o que evita o escoamento das águas dos rios para o mar, mantendo locais ainda alagados. Ventos entre 50 e 70 km/h na quinta (27) e na sexta-feira (28) também são motivo de preocupação", diz Martins. "Devemos nos manter alertas por pelo menos mais cinco dias."

Governo federal oferece ajuda

BRASÍLIA - Depois de conversar com o presidente Lula durante reunião ministerial na Granja do Torto, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, embarcou para Santa Catarina para verificar de perto a situação das enchentes no Sul do País e oferecer ajuda do governo federal ao governador do estado. Além da ajuda financeira e outras que forem necessárias, o governo está colocando à disposição também as Forças Armadas, como aviões da Força Aérea, para ajudar no que for preciso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem um minuto de silêncio pelos mortos nas enchentes em Santa Catarina, ao final de um evento sobre aprendizagem industrial, em Brasília, no início da noite. Ele observou que o País acompanha "com tristeza" as notícias das mais de 50 pessoas que já morreram no Estado.

Várias rodovias estão interditadas

CURITIBA - O trecho da BR-376 entre o Paraná e Santa Catarina, principal ligação entre Curitiba e Florianópolis, voltou a ser interditado nos dois sentidos durante a manhã de ontem, em razão de nova queda de barreira entre os quilômetros 684 e 685, no Município de Guaratuba. Durante o fim de semana, a rodovia já esteve fechada, mas foi liberada na tarde do último domingo. Como não há previsão de liberação, a orientação para quem precisa ir a Santa Catarina é para que faça desvio pela BR-116 até Agudos do Sul (PR) e, dali, acessar a BR-101.

Várias rodovias federais continuavam interditadas ontem por causa de deslizamentos causados pelas chuvas que atingem o Estado de Santa Catarina, segundo informações da Polícia Rodoviária Federal. Na BR-101, vários trechos estão bloqueados, um deles em Palhoça, no km 235, na região de Morro dos Cavalos. A pista seguia interditada desde a noite do último sábado, sem desvios. Em Itajaí, o trecho da pista no km 113 estava alagado pelo transbordamento do Rio Itajaí-Açú, ontem. Não há desvio.

Em Piçarras, no kKm 99, a pista foi alagada pelo transbordamento do Rio Piçarras, no sentido norte. Há um desvio na altura do km 105, pelo Município de Penha. Em Gaspar, nos quilômetros 33 e 41, a rodovia BR-470 também está interditada nos dois sentidos desde a tarde de sábado. Ontem, vários pontos da rodovia foram alagados pelo transbordamento do Rio Itajaí-Açú entre os municípios de Gaspar e Blumenau.

Em Águas Mornas, no km 31, um deslizamento de terra na madrugada de ontem interditou totalmente a pista no sentido interior do estado na rodovia BR-282 e não há desvio. No mesmo município, no km 43, detritos caíram sobre a pista durante a madrugada, interditando o trecho. Não há desvios e o tráfego passa em meia pista.