12 novembro 2008

Sipam lança projetos em Roraima



Desembarcam hoje, em Boa Vista, o gerente do Centro Regional do Sipam em Manaus (AM), Bruno Monteiro, e a coordenadora operacional, Solange Costa, que estarão no Estado até o dia 14 realizando visitas a diversos órgãos municipais e estaduais.

A gerência estará reunida junto ao Instituto de Terras e Colonização de Roraima (Iteraima), a Secretaria de Planejamento (Seplan), Fundação do Meio Ambiente e Tecnologia (Femact-RR) e Secretaria da Articulação Municipal e Política Urbana, discutindo os programas SIPAMCidades, ProAE e Repig, a serem lançados no Estado.

A primeira reunião está marcada para ocorrer no Iteraima, às 16h30, onde os gerentes estarão reunidos com os representantes do órgão para apresentar a idéia que será implantada em Boa Vista e seus benefícios.

O SIPAM-Cidade é um programa de capacitação em geotecnologias para os gestores dos municípios da Amazônia Legal.

O curso consiste no treinamento no software TerraView, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e na disponibilização de base de dados cartográficos sobre cada município.

O serviço é gratuito e os prefeitos devem indicar dois representantes para participar. Através da capacitação, com o domínio em geoprocessamento, o município poderá gerar produtos específicos para a gestão municipal, como mapeamentos das vias de acesso e da infraestrutura urbana, mapeamentos ambientais (APPs, Reserva Legal), mapas para disposição de lixo e de aptidão agrícola.

A Rede de Processamento de Imagens e Informações Geográficas (REPIG) é um sistema virtual criado pelo Sistema de Proteção da Amazônia para contribuir com a organização e o armazenamento de informações referentes ao meio ambiente amazônico. Com a rede de comunicação do Sipam é feita a transmissão de dados e de informações de interesse da Amazônia.

A rede permite que os dados sejam compartilhados entre os governos municipais e estaduais da região composta por Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins.

A meta da Repig é utilizar informações das quais o Sipam dispõe, como as imagens SAR (Sinthetic Aperture Radar) e agregá-las a dados já pertencentes aos Estados, criando uma grande e consolidando a rede de processamento de imagens e de informações geográficas de toda a Amazônia.

Um dos objetivos é levantar e analisar dados e informações sobre projetos executados, em curso ou em planejamento na Amazônia Legal, de interesse do Sipam e dos governos estaduais, na área de geoprocessamento. Tais informações facilitarão tarefas como o controle de desmatamentos e de queimadas, execução de planos de desenvolvimento estaduais e municipais, sejam urbanos ou rurais, entre outros.

Outro programa previsto a ser implantado no Estado é o de Monitoramento de Áreas Especiais (Proae), que faz o levantamento do desmatamento em áreas de proteção. O programa utiliza dados do sensor "Thematic Mapper" a bordo do Satélite Landsat-5, os quais são complementados com as imagens dos sensores aeroembarcados, para a identificação de desmatamentos irregulares na Amazônia Legal.

Com o produto, são gerados relatórios contendo estimativas de áreas antropizadas, incluindo aquelas com extração seletiva de madeira em processo avançado e dados georreferenciados que são repassados para o planejamento das operações dos órgãos parceiros em suas ações fiscalizatórias.

Após a apresentação dos objetivos do Sipam em implantar os programas no Estado, que também é de responsabilidade do órgão, os gerentes pretendem voltar ao Amazonas com resultados satisfatórios e, até o fim do ano, começar a desenvolver as ações em Roraima.

SIPAM - O Sistema de Proteção da Amazônia, órgão vinculado à Presidência da República, foi criado para integrar informações e gerar conhecimento atualizado para articulação, planejamento e coordenação de ações globais de governo na Amazônia Legal, visando à proteção, inclusão social e desenvolvimento sustentável da região.

Nesse sentido, o sistema gera produtos e serviços de interesse estratégico das instituições governamentais e das comunidades amazônicas, usando como base os documentos produzidos nos Centros Técnicos e Operacionais de Belém (PA), Manaus e Porto Velho (RO). Os dados são avaliados, tratados, difundidos e integrados, transformando-se em informações seguras capazes de ampliar enormemente o conhecimento e orientar as políticas públicas para a região.

Chimpanzé 'adota' filhotes de tigre na Flórida

Macaca brinca, dorme e até oferece dedos para felinos usarem como chupeta.



No Jungle Park, na Flórida, uma chimpanzé adotou dois filhotes de tigre, recém-chegados de outro parque na Carolina do Sul.

Os pequenos Mitra e Shiva ainda não se adaptaram ao calor de Miami, e desde a sua chegada, encontraram na macaca Anjana uma espécie de mãe adotiva.

A treinadora China York conta que a chimpanzé oferece os próprios dedos para os tigres usarem como chupeta quando eles estão chorando e que os três bichos dormem e brincam juntos.

A expectativa é que o relacionamento especial entre a macaca e os tigres continue até que eles cresçam e se tornem perigosos demais para conviver com a chimpanzé.

Essa não foi a primeira vez que Anjana adota filhotes de outras espécies. Segundo a administração do parque Jungle Island, ela também já tratou de leõezinhos e de leopardos.

Japão ultrapassa novamente limites de emissões fixadas em Kioto



Tóquio - As emissões de gases do efeito estufa do Japão no último ano fiscal, que terminou em março, subiram ao recorde de 1,37 bilhão de toneladas de dióxido de carbono, superando os limites fixados pelo Protocolo de Kioto.

Segundo o relatório publicado hoje pelo Ministério do Meio Ambiente japonês e citado pela agência "Kyodo", esse aumento representa um valor 8,7% acima do nível de 1990, ano de referência marcado pelo Protocolo de Kioto.

Em relação ao ano fiscal anterior, as emissões de dióxido de carbono cresceram 2,3%, devido a um aumento nos trabalhos nas unidades de energia elétrica térmica, que emitem mais dióxido de carbono que as usinas hidrelétricas.

Outra razão foi a suspensão de uma unidade de energia nuclear em Niigata (noroeste do Japão) por causa de um terremoto em 2007, o que provocou um aumento das emissões de gases do efeito estufa no setor industrial, empresas e casas.

Por setores, nas casas japonesas, as emissões aumentaram 8,4%, diante do maior uso de ar condicionado no verão, e na área industrial aumentaram 3,6%.

O Protocolo de Kioto solicitava ao Japão que diminuísse suas emissões de gases do efeito estufa em 6% entre 2008 e 2012, comparado aos níveis de 1990.

Agricultura quer tornar lei ambiental mais "viável"



MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) propôs ontem que produtores rurais façam doações em dinheiro para um fundo ambiental como alternativa à recomposição da vegetação devastada em suas propriedades.

A proposta foi apresentada pelo ministro na primeira reunião técnica para discutir mudanças no Código Florestal. A lei proíbe a atividade agropecuária em parte das propriedades e é vista como um obstáculo ao agronegócio.

Segundo Stephanes, a legislação de proteção ambiental em vigor "tem pontos inviáveis". O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) concorda com a revisão do Código Florestal, mas ainda não deu aval a nenhuma mudança. Também participaram da reunião no Ministério da Agricultura o ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) e representantes do agronegócio, dos ambientalistas e congressistas.

Stephanes também formalizou uma proposta que permite aos Estados reduzirem de 80% para 50% a área protegida em propriedades na Amazônia, independentemente da existência de zoneamento econômico ecológico. Alega que o processo, coordenado pelo Meio Ambiente, é "extremamente moroso e complexo".

Outra medida já condenada por ambientalistas e levada pelo ministro à reunião é a compensação da reserva legal fora da bacia hidrográfica ou mesmo do Estado em que se localiza a propriedade rural. Stephanes defende a possibilidade de recompor áreas desmatadas ilegalmente com espécies exóticas. Os ambientalistas aceitam discutir essa proposta, desde que ela não alcance áreas de proteção permanente, como margens e nascentes de rios.

Temer é alvo de investigação no STF por crime ambiental

Deputado é suspeito de ter depredado área de reserva ecológica; ele nega acusações

Relatórios acusam ainda o congressista de recorrer a grileiros para aumentar suas posses; PF o convocará para prestar depoimento



ALAN GRIPP
ENVIADO ESPECIAL A ALTO PARAÍSO (GO)

Nome mais forte hoje para a sucessão da Presidência da Câmara, o deputado e presidente nacional do PMDB, Michel Temer (SP), é alvo de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) que investiga suposto crime ambiental e contém denúncias de que o parlamentar incorporou ao seu patrimônio terras fruto de grilagem.

Além disso, documentos da Agência Rural do Estado de Goiás acusam o deputado de tentar regularizar a propriedade com declarações falsas. As terras ficam em Alto Paraíso (GO), santuário ecológico.

Formalmente, o parlamentar é investigado no STF pela suspeita de ter depredado área de reserva ambiental ao construir uma estrada de acesso à sua propriedade, desmatando área protegida pelo Ibama. Mas há na investigação relatórios e testemunhos que o acusam de recorrer a grileiros e a servidores do governo de Goiás - mais tarde punidos - para obter títulos de propriedade e para tentar aumentar, sem sucesso, o tamanho de suas posses.

O deputado nega. Diz que as obras na estrada que corta a Reserva Particular de Proteção Natural (RPPN) Campo Grande são de responsabilidade da Prefeitura de Alto Paraíso. Alega ainda que o aumento da área adquirida por ele teve respaldo em medições técnicas legais.

Entre 2002 e 2003, Temer desistiu das terras. Depois da abertura de investigação pelo Ministério Público de Goiás, ele retirou a ação de usucapião, em que brigava para legalizar 2.500 hectares, e doou para a prefeitura a fazenda que já havia conseguido regularizar - esta com 452 hectares.

Apesar disso, o Ministério Público Federal entendeu que Temer pode ser responsabilizado caso sejam comprovadas as denúncias e enviou o caso ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. A pedido do procurador, o ministro do STF Joaquim Barbosa instaurou inquérito em agosto. A investigação está a cargo da Polícia Federal, que convocará o deputado para depor.

Em 2004, um auditoria determinada pelo então governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), apontou fraudes nos processos de regularização das posses de Temer. O documento revela que o procurador do Estado José Bonifácio, designado para atuar na demarcação de terras na região, foi o advogado de Temer nas ações para obtenção dos títulos de posse.

Segundo relatório da auditoria, feita pelo Gabinete de Controle Interno do governo de Goiás, Bonifácio redigiu um despacho informando que nas áreas pretendidas pelo deputado "não havia litígio de posse de terras", apesar de o próprio advogado ter auxiliado Temer na disputa com os posseiros.

Bonifácio também pediu à Agência Rural que designasse o perito judicial Alonso de Miranda para o processo de demarcação de terras da região. Miranda atuou ao lado de Alberto do Nascimento, então gerente do Departamento de Agrimensura do órgão. Segundo o Ministério Público, ambos são responsáveis por grilagem.

Temer e seu sobrinho, Luiz Antônio Schincariol, adquiriram a primeira posse em Alto Paraíso em 1989. De acordo com a auditoria, a escritura da propriedade indicava que ela tinha 726 hectares. Nove anos depois, Schincariol vendeu sua parte a Temer por R$ 339 mil. Nesta escritura de compra e venda, a fazenda foi descrita com 1.250 hectares.

No ano seguinte, na ação de usucapião, Temer disse ter direito a 2.500 hectares. Os peritos dizem que se trata de uma "descrição de área falsa e superdimensionada". Na mesma ação, Temer diz ter realizado benfeitorias inexistentes, entre elas uma sede. Ele reconhece que a obra não foi feita.

11 novembro 2008

Fogo destrói quase metade da Chapada Diamantina na BA

Gestores do Parque Nacional da Chapada Diamantina pedem que turistas evitem região até que situação esteja controlada

Focos simultâneos já atingiram 70 mil dos 150 mil hectares da unidade; incêndios são provocados por garimpeiros e agricultores



LUIZ FRANCISCO
EM SALVADOR

Focos de incêndio simultâneos destruíram cerca de 70 mil hectares do Parque Nacional da Chapada Diamantina, o equivalente a quase 50% da área da região (150 mil hectares), um dos maiores pólos turísticos da Bahia. A situação é tão crítica que o Corpo de Bombeiros e os gestores do parque pediram que os turistas evitem a região até que chova ou que os focos sejam controlados.

"A situação está fora de controle. Se não houver o reflorestamento, os danos ambientais serão irreversíveis", disse Christian Berlink, administrador do parque.

O incêndio tem origem criminosa - e o forte calor ajuda a propagar as chamas. Segundo bombeiros e voluntários que atuam no combate aos focos, agricultores e garimpeiros costumam provocar incêndios ao preparar a terra para plantações e escavações.

Levantamento parcial do Corpo de Bombeiros da Chapada revela que os primeiros focos surgiram há quase um mês, em 20 municípios que integram o parque ou seu entorno.

Nos últimos dias, porém, a ação do fogo foi mais intensa e esteve concentrada em 11 cidades, queimando casas, material de irrigação, cercas e animais.

"Existe um comprometimento geral do ecossistema da região. Já há animais mortos e outros certamente devem morrer de fome ou de sede", disse Cezar Gonçalves, analista do Instituto Chico Mendes.

De acordo com ele, o parque abriga 370 espécies de aves. "Como esta é uma época de reprodução, certamente dezenas de aves deixaram de nascer porque o fogo destruiu os ninhos, que geralmente estão localizados nas copas das árvores. Além disso, nossos técnicos constataram mortes de répteis e de mamíferos."

Desses 11 municípios, em cinco - Palmeiras, Lençóis, Andaraí, Mucugê e Ibicoara - a situação é de calamidade pública, segundo Gonçalves.

O combate às chamas está sendo feito por 192 pessoas - 150 bombeiros e voluntários e 42 moradores contratados, pois conhecem bem o parque. O efetivo conta ainda com quatro aviões pequenos, dois helicópteros e um Hércules da FAB (Força Aérea Brasileira).

Decreto autoriza destruição de cavernas

Nova legislação, promulgada ontem pelo Planalto, pode comprometer 70% das grutas do país, dizem ambientalistas

Considerada "absurda" por espeleólogos, norma resulta de dois anos de pressão de empresas; para governo, lei anterior não protegia nada



THIAGO REIS
MATHEUS PICHONELLI

O governo federal autorizou a destruição de cavernas no país. Decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicado ontem no "Diário Oficial da União" permite, a partir de agora, que milhares de grutas sofram "impactos negativos irreversíveis".

São cerca de 7.300 grutas identificadas no país. Antes, todas eram protegidas por lei. Com as mudanças na legislação, cavernas naturais passam a ser classificadas por quatro critérios de relevância: máximo, alto, médio e baixo.

Apenas as formações de "máxima relevância" deverão ser preservadas. As demais poderão ser eliminadas desde que haja autorização por parte de órgãos ambientais.

Pelos novos critérios, grutas com "alta relevância" poderão ser destruídas desde que o empreendedor se comprometa a preservar duas similares.

Para impactar formações com "média relevância", o empreendedor deverá adotar medidas e financiar ações que contribuam para a conservação e o uso adequado do "patrimônio espeleológico brasileiro".

Já cavernas com "baixo grau de relevância" poderão ser impactadas sem contrapartidas.

Criticada por ambientalistas, que prevêem a possibilidade de destruição de até 70% das formações brasileiras, a nova norma é resultado de quase dois anos de pressão de empresas, principalmente mineradoras e hidrelétricas -que vêem nas grutas um "empecilho" à expansão de empreendimentos.

Para o secretário-executivo da SBE (Sociedade Brasileira de Espeleologia), Marcelo Rasteiro, a nova lei é "absurda, horrível, lamentável".

Tempo recorde

A minuta, enviada há menos de um mês para a Casa Civil, gerou mobilização entre especialistas do setor. Em 15 dias, mais de 2.500 pessoas colocaram o nome em um abaixo-assinado e 164 entidades aderiram a um manifesto feito pela SBE para tentar barrar o projeto.

A Federação Espeleológica da América Latina e Caribe e associações de Colômbia, Argentina, Paraguai, México e Itália se pronunciaram contra o novo decreto no Brasil.

"O [ministro] Carlos Minc estava sabendo. Foi enviada também uma carta à Casa Civil e aos ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia pedindo que fosse aberto um canal de comunicação. Tudo isso foi ignorado. O governo não está ligando para o que pensa a sociedade", afirma Rasteiro.

O presidente do Instituto Chico Mendes, Rômulo Mello, afirma que houve discussões suficientes, mas que as entidades têm o direito de não concordarem com a versão final da proposta, já que nem todas as idéias discutidas poderiam ser contempladas no decreto.

Segundo ele, o decreto representa avanço porque, da forma como era antes, a lei "em tese, protegia tudo e, na prática, não protegia nada".

"Vamos ter algumas dificuldades para definir critérios, mas agora haverá mecanismos sobre compensações e ações de proteção das unidades", diz.

O ministério terá 60 dias para elaborar a metodologia para a classificação do grau de relevância das cavernas. Os estudos para definição da relevância serão pagos pelo empreendedor.

"Há anos que se discute como fazer a classificação de uma caverna e jamais se chegou a uma conclusão. O ministério vai ter 60 dias para fazer isso. É impossível. Nem os melhores técnicos serão capazes de fazer algo decente", diz Rasteiro.

Segundo ele, pontos importantes listados pelo Cecav (Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas) foram retirados do projeto final, como o que previa uma avaliação da importância do empreendimento. "A nova lei parte do princípio de que qualquer obra é mais relevante que qualquer caverna. Não há preocupação com o ambiente."

Mudança do clima, Estado e Prêmio Nobel

Não podemos controlar os fenômenos naturais, como a atividade solar. Assim, nos resta controlar os sociais, pelo princípio de precaução



LUIZ PINGUELLI ROSA

QUALQUER TEORIA é refutável, caso contrário, ela não é científica, segundo o filósofo da ciência Karl Popper. Mas o artigo de José Carlos Azevedo na Folha de 13/ 10 ("Qual temperatura?", "Tendências/Debates") cita o presidente da República Tcheca, que não tem base para refutar o aquecimento da Terra devido à emissão de gases para a atmosfera, como o CO2 da combustão de carvão, petróleo e gás natural.

O presidente tcheco, cristão-novo convertido ao capitalismo, ataca os ambientalistas em nome do mercado livre, que conduziu o mundo à crise financeira desencadeada nos EUA.

Paul Krugman, Nobel de Economia de 2008, critica essa ideologia. O controle da poluição também exige intervenção do Estado para regular a produção e o desperdício das camadas de maior renda. A Convenção do Clima da ONU foi ratificada pela quase totalidade dos Estados, mas o neoliberalismo radical de Bush o levou a não ratificar o Protocolo de Kyoto.

A relação que o artigo faz entre a origem do movimento ambientalista e o Estado nazista, com o argumento de que a expressão "meio ambiente" foi usada por um biólogo que era nazista, é ilógica. Seria o mesmo que associar ao nazismo as relações de incerteza da mecânica quântica só porque Heisenberg, que as formulou em 1927, tornou-se depois diretor de pesquisas no governo Hitler.

Azevedo considera o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, na siga em inglês) menos autorizado cientificamente que um grupo dissidente nos EUA. Entretanto, entre os autores do último relatório do IPCC está o Nobel de Química de 1995, Mário Molina, que convidei pouco antes de ser premiado pela teoria sobre os buracos na camada de ozônio no topo da atmosfera para um seminário no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.

Os dissidentes atribuem o aquecimento global aos raios cósmicos e à atividade solar. Mas isso está considerado no 4º relatório do IPCC, de 2007, como efeitos naturais, que não explicam quantitativamente a temperatura da Terra sem incluir a contribuição humana. Como não podemos controlar fenômenos naturais, nos resta controlar os sociais, pelo princípio de precaução.

O Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas contribui para a formulação de um plano de ação do governo, que inclui a redução do desmatamento, a maior fonte de CO2 no Brasil. Já para reduzir a atividade solar, não há o que fazer.

O artigo diz que efeitos naturais explicam o aquecimento global, mas afirma que não há como computar nem como medir a temperatura média da Terra. Ora, o que explicam, se nada pode ser previsto?

Embora a previsão do tempo só possa ser feita com margem de erro aceitável por curtos períodos, o estudo do clima não se confunde com a previsão meteorológica. Ele trata de médias estatísticas dos comportamentos possíveis da atmosfera em longos períodos, apesar de o tempo em um dia determinado ser imprevisível após poucas semanas, pois a atmosfera é um sistema caótico. O caos determinista, verificado por Lorenz nos anos 1960 na computação para a previsão do tempo, foi teorizado por Poincaré há mais de um século.

É complicada a determinação da temperatura média da Terra, e o artigo de Azevedo a ironiza ao falar no número de telefone médio, somando todos os números de um catálogo telefônico e dividindo a soma pela quantidade de telefones catalogados.

Isso não significa nada. Entretanto, podemos tomar os quatro primeiros dígitos, que codificam as estações por bairros. Se tomarmos telefones de duas estações do Rio - 2294 (Leblon) e 2596 (Engenho de Dentro) - e calcularmos a média somando todos os códigos dessas duas estações na lista, se ela for menor que (2294 + 2596)/2 = 2.445, então há mais telefones (fixos) na estação do Leblon do que na do Engenho de Dentro. Nesse caso, sim, a média dá uma informação.

A base da teoria do efeito estufa vem de Fourier, em 1824, e Arrhenius, em 1895. Sem ele, a Terra seria muito fria, logo foi benéfico à vida.

Mas o alto consumo de combustíveis fósseis tem aumentado a concentração de CO2 na atmosfera e o degelo de geleiras perenes indica que a intensificação do aquecimento global tornou-se maléfica.

LUIZ PINGUELLI ROSA , 66, físico, é diretor da Coppe-UFRJ (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro). Foi presidente da Eletrobrás (2003-2004).

10 novembro 2008

Carioca cria máquina de multiplicar célula-tronco

Tecnologia da UFRJ permitirá obter bilhões de células para uso em terapia

Método criado pelo grupo do biólogo Stevens Rehen usa esferas de açúcar para produzir duas vezes mais material pelo mesmo custo



EDUARDO GERAQUE
ENVIADO ESPECIAL AO RIO

Quando se trata de tentar curar doenças graves, não basta simplesmente obter uma linhagem de células-tronco embrionárias humanas - feito anunciado por pesquisadores brasileiros no mês passado. Como no futuro, em uma terapia, um paciente terá de receber 1 milhão de células por quilo de peso, criar uma maravilhosa máquina de multiplicação desse material celular nobre é mais do que fundamental.

Às margens da baía da Guanabara, pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) resolveram aceitar o desafio. E os resultados obtidos até agora permitem afirmar que não será por falta de células-tronco embrionárias humanas que as terapias - ou pelo menos os primeiros testes pré-clínicos - vão naufragar. Bilhões delas poderão ser obtidas pelo método brasileiro.

Para entrar na sala do biorreator fluminense, que fica na Coppe (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia) da UFRJ, todo o cuidado é pouco. O repórter teve de usar touca, luvas e máscara, além de vestir um avental e cobrir os sempre sujos sapatos.

O perigo que existe não é para as pessoas. Dentro da "sala limpa", como os cientistas chamam aquele espaço, mais purificado do que uma sala cirúrgica, o risco é de o material que está lá ser contaminado pelo que vem de fora.

Grosso modo, um biorreator é uma enorme placa de cultura onde um material biológico qualquer é produzido em grande escala. No caso das células-tronco, no biorreator elas recebem tudo de que precisam para se multiplicar: nutrientes, estímulos químicos e um substrato - um meio ao qual aderir.

O biorreator carioca é um gigantesco tubo de ensaio, que mais parece um balde, com capacidade para receber cinco litros de células-tronco embrionárias. Acoplado a ele está um computador, que permite que todos os ajustes ao equipamento sejam feitos à distância, sem que nenhum cientista precise pôr suas mãozinhas contaminadas sobre as frágeis células.

Mas o pulo do gato científico, como revela o engenheiro químico Paulo André Nóbrega Marinho, é praticamente invisível. Por causa de milhares microesferas de açúcar, o biorreator consegue produzir o dobro de células-tronco embrionárias pelo mesmo preço que o método convencional (que usa pequenos tubinhos de nove centímetros quadrados de área cada um). Cifras exatas ainda são muito difíceis de estimar.

Essas bolinhas, no tubo gigante, fazem aumentar a área disponível para a adesão das células. "Não fomos nós que criamos essas microesferas. Mas essa adaptação para as células-tronco embrionárias humanas só é feita aqui", afirma a química Aline Marie Fernandes.

A dupla de jovens doutorandos é orientada, respectivamente, por Leda Castilho (Coppe) e Stevens Rehen (Departamento de Anatomia).

"Com esses polímeros de açúcar, que são meio amassados, na verdade, existe mais espaço para as células aderirem ao substrato e crescerem", diz Marinho. Nas contas dele, o ganho total de área é expressivo. Em um grama de bolinhas - cada uma tem 0,2 milímetro de espessura - há uma superfície de 0,3 metro quadrado.

"O que significa que em todo o biorreator, que comporta 15 gramas de microesferas, existe uma área tridimensional para ser conquistada pelas colônias celulares de 4,5 metros quadrados", diz Marinho.