03 setembro 2008

Braskem e Josapar negociam parceria na produção de eletricidade a partir da casca de arroz



Jefferson Klein

A Braskem, maior empresa petroquímica brasileira, e a Josapar, líder nacional no mercado de arroz branco, avaliam a possibilidade de somar esforços para atuar na área de geração de energia. A primeira tem como principal interesse satisfazer as suas necessidades como uma das maiores consumidoras de eletricidade do País e, a segunda, gerar receita através de um subproduto de sua operação: a casca de arroz.

O diretor-adjunto de produção da Josapar, Carlos Soares Vianna, lembra que a companhia estuda a produção de energia com a casca de arroz desde meados da década de 1990. A empresa possui dois projetos sendo desenvolvidos no Rio Grande do Sul. As duas usinas, uma de 8 MW, em Pelotas, e a outra de 6 MW, em Itaqui, implicariam um investimento de cerca de 25 milhões de euros. Vianna acrescenta que é possível redimensionar os empreendimentos para que cada um alcance uma capacidade de até 10 MW.

A Josapar, inicialmente, pensou em executar os complexos sozinha, mas mudou o planejamento e agora busca uma parceria. A companhia mantém conversas neste sentido com a Braskem e Vianna afirma que é um processo que está evoluindo.

Na tarde de ontem, a Braskem promoveu, no Centro de Eventos do Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre, o seminário "Biomassa para a Geração de Energia", voltado para beneficiadores de arroz e de madeira do Rio Grande do Sul. O objetivo era avaliar o potencial que o Estado apresenta para o investimento em geração de energia através da biomassa (queima de matéria orgânica).

A Braskem contratou a empresa PTZ Bioenergy para assessorá-la nas avaliações de possíveis fornecedores de matéria-prima que sirva de combustível para termelétricas no Estado. Essas usinas, se confirmada a disponibilidade de biomassa, serão construídas pela Braskem ou por parcerias com outras companhias.

O diretor de Energia da Braskem, Marcos Vinicius Gusmão do Nascimento, informa que o número de termelétricas a serem implantadas depende de questões como viabilidade econômica e garantia de fornecimento de biomassa a longo prazo (algo superior a quinze anos). Em princípio, a energia produzida será destinada ao consumo das unidades da Braskem localizadas no Pólo Petroquímico de Triunfo. No entanto, como o sistema elétrico nacional é interligado, nada impede que a eletricidade seja encaminhada para fábricas situadas em outros estados.

Cinco municípios têm potencial para receber usinas

Cinco municípios já foram apontados como cidades que apresentam características que atendem às exigências: Pelotas, Itaqui, Dom Pedrito, Camaquã e São Borja. A Braskem tem como foco a construção de usinas de 10 MW a 12 MW de capacidade. Essas estruturas precisarão contar com uma disponibilidade de 11 a 13 toneladas de casca de arroz por hora. Também será fundamental que o local de produção da biomassa fique a menos de 10 quilômetros da usina para não onerar demasiadamente o custo do transporte do insumo.

O diretor da PTZ Bioenergy, Ricardo Pretz, salienta que, com a presença de um grande investidor como a Braskem, será possível explorar de maneira mais diversificada a matriz energética do Rio Grande do Sul. Outro ponto abordado pelo diretor da PTZ Bioenergy, é que a ação permitirá resolver o problema ambiental que é a destinação dos resíduos de biomassa. A ação também contribuirá com a redução dos gases que provocam o efeito estufa e, por conseqüência, o aquecimento global. Esse reflexo possibilitará ao empreendedor da termelétrica alimentada com biomassa a se habilitar aos créditos de carbono.

Pretz acredita que o processo de avaliação e negociação de contratos entre Braskem e eventuais fornecedores deve levar cerca de 60 dias. A implantação de uma termelétrica de biomassa leva de 18 meses a 20 meses. Então, o dirigente prevê que as primeiras usinas resultantes dos acordos, se confirmados, poderão estar operando a partir de 2010. A estimativa é de que o Rio Grande do Sul, através da casca de arroz e resíduos de madeira, tenha um potencial de geração de energia de cerca de 200 MW (algo em torno de 6% da demanda média do Estado).

Consumo no País sobe 5,6% em agosto segundo o ONS

O consumo de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN) cresceu 5,6% em agosto deste ano, na comparação com o mesmo período de 2007, totalizando 52,630 mil megawatts (MW) médio, informou ontem o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Em relação a julho deste ano, a expansão foi de 2,3%. Com o resultado, no período acumulado dos últimos 12 meses até agosto, o operador apurou aumento de 4,2% no consumo do sistema.

De acordo com o ONS, o crescimento do consumo segue sob influência da expansão industrial, tendo em vista que o nível atual de utilização da capacidade instalada da indústria de transformação é da ordem de 83%. Segundo o ONS, esse comportamento é puxado pela demanda interna, por conta do aumento de renda das famílias e da expansão de crédito.

A expectativa do ONS é que este cenário continue, já que os indicadores mais recentes continuam a sinalizar perspectivas positivas para a economia brasileira. Além do fator econômico, o ONS disse que o crescimento do consumo de energia também foi influenciado por temperaturas mais elevadas nesta época do ano no Sul e no subsistema das regiões Sudeste e Centro-Oeste do País.

Entre as regiões, o consumo cresceu 6,7% no subsistema Sudeste e Centro-Oeste em agosto deste ano ante igual intervalo do ano passado, para 33,010 mil MW médios. No Sul, a expansão no período foi de 3,3%, para 8,5 mil MW médios. No Nordeste, o operador apurou alta de 4% no consumo, para 7,384 mil MW médios e, no Norte, o crescimento foi de 5,1%, para 3,736 mil MW.

01 setembro 2008

Quadrilhas usam táticas de tráfico de drogas para vender palmito ilegal em SP

Produto clandestino sai, em média, pela metade do preço do legalizado.

Esquema começa com a compra de potes de vidro que já foram usados.


Com informações do Fantástico

Quadrilhas usam táticas do tráfico de drogas para controlar a extração e o comércio de palmito na Mata Atlântica de São Paulo, área de preservação ambiental. O palmito clandestino, produzido sem preocupações com a higiene, é vendido em média pela metade do preço do legalizado.

O Fantástico acompanhou uma blitz da Polícia Ambiental no Parque Ecológico de Sete Barras, no Vale do Ribeira, em São Paulo. Perto de um córrego, sons de tiros são ouvidos. Ninguém se feriu e, com cautela, os policias seguiram para o lugar de onde partiu o disparo. Encontraram apenas um acampamento abandonado às pressas. “Eles agem em bando. Meia dúzia, dez, 12 pessoas”, diz um policial.

Segundo a polícia, grupos assim estão espalhados pelas reservas ambientais do Vale do Ribeira, uma área de cerca de 3 mil km², entre São Paulo e Paraná. O alvo dos criminosos são as palmeiras, uma espécie nativa da Mata Atlântica ameaçada de extinção. “A grande maioria dessas pessoas que se envolvem com a exploração clandestina do palmito tem antecedentes criminais”, afirma Milton Nomura, tenente-coronel da Polícia Ambiental. Do caule, as quadrilhas extraem o palmito juçara, considerado o mais saboroso de todos. Quem pratica esse crime ambiental pode ficar até cinco anos na cadeia. Todo mundo sabe, pouca gente respeita, admite um morador da região que produz o palmito clandestinamente. “Aqui, 99% das pessoas mexem com isso”, diz.

Sujeira

O esquema começa com a compra de potes de vidro que já foram usados e serão reaproveitados. A maioria está no meio da sujeira, em depósitos de lixo. “O pessoal costuma usar para palmito mesmo. Ninguém reclama”, conta uma vendedora dos potes.

Em uma casa em Juquiá, a 159 km de São Paulo, foram encontrados potes dentro de uma bacia com água suja. Assim o rótulo sai facilmente, explicou a mulher de um palmiteiro. “O vidro é lavado com detergente por dentro”, conta ela. Nas chamadas “fabriquetas”, o palmito extraído ilegalmente é preparado. A polícia ambiental destruiu o local, onde foram encontrados vidros que eles reaproveitam para colocar o palmito.

As quadrilhas fazem longas viagens pelo interior da floresta. Em vários pontos das reservas ambientais, só se chega de barco. O principal meio de transporte dos palmiteiros, no entanto, é o cavalo. No lombo dos animais, é possível encontrar embalagens contendo carne, carne seca e ração para o animal comer. Às vezes a trilha é de 8 a 10 horas de caminhada.

Na blitz, a polícia apreendeu espingardas e munição. Vários acampamentos foram derrubados, mas nenhum integrantes das quadrilhas foi preso. “Um dos nossos policiais ainda teve um contato visual, mas você pôde reparar na vegetação, como ela é densa. É muito fácil você se esconder e fugir”, disse um policial.

Em um dos casos, na pressa, os criminosos largaram o palmito juçara ainda cozinhando, dentro dos vidros. O produto é preparado sem as mínimas condições de higiene. “Após o cozimento, ele já é levado para algum barco e destinado ao consumo das pessoas”, alertou um policial.

O que também dificulta a prisão em flagrante, segundo a polícia, são os chamados olheiros. Eles ficam espalhados na mata e dão o alerta. Existem olheiros que andam com radiocomunicadores - uma estratégia comum entre traficantes de drogas. A polícia interceptou várias conversas dos palmiteiros sobre uma possível apreensão.

Um guarda florestal, que tem medo de se identificar, foi ferido num ataque de palmiteiros, em maio deste ano. “Eles estão mais organizados porque, no meio desses palmiteiros, tem pessoas grandes no meio”, disse. O palmito clandestino é vendido, em média, pela metade do preço do legalizado. E clientes não faltam, diz o negociador de uma quadrilha. “Saem mais ou menos umas trezentas caixas, de 15 em 15 dias”, afirmou. Isso representa cerca de seis toneladas por mês. Para a venda, eles imprimem rótulos falsos.

Vítima das quadrilhas

O dono de uma empresa legalizada, que distribui palmito em conserva para todo o Brasil, diz que já foi vítima das quadrilhas que agem no Vale do Ribeira. Os criminosos chegaram a falsificar o rótulo com a marca da empresa dele para comercializar o palmito extraído de forma ilegal. “Até devolveram carga de produto nosso achando que nosso palmito era clandestino. Teve um prejuízo grande”, disse.

A fábrica vende palmito pupunha - que sai de plantações legalizadas e não de reservas de Mata Atlântica, como as quadrilhas fazem com o juçara. “Um apelo que a gente faz aqui, que as fábricas idôneas fazem, é você não parar de consumir o palmito. Só que tem que saber a procedência desse palmito”, afirmou.

Por R$ 7,69, é possível comprar em supermercado de Registro, a 188 km de São Paulo, um vidro de palmito. A tampa foi pintada e tem marcas de ferrugem. Quem liga para o número do telefone que consta no rótulo descobre a fraude.

“Há cerca de 7, 8 anos ligam pra minha casa como se fosse atendimento ao consumidor dessa fábrica de palmito”, disse o dono de um canil em Belém do Pará, a mais de 3 mil km do Vale do Ribeira. Ele conta que já ouviu muita reclamação sobre o palmito clandestino.

Apreensão na Régis

Um carregamento de meia tonelada que ia para Taboão da Serra, na Grande São Paulo, foi apreendido na sexta-feira passada na Rodovia Régis Bittencourt, em Registro. A polícia ambiental apreendeu o carro e estipulou o valor da multa em R$ 20 mil. No laboratório, ficou constatado que o produto não seguia os critérios de higiene. A análise apontou até alimento estragado.

Na delegacia, o palmiteiro foi liberado sem pagar nada, mesmo admitindo que já tinha feito duas entregas para o mesmo receptador. “Eu diria para você que alguns restaurantes e algumas pizzarias possam estar fazendo uso desse tipo de produto, porque o consumidor não tem qualquer indicador nessas circunstâncias”, diz o tenente-coronel Milton Nomura.

No ano passado, Luiz Alberto comeu pizza de palmito e teve botulismo. Por causa da intoxicação - que é provocada por uma bactéria e pode até matar - o adolescente ficou dois meses no hospital. As autoridades recomendam que o consumidor preste muita atenção na embalagem e prefira estabelecimentos de credibilidade comprovada.

E, na dúvida, a dica é só comer palmito que tenha sido fervido por pelo menos 15 minutos. “Descaracteriza um pouco aquele palmito bonito que nós conhecemos, mas é a garantia de que não teremos a bactéria no momento de consumir”, diz Maria Cecília Martins Brito, diretora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Esses grupos estão se articulando para colocar um produto clandestino no mercado e atentar cada vez mais contra a saúde pública do consumidor”, diz Nomura. O promotor do meio ambiente José Roberto Fumach Júnior diz que o Ministério Público pretende localizar e apontar os transportadores desses produtos ilegais.

Mordida venenosa leva colecionador de cobras à prisão

Homem tinha 51 répteis peçonhentos em seu apartamento. Eles ficavam em caixas, sem autorização.


Uma mordida quase fatal de cobra venenosa levou um homem à prisão na quarta-feira (27), acusado de manter 51 desses répteis, todos peçonhentos, em seu apartamento em Tóquio. Segundo a polícia, a coleção ilícita – que incluía serpentes extremamente venenosas – foi descoberta quando Nobukazu Kashiwagi, 41, ligou para uma ambulância, depois de ser mordido no dedo. O acidente aconteceu, segundo a polícia de Tóquio, quando Kashiwagi tentava alimentar o réptil em meados de julho. Ele ficou em estado grave durante semanas em um hospital, mas depois se recuperou. Quando teve alta, ele foi detido. Kashiwagi não tinha permissão para as cobras em sua casa e a polícia não soube informar se as serpentes foram retiradas do local. Um vídeo da rede NHK mostrou que as caixas com todos os répteis ficavam empilhadas no pequeno apartamento do homem.

Pavor de furacão nos EUA

Quase 2 milhões de pessoas deixaram suas casas com a chegada do ‘Gustav’



NOVA ORLEANS - O furacão ‘Gustav’, que deixou pelo menos 96 mortos no Caribe, acelerou ontem sua trajetória em direção à costa do Golfo do México e deve atingir hoje, com poderosos ventos, a Louisiana, nos EUA. Cerca de 1,9 milhão de pessoas já fugiram do estado, abandonando suas casas. ‘Gustav’ avança como furacão de categoria 3 na escala de intensidade Saffir-Simpson, que vai de 1 a 5.

Na cidade de Nova Orleans, em Louisiana, devastada pelo furacão ‘Katrina’ em 29 de agosto de 2005, havia ontem à noite menos de 10 mil pessoas ainda em suas residências. O presidente dos EUA, George W. Bush, decretou estado de emergência nos dois estados que estão na rota do ‘Gustav’ — Louisiana e Texas.

O governador da Louisiana, Bob Jindal, pediu à população que vive no litoral para deixar a região, e garantiu que 50 mil soldados da Guarda Nacional protegerão os bens dos cidadãos. O governo contratou 400 ônibus para facilitar a evacuação. O prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin, disse que “não haverá tolerância para os saqueadores, e qualquer pessoa irá diretamente à prisão”. Na cidade está em vigor um toque de recolher, que se estende até o amanhecer.

Em Cuba, o furacão passou no sábado, com ventos de 240 km/h, provocando chuvas torrenciais e enchentes. Cerca de 300 mil pessoas deixaram suas casas. Os 96 óbitos foram na República Dominicana, Haiti e Jamaica.

Republicanos suspendem convenção

O Partido Republicano dos Estados Unidos , que estava com sua convenção marcada para hoje, em St. Paul, Minnesota, suspendeu todas as atividades previstas, menos as estritamente necessárias para poder nomear oficialmente o candidato John McCain à Casa Branca. O presidente dos EUA, George W. Bush, que participaria do evento, viajará hoje ao Texas, onde visitará o centro de operações que coordena os trabalhos de emergência em resposta ao furacão, e prometeu ir a Louisiana quando as condições permitirem.

Elefante-marinho é sedado em Sepetiba e solto na restinga de Marambaia



Natalia von Korsch

Rio - A saga do elefante-marinho que sexta-feira encalhou na Praia de Sepetiba teve final feliz. O animal foi resgatado da varanda de uma casa no bairro da Zona Oeste, com saída para a baía, e foi solto na Restinga da Marambaia, por volta das 18h30. De lá, a expectativa é que ele volte sozinho para sua região natural, no Sul da Argentina.

Agitado e contrariado com a multidão que se aglomerava para ver a espécie rara no Brasil — e maior que o leão-marinho, a mais conhecida —, o animal precisou ser anestesiado para ser retirado da casa. A operação-resgate durou cinco horas e foi dificultada pelo tamanho do filhote, com idade aproximada de um ano: ele pesa cerca de 700 kg e mede 2,3 m.

Dois veterinários, um biólogo e três tratadores do Zoológico do Rio fizeram o transporte, auxiliados por 20 bombeiros dos grupamentos marítimos de Sepetiba e Barra. Uma balsa levou o animal da varanda ao cais do Iate Clube de Sepetiba, de onde foi içado pelo caminhão do zoológico e transportado até as areias da Marambaia.

Apelidado de Leona pelos donos da casa onde passou as últimas duas noites, o animal viveu dia de popstar. Munidos de celulares com câmera e máquinas fotográficas, moradores de Sepetiba e curiosos acompanharam tudo de perto e chegaram a bater palmas quando o bicho, enfim, foi retirado pelo caminhão.

“Há dois dias ele vinha aqui para dormir, por volta das 18h, e saía de dia para o mar. Depois que se espalhou a notícia, toda hora tinha alguém em casa para ver de perto. Ele é muito dócil, virou nosso bicho de estimação. É pena ter que deixá-lo ir embora, já fazia parte da família”, disse a bióloga Ana Maria Dias, 40 anos, que ‘hospedou’ Leona em sua varanda.

Em 10 anos, esse é o primeiro animal da espécie que aparece no litoral do Rio. A última vez que um elefante-marinho foi resgatado pelo zoológico foi em 1998, em Búzios. Dois anos antes, outro tinha aparecido em Paquetá.