09 agosto 2008

Batiscafos russos tripulados atingiram o fundo do lago Baical



Dois batiscafos russos tripulados Mir-1 e Mir-2 atingiram ontem (29) pela primeira vez o fundo do lago siberiano Baical e que acolha aquinta parte das reservas de água doce do planeta. Os pequenos submarinos desceram 1.680 metros e é a profundidade maior do lago . O Baical abriga mais de 1.700 espécies endémicas conhecidas de animais e plantas.

Os mergulhos fazem parte de uma expedição científica. Cientistas pretendem colher amostras da água e do solo . Cada um dos batiscafos conta com a tripulação de três pessoas. Os Mires regressaram à superfície após três horas debaixo de água .

Anatoly Sagalevich, chefe da expedição, disse que a missão terá um total de 60 mergulhos. Ao término do trabalho, os organizadores elaborarão uma lista de recomendações com o objetivo de preservar o Lago Baical, declarado Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Em agosto do ano passado, os minissubmarinos "Mir-1" e Mir-2" ganharam notoriedade por uma expedição ao fundo do Pólo Norte. Na ocasião, os organizadores levaram uma cápsula de titânio com a bandeira da Rússia ao fundo do Oceano Ártico, numa reivindicação simbólica do leito marinho.

Achada a serpente mais pequena do mundo



Um grupo de cientistas identificaram a serpente mais pequena do mundo, um réptil de cerca de 10 centímetros de largura e tão fina como um “espagetti” que foi encontrada em baixo de uma pedra na ilha caribenha de Barbados.

A Nova espécie , chamada Leptotyhlops carlae, é mais pequena entre quaisquer das 3.100 espécies de serpente conhecidas, segundo a bióloga Blair Hedges, da Universidad de Pennsylvania, quem também colaborou nas buscas da rã e do lagarto mais pequenos do mundo.

Tem um cor entre marrom escuro e cinzento com duas raias amarelos , segundo a cientista. A serpente não venenosa come termitas e lavas, não há conhecimentos sobre seu comportamento, segundo a publicação científica em Zootaxa.

PEV: Contaminação nuclear em França deve fazer-nos reflectir


Partido Ecologista “Os Verdes”

63 anos após o rebentamento da bomba nuclear em Nagasaki (data que se assinala amanhã), a Humanidade ainda não retirou os ensinamentos necessários da terrível tragédia e a corrida ao armamento nuclear continua a ser uma realidade no nosso planeta, o que nos faz correr riscos mesmo em tempo de paz.

Exemplo disso é a actual situação de contaminação radioactiva que está a ocorrer à volta do Sitio nuclear de Tricastin, na região do Vale do Ródano em França. Hoje, tudo leva a crer que a contaminação radioactiva dos lençóis freáticos que foi agora detectada e que está, para já, a afectar quatro concelhos, não tem como única origem o acidente ocorrido no passado mês de Julho, com uma fuga que levou ao despejo de urânio no meio ambiente. As entidades de segurança nuclear francesa suspeitam que esta contaminação é muito mais alargada e antiga e que tem também como proveniência os resíduos radioactivos de origem militar ali depositados.

Esta ocorrência está a preocupar grandemente a população que, por enquanto, desconhece os danos que pode ter sido causados à sua saúde, que se vê privada do abastecimento de água e que vê ameaçada a actividade agrícola dominante na região.

Esta situação é, não só demonstrativa da perigosidade da energia nuclear, seja ela para fins energéticos ou militares, como também do facto de serem muitos os países que continuam a investir neste armamento, entre eles a França, pondo em perigo o meio ambiente e a humanidade.

“Os Verdes” consideram que esta data é mais uma oportunidade para alertar a Humanidade para os perigos do nuclear e reafirmam mais uma vez a sua oposição total a esta opção.

Consideram ainda que Portugal deve continuar a recusar este caminho tanto a nível energético como militar. O nosso país deve, isso sim, empenhar-se no seio da União Europeia, para que os investimentos nesta área sejam canalizados para a pesquisa no sentido de se encontrar uma solução para a mitigação dos riscos dos resíduos radioactivos hoje existentes no planeta (muitos dos quais estão muito perto de nós, em Espanha), para o encerramento progressivo das centrais existentes e para um empenho mundial na paz e no desmantelamento progressivo do armamento.

04 agosto 2008

Brasil pesquisa OURO, DIAMANTE e FOSFATO no MAR

Brasil vai pesquisar OURO e DIAMANTE no MAR


Luciana Collet

São Paulo, 28 de Julho de 2008 - Em tempos de alta dos preços das commodities metálicas, projetos antes inviáveis tornam-se cada vez mais competitivos e a busca por novas reservas é mais agressiva. Por isso, a pesquisa da geologia Marinha e os projetos para exploração de recursos minerais no mar, que há algum tempo poderiam ser considerados quimeras de Julio Verne, em seu "20 mil Léguas Submarinas", hoje são assunto de grandes companhias e nações desenvolvidas e envolvem milhões de dólares.

Atualmente são estudadas, prospectadas e até exploradas formações geológicas que podem apresentar reservas significativas de metais como cobre, zinco, chumbo, ouro e prata. Além disso, em algumas regiões do planeta areias, cascalhos, carvão e diamantes já são produzidos a partir de depósitos no leito marinho. No Reino Unido, por exemplo, cerca de 25% da produção de areia e cascalho é feita no mar; no Japão, 30% do carvão é proveniente de jazimentos submarinos. Diamantes são retirados das praias da África do Sul e da Namíbia, consideradas as áreas Marinhas mais ricas na pedra preciosa.

Milhas e milhas distantes

No Brasil, porém, o recurso mineral que há anos vem sendo estudado no território marítimo e hoje já conta com bom volume de produção é o petróleo. Pouco se conhece sobre o potencial geológico marinho do Brasil. E o País não possui sequer produção de areia e cascalho, que poderia ser utilizada para a recuperação de praias erodidas e principalmente para abastecer a indústria da construção, que sabidamente possui um déficit de alguns insumos, como areia e cascalho.

Mas, a situação está mudando, pelo menos no ponto de vista da pesquisa. Atualmente diversos estudos sobre a geologia Marinha brasileira estão em andamento, projetos que já têm aprovados R$ 4,5 milhões em recursos e para os quais já foram solicitados, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mais entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões.

A tarefa está a cargo do Sistema Geológico do Brasil - também chamado de Companhia de Pesquisa em Recursos Minerais (CPRM), empresa pública, vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME). A idéia, segundo revelou o diretor-presidente da CPRM, Agamenon Sérgio Lucas Dantas, é estudar o potencial de exploração especialmente de rochas polimetálicas (em que estão presentes depósitos de metais não ferrosos como cobalto, manganês e níquel), granulados marinhos e fosfolitos.

Não é exatamente a primeira vez que o Brasil tenta realizar esse estudo. Desde 2001 o MME tem planejado realizar a pesquisa do potencial mineral da plataforma continental e criou o "Programa de Avaliação da Potencialidade Mineral da Plataforma Continental Jurídica do Brasil (Remplac)", o que deveria levar cerca de 10 anos e estava orçado em aproximadamente R$ 900 milhões. No entanto, os custos exigidos contrastavam, e muito, com o orçamento disponível para o levantamento, de entre R$ 300 mil e R$ 400 mil por ano. "Era uma proposta muito ambiciosa, de um projeto completo, mas a um custo muito alto", afirmou Reinaldo Brito, chefe do departamento de recursos minerais do CRPM.

Projetos

Por isso hoje o órgão governamental passou a focar os esforços em alguns projetos principais em regiões específicas. O mais desenvolvido deles é o Projeto Granmar, de avaliação do potencial mineral dos granulados marinhos (para uso no combate à erosão das praias e insumos para a construção civil, como areia, sílica industrial e carbonato de cálcio), na plataforma continental rasa do Ceará, no qual devem ser gastos R$ 8,5 milhões até 2010.

Além disso, existem outros três projetos em andamento: o Projeto Ouro Viseu Carutapera, para avaliação do potencial mineral de ouro e metais pesados associados na plataforma continental Pará-Maranhão; o Projeto Diamante do Jequitinhonha, de estudo dos depósitos de diamantes na foz do Rio Jequitinhonha; e o Projeto Fosforita de Santa Catarina, que visa pesquisar depósitos de fosforita das bacias de Pelotas e Santos.

Os recursos já obtidos, dentro do Projeto Piloto de Investimento (PPI) foi aplicado em capacitação e aquisição de equipamentos, o que possibilitou o início dos programas. O orçamento para 2008 é de R$ 1,78 milhão.

Embora seja uma iniciativa importante e necessária, para estar à medida do possível pari passu com o desenvolvimento internacional da pesquisa e exploração Marinha, o Brasil ainda não possui sequer um mapeamento geológico mais detalhado de todo o território nacional emerso. "As pesquisas minerais Marinhas também são importantes do ponto de vista geopolítico", disse Brito. "Assim vamos nos credenciando também para ir para áreas marítimas internacionais."

De fato, já existem equipes internacionais que em consórcio realizam pesquisas nas chamadas áreas internacionais dos oceanos, que estão além dos limites da soberania nacional. São trabalhos para a exploração dos nódulos polimetálicos e existem contratos com seis investidores pioneiros, como Japão e Alemanha. "Seria interessante se o País pudesse colocar um pesquisador e ser sócio em uma rodada de pesquisa, mas para isso seria necessário colaborar com cerca de US$ 6 milhões", volume superior ao que o Brasil atualmente dispõe para toda a pesquisa da geologia marítima brasileira.

De qualquer forma, o País já solicitou algumas áreas internacionais situadas no Atlântico Sul, limítrofes à plataforma continental jurídica brasileira, onde há presença de sulfetos polimetálicos e crostas cobaltíferas.

Zoneamento da cana no país deve blindar Amazônia Legal


Mauro Zanatta, De Brasília

O levantamento das áreas de exclusão e de aptidão plena para o plantio de cana-de-açúcar no Brasil, com atenção especial para o cinturão de proteção da Amazônia Legal, identificou a existência de 30 milhões a 40 milhões de hectares de terras, preferencialmente ocupadas hoje por pastagens, como disponíveis e recomendadas para o cultivo de cana nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste.

O estudo do consórcio de cinco órgãos de pesquisa estatais, que será apresentado amanhã ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, sugere forte restrição a áreas com temperatura média anual abaixo de 19ºC e risco de geadas acima de 15%, apurou o Valor com secretarias estaduais com acesso aos dados.

A pesquisa sugere a exclusão de regiões com baixa deficiência hídrica, superior a 120 dias, no período entre setembro e março. O máximo de quebra de safra tolerada seria de 20% para variedades de cana com até cinco cortes. Por isso, os cientistas aconselham o governo a limitar o déficit hídrico a 200 ou 300 milímetros. O trabalho sugere ainda evitar recomendações em áreas com 90 dias sem excedente hídrico na época da colheita, além de desestimular incentivos em zonas de reservas florestais e beiras de rio. O governo deve aplicar como "filtro" os mapas de logística e hidrologia, ainda não considerados pela pesquisa.

Essas áreas de exclusão devem sofrer limitações de financiamento do BNDES à construção ou ampliação de usinas de etanol, restrições na concessão de crédito rural ao plantio de cana e a redução na cobertura de seguro oficial. A adoção de eventuais medidas dependem de uma negociação política com o Congresso Nacional e também estão condicionadas a um acordo entre os ministérios, sobretudo da Agricultura e do Meio Ambiente, além de um consenso com a equipe econômica do governo.

Se tornadas exigências legais pelo governo, as recomendações devem criar uma "blindagem técnica" para o cultivo da cana na Amazônia Legal, avaliam os especialistas. A região amazônica, e também algumas áreas de transição entre o Cerrado e a floresta, não combinam com as condições de solo e de chuva indicadas pelo consórcio composto por pesquisadores de Embrapa, IBGE, Unicamp, Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Para determinar essas variáveis, os cientistas adotaram oito tipos de mapas com informações sobre clima, solo, relevo e uso atual das áreas, além de dados do zoneamento agrícola, que usa o monitoramento de quatro mil pontos de chuvas nos últimos 20 anos.

O estudo do consórcio do zoneamento da cana recomenda a utilização de terras com declividade máxima de 12%. O objetivo é incentivar a mecanização e evitar o uso de queimadas nas futuras áreas de produção, condições impostas pelo Ministério do Meio Ambiente. As regiões mais favoráveis precisam ter média anual acima de 20ºC , produtividade superior a 60 toneladas de cana por hectare e risco de geada menor que 15%.

As recomendações, ainda sujeitas a injunções políticas no governo e no Congresso, exigem irrigação de "salvamento" (após o plantio) em áreas de Cerrado na linha acima de Goiânia (GO). As recomendações dos cientistas excluem, em uma avaliação técnica preliminar do trabalho, áreas dedicadas à produção intensiva de grãos, como as fronteiras agrícolas do sul do Maranhão e do Piauí, além do sudoeste de Goiás, onde existe forte resistência à expansão da cana. Em Tocantins, seriam não-recomendadas as zonas próximas à Ilha do Bananal. Em Mato Grosso, seriam desencorajados empreendimentos na região de Rondonópolis e no médio norte do Estado, onde estão Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum.

Os "incentivos" do governo na Amazônia Legal seriam para a região de Gurupi (TO) e no Vale do Araguaia (MT). Os estudos estimam que a cana poderia ocupar até 2 milhões dos atuais 5,6 milhões de hectares de pastagens de Tocantins. Em Mato Grosso, poderiam ser convertidos até 3 milhões dos atuais 15,6 milhões de hectares de pastos.

À exceção do litoral, o Estado de São Paulo, maior produtor nacional de cana, estaria totalmente apto a novos cultivos. Sobretudo a região de Araçatuba. A pesquisa estima um crescimento potencial de 30% a 40% em áreas hoje ocupadas por pastagem São Paulo. Outras áreas bastante promissoras, segundo o consórcio de pesquisadores, seriam o noroeste do Paraná, a região do chamada arenito cauiá, onde a cultura tem se adaptado facilmente. O norte do Rio Grande do Sul, o Triângulo Mineiro e o sul de Mato Grosso do Sul também seria zonas de alto potencial de solo, clima, relevo e uso atual para o plantio da cana.

INPE aponta redução no desmatamento na Amazônia



O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) confirmou ontem dados apresentados na segunda-feira pelo Ministério do Meio Ambiente que apontam queda de 20% no desmatamento na Amazônia Legal em junho em relação a maio.

Foram 870 quilômetros quadrados devastados em junho contra 1.096 quilômetros quadrados no mês anterior.

Os dados do sistema de satélites Deter - Detecção do Desmatamento em Tempo Real - divulgados ontem são significativos porque em junho os equipamentos puderam avaliar 72% da área da Amazônia.

O levantamento mostra também que Mato Grosso, apontado pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, como o responsável pela devastação, apresentou em junho uma redução de 70% quando comparado a maio. Do total de desmatamento detectado em junho, 197 quilômetros quadrados foram verificados naquele Estado contra 646 quilômetros quadrados no mês anterior. Já o Estado do Pará apresentou aumento de 91% na devastação - 499 quilômetros quadrados em junho ante 262 quilômetros quadrados em maio. Este acréscimo no Pará pode ser explicado, segundo o Inpe, pela maior capacidade de observação neste mês.

Instituto não-governamental apura aumento da devastação

Para o Imazon, instituto de pesquisa não-governamental dedicado a estudar a floresta, a devastação aumentou. Segundo a entidade, a perda foi equivalente a um campo de futebol e meio por minuto em junho, totalizando 612 quilômetros quadrados. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando a floresta perdeu 499 quilômetros quadrados, o desflorestamento foi 23% maior, de acordo o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon.

Os dados do Inpe costumam ser diferentes dos apurados pelo SAD porque o Imazon computa apenas o corte raso, em que toda a área é desmatada. Já o Inpe considera desmatamento a soma do corte raso com as áreas degradadas, em que ainda há floresta, apesar dos danos.

03 agosto 2008

Brasil é pioneiro no redesenho do mapa submarino junto à ONU



O Brasil tem uma extensão superior a 8,5 milhões de km² em terra e equivalente a 4,2 milhões de km² em mar, que abriga um potencial de riqueza tão grande quanto o anterior. Desde o ano passado, os livros didáticos estão autorizados a ensinar que o Brasil tem exatos 12,712 milhões de km², e não os apenas 8,5 milhões de km² informados às gerações anteriores, porque ampliou seu domínio marítimo.

Para conquistar este espaço de terra encharcada, o Brasil encaminhou em 2004 um pedido à ONU de extensão de sua plataforma continental. O país desenvolveu um minucioso trabalho de mapeamento científico da área a partir de um detalhamento feito pela Marinha durante 17 anos (de 1987 a 2004) com investimento de US$ 40 milhões – metade dos quais bancados pela Petrobras. No chamado Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira, navios da Marinha percorreram 230 mil km.

Três anos mais tarde, a ONU deu sinal verde para o Brasil incorporar, para além das 200 milhas náuticas, mais 712 mil km² de extensão da plataforma continental, acatando 80 % do seu pedido.

– O Brasil demonstrou seu firme propósito de ocupar e explorar, pacificamente, as áreas oceânicas do Atlântico Sul sob sua jurisdição – diz o comandante Alexandre Tagore.

Na área, correspondente ao tamanho dos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná, o país também já tem assegurada a soberania de exploração e aproveitamento de todos os recursos naturais do solo e do subsolo marinhos.

– É uma área bastante extensa e praticamente inexplorada, com exceção do petróleo – avalia o professor do Instituto Oceanográfico da USP Belmiro Mendes de Castro Filho, um dos coordenadores da pesquisa encomendada pelo governo.

No início do mês, o presidente Lula determinou a continuação dos trabalhos, o que deve resultar no envio de uma contraproposta do Brasil à CLPC relativa aos 20 % do pedido original rejeitado.

O comandante Tagore ratifica que "apesar das inúmeras atividades de pesquisa realizadas na área, nossa margem continental ainda precisa ser mais pesquisada e estudada":

– Além de petróleo e gás, os fundos marinhos da nossa plataforma continental poderão ser ricos em outros tipos de recursos, tais como nódulos polimetálicos, crostas cobaltíferas e sulfetos polimetálicos.

O Brasil foi o segundo país a pedir a ampliação de sua área de mar depois da Rússia – que não foi atendida por não ter a fronteira marítima bem delimitada. Depois do Brasil, Austrália, Irlanda, Nova Zelândia, França, Espanha, Reino Unido, Noruega, França, México, Barbados, Reino Unido e Indonésia pleitearam a expansão de seus mares.

O pioneirismo brasileiro deve-se ao fato de que "nossa margem continental é comprovadamente rica em petróleo e possivelmente em outros recursos minerais", diz Tagore:

– Além disso, estamos tratando da última fronteira do Estado brasileiro a ser estabelecida, razão pela qual a Marinha e demais entidades da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar envolvidas no tema engajaram-se decididamente desde o primeiro momento.

O senador Pedro Simon garante que "o Brasil vai lutar o máximo possível para defender sua soberania marítima":

– Nenhum país tem um estudo tão aprofundado como o Brasil, que tem tecnologia de ponta para explorar o fundo do mar.

Estatal vai cuidar do lixo nuclear

Programa prevê criação de empresa para gerenciar rejeitos radioativos, principal entrave à construção de Angra 3


Nicola Pamplona

O novo programa nuclear brasileiro, em estudo no governo, prevê a criação de uma estatal para gerenciar os rejeitos radioativos, que tem o nome provisório de Empresa Brasileira de Rejeitos. De acordo com técnicos do setor, a nova companhia poderia até vender o combustível nuclear utilizado nas usinas brasileiras para países que dominam a tecnologia de reprocessamento de rejeitos.

A questão dos rejeitos é o principal entrave colocado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) à construção de Angra 3, projeto com potência de 1,3 mil megawatts (MW), suspenso desde a década de 70. Na licença prévia emitida na quarta-feira, o IBAMA determinou que a Eletronuclear defina um destino definitivo para o combustível utilizado pelas usinas.

O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Odair Dias Gonçalves, porém, diz que a criação da nova estatal ainda depende de avaliação do governo e do Congresso e, por isso, não deve ser concluída no curto prazo. O novo programa nuclear brasileiro prevê a construção de até oito novas usinas no País, além da criação de uma agência reguladora do setor, e de medidas que envolvem outros usos da tecnologia nuclear. “Ainda não dá para ter uma solução definitiva, porque não temos a dimensão do que sairá do novo programa nuclear”, afirmou o executivo.

Atualmente, os rejeitos de alta radioatividade - ou seja, o combustível nuclear já utilizado – ficam armazenados em piscinas especialmente construídas dentro das usinas para este fim. As piscinas têm capacidade para armazenar todo o combustível utilizado durante a vida útil de uma usina.

O presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Francisco Rondinelli, diz que a solução é adotada em todo o mundo, enquanto as novas tecnologias de reprocessamento para geração de energia estão em desenvolvimento. O combustível nuclear sai da usina ainda com 40% da energia original, o que torna economicamente viável o reúso.

A França, por exemplo, é uma das pioneiras em pesquisas sobre o tema e recicla combustível nuclear nas unidades de reprocessamento em La Hague e Marcoulle. Mesmo assim, o país ainda discute o problema do destino definitivo dos rejeitos. O país estuda a construção de um depósito geológico em rochas de granito, onde os rejeitos de alta intensidade poderão ser armazenados definitivamente.

Enquanto não há decisão sobre o destino dos rejeitos brasileiros, a Cnen trabalha em um protótipo de estoque definitivo para o combustível nuclear usado. Segundo Gonçalves, o uso de cavernas em rochas de granito é uma das alternativas. O primeiro protótipo terá o formato de uma colméia forrada de aço, onde os elementos combustíveis poderão ser enfiados em casulos lacrados, e deve estar pronto em 2013.

Não há nenhuma definição, porém, sobre quando um depósito definitivo poderá entrar em operação nem sobre sua localização. Para Gonçalves, o governo tem tempo para tomar essas decisões, uma vez que as piscinas da central nuclear de Angra podem armazenar os rejeitos por, pelo menos, 40 anos. As novas usinas do programa nuclear, caso sejam construídas, também deverão ter piscinas para armazenagem temporária.

Em Angra, uma quarta piscina será construída, com investimentos de R$ 40 milhões, para ampliar a capacidade de armazenagem. Segundo fontes da empresa, o objetivo é garantir capacidade adicional para os rejeitos gerados pela extensão da vida útil das usinas. A Eletronuclear deve pedir, por exemplo, prorrogação do prazo de operações de Angra 1, hoje prevista para ser descomissionada 40 anos após o início das atividades.

A empresa estatal proposta pelos autores do programa nuclear seria responsável também pelo gerenciamento dos rejeitos de baixa e média densidades, como roupas e ferramentas usadas nas usinas nucleares e rejeitos hospitalares, por exemplo. A idéia é que a armazenagem e o transporte dos rejeitos sejam pagos pelos usuários dos serviços.

O novo programa nuclear brasileiro está sendo avaliado por um grupo formado por técnicos dos ministérios da Defesa, Fazenda, Minas e Energia, Planejamento, Casa Civil e Ciência e Tecnologia. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse na semana passada, porém, que o governo já planeja licitar novas usinas nucleares, que seriam construídas em parceria entre a Eletronuclear e a iniciativa privada, a partir do ano que vem.