23 maio 2008

Estudo no Canadá encontra "elo perdido" na evolução de rãs



O fóssil de um anfíbio que viveu há milhões de anos no Texas, nos Estados Unidos, é o elo perdido que demonstra que as rãs e as salamandras descendem dos temnospôndilos, uma espécie extinta, segundo um estudo da Universidade de Calgary (Canadá).

O exame e a descrição detalhada do fóssil do Gerobatrachus hottoni (rã maior de Hotton) colocam fim à principal polêmica sobre a evolução dos vertebrados, que se devia à falta de informação sobre formas de transição conhecidas.

"Este fóssil preenche esse vazio", diz Jason Anderson, professor da Faculdade de Veterinária da Universidade de Calgary e autor principal do estudo, publicado na última edição da revista científica britânica "Nature".

Anderson qualificou de "agridoce" a coincidência da descoberta com o Ano dos Rãs, convocado em 2008 pelos conservacionistas para alertar o mundo sobre desaparecimento de muitas espécies de rãs e outros anfíbios. Calcula-se que nas últimas décadas podem ter desaparecido 130 espécies devido à mudança climática, à poluição e aos efeitos mortais de um fungo quitrídio, que se alimenta da queratina da pele das rãs.

O fóssil, descoberto em 1995 no Texas, mas recuperado recentemente pela equipe de Anderson, tem a forma arcaica de um temnospôndilo, mas também traços das salamandras, rãs e sapos atuais. Isso permite compreender melhor a origem e a evolução dos anfíbios modernos.

Seu crânio, sua coluna e seus dentes mostram uma mistura de traços de rã - a larga forma do crânio - e salamandra - a fusão de dois ossos no tornozelo -, afirma o estudo.

O número de vértebras do fóssil é exatamente um intermediário entre a coluna das modernas rãs e salamandras e os anfíbios mais primitivos.

O fóssil, que data do período Permiano, há cerca de 250 milhões de anos e antes do aparecimento dos dinossauros, também esclarece outra controvérsia relativa à época na qual ambas as espécies evoluíram em dois grupos diferentes.

Com estes novos dados, tudo parece indicar que "as rãs e salamandras se separaram em algum momento há entre 240 e 275 milhões de anos, ou seja, muito antes do que sugeriam anteriores dados moleculares", segundo o co-autor do estudo, Robert Reisz, professor da Universidade de Toronto Mississauga.

11 tipos de tubarões correm risco de extinção, diz organização



A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês) advertiu nesta quinta-feira (22) que das 30 espécies de tubarões pelágicos - que vivem em alto mar -, 11 correm risco de extinção.

A vice-presidente do Grupo Especialista em Tubarões da IUCN, Sonja Fordham, apresentou em Bonn o estudo "Você pode nadar, mas não pode se esconder: o status global e a conservação dos tubarões pelágicos", dentro da 9ª Conferência das Partes (COP9) da Convenção de Diversidade Biológica da ONU.

O relatório, elaborado por 15 cientistas de 13 institutos de pesquisa, atribui este perigo de extinção tanto à pesca predatória em alto mar quanto à cada vez maior demanda de sopa de barbatana de tubarão nos países asiáticos.

"Apesar de crescerem as provas do aumento das ameaças contra estes espécies, não há limites internacionais para a pesca de tubarões oceânicos. Nossas investigações demonstram que é necessário agir em nível global se quisermos uma pesca sustentável", apontou Fordham.

O texto revela que a cada ano são comercializados no mundo 38 milhões de exemplares de tubarão, entre três e quatro vezes mais do que permite a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

O relatório tem como objeto de estudo 21 das 30 espécies de tubarões pelágicos, aqueles que nadam a menos de 200 metros da superfície e são mais suscetíveis de ser pescados.

A IUCN reivindica aos membros da conferência (189 países e a União Européia) que estabeleçam limites para a captura de tubarões atendendo a uma base científica e que acabem com as práticas pesqueiras exclusivamente destinadas a cortar as barbatanas do animal e devolver seu corpo morto ao mar.

O ministro do Meio Ambiente alemão, Sigmar Gabriel, advertiu na abertura da conferência, que termina no dia 30, que uma em cada três espécies marinhas corre risco de extinção e que, se continuar o atual ritmo de capturas, a pesca comercial será inviável a partir de 2050.

A Conferência das Partes é o órgão máximo da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), primeiro acordo mundial que aborda integralmente todos os aspectos da biodiversidade, desde recursos genéticos até espécies e ecossistemas.

ONU condena produção de biocombustíveis na Europa e EUA



A ONU condena a produção de biocombustíveis na Europa e nos Estados Unidos e pede o fim da expansão, investimentos e subsídios nos programas nesses países. O novo relator das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, Olivier de Shutter, apelou nesta quinta-feira (22) para que americanos e europeus abandonem suas metas de expansão do etanol como forma de ajudar a lidar com a crise na alta dos preços de alimentos. Para ele, ao abandonar as metas, o mundo estará mandando uma "mensagem forte" contra a especulação no setor de commodities. Quanto ao etanol brasileiro, o relator não o condenou, mas ainda quer informações da parte de especialistas para declará-lo como "inocente" na atual crise. "Estou aberto a um debate", afirmou o relator.

O apelo foi feito durante a reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas convocada por Cuba. Governos de todo o mundo discutiram a crise da alta dos preços de alimentos e aprovaram uma resolução enfraquecida que apenas pede que o combate à fome seja a prioridade de todos. O Brasil lamentou que não houve uma condenação mais dura contra os subsídios dos países ricos. Em seis meses, os preços dos alimentos aumentaram em mais de 50%, colocando 100 milhões na pobreza.

"Proponho o congelamento de todos os novos investimentos e subsídios favorecendo a produção de combustível com grãos plantados em terras aráveis quando essas terras poderiam ser usadas para a produção de alimentos", afirmou o relator, sem citar o nome de países. "O caminho em que estamos não é sustentável", afirmou.

"Não sou contra os agrocombustíveis. Sou consciente de que precisamos fazer uma diferenciação entre os produtos. Alguns podem representar uma ameaça maior que outros. Uma preocupação é com o etanol de milho subsidiado os Estados Unidos. Essa expansão teve impacto no preço do produto e na soja também, já que produtores americanos migraram para o milho para obter os subsídios", explicou Shutter.

Na Europa, a expansão também não seria sustentável. "O impacto pode ser dramático", afirmou. Ele também criticou a importação do etanol de óleo de palma da Ásia, que estaria destruindo florestas.

Por seus cálculos, os americanos já destinam 25% da produção de milho ao etanol em e, até 2020, a meta é de produzir 36 bilhões de galões do combustível. Na Europa, a meta é ter 10% dos carros movidos a etanol até 2020. "Essas metas são irrealistas. Se abandonarmos, estaremos mandando um sinal forte aos mercados de que os preços de alimentos não vão aumentar infinitamente, desencorajando a especulação", disse.

Sobre o etanol de cana no Brasil, Shutter admitiu que a situação é "diferente". Para ele, não se pode negar que a produção de um impacto social importante, gerando empregos no campo. "Muitos vivem disso", afirmou. Ele também admitiu que o etanol nacional pode ter um impacto ambiental positivo.

Mas alertou que ainda não está convencido de que a cana não representa uma ameaça. "Hoje, não se trata de uma ameaça como os demais. Mas não estou dizendo que não existe uma ameaça. Ainda pode ser um problema. Mas estou aberto à discussão", afirmou.

O Brasil aproveitou a reunião para defender o etanol. Ao terminar uma das reuniões, o embaixador do País na ONU, Sérgio Florêncio, foi até o relator e deixou claro que o País não estava de acordo com sua visão. "Não compartilhamos de sua avaliação", afirmou o diplomata ao relator. Ontem, o relator pediu novas informações ao Brasil. "Temos um amplo material e vamos encaminhar ao relator", afirmou Florêncio, destacando as vantagens ambientais do produto.

Essa não é a primeira disputa entre o Brasil e um alto funcionário das Nações Unidas. O ex-relator da ONU para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, já havia pedido uma interrupção na produção do etanol como uma das formas de evitar uma crise nos alimentos. Ele chegou a classificar o etanol como um "crime contra a humanidade", gerando respostas até do presidente Luis Inácio Lula da Silva.

A declaração exigiu do governo brasileiro um esforço diplomático para reverter os comentários. "Repudiamos as mais recentes declarações sem fundamentos do ex-relator da ONU", afirmou Florêncio em seu discurso de ontem. Para o Brasil, seria "simplista" apontar apenas um fator como causa da crise.

Já em seu discurso, Shutter afirmou que os "agrocombustíveis são um dos principais fatores levando a alta nos preços de commodities, diante da competição entre alimentos e combustível por terras aráveis".

Segundo ele, se os países ricos mantiverem suas metas de produção de etanol, o mundo precisaria de 100 milhões de hectares extras até 2015 para esse fim. "Esse seria mesmo volume de terras que a África perderá com a desertificação até 2015", disse.

Resolução - Diante do debate, a ONU aprovou uma resolução para pedir que os países coloquem o acesso aos alimentos como prioridade e que os governos priorizem o acesso à alimentação das crianças e de mulheres nessa crise. Para encontrar um consenso, porém, a medida não destaca a responsabilidade dos países ricos. Os governos das economias emergentes gostariam de ver um texto atacando os subsídios agrícolas e pedindo maior apoio aos países ricos maiores doações de recursos para lidar com a crise.

O Itamaraty ainda lamentou que os discursos dos demais países não atacaram de forma mais dura os subsídios. "Esse é um motivo real da alta nos preços", afirmou Florêncio.

Para a delegação do Reino Unido, o Conselho não tinha o mandato para tratar de outro aspecto da crise além da questão de direitos humanos.

Na resolução, proposta inicialmente por Cuba, as economias em desenvolvimento apenas pedem que os países abdiquem de medidas que possam distorcer o comércio mundial de commodities. A resolução ainda pede que a luta contra a fome seja a prioridade para todos os governos e que qualquer medida comercial tenha como ponto principal essa dimensão.

Alquimia moderna transforma lixo em energia



Não estamos falando de transformar chumbo em ouro, mas a General Electric está trabalhando em uma forma moderna de alquimia, a conversão de lixo em eletricidade.

A empresa, que planeja obter 25 bilhões de dólares anuais em vendas de suas divisões ecológicas, até 2010, está trabalhando para adaptar sua tecnologia de gaseificação, empregada para queimar carvão de modo menos poluente, à transformação de lixo urbano em um gás de queima relativamente limpa.

O processo toma material sólido e o aquece a temperaturas de até 1.400 graus, bem superiores às de um incinerador, e isso faz com que a maior parte da matéria adote o estado gasoso.

O gás resultante do processo é convertido em um combustível conhecido como syngas, em larga medida desprovido de poluentes, que pode ser utilizado para acionar uma turbina produtora de eletricidade.

Os materiais que não se convertem em gás, entre os quais alguns metais e minerais, adotam o estado líquido e, ao esfriar, se tornam "slag", uma substância estável semelhante à rocha. A estabilidade do slag significa que seu conteúdo não vaza para o ambiente, de modo que o material pode ser usado de maneira segura na indústria da construção.

O desafio agora é como transformar um processo utilizado com um insumo uniforme - carvão - e fazê-lo funcionar de maneira suave com a mistura de materiais que termina sendo criada nos depósitos de lixo.

"Estamos realmente nos esforçando para compreender a variabilidade que existe no lixo urbano sólido", disse Kelly Fletcher, líder de tecnologias avançadas de energia sustentável no centro de pesquisa da GE em Niskayuna, Nova York.

"Não estou tentando ser engraçadinha, mas o que entra como lixo sai como lixo", disse Kelly em entrevista por telefone. "Precisamos compreender o que realmente nosso sistema de gaseificação receberá em termos de alimentação."

Os grupos ecológicos há muito se opõem à incineração de lixo -processo que libera gases poluentes na atmosfera e cria cinzas que podem ser perigosas-, mas alguns deles estão abertos à idéia de gaseificar resíduo municipal sólido.

Mundo importará mais de US$ 1 trilhão em comida



Mesmo com uma supersafra, a alta nos preços dos alimentos fará com que o mundo tenha de importar mais de US$ 1 trilhão em alimentos em 2008. O alerta é da FAO que, em um relatório publicado ontem, revela que os preços dos alimentos não vão sofrer uma queda substancial e que um novo patamar foi estabelecido para os próximos anos. Na avaliação da entidade, o Brasil deve ganhar mercados em vários setores e se beneficiar da alta, como na venda de carnes e até no milho. Mas nem toda a inflação deve ter uma repercussão positiva para o Brasil, principalmente no que se refere ao trigo e arroz.

O novo patamar nos preços será mantido mesmo diante de uma projeção de produção recorde de alguns produtos, como os cereais. Algumas commodities tiveram seus preços reduzidos nas últimas semanas. Mas não voltarão aos níveis anteriores. De fato, desde fevereiro os preços médios têm se estabilizado em alguns setores. Mas o problema é que haviam sofrido uma alta de 53% nos quatro meses anteriores e as projeções são de que a pressão inflacionária poderia existir pelos próximos dez anos. Segundo a FAO, a supersafra de 2008 será registrada em vários setores.

Os americanos terão sua maior produção de trigo desde 1998, com um crescimento de 16%. A União Européia, que liberalizou sua produção, terá uma safra 13% maior. O plantio de arroz deve crescer em 2,3%. Ao contrário de 2007, haverá mais produção do que consumo de arroz, considerado como base da alimentação de cerca de metade da humanidade. Mas, diante das barreiras às exportações em vários países, a previsão é de que não haverá arroz suficiente no mercado internacional para derrubar a cotação, que teve alta de 71% no primeiro quadrimestre.

Para a FAO, portanto, o impacto da alta será significativo. Os países mais pobres terão de pagar US$ 169 bilhões neste ano para se alimentar, 40% a mais que em 2007 e quatro vezes mais que o que importaram em 2000. Para a entidade, a solução seria uma maior ajuda da comunidade internacional à essas economias. O pior, segundo a agência da ONU, é que essa alta não significa que vão comprar mais alimentos. Alguns estão até mesmo cortando as importações.

No total, o mundo gastará US$ 215 bilhões a mais neste ano que a conta da alimentação em 2007, uma alta de 26%. Grande parte dessa conta irá para pagar pelo arroz, trigo e óleos vegetais. Os três setores atingiram níveis recordes de preço. Só o arroz aumentou em 77% desde o final do ano passado, mesmo com a projeção de uma produção recorde. O trigo teve uma alta de 60% nos seus preços.

Os motivos são variados, incluindo a explosão nos preços dos fertilizantes, custo do frete que duplicou em alguns casos e a especulação. Esses fatores explicariam ainda a alta de 30% nos preços do açúcar e principalmente no comércio de milho, com até mesmo uma queda nas importações. Para a FAO, o cenário deve levar a um aumento da fome no mundo. "Alimentos não são mais baratos como foram", afirmou o diretor-assistente da FAO, Hafez Ghanem. Hoje, são 854 milhões de famintos no mundo, mas esse número deve aumentar. Para a ONU, a crise é a pior em mais de meio século.

22 maio 2008

Rio de Janeiro registra mais 10 mil casos de dengue em uma semana



Os últimos números da dengue no estado do Rio, divulgados na quarta-feira (21), apontam 155.985 casos da doença, 10.635 a mais que o registrado na última semana. O total de óbitos chega a 110, com outros 124 sob investigação. Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde.

O município do Rio lidera o ranking, com 84.131 casos, seguido por Angra dos Reis (10.652), Nova Iguaçu (10.054), Campos (7.094), Duque de Caxias (5.927) e Niterói (4.586). Quanto ao número de mortos, a cidade do Rio registra 66 vítimas, à frente de Duque de Caxias (11), Angra dos Reis (7), São João de Meriti (5) e Campos (5).

A comparação mensal mostra que o ritmo da doença vem declinando desde março, quando atingiu o pico de 63.196 casos, caindo para 40.364 em abril e chegando a 12.256 em três semanas de maio. Entre os fatores que contribuem para a diminuição do número de doentes estão as medidas de prevenção adotadas e a temperatura média mais baixa registrada no outono, que inibe o ciclo de reprodução do mosquito Aedes aegypti.

Dengue ataca células imunológicas, dizem cientistas de Taiwan



Pesquisadores de Taiwan descobriram que o vírus da dengue "seqüestra" uma molécula das células imunológicas, o que desencadeia a doença, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira, 21, pela revista científica britânica Nature.

O Brasil passa por um surto da doença febril provocada pelo vírus, que atinge 50 milhões de pessoas a cada ano, e cujo desenvolvimento ainda é pouco conhecido.

Cientistas da Universidade Nacional Yang-Ming de Taiwan descobriram que a molécula CLEC5A, presente nas células imunológicas, é o alvo do vírus da dengue. A ação do vírus sobre esta substância causa uma "liberação em massa" de citoquinas, que são poderosos agentes inflamatórios aos quais os pesquisadores atribuem a inflamação causada pela febre hemorrágica.

A equipe chegou a esta conclusão após utilizar anticorpos para bloquear a interação entre o vírus e a molécula CLEC5A em ratos de laboratório contaminados pela doença. Isto evitou a inflamação sem prejudicar a resposta imunológica normal à infecção do vírus e permitiu que 50% dos ratos se curassem da doença.

A possibilidade de controlar a inflamação e manter a imunidade contra o vírus abre novos caminhos para o desenvolvimento de remédios que atuem contra doenças deste tipo.

Os sintomas da dengue são febre alta, dor intensa nos músculos e nas articulações e inflamação dos gânglios linfáticos. O meio de contágio da doença, que atualmente não tem cura nem vacina disponível, são os mosquitos "Aedes aegypti" e "aedes albopictus".

Sua variedade hemorrágica é endêmica no Sudeste Asiático e em áreas do Pacífico Sul, e se encontra particularmente disseminada pelas grandes cidades.

Comunidade científica comemora aprovação de 'lei das cobaias'



A comunidade científica comemorou a aprovação na terça-feira (20) a aprovação, depois de 12 anos tramitando na Câmara dos Deputados, da Lei Arouca, que normatiza o uso de animais com fins de pesquisa e ensino. O representante regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Renato Cordeiro, diretor do Departamento de Fisiologia e Farmacodinâmica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) classificou a aprovação como "um salto de qualidade que traz uma certa tranqüilidade para as pesquisas, mesmo com o embate que ainda será travado no Senado."

Segundo ele, os pesquisadores fizeram um trabalho muito intenso, visitando líderes dos principais partidos. Mesmo assim, ficaram surpresos ao saberem na sexta-feira (16) passada que o projeto havia sido posto em pauta e seria votado na terça. O maior mérito da Lei Arouca, caso ela seja efetivamente sancionada, é a de que acabaria com projetos de leis municipais que tentam proibir a pesquisa em animais.

No Rio, um projeto de lei do vereador Claudio Cavalcanti (DEM) com essa proposta chegou a ser aprovado pela Câmara dos Vereadores, mas foi vetado pelo prefeito Cesar Maia (DEM). "Esses políticos usam a bandeira de protetores dos animais como plataforma para se elegerem, mas são conservadores e fundamentalistas. Apenas em pouquíssimos casos existem métodos alternativos de biologia celular", disse Cordeiro.

O vereador Claudio Cavalcanti, no entanto, disse que irá reapresentar seu projeto de lei que proíbe a pesquisa em animais. Segundo ele, enquanto a lei federal não tiver sido sancionada, não há nada que impeça sua aprovação.

"Rezamos para que o Senado reveja essa posição. É uma lei retrógrada, obscurantista e inútil. Nos Estados Unidos está acontecendo agora um congresso, que reúne os maiores cientistas do mundo, está buscando outras formas de se fazer pesquisa. Nada justifica a tortura", afirmou o deputado, sem saber detalhar quais seriam as alternativas à vivissecção.

O deputado federal Jorge Bittar homenageou Arouca pela lei, que obteve unanimidade na votação. "Arouca foi um grande brasileiro, sanitarista, cientista. Infelizmente, ele não está aqui para ver sua lei aprovada", disse Bittar. Para o deputado, trata-se de uma lei de extrema importância para a ciência nacional, que recentemente esteve ameaçada de levar à frente trabalhos fundamentais, inclusive em saúde pública, devido a projetos de lei municipais que não tinham boas resoluções quanto ao uso de animais em pesquisa.

União Européia chega a acordo para lei de 'crimes verdes'



A União Européia (UE) fez um acordo nesta quarta-feira (21) por uma lei para "crimes verdes", que fará com que poluição tóxica ou transporte ilegal de substâncias perigosas se torne um crime dentro do bloco.

A lei obrigará os 27 membros da UE a punirem como atos criminoso uma lista de nove ofensas que vão de causar danos a plantas ou animais protegidos até o comércio de ilegal de substâncias que destruam a camada de ozônio.

Entretanto, o projeto não determina punições padronizadas para cada crime, o que leva ambientalistas a duvidarem que vá ter muito impacto.

Os países da UE têm até dois anos para começarem a implementar a legislação, adotada por legisladores e embaixadores nesta quarta-feira, 21.

A Comissão Européia propôs originalmente sentenças entre cinco e dez anos de cadeia para os crimes ambientais mais graves, e multas de até um milhão de euros para as companhias envolvidas.

No entanto, a Suprema Corte do bloco determinou ao final do ano passado que a UE não poderia especificar o tipo nem o nível das sanções.

O texto menciona, agora, "punições criminais efetivas, proporcionais e dissuasivas", sem mais detalhes.

Fortaleza/CE registra tremores de terra após 27 anos



Moradores de alguns bairros de Fortaleza sentiram na quarta-feira (21) a terra tremer por alguns segundos. Não havia registros de tremores na capital cearense desde 1981.

De acordo com o Laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que monitora a Região Nordeste, os tremores podem ser reflexos dos abalos sentidos em Sobral, a 230 quilômetros de Fortaleza, onde foram verificados somente na quarta-feira três sismos no Distrito de Jordão. Sobral tem abalos desde o início do ano. Técnicos da UFRN anotaram mais de 700 tremores na região.

Novo presidente do Ibama quer acelerar licenciamentos



O novo presidente do Instituto Brasileira do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Roberto Messias, disse nesta quarta-feira (21) que enfrentará muitos desafios no cargo, mas garante "rapidez e eficiência" na questão do licenciamento ambiental. "Precisamos ser rápido sem perder a qualidade, seremos rápidos sim, eficiente. Estou preparando todo um projeto, que já havia sido pedido pela ex-ministra Marina Silva", disse em entrevista à rádio Eldorado.

Ambientalista, atual diretor de Licenciamento Ambiental do instituto, Messias deu sinais de que o governo não precisará se preocupar com a possibilidade de alguma grande obra prevista no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ficar paralisada por falta de licença ambiental. Ele disse que o Ibama será rigoroso, mas responsável.

Sobre o agronegócio e os transgênicos, Messias disse que a preocupação primordial é o Meio Ambiente. "Precisamos ter o meio ambiente protegido, agora se alguma adoção de mudança genética significar alguma ameaça, temos que tomar cuidado e não deixar", disse.

O geógrafo foi o primeiro nome da equipe da ex-ministra Marina Silva a ser convidado a ficar pelo novo ministro, que tomará posse no dia 27. Ao conversar com Messias, Minc disse que havia falado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a intenção de convidá-lo e Lula aplaudiu o gesto.

Cerca de 20 baleias aparecem mortas em praia do Senegal



As carcaças de 20 baleias apareceram em uma praia de Dacar no fim da noite de terça-feira (20). Moradores da região disseram ter visto cerca de cem desses animais mortos perto da costa.

Segundo testemunhas, as baleias foram chegando mais e mais perto da praia durante a noite. Na manhã desta quarta-feira (21) muitas delas estavam encalhadas. Um fotógrafo da Associated Press contou pelo menos 20 carcaças, cada uma delas do tamanho de um homem.

Crianças entraram na água, tentando espantar as outras baleias que se aproximavam da praia. Pescadores amarraram um cabo em um dos animais encalhados e usaram um barco para "guinchá-los" até o mar.

Quando muitas baleias já haviam morrido, crianças usaram as carcaças para brincar como escorregadores. Alguns moradores cortaram pedaços dos animais, para usar a gordura como óleo de massagem.

Não havia por enquanto comentários oficiais sobre o fato. Os habitantes da região afirmaram nunca ter presenciado algo do tipo.

Desmatamento volta a subir na Amazônia, alerta Minc



Os novos números sobre o desmatamento na Amazônia, que devem ser divulgados na segunda-feira (26), vão apontar um crescimento da derrubada de árvores na região, concentrado principalmente no Estado de Mato Grosso, informou nesta quarta-feira (21) o recém-indicado ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Ele rebateu declarações do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, contrário a ceder funcionários do Mato Grosso para integrar uma força nacional florestal. Minc afirmou que há "certo egoísmo" por parte de Maggi em relação ao assunto. "A partir de agora o Blairo Maggi não deve brigar comigo, deve brigar com o presidente Lula, que já bateu o martelo (sobre a criação da força nacional, que usará policiais dos Estados)", disse Minc.

Antes, ao ser indagado pela primeira vez sobre a declaração de Maggi, Minc brincou com os repórteres: "Vocês querem saber se o Blairo Maggi vai ser o comandante da minha força nacional florestal?". Ele deu as declarações na Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro. Minc adiantou que os dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) confirmam a continuidade do desmatamento. "Na próxima segunda-feira o Inpe vai divulgar uma nova estatística de desmatamento de terra. Vai ser um dado ruim, vai ser um dado de aumento, e para variar mais de 60 por cento em qual Estado? Quem sabe? Mato Grosso", disse Minc, um dia depois de o governador do Mato Grasso, Blairo Maggi, ter afirmado que não cederia policiais do Estado para a formação da Força Nacional Florestal, proposta por Minc.

"A partir de agora o Blairo não deve brigar comigo, deve brigar com o presidente Lula, que já bateu o martelo (para a criação da Força Nacional Florestal)", acrescentou Minc em entrevista coletiva na qual apresentou Marilene Ramos como sua sucessora na Secretaria do Ambiente do Rio de Janeiro.

O último levantamento do Inpe, divulgado em janeiro, revelou um crescimento no ritmo de destruição da Amazônia nos últimos cinco meses de 2007, pouco após o governo ter comemorado avanços da preservação da floresta. O desmatamento subiu de 234 quilômetros quadrados em agosto de 2007 para 948 quilômetros quadrados em dezembro. Segundo o governo, a cifra é quatro vezes superior à do mesmo período de 2004. Dezenove municípios do Mato Grosso estavam no grupo dos 36 que mais desmataram na segunda metade do ano passado.

Agronegócio - Minc prometeu encontrar formas de dialogar com os plantadores de soja da região, que são apontados por ambientalistas como responsáveis por parte do desmatamento da floresta. "Vamos ter dois caminhos para conversar bem com o agronegócio. O zoneamento econômico-ecológico - o setor mais avançado do agronegócio quer o zoneamento - e o outro é tratar diferentemente os setores mais avançados e o setor atrasadíssimo, que está convertendo a Amazônia em pasto. Tira árvore, põe o gado e depois planta sua sojinha por aqui e por ali", afirmou Minc, que antes de ser confirmado ministro declarou que Maggi plantaria soja até nos andes.

O novo ministro, que prometeu não trocar o tradicional colete por terno e gravata em Brasília, anunciou ainda um projeto de compensação energética, que será sancionado pelo governador Sérgio Cabral nas próximas semanas e já teria sido aprovado pelo presidente Lula no encontro desta semana com Minc.

Para uma determinada quantidade de energia proveniente de matriz fóssil, a indústria seria responsável por arcar com uma geração de energia renovável, de acordo com o ministro. "O presidente adorou a idéia. O objetivo não é inviabilizar os projetos, as energias alternativas são geralmente mais caras. Se você errar a mão, não dá certo", afirmou Minc, que toma posse na terça-feira (27). Minc também se declarou contrário à geração de energia nuclear, mas reconheceu que, sendo do governo, "não sou uma pessoa que acha que deva impor ao presidente e a todos os ministros todas as minhas posições."