28 janeiro 2008

Grupo diz ter feito primeiro genoma artificial


EDUARDO GERAQUE
DA REPORTAGEM LOCAL

Nesta toada, a criação de um organismo artificial poderá chegar antes de que se tenha um marco legal definido para tratar do assunto.

Hoje, na revista "Science", a equipe do empresário-pesquisador Craig Venter, seis meses depois do primeiro passo, mostra que é possível sintetizar um genoma em laboratório. Mas ainda falta fazê-lo funcionar dentro de um organismo, o que não será nada fácil.

A busca por esse terceiro passo corre em paralelo com a preocupação de muitos cientistas. Para esse outro grupo, misturar nanotecnologia e biologia pode trazer vários riscos, que estão sendo negligenciados.

"Trata-se de um grande avanço tecnológico, uma vez que os DNAs sintéticos obtidos até então eram de no máximo 32 mil pares de bases", disse à Folha o biólogo Arnaldo Zaha, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

O genoma artificial da bactéria Mycoplasma genitalium, microrganismo sexualmente transmissível que infecta homens e mulheres, tem 582.970 pares de bases (número de duplas dos "tijolos" essenciais do DNA, a adenina, a timina, a citosina e a guanina, conhecidas pelas siglas A, T, C e G).

No ano passado, em junho, o Instituto J. Craig Venter, em Maryland (EUA), havia conseguido transplantar um genoma. Eles usaram duas espécies diferentes do mesmo gênero Mycoplasma no experimento.

"Possivelmente eles vão usar esse transplante para testar o genoma sintético", afirma Zaha, que coordenou um projeto genoma de bactéria no Brasil.