11 janeiro 2008

Morre homem com suspeita de febre amarela no DF



Brasília (DF) - Um paciente internado com suspeita de febre amarela morreu hoje em Brasília (DF), segundo a Globonews. O estado de saúde dele era considerado muito grave. O homem pode ter contraído o vírus da doença em Pirenópolis, em Goiás.

O Ministério da Saúde mantém o alerta para possíveis casos de febre amarela no Distrito Federal e em Goiás. Nesses dois locais, a vacinação foi intensificada e 300 mil doses extras de vacina reforçaram os estoques da região Centro-Oeste.

Na manhã de hoje, os secretários de Saúde de Goiás, Carlos Alberto de Freitas, e do Distrito Federal, José Geraldo Maciel, se reuniram com o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério, Gerson Penna.

07 janeiro 2008

Boeing pode adotar biocombustíveis nos aviões em até 10 anos


Os biocombustíveis poderiam ser usados na aviação comercial em um prazo de cinco a dez anos, o que levaria o transporte aéreo a reduzir em 50% as emissões de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera. A informação foi fornecida nesta segunda-feira (29) por Bill Glover, diretor-geral de Estratégia para o Meio Ambiente da americana Boeing.

Segundo Glover, em 2008 serão realizados os primeiros testes do uso de biocombustíveis em aviões, e, dependendo de seus resultados, a disponibilidade comercial demoraria de cinco a dez anos.

A idéia é começar com uma mistura de biocombustíveis e combustível normal em um percentual pequeno, que aumentaria progressivamente, explicou Glover. Ele admitiu que a possibilidade de usar apenas biocombustíveis é uma visão "muito otimista".

Custos

O representante da Boeing afirmou que o objetivo da companhia é fazer com que o uso de biocombustíveis nos aviões não acarrete custo adicional para os usuários. No entanto, inicialmente serão necessários recursos para cobrir o investimento que precisará ser feito.

O transporte aéreo é responsável por 1,5% das emissões de CO2 dos Estados-membros da UE (União Européia), segundo dados de 2006, contra 52,8% do transporte rodoviário, ressaltou Glover.

Ele afirmou que um carro híbrido com dois ocupantes consome em média três litros de combustível por quilômetro e passageiro, enquanto um avião (com uma média de ocupação de 80%) não chega a esse patamar.

No momento, a Boeing trabalha para obter biocombustíveis a partir de algas.

A empresa também faz estudos no campo de células a combustível que usam uma reação de oxigênio e hidrogênio para fornecer energia elétrica sem poluir. A tecnologia ainda não é usada na aviação comercial.

Cupim pode salvar álcool à base de celulose, diz estudo


O intestino do cupim pode parecer um lugar estranho para procurar uma solução para a crise energética do mundo, mas cientistas acreditam que lá pode estar a chave para melhorar e baratear os biocombustíveis.

As bactérias presentes em seu organismo, e que permitem que eles digiram celulose, podem vir a ser usadas no futuro como agentes bioquímicos para transformar madeira em biocombustível, afirma estudo na "Nature".

"O intestino dos cupins é minúsculo, mas funciona como um bioreator de uma eficácia surpreendente", disse à France Presse Andreas Brune, do instituto Max Planck de microbiologia terrestre em Marburg, na Alemanha.

Os trabalhos sobre o metagenoma dos cupins Nasutitermes, ou seja, a análise genética das células microbianas presentes em seu intestino, permitiu a constatação da presença de inúmeras bactérias responsáveis pela hidrólise da celulose e do xilênio, dois polímeros que podem ser utilizados para fabricar biocombustíveis.

"O meio microbiano do intestino dos cupins pode, teoricamente, transformar uma folha de papel A4 em dois litros de hidrogênio", acrescentou Brune, detalhando que a "biodiversidade e a bioquímica ainda pouco exploradas do intestino dos cupins é uma fonte promissora de novas capacidades catalíticas".

O estudo é "a primeira análise global de um sistema microbiano especializado na transformação da lignocelulose vegetal", afirmaram seus autores, entre eles Falk Warneke do Joint Genome Institute americano.

Biocombustível pode ser sujo, diz estudo


EDUARDO GERAQUE

Os biocombustíveis não são sempre melhores que os combustíveis fósseis em termos ambientais. A tese, defendida por uma dupla de pesquisadores do Instituto Smithsonian, na sua base no Panamá, inclui inclusive os produtos feitos no Brasil, seja a partir de cana-de-açúcar ou de soja.

"O álcool de cana-de-açúcar produz até 60% menos gases de efeito estufa, mas causa impactos ambientais bem maiores do que a gasolina se outros parâmetros forem considerados", afirma à Folha o pesquisador William Laurance, um dos autores do comentário sobre os biocombustíveis publicado na edição desta semana da revista científica "Science".

A revisão tem como base principal um estudo divulgado no ano passado na Suíça, feito com apoio estatal. A pesquisa analisou 26 tipos de biocombustíveis feitos no mundo. De um lado, ela mostrou que 21 deles reduzem em mais de 30%, na comparação com a gasolina, as emissões de gases que contribuem para o efeito estufa. Porém 12 são mais nocivos para o ambiente do que os combustíveis fósseis.

"Incluído o álcool de milho dos Estados Unidos e o de cana-de-açúcar do Brasil. Além do biodiesel, tanto o brasileiro, de soja, quanto o da Malásia, de palma", diz Laurance, que já trabalhou no Brasil, em Manaus, no Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).

Sobre a cana-de-açúcar e a soja, apesar de o discurso oficial do governo brasileiro negar que estas monoculturas vão tirar o espaço de outras lavouras ou ainda causar mais desmatamento no cerrado ou na floresta amazônica, as críticas são várias, segundo Laurance.

Soja é pior

"A produção de cana-de-açúcar usa muita água e ainda provoca a poluição dos rios próximos", explica o pesquisador. "Os fertilizantes nitrogenados usados em grandes quantidades nas plantações, após serem quebrados em óxidos de nitrogênio, também vão afetar a camada de ozônio".

Para Laurance, também não é verdade que a cana não contribui em nada para o aumento do efeito estufa. "Isso ocorre, normalmente, quando os campos são queimados".

Mas, no caso da soja, que também é produzida com a ajuda de fertilizantes com nitrogênio, a situação pode ser considerada ainda pior. "A soja [grão que esta semana atingiu um preço recorde no mercado internacional] é atualmente pior do que a cana-de-açúcar".

Para Laurance, essa cultura é a principal protagonista do desmatamento na Amazônia. "O que torna ela mais poluente que a própria gasolina em termos de gases que contribuem para o efeito estufa".

Preços altos

A análise da dupla do Smithsonian também menciona um outro fator, nem sempre considerado segundo eles, quando se fala das vantagens dos biocombustíveis mundiais.

"A produção de combustível, seja de soja ou de cana, também causa um aumento no custo dos alimentos, tanto de forma direta quanto indireta. O preço do açúcar também está muito alto porque muitos produtores brasileiros estão produzindo apenas álcool".

Tanto o estudo original, feito pelo governo da Suíça, quanto a revisão da dupla dos Estados Unidos não condenam a produção dos biocombustíveis, mas defendem que as grandes estratégias de produção dos governos sejam feitas de forma mais seletiva. E que certificados internacionais para os produtos feitos a partir de biomassa sejam costurados com urgência.

Um dos exemplos de política errada, segundo Laurance, vêm do próprio Estados Unidos. "Os subsídios multibilionários para a produção de milho parecem ser incentivos perversos, se eles forem analisados sob uma perspectiva racional de custo-benefício ambiental".

Israel detecta vírus H5N1 da gripe aviária em zoológico



Israel admitiu nesta quinta-feira (3) ter detectado o vírus H5N1 da gripe aviária, letal para as aves e potencialmente mortal para o homem, em um jardim zoológico de uma cidade do norte do país.

Segundo o ministério da Agricultura, 18 aves morreram no pequeno jardim zoológico de uma escola infantil na localidade de Byniamina, ao norte de Tel Aviv.

Uma análise confirmou que os animais carregavam o vírus H5N1, informou o ministério em um comunicado, no qual explica ter ordenado o sacrifício de todas as aves granjeiras em um raio de três quilômetros ao redor de Byniamina.

Em março de 2006, a União Européia proibiu a importação de aves granjeiras vivas, carne de ave e ovos procedentes de Israel, onde vários exemplares contraíram o vírus H5N1, a cepa mais contagiosa da gripe aviária.

Casos de dengue no Rio de Janeiro dobram em 2007



O número de casos de dengue no Estado do Rio de Janeiro dobrou em 2007 em segundo a Secretaria da Saúde do Estado. Ao todo, foram 60.647 casos contra 31.054 no ano anterior.

A maior concentração de casos ocorreu na região metropolitana, no norte e no noroeste do Estado. Também aumentaram os casos em áreas antes eram consideradas de pouca incidência, como a região serrana.

De acordo com o superintendente estadual de Vigilância em Saúde do Rio, Victor Berbara, o Estado teve 29 mortes causadas pela doença no ano passado - 13 na capital -, incluindo as causadas pelo tipo hemorrágico. "O número não é alarmante, mas é alto", avaliou Berbara.

"O objetivo é manter em números aceitáveis o nível de ocorrências. As condições demográficas e climáticas no Estado favorecem a proliferação do mosquito transmissor. Então, existe a possibilidade de termos surtos e epidemias, mas buscamos diminuir a letalidade", afirmou Berbara.

Vida passou por explosão evolutiva há 570 milhões de anos, diz estudo



Os animais mais esquisitos e mais antigos da história da Terra representam uma espécie de Big Bang evolutivo, durante o qual os seres vivos desenvolveram grande variedade de formas num intervalo relativamente muito curto de tempo. Essa é a principal conclusão de um estudo feito nos Estados Unidos, que teve a coragem de tentar achar alguma lógica nessas bizarrices da evolução, como a criatura abaixo.

Os animais em questão são conhecidos pelo apelido coletivo de fauna de Ediacara. Com uma aparência muito distante da grande maioria dos bichos atuais (podem lembrar vagamente águas-vivas, mas muitas vezes assumem formas que mais parecem folhas, sacos e outros objetos ainda mais abstratos), esses seres surgiram por volta de 570 milhões de anos atrás. Ao que tudo indica, desapareceram algumas dezenas de milhões de anos mais tarde e não deixaram descendentes.

Acredita-se que os verdadeiros ancestrais das espécies modernas surgiram justamente após o declínio da fauna de Ediacara, há 530 milhões de anos. E teriam dado as caras "de repente", pelo menos em termos geológicos. O processo teria sido tão rápido que foi apelidado de Explosão Cambriana: em poucos milhões de anos, surgiram todas as formas básicas de corpos que os animais adotam até hoje, incluindo a que daria origem a vertebrados como o homem.

Explosão anterior - No novo estudo, publicado na revista americana "Science", o trio coordenado por Shuhai Xiao, do Instituto Politécnico da Virgínia, analisou de forma quantitativa as espécies da fauna de Ediacara conhecidas até hoje. A idéia era avaliar o "morfoespaço" ocupado por elas - ou seja, qual é a verdadeira variedade de formas representada por todos esses seres antigos. Seria mais ou menos como pegar um pardal e uma lagosta para ter uma idéia da variedade de formas possíveis entre os animais de hoje.

Parece complicado, mas há maneiras matematicamente precisas de fazer isso. E a surpresa é a seguinte: comparando as espécies existentes durante os 40 milhões de anos da fauna de Ediacara, eles descobriram que o "morfoespaço" continuou sendo mais ou menos o mesmo ao longo de todo esse tempo. Ou seja: as criaturas já surgiram com uma variedade significativa de formas, que se manteve mais ou menos constante nos milhões de anos seguintes.

Por isso, os cientistas propõem que houve, antes da Explosão Cambriana, um outro Big Bang evolutivo, apelidado por eles de Explosão de Avalon (nome dado à primeira fase da fauna de Ediacara). Agora, porém, resta saber que condições ambientais foram responsáveis por favorecer esse desenvolvimento explosivo da vida, o qual, ironicamente, acabou não tendo sucesso no fim das contas.

Detran controlará emissão de gases poluentes nos veículos do RJ



Neste ano, para serem aprovados na vistoria anual do Departamento de Trânsito (Detran) do Rio, 1,6 milhão de veículos (carros, ônibus e motos) deverão estar dentro dos limites de emissão de gases poluentes.

O Rio é o primeiro estado a adotar a medida. Anteriormente, a vistoria não reprovava os veículos por esse motivo.

O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, estima que 25% da frota esteja irregular em relação a emissão de gases, sendo responsável por 77% do total de poluentes emitidos para atmosfera no estado.

Os veículos reprovados pelo Detran podem ficar sem o documento de licenciamento anual. Caso sejam parados em blitzes, podem pagar multa de R$ 191,62 e até ter o carro apreendido.

A vistoria do Detran será feita, inicialmente, nos postos de Santa Luzia, Ceasa, São Gonçalo e Belford Roxo (região metropolitana). Caso seja constatada alguma irregularidade, o motorista poderá fazer uma nova vistoria em 30 dias.

Turquia proíbe fumar em lugares públicos



O Parlamento turco aprovou nesta quinta-feira (3) uma lei que proíbe fumar em bares e restaurantes, uma revolução em um dos países do mundo onde mais se fuma.

A lei, que entrará em vigor quatro meses depois de ter sido aprovada pelo presidente, prevê um período de transição de 18 meses para os cafés, bares e restaurantes.

A nova lei, defendida pelo Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, no poder), do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, um grande adversário do tabagismo, prevê altas multas para os estabelecimentos que não cumprirem a medida.

A lei também proíbe fumar em repartições públicas, escritórios, shopping centers, escolas, estádios e hospitais.

Os fumantes inveterados só serão autorizados a acender seus cigarros em alguns quartos de hotéis ou em locais criados em hospitais psiquiátricos, asilos ou prisões.

Os organizadores de eventos esportivos ou musicais poderão criar áreas para fumantes.

Cerca de 60% dos homens e 20% das mulheres fumam na Turquia.

Jacarés albinos são furtados de zoológico no Mato Grosso



Sete filhotes de jacarés albinos foram furtados do zoológico da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), em Cuiabá, durante o feriado Réveillon. O dia exato do crime ainda não foi determinado.

"Na segunda-feira (31) eles foram tratados, a água foi trocada e estavam todos no recinto", relata o biólogo Itamar Assumpção, gerente em exercício do zoológico. Assumpção acredita que o crime tenha ocorrido entre segunda e terça ou entre terça e quarta.

Os sete filhotes furtados fazia parte de um grupo de oito animais. Um dos filhotes foi deixado no local pelos ladrões.

No zoológico ainda restaram seis animais semelhantes, mas de outra ninhada. "Acompanho há dez anos esse trabalho e estamos todos aqui chocados com essa situação", diz o biólogo. "Nesses período foi investido muito esforço e conseguiu-se separar as matrizes desses animais com o mesmo tipo de gene, o que é muito difícil", avalia.

Segundo a própria instituição, a UFMT é a única universidade que mantém um zoológico e conseguiu reproduzir jacarés albinos em cativeiro. "Há quatro anos esses animais estão tendo ninhadas de filhotes com albinismo total ou parcial", diz a UFMT em nota. O zoológico da instituição tem 700 animais de 80 espécies diferentes.

Cobra é operada após engolir 4 bolas de golfe



Uma cobra foi operada na Austrália após engolir quatro bolas de golfe. O incidente ocorreu depois que um casal da cidade de Nobbys Creek colocou as bolas em ninhos no galinheiro para incentivar a produção de ovos.

O casal notou que as bolas haviam sumido e só entendeu o que tinha acontecido quando achou a cobra próxima ao local.

O réptil, que mede 80 cm e é de uma espécie não venenosa, foi levado ao Santuário Currubim Wildlife, importante centro de pesquisa e conservação do país.

O veterinário que realizou a cirurgia, Michael Pyne, ficou surpreso com o acontecimento.

"São as primeiras bolas de golfe que nós precisamos retirar de um animal. A cobra pensou que estava fazendo um lanche de graça, mas não foi bem isso que aconteceu", disse. O animal está se recuperando e passa bem.

Borboleta induz formiga a cuidar de seus filhotes



Lagartas de uma espécie de borboleta azul têm um disfarce que faz com que formigas operárias se dediquem a alimentá-las, acreditando que são larvas de formiga, diz um artigo publicado na edição desta semana da revista Science.

Pesquisadores do Centro de Evolução Social da Universidade de Copenhague demonstram, no trabalho, que a fraude da lagarta envolve o sentido do olfato, e que existe uma "corrida armamentista" de perfumes entre lagartas e formigas.

As borboletas, do gênero Maculinea, fazem com que suas larvas sejam "adotadas" por formigueiros e enganam as formigas para que alimentem as lagartas, enquanto os filhotes de formiga ficam abandonados e morrem de fome.

A região dinamarquesa da Jutlândia é um dos últimos refúgios de uma dessas espécies de borboleta.

Os pesquisadores David Nash, Jacobus Boomsma e colegas descrevem como as lagartas imitam os sinais químicos das formigas, induzindo-as a abandonar os bebês de sua própria espécie em favor dos filhotes de borboleta. Mas o trabalho também mostra como as formigas evoluem para escapar dos parasitas, alterando o próprio cheiro.

Mas essa saída pela evolução só funciona se as formigas parasitadas não cruzarem com formigas que vivem longe das lagartas e, por isso, não são vítimas do parasita. A resistência ao perfume da lagarta não é passada de modo eficiente para as populações híbridas, porque os genes da imunidade se diluem em meio aos genes não-resistentes.

Os cientistas da Universidade de Copenhague demonstram que a seleção natural em favor da resistência só ocorre quando rainhas de formigueiros parasitados acasalam com machos de outro formigueiro também vitimado pelas borboletas.

Árvores 'absorvem menos CO2' em altas temperaturas



Um estudo conduzido por uma equipe de cientistas de vários países mostrou que as árvores estão absorvendo menos gás carbônico no Hemisfério Norte à medida que as temperaturas aumentam.

Os cientistas explicam que com o aquecimento global, nas últimas duas décadas a primavera tem chegado mais cedo e o inverno começado mais tarde no Hemisfério Norte, aumentando o tempo em que as árvores retêm suas folhas.

Em tese, afirmam os especialistas, isso favoreceria a absorção de CO2 e a liberação de oxigênio na atmosfera. Mas o estudo, publicado na revista Nature, mostrou que, na prática, isso não está ocorrendo.

Os cientistas analisaram imagens de satélites armazenadas durante 20 anos em estações de monitoramento na Sibéria, Alasca, Canadá e Europa. Eles observaram que a respiração das plantas, durante a qual emitem gás carbônico, aumentou mais do que a fotossíntese, processo em que os vegetais capturam CO2 da atmosfera para transformar em oxigênio.

Equilíbrio - O estudo conclui que se o aumento das temperaturas - que nessas regiões foi de até 1,1°C em duas décadas - significa uma menor absorção de CO2 pelas plantas, então a maior emissão de gás carbônico pode contribuir para elevar ainda mais os termômetros.

"A informação que tínhamos dos satélites, de que a área verde estava se mantendo por mais tempo, era um sinal positivo", disse Anders Lindroth, da Universidade de Lund, na Suécia, um dos pesquisadores envolvidos no estudo.

"Era a esperança de que isso ajudaria a diminuir os efeitos provocados pelas crescentes emissões de carbono. Mas mesmo com a área verde, isso não significou um efeito positivo no equilíbrio da quantidade de carbono", afirmou.

Para o coordenador da pesquisa, Timo Vesala, da Universidade de Helsinque, na Finlândia, "de fato isso representa um grande potencial para que o aquecimento continue aumentando".

Na avaliação dos cientistas, os resultados são cruciais porque sugerem que as altas emissões de gases provocadas pelo homem vão acabar afetando o clima da atmosfera em vez de serem absorvidas de forma segura pelas árvores e pelo solo.

"Nós atualmente estamos tendo um desconto de 50% no impacto climático provocado pelas emissões de gases", disse o cientista climático John Miller num comentário à pesquisa, esclarecendo que metade das emissões de carbono são capturadas pelos oceanos e ecossistemas terrestres.

"Mas infelizmente não temos garantia de que esses 50% de desconto vão continuar, e se isso acontecer, vamos sentir os efeitos que as emissões de CO2 vão provocar no clima".

Clima: 2008 pode ser um dos 10 anos mais quentes



O ano de 2008 será menos quente do que os anos mais recentes, mas ainda assim figurará entre os dez mais quentes já registrados desde 1850 e não deve ser encarado como um sinal de que as alterações climáticas estariam perdendo força, afirmaram meteorologistas britânicos.

A Agência de Meteorologia da Grã-Bretanha e a Universidade de East Anglia (UEA na sigla em inglês) disseram na quinta-feira (3) que a média das temperaturas globais de 2008 ficaria 0,37°C acima da média de longo prazo registrada entre 1961 e 1990, de 14°C. Mas que seria o mais frio desde 2000.

Segundo afirmaram, a previsão levou em conta o fenômeno climático anual conhecido como La Nina e que ocorre no Pacífico. O fenômeno, assim se espera, será bastante forte neste ano, o que brecaria a tendência de alta das temperaturas. Também foram incorporadas as concentrações atmosféricas cada vez maiores dos gases do efeito estufa, as variações solares e as mudanças naturais na corrente dos oceanos.

"O fato de que 2008 será, segundo as previsões, o menos quente dos últimos sete anos não significa que o aquecimento global deixou de ser um problema", afirmou Phil Jones, diretor para pesquisas sobre o clima da UEA.

"Mais importante é a taxa de aquecimento subjacente - o período de 2001 a 2007, com uma média de 0,44°C acima da média de 1961-90, ficou 0,21°C acima dos valores correspondentes para o período de 1991 a 2000."

O La Nina e seu antípoda, o El Nino, são fenômeno oceânicos e atmosféricos que influenciam bastante as temperaturas globais. O La Nina reduz a temperatura da superfície do mar em cerca de 0,5°C. Já o El Nino provoca o efeito contrário.

"Fenômenos como o El Nino e o La Nina geram um grande impacto sobre a temperatura da superfície do globo e o atual La Nina, bastante forte, agirá de forma a limitar as temperaturas em 2008", afirmou Chris Folland, do Centro Hadley da Agência de Meteorologia.

"No entanto, prevê-se que as temperaturas médias sejam ainda assim significativamente maiores do que em 2000, quando um La Nina igualmente forte limitou o aumento da temperatura em 0,24°C em relação à média de 1961-1990. É provável que as temperaturas voltem a subir significativamente quando o La Nina perder força", acrescentou.

O atual La Nina é o mais forte desde 1999-2000. A defasagem entre o La Nina e a temperatura média da superfície do globo significa que o efeito de resfriamento deverá ser um pouco mais intenso em 2008 do que durante 2007. A Organização Meteorológica Mundial disse no mês passado haver indícios de que os anos de 1998 a 2007 formaram a década mais quente já registrada. O Centro Hadley afirmou que os 11 anos mais quentes ocorreram todos nos últimos 13 anos.