16 dezembro 2008

Cemitérios militares ou ameaça ambiental?

Cinco décadas de tempestades e corrosão marinha transformam destroços de navios de guerra em poluição



Mais de mil navios militares naufragados no oceano Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial estão começando a espalhar sua carga tóxica, ameaçando preciosos recifes de corais, cardumes e ilhas paradisíacas, segundo autoridades da região.

Carregados com combustível, produtos químicos e explosivos, centenas de porta-aviões, corvetas, destróieres e petroleiros estão sucumbindo a cinco décadas de tempestades e corrosão marinha.

No ano passado, o casco do USS Mississinewa deixou vazar 91 mil litros de combustível na remota laguna Ulithi, na Micronésia. Por causa disso, cerca de 700 ilhéus foram impedidos de buscar sua sobrevivência na pesca.

No final, o vazamento foi consertado por mergulhadores norte-americanos. Mas ainda há 19 milhões de litros de querosene de aviação e petróleo a bordo da embarcação, que podem contaminar o mar a cada ciclone que passa ou a cada parafuso que enferruja no casco.

O USS Mississinewa, afundado em 1944 por um submarino japonês de um só tripulante, é apenas um dos 1.080 naufrágios catalogados pelo Programa Ambiental Regional do Pacífico Sul (SPREP), uma entidade que quer convencer os vencedores e os vencidos na guerra a colaborarem para evitar uma tragédia ambiental.

“Não há dúvida de que temos um problema porque acabamos de ter esse grande vazamento na Micronésia”, disse Sefanaia Nawandra, técnico do SPREP.

Uma ameaça semelhante é representada pelo navio-tanque USS Neosho, pelo porta-aviões Lexington e pelo destróier Sims, todos afundados em 1942 durante uma batalha a 200 milhas da Grande Barreira de Corais, no litoral australiano, o maior organismo vivo do mundo.

Segundo Trevor Gilbert, também técnico do SPREP, a quantidade de combustível no Mississinewa e no Neosho são o equivalente ao que vazou do petroleiro Exxon Valdez, no Alasca, numa das grandes tragédias ambientais dos últimos anos.

Dos três milhões de toneladas de navios que estão no leito do Pacífico, cerca de dois terços pertenciam aos japoneses e quase todo o resto aos Estados Unidos. Há alguns poucos barcos da Austrália e da Nova Zelândia.

Ao contrário dos navios comerciais naufragados, cuja carga pode ser reivindicada por quem a encontrar, os navios de guerra permanecem para sempre como propriedade de seus países. Além disso, vários são reconhecidos como cemitérios militares.

O SPREP já fez uma lista de navios militares naufragados, e agora precisa de dinheiro para determinar quais deles apresentam risco mais imediato.

Os governos locais disseram que a campanha foi bem recebida pelos Estados Unidos, mas encontrou recepção fria no Japão. Os custos do projeto são elevados: US$ 6 milhões só para retirar o combustível do Mississinewa.

“O que argumentamos, do ponto de vista dos países do Pacífico, é que não tivemos a escolha de participar ou não da guerra. Os adversários vieram lutar no nosso quintal e agora devemos lidar com isso”, disse Nawadra.

Segundo ele, o problema atualmente se restringe ao Pacífico, mas em breve ocorrerá o mesmo também com naufrágios que estão no Mediterrâneo e no litoral da Califórnia (EUA).

15 dezembro 2008

Darly diz que Chico Mendes foi responsável por sua própria morte

Após 20 anos, fazendeiro acusado de ser o mandante do crime conta outra versão para morte do seringueiro. Ele e seu filho Darcy, acusado de ser o executor, foram condenados a 19 anos de cadeia.

Veja a matéria completa em http://www.insegurancapublica.blogspot.com/

10 dezembro 2008

Coleta seletiva de lixo gera empregos e reduz focos da dengue em Paracambi

Desde que o centro de reciclagem de lixo começou a funcionar em Paracambi, na Baixada, há dois anos, o número de casos da dengue diminuiu na região.



É uma equação simples: menos lixo nas ruas, menos acúmulo de água da chuva, menos chances de proliferação do Aedes aegypti.

Uma iniciativa como essa traz outras conseqüências boas. Além de a cidade ficar mais limpa, a reciclagem também deu oportunidade de emprego para os antigos catadores.

De luva e máscara, os funcionários da Companhia de limpeza organizam o material reciclado. São garrafas pet, papéis, plástico pegado no lixo e que agora têm um destino certo. O material separado no centro de reciclagem gera recursos que ajudam na limpeza da cidade.

Criado em 2006, o projeto tem tirados as pessoas do aterro sanitário. Uma atividade que deu a ex catadora Adriana Oliveira da Silva um emprego fixo. “Temos um salário agora, cesta básica e coisas que não sabíamos que eram recicláveis lá aqui é também”, conta.

De acordo com a Companhia de desenvolvimento de Paracambi, não foram só os catadores que sumiram do lixão. Desde que o projeto foi implantado no município, o aterro sanitário deixou de receber por mês cerca de 30 toneladas de lixo. Mas o que mais causou surpresa é que o processo de reciclagem também ajudou a reduzir o número de casos de dengue.

De janeiro a novembro deste ano a Secretaria de Saúde registrou 1.080 notificações da doença na cidade. Número 20% menor do que no mesmo período de 2006. “Em vez de a pessoa ficar se preocupando em fechar caixa d´água velha e jogar panela fora e ficar virando garrafa é simples: coloca num saco preto que disponibilizamos para os moradores e ele mandar para cá e nós damos destino um final nele” , explica Marly de Souza, gestora ambiental.

Marcelo dos Santos foi um dos moradores que aderiram a coleta seletiva de lixo. Ele troca sacos vazio com outros cheios do material que podem ser reciclados. Além de manter a casa limpa ele ajuda na luta contra a dengue.“Tem um pouco de trabalho, mas é melhor ter trabalho prevenindo a dengue do que amanhã ter um filho nosso ou irmão ter que ir levar para o hospital”, alerta.

05 dezembro 2008

O Brasil começa a vasculhar a Antártica

Brasil financia pesquisa ao interior do continente pela primeira vez



CARLOS WAGNER

Uma missão científica comandada por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) começou a fazer história na Antártica. Ontem, os cientistas instalaram o primeiro equipamento de pesquisa, dando início simbólico à expedição Deserto de Cristal (referência à paisagem encontrada), a primeira ao interior do continente de gelo financiada pelo governo do Brasil.

Nos últimos 25 anos, o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) realizou expedições no oceano, nas ilhas e na costa da Antártica. Nunca as missões científicas avançaram no continente. O equipamento instalado é uma estação de amostragem de ar, montada por três dos oito cientistas a 15 quilômetros do acampamento da expedição, inaugurado na segunda-feira a 2,2 mil quilômetros ao sul da Estação Antártica Comandante Ferraz e a mil quilômetros do Pólo Sul Geográfico. Nessa latitude, o sol brilha 24 horas, a espessura do gelo é de 700 metros, e a altitude, de 920 metros.

Para percorrer os 15 quilômetros do acampamento até onde foi erguida a estação, a equipe usou motos de neve e levou duas horas e 30 minutos, enfrentando uma temperatura de -30°C e rajadas de vento de até 70 km/h.

– Será necessário uma viagem diária à estação para coletar informações e fazer manutenção do equipamento – disse ontem, por telefone, o coordenador da missão, o glaciólogo gaúcho Jefferson Simões, 50 anos, da UFRGS.

Os informes fornecidos pela estação integrarão a pesquisa dos cientistas sobre a qualidade do ar. Eles procuram verificar, por exemplo, se existem partículas de queimadas no ar da Antártica. O Brasil está entre os países onde esta prática é comum. No Norte e no Centro-Oeste, queima-se o pasto e, no Litoral, a palha de cana.

A expedição fica na Antártica até janeiro. Segunda-feira, quatro pesquisadores deverão se deslocar do acampamento, de avião, a uma distância de 300 quilômetros até o Monte Johns, que tem 2,2 mil metros de altura, para coletar amostras de gelo.

Segundo Simões, o cotidiano da equipe tem sido de muito trabalho. Os cientistas estão dormindo, em média, seis horas e abrigados em barracas polares e em um módulo de fibra de vidro deixado pelos chilenos no local.

Por que é importante

Primeira expedição brasileira com fins científicos coordenada e financiada pelo país a trabalhar no interior do continente.

As condições enfrentadas serão mais rigorosas do que as da Estação Comandante Ferraz, a base brasileira na Ilha Rei George.

Planta da Amazônia pode gerar remédio para dengue, diz Fiocruz



ITALO NOGUEIRA, no Rio

Uma pesquisa da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) mostra que a planta unha-de-gato, típica da Amazônia, pode servir como matéria-prima para um remédio destinado a controlar os efeitos da dengue. O estudo indicou que o medicamento poderá evitar complicações em razão da doença, como pressão baixa e hemorragia.

Os resultados ainda são preliminares e, de acordo com as coordenadoras da pesquisa, um remédio só seria viável "em anos". Mas é a primeira vez, segundo a Fiocruz, que se detecta a possibilidade de evitar as complicações da doença.

A biomédica Claire Kubelka, a bióloga Sônia Reis e a química Ligia Valente analisaram a reação in vitro de monócitos (células de defesa do corpo) contaminados com o vírus da dengue com substâncias extraídas da planta unha-de-gato (Uncaria tomentosa).

A solução inibiu a produção excessiva de citocinas (proteínas de resposta inflamatória do organismo), que pode gerar queda brusca na pressão e hemorragias -- as principais causas de morte por dengue. "O objetivo do tratamento seria modular [regular] a resposta imunológica, diminuir a resposta exacerbada [na produção de citocinas]", diz Kubelka.

A unha-de-gato já é usada na produção de antiinflamatórios, consumidos principalmente por quem tem artrite. Kubelka afirma que é possível descobrir que o remédio existente também serve para a dengue -- mas só após mais testes.

"A imunomodulação muitas vezes inibe alguma parte do sistema imunológico, mas pode exacerbar outro. Para algumas doenças, ela pode ser benéfica, mas, para outras, pode ser prejudicial. Eventualmente poderá ser usado o mesmo remédio para duas patologias diferentes, mas isso precisa ser muito estudado", afirmou ela.

Segundo Valente, a planta está em risco de extinção por causa da ação de extrativistas, interessados em suas propriedades medicinais. A espécie, no entanto, não está na lista oficial do Ibama da flora ameaçada.

01 dezembro 2008

Os desafios climáticos exigem respostas globais



Ozires Silva

As mudanças climáticas certamente constituem na atualidade um dos problemas que mais pressionam as preocupações relacionadas com o meio ambiente, afetando a comunidade internacional, o mundo dos negócios e os cidadãos individualmente.

Há uma consciência generalizada sobre as previsões alertadas pelos especialistas, relativas a muito provável - e quase certa - ocorrência de um expressivo aumento do aquecimento global, cujos efeitos diretos já se pensa que são reais e estamos sentindo.

A maioria da comunidade científica já aceita e seriamente discute os efeitos das ações humanas, que se praticam hoje, dentro das comuns atividades produtivas e de serviços, prevendo que a temperatura média do planeta deve subir de 1 a 6 graus Celsius nos próximo 100 anos.

Muitos podem considerar isto pouco, mas mesmo valores menores podem dar origem a dramáticos efeitos, prevêem os pesquisadores, como degelos polares, distúrbios atmosféricos, furacões, inundações mais freqüentes, elevação do nível dos mares, desertificação, etc.

Tudo isso poderá provocar outros resultados tais como crescentes dificuldades para o uso agrícola do solo, queda do suprimento adequado de água potável, surgimento de novas e mais sofisticadas doenças e pragas atacando os seres humanos, animais e culturas vegetais, além de outras ocorrências de difícil previsão.

Os diagnósticos produzidos indicam que a causa maior destas previsões, nada aceitáveis e certamente preocupantes, são os bilhões de toneladas de dióxido de carbono e outros gases, decorrentes da queima de enormes volumes de petróleo, gás natural, carvão e outros, incluindo mesmo os chamados biocombustíveis, obtidos a partir de fontes energéticas alternativas. Muitos argumentam que, se colocarmos uma hipótese de se conseguir estabilizar a concentração do mesmo não reduzindo os índices atuais e evitar a aceleração do acréscimo da temperatura, as emissões globais de dióxido de carbono precisariam ser cortadas, o mais rapidamente possível, para pelo menos 70%/80% do que se produz na atualidade. A pergunta que precisa ser feita e respondida seria: "É isto possível?". A resposta deve ser "sim" e precisa ser materializada, por meio do uso de formas energéticas limpas, a partir de fontes renováveis. É necessário que se encontrem mecanismos capazes de assegurar a redução das emissões nocivas dos sistemas de transformação térmica que se usa no mundo atual. Os maiores vilões de tudo isso certamente são decorrentes do uso do petróleo e de outros combustíveis fósseis como produtores de energia mecânica, propelindo veículos de todo o mundo, logo seguidos pelos efluentes industriais muito mais variados e que não são poucos. Embora possamos reconhecer que o petróleo é uma extraordinária matéria-prima e que o pior dos seus usos é queimá-lo como produtor de energia, temos de encontrar fórmulas para substituí-lo, pois, além de tudo, ele o faz com enorme ineficiência.

Os seres humanos, ao longo de milhares de anos, destacaram-se dos animais pela sua capacidade intelectual, expressivamente diferente dos outros habitantes do planeta. Usando somente as matérias-primas disponíveis na Terra, o homem conseguiu resultados fantásticos que mudaram o seu modo de viver, abandonando as cavernas e criando uma sociedade que, vista por qualquer dos ângulos, é sofisticada e diferente do que aquela inicial que a natureza nos proporcionou.

Assim, temos razões para acreditar e, mais do que isso, perseverar, e do mesmo modo que pôde conquistar fantásticos horizontes o homem tem a capacidade e competência para pesquisar e encontrar soluções, aplicando ações e buscando eliminar os problemas que criou para o meio ambiente global.

Não se pode permanecer imobilizado, ou insuficientemente mobilizado, no campo dos diagnósticos e das previsões, colocando como vaticínio o que já está previsto para ocorrer não está sujeito a ser interrompido. Ao contrário, temos de aceitar desafios e, usando o melhor da capacidade intelectual, encontrar e aplicar alternativas que superem as catastróficas antecipações que nos atingem todos os dias. Muitas soluções já estão se tornando visíveis e não implementadas sob muitos argumentos, eventualmente aceitos como plausíveis, mas limitados por restrições e argumentos de caráter econômico, rotulando-as como caras e não viáveis. Contudo, é essencial escrutinar essa pergunta mais profundamente, argüindo-nos sobre o que seja realmente caro? Será que há algo mais caro do que o fascinante mundo no qual vivemos?

kicker: Já sentimosos impactos dramáticos do aumento da temperatura

OZIRES SILVA* - Reitor da Unimonte, Santos (SP), e ex-presidente da Embraer

Campos: são mais de 5 mil vítimas da chuva Cidade é a sexta do estado a ter decretado situação de emergência. Em Rio Bonito, cinco casas desabaram



Pâmela Oliveira

CAMPOS - A Defesa Civil Estadual decretou ontem situação de emergência em Campos, no Norte Fluminense, por causa da cheia do Rio Ururaí. Pelo menos cinco mil pessoas estão desabrigadas e desalojadas no município. Em Rio Bonito, na Baixada Litorânea, que também está em emergência desde quarta-feira, cinco casas foram parcialmente destruídas na manhã de ontem por desmoronamentos. Cerca de 1,3 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas, que causaram a morte de duas pessoas na cidade.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, choveu 526,5 mm em novembro em Campos, quando o esperado era 153 mm. O volume de chuvas foi o maior em 40 anos. Além de Rio Bonito e Campos, outros quatro municípios estão em emergência: Carapebus, Barra do Piraí, Paracambi e Silva Jardim.

O resgate das vítimas em Campos no fim de semana foi comandado pelo secretário estadual de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes. Ele chegou à cidade sábado com o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado. Dois helicópteros da Polícia Civil, inclusive o blindado ‘Caveirão do Ar’, foram usados nos resgates.

SITUAÇÃO DESOLADORA

“O que estamos vendo é desolador. Famílias perderam suas casas e o que construíram ao longo de suas vidas”, disse Côrtes. Ele contou que resgatou de helicóptero uma família de 11 pessoas, em Lagoa de Cima. “O pai, de 72 anos, operou o coração há duas semanas e não queria sair alegando que já tinha perdido tudo e não queria viver”, contou. Foi Côrtes quem decretou emergência em Campos, porque o prefeito Alexandre Mocaiber (PSB) não havia decretado.

Mocaiber não foi encontrado sábado para reunião com o secretário para discutir ações de resgate das vítimas. “O estado decretou emergência porque a medida facilita o socorro às vítimas”, explicou o comandante dos bombeiros.

As localidades de Ururaí, Brilhante, Imbé, Batatal, Aleluia e Lagoa de Cima foram as mais afetadas. O volume de chuvas ontem foi de 61,6 mm, o equivalente a 10 dias. O Rio Ururaí transbordou. Famílias foram vistas sobre os telhados das casas. Caminhões do Exércitro também foram usados nos resgates.

As vítimas foram alojadas em seis escolas. O Ciep João Borges Barreto, no bairro Brilhante, onde estão 260 famílias, porém, corria risco de também ser inundado. O prédio estava cercado pela água ontem. O acesso à escola só era feito por caminhões ou barcos. A Defesa Civil procurava outro local para abrigar as famílias, que poderiam ser transferidas para o galpão de uma empresa açucareira.

DEPOIMENTO: ‘NÃO DORMI VENDO A ÁGUA ENTRAR’

“A água estava subindo há muito tempo. No sábado chegou ao meu quintal. Me preocupei, mas achei que não iria chegar na casa. No entanto, hoje (ontem) ela invadiu tudo. Fiquei com água na cintura, só consegui salvar fogão, geladeira, estante e algumas roupas. É muito ruim perder tudo. Não dormi a noite toda vendo a água entrando em minha casa. Tentei tirar com um balde mas não consegui”.

Cremilda Cassiano, 60 anos

BR-101 é interditada a água e a fogo

Revoltados com os estragos provocados pelas chuvas que castigam Campos há três semanas e as dificuldades até para conseguir água potável, moradores, em protesto, interditaram a BR-101, que corta o município, por volta das 22h, incendiando pneus na rodovia.

Bombeiros foram acionados para debelar as chamas e agentes da Polícia Rodoviária Federal tentavam desbloquear a rodovia até o fim da noite. Durante o dia, a BR-101 chegou a ser interditada duas vezes por causa da ameaça das águas do Rio Ururaí à ponte no Km 75.

O maior problema para a distribuição de água potável, segundo autoridades, é a dificuldade de acesso aos locais alagados e às escolas onde estão as vítimas. A distribuição estava sendo feita ontem por helicópteros. Outra preocupação em Campos é com a possibilidade de doenças. “Ninguém foi vacinado até agora, porque as vacinas não chegam”, disse uma funcionária da Secretaria Municipal de Saúde, que atendia os alojados no Ciep João Borges Barreto.

RIO BONITO PRECISA DE DINHEIRO E PROFISSIONAIS

Cerca de duas mil casas estão ameaçadas de desabamento em Rio Bonito. Como a previsão é de mais chuvas, a Defesa Civil está em alerta, porque a precipitação pluviométrica no município está acima da média. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em novembro choveu 386,8 mm, quando a média esperada era de 204,5 mm. O maior índice foi de quarta-feira (60,9 mm). Ontem choveu 24,5 mm. Os bairros mais atingidos são Boqueirão, Bosque Clube, Rio Vermelho e Marajó.

Os desabrigados estão alojados na Escola Municipal Professor Honesto Carvalho de Almeida, na Mangueirinha. As vítimas estão precisando de doações de roupas de cama, roupas para crianças, alimentos, leite em pó e colchões. O Diretório Central de Estudantes (DCE) da Faculdade Cândido Mendes doou meia tonelada de alimentos. A prefeitura disponibilizou a conta corrente 15602-7 do Banco do Brasil (agência 0627-0) para que as pessoas possam fazer doações.

A Defesa Civil do município está convocando voluntários, desde médicos e enfermeiros, a qualquer pessoa que queira ajudar. Os interessados devem procurar o órgão ou ligar para (xx21) 2734-0199.

Situação de emergência em Campos

Foi decretada situação de emergência em Campos, no Norte Fluminense. Para chegar em Lagoa do Sul só de barco ou helicóptero.

Campos é o município que mais sofre com as chuvas dos últimos dias no estado do Rio.



Em uma semana choveu mais do que a soma dos últimos seis meses. “É um ponto extremamente crítico onde nas áreas alagadas não existe acesso terrestre e portanto é muito mais difícil para dar ajuda e auxílio a essas famílias que estão desabrigadas”, diz Sérgio Cortes secretário estadual de Saúde.

Do alto não dá para separar o que é lagoa das ruas tomadas pela água. Dezenas de casas estão submersas, só o telhado ficou de fora. Aeronaves chegavam a todo o momento trazendo comida, água, colchonetes e roupas.

A quantidade de gente que ficou sem casa era tanta que faltou lugar. “Mas só tem quatro barracas , precisamos de mais barracas urgente”, alerta um senhor.
Uma corrente de solidariedade. Os moradores se unem e tentam salvar o que podem. Gente com água pela cintura, caminhões carregando o que sobrou dos móveis. Centenas de famílias perderam tudo, sobraram lágrimas. “Temos que aguardar, esperar a água baixar para colocarmos nossas coisas no lugar, o importante é a gente estar com vida”, fala Cristiane Serafim.

De acordo com a Defesa Civil, é a pior enchente dos últimos 50 anos em Lagoa de Cima. Na comunidade vivem aproximadamente 1.200 pessoas, 800 estão desalojadas. “Trinta anos vai fazer que eu estou aqui na beira da lagoa e nunca vi a lagoa vir até onde ela veio, gente muito mais velha que eu disse que nunca viu a água vir até onde veio agora”,conta Joana Dark Fernandes, dona de casa.

A concessionária de energia cortou o fornecimento. Havia risco de curto circuito. “O aumento do nível da lagoa nos preocupa, daí nós entramos em contato com pessoas do meio ambiente que vai abrir o canal lá de Flechas que extravasou Lagoa Feia e conseguir descer a água para que a gente possa lá em cima ter a diminuição do nível das águas”, revela Pedro Machado, comandante do Corpo de Bombeiros. “Temos que ter força, nunca vi uma enchente igual a essa”, fala uma moradora.

30 novembro 2008

Estado de SC prevê alta de 30% nos casos de leptospirose



PABLO SOLANO
MATHEUS PICHONELLI

O medo de que casos de leptospirose se alastrem pelo Estado em razão do contato com a água das chuvas levou os governos estadual, federal e a FAB (Força Aérea Brasileira) a montar uma operação para conter a doença nas áreas inundadas.

A Secretaria da Saúde do Estado já prevê alta de 30% dos casos neste ano, podendo chegar a 620 contaminados pela doença, que pode levar à morte.

O coordenador estadual do atendimento médico às vítimas, Roberto Hess de Souza, afirma que a secretaria classificou dez localidades como "pontos vermelhos", onde o risco de doenças é maior. São cidades ou conjuntos de municípios com áreas inundadas e que tiveram danos à rede pública de saúde, como Blumenau, Itajaí, Ilhota e Grande Florianópolis.

Onze equipes formadas por médicos e enfermeiros visitarão as áreas afetadas em busca de pessoas com sintomas de leptospirose e outras doenças.

Os casos mais graves serão encaminhados para Itajaí, que receberá a partir de amanhã um hospital de campanha da FAB com 50 profissionais.

A unidade poderá realizar cirurgias e terá um leito de UTI. Outras dez vagas para tratamento intensivo estarão reservadas no hospital Nereu Ramos, em Florianópolis.

O Ministério da Saúde entregará até o final de semana, de acordo com o governo estadual, mais de 22 mil ampolas de penicilina que serão usadas no tratamento de leptospirose. O Estado reforçará o estoque de vacinas antitetânicas.

A reportagem contatou quatro prefeituras que estão dentre as áreas de risco de infecção por leptospirose: Rio dos Cedros, Camboriú, Itajaí e Blumenau. Praticamente todas informaram que o número de atendimentos se manteve estável até ontem.

27 novembro 2008

Casas ficam soterradas em São Francisco de Itabapoana

Numa pequena comunidade de pescadores, a água invadiu casas e outras foram soterradas pela terra de encostas que desabaram.



Do alto um cenário assustador. De longe seu Miguel observa sua casa. “Aquela casinha lá fora, eu moro na beirinha do rio e a água tomou conta de tudo, casas, curral , fazenda, a água alagou tudo”, fala.

A chuva dos últimos dias trouxe problemas e deixou prejuízos em São Francisco de Itabapoana, no norte do estado. Parte do gado foi salvo de barco. Alguns não resistiram. Cerca de 80% de uma colônia de pescadores foi atingida pelas inundações e desmoronamentos. Por todos os lados o que se vê é destruição.

Em Lagoa Feia, cinco casas foram destruídas e 15 pessoas estão desalojadas. O Rio Itabapoana transbordou e alagou uma imensa área, mas de acordo com a Defesa Civil, o maior risco são as encostas das comunidades que correm o risco de desmoronar.

Em algumas áreas elas já cederam. Dona Eliane não tem para onde ir e provisoriamente está instalada numa escola municipal. A casa dela foi uma das destruídas. “O barraco desabou e eu peguei e desliguei o relógio entrei dentro de casa e peguei eles e se eu não voltasse tinha acontecido o pior”, conta.

Também por pouco dona Silvana Bueno escapou com a família. “Só um estalo e pronto a terra desabou, caiu em cima da cama de casal e do guarda-roupa, foi tudo de repente”, diz.

“Monitoramos durante 24 horas porque se começar a chover temos que retirar imediatamente essa comunidade de suas casas”, revela Sila Rocha, da Defesa Civil.

Chuva deixa cinco municípios do estado em situação de emergência

As enxurradas já mataram três pessoas e deixaram 15 feridas. Os moradores de Rio Bonito enfrentam a pior situação.



Os municípios em estado mais grave são Rio Bonito e Silva Jardim, na Baixada Litorânea, Carapebus, no Norte Fluminense, Barra do Piraí, no sul do estado, e Paracambi, na Baixada Fluminense.

Os moradores de Rio Bonito enfrentam a pior situação. Segundo a Defesa Civil, o número de desabrigados e desalojados dobrou com relação a ontem: já são 950 pessoas que tiveram as casas invadidas pela água.

Uma encosta desmoronou soterrando cinco casas. Duas pessoas morreram e hoje a chuva continua no município.

Em Carapebus, a lagoa que fica no Parque Nacional da Reserva de Jurubatiba transbordou. Pontes foram interditadas. Ruas e casas ficaram alagadas. O Ibama autorizou a abertura do canal que liga a lagoa ao mar. O nível da água já começou a baixar, mas só deve voltar ao normal em três dias.

Risco de pancadas de chuva ainda é grande no estado

O RJTV conversou com o meteorologista Luiz Carlos Austin.

RJTV - Como fica o tempo nos próximos dias?

Luiz Carlos Austin - Já alertamos as autoridades, principalmente hoje e amanhã, sobre o risco de chuvas fortes no estado. A situação é tão complexa que não dá para você sintonizar as áreas com maior probabilidade de ocorrência, em função desse sistema que está praticamente passeando ao longo do nosso litoral. Ele é conhecido como Zona de Convergência do Atlântico Sul. Você tem a frente fria no litoral e uma grande massa de ar quente e úmido descendo da Bacia Amazônica, passando pelo interior do país todo e fazendo esse casamento. Por isso, às vezes o tempo está meio abafado e é isso que realimenta todas as áreas de instabilidade que estão agora predominando no estado do Rio de Janeiro.

Qual é a orientação para quem vive nas regiões de encosta?

Alertamos às pessoas que moram nessas áreas de encostas, principalmente na Região Serrana, se perceberem a descida de uma água um pouco barrenta, e junto com ela algumas touceiras de capim, que fiquem atentas. Com a batida dessa chuva, muito repetitiva, com muita força, procure imediatamente a Defesa Civil, para que ela oriente quem está nessas áreas. A situação é de atenção nesse momento.

O sol deve surgir quando?

Estamos prevendo uma melhoria de tempo para o final da semana, mas infelizmente com essa melhoria de tempo, se ela vier acompanhada de muito calor, poderemos ter novamente ocorrência de chuvas fortes, em forma de pancadas no estado.

26 novembro 2008

SC: especialistas explicam a tragédia

Meteorologista e geólogo explicam o porquê de tanta chuva no último fim de semana no estado e de deslizamentos até em zonas que não eram de risco.



O vento, o volume impressionante de chuva e o solo encharcado são algumas das explicações para a tragédia em Santa Catarina. Quem conta é a repórter Kiria Meurer.

Em poucos segundos, tudo no chão. Foram centenas de deslizamentos de terra em 80 municípios de Santa Catarina. O barro que desceu de um morro atingiu casas que não estavam em áreas consideradas de risco.

“A nossa casa era uma casa bem arrumada com cerca, com portão eletrônico, com tudo que a gente tinha, para olhar agora e não ver mais nada, não ver mais nada de bom”, lamentou a aposentada Olinda de Oliveira.

Quem tinha casas construídas em áreas de risco recebeu um alerta da Defesa Civil na semana passada. “Nós pedimos que pessoas percebessem locais de rachadura no solo, movimento de terra, saíssem destes locais porque eram áreas possíveis de ter deslizamentos”, disse o major Márcio Alves, da Defesa Civil (SC).

Mas o que aconteceu no estado nos últimos dias foi inesperado. “Áreas que não eram nem consideradas pelos geólogos de risco desmancharam pela quantidade de chuva”.

Choveu quase todos os dias durante dois meses em Santa Catarina, mas no último fim de semana a quantidade de água que caiu no Vale do Itajaí foi recorde: em apenas três dias, choveu tudo o que costuma chover em quatro meses. A terra nos morros e das encostas, que já estava encharcada, não suportou um volume tão grande de água.

“Com o peso da água praticamente dobrando o peso da camada do solo faz com que o solo tenda a descer por gravidade, levando tudo que encontra pela frente: prédios, árvores”, explicou o geólogo João Carlos Rocha.

Tanta chuva foi resultado de uma combinação: o vento leste trouxe muita umidade, um fenômeno conhecido como lestada. E ao mesmo tempo um vórtice ciclônico no litoral funcionava como um aspirador de pó sobre o oceano puxando mais umidade e carregando a atmosfera.

“Se fosse só a ação dos ventos que sopram de leste provavelmente não teríamos tanta chuva, o problema foi a ação conjunta dos dois fenômenos juntos, que trouxe chuvas excessivas”, disse o meteorologista Leandro Puchalski.

Na região do Vale do Itajaí, a geografia favorece as cheias. Na cidade de Itajaí, uma das mais afetadas no litoral do estado, há outro agravante. “Já são terrenos baixos, planos, horizontalizados e há uma retenção das águas fluviais por uma questão de maré”, completou o geólogo.

O governador de Santa Catarina pediu ajuda ao Governo Federal, que já respondeu que vai liberar recursos para a recuperação do estado.

Chuvas continuam castigando Santa Catarina. Número de mortos chega a 84



Da redação

Um estado em colapso, que chora seus mortos enquanto tenta resgatar sobreviventes. Na luta contra os estragos provocados pelos temporais, Santa Catarina mais parece um cenário de guerra. Falta água para a população beber, remédios, o preço do pão chega a R$ 3, supermercados e farmácias estão sendo saqueados. Milhares de pessoas continuam sem energia elétrica. O número de vítimas de deslizamentos de terra subiu para 84, 21 a mais que do que apontava o balanço da Defesa Civil catarinense na segunda-feira. Há estimativa de que cerca de 30 pessoas estejam desaparecidas, o que pode fazer com que o número de mortos seja maior que 100. Blumenau, terceira cidade mais populosa do estado e importante pólo industrial, levará pelo menos um ano para ser reconstruída, na previsão do prefeito do município, João Paulo Kleinubing (DEM).

No prédio do Serviço Social da Indústria (Sesi) da cidade, um misto de esperança e desespero move as pessoas. Famílias aguardavam ansiosas o pouso de helicópteros do Exército na manhã de ontem. Entre os abrigados no local, estava Irene Rinco. A cada chegada da aeronave, crescia a expectativa de reencontrar o irmão, Oswin Denner. “Não falo com ele desde o domingo à tarde. Não sei o que pode ter acontecido”, temia.

A salvação também chegou para centenas de turistas que estavam isolados há três dias num parque em meio à Mata Atlântica, na região do Vale do Itajaí. Eles foram localizados e resgatados por bombeiros, policiais militares e soldados do Exército, numa ação dramática. A equipe teve de improvisar uma ponte pênsil sobre gigantescas rachaduras abertas no morro, que impediam a saída dos turistas. Os visitantes, mais de 600, são estudantes e professores de diversas cidades catarinenses, paranaenses e paulistas. Eles tinham escolhido o Parque Aquático Cascanéia, no município de Gaspar, para comemorar a formatura no terceiro ano do ensino médio.

Entretanto, o passeio se transformou em pesadelo, quando o temporal desabou sobre Gaspar no último fim de semana. A única estrada de saída do parque ficou obstruída. Os estudantes ficaram no topo de um morro, abrigados num salão de festas. “As piscinas foram soterradas por lama, faltou luz e a saída era jogar cartas”, resumiu Michel de Souza, 17 anos, aluno do terceiro ano do ensino médio.

Sede e fome

Oito cidades permanecem isoladas. Além dos mais de 54 mil desabrigados e desalojados. A Defesa Civil divulgou uma linha telefônica e endereços de delegacias para registro de ocorrências.

Diante do caos da falta de água, a Secretaria de Saúde estadual divulgou um comunicado orientando as pessoas com acesso a piscinas tratadas com cloro para utilizar a água para beber e preparar alimentos, desde que fervida por 10 minutos. Um apelo para que pessoas e empresas doem água potável nas sedes da Defesa Civil de todo estado. Já foram repassados à população, de acordo com o órgão, 55 mil litros.

A combinação de fome e desespero proporcionou ontem à tarde, em Itajaí, a cena mais transparente da calamidade em que se encontra a cidade portuária, por causa da enchente. Mais de um mil flagelados arrombaram o portão e romperam o cordão de isolamento formado por 20 policiais militares para entrar em um megaatacado de 8 mil metros quadrados, no Bairro São Vicente. Levaram tudo o que podiam. Foi o terceiro estabelecimento saqueado em menos de 24h. Outros dois supermercados que também estavam fechados foram invadidos na cidade.

No meio dos produtos angariados, a carne descongelada, por causa da falta de energia elétrica no bairro, lembrava pelo cheiro o quanto é perecível. Para chegar aos portões, moradores atraídos pela notícia de comida grátis beiravam o descontrole, chegando em barcos, botes infláveis e a nado, sobre pedaços de madeira. Da porta para dentro, nem a escuridão no atacado fazia errar o caminho até as prateleiras. Os mais solidários as escalavam, como se fossem prédios, e lançavam para baixo as caixas fechadas. “Pega leite para mim?”, gritava uma mulher.

Em Ilhota, umas das cidades com maior número de vítimas — até ontem eram 18 —, cada pouso de helicóptero no campo de futebol municipal levava uma multidão ansiosa até a cerca. Sujos de lama, com o rosto de espanto e sofrimento, desciam os sobreviventes de um deslizamento na localidade do Morro do Baú, a 20km do centro da cidade. O acesso ao local só pode ser feito por aeronave. A Defesa Civil estimava ontem que 160 pessoas esperavam ajuda no lugar.

Dificuldades

As chuvas incessantes dificultam não só o trabalho de resgate como também os trabalhos de desobstrução das pistas, a volta do fornecimento de energia e água e a manutenção de serviços básicos, como a entrega de correspondência. Os Correios suspenderam ontem os serviços de Sedex 10 e Sedex no estado.

Um deslizamento de terra no começo da manhã atrapalhou os trabalhos de reparo na rede elétrica em Blumenau, onde cerca de 137 mil residências permaneciam sem luz. Em todo o estado, a energia elétrica ainda não foi recuperada em 106 mil casas. A obstrução de rodovias é outro fator agravante da situação. Ontem, restavam 12 rodovias com bloqueio total, sendo oito estaduais e quatro federais.

Os municípios de Gaspar, Rio dos Cedros, Nova Trento e Camboriú, em Santa Catarina, declararam estado de calamidade pública. Outros oito estão em emergência: Balneário de Piçarras, Canelinha, Indaial, Nova Trento, Penha, Paulo Lopes, Presidente Getúlio e Rancho Queimado.

Continuam isolados os municípios de São Bonifácio, Luiz Alves, São João Batista, Rio dos Cedros, Garuva, Pomerode, Itapoá e Benedito Novo.

Defesa Civil estima mais de 100 mortos em SC devido às chuvas; Lula deve liberar R$ 700 milhões



Em São Paulo

A Defesa Civil de Santa Catarina estima em mais de cem os mortos em decorrência das chuvas no Estado. Até as 23h de terça-feira, foram contabilizadas 84 mortes e 36 pessoas estavam desaparecidas. Vinte das vítimas fatais são de Blumenau. Pelo balanço oficial, há 54.039 desalojados e desabrigados, sendo 22.952 desabrigados e 31.087 desalojados. No início da tarde, foi registrada a primeira morte na capital Florianópolis. O corpo foi encontrado na SC-401, dentro de um carro atingido pelos escombros da queda de uma barreira.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar nesta quarta-feira uma medida provisória liberando recursos para ajudar Estados afetados por enchentes decorrentes de chuvas. Segundo fontes do Palácio do Planalto, a estimativa é de que, no total, sejam liberados R$ 700 milhões. A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmou nesta terça que o governo federal vai realizar "todos os esforços" para reduzir as conseqüências das enchentes.

Segundo balanço mais recente divulgado pela Celesc, 106.123 mil pontos estão sem energia elétrica.

Nos oito municípios isolados, seis cidades decretaram estado de calamidade pública e sete estão em estado de emergência. Embora não conste da lista da Defesa Civil, o prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinübing (DEM), afirmou que decretou estado de calamidade pública no município. O mesmo ocorreu em Itajaí, onde o número de desabrigados e desalojados é de cerca de 15 mil. Jaraguá do Sul também decretou estado de emergência.

Estragos

Blumenau é uma das cidades mais atingidas. O prefeito afirmou que irá levar comida e mantimentos de helicóptero para as vítimas das enchentes. Itajaí amanheceu nesta terça-feira (25) com 90% de sua extensão inundada. Em apenas um dos bairros - o Fazenda - a água não invadiu as casas. Pelo menos duas pessoas morreram - uma por afogamento e outra eletrocutada. Cerca de mil estão desabrigados e dois mil estão desalojados.

Cerca de 400 turistas que estavam ilhados em um parque aquático no município de Gaspar, uma das cidades mais atingidas, se recusaram a entrar em dois helicópteros do Corpo de Bombeiros e seguiram, na tarde desta terça-feira, para o centro da cidade à pé, por uma trilha na mata aberta, escoltados por bombeiros.

O governo federal anunciou que vai liberar cerca de R$ 40 milhões para a recuperação das rodovias federais danificadas. No Paraná, um novo deslizamento impede a liberação da BR-376.

Nesta madrugada, segundo a Defesa Civil de Santa Catarina, as chuvas foram menos intensas. Choveu principalmente no litoral, mas os índices pluviométricos não passavam de 1 milímetro por hora, o que é uma chuva considerada de intensidade pequena. Os índices mais preocupantes são aqueles que passam dos 10 milímetros por hora, segundo a Defesa Civil.

O Exército deslocou 500 militares para prestar socorro às vítimas das enchentes em Blumenau e trabalha com o auxílio de quatro aeronaves, 17 caminhões e 12 barcos para recolher grupos isolados em vários pontos da cidade. Um deslizamento de terra no começo da manhã de hoje atrapalhou os trabalhos de reparo na rede elétrica. A recomendação do Exército é de que as pessoas evitem sair às ruas. Uma pessoa também morreu em Guaratuba, cidade do Paraná.

Em Itajaí, deslizamentos, alagamentos e malha viária danificada deixam 1.200 desabrigados e 2.000 desalojados. A cidade contabiliza duas mortes nesta terça. O secretário da Infra-Estrutura de Santa Catarina, Romualdo Theophanes França, informou que as chuvas irão atrasar obras do PAC no Estado.

Diversos trechos de rodovias estaduais e federais estão interditados por causa de deslizamentos e queda de barreiras. Ainda há risco de acidentes, por isso, a Defesa Civil orienta a população a usar seus veículos apenas em casos de emergência.

Prejuízos econômicos

Além das mortes e das milhares de pessoas desabrigadas, as chuvas também trouxeram prejuízos econômicos ao Estado. O setor de turismo e transporte já foram afetados. O porto de Itajaí, o maior do Estado, está fechado desde a última quinta-feira (20).

Com as interdições o acesso a Balneário Camboriú, um dos principais destinos turísticos do Estado, já ficou prejudicando, gerando prejuízo principalmente na rede hoteleira.

Moradores começaram a saquear supermercados e residências e a polícia teve que reforçar a segurança nas cidades mais afetadas pela chuva. Segundo o secretário de Segurança, Ronaldo Benedet, os furtos não se referem somente a objetos de necessidade, como alimentos e roupas, mas a produtos sem utilidade para a situação, como eletrodomésticos.

Ajuda de outros Estados e doações

Diversos Estados enviaram reforços e ajuda para Santa Catarina. Os governos de São Paulo e Minas Gerais encaminharam na tarde de segunda (24) quatro unidades para auxiliar nos trabalhos de resgate. Na tarde desta terça, São Paulo enviou mais um helicóptero para auxiliar nas buscas por vítimas. O governo federal enviou ministros, como José Gomes Temporão (Saúde), ao Estado. O Ministério encaminhou ao governo catarinense 100 kits de assistência farmacêutica que serão distribuídos aos 50 municípios mais atingidos pela chuva.

Cestas básicas, colchões, cobertores e kits de higiene estão sendo entregues às famílias atingidas pela chuva. A Defesa Civil distribui alimentos, água potável e medicamentos. Em Florianópolis, doações podem ser feitas no Portal do Turismo, Assembléia Legislativa e Procon. No interior do Estado, os produtos devem ser encaminhados aos abrigos, Defesa Civil e prefeituras. O governo pede prioridade à doação de água potável para as cidades atingidas, como Itajaí, onde a falta de água é crítica.

A recomendação é de que produtos de limpeza não sejam misturados com alimentos e roupa. Os alimentos devem estar dentro da validade, de preferência não perecíveis e com a embalagem em boas condições.

Para quem deseja ajudar as vítimas com doações em dinheiro, a Defesa Civil disponibilizou três contas correntes: no Banco do Brasil, a agência é 3582-3, conta corrente 80.000-7; no Besc, agência 068-0, conta corrente 80.000-0; e no Bradesco S/A - 237, agência 0348-4, conta corrente 160.000-1. O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ - 04.426.883/0001-57.

Chuvas em Santa Catarina danificam gasoduto Brasil-Bolívia

O abastecimento de gás entre o município de Guaramirim, em Santa Catarina, até o Rio Grande do Sul, foi interrompido na noite de ontem por causa das chuvas, segundo nota divulgada pela Transportadora Brasileira Gasoduto Brasil-Bolívia.

De acordo com a nota da TBG, a interrupção se deu por conta de um acidente no duto, seguido de fogo e ruído elevado, no trecho do gasoduto Brasil-Bolívia, na localidade de Belchior, em Blumenau, em Santa Catarina.
Não há registro de vítimas ou danos a edificações, de acordo com a empresa, e o vazamento e o fogo foram debelados após o fechamento das válvulas de segurança do gasoduto próximas ao local do vazamento.

No sábado (22), outro duto foi rompido em Santa Catarina. De acordo com a SC Gás, a queda de uma parte do leito da pista da rodovia BR 470, na altura do km 41,5, pressionou a tubulação do duto, o que ocasionou o vazamento do gás, bloqueio imediato das válvulas e incêndio no local. Por causa do acidente, as cidades de Blumenau, Gaspar, Pomerode, Timbó e Indaial estão sem abastecimento de gás.

Segundo a Defesa Civil, o fornecimento de gás à região deve ser normalizado em cerca de 21 dias.

Os acidentes ocorreram por conta das fortes chuvas e inundações ocorridas na região de Santa Catarina. Tanto a TBG quanto a SC Gás acionaram imediatamente seus planos de contingência, com a mobilização de equipamentos, materiais e recursos humanos para efetuar o reparo dos gasodutos.

* Com informações da Folha Online e das agências Estado e Brasil

25 novembro 2008

Milhares de peixes aparecem mortos em Itaocara

Depois da Região Sul agora três municípios do Norte e do Noroeste do estado suspenderam a captação de água do Rio Paraíba do Sul.



Depois da Região Sul agora três municípios do Norte e do Noroeste do estado suspenderam a captação de água do Rio Paraíba do Sul.

Um veneno que vazou de uma indústria no Sul Fluminense já percorreu 360 km rio abaixo, deixando um rastro de prejuízos. Ontem, milhares de peixes apareceram mortos em Itaocara, às margens do Rio Paraíba do Sul. Espécies como o dourado, tainha, robalo, estão no período de reposição, não resistiram e morreram na água contaminada. Alguns ainda agonizavam.

Cerca de 127 pescadores de Itaocara, Noroeste Fluminense, estão desesperados sem poder pescar, não há como sustentar a família.

“Não sei o que eu vou fazer agora vou ter que trabalhar em roça, capinar em cana ou catar papelão na rua”, fala Edson Dias, pescador.

A contaminação aconteceu na terça feira da semana passada quando pelo menos 1.500 litros do pesticida Endolsufan, vazaram de uma indústria de produtos químicos em Resende , sul do Estado do Rio de Janeiro e contaminaram o Rio Pinapetinga, afluente do Paraíba do Sul.

A empresa responsável pelo vazamento poderá ser multada em R$ 10 milhões. Por causa da poluição a captação de água está suspensa no município por tempo indeterminado. 16 mil moradores estão sem abastecimento. A orientação é para que a população economize e evite consumir água do rio.

“A água tratada já foi distribuída pela Cedae e a população pode ficar tranqüila que essa água tem qualidade. Com relação as pessoas que utilizam a água sem tratamento essas sim devem ficar em alerta porque essa água está absolutamente imprópria para o consumo humano, conta Geovane Cardoso, gerente regional da Cedae.

ONG anuncia venda de área de 275 mil hectares no AM



MANAUS - A ONG Instituto de Desenvolvimento e Educação Social da Amazônia (Idesa) está anunciando a venda de uma área de 275 mil hectares, o equivalente a 175% da área da Cidade de São Paulo. Não é divulgado o valor no site e nem o nome do proprietário. De acordo com o site, a área fica "de frente para o Rio Madeira", no Município de Canutama, a 555 quilômetros de Manaus.

"Terreno adquirido junto ao governo estadual em 1905, com cadeia dominial, título definitivo e escritura pública registrada no Cartório de Registro de Imóveis. Mata virgem com vários rios e igarapés, grande variedade de madeira, ideal para corte com manejo e certificação florestal, para projetos de seqüestro de carbono, além de muitas outras riquezas", informa o texto. De acordo com o advogado do suposto dono do terreno, Jari Maciel, que atende em Belém, o nome do proprietário e o valor do terreno só são informados aos virtuais compradores, pessoalmente.

Segundo ele, a área tem seis potenciais compradores interessados, todos do Estado de São Paulo. "O terreno está na família desde 1905 e está devidamente registrada no cartório de Canutama", disse. Segundo o superintendente do Instituto de Terras do Amazonas (Iteam), Sebastião Nunes, na área descrita no site há 39 terrenos com títulos definitivos. "Mas os 39 não chegam a 53.309 hectares, nem a metade do que o misterioso dono da área anuncia como sua propriedade na internet", diz. Maciel defende que o terreno de 275 mil hectares é da família que ele representa.

"Talvez por comodismo nem o proprietário tenha procurado o Iteam para informar sobre seu terreno, e vice-versa". Nunes afirmou que, à exceção dos 53,3 mil hectares particulares, o restante nos 275 mil hectares anunciados são terras da União. O superintendente informou que as áreas são extensas: são três Projetos de Assentamento Agroextrativistas (PAE) - o Lago do Acará, o Boto e o Expansão do Boto - e outras três glebas de assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) - Acarazinho, Urupiara e Baetés.

Chuvas já mataram 64 em Santa Catarina

Número de mortos e desabrigados não pára de crescer e tempo só deve melhorar amanhã



FLORIANÓPOLIS - Subiu para 64 o número de mortos pelas chuvas em Santa Catarina – a maioria por soterramento - e mais de 44 mil desabrigados; desses, mais de 14 mil estão em abrigos mantidos pelo Estado, principalmente nas cidade de Blumenau e Itajaí. O prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinübing, decretou estado de calamidade pública na cidade.

O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, decretou situação de emergência em todo o Estado e destacou que esta é a pior tragédia climática da história catarinense. Em 1983, as chuvas no Estado deixaram 49 mortos. Em relato ao secretário nacional de Defesa Civil, Roberto Costa Guimarães, Silveira informou que a enchente atinge um universo de mais de 1,5 milhão de pessoas, entre desabrigados, ilhados e vítimas de falta de água ou de gás.

O governo federal colocou à disposição todos os suprimentos necessários - o mesmo ocorreu com o Exército e com governadores do Sul e do Sudeste. O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acertar uma medida provisória que vai destinar recursos para o socorro das vítimas. As principais estradas que fazem a ligação com o Rio Grande do Sul estão bloqueadas por barreiras e oito cidades estão isoladas.

Falta água em Florianópolis e a chuva danificou o gasoduto Brasil-Bolívia, afetando o abastecimento no Estado e no Rio Grande do Sul. A Defesa Civil de Blumenau alertou para a possibilidade de novos deslizamentos e desmoronamentos no município.

Recorde

As chuvas dos últimos dias quebraram todos os recordes nas estações climáticas catarinenses - foi o maior volume registrado para o mês de novembro desde que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) começou a fazer medições em Florianópolis, em 1961. Técnicos do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Ciram) de Santa Catarina se mostraram surpresos.

"Superou nossos piores prognósticos. Esperávamos chuvas de 100, 150 mm por dia nesta semana, mas em grande parte das cidades do vale do rio Itajaí-Açu e do litoral norte catarinense choveu entre 200 e 250 mm", afirma o meteorologista Marcelo Martins. Em Blumenau, uma das cidades mais atingidas, choveu neste mês o equivalente a quase oito vezes a média histórica na cidade - até o fim da tarde de ontem, havia chovido 866 mm, ante 110,4 mm de média histórica. Em Joinville, no norte do Estado, o volume de chuva chegou a 869,6 mm, enquanto a média histórica é 214,5 mm de precipitação.

Trégua

A chuva em Santa Catarina deve continuar durante todo o dia de hoje, perdendo força somente amanhã. "O mau tempo é resultado de uma frente estacionária na Bahia e no Espírito Santo, brecada por uma massa de ar quente do Nordeste que não deixa o sistema de alta pressão evoluir para o oceano, mantendo as chuvas em Santa Catarina", diz o meteorologista Marcelo Martins, do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Ciram).

As pancadas de chuva estão previstas para todo o litoral norte, alto Vale do Itajaí e Florianópolis - justamente os locais mais prejudicados até o momento. Mesmo que a chuva dê trégua, a partir de amanhã, o meteorologista diz que a situação continuará de perigo no Estado. "Deve haver ressaca no litoral, o que evita o escoamento das águas dos rios para o mar, mantendo locais ainda alagados. Ventos entre 50 e 70 km/h na quinta (27) e na sexta-feira (28) também são motivo de preocupação", diz Martins. "Devemos nos manter alertas por pelo menos mais cinco dias."

Governo federal oferece ajuda

BRASÍLIA - Depois de conversar com o presidente Lula durante reunião ministerial na Granja do Torto, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, embarcou para Santa Catarina para verificar de perto a situação das enchentes no Sul do País e oferecer ajuda do governo federal ao governador do estado. Além da ajuda financeira e outras que forem necessárias, o governo está colocando à disposição também as Forças Armadas, como aviões da Força Aérea, para ajudar no que for preciso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem um minuto de silêncio pelos mortos nas enchentes em Santa Catarina, ao final de um evento sobre aprendizagem industrial, em Brasília, no início da noite. Ele observou que o País acompanha "com tristeza" as notícias das mais de 50 pessoas que já morreram no Estado.

Várias rodovias estão interditadas

CURITIBA - O trecho da BR-376 entre o Paraná e Santa Catarina, principal ligação entre Curitiba e Florianópolis, voltou a ser interditado nos dois sentidos durante a manhã de ontem, em razão de nova queda de barreira entre os quilômetros 684 e 685, no Município de Guaratuba. Durante o fim de semana, a rodovia já esteve fechada, mas foi liberada na tarde do último domingo. Como não há previsão de liberação, a orientação para quem precisa ir a Santa Catarina é para que faça desvio pela BR-116 até Agudos do Sul (PR) e, dali, acessar a BR-101.

Várias rodovias federais continuavam interditadas ontem por causa de deslizamentos causados pelas chuvas que atingem o Estado de Santa Catarina, segundo informações da Polícia Rodoviária Federal. Na BR-101, vários trechos estão bloqueados, um deles em Palhoça, no km 235, na região de Morro dos Cavalos. A pista seguia interditada desde a noite do último sábado, sem desvios. Em Itajaí, o trecho da pista no km 113 estava alagado pelo transbordamento do Rio Itajaí-Açú, ontem. Não há desvio.

Em Piçarras, no kKm 99, a pista foi alagada pelo transbordamento do Rio Piçarras, no sentido norte. Há um desvio na altura do km 105, pelo Município de Penha. Em Gaspar, nos quilômetros 33 e 41, a rodovia BR-470 também está interditada nos dois sentidos desde a tarde de sábado. Ontem, vários pontos da rodovia foram alagados pelo transbordamento do Rio Itajaí-Açú entre os municípios de Gaspar e Blumenau.

Em Águas Mornas, no km 31, um deslizamento de terra na madrugada de ontem interditou totalmente a pista no sentido interior do estado na rodovia BR-282 e não há desvio. No mesmo município, no km 43, detritos caíram sobre a pista durante a madrugada, interditando o trecho. Não há desvios e o tráfego passa em meia pista.

22 novembro 2008

Na surdina e em crise, frota baleeira japonesa segue para a Antártica

Segundo informações divulgadas pela imprensa do Japão, cota de baleias a serem caçadas será 20% menor do que na temporada passada.



Tóquio, Japão — Ativistas do Grenpeace marcaram na manhã desta segunda-feira (17/11) a saída da frota baleeira do Japão do porto de Innoshima com faixas informando que a caça às baleias está sob julgamento e que o programa baleeiro suga milhões de dólares de impostos pagos por cidadãos japoneses.

A frota tentou deixar o Japão na surdina, após o cancelamento da tradicional cerimônia festiva de despedida da frota, promovida no porto de Shimonoseki. Com a presença apenas dos familiares da tripulação e autoridades da indústria baleeira, o navio-fábrica Nisshin Maru deixou Innoshima em direção ao Santuário de Baleias do Oceano Antártico.

A indústria baleeira japonesa está em crise. A mídia informa, com base em fontes da indústria, que a cota de baleias a serem mortas foi reduzida em 20%. A Agência Japonesa de Pesca, no entanto, diz que o total de 935 baleias minke e 50 fins serão mortas, mesmo número da temporada passada.

Foi também revelado que pela primeira vez na história a frota vai navegar sem uma tripulação 100% japonesa, com vários integrantes se recusando a viajar depois do escândalo de contrabando de carne de baleia ter sido revelado ao público pelo Greenpeace. E como não se bastasse, foi anunciado que o restaurante Yushin, que vende carne de baleia em Tóquio, será fechado em 2010 devido a problemas financeiros.

O cargueiro Oriental Bluebird, responsável pelo reabastecimento da frota baleeira, foi recentemente multado pelas autoridades panamenhas e não acompanhará os navios japoneses ao Oceano Antártico, o que deve ter impacto significativo na capacidade de transporte de carne de baleia de volta ao Japão.

"A confusão existente na indústria baleeira e a reação despropositada das autoridades japonesas contra os ativistas do Greenpeace, Junichi Sato e Toru Suzuki, mostram que o trabalho da organização no Japão está gerando frutos, ao revelar ao público um programa baleeiro caro e sem sentido", afirma Jun Hoshinkawa, diretor executivo do Greenpeace Japão. "O mercado de carne de baleia no Japão entrou em colapso. É a hora dos cidadãos japoneses, que pagam impostos, exigir que o governo pare de subsidiar esse programa falido, e trazer de volta ao porto a frota baleeira."

O Greenpeace vai focar seus esforços para acabar com a caça às baleias dentro do Japão, onde 71% do público não apóia o programa baleeiro japonês.

Rochas em caverna na China registram os efeitos de mudanças climáticas dos últimos séculos

Minerais mostram que períodos de seca coincidiram com queda de dinastias que governavam o país


WASHINGTON - Uma estalagmite crescendo do chão de uma caverna na China está fornecendo pistas sobre o final de diversas dinastias na história chinesa. Construída vagarosamente por minerais pingando com água há 1.810 anos, as substâncias químicas na pedra contam uma história de ciclos de monções fortes e fracos. Monções são as chuvas que irrigam os campos que alimentam milhões de pessoas.

Períodos de seca coincidiram com o desaparecimento das dinastias Tang, Yuan e Ming, disseram os pesquisadores na edição de sexta-feira, 7, da revista Science.

Além disso, a equipe liderada por Pingzhong Zhang, da Universidade de Lanzhou, na China, notou uma mudança nos ciclos por volta de 1960, o que eles disseram que pode indicar que os gases estufa emitidos pelos humanos tornaram-se uma influência dominante para as monções.
A caverna de Wanxiang fica na província de Gansu, onde 80% das chuvas ocorre entre maio e setembro.

Concentrações químicas na estalagmite indicam uma série de flutuações durando de um a vários séculos, e acompanham os dados europeus da idade do gelo e do período medieval quente.

Houve flutuações de uma década entre 190 e 530 d.C., o final da dinastia Han e a maior parte da Era da Desunião, disseram os pesquisadores. De 530 a 850 as monções declinaram, cobrindo o final da Era da Desunião, a dinastia Sui e a dinastia Tang.

As monções permaneceram fracas, com outra queda grande entre 910 e 930, então subindo e permanecendo fortes até 1020.

Os pesquisadores descobriram que depois de 1020 as monções variaram mas foram geralmente fortes, até uma queda forte intensa 1340 e 1360. Elas permaneceram fracas, com bastante flutuação, até um forte aumento entre 1850 e 1880.

De acordo com os pesquisadores, o período de seca contribuiu para a queda da dinastia Tang e dos maias, na América. Ele também pode ter contribuído para a falta de unidade durante o período das cinco dinastias e dos dez reinados, disseram.

Sistema de tratamento de esgoto inovador limpa Lagoa de Araruama



Biólogos, acadêmicos de engenharia florestal, gestores ambientais e até advogados integrados a comitês de bacias do Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais se surpreenderam com os resultados obtidos com o tratamento de esgoto na Lagoa de Araruama, na Região dos Lagos. A recuperação da lagoa, a partir da implantação pela Prolagos do sistema de coleta e tratamento de esgoto em "tempo seco" foi o tema da visita técnica de uma comissão multidisciplinar à Região dos Lagos, por sugestão do Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ).

O grupo participante do Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas, no Rio de Janeiro, foi conhecer como funciona o sistema nos municípios da região. O sistema de captação e tratamento de esgoto em "tempo seco", implantado a partir de 2003, vem sendo citado pelas instituições estaduais de recursos hídricos como exemplo de recuperação ambiental, devido à melhora visível da Lagoa de Araruama, que apresentava um alto grau de poluição.

À época, a concessionária adotou o sistema em "tempo seco" por decisão de órgãos fiscalizadores como Ministério Público, prefeituras, CILSJ, Comitê de Bacia Lagos São João e outras entidades e instituições, que perceberam ser o mais viável para recuperar e salvar a lagoa da degradação ambiental a curto prazo.

Técnicos avaliam danos causados por produto tóxico no Paraíba do Sul

Houve mortandade de peixes e a captação de água para alguns municípios da região ainda está suspensa.



A Secretaria do Ambiente faz hoje uma vistoria no Rio Paraíba do Sul, no sul do estado. Técnicos querem avaliar os danos causados pelo vazamento de um pesticida tóxico nas águas.

Os moradores do sul do estado estão preocupados com a qualidade da água do Rio Paraíba do Sul que é o principal da região. Hoje a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, faz uma vistoria para saber o impacto do vazamento. A inspeção do Rio Paraíba do Sul será acompanhada por agentes da Coordenadoria de Combates aos Crimes Ambientais e Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente.

A Servatis também será vistoriada. A empresa reconheceu ser a responsável pelo despejo de um produto tóxico usado na fabricação de inseticida que acabou provocando a mortandade de peixes no Rio Paraíba do Sul.

Técnicos da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA), dizem que o vazamento teria acontecido na última terça-feira às 15h causado por uma falha no descarregamento de um dos caminhões da empresa.

A Servatis informou em nota que o vazamento foi provocado por um acidente. As cidades de Quatis e Três Rios continuam com a captação suspensa.

A empresa foi autuada pela FEEMA, mas o valor ainda não foi definido. O resultado da ánalise da água coleta no Paraíba do Sul deve ser divulgado na semana que vem.

20 novembro 2008

Mortandade de peixes no Paraíba do Sul intriga especialistas

A Agência de Meio Ambiente do município já recolheu material para análise para verificar se há algum tipo de contaminação e adverte: ninguém deve comer o pescado nem usar a água do rio.



A mortandade de peixes no Rio Paraíba do Sul, em Resende, intriga ambientalistas e autoridades. A Agência de Meio Ambiente do município já recolheu material para análise para verificar se há algum tipo de contaminação e adverte que por enquanto ninguém deve comer o pescado nem usar a água do rio.

O dono e o encarregado de uma fazenda às margens do rio Paraíba do Sul passaram o dia recolhendo uma grande quantidade de peixes mortos. De acordo com Matheus, o problema aconteceu às 6h, quando ele reunia o gado. “Passei aqui e o rio estava com muito peixe morrendo. Senti um cheiro forte de veneno”, conta.

Até o fim da tarde, dezenas de peixes mortos estavam descendo o rio Paraíba. Foi preciso várias viagens de barco para tirar os peixes da água. O pecuarista disse que está preocupado com o gado que se alimenta de capim nas margens e bebe água do rio. “Pode ocorrer uma intoxicação ou até a morte de uma vaca”, fala Altair Jardim.

Segundo as primeiras investigações de autoridades ambientais, a quantidade de peixes mortos foi vista a cerca de um quilômetro rio abaixo depois do Pólo Industrial de Resende, onde existem pelo menos dez grandes empresas atuando. Algumas trabalhando com produtos altamente tóxicos.

A Agência de Meio Ambiente de Resende, recolheu amostras da água e dos peixes para que sejam feitas analises clínicas. “Para que nós tenhamos a identificação da substância que deve ter sido lançada ao rio e sabendo qual substância possamos identificar o responsável pelo acidente”, conta Luiz Felipe César.

Prefeituras que captam água do Paraíba, foram avisadas sobre o problema. O ambientalista alerta também a população para que não consuma os peixes. “A substância pode ser tóxica portanto é preferível que esses peixes não sejam consumidos”.

A Feema, órgão estadual de controle do meio ambiente, também recolheu amostras para análise.

As prefeituras de Porto Real e Quatis suspenderam a captação de água do rio Paraíba até que o resultado dos exames seja divulgado. Em Barra Mansa e Volta Redonda, as coordenadorias de meio ambiente informaram que estão monitorando a situação.

Seca no Nordeste leva 291 municípios a decretar emergência

Sete Estados sofrem com a falta d`água; abastecimento dos moradores das áreas atingidas depende de carros-pipa



FÁBIO GUIBU, KAMILA FERNANDES e LUIZ FRANCISCO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM RECIFE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM FORTALEZA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SALVADOR

A seca que atinge o Nordeste já levou 291 municípios de sete Estados da região a decretar situação de emergência. Nas áreas atingidas, o abastecimento dos moradores depende de carros-pipa.

A estiagem dizima lavouras e obriga até hospitais a adiar cirurgias por falta d"água. Sem chuva e com os plantios destruídos, sertanejos estão sem alimento. No Piauí, onde o governo decidiu antecipar o decreto de situação de emergência em 60 municípios para solicitar ajuda federal, o Estado já distribuiu 28 mil cestas básicas em cidades como Acauã e São Julião, onde a seca provocou perdas de 80% nas safras de milho e feijão.

No Ceará, onde a estiagem afeta 55 municípios, 30 cidades estão em situação de emergência. Carros-pipa contratados pelo Exército atendem 18 localidades. Em outras 25, o socorro é feito pelas prefeituras.

No Estado, a pior situação está no sudoeste. Em Antonina do Norte (512 km de Fortaleza), não chove desde maio. O único açude da localidade está com 29,9% da sua capacidade de armazenamento.

Cirurgias

Na Bahia, há duas semanas 24 cirurgias marcadas em um hospital de Itabuna foram canceladas ou transferidas para outras unidades, por falta de água. Nas paredes do Hospital Manoel Novaes, pelo menos cinco cartazes pedem para que todos economizem água.

Dos 417 municípios baianos, 88 estão em situação de emergência. Outras 42 cidades que também sofrem com os efeitos da seca tiveram o decreto assinado pelo governador Jaques Wagner (PT) expirado.

Segundo a Defesa Civil do Estado, o governo já construiu 8.000 cisternas para amenizar os problemas, que afetam aproximadamente 800 mil pessoas.

Só em dezembro

Em Pernambuco, 390 mil pessoas sofrem com a estiagem. Prefeitos de 48 dos 184 municípios do Estado já decretaram situação de emergência. Em Alagoas, 29 prefeituras também estão em situação emergencial devido à seca.

A situação se repete em nove cidades de Sergipe e em mais 27 do Rio Grande do Norte, onde os militares socorrem com carros-pipa 24 localidades.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia em Recife, só deve chover no semi-árido no final de dezembro.

De acordo com o chefe do setor de meteorologia, Ednaldo Correia de Araújo, a estiagem nesta época do do ano é considerada normal para a região.

12 novembro 2008

Sipam lança projetos em Roraima



Desembarcam hoje, em Boa Vista, o gerente do Centro Regional do Sipam em Manaus (AM), Bruno Monteiro, e a coordenadora operacional, Solange Costa, que estarão no Estado até o dia 14 realizando visitas a diversos órgãos municipais e estaduais.

A gerência estará reunida junto ao Instituto de Terras e Colonização de Roraima (Iteraima), a Secretaria de Planejamento (Seplan), Fundação do Meio Ambiente e Tecnologia (Femact-RR) e Secretaria da Articulação Municipal e Política Urbana, discutindo os programas SIPAMCidades, ProAE e Repig, a serem lançados no Estado.

A primeira reunião está marcada para ocorrer no Iteraima, às 16h30, onde os gerentes estarão reunidos com os representantes do órgão para apresentar a idéia que será implantada em Boa Vista e seus benefícios.

O SIPAM-Cidade é um programa de capacitação em geotecnologias para os gestores dos municípios da Amazônia Legal.

O curso consiste no treinamento no software TerraView, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e na disponibilização de base de dados cartográficos sobre cada município.

O serviço é gratuito e os prefeitos devem indicar dois representantes para participar. Através da capacitação, com o domínio em geoprocessamento, o município poderá gerar produtos específicos para a gestão municipal, como mapeamentos das vias de acesso e da infraestrutura urbana, mapeamentos ambientais (APPs, Reserva Legal), mapas para disposição de lixo e de aptidão agrícola.

A Rede de Processamento de Imagens e Informações Geográficas (REPIG) é um sistema virtual criado pelo Sistema de Proteção da Amazônia para contribuir com a organização e o armazenamento de informações referentes ao meio ambiente amazônico. Com a rede de comunicação do Sipam é feita a transmissão de dados e de informações de interesse da Amazônia.

A rede permite que os dados sejam compartilhados entre os governos municipais e estaduais da região composta por Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins.

A meta da Repig é utilizar informações das quais o Sipam dispõe, como as imagens SAR (Sinthetic Aperture Radar) e agregá-las a dados já pertencentes aos Estados, criando uma grande e consolidando a rede de processamento de imagens e de informações geográficas de toda a Amazônia.

Um dos objetivos é levantar e analisar dados e informações sobre projetos executados, em curso ou em planejamento na Amazônia Legal, de interesse do Sipam e dos governos estaduais, na área de geoprocessamento. Tais informações facilitarão tarefas como o controle de desmatamentos e de queimadas, execução de planos de desenvolvimento estaduais e municipais, sejam urbanos ou rurais, entre outros.

Outro programa previsto a ser implantado no Estado é o de Monitoramento de Áreas Especiais (Proae), que faz o levantamento do desmatamento em áreas de proteção. O programa utiliza dados do sensor "Thematic Mapper" a bordo do Satélite Landsat-5, os quais são complementados com as imagens dos sensores aeroembarcados, para a identificação de desmatamentos irregulares na Amazônia Legal.

Com o produto, são gerados relatórios contendo estimativas de áreas antropizadas, incluindo aquelas com extração seletiva de madeira em processo avançado e dados georreferenciados que são repassados para o planejamento das operações dos órgãos parceiros em suas ações fiscalizatórias.

Após a apresentação dos objetivos do Sipam em implantar os programas no Estado, que também é de responsabilidade do órgão, os gerentes pretendem voltar ao Amazonas com resultados satisfatórios e, até o fim do ano, começar a desenvolver as ações em Roraima.

SIPAM - O Sistema de Proteção da Amazônia, órgão vinculado à Presidência da República, foi criado para integrar informações e gerar conhecimento atualizado para articulação, planejamento e coordenação de ações globais de governo na Amazônia Legal, visando à proteção, inclusão social e desenvolvimento sustentável da região.

Nesse sentido, o sistema gera produtos e serviços de interesse estratégico das instituições governamentais e das comunidades amazônicas, usando como base os documentos produzidos nos Centros Técnicos e Operacionais de Belém (PA), Manaus e Porto Velho (RO). Os dados são avaliados, tratados, difundidos e integrados, transformando-se em informações seguras capazes de ampliar enormemente o conhecimento e orientar as políticas públicas para a região.

Chimpanzé 'adota' filhotes de tigre na Flórida

Macaca brinca, dorme e até oferece dedos para felinos usarem como chupeta.



No Jungle Park, na Flórida, uma chimpanzé adotou dois filhotes de tigre, recém-chegados de outro parque na Carolina do Sul.

Os pequenos Mitra e Shiva ainda não se adaptaram ao calor de Miami, e desde a sua chegada, encontraram na macaca Anjana uma espécie de mãe adotiva.

A treinadora China York conta que a chimpanzé oferece os próprios dedos para os tigres usarem como chupeta quando eles estão chorando e que os três bichos dormem e brincam juntos.

A expectativa é que o relacionamento especial entre a macaca e os tigres continue até que eles cresçam e se tornem perigosos demais para conviver com a chimpanzé.

Essa não foi a primeira vez que Anjana adota filhotes de outras espécies. Segundo a administração do parque Jungle Island, ela também já tratou de leõezinhos e de leopardos.

Japão ultrapassa novamente limites de emissões fixadas em Kioto



Tóquio - As emissões de gases do efeito estufa do Japão no último ano fiscal, que terminou em março, subiram ao recorde de 1,37 bilhão de toneladas de dióxido de carbono, superando os limites fixados pelo Protocolo de Kioto.

Segundo o relatório publicado hoje pelo Ministério do Meio Ambiente japonês e citado pela agência "Kyodo", esse aumento representa um valor 8,7% acima do nível de 1990, ano de referência marcado pelo Protocolo de Kioto.

Em relação ao ano fiscal anterior, as emissões de dióxido de carbono cresceram 2,3%, devido a um aumento nos trabalhos nas unidades de energia elétrica térmica, que emitem mais dióxido de carbono que as usinas hidrelétricas.

Outra razão foi a suspensão de uma unidade de energia nuclear em Niigata (noroeste do Japão) por causa de um terremoto em 2007, o que provocou um aumento das emissões de gases do efeito estufa no setor industrial, empresas e casas.

Por setores, nas casas japonesas, as emissões aumentaram 8,4%, diante do maior uso de ar condicionado no verão, e na área industrial aumentaram 3,6%.

O Protocolo de Kioto solicitava ao Japão que diminuísse suas emissões de gases do efeito estufa em 6% entre 2008 e 2012, comparado aos níveis de 1990.

Agricultura quer tornar lei ambiental mais "viável"



MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) propôs ontem que produtores rurais façam doações em dinheiro para um fundo ambiental como alternativa à recomposição da vegetação devastada em suas propriedades.

A proposta foi apresentada pelo ministro na primeira reunião técnica para discutir mudanças no Código Florestal. A lei proíbe a atividade agropecuária em parte das propriedades e é vista como um obstáculo ao agronegócio.

Segundo Stephanes, a legislação de proteção ambiental em vigor "tem pontos inviáveis". O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) concorda com a revisão do Código Florestal, mas ainda não deu aval a nenhuma mudança. Também participaram da reunião no Ministério da Agricultura o ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) e representantes do agronegócio, dos ambientalistas e congressistas.

Stephanes também formalizou uma proposta que permite aos Estados reduzirem de 80% para 50% a área protegida em propriedades na Amazônia, independentemente da existência de zoneamento econômico ecológico. Alega que o processo, coordenado pelo Meio Ambiente, é "extremamente moroso e complexo".

Outra medida já condenada por ambientalistas e levada pelo ministro à reunião é a compensação da reserva legal fora da bacia hidrográfica ou mesmo do Estado em que se localiza a propriedade rural. Stephanes defende a possibilidade de recompor áreas desmatadas ilegalmente com espécies exóticas. Os ambientalistas aceitam discutir essa proposta, desde que ela não alcance áreas de proteção permanente, como margens e nascentes de rios.

Temer é alvo de investigação no STF por crime ambiental

Deputado é suspeito de ter depredado área de reserva ecológica; ele nega acusações

Relatórios acusam ainda o congressista de recorrer a grileiros para aumentar suas posses; PF o convocará para prestar depoimento



ALAN GRIPP
ENVIADO ESPECIAL A ALTO PARAÍSO (GO)

Nome mais forte hoje para a sucessão da Presidência da Câmara, o deputado e presidente nacional do PMDB, Michel Temer (SP), é alvo de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) que investiga suposto crime ambiental e contém denúncias de que o parlamentar incorporou ao seu patrimônio terras fruto de grilagem.

Além disso, documentos da Agência Rural do Estado de Goiás acusam o deputado de tentar regularizar a propriedade com declarações falsas. As terras ficam em Alto Paraíso (GO), santuário ecológico.

Formalmente, o parlamentar é investigado no STF pela suspeita de ter depredado área de reserva ambiental ao construir uma estrada de acesso à sua propriedade, desmatando área protegida pelo Ibama. Mas há na investigação relatórios e testemunhos que o acusam de recorrer a grileiros e a servidores do governo de Goiás - mais tarde punidos - para obter títulos de propriedade e para tentar aumentar, sem sucesso, o tamanho de suas posses.

O deputado nega. Diz que as obras na estrada que corta a Reserva Particular de Proteção Natural (RPPN) Campo Grande são de responsabilidade da Prefeitura de Alto Paraíso. Alega ainda que o aumento da área adquirida por ele teve respaldo em medições técnicas legais.

Entre 2002 e 2003, Temer desistiu das terras. Depois da abertura de investigação pelo Ministério Público de Goiás, ele retirou a ação de usucapião, em que brigava para legalizar 2.500 hectares, e doou para a prefeitura a fazenda que já havia conseguido regularizar - esta com 452 hectares.

Apesar disso, o Ministério Público Federal entendeu que Temer pode ser responsabilizado caso sejam comprovadas as denúncias e enviou o caso ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. A pedido do procurador, o ministro do STF Joaquim Barbosa instaurou inquérito em agosto. A investigação está a cargo da Polícia Federal, que convocará o deputado para depor.

Em 2004, um auditoria determinada pelo então governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), apontou fraudes nos processos de regularização das posses de Temer. O documento revela que o procurador do Estado José Bonifácio, designado para atuar na demarcação de terras na região, foi o advogado de Temer nas ações para obtenção dos títulos de posse.

Segundo relatório da auditoria, feita pelo Gabinete de Controle Interno do governo de Goiás, Bonifácio redigiu um despacho informando que nas áreas pretendidas pelo deputado "não havia litígio de posse de terras", apesar de o próprio advogado ter auxiliado Temer na disputa com os posseiros.

Bonifácio também pediu à Agência Rural que designasse o perito judicial Alonso de Miranda para o processo de demarcação de terras da região. Miranda atuou ao lado de Alberto do Nascimento, então gerente do Departamento de Agrimensura do órgão. Segundo o Ministério Público, ambos são responsáveis por grilagem.

Temer e seu sobrinho, Luiz Antônio Schincariol, adquiriram a primeira posse em Alto Paraíso em 1989. De acordo com a auditoria, a escritura da propriedade indicava que ela tinha 726 hectares. Nove anos depois, Schincariol vendeu sua parte a Temer por R$ 339 mil. Nesta escritura de compra e venda, a fazenda foi descrita com 1.250 hectares.

No ano seguinte, na ação de usucapião, Temer disse ter direito a 2.500 hectares. Os peritos dizem que se trata de uma "descrição de área falsa e superdimensionada". Na mesma ação, Temer diz ter realizado benfeitorias inexistentes, entre elas uma sede. Ele reconhece que a obra não foi feita.

11 novembro 2008

Fogo destrói quase metade da Chapada Diamantina na BA

Gestores do Parque Nacional da Chapada Diamantina pedem que turistas evitem região até que situação esteja controlada

Focos simultâneos já atingiram 70 mil dos 150 mil hectares da unidade; incêndios são provocados por garimpeiros e agricultores



LUIZ FRANCISCO
EM SALVADOR

Focos de incêndio simultâneos destruíram cerca de 70 mil hectares do Parque Nacional da Chapada Diamantina, o equivalente a quase 50% da área da região (150 mil hectares), um dos maiores pólos turísticos da Bahia. A situação é tão crítica que o Corpo de Bombeiros e os gestores do parque pediram que os turistas evitem a região até que chova ou que os focos sejam controlados.

"A situação está fora de controle. Se não houver o reflorestamento, os danos ambientais serão irreversíveis", disse Christian Berlink, administrador do parque.

O incêndio tem origem criminosa - e o forte calor ajuda a propagar as chamas. Segundo bombeiros e voluntários que atuam no combate aos focos, agricultores e garimpeiros costumam provocar incêndios ao preparar a terra para plantações e escavações.

Levantamento parcial do Corpo de Bombeiros da Chapada revela que os primeiros focos surgiram há quase um mês, em 20 municípios que integram o parque ou seu entorno.

Nos últimos dias, porém, a ação do fogo foi mais intensa e esteve concentrada em 11 cidades, queimando casas, material de irrigação, cercas e animais.

"Existe um comprometimento geral do ecossistema da região. Já há animais mortos e outros certamente devem morrer de fome ou de sede", disse Cezar Gonçalves, analista do Instituto Chico Mendes.

De acordo com ele, o parque abriga 370 espécies de aves. "Como esta é uma época de reprodução, certamente dezenas de aves deixaram de nascer porque o fogo destruiu os ninhos, que geralmente estão localizados nas copas das árvores. Além disso, nossos técnicos constataram mortes de répteis e de mamíferos."

Desses 11 municípios, em cinco - Palmeiras, Lençóis, Andaraí, Mucugê e Ibicoara - a situação é de calamidade pública, segundo Gonçalves.

O combate às chamas está sendo feito por 192 pessoas - 150 bombeiros e voluntários e 42 moradores contratados, pois conhecem bem o parque. O efetivo conta ainda com quatro aviões pequenos, dois helicópteros e um Hércules da FAB (Força Aérea Brasileira).

Decreto autoriza destruição de cavernas

Nova legislação, promulgada ontem pelo Planalto, pode comprometer 70% das grutas do país, dizem ambientalistas

Considerada "absurda" por espeleólogos, norma resulta de dois anos de pressão de empresas; para governo, lei anterior não protegia nada



THIAGO REIS
MATHEUS PICHONELLI

O governo federal autorizou a destruição de cavernas no país. Decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicado ontem no "Diário Oficial da União" permite, a partir de agora, que milhares de grutas sofram "impactos negativos irreversíveis".

São cerca de 7.300 grutas identificadas no país. Antes, todas eram protegidas por lei. Com as mudanças na legislação, cavernas naturais passam a ser classificadas por quatro critérios de relevância: máximo, alto, médio e baixo.

Apenas as formações de "máxima relevância" deverão ser preservadas. As demais poderão ser eliminadas desde que haja autorização por parte de órgãos ambientais.

Pelos novos critérios, grutas com "alta relevância" poderão ser destruídas desde que o empreendedor se comprometa a preservar duas similares.

Para impactar formações com "média relevância", o empreendedor deverá adotar medidas e financiar ações que contribuam para a conservação e o uso adequado do "patrimônio espeleológico brasileiro".

Já cavernas com "baixo grau de relevância" poderão ser impactadas sem contrapartidas.

Criticada por ambientalistas, que prevêem a possibilidade de destruição de até 70% das formações brasileiras, a nova norma é resultado de quase dois anos de pressão de empresas, principalmente mineradoras e hidrelétricas -que vêem nas grutas um "empecilho" à expansão de empreendimentos.

Para o secretário-executivo da SBE (Sociedade Brasileira de Espeleologia), Marcelo Rasteiro, a nova lei é "absurda, horrível, lamentável".

Tempo recorde

A minuta, enviada há menos de um mês para a Casa Civil, gerou mobilização entre especialistas do setor. Em 15 dias, mais de 2.500 pessoas colocaram o nome em um abaixo-assinado e 164 entidades aderiram a um manifesto feito pela SBE para tentar barrar o projeto.

A Federação Espeleológica da América Latina e Caribe e associações de Colômbia, Argentina, Paraguai, México e Itália se pronunciaram contra o novo decreto no Brasil.

"O [ministro] Carlos Minc estava sabendo. Foi enviada também uma carta à Casa Civil e aos ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia pedindo que fosse aberto um canal de comunicação. Tudo isso foi ignorado. O governo não está ligando para o que pensa a sociedade", afirma Rasteiro.

O presidente do Instituto Chico Mendes, Rômulo Mello, afirma que houve discussões suficientes, mas que as entidades têm o direito de não concordarem com a versão final da proposta, já que nem todas as idéias discutidas poderiam ser contempladas no decreto.

Segundo ele, o decreto representa avanço porque, da forma como era antes, a lei "em tese, protegia tudo e, na prática, não protegia nada".

"Vamos ter algumas dificuldades para definir critérios, mas agora haverá mecanismos sobre compensações e ações de proteção das unidades", diz.

O ministério terá 60 dias para elaborar a metodologia para a classificação do grau de relevância das cavernas. Os estudos para definição da relevância serão pagos pelo empreendedor.

"Há anos que se discute como fazer a classificação de uma caverna e jamais se chegou a uma conclusão. O ministério vai ter 60 dias para fazer isso. É impossível. Nem os melhores técnicos serão capazes de fazer algo decente", diz Rasteiro.

Segundo ele, pontos importantes listados pelo Cecav (Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas) foram retirados do projeto final, como o que previa uma avaliação da importância do empreendimento. "A nova lei parte do princípio de que qualquer obra é mais relevante que qualquer caverna. Não há preocupação com o ambiente."

Mudança do clima, Estado e Prêmio Nobel

Não podemos controlar os fenômenos naturais, como a atividade solar. Assim, nos resta controlar os sociais, pelo princípio de precaução



LUIZ PINGUELLI ROSA

QUALQUER TEORIA é refutável, caso contrário, ela não é científica, segundo o filósofo da ciência Karl Popper. Mas o artigo de José Carlos Azevedo na Folha de 13/ 10 ("Qual temperatura?", "Tendências/Debates") cita o presidente da República Tcheca, que não tem base para refutar o aquecimento da Terra devido à emissão de gases para a atmosfera, como o CO2 da combustão de carvão, petróleo e gás natural.

O presidente tcheco, cristão-novo convertido ao capitalismo, ataca os ambientalistas em nome do mercado livre, que conduziu o mundo à crise financeira desencadeada nos EUA.

Paul Krugman, Nobel de Economia de 2008, critica essa ideologia. O controle da poluição também exige intervenção do Estado para regular a produção e o desperdício das camadas de maior renda. A Convenção do Clima da ONU foi ratificada pela quase totalidade dos Estados, mas o neoliberalismo radical de Bush o levou a não ratificar o Protocolo de Kyoto.

A relação que o artigo faz entre a origem do movimento ambientalista e o Estado nazista, com o argumento de que a expressão "meio ambiente" foi usada por um biólogo que era nazista, é ilógica. Seria o mesmo que associar ao nazismo as relações de incerteza da mecânica quântica só porque Heisenberg, que as formulou em 1927, tornou-se depois diretor de pesquisas no governo Hitler.

Azevedo considera o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, na siga em inglês) menos autorizado cientificamente que um grupo dissidente nos EUA. Entretanto, entre os autores do último relatório do IPCC está o Nobel de Química de 1995, Mário Molina, que convidei pouco antes de ser premiado pela teoria sobre os buracos na camada de ozônio no topo da atmosfera para um seminário no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.

Os dissidentes atribuem o aquecimento global aos raios cósmicos e à atividade solar. Mas isso está considerado no 4º relatório do IPCC, de 2007, como efeitos naturais, que não explicam quantitativamente a temperatura da Terra sem incluir a contribuição humana. Como não podemos controlar fenômenos naturais, nos resta controlar os sociais, pelo princípio de precaução.

O Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas contribui para a formulação de um plano de ação do governo, que inclui a redução do desmatamento, a maior fonte de CO2 no Brasil. Já para reduzir a atividade solar, não há o que fazer.

O artigo diz que efeitos naturais explicam o aquecimento global, mas afirma que não há como computar nem como medir a temperatura média da Terra. Ora, o que explicam, se nada pode ser previsto?

Embora a previsão do tempo só possa ser feita com margem de erro aceitável por curtos períodos, o estudo do clima não se confunde com a previsão meteorológica. Ele trata de médias estatísticas dos comportamentos possíveis da atmosfera em longos períodos, apesar de o tempo em um dia determinado ser imprevisível após poucas semanas, pois a atmosfera é um sistema caótico. O caos determinista, verificado por Lorenz nos anos 1960 na computação para a previsão do tempo, foi teorizado por Poincaré há mais de um século.

É complicada a determinação da temperatura média da Terra, e o artigo de Azevedo a ironiza ao falar no número de telefone médio, somando todos os números de um catálogo telefônico e dividindo a soma pela quantidade de telefones catalogados.

Isso não significa nada. Entretanto, podemos tomar os quatro primeiros dígitos, que codificam as estações por bairros. Se tomarmos telefones de duas estações do Rio - 2294 (Leblon) e 2596 (Engenho de Dentro) - e calcularmos a média somando todos os códigos dessas duas estações na lista, se ela for menor que (2294 + 2596)/2 = 2.445, então há mais telefones (fixos) na estação do Leblon do que na do Engenho de Dentro. Nesse caso, sim, a média dá uma informação.

A base da teoria do efeito estufa vem de Fourier, em 1824, e Arrhenius, em 1895. Sem ele, a Terra seria muito fria, logo foi benéfico à vida.

Mas o alto consumo de combustíveis fósseis tem aumentado a concentração de CO2 na atmosfera e o degelo de geleiras perenes indica que a intensificação do aquecimento global tornou-se maléfica.

LUIZ PINGUELLI ROSA , 66, físico, é diretor da Coppe-UFRJ (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro). Foi presidente da Eletrobrás (2003-2004).