20 outubro 2007

Balsa afunda com óleo diesel no Marajó, no Pará



O naufrágio de uma balsa com 75 mil litros de óleo diesel no arquipélago do Marajó, norte do Pará, deixou em estado de alerta a Defesa Civil, a Capitania dos Portos e órgãos ambientais depois que foi verificado o vazamento de alguns tambores.

O acidente aconteceu no final da semana passada no canal Caracará do Arari, mas somente na segunda-feira (08/10) chegou ao conhecimento da imprensa. No local do acidente populações ribeirinhas costumam pescar para garantir a sobrevivência diária e também vender o produto em Belém.

De acordo com informações da Capitania dos Portos em Belém, o naufrágio ocorreu no momento em que a balsa Comandante Elíseo Leão, que estava com avarias na máquina, recebia 45 mil litros de combustível de outra embarcação. A Capitania abriu inquérito para investigar as causas do acidente e quer saber se a balsa afundou por excesso de peso ou manobra errada.

A Transportadora Patriarca, responsável pela balsa, tentou retirar a embarcação do fundo do rio, enquanto equipes do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil isolavam com barreiras de contenção o vazamento de óleo para impedir que ele se alastre pelos rios do Marajó.

O resgate da balsa está difícil devido à forte correnteza na área. A Petrobras, que é dona dos 45 mil litros de óleo transferidos para a balsa na ocasião do acidente, informou que um sobrevôo foi realizado para verificar a situação. A Marinha mandou para o local um navio rebocador de alto-mar para resgatar a balsa.

Combates na República Democrática do Congo ameaçam os últimos gorilas


Os últimos gorilas das montanhas da República Democrática do Congo (RDC) estão particularmente ameaçados desde que recomeçaram os combates entre o Exército e soldados dissidentes na zona onde vivem esses animais, na região leste do país.

Os insurgentes que se uniram ao ex-general Laurent Nkunda e as Forças Armadas congolesas se enfrentaram em várias oportunidades desde o fim de agosto no parque nacional Virunga (Kivu Norte, leste da RDC).

Sangrentos combates explodiram no sábado e prosseguiam neste domingo nas colinas de Bukima, área do parque próxima à fronteira com Ruanda, onde vivem várias famílias de gorilas, segundo fontes militares congolesas dos dois lados.

Uma parte desta área caiu, sábado, sob controle dos soldados insurgentes do ex-general tutsi congolês Laurent Nkunda, mas as forças leais ao governo afirmaram à AFP neste domingo que obrigaram o recuo dos rebeldes após intensos combates.

"Os rebeldes tomaram o controle de toda a zona dos gorilas depois dos combates de sábado e deste domingo", declarou à AFP Samantha Newport, porta-voz de uma associação de defesa da fauna.

"É muito grave e a situação para os gorilas é pior que antes da retomada dos combates há cinco semanas. Os guardas florestais responsáveis por vigiá-los se viram obrigados a fugir", disse.

Nova espécie de rãzinha indiana mede apenas um centímetro



Um grupo de pesquisadores da Universidade Livre de Bruxelas descobriu na Índia uma nova espécie de rã que, em sua fase adulta, chega a medir apenas um centímetro.

Esse novo tipo de anfíbio, descoberto nas florestas tropicais do estado de Kerala, no sul da Índia, foi batizado com o nome de Nyctibatrachus minimus. Apesar de seu pequeno tamanho, os pesquisadores comprovaram que seu desenvolvimento é similar ao de outras espécies de rãs maiores.

Até agora, esse novo anfíbio passara despercebido pelos pesquisadores, pois eles acreditavam se tratar de outra espécie de rã ainda em estado de crescimento, motivo pelo qual ainda não havia sido estudada em mais detalhe.

Graças a essa descoberta, os pesquisadores prevêem que a partir de agora poderão ser registrados outros tipos de rãs de tamanho similar, que até agora também tinham sido consideradas exemplares imaturos.

Gases-estufa elevam a umidade da Terra, diz pesquisa



Os gases-estufa estão tornando a atmosfera da Terra mais úmida, o que pode levar a furacões mais potentes, temperaturas mais quentes e precipitações mais fortes nas regiões tropicais, afirmaram pesquisadores britânicos.

As conclusões, publicadas na revista Nature, estão entre as primeiras a mostrar como os gases-estufa produzidos pelo homem afetaram os níveis globais de umidade nas últimas décadas, e podem dar indicações sobre as futuras mudanças no clima, disseram os pesquisadores.

"É mais uma peça do quebra-cabeça que diz que as mudanças climáticas estão acontecendo e que nós as influenciamos", disse Nathan Gillet, pesquisador da Universidade de East Anglia.

As emissões de gases como o metano e o dióxido de carbono, que aprisionam o calor na atmosfera, são responsabilizadas pelas mudanças no clima. Cientistas dizem que as temperaturas médias globais vão subir entre 2 e 6 graus Celsius até o fim do século, causando secas, enchentes e tempestades.

O ar mais quente retém mais vapor. "Já se prevê há muito tempo que a umidade aumentaria com o aumento dos gases-estufa", disse Gillet, que comandou o estudo. "Mas esse é o primeiro estudo que mostra um impacto humano significativo na umidade da superfície", disse ele numa entrevista por telefone.

A equipe britânica coletou dados de estações, bóias e navios climáticos no mundo inteiro para medir o efeito do aumento dos gases-estufa na umidade entre 1973 e 1999.

Uma simulação por computador mostrou que eventos naturais como vulcões e variações na luz do sol não poderiam ter produzido sozinhos o aumento na umidade, disse Gillet.

As conclusões são especialmente significativas nas regiões tropicais, que terão um aumento maior na umidade, porque já são quentes, disse ele.

Embrapa: girassol pode suprir demanda de biodiesel



O girassol é a commodity com mais potencial para atender a demanda brasileira de biodiesel, depois da soja, disse nesta terça-feira (09) o pesquisador da Embrapa César de Castro. Segundo ele, o girassol agrega várias características que atendem ao programa do governo e também à iniciativa privada. "O girassol possui um elevado teor de óleo, é resistente à falta de água, tem alto grau de adaptabilidade em praticamente todo o País e possui um custo de produção menor que outras oleaginosas", disse.

Segundo ele, a produtividade do girassol supera os 3 mil kg por hectare em várias regiões brasileiras, o que é superior à produtividade dos maiores produtores do mundo, os russos. Ele ressalta, contudo, que existem apenas 100 mil hectares com girassol plantados no Brasil.

Castro disse que o dendê possui uma produtividade superior à do girassol, mas tem alta saturação, o que faz com que seu óleo se solidifique facilmente, dificultando o processo de produção. "Isto não acontece com o girassol", afirmou.

Biodiesel já caiu na rede da pirataria de combustíveis



O incentivo à produção de biodiesel e à comercialização do óleo, que será obrigatoriamente misturado ao diesel na proporção de 2% a partir de janeiro, acende a luz amarela para o surgimento de usinas clandestinas, que já operam de olho no filão.

Desde o ano passado, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis vêm apertando o cerco na fiscalização já autuou mais de 22 produtores no país.

De acordo com o presidente do Sindipetróleo - Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso, Fernando Chaparro, 70% das usinas do estado são clandestinas. A estimativa é de que, juntas, elas produzam mais de 500 mil litros por dia, ou 15 milhões de litros por mês.

"Com o incentivo à atividade de produção, é comum que locais com disponibilidade de matéria prima, com plantação de soja, girassol ou com oferta de sebo bovino atraiam a instalação de empresas com produção destinada ao consumo próprio ou à comercialização irregular no mercado. As ações têm sido direcionadas a Mato Grosso, São Paulo e Paraná", admite o especialista em regulação da ANP Marcus Werner.

Impostos e preços - O presidente da Fecombustíveis - Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes, Paulo Miranda Soares, explica que, nas usinas, o óleo de soja processado (sem glicerina) sai por R$ 2,50 a R$ 3 o litro, contra R$ 1,50 cobrado pelo diesel nas refinarias da Petrobras. Já o biodiesel irregular (que não paga impostos) custa entre R$ 1,50 e R$ 1,80 por litro.

Somente no Mato Grosso, já foram autuadas 14 usinas, que ofereciam sua produção diretamente para os postos, sem o pagamento de tributos.

Fiscalização precária - "Achamos que governo está forçando a implementação do programa, mas não sabemos se ele está preparado para fiscalizar. O programa é bom e a gente apóia, mas precisaremos ter um cuidado enorme porque, se esse desequilíbrio for proporcional à pluralidade de produtores, o governo pode perderá muito dinheiro, inclusive no diesel, que é um mercado bem estabelecido", diz.

O temor dos donos de postos é que se abra espaço para uma nova indústria de irregularidades e de liminares:

"Isso pode criar a concorrência desleal, como a que ocorreu depois do processo de liberação da distribuição da gasolina. Se hoje o governo já não consegue fiscalizar 300 usinas de álcool e pouco mais de 100 distribuidoras, o que vai acontecer quando as usinas se espalharem?", questiona Soares.

A Fecombustíveis também se preocupa com o fato de, até agora, não haver no mercado uma ferramenta que possa identificar, nos postos, qual o percentual de biodiesel que está sendo misturando ao diesel.

As exigências da ANP - Marcus Werner, da ANP, explica que o foco da agência não é tributário, mas diz que os técnicos têm agido em parceria com secretarias estaduais de Fazenda, o que tem dado certo. Para uma usina deixar de ser clandestina, ela precisa da autorização do órgão regulador. A ANP faz exigências em relação a licenças ambientais, alvará e segurança. O biocombustível também pode ser comercializado em leilões promovidos pela agência.

Um grupo formado por representantes de diversas áreas vem elaborando, juntamente à ANP, uma minuta de alteração nas regras para a regulamentação do setor de biodiesel, atualmente guiado pela Resolução 41, que institui o biodiesel como uma das matrizes energéticas do país.

"Por ser um mercado que ainda está amadurecendo e, tendo em vista a fase de mistura obrigatória do biodiesel no diesel que se inicia em janeiro, a tendência é de que a regulamentação evolua e passe por revisões", diz Werner.

Petrobras é a principal compradora - Uma das definições publicadas recentemente é a determinação de que a Petrobras continuará sendo a principal compradora do biodiesel no Brasil.

"Com isso, não haverá venda direta do produtor para distribuidora enquanto são desenvolvidos e aprimorados mecanismos de controle e prevenção. Como medida de transição, esta norma pode trazer mais segurança. Mas não desejamos esta sistemática como definitiva", diz Alísio Vaz, vice-presidente executivo do Sindicom - Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes.

Segundo ele, a situação é mais preocupante quando o preço do óleo de soja cai no mercado, favorecendo as adulterações.

"Felizmente o preço do óleo de soja no momento não está estimulando essas práticas, mas realmente não existe um mecanismo para identificar o teor de biodiesel no diesel dos postos. É preciso estabelecer uma punição dura para quem fraudar o biodiesel", defende.

Açaí é transmissor de Doença de Chagas na Amazônia



Um ano depois de o País ter recebido da Organização Pan-Americana de Saúde um certificado pela eliminação de transmissão da Doença de Chagas pelo barbeiro que vive em buracos de casas situadas em regiões pobres, autoridades em saúde deparam-se com um novo desafio envolvendo a infecção.

Desta vez, a forma aguda da doença, associada a ingestão de alimentos, sobretudo o açaí, contaminados com o mosquito transmissor. De janeiro até sexta-feira, foram contabilizados 100 casos de Doença de Chagas Aguda (DCA), com quatro mortes. Mantida esta tendência, o ano de 2007 fechará com um número maior de casos do que em 2006, quando 115 casos foram confirmados.

Por enquanto, não há perspectivas de erradicação da doença.

O diretor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), Eduardo Lage, afirma que a estratégia hoje disponível é para controlar a DCA, não erradicá-la.

"Não existem técnicas que possam impedir esta forma de transmissão, mas reduzi-la", admitiu. Ele observou que o açaí é consumido por grande parte da população da região amazônica. O suco é produzido artesanalmente e, justamente por isso, algumas medidas recomendadas, como a pasteurização, não tem como ser aplicada.

A maior parte dos casos da nova onda de infecções ocorreu em surtos, que afetaram 10 municípios nos Estados do Amazonas, Amapá e Pará. Investigações mostram que a transmissão da doença ocorreu principalmente pela via oral. E o alimento mais associado à infecção foi o açaí. Os casos restantes, isolados, ainda não tiveram a forma de transmissão identificada.

Diante de tal tendência, autoridades de saúde intensificaram os esforços para tentar impedir a ocorrência de novos surtos. Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas e da Universidade Federal do Pará analisam a qualidade das polpas do açaí.

Integrantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ao lado de órgãos da agricultura, tentam formular um documento com normas de higiene que deverão ser observadas desde a colheita do açaí - um fruto de palmeira que nasce em regiões de várzea - até a extração e comercialização do suco.

Simultaneamente, o governo do Pará criou um grupo de estudos para impedir o aumento da doença no Estado, responsável por 95% da produção nacional do açaí. Reuniões foram realizadas entre representantes da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará, Agência de Desenvolvimento Agropecuário e Ministério Público Estadual com batedores de açaí, como são chamados os pequenos produtores.

Eles deverão assinar Termos de Ajuste de Conduta, com diretrizes para o manejo do fruto. Entre as recomendações propostas estão o uso de engradados de plástico para o acondicionamento do fruto, a lavagem pelo menos três vezes do açaí, uma delas com hipoclorito de sódio. Nas lojas, é recomendado o uso de pisos impermeáveis e lisos, de cores claras.

Lage, afirmou que, para produção em escala industrial, um TAC também já foi estabelecido, determinando a pasteurização do produto. Embora não haja estudos científicos que comprovem a eficácia do processo, pesquisadores envolvidos na área de tecnologia de alimentos concordam que o método elimina a possibilidade de infecção pelo consumo de frutas contaminadas. Esta tese foi referendada numa reunião em Brasília, realizada com especialistas.

Além da pasteurização estão sendo realizados estudos pela Unicamp, Universidade Federal do Pará e Instituto Evandro Chagas para identificar outras técnicas seguras para o consumo dos alimentos, como por exemplo, diferentes técnicas de congelamento. Para pequeno produtor, uma das alternativas analisadas são diferentes técnicas de congelamento.

Brasil descarta 53% de garrafas PET na natureza



Utilizadas principalmente por indústrias de refrigerantes e sucos, as garrafas PETs movimentam hoje um mercado que produz cerca de 9 bilhões de unidades anualmente só no Brasil, das quais 53% não são reaproveitadas. Com isso, cerca de 4,7 bilhões de unidades por ano são descartadas na natureza, contaminando rios, indo para lixões ou mesmo espalhadas por terrenos vazios. Entre 1995 e 2005, a produção de PET, o plástico politereftalato de etila, para a fabricação de garrafas subiu de 120 mil toneladas para cerca de 374 mil toneladas, alavancada principalmente pela indústria de refrigerante.

Agora, o que tem despertado a preocupação de ambientalistas e autoridades ligadas ao setor é o interesse crescente de fabricantes de cerveja por esse tipo de embalagem. Duas pequenas empresas já usam o produto para comercializar chope em São Paulo, e uma terceira, em Recife, está testando resina plástica para embalagem de cerveja. Segundo a engenheira química Renata Vault, seriam necessários mais 4,5 bilhões de garrafas para atender à demanda das cervejarias.

Além do problema com o descarte das unidades na natureza, especialistas chamam a atenção para o fato de hoje não haver responsabilidade jurídica sobre a destinação do material por parte de quem fabrica ou consome PETs. Diferentemente do que acontece com latas de alumínio, que pela reciclagem voltam a ser latinhas, PET não pode ser transformado novamente em garrafa.

Apesar de 53% da produção ainda não ser reaproveitada, especialistas também lembram que a própria reciclagem não é a melhor opção. "A reciclagem tem um custo muito alto para o ambiente", diz Renata Vault, que também é autora do livro Ciclo de Vida de Embalagens para Bebidas no Brasil. Para fazer a reciclagem do excedente atual, seriam necessários 224 milhões de quilowatts por hora de energia elétrica e 120 milhões de litros de água. "O ideal seria a redução do uso deste tipo de embalagem", afirma Renata. Sobre o baixo índice de reciclagem, a engenheira diz ser difícil dimensionar se é decorrente da falta de capacidade das recicladoras ou da dificuldade de coleta.

O perigo das plantas tóxicas que enfeitam casas por todo o Brasil



Mônica Pinto


Apesar de seus inegáveis méritos, a Internet é também instrumento para o disseminar de boatos variados, informações sem qualquer fundamento científico, muitas vezes com o fim exclusivo de macular a imagem de empresas e/ou pessoas.

Uma mensagem que vem circulando atualmente faz, porém, um alerta sério, ao qual as autoridades brasileiras deveriam dispensar maior atenção. Sob o título de Planta Letal, a autora do e-mail conta que sua gata – filhote ainda – morreu sem qualquer razão aparente. No veterinário, surgiu a suspeita de que o motivo tivesse sido envenenamento e, a partir daí, descobriu-se que a causa fora a ingestão pelo animal de folhas de uma planta ornamental barata, comum no Brasil – o oleandro, também conhecido como espirradeira, flor-de-são-josé, loureiro-rosa e loandro-da-índia.

O perigo das plantas tóxicas não se restringe aos animais. O Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas – Sinitox -, vinculado à Fundação Oswaldo Cruz, estima que 60% dos casos de intoxicação por plantas tóxicas no Brasil ocorram com crianças menores de nove anos.

Para ajudar na prevenção desses acidentes, o órgão, em parceria com os Centros de Controle de Intoxicação de Belém (PA), Salvador (BA), Cuiabá (MT), Campinas (SP), São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS), criou, em junho de 1998, o Programa Nacional de Informações sobre Plantas Tóxicas. Entre suas metas principais, a elaboração e distribuição de material educativo, de prevenção e tratamento.

O primeiro trabalho foi a divulgação das 16 plantas que mais causam intoxicação no Brasil. Algumas já tiveram seus riscos bastante divulgados, como o tinhorão e a comigo-ninguém-pode. Mas outras, que continuam a cativar pela beleza, prosseguem desconhecidas no aspecto do perigo que representam para crianças e animais domésticos

A série Prevenindo Intoxicações é outra iniciativa do Sinitox de levar o conhecimento científico ao grande público, em especial aos estudantes. “Animais Peçonhentos e Venenosos: lagartas, escorpiões, aranhas e serpentes”, “Medicamentos”, “Plantas Tóxicas” e “Produtos Potencialmente Tóxicos” são os temas tratados de forma simples e completa nas cinco publicações da série. O material é distribuído gratuitamente às escolas ou qualquer outra instituição interessada na difusão de informações em saúde. (Os interessados podem baixar as informações em HTML ou PDF clicando aqui).

No campo dos poderes públicos, o que se vê são estratégias pontuais – algumas das quais estancam no terreno das boas intenções. O vereador Horácio Neto (PSOL), da cidade paulista de São Caetano do Sul, apresentou em novembro passado projeto de lei instituindo a Campanha Municipal de Alerta e Conscientização sobre os perigos causados pela exposição e contato com plantas venenosas.

O projeto foi aprovado pela Câmara, sancionado pelo prefeito, mas não saiu do papel. “O problema é que muitas vezes o Poder Executivo aprova as campanhas, mas depois não as implementa, é caso desse nosso projeto”, disse o vereador a AmbienteBrasil, antecipando que vai cobrar a execução da proposta.

Como evitar acidentes com plantas tóxicas (Fonte: Sinitox)

- Ensine às crianças que não se deve colocar plantas na boca;
- Conheça as plantas que tem em casa e arredores pelo nome e características;
- Não coma plantas desconhecidas. Lembre-se que não há regras ou testes seguros para distinguir as plantas comestíveis das venenosas. Nem sempre o cozimento elimina a toxicidade das plantas;
- Quando estiver lidando com plantas venenosas use luvas ou lave bem as mãos após esta atividade;
- Não faça remédios ou chás caseiros preparados com plantas, sem orientação médica.

Em caso de acidente com plantas tóxicas

- Retire da boca o que resta da planta, cuidadosamente;
- Enxágüe a boca com água corrente;
- Guarde a planta para identificação;
- Ligue para o Centro de Controle de Intoxicação (veja a relação deles por Estado, clicando aqui).

19 outubro 2007

Esquilo aquece rabo para enfrentar cascavel



Pequenos e aparentemente indefesos, os esquilos terrestres da Califórnia desenvolveram uma forma inusitada de defender seus filhotes de ataques das implacáveis cascavéis da região: eles agitam vigorosamente suas caudas para aquecê-las. Assim, parecem maiores às cobras, que enxergam a radiação do calor. Assustados com um bicho maior do que esperavam, os répteis se afastam rapidamente.

Os cientistas nunca conseguiram entender por que, na presença de uma cascavel, os esquilos balançavam o rabo com muito mais força durante a noite do que durante o dia. Mas, sabendo que essa espécie de cobra é capaz de enxergar infravermelho, os pesquisadores liderados por Aaron Rundus, da Universidade da Califórnia em Davis, nos EUA, suspeitavam que algo deveria estar acontecendo invisível aos olhos humanos.

Para verificar sua teoria, eles usaram uma câmera de infravermelho e filmaram diversos encontros entre esquilos e cascavéis e entre esquilos e outra espécie de cobra, que não vê a radiação do calor. Os roedores só agitavam o rabo agressivamente, e o aqueciam, quando estavam na presença das cascavéis. Com a outra cobra, eles até balançavam a cauda, mas de forma bem mais calma.

Ou seja, os esquilos realmente agitavam o rabo na esperança de afastar as cobras. Restava saber, agora, se as cascavéis entendiam o recado.

Para isso, o grupo de Rundus usou robôs-esquilos de pelúcia, que também eram capazes de aquecer suas caudas usando o movimento. Com a aproximação do robôzinho, eles viram que as cascavéis ficavam apreensivas, especialmente quando a temperatura do rabo atingia a média dos animais de verdade.

Macacos-prego causam prejuízo e viram caso de polícia em Pernambuco



Dois macacos-prego viraram caso de polícia, em Exu (699 km de Recife), após invadir e causar prejuízos em pelo menos cinco casas da cidade nos últimos dez dias. Em um dos imóveis, um dos animais promoveu um incêndio, segundo moradores.

Na quarta-feira (08), um dos macacos foi detido por moradores que se prontificaram a levá-lo ao escritório do Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis em Crato (533 km de Fortaleza). Até esta segunda-feira (13), ele não havia chegado ao órgão.

No sábado (11), moradores acionaram a polícia para retirar outro macaco de uma casa. O delegado de Exu, Romildo dos Santos, disse que levou o animal ao Ibama, onde está em quarentena. Ele afirmou que não há como saber qual animal foi responsável por cada invasão.

"Ficamos sabendo que ele entrou na casa de um pastor e fez a maior bagunça. Quebrou o teclado do computador, espalhou comida pela casa e até rasgou as páginas de uma bíblia", disse Santos.

O chefe do Ibama em Crato, Eraldo Oliveira, disse que o macaco entregue ao órgão é do sexo feminino e tem cerca de três anos. "Estamos com 11 macacos. Todos eles parecem ter sido criados em cativeiro, inclusive esse último que recebemos. Eles não podem ser soltos na natureza pois não sobreviveriam", disse.

O professor Francisco Moreira Lopes disse que pensou ter sido vítima de um trote quando foi informado, na quarta-feira, que um macaco havia colocado fogo em sua casa. "Perdi roupas, colchão, tapete, aparelho de DVD e ainda vou ter que pintar a casa toda", disse Lopes, que estima um prejuízo de R$ 3.000.

O delegado Santos disse que está investigando quem eram os donos dos macacos. "Eles (macacos) não podem ser responsabilizados pelo que cometeram, mas seus donos podem."

Fatores naturais vão compensar aquecimento humano, diz estudo



O ser humano vai continuar aquecendo o planeta nos próximos anos, mas fatores naturais, como mares mais frios, devem compensar parcialmente o fenômeno, segundo um novo estudo divulgado pelo Met Office, o departamento de meteorologia do governo britânico.

Em sua primeira análise global de longo prazo, examinando os fatores naturais e humanos responsáveis pela mudança climática, o Met Office determinou que em 2014 a temperatura estará 0,3 grau Celsius acima da de 2004, apesar do efeito refrescante de fatores naturais, como o esfriamento dos mares.

"A variabilidade interna vai ofuscar parcialmente o sinal antropogênico do aquecimento global pelos próximos poucos anos", disse o estudo, comandado por Doug Smith.

Mas, embora as variações na temperatura do mar e até o "filtro solar" criado por cinzas vulcânicas possam atenuar o impacto humano em algumas áreas, o aquecimento do planeta como um todo continua sendo inevitável.

Projeções prévias levavam em conta os fatores externos - como mudanças na radiação solar absorvida pela atmosfera terrestre - e humanos, mas não consideravam as variações nas influências naturais sobre o clima dentro da atmosfera terrestre, segundo o Met Office.

"Ocorrências do El Niño, por exemplo, têm um efeito significativo sobre as previsões de curto prazo. Ao incluir tal variabilidade interna, demonstramos uma melhoria substancial nas previsões da temperatura da superfície", disse Smith.

"O relativo resfriamento observado nos mares do Sul e no Pacífico tropical no último par de anos foi corretamente previsto pelo novo sistema, nos dando uma maior confiança no desempenho do modelo."

17 outubro 2007

Prefeito contradiz Pequim sobre impacto ecológico das Três Gargantas



O prefeito de Chongqing, localidade perto da gigantesca represa das Três Gargantas, desmentiu a advertência do responsável da represa no Executivo chinês sobre o impacto meio ambiental do maior projeto hidrelétrico do mundo.

Segundo o prefeito Wang Hongju, o entorno de Chongqing - uma das maiores cidades industriais da China - é excelente, a água do rio Yang Tsé que passa pela urbe é potável e sua qualidade "é a melhor entre as cidades chinesas hoje em dia", publicou na terça-feira (16) o diário oficial "China Daily".

O prefeito Wang, que assiste ao 17º Congresso do Partido Comunista em Pequim, avaliou também a qualidade do ar de Chongqing como uma das melhores do país, com "200 dias claros" em 2006 e previsões para mais de 300 este ano.

Suas palavras contradizem às de Wang Xiaofeng, responsável do projeto das Três Gargantas no Conselho de Estado (Executivo), que em 26 de setembro reconheceu pela primeira vez o impacto ambiental da represa, que já tinha sido anunciado grupos ambientalistas no início de sua construção, em 1994.

A represa, situada em Sandouping (província de Hubei) e com um orçamento de US$ 22,5 bilhões, conta com um dique de 2,3 quilômetros de comprimento e 185 metros de altura.

Quando ela estiver em pleno funcionamento, em 2008, gerará 22.500 megawatts de eletricidade, a segunda maior potência do mundo, após a hidrelétrica de Itaipu, entre Brasil e Paraguai.

Incêndios atingem 2 áreas de proteção ambiental em Ouro Preto/MG



Incêndios atingem duas áreas de proteção ambiental na região de Ouro Preto, em Minas Gerais. As chamas atingem o Parque Estadual do Itacolomi desde a sexta-feira passada (12) e a Floresta Estadual Uaimii desde segunda-feira (15).

De acordo com o Corpo de Bombeiros, ainda não é possível saber qual o tamanho das áreas que o fogo já destruiu nas duas reservas. Ambas estão fechadas para a visitação devido aos incêndios.

Quatro aviões trabalham no combate ao fogo no Itacolomi, que tem 7.543 hectares de área, além de 30 bombeiros e 30 brigadistas.

Na Uaimii, que tem áreas de 4.398 hectares, 70 bombeiros atuam no combate às chamas. A Floresta Estadual é a primeira do Estado, criada em 2003. A área, formada por vegetação rica em espécies da mata atlântica e do cerrado, foi criada para a realização de pesquisas sobre o uso sustentado de florestas.

O Parque Estadual do Itacolomi, fica entre os municípios de Mariana e Ouro Preto, e foi criado em 14 de junho de 1967. A unidade de conservação abriga o pico do Itacolomi, com 1.772 metros de altitude, era ponto de referência para os antigos viajantes da Estrada Real que o chamava de Farol dos Bandeirantes.

Peixes também sofrem com insônia



Os peixes podem não ter pálpebras, o que os impede de fechar os olhos, mas eles dormem - e alguns sofrem de insônia, afirma uma nova pesquisa.

Cientistas da Califórnia (EUA) que estudam problemas de sono em humanos descobrirem que certos paulistinhas (Danio rerio), peixinhos ornamentais muito comuns nos aquários do mundo todo, possuem uma variante genética que atrapalha seus padrões de sono de forma similar à insônia humana.

Os paulistinhas que possuem o gene alterado dormem 30% menos que os peixes sem a mutação. Quando os peixes finalmente pegam no sono, permanecem dormindo durante apenas metade do tempo normal para outros peixes, afirmam os pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Stanford.

Os peixes mutantes não possuem o receptor ("fechadura" química) da hipocretina, substância que é produzida nos neurônios dos peixes normais, mais especificamente na região do cérebro que controla a fome, o sexo e outros comportamentos básicos.

Para Emmanuel Mignot, líder da equipe de pesquisa, a descoberta pode ajudar a entender como o sono surgiu ao longo da evolução. "Muita gente se pergunta por que dormimos, e qual a função do sono", diz ele. "Acho que é mais importante entender primeiro como o cérebro produz e regula o sono. Isso provavelmente vai nos dar pistas importantes sobre como e talvez por que o sono apareceu na evolução e é tão universal", conta.

Bush classifica Protocolo de Kyoto como 'má política'



O presidente dos EUA, George W. Bush, disse na segunda-feira (15) que a abordagem de seu governo para enfatizar metas voluntárias para combater as mudanças climáticas está funcionando. Ele também criticou o modelo do Protocolo de Kyoto de estabelecer metas obrigatórias como "má política".

Os comentários de Bush foram o sinal mais recente de sua oposição para reduções obrigatórias das emissões de gases do efeito estufa continua firme, mesmo com seus esforços para mostrar maior engajamento no debate global sobre mudança climática.

"A questão fundamental é se vamos ou não ter a capacidade de crescer nossa economia e sermos bons com o meio ambiente ao mesmo tempo", disse ele durante sessão de perguntas e respostas após discursar sobre o orçamento no Arkansas. "Estou interessado em boa política. Kyoto, eu pensei, era má política", disse.

A crítica contra o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, veio dias depois do ex-vice-presidente norte-americano Al Gore e um painel da Organização das Nações Unidas sobre a mudança climática ganharem o Prêmio Nobel da Paz pelo seu trabalho de conscientização sobre a mudança climática.

A premiação para Gore, que ajudou a negociar Kyoto, gerou especulações sobre a possibilidade de novas pressões para que Bush mude sua posição sobre o aquecimento global e aceite as metas obrigatórias que muitos países europeus vêem como necessárias para combater o problema.

16 outubro 2007

Grupo encontra criaturas que vivem a 5 km de profundidade no mar

Um grupo de cientistas filipinos e americanos divulgou nesta terça-feira fotos de novas espécies marinhas encontradas durante uma viagem exploratória realizada no mar das Celebes, na baía de Manila, Filipinas.

A equipe explorou profundidades de até 2.800 m usando uma câmera. A parte mais funda do mar das Celebes chega a 5.000 m. Os organismos podem ter ficado nas profundezas do oceano há milhares de anos.

A equipe coletou cerca de 100 diferentes animais, incluindo várias possíveis novas espécies.

Uma delas é um pepino-do-mar quase transparente que nada contorcendo seu corpo. Outra é um filhote de peixe-caixa, exemplar da espécie Ostracion cubicus, que mede apenas 1 cm.

Segundo os cientistas, a criatura mais estranha é um verme espinhoso e alaranjado que tem dez tentáculos, como uma lula (foto).

15 outubro 2007

Biodiesel derramado


Programa não atinge meta de produção, mas governo federal já estuda antecipar mistura de 5%, planejada para 2013

AS DIFICULDADES do programa de biodiesel do governo federal ilustram a máxima segundo a qual o caminho para o inferno está pavimentado de boas intenções. Não há carência delas no projeto, em especial quando o presidente da República está por perto, geralmente sobre um palanque. O que seus muitos discursos pintam como salvação ecológica da lavoura familiar se acha à beira do fracasso no chão duro da realidade.

Em lugar de absorver a mamona e o dendê que o romantismo presidencial sonha ver colhidos no Nordeste e no Norte por agricultores pobres, as mais de 40 usinas de biodiesel autorizadas usam como matéria-prima entre 80% e 90% de soja. Depois que os preços da commodity subiram nos mercados interno e externo, o litro do óleo comestível de soja foi a R$ 2 e bateu o R$ 1,80 obtido pelo produtor de biodiesel.

Com isso, até o mês de agosto haviam sido produzidos só 261 milhões de litros do biocombustível, menos de um terço do projetado para 2006/2007. Tal volume é insuficiente para cumprir o objetivo de tornar obrigatória, em 2008, a mistura de 2% de biodiesel a todo o óleo diesel comercializado. Para tanto, haveria que garantir 800 milhões de litros anuais, mas em 2007 a produção não deve chegar a 400 milhões.

Capacidade instalada nas usinas não falta, pois elas estão aparelhadas para quase 2 bilhões de litros. Falta é matéria-prima em volume e preço compatíveis. A mamona e o dendê de Lula não respondem nem por 3% da produção (até sebo e algodão ganham das oleaginosas que o presidente já chamou de "pés de petróleo"). Com a estiagem dos últimos meses, a safra dos pequenos produtores deve ter quebra de 20%, avalia o Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Com o fito de transformar o biodiesel num programa de inclusão, o governo criou até um "Selo Combustível Social" para distinguir usinas que apóiem agricultores familiares. De posse da chancela, elas ganham acesso aos leilões de compra do combustível, a financiamentos do BNDES e a isenções fiscais.

Apesar das vantagens, insuficientes ao que parece para contrabalançar o custo transacional de obter o selo, a participação da agricultura familiar no biodiesel ainda é minoritária: 24%, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, ou 36%, para o de Minas e Energia. É óbvio que o planejamento não funcionou.

Em vez de rever o plano, o governo federal dá sinais de que pode acelerá-lo. Não só seria mantida a meta de mistura a 2% em 2008, como também se cogita antecipar a de 5%, antes fixada para 2013. O raciocínio é que o aumento da demanda por decreto elevaria os preços e, assim, a remuneração dos produtores.

Calcula-se que isso acrescentaria dois centavos ao preço do diesel, que teriam de ser cobertos pelo Estado ou pelo consumidor. É o mesmo que pavimentar a estrada malprojetada do biodiesel também com subsídios ou inflação, além de boas intenções.