26 setembro 2007

Quatro milhões de filhotes de tartaruga são devolvidos ao rio Araguaia, em Goiás


As ações do RAN - Centro de Conservação e Manejo de Répteis e Anfíbios, do Instituto Chico Mendes, já resultaram na devolução de quatro milhões de filhotes de tartaruga-da-amazônia somente em Goiás. Esse resultado é fruto da execução de um importante projeto do RAN: o Quelônios da Amazônia (PQA).

Em Goiás o projeto abrange o Médio Araguaia, que vai do Distrito de Luiz Alves até a foz do rio Cristalino, no Mato Grosso. Na área se encontra a Área de Proteção Ambiental (APA) Meandros do Rio Araguaia. Como o local tem grande fluxo de turismo, com níveis elevado de pressão antrópica, as atividades foram ampliadas, em 1994, para atuação no rio Crixás-açu, no município de Mundo Novo (GO).

Nestas duas áreas, monitoradas pelo RAN, o projeto contempla 11 sítios de postura de quelônios, com 160 km de praias nos dois municípios. Nesses 21 anos de atuação, a devolução desses quatro milhões de filhotes de tartaruga-da-amazônia contribuiu para o repovoamento e recuperação dos estoques naturais desta espécie.

Desde então, o RAN tem se consolidado como um dos mais importantes centros a implementar iniciativas ecológicas e de cunho social no país, propiciando não só a sobrevivência das várias espécies de tartarugas, como também preservando a cultura das populações locais envolvidas, oferecendo uma alternativa econômica para a região, através da criação para fins comerciais.

Na década de 70, os quelônios, em especial as espécies Podocnemis expansa (tartaruga-da-amazônia) e Podocnemis unifilis (tracajá), estavam indicados para compor a lista de animais em processo de extinção. Graças à intervenção do Governo Federal, com a criação do Projeto Quelônios da Amazônia, garantiu-se a proteção e manejo reprodutivo dos quelônios e a conseqüente redução de sua predação.

O Projeto Quelônios da Amazônia atua nas áreas de ocorrência natural das tartarugas no Acre, Amapá, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, coordenando 16 bases avançadas e mantendo sob proteção 115 áreas de reprodução distribuídas nos rios Amazonas, Tapajós, Trombetas, Purus, Xingu, Juruá, Branco, Araguaia, Javaés e Rio das Mortes, entre outros.

'Privatização' da Amazônia pode ser 'boa notícia', diz 'La Nación'



As concessões de partes da floresta amazônica para exploração privada, regulamentadas na semana passada pelo governo brasileiro, "podem ser uma boa notícia", na avaliação de reportagem publicada nesta terça-feira (25), pelo diário argentino La Nación.

O jornal observa que o argumento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de que "se isolar a maior floresta do planeta do contato humano é uma utopia, pelo menos que aqueles que a exploram o façam de forma sustentável".

A reportagem comenta que serão arrendados nos próximos meses 220 mil hectares no Estado de Rondônia. "O grande problema da Amazônia é a falta de fiscalização", afirma o jornal. "Por isso, 70% do arrecadado com a licitação se destinará aos órgãos de fiscalização da selva. Segundo o Greenpeace, cada fiscal é responsável por uma área do tamanho da Suíça."

Segundo a reportagem, "a diferença entre o desmatamento e ‘o manejo florestal sustentável’ que deverão realizar as empresas que venham a obter as concessões pode ser medida matematicamente".

"Segundo o Ministério do Meio Ambiente, enquanto no primeiro caso se extraem todas as árvores para vendê-las ou para utilizar a terra, na utilização sustentável se extraem entre 5 e 6 árvores das 500 que pode haver em um hectare de selva", diz o texto.

O jornal comenta que "a decisão de lançar os contratos de gestão e desenvolvimento é parte do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia empreendido pela ministra Marina Silva". "Com várias medidas, esta militante histórica pela preservação reduziu em 49% o desmatamento desde 2004", diz a reportagem.

Segundo o diário argentino, "a falta de desenvolvimento nas regiões da selva termina fomentando a destruição". "Por isso se licitarão áreas da selva. O trabalhador sem emprego ou renda se converte em mão de obra para operações ilegais. Quando manter a selva de pé é um bom negócio, a destruição se detém. O ambientalismo pragmático talvez seja mais eficiente do que as utopias", conclui.

Mais de 75% dos brasileiros querem ação contra efeito estufa



Uma pesquisa encomendada pelo Serviço Mundial da BBC revelou que 76% dos brasileiros acham que é necessário adotar medidas urgentes para combater o aquecimento global. Ainda segundo o estudo, 63% dos brasileiros entrevistados disseram ser a favor de limitar as emissões nos países em desenvolvimento.

A pesquisa, realizada pela empresa Globescan, entrevistou mais de 22 mil pessoas em 21 países.

A enquete também concluiu que oito em cada dez pessoas ao redor do mundo acreditam que a atividade humana está provocando mudanças climáticas.

Entre os entrevistados, 79% concordaram que "a atividade humana, incluindo indústrias e transportes, é uma causa significativa das mudanças climáticas".

Acordo global - Nove em cada dez participantes disseram que é necessário agir, e dois terços foram além, afirmando que "é necessário tomar medidas importantes e começar logo".

Segundo a pesquisa, 73% das pessoas manifestaram apoio a um acordo global em que cada país limite suas emissões de gases que causam o efeito estufa e que incluiria os países em desenvolvimento.

Em troca, os países em desenvolvimento receberiam apoio financeiro e tecnológico das nações ricas.

Somente em três dos países pesquisados (Egito, Nigéria e Itália) a maioria dos entrevistados disse que as nações em desenvolvimento não deveriam limitar suas emissões.

Encontro de líderes - Os resultados da pesquisa foram divulgados um dia depois de um encontro de líderes e delegados de 150 países, incluindo 80 chefes de Estado, realizado nesta segunda-feira, na sede da ONU em Nova York, para discutir como combater o aquecimento global.

Segundo o presidente da empresa de pesquisas Globescan, Doug Miller, o impacto das mudanças climáticas pode ser sentido pelas pessoas em seus países, em suas propriedades. "É real para pessoas ao redor do mundo", disse.

"A força dos resultados (da pesquisa) torna difícil imaginar um momento mais favorável da opinião pública para que os líderes se comprometam em agir (contra as mudanças climáticas)", afirmou Miller.

Em seu discurso no encontro desta segunda-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que a forma como os governos lidam hoje com as mudanças climáticas definirá o legado que deixarão para as futuras gerações e que a ONU é o melhor fórum para discutir quais ações devem ser tomadas.

Avanço real - "Hoje, o tempo das dúvidas acabou. O painel intergovernamental da ONU sobre mudanças climáticas confirmou de forma inequívoca o aquecimento do nosso sistema climático e o associou diretamente a atividades humanas", disse o secretário-geral da ONU.

"Nosso objetivo não deve ser nada menos do que um real avanço em Bali", salientou, referindo-se ao encontro anual sobre o Tratado do Clima na ilha indonésia, que será realizado em dezembro.

O presidente americano, George W. Bush, não participou do evento de segunda-feira (24).

Bush vai realizar seu próprio encontro sobre o tema nas próximas quinta (27) e sexta-feira (28), quando receberá na Casa Branca representantes de 16 grandes emissores de gases poluentes associados ao aquecimento da Terra.

China descobre 'novas' geleiras no teto do mundo


A China descobriu 42 novas geleiras no teto do mundo, o platô de Qinghai-Tibete, cujas camadas de gelo vêm diminuindo em virtude do aquecimento global, informou a mídia estatal na terça-feira (25). Esse novo grupo de geleiras pode ser o maior dentre os existentes na área.

O governo chinês se preocupa cada vez mais com o aquecimento global, já que há estudos mostrando que as geleiras do platô, onde os maiores rios da China nascem, estão diminuindo.

Imagens de satélite revelaram a presença das 42 geleiras no condado Bomi, que possui uma altitude média de 4.200 metros acima do nível do mar, afirmou o jornal China Daily.

Os rios de gelo presentes do platô, que faz fronteira com o Himalaia, respondem por 80% das geleiras da China e são cruciais para o fornecimento de água potável e de água para irrigação nas terras mais baixas do país.

"Se isso (a descoberta) for confirmado, esse seria o maior grupo de geleiras do platô", disse, segundo a mídia local, Zhaxi Norbu, diretor do departamento de relações públicas do condado de Bomi.

A China possui cerca de 46 mil geleiras, cobrindo um total de 60 mil quilômetros quadrados e localizadas em sua maioria no Tibet e em Xinjiang.

No último século, a área das geleiras diminuiu em cerca de 30%.

23 setembro 2007

Povos indígenas discutem mudanças climáticas há milhares de anos, diz líder



O representante da Coiab - Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Jecinaldo Sateré Mawé, afirmou nesta quarta-feira (19) que o tema mudanças climáticas já é discutido há milhares de anos pelos povos indígenas.

“Talvez a discussão mais técnica ganhou essa força devido à agenda ambiental em todo o mundo, porém essa é uma questão que já discutimos há muito tempo nas nossas comunidades, quando defendemos nossos territórios”.

Para o líder, as discussões com o governo e com acadêmicos fortalece o tema. “É necessário para que o governo, a iniciativa privada, a comunidade internacional, juntos, possamos criar uma grande agenda . Não uma agenda paralela para que tenhamos heróis, o meio ambiente não precisa ter heróis. Temos que ter vários Chicos Mendes, vários outros líderes para que possamos realmente enfrentar, conjuntamente, essa grande luta”.

Segundo ele, as principais ameaças à floresta amazônica são a expansão agrícola, com as queimadas, e projetos de infra-estrutura que afetam comunidades locais, como por exemplo, a proposta de construção da hidrelétrica Belo Monte.

Sateré participa do 2º Encontro dos Povos das Florestas, que começou ontem em Brasília e prossegue até domingo (23), reunindo líderes indígenas, quilombolas, populações ribeirinhas, entre outros, representantes do governo, estudiosos e artistas.

Na abertura dos debates de hoje, sobre as mudanças climáticas, o ator Victor Fasano apresentou o manifesto “Amazônia para Sempre”, em defesa da preservação da floresta. Ele criticou o avanço de culturas agrícolas em áreas de floresta, o desmatamento e os projetos que alteram o meio ambiente.

“Queremos que as pessoas prestem atenção na última grande floresta do Brasil.”, disse o ator.