25 julho 2007

Ibama flagra matança de golfinhos no litoral brasileiro

Fiscal registrou 83 animais mortos em um barco pesqueiro no Amapá.
Ibama ainda tenta identificar os envolvidos no crime ambiental.

Do G1, com informações do Jornal Nacional

Pesquisadores do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) descobriram a matança de dezenas de golfinhos no Litoral Norte do país. Presos nas redes de pesca, animais morrem afogados, sem chance de defesa.

Imagens revelam a matança indiscriminada de golfinhos na costa do Amapá. Num único barco pesqueiro, foram mais de 80 capturados ilegalmente.

Para conseguir registrar o flagrante, um técnico contratado pelo Ibama acompanhou a pesca predatória durante vários dias. As imagens feitas na costa do Amapá mostram a matança de dezenas de golfinhos.

Presos às redes de pesca, os animais não conseguem subir à tona para respirar e morrem afogados. Quando as malhas são recolhidas, a confirmação de que os bichos não tiveram nenhuma chance. "Tá vindo mais um ali, tá vindo mais um, com esse são 42 agora."

O crime ambiental foi descoberto por pesquisadores do Ibama que estudam os impactos da pesca na região Norte. Só numa embarcação, foram 83 animais. Ainda em alto-mar os golfinhos são vendidos para outros barcos. A carne vai servir de isca para tubarões.

Uma das pessoas a bordo brinca com a situação. "Tô filmando, capitão. Tô filmando, cara! Todo mundo preso no final dessa filmagem (risos)."

"É crime sim. A pena chega até um ano. Se ocorrer morte do animal vai a um ano e quatro meses", disse Bertolino Neto, da delegacia do meio ambiente.

O Ibama diz que não multou ninguém porque ainda não conseguiu identificar as pessoas que estavam nos barcos. No Pará, pesquisadores sabem que a pesca ilegal de golfinhos também vem ocorrendo na costa do estado. O Ibama quer identificar os locais onde os animais vêm sendo abatidos para proibir a pesca nessas áreas.

"Nós vamos construir essas áreas de exclusão a partir de uma articulação com os próprios pescadores. É fundamental que o pescador saiba que aquela região que tem essa ocorrência, não pesque lá para que a gente possa compatibilizar a atividade de pesca com a conservação dos golfinhos", declarou Rômulo Neto, do Instituto Chico Mendes.

Partes dos golfinhos podem ser encontradas no mercado Ver-o-peso, em Belém. Os dentes são usados em bijuterias e os olhos viram pequenos amuletos vendidos ilegalmente. Uma mulher, que não quer aparecer, diz que negocia até 50 olhos por mês.

"Coloca na carteira, porta-cédula, que é pra atrair o dinheiro e atrai mulher também, geralmente os homens compram pra usar no bolso, pra atrair a mulher."

Crença popular que alimenta a perseguição aos golfinhos. "Nós precisamos ter um trabalho intenso de fiscalização sobre essa atividade e precisa um trabalho de educação ambiental com toda a sociedade pra que se mude esse comportamento e essa cultura", disse Neto.

23 julho 2007

BASM utiliza cães para afastar pássaros do aeródromo

A Base Aérea de Santa Maria (BASM) iniciou o treinamento com cães da raça border collie para afugentar pássaros da área do aeródromo local, que é utilizado para tráfegos civis e militares. Dois cachorros filhotes foram doados por uma associação de criadores para a organização militar para serem utilizados principalmente para afastar pássaros quero-quero.

O choque de uma ave como essa, de meio quilo, contra um avião em movimento pode gerar um impacto de até 4 toneladas. Como o quero-quero tem hábito de permanecer sempre no mesmo território, o objetivo é “estressar” a ave com a presença dos cachorros a fim de que rumem para longe do aeródromo. Experiências semelhantes foram realizadas com sucesso em países como Estados Unidos, Israel, Canadá, Chile e África do Sul.

Os estudos dos militares da BASM têm sido feitos em parceria com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e com professores de Biologia da Universidade Federal de Santa Maria. A BASM tem atuado com base na instrução normativa do IBAMA número 72 que é o plano de manejo prevendo a redução de pássaros na área de manobra.

Prevenção – Além da utilização dos cachorros, a BASM tem trabalhado com a prevenção para afastar outras aves como os urubus que também rondam o aeródromo. “Estimulamos que os pilotos reportem em ficha a ocorrência de pássaros em nossa área. Isso aprimora um mapeamento que estamos fazendo”, explica o Chefe da Seção de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da BASM, Capitão Henrique Rubens Balta de Oliveira.

A partir do mapeamento, os militares têm utilizado fogos de artifício. Outras formas de prevenção são rondas noturnas pela área patrimonial para evitar qualquer acúmulo de lixo que possa atrair aves. Além disso, a grama em toda área patrimonial é aparada periodicamente

Fonte: CECOMSAER

Veneno de marimbondo tem analgésico potente

USP identifica molécula mais forte que morfina

FABRÍCIO FREIRE GOMES
DA FOLHA RIBEIRÃO

Uma molécula extraída do veneno do marimbondo-estrela (Polybia occidentalis) pode se tornar um analgésico mais potente do que a morfina. A descoberta saiu do trabalho de biólogos da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto que testaram em ratos o composto produzido pelo inseto.

Um estudo descrevendo o efeito da molécula isolada pelos cientistas já saiu na edição de junho do periódico "British Journal of Pharmacology" (www.nature.com/bjp ). Batizada com a sigla T6Bk, a substância é um peptídeo (fragmento de proteína). Seu poder analgésico nos testes foi duas vezes maior que o da morfina.

"A substância [T6Bk] já era conhecida, mas identificamos a intervenção positiva no sistema nervoso central", disse Wagner Ferreira dos Santos, professor do Departamento de Biologia da USP de Ribeirão e orientador de Márcia Mortari, que pesquisou a substância em sua tese de doutorado. "É um resultado extremamente promissor no controle da dor."

Para comprovar a eficiência do T6Bk, Mortari fez testes para medir quanto calor os ratos suportavam quando estavam sob efeito da molécula. A uma temperatura de 55 C na cauda, o tempo esperado para o animal suportar a dor sem a droga era de até 3,5 segundos. Com a aplicação do T6Bk e da morfina, os animais agüentavam até 30 segundos. A diferença é que a dose do peptídeo do inseto foi menos que a metade da quantidade usada de morfina.

Antes de a molécula ser testada em humanos, porém, é preciso saber se seus efeitos colaterais não são piores que o da morfina, que causa dependência. "O próximo passo é estudar como a substância atua no sistema nervoso", diz Santos. "É trabalho para cinco, dez anos."